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Visão

 

Nós dependemos do nosso sentido da visão provavelmente mais do que de qualquer dos outros sentidos - audição, tato, paladar e olfato.

Nosso olhos são capazes de captar uma enorme quantidade de informações e uma grande parte do cérebro é necessária para processá-las e colocá-las em uso.

Esta quantidade de informações enviadas do olho a poderia até ser maior, se não fosse o processamento e a simplificação efetuados no próprio olho. A retina sensível à luz, revestindo o fundo do olho, tem suas células nervosas "ligadas" de tal modo que as imagens visuais são selecionadas e tomadas nítidas antes de serem passadas para o cérebro.

Isto significa que, embora o olho humano não seja tão preciso quanto uma câmara moderna, as imagens que ele produz são melhoradas, de modo que o cérebro recebe uma impressão detalhada do objeto que o olho está vendo. E quase como a maneira pela qual os computadores podem "limpar" as imagens vagas dos planetas que estão sendo enviadas das distantes sondas espaciais.

Ao contrário do cérebro humano, nossos olhos não são particularmente bem desenvolvidos quando comparados com os de outros animais. Muitos animais podem ver melhor no escuro do que e aves, como o gavião, têm uma visão muito mais aguda que a nossa. Elas são capazes de descobrir um mini rato escondido na grama enquanto estão voando bem alto. Nossa visão é boa, mas não única, e o ponto mais forte do olho humano é a visão das cores e nossa habilidade de dizer a que distância está um objeto apenas olhando para ele.

A estrutura do olho

Os olhos são quase esféricos e, em um adulto, têm aproximadamente 2,5 cm de diâmetro. Eles estão protegidos em órbitas ósseas, na parte da frente do crânio, e podem mover-se livremente, mantidos em suas órbitas através de um complicado conjunto de músculos. O osso do crânio, atrás da sobrancelha, protege os olhos de batidas.

O globo ocular é unia estrutura oca e macia, que mantém sua forma arredondada graças a um material gelatinoso e transparente chamado humor vítreo. Na parte da frente do globo ocular, essa massa gelatinosa é substituída por um liquido transparente chamado humor aquoso.

Na parte frontal do olho está a córnea transparente cobrindo a pupila e a íris. A quantidade de luz que entra no olho é controlada pela íris. Depois a luz passa através do cristalino e a figura ou imagem é produzida na retina.

Todo o olho, exceto a córnea transparente, é coberto por uma camada branco-cremosa flexível, chamada esclerótica, que é visível como o "branco" do olho.

Na parte frontal do olho, a esclerótica está ligada à córnea. Muito fina e aparentemente delicada, a córnea é realmente muito forte, sendo constituída de fibras finas e transparentes similares às da esclerótica. A córnea e o cristalino são as t partes do organismo que não contêm vasos sanguíneos. Isto quer dizer que a córnea pode ser transplantada para o olho de uma outra pessoa, porque não há células sanguíneas para provocar rejeição, o que geralmente acontece com outros tipos de transplantes cirúrgicos.

Atrás das camadas exteriores da esclerótica está a delgada coróide, contendo finos vasos sanguíneos. Na frente do olho, a coróide junta-se com a íris.

O olho como uma maquina fotográfica

O modo como o olho e uma maquina fotográfica ou câmara trabalham é muito parecido, embora o olho seja muito mais adaptável, trabalhando continuamente e sob qualquer luz.

Tanto no olho quanto na câmara, a luz entra pela frente, passando através de uma lente. Em cada caso, a quantidade de luz que alcança a lente é controlada pela íris, que é uma abertura cujo diâmetro pode variar para permitir menor ou maior entrada de luz. Os raios de luz passando através da lente são curvados de tal modo que uma imagem, ou figura, é produzida ou na retina atrás do olho ou no filme no interior da câmara.

Aqui terminam as semelhanças. Na câmara, a imagem é gravada em cristais sensíveis à luz existentes no filme, enquanto que, na retina, a imagem é transformada em minúsculos sinais elétricos que são passados ao cérebro através dos nervos.

Uma outra diferença entre a câmara e o olho é o modo de focalizar. Em uma câmara, a lente e mover-se para trás ou para frente para focalizar a imagem no filme.

No olho, a focalização é acompanhada pela mudança de forma da própria lente (cristalino), o que é possível graças à flexibilidade do cristalino (lente) do olho humano.

A Íris

A parte do olho que mais aparece é a íris colorida e a pupila, que parece um buraco preto no centro. A pupila realmente é um buraco no centro da íris, e pode alargar-se ou estreitar-se quando necessário. Sob luz forte, a pupila se fecha até chegar ao tamanho de uma cabeça de alfinete, protegendo a retina do olho de danos. A pupila abre-se em luz fraca, para permitir que entre no olho tanta luz quanto possível.

A pupila do olho é redonda, mas em muitos animais ela é uma fenda ou tem unia forma mais complicada.

A abertura e o fechamento da pupila são completamente automáticos, como a "célula fotoelétrica" em alguns tipos de câmaras. A íris é composta de dois tipos de fibras musculares. Algumas saem da pupila como os braços de uma estrela-do-mar. Quando elas diminuem, ou se contraem, distendem a pupila obrigando-a a dilatar-se., Outras fibras musculares estão arrumadas em forma de anel ao redor da pupila e provocam seu fechamento quando se contraem.

Instruções para a íris abrir ou fechar a pupila são enviadas pelo cérebro, que age de acordo com informações recebidas sobre a quantidade de luz que está chegando na retina.

A íris é colorida de azul ou castanho, ou de alguma combinação das duas cores. Há padrões e marcas irregulares na coloração, e elas são tão diferentes como as impressões digitais - não há duas pessoas com íris idênticas.

O cristalino

O cristalino do olho humano é órgão notável. Ele focaliza a luz quase tão bem quanto uma lente de vidro, mas é altamente flexível e, portanto, pode mudar sua forma para focalizar a distâncias variáveis.

Isto permite que o olho enxergue um objeto distante e logo desloque-se para olhar algo muito mais perto. O cristalino muda sua forma quase que instantaneamente, para permitir que ambos os objetos possam ser vistos. O cristalino é muito pequeno, ligeiramente achatado na frente e é muito claro, com coloração amarelo-pálido.

Ao contrário da lente de vidro, o cristalino é formado por muitas camadas de células transparentes. Como essas células vivas são macias e flexíveis, o cristalino é elástico e pode mudar a sua forma facilmente.

Ao redor da borda exterior do cristalino existe um ligamento fino e resistente, que sustenta o cristalino logo atrás da íris. A borda externa desses ligamentos está presa a um anel de músculos chiares que estão presos à esclerótica que cobre o olho.

Os músculos ciliares se contraem, como acontece quando precisamos olhar um objeto próximo, a tensão no ligamento que segura o cristalino é diminuída, e o cristalino incha e adquire uma forma quase esférica. Quando os músculos ciliares estão relaxados, o cristalino é mais achatado.

Conforme envelhecemos, o cristalino se torna mais rígido e não pode mudar sua forma tão facilmente. Isto pode significar que são necessários óculos para ler.

Algumas vezes o cristalino se torna enevoado e esta condição, chamada catarata, pode eventualmente conduzir à perda da visão. Mas isso pode ser corrigido por uma operação.

Como os olhos focalizam

Para entender como se forma uma imagem no fundo do olho é necessário saber como funciona o cristalino.

Os raios de luz entram pela frente do olho e passam através do cristalino transparente. Em uma lente que é mais grossa no centro do que nas bordas, como o cristalino do olho, esta luz é curvada em direção ao centro da lente. Este tipo de lente é chamado de lente convexa e, no olho, é arredondada na frente e atrás.

Os raios de luz curvados em direção ao centro do cristalino finalmente o atravessam (veja o diagrama) e produzem uma imagem, que é então gravada na retina.

Em um olho normal, quando olhamos um objeto distante, o cristalino envia uma imagem nítida e adequadamente focalizada sobre a retina somente se os músculos ciliares estão relaxados e o cristalino achatado.

A imagem produzida é invertida, mas isso é ajustado no cérebro de modo que temos uma imagem mental correta.

Quando olhamos pela primeira vez para um objeto mais próximo, a luz atinge o olho num ângulo diferente, de modo que, quando passa através do cristalino, não produz imediatamente uma imagem nítida sobre a retina. Os raios de luz ainda não estão suficientemente curvados, e a imagem é borrada. Para corrigir isto, a forma do cristalino é alterada pelos músculos ciliares, e se toma muito mais arredondada. Isto faz com que a luz que passa pelo cristalino sofra maior curvamento e restaure a imagem nítida. Esse processo de visão nítida de objetos próximos ou distantes é chamado de acomodação, e ocorre muito rapidamente. Você pode testar isso por você mesmo, observando alternadamente objetos distantes e próximos; você observará uma breve desfocalização dos objetos conforme você muda o seu olhar.

Visão tridimensional

Quando olhamos um objeto, nossos dois olhos devem mover-se juntos, de maneira que eles apontem diretamente para aquilo que estejamos vendo.

Se o objeto estiver muito distante, os dois olhos apontam exatamente na mesma direção. Os raios de luz vindos do objeto distante são quase paralelos, e assim entrarão no olho e encontrarão a retina no ponto em que produzirão a imagem mais nítida.

Mas os olhos estão separados só 6 cm, assim, quando olhamos um objeto próximo, eles têm que se voltar para dentro para ver claramente e ainda permitir que a luz encontre a mesma parte sensível da retina. Este processo de virar os olhos para ver um objeto próximo é chamado de convergência. As criancinhas podem "cruzar" seus olhos para enxergar objetos tão próximos quanto 7,5 cm, mas, para adultos, a menor distância para uma visão clara é de 14 cm.

Ter os olhos colocados bem separados, mas olhando na mesma direção, nos dá capacidade de dizer a que distância o objeto está de nós. Esta capacidade é chamada de visão estereoscópica e dá profundidade "3D" para o "quadro" que vemos.

Sendo separados, cada olho vê uma figura ligeiramente diferente. Você pode ver isso por você mesmo olhando um objeto próximo e fechando primeiro um olho e depois o outro.

Quanto mais perto o objeto, maior serão as diferenças vistas por cada olho. As duas figuras se sobrepõem no centro visual do cérebro, e, pela determinação das diferenças entre os dois conjuntos de mensagens enviadas pelos olhos, pode ser interpretada a distância do objeto.

A retina

A retina é a camada interna do fundo do olho, com a forma de unia xícara. A luz entrando no olho é focalizada pelo cristalino, para produzir uma imagem de cabeça para baixo (invertida) na retina. A retina pode detectar esta imagem e transformá-la em uma série de sinais elétricos codificados, que são passados ao longo dos nervos para o cérebro.

