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D. João VI

Nome: Dom João Maria José Francisco Xavier de Paula Luis Antonio Domingos Rafael de Bragança.

Local e data de nascimento: 13 de Maio de 1767, no Palácio Real da Ajuda, próximo a Lisboa - Portugal

Local e data da Morte: Palácio da Bemposta,- Lisboa - Portugal, a 10 de Março de 1826, estando sepultado no Mosteiro de São Vicente de Fora.

Dom João VI (O Clemente), 27º Rei de Portugal, era o segundo filho do Rei de Portugal, Dom Pedro III de Bragança (1717-1786) e a da Rainha, Dona Maria lzabel I de Bragança (1734 -1816 - a louca), que era sobrinha do próprio marido, (casaram em 1760), tendo por padrinho de batismo o rei da França, Luís XV.

Em 13 de maio de 1777 Dona Maria I sua mãe, com a morte do pai Dom José I, foi aclamada rainha.

Em 1779 ocupa o cargo de vice-rei no Brasil Dom Luís de Vasconcelos e Souza. No final de sua gestão foram feitas as denúncias sobre a Conjuração Mineira, e foi ele que tomou as primeiras providências de repressão ao movimento. Também em sua gestão o Rio de Janeiro recebeu a visita do poeta português Bocage que ficou lisonjeado com a atenção recebida pelo vice-rei. Em função disto Bocage escreveu:

Eu, finalmente como respeito interno

Meus frouxos olhos nos teus olhos

pondo,

Teu amável governo

Tua justiça, teus costumes sondo

eu digo então: - Senhor, só tu podias

Tornar brilhantes os meus turvos dias.

Em 9 Junho 1785, casou com Dona Carlota Joaquina de Espanha filha do Rei Carlos IV de Espanha e de Maria Luísa Teresa de Parma ele, com 18 anos e ela com 10 aninhos. (Os detalhes do casamento estão na biografia de Dona Carlota a partir da página inicial deste site.), Dona Carlota nasceu em 25 Abril de 1775 em Aranjuez - Madrid e morreu em 7 dezembro 1830 em Queluz - Portugal.

Em 25 de Maio de 1786 em Lisboa - Portugal, morre o seu pai Dom Pedro III (veja a biografia a partir da página inicial deste site).

Em 1788 morre seu irmão mais velho Dom José de Bragança o Príncipe da Beira, vítima de varíola, fato que fez com que Dom João se tornasse o primeiro na linha de sucessão. Na verdade em 1788 Dona Maria I perde dois dos seus filhos: Dom José e Dona Maria Ana.

Em 1789 explodiu a Revolução Francesa, que espalhou pela Europa seu ideário liberal, e alguns anos mais tarde, o terror da ocupação pelos exércitos napoleônicos.

D. João VI

Por motivo do problema mental de sua mãe, passou a governar desde 1792, porém só se tornou Príncipe Regente a partir de 15 de julho de 1799. Dom João só foi coroado em 6 de fevereiro de 1818 dois anos após a morte da sua mãe. A partir da coroação, seu título ficou sendo Dom João VI, Rei do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves. A cerimônia aconteceu no Rio de Janeiro. É bom lembrar que Dom João VI foi o único rei coroado nas Américas.

Pai de nove filhos, um deles Pedro que seria imperador do Brasil.

Olha, outro dia eu recebi uma crítica através de um e-mail, de que todo mundo fala nos filhos desses personagens históricos, mas ninguém dá "nome aos bois", argumentando que parece que todos os pesquisadores lêem os mesmos livros; bom, eu ia argumentar que a leitura ficaria muito "pesada", cansativa e enfadonha, mas o sujeito se antecipou e disse: "...Quem não quiser ler, pula essa parte...", eu pensei melhor e resolvi acatar a crítica; portanto, aí vai o nome e detalhes dos filhos do casal Dom João e Dona Carlota, se você achar muito cansativo, aceite o conselho do cara que me criticou; pule essa parte:

Dona Maria Teresa Francisca de Assis Antonia Carlota Joana Josefa Xavier de Paula Micaela Rafaela Isabel Gonzaga de Bragança. Nasceu a 29 Abril 1793 em Queluz - Portugal, se casou com seu primo Pedro Carlos Antonio de Bourbon e Bragança (que faleceu em 26 de Maio de 1812) a 13 Maio de 1810 no Rio de Janeiro, em segundas núpcias casou com com o seu cunhado e tio, o Infante Dom Carlos Maria Isidro, Duque de Madrid e Conde de Montemolin e Molina, que em 1834 enviuvara da Infanta Dona Maria Francisca de Assis. Dona Maria Teresa morreu a 17 Janeiro de 1874 em Trieste.

