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Audição

Diagrama de Funcionamento do Órgão de Corti

Sistema Sensorial
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O funcionamento básico do órgão de Corti pode ser resumido esquematicamente em 5 estágios:

1. As ondas sonoras movem a Membrana Basilar para cima e para baixo.

2. Os cílios das Célular Ciliadas Externas (CCE), implantados na Membrana Tectorial (em azul claro) se curvam e a célula é despolarizada.

3. As CCE despolarizadas reagem através de uma contração (eletromotilidade): isto é um mecanismo ativo.

4. Devido à firme junção entre as CCE com a Membrana Basilar e a Membrana Reticular, este mecanismo ativo gera energia de volta para o Órgão de Corti e assim as Células Ciliadas Interiores (CCI) são excitadas, provavelmente através da ativação de seus cílios pela Membrana Tectorial.

5. as sinapses nervosas das CCI são ativadas e a mensagem é enviada ao Sistema Nervoso Central.

Como Funciona o Ouvido?

Como Funciona o Ouvido
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A explicação pode ser encontrada, com maior probabilidade, nos mecanismos básicos da audição e na maneira como o cérebro "lê" a mensagem a partir do ouvido. Não ouvimos com o nosso ouvido. Ouvimos com o cérebro. O ouvido simplesmente converte ondas sonoras (vibrações) em impulsos nervosos: a linguagem do cérebro.

O som é ouvido quando vibrações (ondas) com freqüências entre 20 e 20.000 ciclos por segundo (Hertz-símbolo da unidade: Hz) alcançam o ouvido em um nível suficiente de intensidade. A altura do som constitui o correspondente perceptivo da freqüência; quanto maior for a freqüência, mais agudo será o som. A intensidade do som é o correspondente perceptivo da amplitude das vibrações; quanto maior for a amplitude da vibração, mais intenso será o som.

Quando as ondas sonoras alcançam o ouvido, o tímpano é acionado como uma membrana microfone, vibrando com a freqüência do som. As vibrações são transmitidas através dos ossículos do ouvido médio para a cóclea e, então, movimentam as fibras de uma membrana que está no interior da cóclea. Essa membrana (basilar) é composta de "cordas" transversais, entrelaçadas, cada uma afinada com uma freqüência/altura específica. Devido às leis da ressonância e da estrutura da membrana, as vibrações da membrana (deslocamento) serão maiores na "corda" que está afinada com a freqüência em questão. Cada nota terá, assim, uma localização específica ao longo da membrana - das mesma forma como as cordas de uma harpa ou de um piano. As "cordas" no ouvido interno são acionadas pela ressonância, de um modo bastante semelhante ao que ocorre quando se levanta a tampa do piano e se grita no seu interior, enquanto se aperta o pedal direito; o piano "responde" com um som fraco correspondente à altura do grito devido às vibrações (ressonância) nas cordas afinadas com o grito. (Figuras 1 e 2).

Células sensitivas com cílios no ápice estão incrustadas na membrana. Quando os cílios se inclinam durante o deslocamento da membrana, ocorre a liberação de uma substância química eletricamente carregada, que é recolhida por uma fibra nervosa que conduz esse impulso nervoso para o cérebro. No caso de ocorrerem muitos sons ao mesmo tempo durante o estímulo sonoro, cada som produzirá deslocamento da membrana no seu lugar característico.

Constituição do Sistema Auditivo Humano

O ouvido humano pode ser separado em três grandes partes, de acordo com a função desempenhada e a localização. São elas: o ouvido externo, o ouvido médio e o ouvido interno. Segue-se então uma vista panorâmica do sistema auditivo humano na qual as suas três zonas constituintes são discriminadas.