A retina contém um enorme número de células especiais chamadas bastonetes e cones. Estas células são sensíveis à luz e são chamadas de fotorreceptoras. A retina de cada olho contém cerca de 125 milhões de bastonetes e 7 milhões de cones, colocados bem juntos. Sua posição na retina não é comum, porque elas estão enterradas bem profundamente, com suas estruturas sensíveis à luz viradas para trás do globo ocular.

Sobre os bastonetes e cones há um arranjo complicado de fibras nervosas, ou neurônios, chamados células ganglionares, cada uma delas em contato com muitos outros bastonetes e cones. Esses neurônios ligam-se com outras fibras nervosas, que carregam os sinais do olho para o cérebro. Há apenas cerca de 800000 dessas fibras nervosas saindo do olho, pois os sinais dos bastonetes e cones são simplificados e selecionados pelas fibras nervosas dentro da retina.

A luz alcançando os sensíveis bastonetes e cones tem que passar através da massa de fibras nervosas e através do corpo dos bastonetes e cones antes de alcançar as partes sensíveis que provocam a produção de um sinal elétrico. Os bastonetes e alguns cones estão espalhados por toda a retina, mas, na sua maioria, os cones estão agrupados na parte central chamada fóvea. Esta é a parte mais sensível da retina, onde a imagem é "vista" mais claramente.

Há uma pequena área da retina na qual não há bastonetes ou cones, e onde as fibras nervosas saem da retina para passar para o nervo óptico. Há urna covinha na superfície da retina nesse ponto, chamado ponto cego.

Bastonetes e cones

Os bastonetes e cones são células minúsculas de cada uma das quais sai um cordão fino que vai para uma fibra nervosa. Os bastonetes são células finas e longas que contêm uma substância chamada púrpura visual, ou rodopsina. Quando a púrpura visual é exposta à luz, tem lugar uma mudança química e a cor dos bastonetes desaparece. Esta reação provoca a produção de um sinal elétrico, que é passado para a fibra nervosa.

Os bastonetes são muito sensíveis à luz e são importantes para a visão noturna. Eles respondem à luz branca comum, desse modo tudo o que é "visto" com os bastonetes é visto em tons de cinza. Em luz muito brilhante, a púrpura visual toma-se inativa. Ela retoma vagarosamente sua coloração púrpura usual no escuro, e isto pode levar 30 minutos ou mais. Você pode ver os resultados indo de um quarto brilhantemente iluminado para a escuridão; pode levar quase uma hora para o olho acostumar-se com a pouca claridade.

Os cones são responsáveis pela visão das cores. Eles contêm um dos três produtos químicos diferentes que também são clareados pela luz. Eles respondem à luz vermelha, amarelo-verde, ou azul-violeta. Todas as outras cores são "vistas" como uma combinação destas. Os cones são estimulados apenas pela luz brilhante, e eles também podem determinar detalhes.

Na fóvea, onde uma imagem é vista mais claramente, os cones estão muito juntos. Aqui, cada fibra nervosa está em contato com apenas um ou dois cones. Em todo o restante da retina, onde está posicionada a maioria dos bastonetes, há cerca de 300 bastonetes ligados a cada fibra nervosa. Isto significa que o cérebro recebe informações muito mais detalhadas dos cones da fóvea do que dos bastonetes do resto da retina.

As coisas que vemos

Cada olho produz uma "imagem" separada no cérebro, e estas são sobrepostas para produzir a imagem completa que nós vemos. Isto é, o cérebro vê uma imagem na qual a parte do meio é formada de mensagens recebidas de ambos os olhos. As bordas da imagem são vistas apenas pelo olho esquerdo ou pelo direito. Isto significa que a parte central é muito clara, e é estereoscópica. A área inteira é chamada de campo visual.

O campo visual de cada olho é quase redondo, mas uma grande parte é obscurecida pelo nariz, embora raramente nós percebamos isso. Quando sobrepostos, o campo visual para os dois olhos tem a forma de óculos.

Devido as células bastonetes e cones que detectam luz não estarem espalhadas uniformemente através da retina, o campo visual varia para cores diferentes. Os bastonetes estão espalhados na maior parte da retina, de modo que o campo visual é maior quando se vê em branco e preto. Os cones que detectam vermelho, amarelo-verde e azul-violeta estão agrupados de maneira ligeiramente diferente, então a nossa visão colorida não é tão acurada quando não estamos olhando diretamente para um objeto.

Vemos melhor quando a imagem na retina cai na f onde a maioria dos cones está agrupado. Nas bordas da retina está espalhada a maioria dos bastonetes, e estes são geralmente usados para detectar movimentos. Quando a nossa atenção é atraída por um movimento visto com esta visão periférica, o olho gira para olhar diretamente, e assim a imagem cai na f e pode ser vista claramente.

Os caminhos do cérebro

A maior parte das atividades do cérebro tem lugar em parte de sua superfície, em uma área chamada córtex. Uma grande área deste é destinada a receber e usar as informações vindas dos órgãos dos sentidos, e destas a maior proporção é para a visão.

As informações visuais alcançam o cérebro através dos dois nervos ópticos. Onde estes encontram o cérebro, eles se juntam e trocam algumas das Informações que carregam. A informação do lado esquerdo de cada retina é então levada para o lado esquerdo do cérebro e a do lado direito de cada retina para o lado direito do cérebro. Este cruzamento de informações tem lugar em um ponto chamado de quiasma óptico.

Uma vez dentro do cérebro; a informação visual é levada através de mais fibras nervosas para o córtex visual, situado na parte de trás do cérebro. Aqui, todas as informações codificadas são juntadas para formar uma imagem e as informações de cada olho são comparadas para produzir a visão estereoscópica.

do vemos alguma coisa, à nossa direita, a luz entrando no olho cai do lado esquerdo da retina, e é processada pelo lado esquerdo do cérebro. Assim, tudo que está de um lado de nosso olhar é "visto" pelo lado oposto do cérebro.

A "visão" é o resultado da produção de um padrão de mini impulsos elétricos na superfície do córtex visual. Se pequenas quantidades de eletricidade fossem aplicadas na superfície do cérebro, nós "veríamos" pequenos pontos de luz, cada um correspondendo ao ponto onde a eletricidade tocou.

Como o olho se move

O olho acomoda-se confortavelmente em sua órbita óssea, mas pode mover-se livremente para nos permitir olhar ao redor sem mover a cabeça. O globo ocular repousa em uma camada de gordura e pode girar e mover-se quase em qualquer direção. Seus movimentos são limitados pelo nervo óptico.

Cada olho é movido por seis músculos que, quando trabalhando juntos, podem virá-lo em qualquer direção. Eles são pequenas tiras de músculos achatadas, ligadas à esclerótica em uma extremidade e ao revestimento da órbita ocular na outra. Quatro desses músculos espaçados regularmente são ligados perto da frente do olho. Os outros dois envolvem o globo ocular como um anel.

Quando os músculos de um lado do olho puxam ou se contraem, fazem o globo ocular girar em sua direção. Desse modo, o olho pode mover-se em qualquer direção, 500 para cima, 35° para baixo, 45° para o lado de fora e 50° para dentro em direção ao nariz. O olho gira em direção ao nariz para permitir a convergência, onde eles se "cruzam" quando olhamos objetos muito próximos.

Os dois olhos se movem juntos, com instruções do cérebro. Virar os olhos para acompanhar um objeto em movimento é um processo imensamente complicado, no qual o cérebro usa a imagem recebida dos olhos para computar a velocidade do objeto. O cérebro emite instruções precisas para dois ou três dos seis músculos, dizendo-lhes para se contrair na exata medida para dar o movimento apropriado.

O olho sem descanso

Nossos olhos nunca estão completamente parados. Os músculos que controlam seus movimentos contraem-se continuamente de maneira muito leve, de modo que os olhos deslocam-se incansavelmente, movendo-se apenas em minúscula quantidade. Não temos consciência desse tremor, mas ele é muito importante.

Se o olho se mantivesse rigidamente fixo, de modo que a imagem ficasse no mesmo pedaço de bastonetes e cones na retina, a luz clarearia a púrpura visual e outros produtos químicos dessas células receptoras de luz, e as manteria claras.

Assim, mais nenhum sinal elétrico poderia ser enviado ao cérebro até que os bastonetes e cones estivessem recuperados.

Devido a esse contínuo tremor, conjuntos diferentes de bastonetes e cones são estimulados para produzir um sinal, e o cérebro transforma todos esses padrões tremulantes em uma imagem clara. Isso também evita que tenhamos consciência do ponto cego, que, de outro modo, poderíamos perceber como um ponto escuro.

Embora nosso controle sobre o movimento do olho seja muito efetivo, leva um certo tempo para mover o olho, e isso pode, algumas vezes, ser uma desvantagem. Quando lemos, nossos olhos deslocam-se para trás e para a frente através da página, movendo-se muito rapidamente. Mas a velocidade em que lemos é limitada pela velocidade e perfeição com a qual o olho pode localizar e manter a imagem das palavras precisamente na fóvea.

No piscar de um olho

A delicada córnea precisa de proteção cuidadosa para mantê-la macia e sem arranhaduras. Para isso, ela é mantida úmida e lubrificada pelas lágrimas. As glândulas lacrimais estão posicionadas acima e do lado de fora de cada olho e estão continuamente derramando lágrimas, produzindo cerca de 0,5 ml por dia cada uma.

As lágrimas são espalhadas sobre a córnea pelas pálpebras quando piscamos. Isto acontece automaticamente a intervalos de 2 a 10 segundos, embora não estejamos conscientes disso. Há glândulas especiais nas pálpebras que espalham uma secreção oleosa sobre a córnea, retardando a secagem de sua superfície.

As lágrimas mantêm a córnea limpa, e também evitam infecções do olho. O líquido claro contém uma substância chamada lisozima, que destrói as bactérias e outros organismos produtores de doenças.

As lágrimas são drenadas do olho para um pequeno saco na sua borda interior. Este saco lacrimal se esvazia toda vez que nós piscamos, em seguida enche-se outra vez de lágrimas, trabalhando como uma bomba de sucção. As lágrimas caem na cavidade atrás do nariz, correm para a garganta e são engolidas.

Os olhos estão bem protegidos pelas pálpebras e cílios. Os cílios evitam que qualquer coisa raspe o olho, e, sendo muito sensíveis ao toque, também servem para nos avisar que algo está muito próximo.

Piscar é uma reação automática que ocorre quando qualquer coisa é trazida de repente para perto do olho. Acontece muito rapidamente, em geral antes que tenhamos consciência do perigo. E uma reação defensiva do corpo, chamada reflexo.