Dom Antonio de Bragança e Bourbon (Dom Antonio Pio). Foi Príncipe da Beira. Nasceu a 21 Março de 1795 em Queluz - Portugal e morreu a 11 Junho de 1801.

Dona Maria Isabel Francisca de Bragança, nasceu no Palácio de Queluz a 19 Maio de 1797 em Queluz - Portugal, Casou com o Rei Dom Fernando VII de Espanha seu tio, que já enviuvara de Dona Maria Antonia de Bourbon y Lorena, Princesa de Nápoles;a 29 Setembro de 1816 e morreu a 29 Dezembro de 1818 em Madrid - Espanha.

Dom Pedro I (IV de Portugal) de Bragança, nasceu a 12 Outubro de 1798 em Portugal, casou em 1817 com Maria Leopoldina von Habsburg-Lothringen e morreu a 24 Outubro de 1834 em Portugal. Teve um segundo casamento com Amélia de Beauharnais. Foi esse aí que proclamou a independência do Brasil e foi o seu primeiro imperador.

Dona Maria Francisca Assis de Bragança, nasceu no Palácio de Queluz em 22 de Abril de 1800, casou em 1816, com o seu tio, Dom Carlos Maria Isidro, Infante de Espanha, falecido em 1815 e morreu em Gosport - Inglaterra, a 4 de Setembro de 1834, estando sepultada na capela-mor da igreja católica da mesma cidade inglesa.

Dona Isabel Maria de Bragança, nasceu no Palácio de Queluz - Portugal, a 4 de Julho de 1801; faleceu em Benfica - Portugal, a 22 de Abril de 1876, estando sepultada no Panteão de São Vicente de Fora. Nunca casou, tendo sido regente do reino, de 6 de Março de 1826 a 26 de Fevereiro de 1828. Após a vitória da causa liberal manteve-se afastada da vida política.

Dom Miguel I de Bragança, nasceu a 26 Outubro de 1802 em Queluz - Portugal, casou em 1851 com Adelheid zu Löwenstein-Wertheim Rosenberg e morreu a 14 Novembro de 1866 em Carlsruhe, junto a Bronnbach - Viena. Foi esse cara aí que tentou depor o próprio pai.

Dona Maria da Assunção. Nasceu no Palácio de Queluz, a 25 de Junho de 1805; faleceu em Santarém - Portugal a 7 de Janeiro de 1834; sepultada na Igreja do Milagre, de Santarém, e depois no Panteão de São Vicente de Fora.

Dona Ana de Jesus Maria Luíza Gonzaga Joaquina Micaela Rafaela Sérvula Francisca Antônia Xavier de Paula Bragança e Bourbon, nasceu no Palácio de Mafra a 23 Outubro de 1806, casou em 5 Dezembro de 1827 com Nuno José Severo de Mendonça Rolim de Moura Barreto (2.º marquês de Loulé). e morreu a 22 Junho de 1857 em Roma - Itália.

Em virtude do conflito entre França e Inglaterra, seu governo teve um período de grande intranqüilidade. Afim de prejudicar a Inglaterra, Napoleão decretou o bloqueio continental. Quando Portugal foi invadida pelas tropas do Marechal francês Junot, a família real portuguesa com toda a corte embarcou para o Rio de Janeiro. Ao chegar ao Brasil, Dom João declarou livres as indústrias brasileiras e abriu os portos do Brasil ao comércio estrangeiro. Passou depois a residir no Rio de Janeiro. A Dom João VI deve-se a fundação da Academia de Belas Artes do Rio de Janeiro, registrando-se também importantes movimentos militares que proporcionaram a ampliação de nossas fronteiras.

Recentemente (ano 2000), uma equipe de 2 arqueólogos e um médico-legista chefiada pelo cientista português Fernando Rodrigues Ferreira, descobriu que na realidade Dom João foi envenenado com arsênico e não morto por causa de problemas digestivos após um jantar em família como sempre se anunciou. Os rumores de assassinato sempre houveram, mas nunca passou disso. As análises das vísceras do monarca detectaram uma quantidade de veneno quase quatro vezes maior que a necessária para matá-lo.

Se você gosta de mistério, aí está um que nunca foi esclarecido: Quem matou Dom João VI? Eu não sei, mas sua mulher Dona Carlota Joaquina o desprezava e seu filho Dom Miguel tentou depô-lo, portanto não faltaram pessoas a sua volta com oportunidade para o intento.

