O estridor é um som semelhante a um grasnido e é predominantemente inspiratório, sendo ouvido durante a respiração. Ele se deve a uma obstrução parcial da garganta (faringe), da laringe ou da traquéia. Geralmente, o estridor é suficientemente alto para ser ouvido a uma certa distância, mas ele pode ser audível apenas durante uma respiração profunda. O som é causado pelo fluxo de ar turbulento pela via aérea superior estreitada. Nas crianças, a causa pode ser uma infecção da epiglote ou a aspiração de um corpo estranho.
Nos adultos, ele pode dever-se à presença de um tumor, de um abcesso, de um edema das vias aéreas superiores ou de uma disfunção das cordas vocais.
Algumas vezes, o estridor pode ser o sintoma de uma emergência potencialmente letal. Nesses casos, é realizada a introdução de um tubo através da boca ou da narina do indivíduo (intubação traqueal) ou diretamente na traquéia (traqueostomia) para permitir que o ar evite a obstrução e, dessa forma, a vida do paciente pode ser salva.
Infecções do trato respiratório:
Bronquite
Pneumonia
Tuberculose
Infecção por fungo (por exemplo, infecção por Aspergillus)
Abcessos pulmonares
Bronquiectasia Problemas circulatórios
Insuficiência cardíaca
Estenose da válvula mitral
Malformações arteriovenosas Corpo estranho nas vias aéreas Distúrbios hemorrágicos Trauma Lesão durante um procedimento médico Embolia pulmonar Tumor
A hemoptise é a expectoração de sangue originário do trato respiratório . O escarro com estrias de sangue é bastante comum e normalmente não é grave. Cerca de 50% dos casos são devidos a infecções como a bronquite aguda ou crônica. Não obstante, uma hemoptise importante exige uma avaliação médica rápida. Os tumores, especialmente o câncer pulmonar, são responsáveis por 20% dos casos de hemoptise.
Os médicos investigam a ocorrência de câncer pulmonar em tabagistas com mais de 40 anos que apresentam hemoptise, mesmo quando observa-se a presença de sangue no escarro. Um infarto pulmonar (morte do tecido pulmonar devido a obstrução da artéria que o irriga) também pode causar hemoptise. A obstrução de uma artéria pulmonar, denominada embolia pulmonar, pode ocorrer quando um coágulo sangüíneo desloca-se na circulação sangüínea e aloja-se na artéria. A hemorragia pode ser grave quando, acidentalmente, ocorre uma lesão de um vaso pulmonar durante a passagem de um cateter.
O cateter pode ser inserido em uma artéria ou em uma veia pulmonar para mensurar as pressões no coração e nos vasos sangüíneos que entram e saem dos pulmões. O aumento da pressão sangüínea nas veias pulmonares, como pode ocorrer na insuficiência cardíaca, também é uma causa de hemoptise.
Se a hemoptise provocar uma importante perda de sangue ou se é recorrente, ela pode ser letal e, por essa razão, a sua origem deve ser determinada e o sangramento interrompido. A broncoscopia (exame que utiliza um tubo de visualização que é introduzido até os brônquios) pode identificar o foco de sangramento.
A cintilografia com radioisótopos (cintilografia de perfusão) pode revelar uma embolia pulmonar. Mesmo com os exames, a causa da hemoptise não é identificada em 30 a 40% dos casos. Entretanto, a causa da hemoptise grave normalmente é estabelecida.
A hemoptise leve pode não exigir tratamento ou demandar apenas o uso de antibióticos para combater uma infecção. A hemorragia pode produzir coágulos que bloqueiam as vias aéreas e acarretam novos problemas respiratórios. Por essa razão, a tosse é um mecanismo eficaz para manter as vias aéreas livres e não deve ser suprimida por medicamentos antitussígenos. A inalação de névoa quente ou fria produzida por um vaporizador ou por um umidificador pode auxiliar na eliminação de um coágulo.