Olhando para dentro de seu próprio olho

Quase todas as partes do nosso corpo são supridas com sangue, que fornece oxigênio e alimento e remove os resíduos produzidos no corpo. A retina não é uma exceção, e toda a sua superfície é coberta com uma complicada rede de finos vasos sanguíneos. O pigmento vermelho do sangue é opaco à luz, de modo que nós esperaríamos que os vasos ramificados lançassem uma "sombra", evitando que a luz chegasse aos bastonetes e cones que ficam atrás deles.

De fato, embora esses vasos sanguíneos lancem sombras, o cérebro as ignora. Mas você pode ver a complicada rede de vasos sanguíneos em seu próprio olho, com a ajuda de uma pequena lanterna. Segure a lanterna em sua mão direita e encoste-a levemente na extremidade externa da pálpebra superior de seu olho direito fechado. Agora, mova a ponta da lanterna em um pequeno círculo. Depois de alguns segundos, você começará a "ver".

Conforme a imagem se desenvolver, logo se tornará muito clara, parecendo com uma árvore nodosa. Quando você roda a lanterna, os ramos se movem. Segure a lanterna parada e a imagem desaparece. Esta imagem é a sombra dos vasos sanguíneos na retina.

O cérebro cancela qualquer imagem que permanece na retina por um longo tempo, ignorando qualquer coisa que possa dar uma imagem falsa do mundo que vemos. O cérebro ignora a sombra dos vasos sanguíneos na retina porque eles estão normalmente parados, estando firmemente fixados na retina. Movendo a luz em círculos, nós damos unia falsa impressão de movimento dos vasos sanguíneos, e eles são "notados".

Problemas dos olhos

Por causa de sua estrutura e do modo pelo qual trabalha, o olho é capaz de corrigir pequenos erros de focalização. O cristalino pode mudar a sua forma para trazer a imagem bem focalizada, e algumas vezes as dores de cabeça amolantes são os únicos sinais de que os olhos estão tendo muito trabalho para corrigir esses erros e manter a visão trabalhando bem.

Algumas vezes o olho se desenvolve incorretamente. Como o olho aumenta de tamanho conforme crescemos, um defeito pode tomar-se evidente apenas gradualmente.

A miopia, visão curta, é um defeito muito comum desse tipo. Ela é causada pela distorção do globo ocular, que se torna muito comprido no sentido da frente para trás, ou também quando o cristalino é muito redondo. Em qualquer caso, o resultado é que a imagem de objetos distantes é formada muito longe na frente da retina, de maneira que a imagem caindo na retina está fora de foco. Objetos próximos podem ser vistos claramente, onde os raios de luz são normalmente bem curvados, mas o olho não pode acomodar-se o suficiente para focalizar objetos distantes.

Na hipermetropia, ou vista longa, o olho é muito curto ou o cristalino é muito achatado. Nesse caso, a imagem é formada atrás da retina. Uma pessoa com hipermetropia pode ver objetos distantes bastante claramente, mas não pode focalizar qualquer coisa próxima. Um problema semelhante se desenvolve quando envelhecemos e o cristalino toma-se mais rígido, tomando-se fixo em sua posição achatada.

A luz entrando no olho começa a curvar-se conforme passa através da superfície curvada da córnea. Se a córnea ou o cristalino não são perfeitamente redondos, isso afeta o modo como a luz é curvada, de modo que a imagem é borrada ou distorcida. Esta condição é chamada de astigmatismo.

Corrigindo a visão

Quase todos os tipos de problemas dos olhos causados pela forma defeituosa, ou do globo ocular ou do cristalino, podem ser corrigidos pelo uso de óculos.

Óculos apropriados curvam a luz que entra no olho de tal modo que a imagem correta é restaurada.

Na miopia são necessárias lentes côncavas. Este tipo é mais fino no meio do que nas bordas. Seu efeito é curvar a luz para fora do seu centro. Por causa disso, a luz atinge o cristalino em ângulo diferente, e pode ser focalizada para produzir uma imagem no lugar apropriado na retina.

Na hipermetropia, onde o cristalino é muito chato para curvar suficientemente a luz, os óculos são de lentes convexas, ou redondas, que aumentam a força de curvatura do cristalino do olho e corrigem a imagem.

Do mesmo modo, o astigmatismo é corrigido com lentes apropriadas que são curvadas de tal modo que cancelam a curvatura errada da superfície da córnea.

Quando o cristalino perde a sua flexibilidade e não pode acomodar-se para a visão de perto ou de longe, é necessário, algumas vezes, o uso de lentes especiais chamadas de bifocais. Estas são feitas de tal modo que, quando os olhos olham direto para a frente, os objetos distantes podem ser vistos claramente. Quando os olhos são baixados, como para ler, eles olham através de uma área especial da lente, de modo que os objetos próximos podem ser vistos claramente.

As lentes de contato agem da mesma forma que os óculos, exceto que elas são colocadas diretamente sobre a córnea. Elas são muito pequenas e finas, feitas de plástico transparente. Alguns tipos são de plástico rígido, enquanto que outras são de material elástico e macio.

Daltonismo

O mecanismo pelo qual vemos as cores é extremamente complicado. Envolve três tipos diferentes de cones da retina. Os sinais que eles geram têm que ser classificados no cérebro para decidir exatamente que cor e forma estamos vendo. Um pequeno erro nesse mecanismo pode levar a uma forma de daltonismo. E muito raro o daltonismo completo, onde nós só poderíamos ver em branco e preto.

Em vez disso, nosso reconhecimento de cores é distorcido. Pode ser muito pequeno, ou bem sério, como em pessoas que não podem distinguir o vermelho do verde. Isto é, obviam desvantajoso do que ser incapaz de distinguir o amarelo do laranja, ou alguma outra forma branda de daltonismo.

O daltonismo é uma condição hereditária, geralmente afetando os homens. Na Europa e América do Norte, ele afeta cerca de 8% da população, e é muito menos comum em alguns grupos étnicos, tais com os esquimós.

Você poderia pensar que o daltonismo é um problema sério e preocupante, mas muitas pessoas que têm esse defeito visual são quase inconscientes dele, a menos que se submetam a um teste especial para revelá-lo. Até motoristas, que são cegos para o vermelho-verde, raramente cometem erros quando cruzam os sinais de trafego, que eles reconhecem devido à posição das luzes mais do que suas cores verdadeiras.

Experiência e visão

O que nós vemos não é apenas uma imagem na superfície do cérebro. A imagem que vemos é adaptada, alterada e "melhorada" pelo cérebro até que possamos entendê-la completamente.

Quando olhamos para alguém de pé, muito próximo, nosso cérebro nos diz que a pessoa não é realmente um gigante, mas do mesmo tamanho que alguém de pé mais longe, que nos pareceria muito pequena. Sabemos disso por experiência.

Como o cérebro sempre tenta fazer sentido do que vemos, é facilmente enganado por figuras que não se encaixam em nossas experiências prévias. Nós esperamos que uma escada seja uma escada, de modo que, se o artista a torna algo diferente, o olho (ou o cérebro) recusa-se a aceitar isso. Nestas gravuras intrigantes, o cérebro luta para forçar os desenhos impossíveis a se encaixarem em padrões mais familiares. Algumas vezes, a estrutura e o funcionamento

do olho podem ser postos em uso para criar um efeito deliberado. Quando olhamos um filme, constituído de uma série de imagens, cada uma apenas um pouco diferente, o olho não responde suficientemente rápido para detectar as pequenas diferenças em cada imagem, o que, de outra maneira, faria os movimentos parecerem tremidos. O cérebro vê o filme todo como um movimento suave e contínuo.

Cores que confundem

O olho e o cérebro parecem associar as cores em pares, tais como azul e amarelo ou vermelho e verde. De alguma maneira, as cores agem como opostas. Se você olhar fixamente, por 30 segundos, uma mancha de vermelho brilhante, e depois fechar seus olhos, você "verá" a mancha em verde por alguns segundos, antes de desaparecer. O mesmo efeito terá lugar com o azul e amarelo. Esses pares são chamados de cores complementares.

Ao contrário de algumas outras cores, as cores complementares não se misturam eficientemente. E fácil visualizar um azul-esverdeado ou um amarelo-avermelhado, mas é impossível imaginar um verde-avermelhado ou um amarelo-azulado.

O olho não tem esses problemas quando as cores são quebradas em pedaços muito pequenos. As ilustrações coloridas deste livro são formadas de milhares de minúsculos pontos de apenas 3 cores - vermelho, azul e amarelo - junto com o preto.

Eles são fundidos pelo olho para formar cores e texturas uniformes que o cérebro aceita. O padrão pode ser alargado para tamanhos muito maiores e ainda será reconhecível, mas apenas se os olhos se estreitarem de modo que as bordas dos pontos fiquem borradas.

Mais do que ser visível

O que vemos não é a mesma coisa que pensamos que vemos. Se fosse possível registrar os impulsos nervosos saídos da retina, para produzir uma imagem eletrônica sem a ajuda do cérebro, eles produziriam pontos de luz desiguais e confusos. O cérebro pode dar sentido a essa massa de informação visual, e construir uma imagem reconhecível.

Por exemplo, o cérebro ajusta as cores das coisas que nós vemos, sem termos consciência disso. Uma maçã ainda aparece com a mesma cor quando a vemos sob luz solar brilhante, ou na luz amarelada do anoitecer. As fotografias coloridas mostram que o que realmente aparece é bem diferente. O cérebro apenas falha no ajuste quando uma luz colorida muito brilhante incide sobre a maçã, como a iluminação a vapor de sódio.

Estes contínuos ajustamentos e alterações significam que a parte consciente do cérebro é freqüentemente iludida, como as fotos coloridas podem provar. E é esta tentativa de interpretação de imagens visuais que pode pregar algumas peças ao olho, causadas por ilusões visuais (ilusões ópticas), tais como as mostradas nesta página, O cérebro tenta forçar alguma ordem em formas que podem ter varias interpretações diferentes.