Em 1790 assume no Rio de Janeiro o cargo de vice-rei do Brasil, Dom José Luís de Castro (2º conde de Resende), ele deu prosseguimento ao processo nos implicados na Conjuração Mineira, ameaçou com severas punições quem não acendesse luminárias na frente das casa, como sinal de apoio ao enforcamento e esquartejamento de Tiradentes.

Em 1792, Dona Maria foi declarada incapaz mentalmente

Em 10 de fevereiro de 1792 seu filho Dom João assume oficiosamente o trono.

Em 16 de julho de 1799 Dom João VI assume oficialmente a regência.

Em 1801 a Espanha declara guerra a Portugal e chega a invadir seu território, ocupando Trás-os-Montes, Algarves e Alentejo. Foi uma "guerra de ocasião" deflagrada com o intuito de intimidar Portugal e forçar a quebra da aliança anglo-lusa; durou apenas algumas semanas; terminou com o Tratado de Badajoz assinado em 6 de junho de 1801, neste tratado constou uma cláusula que a partir desta data os portos lusitanos estariam fechados à Inglaterra.

Em 1802 França e Inglaterra celebram o tratado de Amiens, toda a Europa respira aliviada.

Em 1804 as relações entre França e Inglaterra volta a ficar tensa.

Em 19 de março de 1804 Portugal assina um tratado em Lisboa onde a França reconhece o seu estado de neutralidade nos conflitos entre Napoleão e a Inglaterra. Foi mais uma tentativa de suborno do que um tratado político-militar, pois Portugal pagou a enorme quantia de 16 milhões de francos para ver este acordo assinado.

Em 1806 assume o cargo de vice-rei do Brasil Dom Marcos de Noronha e Brito (8º conde dos Arcos), o último vice-rei do Brasil, ele é que se incumbiu de preparar a recepção da família real portuguesa.

Em julho de 1807 França e Rússia assinam o Tratado de Tilsit. Segundo algumas das cláusulas deste acordo ficava ajustado entre os dois paises que se a Inglaterra não devolvesse as conquistas marítimas realizadas em 1805, Rússia e França enviariam uma intimação a Portugal, Suécia e Dinamarca, ordenando que esses reinos fechassem seus portos a Grã-Bretanha, e, no caso de não cumprirem essa ordem esses paises seriam considerados inimigos. Nesta mesma época Napoleão através de um funcionário subalterno do Ministério dos Estrangeiros enviou uma mensagem ao governo português, mais tarde transmitida ao Ministro de Portugal em Paris, mensagem esta que exigia que Portugal declarasse guerra a Inglaterra no prazo máximo de 20 dias. O embaixador português em Madri, Conde da Ega, escreve para Lisboa alertando Dom João, das péssimas intenções de Napoleão. Nesta carta, o Conde de Ega recomenda duas alternativas para Dom João: Fechar os portos portugueses a Inglaterra, correndo o risco de perder as suas colonias ultramarinas ou abandonar Portugal e tentar a sorte no Brasil.

Em 12 de agosto de 1807 o encarregado dos negócios franceses em Portugal entrega pela segunda vez um ultimato dando um prazo até o dia 1º de setembro para que Dom João declarasse guerra a Grã-Bretanha. Nesta altura os enviados portugueses a Londres para por a corte inglesa a par das pressões que Portugal vinha sofrendo, relatam que a coroa inglesa compreendia que a situação de Dom João era insustentável e começaram negociações entre Londres e Lisboa para facilitar a fuga da família real portuguesa para o Brasil. O Ministro do Exterior inglês Canning, que várias vezes havia aconselhado Dom João a transferir a corte para o Brasil declara finalmente que a Inglaterra estava pronta a escoltar a corte portuguesa para o Brasil.

Em 25 de setembro os embaixadores espanhol e francês insistem mais uma vez que Dom João declare guerra a Inglaterra. como não obtiveram nenhuma resposta concreta, deixam Portugal no dia 30.

Em 22 de outubro de 1807 Dom João e os ingleses finalizam um acordo para enganar Napoleão Bonaparte assinando o decreto que fecha os portos portugueses para a Inglaterra. No texto havia a seguinte alegação "... visto como o governo português havia por bem aceder à causa continental, unindo-se a Sua Majestade o Imperador dos Franceses e a Sua Majestade Católica, com o fim de contribuir para aceleração da paz marítima..." Londres fingiu tomar esse decreto como declaração de guerra e mandou retirar os seus ministros e embaixadores de Lisboa. Para completar a farsa, os ingleses atiraram contra algumas naus portuguesas e invadiu a Ilha da Madeira. Por esta época Napoleão manda o General Junot adentrar em 24 horas em território espanhol e aguardar a ordem de invadir Portugal.