A fisioterapia respiratória também pode ser necessária. Quando um coágulo grande obstrui um brônquio importante, ele pode ser removido utilizando-se um broncoscópio. Geralmente, o sangramento de vasos pequenos cessa espontaneamente. Por outro lado, o sangramento de um vaso importante normalmente requer tratamento. O médico pode tentar interromper o sangramento ocluindo o vaso, utilizando um procedimento denominado embolização da artéria brônquica.
Orientado por radiografias, ele introduz o cateter até o vaso e, em seguida, injeta uma substância química que provoca o fechamento do vaso.
O sangramento causado por uma infecção ou pela insuficiência cardíaca geralmente cessa tanto quanto o tratamento do distúrbio subjacente é bem sucedido.
Algumas vezes, é necessária a realização de uma broncoscopia ou de uma cirurgia para remover a parte afetada do pulmão. Esses procedimentos de alto risco são utilizados apenas em último caso. Se existirem distúrbios da coagulação que contribuem para o sangramento, pode ser necessária a realização de transfusão de plasma, de fatores da coagulação ou de plaquetas.
A cianose é a coloração azulada da pele decorrente de uma quantidade inadequada de oxigênio no sangue. A cianose ocorre quando o sangue desprovido de oxigênio, que é mais azulado do que vermelho, circula através dos vasos da pele. A cianose que permanece limitada aos dedos das mãos e dos pés normalmente ocorre porque o sangue flui muito lentamente através dos membros. A cianose pode ocorrer quando a ação de bomba do coração é fraca ou quando o indivíduo expõe-se ao frio.
A cianose generalizada pode ser conseqüência de vários tipos de doenças pulmonares graves e de determinadas malformações vasculares e cardíacas que desviam o sangue do lado venoso para o lado arterial da circulação. A quantidade de oxigênio no sangue pode ser determinada pela gasometria arterial. Algumas vezes, pode ser necessária a realização de radiografias, estudos do fluxo sangüíneo e provas das funções pulmonar e cardíaca para se determinar a causa da diminuição do oxigênio no sangue e da conseqüente cianose. Freqüentemente, o tratamento inicial instituído é a administração de oxigênio suplementar.
O baqueteamento dos dedos é o aumento de volume das pontas dos dedos das mãos ou dos pés e a perda do ângulo de emergência da unha. O baqueteamento dos dedos, que não representa um perigo médico, é freqüentemente causado por doenças pulmonares, embora muitas outras possam causar essa alteração. Em algumas famílias, o baqueteamento dos dedos das mãos não está relacionado a qualquer doença e é hereditário.
Reconhecimento do Baqueteamento dos Dedos das Mãos
O baqueteamento dos dedos das mãos é caracterizado pelo aumento do volume da ponta dos dedos e pela perda do ângulo normal do leito ungueal

Dedo Normal

Dedo com Baqueteamento
A insuficiência respiratória é uma condição na qual o nível de oxigênio no sangue torna-se perigosamente baixo ou o nível de dióxido de carbono perigosamente alto. A insuficiência respiratória é conseqüência de uma troca inadequada de oxigênio e dióxido de carbono entre os pulmões e o sangue ou de uma alteração da ventilação (movimento do ar para dentro e fora dos pulmões). Quase todas as condições que afetam a respiração ou os pulmões podem causar insuficiência respiratória. Uma dose excessiva de narcóticos ou de álcool produz uma sonolência tão profunda que o indivíduo pode parar de respirar e apresentar insuficiência respiratória.
Outras causas comuns são a obstrução das vias aéreas, as lesões de tecidos pulmonares, as lesões de ossos e de tecidos que envolvem os pulmões e a debilidade dos músculos normalmente responsáveis pela insuflação pulmonar. A insuficiência respiratória pode ocorrer se o fluxo sangüíneo através dos pulmões torna-se anormal, como acontece na embolia pulmonar. Esse distúrbio não chega a impedir que o ar entre e saia dos pulmões, mas, em uma área pulmonar sem fluxo sangüíneo, o oxigênio não é extraído adequadamente do ar e a transferência de dióxido de carbono não ocorre de modo normal.