Glossário

Acomodação: A capacidade do olho em ajustar a forma de seu cristalino, de maneira a focalizar claramente os objetos tanto de perto quanto de longe.
Astigmatismo:
Defeito visual que resulta de uma falha de curvatura da córnea.
Bastonetes:
Células cilíndricas e finas da retina, que respondem à luz, mas não podem distinguir cores. São muito sensíveis e proporcionam a visão em áreas de pouca luz.
Bifocal:
Óculos fabricados com duas partes em cada lente, de modo que unia pessoa com falta de acomodação visual possa enxergar os objetos de longe e de perto.
Campo visual:
Aárea que vemos enxergar sem mover os olhos.
Catarata:
Defeito visual causado pelo embaçamento do cristalino.
Células ganglionares:
Células nervosas da retina que transformam as mensagens dos bastonetes e cones para as fibras nervosas que passam-nas para o cérebro.
Cones:
Células receptoras de luz com a extremidade em ponta. Os cones registram a cor e a luz brilhante e são importantes para enxergar detalhes.
Convergência:
Tendência dos dois olhos em apontar levemente para o interior quando eles enxergam um objeto. A convergência é mais marcante quando o objeto move-se para mais perto do olho.
Cores complementares:
Cores opostas. Imagens residuais são geralmente de uma cor que é complementar à cor que está sendo vista.
Córneas:
Cobertura transparente da frente do globo ocular.
Córtex:
Parte da superfície do cérebro onde a informação recebida é classificada e atuada.
Cristalino:
Estrutura transparente e arredondada que focaliza a imagem sobre a retina. O cristalino dos olhos difere das lentes dos óculos pois é flexível. Portanto, capaz de focalizar objetos de perto e de longe.
Daltonismo:
Defeito visual no qual o reconhecimento de certas cores é distorcido. Há muitos tipos diferentes de daltonismo, mas o mais comum é o verde-vermelho.
Esclerótica:
A cobertura branco-leitosa da maior parte do globo ocular. Ela é grossa e flexível, dando ao olho sua forma arredondada.
Fotorreceptores:
Bastonetes e cones. Células da retina sensíveis à luz.
Fóvea:
Pequena área da retina, na qual as células cônicas estão cerradamente agrupadas. Os olhos movem-se de modo que o centro da imagem que nós enxergamos é focalizada na fóvea.
Hipermetropia, ou visão longa:
Defeito visual no qual o olho não pode focalizar claramente os objetos que estão perto.
Humor aquoso:
Liquido fino e transparente que preenche a parte anterior do olho.
Humor vítreo:
Material gelatinoso, claro, que preenche o globo ocular atrás do cristalino. A luz passa livremente através do humor vítreo.
Íris:
Tela muscular em forma de anel na parte anterior do olho, que se abre e fecha para regular a quantidade de luz que alcança o cristalino. A íris é a parte colorida do olho, geralmente azul ou castanha.
Lisozima:
Um agente desinfetante natural produzido pela lágrima. Ele mata os microrganismos que, de outra maneira, poderiam crescer na córnea.
Membrana coróide:
Camada entre a retina e a esclerótica que supre o olho de sangue.
Miopia, ou visão curta:
Defeito visual no qual o olho não pode focalizar claramente os objetos distantes.
Músculos ciliares:
Anel de pequenos músculos que mudam a forma do cristalino permitindo a focalização.
Nervo óptico:
Feixe de fibras nervosas que leva os sinais de cada olho para o cérebro.
Ponto cego:
Área onde as fibras nervosas e os vasos sanguíneos saem da retina. Não contém células sensíveis à luz e, portanto, é "cego" Pupila pequeno buraco no meio da íris. Ela se abre e fecha mantendo a quantidade apropriada de luz que entra no olho.
Quiasma óptico:
O ponto no qual os dois nervos ópticos juntam-se e as fibras nervosas das metades centrais da retina se cruzam, indo para lados opostos do cérebro.
Retina:
Revestimento interno da parte traseira do olho, na qual estão localizados os bastonetes e os cones.
Rodopsina:
Pigmento púrpura contido nos bastonetes, que é clareado pela luz, provocando na célula a produção de um sinal elétrico. Também é chamado de púrpura visual.
Visão estereoscópica:
Capacidade de detectar a profundidade daquilo que enxergamos devido à interpretação levemente diferente das imagens recebidas de cada olho. Também é chamada de visão binocular.
Visão periférica:
A capacidade de se perceber os objetos quando não estamos olhando diretamente para eles. A visão periférica usa a célula cônica das bordas do campo visual e é, portanto, menos sensível do que a visão normal, quando a luz cai na fóvea.

Fonte: www.geocities.com

Visão

Nossa visão depende do perfeito funcionamento de um mecanismo muito complexo que envolve o olho propriamente dito, as vias nervos de ligação com o cérebro e o próprio cérebro que interpreta a imagem percebida. O olho capta a luz e a transforma em estímulos elétricos que são enviados e processados pelo cérebro. Este mecanismo é estabelecido nos primeiros anos de vida, quando aprendemos a enxergar as coisas e a entende-las. Desta forma é de vital importância a saúde perfeita dos olhos na infância. Dela dependera toda a nossa capacidade futura de bem enxergar o mundo. O adulto de outra forma merece a mesma atenção. Diversas transformações ocorrem em nossa visão ao longo da vida e podem ser corrigidas prontamente por seu médico.

Os defeitos da visão

Algumas pequenas alterações da estrutura do olho podem gerar a percepção pelo olho de uma imagem não muito nítida. Desta forma, sem a devida correção com lentes adequadas, o nosso cérebro aprende a enxergar as coisas fora do foco perfeito. Estabelecendo-se o desenvolvimento desta visão imperfeita, o que se dá ao redor dos sete anos de idade, torna-se difícil a sua posterior correção. É o chamado olho preguiçoso ou ambliopia. Outros defeitos da visão são mais graves. Algumas alterações congênitas (de nascença), são indicações de atendimento e tratamento urgentes, como o estrabismo, a catarata congênita e o glaucoma congênito.

Quando corrigir

É muito importante a avaliação oftalmológica logo nos primeiros meses de nascimento e daí por diante de acordo com a orientação médica. É uma idéia equivocada a de que a primeira avaliação oftalmológica deva ser realizada apenas no inicio da vida escolar. Quanto antes diagnosticamos qualquer problema, melhor é o resultado do tratamento e melhor será a visão final.

Óculos

Os óculos são a forma mais simples de corrigir as ametropias. Dispomos atualmente de inúmeros tipos de lentes de óculos, dos mais diversos artigois e com características especiais. Existem lentes de resinas (chamadas orgânicas), de vidro (chamadas cristal), e com tratamentos especiais como a capacidade de mudar a tonalidade de acordo com a iluminação local (fotocromáticas ou transitionsÒ), lentes polarizadas e anti-reflexo, endurecidas e anti-risco. As lentes podem ser simples, bifocais ou multifocais. Não é simples a escolha da lente ideal para cada paciente. Além do conhecimento de física óptica são necessários um profundo conhecimento médico e senso prático para prescrever a lente adequada. Por estas razões o trabalho de adaptação deve ser realizado por um médico oftalmologista e não por outros profissionais da área oftalmológica.

Lentes de contato

Quando surgiram, as lentes de contato foram uma verdadeira revolução na prática da refração. Permitem que se obtenha uma visão clara sem a necessidade do uso de óculos, principalmente em pessoas com graus elevados que utilizam lentes de grande espessura e peso. Outra vantagem das lentes de contato é a possibilidade de boa visão sem óculos em pessoas que exercem determinadas atividades como esportistas por exemplo. As antigas lentes rígidas pouco lembram as lentes de contato disponíveis hoje. Dispomos de lentes de artigois tão avançados que permitem a sua utilização ininterrupta por até 30 dias. A contactologia é uma área extremamente complexa dentro da oftalmologia. Para entender a sua importância basta imaginar que uma lente de contato é um corpo estranho apoiado sobre a nossa córnea, uma estrutura extremamente sensível e delicada. Um equívoco freqüente entre os pacientes é o de que o grau das lentes de contato é o mesmo dos óculos. Não é sempre. Além disso, uma lente de contato tem diversos outros parâmetros a serem medidos e examinados para uma adaptação correta e segura. Mesmo as lentes puramente cosméticas como as coloridas devem ser adaptadas em consultório oftalmológico para não implicar em prejuízo grave aos olhos do usuário. A responsabilidade na adaptação deve ser médica e o acompanhamento da utilização também.

Cirurgia

A cirurgia de correção do grau (cirurgia refrativa) não é uma idéia nova. Há muito tempo os oftalmologistas vêm pesquisando, desenvolvendo e praticando diversas técnicas de cirurgia refrativa com o intuito de eliminar ou diminuir a necessidade da utilização de lentes corretivas. A observação de que defeitos na face posterior da córnea provocavam a mudança do grau nos pacientes com determinadas patologias promoveu o desenvolvimento das primeiras técnicas de cirurgia refrativa. Inicialmente tentou-se o enxerto ou excisão de segmentos da córnea, a ceratoplastia lamelar. Na década de 80 o procedimento eleito para tal correção foi a ceratotomia radial ou RK (radial keratotomy), técnica que consiste em realizar pequenas incisões na face posterior da córnea promovendo mudanças em sua curvatura e conseqüentemente, mudança no grau dos pacientes submetidos ao procedimento. Com o passar do tempo novas técnicas cirúrgicas foram desenvolvidas até chegarmos à cirurgia refrativa atual. Em nossos dias o procedimento mais avançado e seguro para esta finalidade é a cirurgia refrativa com Excimer LASER a chamada ceratotomia fotorrefrativa ou PRK (photo refractive keratotomy). Uma variante desta técnica é o LASIK (LASER in situ keratomileusis) que é utilizado em graus muito altos. O Excimer LASER atua diretamente sobre a córnea do paciente promovendo a fotodecomposição das moléculas expostas a ele. Desta forma podemos moldar a córnea com extrema precisão e sem grandes desconfortos ao paciente. O Excimer LASER é a técnica mais utilizada nos paises desenvolvidos. A VISIOCLÍNICA, em parceria com outros dez oftalmologistas da serra gaúcha e o Hospital Saúde de Caxias do Sul, dispõem do equipamento de Excimer LASER Aesculap MdiTec MEL-60, de tecnologia e fabricação alemã. O Excimer LASER MEL-60 encontra-se em uma sala especial, anexa ao Centro Cirúrgico do Hospital Saúde, cercado de todas as condições técnicas e humanas para a realização dos procedimentos fotorrefrativos mais seguros e avançados.

AS DONEÇAS DOS OLHOS

Catarata

A palavra tem origem grega e significa cachoeira. Até o século XXVI pensava-se que a catarata era um líquido opaco que fluía dentro dos olhos. Sabemos hoje que a catarata é uma opacidade, total ou localizada, do cristalino do olho (a lente natural que temos dentro dos olhos). A catarata impede que a luz entre livremente dentro de nossos olhos diminuindo assim a visão. Ela ocorre geralmente em conseqüência dos processos naturais do envelhecimento, mudanças metabólicas, ferimentos, exposição à radiação ultravioleta, ou produtos químicos ou drogas tóxicas. A cirurgia é o único tratamento disponível atualmente para restaurar a visão das pessoas com catarata. A cirurgia da catarata é milenar, os egípcios antigos já utilizavam técnicas rudimentares para melhorar a visão das pessoas com catarata. Hoje em dia as cataratas são tratadas cirurgicamente através de duas técnicas principais. A cirurgia convencional é a mais utilizada nos países do terceiro mundo é a Extração Extra Capsular da Catarata ou EECC, técnica que utiliza uma incisão maior do que o tamanho da própria catara através da qual a mesma é removida inteira do olho. Nos países do primeiro mundo a cirurgia mais utilizada atualmente é a Facoemulsificação, técnica que utiliza uma incisão de 3 mm, menos da metade do tamanho da catarata, para introduzir no olho uma sonda de ultra-som que dissolve a mesma dentro do próprio olho. Esta técnica tem a vantagem de proporcionar uma recuperação mais rápida com o retorno do paciente as suas atividades em tempo menor. Ambas as técnicas utilizam o beneficio do implante de lente intra-ocular. Como a catarata é uma lente, ao remove-la devemos adicionar o mesmo grau da lente natural removida. Isso é possível com o implante de uma pequena lente intra-ocular que fica exatamente no mesmo local da antiga catarata e não causa prejuízos aos olhos, melhorando ainda mais a visão e prescindindo da necessidade do uso de fortes lentes corretoras após a cirurgia.

