Um fenômeno chamado ressonância ocorre na cóclea para permitir que cada freqüência sonora faça vibrar uma secção diferente da membrana basilar. Essas vibrações são semelhantes àquelas que ocorrem em instrumentos musicais de corda. Quando a corda de um violino, por exemplo, é puxada para um lado, fica um pouco mais esticada do que o normal e esse estiramento faz com que se mova de volta na direção oposta, o que faz com que a corda se torne esticada mais uma vez, mas agora na direção oposta, voltando então à primeira posição. Esse ciclo repete-se várias vezes, razão pela qual uma vez que a corda começa a vibrar, assim permanece por algum tempo.
Quando sons de alta freqüência penetram na janela oval, sua propagação faz-se apenas num pequeno trecho da membrana basilar, antes que um ponto de ressonância seja alcançado. Como resultado, a membrana move-se forçosamente nesse ponto, enquanto o movimento de vibração é mínimo por toda a membrana. Quando uma freqüência média sonora penetra na janela oval, a onda propaga-se numa maior extensão ao longo da membrana basilar antes da área de ressonância ser atingida. Finalmente, uma baixa freqüência sonora propaga-se ao longo de quase toda a membrana antes de atingir seu ponto de ressonância. Dessa forma, quando as células ciliares próximas à base da cóclea são estimuladas, o cérebro interpreta o som como sendo de alta freqüência (agudo), quando as células da porção média da cóclea são estimuladas, o cérebro interpreta o som como de altura intermediária, e a estimulação da porção superir da cóclea é interpretada como som grave.
PERCEPÇÃO DA INTENSIDADE DE UM SOMA intensidade de um som é determinada pela intensidade de movimento das fibras basilares. Quanto maior o deslocamento para frente e para trás, mais intensamente as células ciliares sensitivas são estimuladas e maior é o número de estímulos transmitidos ao cérebro para indicar o grau de intensidade. Por exemplo, se uma única célula ciliar próxima da base da cóclea transmite um único estímulo por segundo, a altura do som será interpretada como sendo de um som agudo, porém de intensidade quase zero. Se essa mesma célula ciliar é estimulada 1.000 vezes por segundo, a altura do som permanecerá a mesma (continuará agudo), mas a sua intensidade será extrema (a potência do som será maior devido à intensidade de movimento das fibras basilares).
ENERGIA ELÉTRICA – DA ORELHA INTERNA AOS CENTROS AUDITIVOS DO TRONCO ENCEFÁLICO E CÓRTEX CEREBRALApós atravessarem o nervo coclear, os estímulos são transmitidos, como já dito anteriormente, aos centros auditivos do tronco encefálico e córtex cerebral, onde são processados.
Os centros auditivos do tronco encefálico relacionam-se com a localização da direção da qual o som emana e com a produção reflexa de movimentos rápidos da cabeça, dos olhos ou mesmo de todo o corpo, em resposta a estímulos auditivos.
O córtex auditivo, localizado na porção média do giro superior do lobo temporal, recebe os estímulos auditivos e interpreta-os como sons diferentes.
Resumindo : na orelha interna, as vibrações mecânicas se transformam em ondas de pressão hidráulica que se propagam pela endolinfa. A vibração da janela oval, provocada pela movimentação da cadeia ossicular, move a endolinfa e as células ciliares do órgão de Corti, gerando um potencial de ação que é transmitido aos centros auditivos do tronco encefálico e do córtex cerebral.
O Sistema AuditivoO som é uma vibração de moléculas. Quando ele é produzido, faz com as moléculas do ar (ou de qualquer outro meio material) vibrem de um lado para o outro. Isso faz vibrar o grupo de moléculas seguintes, que por sua vez provoca a vibração de outro grupo, e assim o som se propaga.
O ouvido é essencialmente um mecanismo de recepção de ondas sonoras e de conversão de ondas sonoras em impulsos nervosos. O ouvido é formado de três partes: ouvido externo, ouvido médio e ouvido interno. O ouvido externo capta as vibrações de ar; o ouvido médio as amplia, conduzindo-as ao ouvido interno; o ouvido interno transforma as vibrações em mensagens nervosas.
Ouvido externo - Ouvido médio - Ouvido interno1) Canal auditivo 2) Tímpano 3) Martelo 4) Bigorna 5) Estribo 6) Janela oval 7) Tromba de Eustáquio 8) Cóclea 9) Nervo auditivo
Ouvido externoO ouvido externo é formado de uma concha de cartilagem flexível e pele, ligada às partes laterais da cabeça conduzindo a um canal que se dirige para dentro. O ouvido externo funciona como um tubo de audição, isto é, ele recolhe e concentra ondas sonoras, conduzindo-as, depois, para que atinjam o tímpano. No ser humano ele tem pouca importância - poderíamos ouvir muito bem sem o ouvido externo. Em muitos animais, entretanto, o ouvido externo pode voltar-se na direção da fonte do som e executar uma importante função ao recolher as ondas sonoras.
O tímpano está numa posição oblíqua em relação ao canal auditivo, propiciando assim uma superfície maior para receber as vibrações do que se fosse perpendicular. É uma membrana com uma infinidade de fibras delicadas dispostas em círculos concêntricos para dar-lhe elasticidade e fibras elásticas resistentes distribuídas como as varetas de um guarda-chuva para dar-lhe resistência.

