A respiração é uma das funções essenciais do organismo. Consiste em fornecer oxigênio ao sangue, oxigênio esse que será levado a todas as células. Sem oxigênio, os tecidos, e, portanto, o organismo inteiro, não poderiam viver. O oxigênio está contido no ar e o ar entra em contato com o sangue, mediante um aparelho chamado "respiratório".
Permite ele as trocas entre o sangue e o ar: o ar cede ao sangue o oxigênio; o sangue, por sua vez, por meio dos pulmões, abandona o anidrido carbônico que é um produto de rejeição da respiração das células. A respiração se exerce por meio de uma série de atos tais que permitem a passagem do ar através das vias respiratórias.
Começando pelo nariz, que é onde a gente pega o ar. Dentro do nariz, há um monte de pêlos. Eles servem como um filtro, já que o ar pode estar sujo.
E, contra a sujeira, espirro nela! Sim, é um dos motivos por que a gente espirra.
Para expulsar impurezas que vêm junto com o ar inspirado. Imagine argh que um mosquito entra no seu nariz. Ele vai ficar preso nos pêlos, aí seu corpo vai expulsar um monte de ar, fazendo uma ventania. É o espirro! O mosquito vai sair a mais de 160 quilômetros por hora! E já vai tarde.
O ar pode entrar pela boca também, mas nesse caso não é filtrado.
É por isso que dizem: em boca fechada não entra mosquito.
Para o ar, a boca deve ser como uma rua de mão única: só saída.
Do nariz ou da boca, o ar passa por um grande túnel, cheio de estações, como a linha do metrô. No começo do túnel há um portão, a glote. Ela só deixa entrar o ar, impedindo que alimentos passem.
A primeira estação é a laringe, muito importante para a voz.
Por isso que a gente fica rouco quando tem laringite: é quando a laringe está doente.
Em seguida, vêm as cordas vocais. São elas que regulam o ar, quando a gente fala grosso ou fino.
Logo embaixo vem a traquéia. É a última estação antes de chegar aos pulmões ou a primeira quando o ar está saindo.
Como o nariz, a traquéia tem um filtro de pêlos, que não deixa que nenhuma partícula passe para os pulmões: próxima parada...
No começo dos pulmões estão os brônquios. A gente só lembra deles se tem bronquite, mas são muito importantes. Os brônquios formam uma rede através do pulmão, levando o ar por caminhos cada vez mais estreitos até os alvéolos. A bronquite faz esses caminhos ficarem muito mais estreitos, causando falta de ar.
Alvéolos pulmonares, a estação terminal do sistema respiratório. Aqui o ar é passado ao sangue e começa outra viagem. Para a gente, o principal componente do ar é o oxigênio. Então o sangue vai pegar o oxigênio com seus glóbulos vermelhos e levá-lo até as mais remotas células. Pensa que demora? Que nada, isso acontece muitas vezes por minuto.
É nos alvéolos também que chega o sangue sujo, com o ar usado.
Lembra que o coração manda o sangue sujão para o pulmão?
Quando você respira, as células transformam o oxigênio em gás carbônico.
Os alvéolos pegam esse ar usado e mandam embora, pelo mesmo caminho por onde entrou: brônquios, traquéia, cordas vocais, laringe, nariz ou boca.
Então quer dizer que, quando a gente fala, nossas palavras estão cheias de significado e... gás carbônico!? Pois é.
A peça central do movimento da respiração é o diafragma. Ele fica logo abaixo da caixa torácica. Para o ar entrar, ele abaixa e empurra o estômago. Para expulsar o ar, ele dá um empurrão para cima. Portanto, quando você fala, é o diafragma que está mandando o ar para cima.
É raro encontrar alguém que não teve durante a vida uma crise de soluço. E existem outras pessoas que apresentam crises periódicas, quase mensais, tomando sua vida um inferno.
O soluço decorre da contração involuntária e repetida do músculo diafragma, que separa o tórax do abdômen. O diafragma é o elemento mais importante da respiração, sendo inervado pelo frênico, que sai da medula na altura da coluna cervical. O ruído característico do soluço decorre do fechamento súbito da glote, com vibrações das cordas vocais.
Portanto, o soluço é provocado pela irritação do diafragma. Assim, qualquer situação que imite o nervo frênico ou diretamente o músculo, acontece o soluço. As crises agudas de soluço são leves e passageiras, tornando impossível descobrir a causa, porém regridem espontaneamente. Entre as causas agudas de soluço, podemos mencionar a ingestão excessiva de bebidas alcoólicas, bebidas quentes ou irritativas (café, etc.), alimentação excessiva ou agressiva (condimentos em geral), aerofagia (ingestão de ar), enfim, tudo que pode ocasionar irritação do esôfago, estômago e do nervo frênico.