Glaucoma

O glaucoma é uma condição em que o nervo ótico, que carrega as imagens do olho ao cérebro, é danificado. O nervo ótico é como um cabo elétrico que contem aproximadamente 1,2 milhões de fios. O glaucoma pode danificar as fibras do nervo óptico, fazendo com que a visão periférica diminua gradativamente. Muitas pessoas sabem que o glaucoma tem algo relacionado à pressão dentro do olho. Nossos olhos não têm uma estrutura rígida que os mantenha esféricos. A manutenção desta forma esférica se da através da pressão gerada dentro do olho. Nossos olhos devem ter uma pressão fisiológica, ou seja, normal, para que as estruturas do mesmo mantenham-se sempre íntegras. A manutenção e controle desta pressão intra-ocular são obtidos graças a um mecanismo muito delicado de produção e escoamento constante de um fluido intra-ocular, o humor aquoso. Qualquer problema neste mecanismo delicado, tanto na produção quanto no escoamento do humor aquoso, leva ao descontrole da pressão intra-ocular e ao dano progressivo do nervo óptico. Quando o aumento da pressão ocorre de forma lenta e gradual a pessoa geralmente não apresenta sintoma algum. Somente um exame oftalmológico de rotina pode avaliar qualquer alteração da pressão ou do nervo óptico. É o chamado glaucoma crônico, sendo o tipo mais comum de glaucoma. Ao contrario, quando a pressão sobe de maneira súbita, a pessoa queixa-se de uma dor forte no olho e da perda súbita da visão. É o chamado glaucoma agudo, ocorrendo no prazo de horas e considerado uma emergência oftalmológica.

Estrabismo

O estrabismo é um defeito congênito ou adquirido que causa um desvio do globo ocular em qualquer direção. Existem diversos tipos de estrabismo e o mais comum é o infantil, notado já nos primeiros meses de vida. A correção do estrabismo pode ser cirúrgica ou com uso de lentes corretivas. Cada tipo de estrabismo tem uma conduta ideal. Durante a infância um estrabismo não corrigido pode levar ao desenvolvimento incompleto da visão chamado ambliopia ou "olho preguiçoso". A avaliação inicial deve ser precoce para obter-se o melhor resultado final com a melhor visão.

Degeneração retiniana

A retina é a estrutura ocular mais sensível e delicada. Dela depende a captação da luz que entra no olho e a sua transformação em sinais elétricos que são enviados ao cérebro para a percepção da imagem. Por ser uma estrutura delgada e constituída por tecido nervoso é passível de sofrer deteriorações que são chamadas de degenerações. A mais comum é a chamada degeneração macular relacionada a idade ou senil. Esta degeneração afeta a parte central da retina, a mácula, responsável pela visão central, a mais aguçada, que utilizamos para ver os detalhes dos objetos. Este tipo de degeneração prejudica substancialmente a visão central, impedindo a pessoa de ler, por exemplo. No entanto não atinge as áreas periféricas e desta forma não afeta o sentido espacial ou visão periférica.

Impedimos o avanço deste tipo de patologia com antioxidantes ou LASER, observando regularmente a função visual com exames como a angiografia. Outro tipo de degeneração que afeta a visão e a retinose pigmentar, patologia congênita que afeta a visão periférica poupando a central. O paciente com retinose pigmentar experimenta um gradual declínio da visão noturna e, posteriormente a perda do campo visual. Outras formas de degeneração retiniana menos comuns prejudicam substancialmente a visão e podem ser manejadas pelo oftalmologista.

Descolamento de retina

O deslocamento da retina de seu leito no fundo do olho causa uma perda localizada da visão na área afetada. O descolamento pode ser de origem traumática ou regmatogênico (causado por pequenos buracos na periferia da retina). O descolamento da retina é uma patologia eminentemente tratada cirurgicamente.

Patologias da córnea

A córnea é a parte mais anterior do nosso olho. É uma estrutura transparente e convexa, comparada a um vidro de relógio. Através dela podemos visualizar a íris (a estrutura colorida do olho) e a pupila (o orifício central da íris pelo qual a luz a tinge o fundo do olho).

AS DOENÇAS GERAIS E OS OLHOS

Diabetes

O diabetes é uma doença que afeta cerca de 8% da população mundial com idade entre 30 e 69 anos, com repercussões sociais e econômicas muito importantes. Trata-se de uma patologia sistêmica, ou seja, que afeta o corpo todo, prejudicando diversos sistemas. É do conhecimento popular que o diabetes causa danos a circulação, rins, cérebro, membros e olhos. Sintomas como perda de peso importante, muita sede, e aumento da freqüência urinária são alguns dos mais comuns e que levam a suspeita de diabetes. A dificuldade em manter níveis normais de glicose no sangue é o fator que desencadeia o diabetes. O nível de glicose elevado é a principal causa de problemas para o diabético, trazendo prejuízo para o sistema circulatório de todo o corpo. Níveis baixos de glicose também trazem prejuízo, mas de forma mais imediata ao paciente. No momento do diagnóstico sabe-se que a doença já se faz presente por aproximadamente 5 anos. Alguns rgãos sofrem os efeitos deletérios do diabetes de forma precoce. É o caso da retina dos olhos de diabéticos. Alterações da microcirculação na retina fazem surgir sinais no exame do fundo de olho que, muitas vezes, podem preceder até mesmo o diagnóstico do diabetes. Tais alterações tornam-se cada vez mais significativas e podem, com o tempo, causar sérios danos e até mesmo a perda da visão. Sabe-se que o principal fator determinante da evolução ou não do quadro é o controle dos níveis glicêmicos sempre dentro de faixas aceitáveis. Mesmo assim, o tempo de evolução da doença pode acarretar em algum prejuízo da visão. Desta forma, o correto manejo do paciente com diabetes é uma tarefa multidisciplinar. O médico oftalmologista e o endocrinologista ou clinico devem estabelecer uma parceria no sentido de proporcionar ao paciente as informações e recursos adequados ao seu tratamento.

Pressão Alta (Hipertensão Arterial)

A hipertensão arterial sistêmica é uma condição extremamente comum em nosso meio. Cerca de 12 a 15 % da população entre 20 e 74 anos de idade sofre deste mal. A pressão arterial normal é aquela capaz de enviar sangue a todos os rgãos do nosso corpo em diversas situações como no repouso, exercício, etc.

Uma pressão arterial elevada raramente causa sintomas importantes de forma imediata. O dano causado pela hipertensão é observado de forma crônica, com o passar do tempo, e manifesta-se pelo maior risco de desenvolvimento de problemas cardiovasculares como o infarto ou insuficiência do miocárdio e o derrame cerebral ou acidente vascular cerebral. A retina sofre conseqüências em longo prazo que podem acarretar problemas visuais ao paciente. No entanto, as conseqüências mais temíveis à retina são aquelas relacinadas à microcirculação. Eventos oclusivos semelhantes aos encontrados no infarto e no derrame cerebral podem causar obstrução e/ou hemorragias no fundo olho, diminuindo significativamente a visão.

Fonte: geocities.yahoo.com.br

Visão

O sistema sensorial nos põe em contato com o mundo exterior.

Por meio dos órgãos dos sentido, percebemos todas as coisas que nos rodeiam: suas formas, cores, sons, cheiros e sabores.

O sistema sensorial compreende: a visão, a audição, a olfação, a gustação e o tato.

A VISÃO

No escuro é muito difícil e, às vezes, até mesmo impossível ver alguma coisa. É a luz que estimula o tecido nervoso de nossos olhos e nos permite distinguir a forma, o tamanho, a cor, o movimento, à distância das coisas, etc.

Nossos olhos são quase esféricos e estão alojados nas cavidades orbitais da face.

As paredes do globo ocular são constituídas por três membranas: esclerótica, coróide e retina.

A esclerótica, membrana mais externa do olho, é branca, fibrosa e resistente. Mantém a forma do globo ocular e o protege. Na região anterior e central do olho, a esclerótica é fina e transparente, constituindo a córnea. A coróide reveste internamente a esclerótica; é escura e rica em vasos sanguíneos. Na região anterior do olho, ela tem um orifício circular, a pupila.

A faixa circular da coróide que rodeia a pupila é denominada íris e pode ter coloração azul, castanha, cinzenta ou verde. Por meio de dois músculos lisos, a íris regula o diâmetro da pupila. Quando a claridade do ambiente é pouco intensa, a pupila se dilata para deixar entrar no olho o máximo possível de luz; quando a claridade é demasiado intensa, a pupila se contrai, para impedir que o excesso de luz prejudique a visão.

A retina é a membrana mais interna do globo ocular. Nela encontram-se células nervosas especializadas em captar os estímulos luminosos. No fundo do olho está o ponto cego, insensível a luz, porque é o lugar por onde passa o nervo óptico. Esse nervo conduz os impulsos nervosos para o centro da visão, no cérebro.

Na retina encontra-se também a mancha amarela, local onde a imagem é formada no olho com visão normal.

O globo ocular é formado ainda pelo humor aquoso, o humor vítreo e o cristalino. O humor aquoso é um líquido incolor existente entre a córnea e o cristalino. O humor vítreo é uma substância gelatinosa que preenche todo o espaço interno do globo ocular entre a retina e o cristalino. Contribui para manter a forma esférica do olho.

Visão

O cristalino é uma estrutura situada atrás da pupila, que orienta a passagem da luz até a retina.

O cristalino pode ficar mais delgado ou mais espesso. Essas mudanças de forma ocorrem para desviar os raios luminosos na direção da mancha amarela. O cristalino fica mais espesso para a visão de objetos próximos e, mais delgado para a visão de objetos mais distantes. A essa propriedade do cristalino dá-se o nome de acomodação visual.

O globo ocular apresenta, ainda, anexos: as pálpebras, os cílios, as sobrancelhas, as glândulas lacrimais e os músculos oculares.