No interior do ouvido médio há uma cadeia de três pequeninos ossos. O mais externo, chamado martelo, está encostado no tímpano. O martelo se articula a um outro osso chamado bigorna. Este, por sua vez, se articula ao estribo. A base do estribo repousa na janela oval do ouvido interno.
Os três ossos atuam como alavancas, aumentando cerca de vinte e duas vezes a força da vibração inicial recebida pelo tímpano. Esse estímulo ampliado é conduzido à membrana que cobre a janela oval.
Ainda em relação ao ouvido médio devemos mencionar a trompa de Eustáquio que o comunica com a garganta. A função desse canal consiste em estabelecer o equilíbrio da pressão em ambos os lados do tímpano. Se, por exemplo, você subir num elevador, a pressão externa se reduz com o aumento da altitude. O ar do interior do ouvido médio tende a empurrar o tímpano para fora. Parte desse ar, no entanto, é conduzido à boca pela trompa de Eustáquio, igualando, assim, as pressões exercidas sobre o tímpano. Quando você desce de um lugar alto a trompa de Eustáquio conduz o ar da boca para o ouvido médio.
Ouvido internoO ouvido interno ou labirinto é formado pela cóclea ou caracol e pelos canais semicirculares. Comentaremos aqui somente a cóclea, que é o órgão do sentido da audição. Os canais se relacionam ao equilíbrio e ao senso de orientação do corpo. A cóclea tem a forma de uma concha de caracol, sendo uma espiral de duas voltas e meia. Está cheia de linfa, um fluído semelhante ao sangue, diferente deste por não conter glóbulos vermelhos. As ondas sonoras são transmitidas do tímpano ao fluído da cóclea pelos três ossos. A cóclea é revestida pela membrana sensitiva formada de 24.000 fibras.
Segundo a teoria da ressonância, as fibras da membrana basilar se assemelham às cordas de um piano. Na cóclea, as "cordas" auditivas - as fibras basilares - aumentam de comprimento gradativamente da base para o ápice da cóclea, exatamente como as cordas do piano. Quando elas vibram estimulam as células nervosas próximas a enviarem um impulso nervoso ao cérebro, onde é interpretado com som grave ou agudo.
A maioria das pessoas pode ouvir ondas compressionais se sua freqüência for maior que 16 vibrações por segundo e menor que cerca de 16.000 vibrações por segundo. Alguns animais têm os ouvidos mais apurados. Um cachorro pode ouvir ondas de freqüência até 25.000 vibrações por segundo e um morcego até 50.000 vibrações por segundo.

Algumas pessoas são totalmente surdas porque todos os nervos de seus ouvidos estão completamente paralisados. Outras pessoas são parcialmente surdas porque alguns desses nervos estão danificados. Muitas dentre elas usam pequenos receptores montados nas orelhas e ligados a pequenos microfones e amplificadores que aumentam a altura dos sons. Quando o tímpano está danificado ou o martelo não funciona bem, o receptor é preso bem atrás do ouvido e a audição se dá por condução óssea.

O ouvido tem muitos inimigos: uma pancada forte na cabeça, exposição a intenso barulho, infecções bacterianas, danos bioquímicos causados por drogas, etc.
Tudo isso pode causar a perda da audição. Quando a lesão é séria, não há muito o que fazer, pelo fato de o corpo não poder gerar novas células nervosas como faz com os ossos, a pele e os músculos.
Com o passar dos anos, existe um desgaste auditivo normal, chamado de presbiacusia, quando o limite de nossa audição declina à medida que envelhecemos. Essa é uma surdez natural, conseqüência da idade.
Há também a surdez patológica, provocada por doenças ou acidentes.
Fonte: www.studiomel.com