Em 27 de outubro de 1807 secretamente é celebrado o Tratado de Fontainebleau, onde, França e Espanha fazem a partilha de Portugal: as Províncias de Entre-Douro e do Minho, com capital na Cidade do Porto, formariam a Lusitânia Setentrional, a ser doada à Rainha Maria Luísa em troca da Etrúria, que havia sido incorporado a França; as Províncias do Alentejo e do Algarves comporiam o Principado do Algarves, que passaria pertencer ao Príncipe Manuel de Godoy (o Príncipe da Paz); as Províncias da Beira, Trás-os-Montes e Estremadura (região central), se fundiriam na Lusitânia do Sul que ficaria diretamente ligada a Napoleão. Veja que por essa ocasião, tecnicamente Portugal tinha satisfeito todas as humilhantes exigências de Napoleão.

Em 4 de novembro de 1807 o exercito francês comandado pelo então General Junot penetra em território português, seus exércitos maltrapilhos, esfarrapados, descalços, com muito frio e famintos descansam e se recompõem na Cidade de Abrantes.

A invasão francesa a Portugal foi um inferno, não para os cidadãos portugueses, e sim para os soldados franceses. Eles deveriam se encontrar com tropas espanholas na Cidade de Alcântara porém neste caminho, chovia uma barbaridade, os rios estavam transbordando, o que tornava suas travessias quase impossíveis, as estradas ficaram péssimas, o exército espanhol que deveria levar alimento para os franceses não chegava; assim, em 4 de novembro os franceses entraram em território português, com fome, frio, descalços; para não morrerem de fome os soldados saquearam tudo que encontravam pelo caminho, inclusive igrejas e sepulturas; na realidade, eles pareciam mais um bando de bandidos que um exército. Na Cidade de Castelo Branco, encontraram alguns víveres, cada homem recebeu 60 gramas de pão, legumes secos, arroz e um pouco de vinho, pouco adiantava, as chuvas eram torrenciais, os soldados verdadeiramente se arrastavam na lama, quando chegaram na Cidade de Sobreira, a lama era tanta que tiveram que dormir em pé com lama até o meio do corpo, pois era impossível deitar ou sentar. Só quando chegaram a Cidade de Abrantes, eles conseguiram mantimentos em certa quantidade e requisitaram da população da cidade 10 mil pares de sapatos.

Em 8 de novembro de 1807, Dom João assina um decreto que manda prender todos os cidadãos britânicos que se encontravam em Portugal e o seqüestro de seus bens. (tudo de comum acordo com o governo de Londres).

Em 27 de novembro de 1807, Dom João é formalmente comunicado pelo Tenente-Coronel Lécor que o General Junot estava com seus exércitos na Cidade de Abrantes (a poucos quilômetros de Lisboa).

Em 26 de novembro de 1807 Dom João publica um decreto declarando: "Tenho procurado por todos os meios possíveis conservar a neutralidade de que até agora tem gozado os meus fiéis e amados vassalos e apesar de ter exaurido o meu Real Erário, e de todos os sacrifícios a que me tenho sujeitado, chegando ao excesso de fechar os portos dos meus reinos aos vassalos do meu antigo e leal aliado, o rei da Grã-Bretanha, expondo o comércio dos meus vassalos a total ruína, e a sofrer por este motivo grave prejuízo nos rendimentos de minha coroa. Vejo que pelo interior do meu reino marcham tropas do imperador dos franceses e rei da Itália, a quem eu me havia unido no continente, na persuasão de não ser mais inquietado(...) e querendo evitar as funestas conseqüências que se podem seguir de uma defesa, que seria mais nociva que proveitosa, servindo só de derramar sangue em prejuízo da humanidade, (...) tenho resolvido, em benefício dos mesmos meus vassalos, passar com a rainha minha senhora e mãe, e com toda a real família, para os estados da América, e estabelecer-me na Cidade do Rio de Janeiro até a paz geral."

O Príncipe Dom João nomeou uma junta para administrar Portugal em sua ausência, foram eles: o Marques de Abrantes, o Tenente-General Dom Francisco de Noronha (presidente da Mesa da Consciência), e na falta de qualquer um destes deveria assumir o Conde de Castro Marim, todos prestaram juramento ao cardeal patriarca e o príncipe regente deu instruções em separado a cada um deles, para o caso de serem presos ou mortos quando as tropas de Napoleão tomassem Lisboa.