As pálpebras são duas dobras de pele revestidas internamente por uma membrana chamada conjuntiva. Servem para proteger os olhos e espalhar sobre eles o líquido que conhecemos como lágrima. Os cílios ou pestanas impedem a entrada de poeira e de excesso de luz nos olhos, e as sobrancelhas impedem que o suor da testa entre neles. As glândulas lacrimais produzem lágrimas continuamente. Esse líquido, espalhado pelos movimentos das pálpebras, lava e lubrifica o olho.

Quando choramos, o excesso de líquido desce pelo canal lacrimal e é despejado nas fossas nasais, em direção ao exterior do nariz.

MECANISMO DA VISÃO

Visão
Formação de Imagens na Retina e no Filme Fotográfico

Os raios luminosos atravessam a córnea, o cristalino, o humor aquoso e o humor vítreo e atingem a retina. Existe muita semelhança entre o olho e uma máquina fotográfica. Tanto na máquina quanto no olho, os raios luminosos atravessam um meio transparente e são dirigidos para uma superfície sensível à luz. Na máquina fotográfica, o meio transparente é a lente e a superfície sensível à luz é o filme. No olho, a luz atravessa a córnea, o humor aquoso e o cristalino e se dirige para a retina, que funciona como o filme fotográfico em posição invertida; a imagem formada na retina também é invertida.

O nervo óptico transmite o impulso nervoso provocado pelos raios luminosos ao cérebro, que o interpreta e nos permite ver os objetos nas posições em que realmente se encontram.

Nosso cérebro reúne em uma só imagem os impulsos nervosos provenientes dos dois olhos.

A capacidade do aparelho visual humano para perceber os relevos deve-se ao fato de serem diferentes as imagens que cada olho envia ao cérebro.

Com somente um dos olhos, temos noção de apenas duas dimensões dos objetos: largura e altura. Com os dois olhos, passamos a ter noção da terceira dimensão, a profundidade.

PROBLEMAS VISUAIS

Sempre que as imagens se formam corretamente na mancha amarela, a visão é nítida, e o olho é considerado emetrope ou normal. Quando isso não ocorre, dizemos que há defeito de visão. Dentre esses defeitos destacam-se a miopia, a hipermetropia, o astigmatismo, o estrabismo e a presbiopia.

Outros problemas de visão são o daltonismo, a catarata e a conjuntivite.

Na miopia a formação da imagem ocorre antes da retina, porque o olho é anormalmente longo, os míopes enxergam mal de longe. Corrige-se esse defeito com o uso de lentes (óculos ou lentes de contato) divergentes. Atualmente, já há tratamento cirúrgico para olhos para míopes.

Na hipermetropia a formação da imagem ocorre, teoricamente, atrás da retina, porque o olho é curto demais. Os hipermetropes enxergam mal de perto. O defeito é corrigido com lentes convergentes.

Visão
Estrabismo

O astigmatismo consiste em defeito na curvatura da córnea e mais raramente do cristalino. Em conseqüência, o olho não é capaz de distinguir, ao mesmo tempo, com a mesma nitidez, linhas verticais e horizontais. Essa anomalia pode se somar à miopia ou à hipermetropia.

O estrabismo é um defeito que se manifesta quando os olhos se movimentam em direções diferentes e não conseguem focalizar juntos o mesmo objeto. Ele pode ser causado por diferenças acentuadas nos graus de miopia ou hipermetropia dos dois olhos, por desenvolvimento insuficiente ou desigual dos músculos que os movem, ou ainda por algum problema do sistema nervoso central.

A presbiopia ou vista cansada é comum nas pessoas após os 45 anos. Esse defeito é devido à impossibilidade de o cristalino se acomodar para visão de objetos próximos. Por isso, as pessoas idosas enxergam muito mal de perto. Essa deficiência pode ser corrigida com lentes convergentes.

O daltonismo é uma deficiência da visão das cores. Consiste na cegueira para algumas cores, principalmente para o vermelho e para o verde. Os daltônicos vêem o mundo em tonalidades de amarelo, cinza-azulado e azul.

A catarata é a deficiência da passagem da luz através do olho, devido à opacidade do cristalino.

A conjuntivite é a inflamação da conjuntiva. Ela ocorre quando corpos estranhos, como ciscos, entram nos olhos. O movimento das pálpebras e as lágrimas conduzem o cisco para o canto do olho. Daí ele pode ser facilmente retirado. Quando isso não acontece, só o médico deve remove-lo. A conjuntivite também pode ser causada por infecções oculares, alergias, etc.

Uma infecção muito comum das pálpebras é o terçol, provocado por bactérias que aí se alojam. Caracteriza-se por inchaço e vermelhidão da área infectada e acaba espontaneamente.

CUIDADOS COM A VISÃO

Devemos ler, estudar ou trabalhar em locais bem iluminados. A luz deve vir do alto ou do nosso lado esquerdo. Óculos ou colírios só devem ser usados mediante receita médica. Quem lê com o livro muito afastado ou muito próximo dos olhos, ou tem constantes dores de cabeça, deve consultar um oculista.

Fonte: www.corpohumano.hpg.ig.com.br

Visão

A estrutura e o funcionamento do olho são complexos e fascinantes. O olho ajusta constantemente a quantidade de luz que deixa entrar, foca os objetos próximos e distantes e gera imagens contínuas que instantaneamente são transmitidas ao cérebro.

Estrutura e função

A parte anterior da relativamente forte camada branca externa do olho (a esclerótica ou branco do olho) está coberta por uma fina membrana (a conjuntiva). A luz entra pela córnea, uma cúpula transparente que se encontra sobre a superfície do olho. Além de atuar como uma camada protetora da parte frontal do olho, a córnea também ajuda a concentrar a luz sobre a retina, na parte posterior do olho. Depois de passar pela córnea, a luz entra na pupila, uma zona negra que se encontra no meio da íris (a área circular e colorida do olho). A íris controla a quantidade de luz que entra no olho, abrindo-se e fechando-se como a abertura da lente de uma câmara. A íris permite que entre mais luz no olho quando o ambiente está escuro e deixa que entre menos quando à volta há muita luz. O tamanho da pupila é controlado pelo esfíncter da pupila, um músculo que abre e fecha a íris.

Por trás da íris encontra-se o cristalino. Ao mudar de forma, o cristalino concentra luz na retina. Para que o olho foque os objetos próximos, um pequeno músculo chamado ciliar contrai-se, fazendo com que o cristalino aumente de espessura e, consequentemente, se torne mais forte. Para que o olho foque objetos distantes, o mesmo músculo relaxa-se, diminuindo a espessura do cristalino e, consequentemente, tornando-o mais fraco. Com o passar dos anos, o cristalino costuma tornar-se menos flexível, menos apto a aumentar a sua espessura e, em consequência, menos capaz de focar os objetos próximos, uma doença chamada presbiopia.

Visão

Interior do olho

A retina contém os nervos que percepcionam a luz e o fornecimento do sangue que os nutre. A parte mais sensível da retina é uma área pequena chamada mácula, que tem centenas de terminações nervosas muito próximas entre si. Uma alta densidade de terminações nervosas gera uma imagem visual exata, do mesmo modo que uma película da alta resolução contém células mais estreitamente unidas. Então, a retina converte a imagem em impulsos eléctricos, que são transmitidos ao cérebro pelo nervo óptico.

O nervo óptico liga a retina ao cérebro, dividindo-se em dois. Metade das fibras deste nervo cruzam para o lado oposto no quiasma óptico, uma área que se encontra mesmo por baixo da zona mais anterior (frontal) do cérebro. Os feixes de fibras nervosas unem-se depois uma vez mais, precisamente antes de chegarem à parte posterior do cérebro, lugar onde se percepciona e se interpreta a visão.

O globo ocular divide-se em dois segmentos, cada um dos quais contém líquido. O segmento frontal (anterior) estende-se desde a córnea até ao cristalino. O segmento dorsal (posterior) estende-se desde o limite posterior do cristalino até à retina. O segmento anterior contém um líquido chamado humor aquoso que nutre as suas estruturas internas; o segmento posterior contém uma substância gelatinosa chamada humor vítreo. Ambos os fluidos permitem que o globo ocular conserve a sua forma. O segmento anterior divide-se em duas câmaras. A câmara frontal (anterior) estende-se desde a córnea até à íris; a câmara dorsal (posterior) estende-se desde a íris até ao cristalino. Normalmente, o humor aquoso gera-se na câmara posterior, atravessa a pupila e chega à câmara anterior, e depois sai do globo ocular através dos canais específicos para tal fim, que se encontram no bordo da íris

Músculos, nervos e vasos sanguíneos

São vários os músculos que, trabalhando em conjunto, movem os olhos. Cada músculo é estimulado por um nervo craniano específico. A órbita óssea que protege o olho também contém muitos outros nervos. Como já foi mencionado, o nervo óptico sai pela parte posterior do olho e transmite ao cérebro os impulsos nervosos criados na retina. O nervo lacrimal estimula as glândulas lacrimais para que produzam lágrimas. Outros nervos transmitem sensações a outras partes do olho e estimulam os músculos da órbita.

A artéria oftálmica e a artéria retiniana fornecem sangue a cada olho, e a veia oftálmica e a veia retiniana escoam-no. Estes vasos sanguíneos entram e saem pela parte posterior do olho.

Partes protetoras

As estruturas que rodeiam o olho protegem-no, ao mesmo tempo que lhe permitem mover-se livremente em todas as direções. Estas estruturas protegem o olho, que está constantemente exposto ao pó, ao vento, às bactérias, aos vírus, aos fungos e a outras substâncias potencialmente nocivas e, ao mesmo tempo, permitem-lhe permanecer suficientemente aberto para receber os raios de sol.

As órbitas são cavidades ósseas que contêm os globos oculares, os músculos, os nervos, os vasos sanguíneos, a gordura e as estruturas que produzem e drenam as lágrimas. As pálpebras, umas pregas finas de pele, cobrem os olhos. Fecham-se de forma rápida e reflexa para proteger o olho dos objetos estranhos, do vento, do pó e da luz muito intensa. Com o pestanejar, as pálpebras contribuem para espalhar líquido sobre a superfície dos olhos e, quando se fecham, ajudam a manter a superfície húmida. Sem a referida humidade, a córnea, que normalmente é transparente, pode secar, danificar-se e tornar-se opaca.

Visão

A superfície interna da pálpebra é uma fina membrana (a conjuntiva) que se dobra para trás para cobrir a superfície do olho. As pestanas são pêlos curtos que crescem no bordo da pálpebra e que ajudam a proteger o olho agindo como uma barreira. Pequenas glândulas situadas na extremidade da pálpebra segregam uma substância oleosa que melhora a película lacrimal e evita que as lágrimas se evaporem.

As glândulas lacrimais, situadas no extremo superior externo de cada olho, produzem a parte aquosa das lágrimas. As lágrimas circulam desde os olhos até ao nariz, através dos dois canais nasolacrimais. Cada um deles tem aberturas na extremidade das pálpebras superiores e inferiores, e estão próximos do nariz. As lágrimas mantêm a superfície do olho húmida e limpa; além disso, retêm e arrastam pequenas partículas que entram no olho. Por outro lado, as lágrimas são ricas em anticorpos que ajudam a evitar as infecções.