Outras causas de fluxo sangüíneo anormal, como os distúrbios congênitos que enviam sangue diretamente para o restante do corpo sem antes passar pelos pulmões, também podem causar insuficiência respiratória.
| Razão Subjacente |
Causa |
| Obstrução das vias aéreas |
Bronquite crônica, enfisema, bronquiectasia, fibrose cística, asma, bronquiolite, partículas aspiradas |
| Respiração insuficiente |
Obesidade, apnéia do sono, intoxicação por drogas |
| Debilidade muscular |
Miastenia grave, distrofia muscular, poliomielite, síndrome de Guillain-Barré, polimiosite, acidente vascular cerebral, esclerose lateral amiotrófica, lesão da medula espinhal |
| Anormalidade do tecido pulmonar |
Síndrome da angústia respiratória aguda, reação medicamentosa, fibrose pulmonar, alveolite fibrosante, tumores disseminados, radiação, sarcoidose, queimaduras |
| Anormalidade da parede torácica |
Cifoescoliose, ferimento na região torácica |
Alguns sintomas da insuficiência respiratória variam de acordo com a causa. No entanto, níveis baixos de oxigênio produzem cianose (coloração azulada da pele) e níveis elevados de dióxido de carbono causam confusão mental e sonolência. Um indivíduo com obstrução das vias aéreas pode apresentar falta de ar e esforçar- se muito para respirar, enquanto um indivíduo que se encontra intoxicado ou debilitado pode simplesmente entrar em coma. Independente da causa da insuficiência respiratória, os níveis baixos de oxigênio produzem em última instância um mau funcionamento cerebral e cardíaco, acarretando deterioração da consciência e arritmias cardíacas (ritmos cardíacos anormais) que podem levar à morte.
O aumento da concentração de dióxido de carbono faz com que o sangue torne-se ácido, afetando ainda mais os órgãos, especialmente o coração e o cérebro.
O organismo tenta livrar-se do dióxido de carbono com respirações rápidas e profundas, mas, se a função pulmonar estiver comprometida, esse padrão respiratório pode não ajudar. Quando a insuficiência respiratória apresenta uma evolução lenta, a pressão nos vasos sangüíneos pulmonares aumenta, uma condição denominada hipertensão pulmonar. Caso não seja tratada, ela lesa os vasos sangüíneos, comprometendo ainda mais a transferência de oxigênio para o sangue e estressando o coração com conseqüente insuficiência cardíaca.
No início da insuficiência respiratória, quase sempre é realizada a administração de oxigênio. Normalmente a quantidade administrada é superior à necessária, exceto se o indivíduo sofrer de insuficiência respiratória crônica. Esse tipo de paciente tende a apresentar uma redução da freqüência respiratória quando submetido a uma oxigenação. A causa subjacente também deve ser tratada. Antibióticos são administrados para combater infecções e broncodilatadores são utilizados para dilatar as vias aéreas.
Outras medicações também podem ser administradas para reduzir a a inflamação ou evitar a formação de coágulos sangüíneos. Alguns pacientes em estado grave necessitam de ventilação mecânica como adjuvante na respiração. É realizada a passagem de um tubo plástico através da narina ou da boca, até a traquéia. O tubo é conectado a um aparelho que impulsiona o ar para o interior dos pulmões. A expiração ocorre passivamente devido à retração elástica dos pulmões.
Muitos tipos de ventiladores e modos de operação podem ser utilizados, dependendo do distúrbio subjacente. Quando os pulmões não funcionam corretamente, é possível a administração de oxigênio suplementar com o uso do ventilador. A ventilação mecânica pode salvar a vida de pacientes quando esses são incapazes de realizar por si uma ventilação adequada.
A quantidade de líquido no organismo deve ser controlada e ajustada rigorosamente para maximizar as funções pulmonar e cardíaca. Deve-se manter a acidez do sangue equilibra equilibrada, tanto pelo ajuste da freqüência respiratória como pela utilização de medicamentos que promovem o tamponamento dos ácidos. Além disso, são administrados medicamentos que visam manter o paciente calmo e, conseqüentemente, reduzem a demanda de oxigênio do organismo e torna a insuflação pulmonar mais fácil. Quando o tecido pulmonar apresenta uma lesão grave, como ocorre na síndrome da angústia respiratória aguda, o médico freqüentemente aventa a possibilidade da administração de corticosteróides, medicamentos que reduzem a inflamação.