Sistema Auditivo Humano
Figura 1 - Vista panorâmica. (Passe com o cursor por
cima da imagem para ver as legendas)

1. O Ouvido Externo

Fazem parte do ouvido externo o pavilhão auricular e o canal auditivo, cujas funções são recolher e encaminhar as ondas sonoras até ao tímpano. É também no canal auditivo que se dá a produção de cera, que não é mais do que uma forma de este se manter úmido e limpo. Isto porque a cera ajuda a reter partículas de pó, sujidade e microorganismos. Será importante referir que os vulgares cotonetes não devem ser introduzidos no canal auditivo. Isto porque ajudam a empurrar a cera contra o tímpano podendo danificá-lo ou, no mínimo, formar uma barreira que dificulta a audição.

O pavilhão auricular é muito desenvolvido em muitas das espécies de mamíferos terrestres (sendo fundamental na localização de presas e de predadores) e é dotado de movimento. Com a evolução da nossa espécie, essa capacidade foi-se perdendo. Contudo, existem humanos que ainda hoje conseguem produzir pequenos movimentos com as orelhas.

2. O Ouvido Médio

O ouvido médio, também denominado de caixa timpânica, representado com algum detalhe na Figura 2, é uma cavidade com ar, por detrás da membrana do tímpano (4), através da qual a energia das ondas sonoras é transmitida, do ouvido externo até à janela oval na cóclea, esta já no ouvido interno. Essa transmissão de energia é efetuada através de três ossos minúsculos (o martelo (1), a bigorna (2) e o estribo (3)), que vibram, solidários com o tímpano. Estes três ossos (seis, se contarmos com os dois ouvidos) são os mais pequenos que podemos encontrar no corpo humano. No ouvido médio existe ainda um canal, em parte ósseo, em parte fibrocartilagíneo, denominado de trompa de Eustáquio (6), que o mantém em contacto com a rinofaringe. Esta é a forma encontrada pela natureza de manter uma pressão constante no ouvido médio. Para que isso possa acontecer, a trompa de Eustáquio abre e fecha constantemente.

A membrana do tímpano é, na realidade, constituída por três camadas, sendo a camada exterior uma continuação da pele do canal auditivo. A parcela superior da membrana denomina-se de pars flaccida, enquanto que a parcela inferior se chama pars tensa. É na parte central da pars tensa que se localiza a área vibrante ativa, em resposta a um estímulo sonoro. A membrana timpânica é uma estrutura auto-regenerativa, sendo por isso capaz de corrigir um furo na sua estrutura.

A cadeia de pequenos ossos, as suas articulações e ligamentos estão revestidos por uma mucosa e pode tornar-se mais ou menos tensa, pela ação de dois pequenos músculos, o do martelo e o do estribo. Através deste mecanismo é possível limitar a transmissão de energia para o interior da cóclea (algo que é útil para evitar danos no ouvido interno quando estamos expostos a sons de intensidade elevada).

Ouvido médio
1.
Martelo
2. Bigorna
3. Estribo
4. Tímpano
5. Janela Redonda
6. Trompa de Eustáquio
Figura 2 - Ouvido médio em mais detalhe

Ouvido interno
1.
Canais semicirculares
2. Nervo Auditivo
3. Membrana Basilar
4. Cóclea
Figura 3 - Ouvido interno em mais detalhe

Para além da cóclea, no ouvido interno encontra-se também o labirinto vestibular, constituído pelo sáculo (4) e pelo utrículo (14), que são os órgãos do sentido do equilíbrio e que informam o nosso cérebro sobre a posição do corpo no espaço. Repare-se na figura seguinte. Os canais semicirculares laterais, anteriores, e posteriores fazem também parte do labirinto vestibular, informando o cérebro sobre o movimento rotatório no espaço. A informação proveniente do labirinto vestibular e da cóclea é transmitida ao cérebro pelo nervo auditivo, como ser pode verificar na Figura 3.

Audição
1.
Canal Semicircular Anterior
2. Canal Superior
3. Canal Lateral
4. Sáculo
5. Duto Coclear
6. Helicotrema ou Apex
7. Canal Lateral
8. Canal Posterior
9. Canal Posterior
10. Janela Oval
11. Janela Redonda
12. Duto Vestibular (Scala Vestibuli)
13. Duto Timpanico (Scala Tympani)
14. Utrículo
Figura 4 - A cóclea e os canais semicirculares.

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