Cegueira

Tanto uma ferida como uma doença no olho podem afetar a visão. A clareza da visão denomina-se acuidade visual, que oscila entre a visão completa e a falta de visão. À medida que a acuidade diminui, a visão torna-se cada vez mais imprecisa. A acuidade mede-se normalmente por meio de uma escala que compara a visão de uma pessoa a 6 m com a de alguém que tenha a acuidade máxima. Em consequência, uma pessoa que tenha uma visão de 20/20 vê objetos a 6 m de distância com completa nitidez, enquanto uma pessoa com uma visão de 20/200 vê a 6 m o que uma pessoa com acuidade máxima vê a 60 m.

Legalmente, a cegueira define-se como uma acuidade visual inferior a 20/200, inclusivamente depois de uma correção com óculos ou lentes de contato. Muitas pessoas que são consideradas legalmente cegas podem distinguir formas e sombras, mas não os pormenores normais.

Causas

A cegueira pode surgir devido a qualquer das seguintes razões:

A luz não chega à retina
Os raios de luz não se concentram corretamente sobre a retina
A retina não pode percepcionar normalmente os raios de luz
Os impulsos nervosos da retina não são transmitidos ao cérebro normalmente
O cérebro não pode interpretar a informação enviada pelo olho

São várias as perturbações que podem causar estes problemas que degeneram em cegueira. Uma catarata pode bloquear a luz que entra no olho de tal forma que ela nunca chega à retina. Os erros de focagem (refração) em geral podem ser corrigidos com lentes que o médico receita, embora nem sempre esta correção se consiga por completo. O descolamento da retina e as perturbações hereditárias, como a retinose pigmentar podem afetar a capacidade da retina para percepcionar a luz. A diabetes ou a degenerescência macular também podem danificar a retina. As perturbações do sistema nervoso, como a esclerose múltipla ou um inadequado fornecimento de sangue, podem danificar o nervo óptico, que transmite impulsos ao cérebro. Os tumores em estruturas próximas do cérebro, como a glândula hipófise, também podem danificar o nervo. As áreas do cérebro que interpretam os impulsos nervosos podem ficar danificadas por ataques cerebraisrepentinos, tumores ou outras doenças.

Fonte: www.manualmerck.net

Visão

O MECANISMO DA VISÃO

Os raios luminosos atravessam a córnea, o cristalino, o humor aquoso e o humor vítreo e atingem a retina.

O mecanismo da visão pode ser melhor entendido, se compararmos o globo ocular a uma câmara fotográfica: o cristalino seria a objetiva; a Íris, o diafragma, e a retina seria a placa ou película. Desta maneira os raios luminosos, ao penetrarem na córnea e no humor aquoso, passando pela pupila, chegam ao cristalino, que leva a imagem mais para trás ou para frente, permitindo que ela se projete sobre a retina.

Na máquina fotográfica, o meio transparente é a lente e a superfície sensível luz, o filme. No olho, a luz atravessa a córnea, o humor aquoso, o cristalino e o humor vítreo e se dirige para a retina, que funciona como o filme fotográfico; a imagem formada na retina também é invertida, como na máquina fotográfica.

O nervo óptico conduz os impulsos nervosos para o centro da visão, no cérebro, que o interpreta e nos permite ver os objetos nas posições em que realmente se encontram.

Adaptação no escuro

A transição da visão diurna - baseada nos cones - para a visão noturna - baseada nos bastonetes - não é instantânea.

Tal fenômeno é denominado adaptação no escuro e depende de diversos fatores, entre eles: dilatação das pupilas, regeneração da rodopsina e ajuste funcional da retina, de forma que os bastonetes estejam mais disponíveis para as células ganglionares, uma vez que os bastonetes não são encontrados na fóvea, mas apenas na retina periférica.

Problemas de visão

Sempre que as imagens se formam corretamente na mancha amarela, a visão é nítida, e o olho é considerado emetrope ou normal. Quando isso não ocorre, dizemos que há defeito de visão. Dentre esses defeitos destacam-se a miopia, a hipermetropia, o astigmatismo, o estrabismo e a presbiopia. Outros problemas de visão são o daltonismo, a catarata e a conjuntivite.

Na miopia a formação da imagem ocorre antes da retina, porque o olho é anormalmente longo, os míopes enxergam mal de longe. Corrige-se esse defeito com o uso de lentes (óculos ou lentes de contato) divergentes. Atualmente, já há tratamento cirúrgico para olhos para míopes.

Na hipermetropia a formação da imagem ocorre, teoricamente, atrás da retina, porque o olho é curto demais. Os hipermétropes enxergam mal de perto. O defeito é corrigido com lentes convergentes.

O astigmatismo consiste em defeito na curvatura da córnea e mais raramente, do cristalino. Em conseqüência, o olho não é capaz de distinguir, ao mesmo tempo, com a mesma nitidez, linhas verticais e horizontais. Essa anomalia pode se somar à miopia ou à hipermetropia.

O estrabismo é um defeito que se manifesta quando os olhos se movimentam em direções diferentes e não conseguem focalizar juntos o mesmo objeto. Ele pode ser causado por diferenças acentuadas nos graus de miopia ou hipermetropia dos dois olhos, por desenvolvimento insuficiente ou desigual dos músculos que os movem, ou ainda por algum problema do sistema nervoso central.

A presbiopia ou vista cansada é comum nas pessoas após os 45 anos. Esse defeito é devido à impossibilidade de o cristalino se acomodar para visão de objetos próximos. Por isso, as pessoas idosas enxergam muito mal de perto. Essa deficiência pode ser corrigida com lentes convergentes.

O daltonismo é uma deficiência da visão das cores. Consiste na cegueira para algumas cores, principalmente para o vermelho e para o verde. Os daltônicos vêem o mundo em tonalidades de amarelo, cinza-azulado e azul.

A catarata, como já mencionado anteriormente, é a deficiência da passagem da luz através do olho, devido à opacidade do cristalino.

A conjuntivite é a inflamação da conjuntiva. Ela ocorre quando corpos estranhos, como ciscos, entram nos olhos. O movimento das pálpebras e as lágrimas conduzem o cisco para o canto do olho. Daí ele pode ser facilmente retirado. Quando isso não acontece, só o médico deve remove-lo. A conjuntivite também pode ser causada por infecções oculares, alergias, etc.

Glaucoma é o conjunto de enfermidades que têm em comum o aumento da pressão ocular, a perda do campo visual e a atrofia do nervo óptico.

A forma mais comum de glaucoma é conhecida como glaucoma primário de ângulo aberto. Nesta condição, o nervo óptico é danificado lentamente e o paciente perde a visão de forma gradual.

Juntamente com a catarata, é uma das razões mais comuns de cegueira.

Pterígeo é o crescimento anormal da conjuntiva, que invade a córnea.

Uma infecção muito comum das pálpebras é o terçol, provocado por bactérias que aí se alojam. Caracteriza-se por inchaço e vermelhidão da área infectada e acaba espontaneamente.

Ceratocone é uma desordem ocular não inflamatória, que afeta a forma da córnea, provocando a percepção de imagens distorcidas. Caracteriza-se por um afinamento progressivo da porção central da córnea, levando à redução da acuidade visual, a qual pode ser moderada ou severa, dependendo da quantidade do tecido corneano afetado. O principal defeito que causa o ceratocone é justamente um adelgaçamento da córnea na sua porção mais central (o eixo visual), que causa um defeito em sua forma (o cone), causando distorções (astigmatismo) na imagem percebida pela parte sensitiva do olho - a retina.

Pode estar associado a fatores genéticos, mas é possível que seja o resultado final de diferentes condições clínicas. É muito mais freqüente em determinadas pessoas, como as portadoras de síndromes genéticas como a síndrome de Down, de Turner, de Ehlers-Danlos, de Marfan, pessoas com alérgicas e portadoras de doenças como a osteogenesis imperfecta e prolapso da válvula mitral.

Inicia-se geralmente na adolescência, em média por volta dos 16 anos de idade, embora tenha sido relatado casos de início aos 6 anos de idade. Raramente desenvolve-se após os 30 anos. Afeta homens e mulheres em igual proporção e em 90 % dos casos compromete ambos os olhos, de maneira assimétrica. Pode evoluir rapidamente ou levar anos para se desenvolver.

Muitas pessoas não percebem que têm ceratocone porque este inicia-se como um astigmatismo irregular, levando o paciente a trocar o grau com muita freqüência. O diagnóstico definitivo é feito com base nas características clínicas e com exames objetivos como a topografia corneana (exame que mostra em imagem o formato preciso da córnea). O exame oftalmológico deve ser realizado anualmente ou mesmo mais freqüentemente para monitorar a progressão da doença.

Em um estágio precoce da doença a perda de visão pode ser corrigida pelo uso de óculos; mais tarde o astigmatismo irregular requer correção óptica com o uso de lentes de contato rígidas, que promovem uma superfície de refração uniforme e me lhoram a visão.

Alguns pacientes não evoluem bem ou não se adaptam às lentes de contato e requerem procedimentos cirúrgicos para deter o avanço do ceratocone. Nestes casos realiza-se a ceratoplastia (modificação do formato da córnea) e em casos m ais avançados até o transplante de cónea. Anéis intracorneanos para correção do ceratocone, batizados anéis de Ferrara, podem ser uma alternativa para estes pacientes que não toleram o uso de lentes de contato e que não desejam enfrentar os riscos de um transplante de córnea. A técnica, criada pelo oftalmologista brasileiro Paulo Ferrara consiste na implantação de dois microanéis de acrílico, que pressionam a córnea fazendo com que ela volte à posição normal.

Fonte: www.afh.bio.br

Visão

Visão

Desde os rudimentares fotorreceptores de certos organismos unicelulares ao complexo olho humano, a evolução percorreu um longo caminho para dotar os seres vivos de instrumentos eficazes para a percepção dos objetos e a experiência do espaço em grande parte, aos órgãos da visão.

Visão é o processo fisiológico por meio do qual se distinguem as formas e as cores dos objetos. Em linhas gerais, o olho funciona como uma câmara fotográfica que projeta uma imagem invertida do mundo exterior em sua porção interna posterior, onde existe um revestimento fotossensível, a retina, que envia informações codificadas ao sistema nervoso central, dando ao indivíduo a sensação da visão.

Anatomia comparada

A visão se produz em nível molecular graças a substâncias fotossensíveis, os fotopigmentos, que sofrem transformações químicas sob a ação da luz. Essas transformações produzem estímulos em células e fibras sensoriais, que são transmitidos aos centros nervosos correspondentes. A sensibilidade à luz está presente já em alguns seres unicelulares, como a Euglena e vários outros protozoários, que contêm em seu citoplasma órgãos ou manchas pigmentárias capazes de perceber as variações de intensidade da luz.