Entretanto, o uso rotineiro desses medicamentos não é justificado, uma vez que eles podem causar muitas complicações, incluindo a perda da força muscular. Em geral, essas substâncias são mais benéficas para os indivíduos que apresentam distúrbios que sabidamente causam inflamação pulmonar ou das vias aéreas, como as vasculites, a asma e as reações alérgicas.
Os fisioterapeutas utilizam várias técnicas que auxiliam no tratamento das doenças pulmonares, como a drenagem postural, a aspiração, os exercícios respiratórios e a respiração com os lábios contraídos. A escolha da terapia baseia-se na causa subjacente e no estado geral do paciente.
Na drenagem postural, o paciente é colocado em uma posição inclinada ou em um ângulo que facilita a drenagem das secreções pulmonares. Também podem ser aplicadas palmadas (com as mãos em concha) sobre o tórax ou o dorso para auxiliar a liberação de secreções. Esta técnica é denominada percussão torácica ou tapotagem. Opcionalmente, o terapeuta pode utilizar um vibrador mecânico.
Essas técnicas são aplicadas em intervalos regulares nos pacientes que apresentam distúrbios que produzem uma grande quantidade de escarro, como a fibrose cística, a bronquiectasia e o abcesso pulmonar. Elas também podem ser utilizadas quando o indivíduo não consegue expectorar de forma eficaz, como ocorre com os idosos, com aqueles que apresentam fraqueza muscular e com os pacientes em período de convalescença de uma cirurgia, de uma lesão ou de uma enfermidade grave.
Os fisioterapeutas e os enfermeiros especializados nessa área utilizam a aspiração para remover secreções das vias aéreas. Para realizar a sucção, esses profissionais geralmente introduzem um pequeno tubo plástico através da narina e o avançam alguns centímetros na via aérea. Em seguida, realizam uma aspiração suave para retirar secreções que não podem ser expectoradas.
A aspiração também é utilizada para a eliminação de secreções em pacientes passaram por uma traqueostomia ou que apresentam um tubo de respiração introduzido através da narina ou da boca até a traquéia.
Os exercícios respiratórios podem proporcionar uma sensação de bem-estar, melhorar a qualidade de vida e ajudar a fortalecer os músculos responsáveis pela insuflação e desinsuflação dos pulmões. No entanto, eles não melhoram a função pulmonar de modo direto. Ainda assim, os exercícios respiratórios reduzem a probabilidade de complicações pulmonares pós-cirúrgica em tabagistas inveterados e em outros pacientes com doenças pulmonares.
Esses exercícios são particularmente úteis para os indivíduos sedentários que apresentam doença pulmonar obstrutiva crônica ou que tenham sido submetidas à ventilação mecânica. Freqüentemente, esses exercícios envolvem o uso de um instrumento denominado espirômetro de incentivo. O paciente inspira com a maior força possível através de um tubo conectado a um dispositivo plástico. Este dispositivo possui uma bola que se eleva em cada inspiração. Esses dispositivos são utilizados rotineiramente nos hospitais antes e depois de cirurgias. Contudo, os exercícios de respiração profunda, estimulados pelos enfermeiros e fisioterapeutas, podem ser mais eficazes que os exercícios de respiração com um espirômetro de incentivo.
Essa técnica pode ser útil para os indivíduos com doença pulmonar obstrutiva crônica, os quais insuflam exageradamente os pulmões durante episódios de obstrução das vias aéreas ou em decorrência de uma crise de pânico ou de um esforço físico. A respiração com os lábios contraídos representa um exercício adicional para os indivíduos que já vêm realizando algum tipo de treinamento respiratório.
O paciente é orientado a expirar com os lábios parcialmente fechados (contraídos), como se estivesse se preparando para assobiar. Esse procedimento aumenta a pressão nas vias respiratórias, ajudando a evitar que as mesmas colapsem. O exercício não produz efeitos adversos e alguns indivíduos adotam esse hábito sem qualquer instrução.
Fonte: www.msd-brazil.com