As pessoas excessivamente ansiosas (neuroses em geral), com maus hábitos alimentares (comer rápido, não mastigar bem, etc.), portadores de doenças intestinais etc., geralmente engolem ar numa quantidade exagerada, causando a síndrome da bolha gástrica. A distensão aguda do estômago determina então, dores intensas e soluços. Cerca de 20 a 60% do gás no tubo digestivo provém do ar deglutido, todavia a ingestão excessiva determina a aerofagia.
Com a finalidade de aliviar a sensação prolongada de distensão, o indivíduo tenta expulsar o ar pelo arroto ou eructação, piorando ainda mais a situação. Com efeito, em decorrência do arroto, o indivíduo engole mais ar num círculo vicioso interminável. O mesmo acontece com os lactentes, que ao mamarem engolem ar, provocando uma dilatação do estômago, que pode terminar em soluço. Por isso, os pediatras recomendam a posição vertical dos bebês após a mamada, que facilita a eliminação do ar pelo arroto, eliminando a causa do soluço. Se o lactente permanecer deitado no berço o soluço persiste, provocando o vômito.
Os soluços crônicos e prolongados são indicadores de doenças graves, como as neurites do nervo frênico (herpes zoster. difteria, hanseníase, sífilis, etc.), doenças pulmonares (pneumonias, neoplasia, abscessos, água na pleura, etc.), enfermidades do esôfago (megas, tumores, regurgitação, etc.), do estômago (câncer, úlceras, gastrites, etc.), do intestino (úlceras, tumores, etc.), do fígado (cirrose, hepatites, tumores, etc.), do pâncreas (pancreatites, etc.) e até do aparelho urinário (pedras, neoplasias, etc) e do cérebro (tumores).
Os indivíduos terminais, com distúrbios metabólicos importantes (uremia, amoniemia, etc.) ou com distúrbios respiratórios (acidose, alcalose, etc.), também apresentam soluços intermináveis e de tratamento problemático. O soluço aparece mais no sexo masculino do que no feminino, sem se saber por quê. Em geral, regride de maneira espontânea, sem causar qualquer tipo de prejuízo. Entre as soluções caseiras para os soluços esporádicos, citam-se interromper a respiração por alguns segundos ou respirar dentro de um saco de papel (nunca de plástico), pois o acúmulo de gás carbônico no sangue inibe a contração do diafragma, parando o soluço. Ainda beber água gelada rapidamente e engolir pão seco ou gelo triturado.
O susto não exerce qualquer efeito na mecânica do soluço. Se for criança provoca angústia e medo, sem resolver o problema. O tratamento do soluço crônico necessitada descoberta e solução da causa básica ou doença primária. Pode-se usar remédios, como o amplictil, até o bloqueio anestésico dos nervos que controlam o diafragma, provocando a sua paralisação. Portanto, o fundamental no soluço é descobrir a causa que irrita o músculo diafragma, através de exames de laboratório, sob a orientação médica
Às vezes a gente está comendo e engole ar junto. Então a glote fica confusa, não sabe se abre, se fecha... E o diafragma entra em ação, empurrando ar para cima para expulsar algum alimento que possa ter entrado.
Aí, para o soluço ir embora, cada um tem uma receita: beber água pulando num pé só, prender a respiração e contar até 83, pular corda enquanto assovia o hino nacional e outras loucuras.

Trocas gasosas no organismo
1- Pulmões
2- Hematose Hb + 402 = HbOg
3- Veia pulmonar
4- Aorta;
5- O2 dissolvido -HbOg
6- Células e tecidos
7- Respiração dos tecidos HbOgs = Hb + 402
8- Eliminação do anidrido carbônico Hb + C02 = HmC02
9- Anidrido carbônico dissolvido, bicarbonatos, HbC02
10- Veia cava
11- Artéria pulmonar
O ar que entra nos pulmões sofre modificações.
Vejamos primeiro qual é a sua composição, tendo em conta que o ar inspirado e absolutamente idêntico ao ar atmosférico: os 21% são constituídos de oxigênio; os 79%, de azoto ou nitrogênio; há, além disso, traços de anidrido carbônico e uma certa quantidade de vapor de água. Tal composição, nos alvéolos pulmonares, é, porém, já diversa, porquanto o ar externo se mistura com aquele já presente nos pulmões, isto é, o ar residual; nesta mistura, o oxigênio desce a 16% e o anidrido, praticamente inexistente antes, elevou-se a 4,6%. O ar expirado contém ainda os 79% de azoto (gás que não participa da respiração), mas o oxigênio ficou reduzido a 15,4% e o anidrido carbônico subiu a 4,30%. Também o vapor de água está notavelmente aumentado (a respiração constitui, na verdade, um importante meio de eliminação de água do organismo). Nos pulmões passam, em um dia, 11 mil litros de ar; uma vez que 1/5 deste é constituído de oxigênio e um litro deste gás pesa 1,4 gramas, pode-se concluir que, em um dia, o homem inspira 2,500 kg de oxigênio e expira 1.750. Os 750 gramas de diferença, equivalentes a cerca de 530 litros, representam a quantidade de oxigênio fixada nos glóbulos vermelhos. A quantidade de" anidrido carbônico eliminada nas 24 horas é de 850 gramas, cerca de 400 litros.