Muito rudimentares são também as células fotorreceptoras da medusa, que são cílios modificados. Entre os platelmintos, vermes achatados sem celoma, as planárias apresentam manchas ocelares, células fotorreceptoras dispostas sob a epiderme. Os olhos dos nemertinos, longos vermes achatados marinhos, têm células fotorreceptoras semelhantes às das planárias.

Os moluscos apresentam grande diversidade de órgãos visuais: nos gastrópodes, são ocelos esféricos, com cristalinos arredondados e retinas simples onde situam-se as células receptoras; em certos bivalves (pelecípodes), há uma retina dupla, uma das quais reflete a luz recebida; e em muitos cefalópodes, sobretudo na lula e no polvo, observam-se olhos muito complexos, que podem ser comparados aos dos vertebrados, com uma camada córnea anterior, um cristalino arredondado sustentado por músculos ciliares, uma íris, uma retina e até substâncias aquosas dentro da cavidade formada pelo olho.

Nos artrópodes, muitas classes, entre elas os insetos e crustáceos, apresentam, além dos ocelos, os chamados olhos compostos, que constam de grande número (às vezes milhares) de unidades funcionais denominadas omatídios. Cada uma dessas unidades dispõe de sua própria lente e de células fotorreceptoras, com as quais capta uma fração da imagem global que o olho tem a sua frente. Esse tipo de visão é conhecido como visão de mosaico, pois resulta do conjunto de imagens individuais captadas pelos muitos omatídios. A imagem final, nem sempre é muito precisa, porém esse tipo de olho pode perceber movimentos com uma rapidez surpreendente, o que explica a velocidade com que muitos insetos detectam o perigo e iniciam manobras de defesa.

Em outros invertebrados existem órgãos fotorreceptores, porém muito mais simples que os de moluscos e artrópodes. É o que ocorre com os ocelos presentes em alguns anelídeos (vermes cilíndricos e dotados de celoma bem diferenciado) e em certos equinodermos como as estrelas-do-mar (os ocelos estão localizados nas extremidades dos braços).

Entre os vertebrados, o olho mais perfeito e desenvolvido é o dos mamíferos, que corresponde, em linhas gerais, à configuração do olho humano. Algumas espécies têm olhos atrofiados ou pouco desenvolvidos, enquanto outras, como certas aves e mamíferos, dispõem de visão binocular, na qual os campos visuais de cada olho se superpõem em parte, como resultado da posição frontal dos órgãos oculares. O animal percebe os objetos de forma tridimensional, o que aumenta sua eficiência. Nas aves de rapina, nos primatas e no homem, a visão binocular está mais desenvolvida.

Olho humano

No homem, os dois globos oculares estão alojados no interior das cavidades orbitárias e se unem às paredes ósseas graças aos chamados músculos extrínsecos, de natureza estriada e contração voluntária, responsáveis pela movimentação dos olhos. Os músculos retos -- superior, inferior, externo e interno -- possibilitam a movimentação do globo ocular para cima, para baixo, para a direita e para a esquerda. Outros dois, o oblíquo maior e menor, permitem ao olho deslocar-se em todas as direções.

O olho humano é constituído de três camadas. A mais externa, fibrosa, tem função protetora e é chamada esclerótica. Em sua porção anterior, a esclerótica é transparente e recebe o nome de córnea. Na parte posterior e lateral, é opaca. A camada intermediária é abundante em vasos sangüíneos e formada pela coróide, pelo corpo ciliar e pela íris. A camada interna é a retina, onde se localizam as células fotorreceptoras. A córnea é recoberta pela conjuntiva, fina membrana que se estende também pela face interna das pálpebras.

Chama-se trato uveal o conjunto de coróide, corpo ciliar e íris. Muito vascularizada, a coróide abastece de nutrientes e oxigênio os tecidos oculares. Nela situam-se também células pigmentares, cuja função é absorver luz, como a pintura preta do interior das câmaras fotográficas, para evitar que reflexos prejudiquem a qualidade da imagem projetada na retina.

O corpo ciliar é o prolongamento anterior da coróide, formado pelos chamados processos ciliares e pelo músculo ciliar. Os processos ciliares são ligamentos que unem ao músculo ciliar o cristalino, estrutura transparente, com forma de lente biconvexa, que permite focalizar os objetos situados a diversas distâncias. O músculo ciliar, cuja contração é produzida pelo sistema parassimpático, controla o grau de curvatura do cristalino e permite ajustar o foco.

Na porção anterior do cristalino, a íris controla, como um diafragma, a quantidade de luz que atinge a retina. Pigmentos na íris lhe dão cor característica, que varia do negro ao azul. As musculaturas lisas radial e circular da íris abrem e fecham seu orifício central, a pupila. O espaço entre a córnea e o cristalino, dita câmara anterior, é preenchido pelo humor aquoso, que mantém constante a pressão interna do globo ocular. Já a cavidade entre o cristalino e a retina, a câmara posterior, contém uma substância gelatinosa chamada como humor vítreo.

Na retina estão situadas as células encarregadas de registrar as impressões luminosas e transmiti-las ao cérebro por intermédio do nervo óptico, que sai da parte posterior do globo ocular. As células fotorreceptoras são chamadas cones e bastonetes, em virtude da forma de seus prolongamentos. Os cones dispõem-se na região central da retina e são responsáveis pela visão colorida, enquanto os bastonetes, mais abundantes nas regiões periféricas, processam uma visão de contornos, de contraste claro-escuro, em condições de baixa luminosidade. A região de onde parte o nervo óptico é chamada ponto cego, por ser insensível à luz. Já a região chamada fóvea, composta apenas de cones e situada acima do ponto cego, é a área da retina onde a visão é mais nítida.

Alguns órgãos anexos ou acessórios protegem o globo ocular: as pálpebras, dobras de pele que recobrem a parte anterior do olho de forma a impedir seu ressecamento, movem-se em conseqüência da ação dos músculos palpebrais (elevador, para abrir, e orbicular, para fechar); as sobrancelhas, aglomeração cutâneo-muscular coberta de pêlos, estão localizadas acima de cada olho e evitam que neles penetre o suor; os cílios são um conjunto de pêlos que nascem nas bordas das pálpebras e protegem os olhos contra a entrada de pó e de outras partículas; e o aparelho lacrimal produz as lágrimas (líquido aquoso e salino que também contém lisozimas, moléculas que destroem microrganismos).

Fisiologia da visão

Para a formação da imagem do mundo exterior sobre a retina, o olho dispõe de um conjunto de elementos refratores, constituídos pela córnea, humor aquoso, cristalino e humor vítreo. As propriedades ópticas das superfícies refratoras estão relacionadas com seu grau de curvatura e com o índice de refração dos meios que ela separa. A unidade empregada para se medir o poder de refração é a dioptria, que é a recíproca da distância focal, tomada em metros.

A face anterior da córnea é a principal superfície refratora do olho: pequenas irregularidades que nela se verifiquem podem redundar em graves problemas para a visão perfeita. A principal função do cristalino, segundo elemento refrator de importância no sistema óptico do olho, está relacionada com sua capacidade de acomodação, ou seja, com a propriedade de, mudando de forma (graças à contração e ao relaxamento da musculatura ciliar), variar seu poder refrator. O cristalino permite, dessa maneira, uma focalização perfeita da imagem sobre a fóvea, funcionando como o ajuste de foco de uma máquina fotográfica.

Distinguem-se na retina três camadas de células, em que os corpos celulares dos neurônios se agrupam densamente, separadas por duas camadas sinápticas, em que se misturam prolongamentos de dendritos e axônios. A primeira camada é formada pelas células fotorreceptoras, os cones e bastonetes. Os axônios da primeira camada fazem sinapse com dendritos de células da segunda camada, as células bipolares. Os axônios da segunda camada, por sua vez, fazem sinapse com os dendritos das células ganglionares, da terceira camada celular.

Uma vez formada a imagem sobre a retina, essa luz estimulará os cones e os bastonetes, da mesma forma que sensibilizaria a emulsão de um filme ou os elementos fotossensíveis de uma câmara de televisão. Os elementos fotossensíveis da retina contêm um pigmento, que, no caso dos bastonetes, é a rodopsina, proteína dotada de um grupamento cromatóforo. Estimulada pela luz, essa substância desencadeia um complexo de reações químicas que culminará com a despolarização da célula receptora, a ativação das células bipolares e ganglionares e o aparecimento de uma informação, no nervo óptico, sob a forma de impulso nervoso.

Os campos visuais de cada olho são diferentes, mas se superpõem em parte. A retina divide-se em zonas -- a interna (nasal) e a externa (temporal) -- em função do trajeto das vias ópticas que se dirigem para o córtex cerebral. As fibras nervosas das duas zonas temporais (olhos direito e esquerdo) passam para o córtex cerebral do hemisfério correspondente, enquanto as das regiões nasais cruzam-se no quiasma óptico, indo para o córtex cerebral do hemisfério oposto.

A luz que emana de um objeto visualizado atinge a zona temporal de um globo ocular e a zona nasal do outro. Em função da disposição das vias ópticas, a atividade nervosa resultante vai para o mesmo hemisfério cerebral. A superposição de campos visuais permite ao cérebro uma interpretação estereoscópica, com percepção de altura, largura e profundidade.

A capacidade de discriminação de cores pelo olho está relacionada com a existência de três tipos de cones caracterizados pela presença de três diferentes fotopigmentos. Ao que parece, esses fotopigmentos são sensíveis principalmente aos comprimentos de luz azul, verde e vermelha. A teoria de Young-Helmholtz da visão a cores explica a sensação das diversas cores como uma decorrência do fato de que cada um desses pigmentos seria estimulado de forma diferente pela radiação luminosa e que suas mensagens seriam interpretadas no cérebro de forma combinada. Uma luz amarela, por exemplo, estimularia os receptores de vermelho e verde, mas exerceria pouca influência no de azul. A sensação combinada seria, portanto, a do amarelo.

No estudo da fisiologia da visão, é importante o conceito de acuidade visual, que consiste na capacidade do olho de reconhecer dois pontos no espaço, medida pelo ângulo formado pelos dois pontos e o olho do observador. Dois pontos situados num ângulo menor do que um certo limite aparecerão ao observador como um ponto único no espaço. Normalmente, considera-se como valor médio da acuidade visual no homem um ângulo de um minuto.

O fenômeno é complexo e dele participam inúmeros fatores, entre os quais: fatores ópticos, fatores retinianos (como o estado dos cones) e fatores relacionados com o estímulo, como brilho, iluminação de fundo, duração etc.

Fonte: biomania.com.br

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