Vejamos agora as modificações químicas que têm lugar ao nível dos tecidos. O oxigênio do ar inspirado atravessa a parede dos alvéolos e entra nos capilares sangüíneos; neles, se fixa sobre a hemoglobina dos glóbulos vermelhos, os quais o levam para todas as partes do organismo.
Nos capilares dos tecidos tem lugar o fenômeno oposto: o oxigênio abandona a hemoglobina, e entra nas células, ajudado nesta sua passagem por alguns importantes fermentos ou enzimas. Isto constitui a respiração dos tecidos ou respiração interna.
O oxigênio serve para as combustões profundas das células, à sua nutrição e à sua reprodução; os produtos resultantes destas combustões seriam em parte inteiramente destruídos e em parte assimilados pelas células; as partes inúteis ou nocivas são lançadas no sangue: as escórias solúveis entram no plasma e são depois eliminadas pelo rim; as partes gasosas (anidrido carbônico) fixam-se sobre os glóbulos vermelhos que as transportam aos pulmões, dos quais são, pela expiração, eliminados. Os pulmões representam, pois, um centro de trocas; entre pulmões e tecidos o indispensável intermediário é o sangue.
O sangue arterial contém 18% de oxigênio e 38% de anidrido carbônico; o sangue venoso contém só 1,8% de oxigênio, enquanto o anidrido carbônico sobe a 48%. Toda troca respiratória tem por causa uma diferença de pressão (tensão) entre o sangue e o ar. O oxigênio, nos capilares pulmonares tem uma tensão de 44 mm, enquanto a pressão do oxigênio no ar varia de 110 a 140mm. Tem-se, portanto, uma passagem do oxigênio do ar para o sangue. Ao contrário, o anidrido carbônico, nos capilares pulmonares tem uma tensão de 82mm, muito superior à pressão do anidrido carbônico no ar (7 mm). Portanto, o anidrido carbônico passa dos glóbulos para o ar.
A hemoglobina não retém só o oxigênio e o anidrido carbônico, mas tem, também, afinidade pelo óxido de carbono; e mesmo, enquanto com os dois primeiros gases a ligação é lábil (tanto é verdade que eles abandonam facilmente a hemoglobina para passar nos tecidos ou no ar), o óxido de carbono forma com a hemoglobina um composto estável, a carboxiemoglobina. Em outras palavras, uma vez fixado hemoglobina, o óxido de carbono não se separa mais, e por isso é um gás venenoso. Quando um indivíduo respira em uma atmosfera rica em óxido de carbono, se envenena lentamente; os seus glóbulos vermelhos estão ocupados pelo gás e não são mais disponíveis para a respiração normal.
Quando a atmosfera está saturada de gás, vem a morte em pouco tempo.
Tais acidentes são muito comuns. O óxido de carbono se forma pela combustão incompleta do carbono. Por isso é perigoso dormir em locais aquecidos com aparelhos que queimam carvão. O óxido de carbono é um constituinte essencial do gás de iluminação e a isso é devida a sua periculosidade.
No curso da respiração se produz um outro fenômeno: o sangue elimina uma parte da água, sob a forma de vapor de água, passando pelos pulmões. Em conseqüência se esfria passando para o ar . A temperatura do sangue na artéria pulmonar é na verdade superior àquela do sangue das veias pulmonares. A evaporação da água ao nível dos pulmões é um complemento daquela muito maior que se realiza na superfície da pele ( eliminação do suor) e contribui para manter constante a temperatura do corpo.
Para que fique bem compreendido o funcionamento do aparelho respiratório é necessário insistir sobre um ponto básico: o fenômeno da dilatação dos pulmões " é puramente passivo, isto é, os pulmões se dilatam porque a caixa torácica se dilata. E a caixa torácica se dilata por um movimento ativo de contração dos músculos ditos inspiradores. Na verdade, a pressão do ar, de dentro para fora, não sendo compensada por uma pressão contrária, obriga os pulmões a acompanharem os movimentos da caixa torácica.
Fonte: www.studiomel.com