Na madrugada do dia 27 de novembro de 1807 os membros da Família Real saíram de Lisboa. chovia muito em todos os dias que antecederam o embarque da família real, porém no dia 27 não choveu como alguns autores afirmam, o dia amanheceu claro e com céu azul.

O primeiro a chegar ao cais foi o Príncipe Dom João e o infante da Espanha Dom Carlos, primo de Dona Carlota que já fazia algum tempo residia em Lisboa. Sem nenhum súdito para saudá-lo embarcou em uma galeota que o conduziria ao navio Príncipe Real onde viajariam com ele sua mãe Dona Maria e seu filho Dom Pedro. Dom João não chegou acompanhado de guardas, soldados ou criados, chegou sim, muito emocionado.

Dona Carlota Joaquina chegou depois que Dom João havia embarcado, veio acompanhada de suas filhas, e do Infante Dom Miguel, embarcaram em outro navio, o Dom Afonso d'Albuquerque.

O último a chegar foi Dom Pedro que foi saudado carinhosamente pela população, chegou acompanhado de seus servidores.

Dona Maria I (a louca) gritava dizendo que estava sendo roubada e querendo ficar e enfrentar seus inimigos.

A partida não foi rápida nem fácil, devido ao clima instável dos últimos dias (havia chovido torrencialmente em Portugal), o mar além da barra do Rio Tejo, estava muito agitado, além disso o General Junot havia mandado um destacamento tomar o Forte de São Julião e apontar os canhões para o a foz do Rio Tejo em virtude desses acontecimentos a partida das embarcações demorou 40 horas.

Às duas horas da madrugada do dia 29 de novembro um vento favorável permitiu que a esquadra zarpasse rumo ao Brasil, o almirante Sidney Smith e Lorde Strangford foram a bordo do navio Príncipe Real e ofereceram hospedagem ao Príncipe Regente na nau capitânia da frota da escolta inglesa, Dom João recusou.

Às 9 horas da manhã do dia 30 de novembro o General Junot entra em Lisboa liderando um exército de 26 mil homens, tendo a frente um destacamento de cavalaria portuguesa que se rendeu e se puseram às suas ordens.

Enquanto isso as esquadras portuguesa e inglesa, são surpreendidas por uma forte tempestade que dispersa os navios.

Em 5 de dezembro de 1807 os navios se reagruparam.

Em 8 de dezembro uma nova tempestade formada por ventos do sul dispersa novamente os navios.

Dia 10 de dezembro eles conseguem a muito custo se reagrupar novamente.

Em 11 de dezembro a frota avista a Ilha da Madeira.

No dia 18 de janeiro de 1808 chegam à costa da Bahia.

No dia 22 são avistados pelos habitantes de da Cidade de Salvador os primeiros navios da esquadra.

Às quatro horas da tarde do dia 22 de janeiro de 1808 todos finalmente todos os navios da esquadra estavam fundeados e o Conde da Ponte, governador da Bahia vão a bordo do navio Príncipe Real.

No dia 23 é a vez dos membros da da Câmara de irem a bordo do navio Príncipe Real.

Às cinco horas da tarde do dia 24 a comitiva real desembarcou, com imensa pompa e solenidade.

Em 1808 ele abriu os portos as nações amigas, aqui está uma transcrição da Carta Régia que celebra esse fato assinada uma semana após a chegada da Europa da família imperial:

Carta Régia de 28 de janeiro de 1808:

“Conde da Ponte, do meu Conselho, Governador e Capitão General da Capitania da Bahia. Amigo: Eu, o Príncipe Regente vos envia muito saudar, como aquele que amo. Atendendo à representação, que fizestes subir à minha Real Presença, sobre se achar interrompido e suspenso o comércio desta Capitania, com grave prejuízo dos meus vassalos e da minha Real Fazenda, em razão das críticas e públicas circunstâncias da Europa; e querendo dar sobre este importante objeto alguma providência pronta e capaz de melhorar o progresso de tais danos: sou servido ordenar interina e provisoriamente, enquanto não consolido um sistema geral que efetivamente regule semelhantes matérias, o seguinte”:

Primo: Que sejam admissíveis nas Alfândegas do Brasil todos e quaisquer gêneros, fazendas e mercadorias transportadas, em navios estrangeiros das Potências, que se conservam em paz e harmonia com minha Real Coroa, ou em navios dos meus vassalos, pagando por entrada vinte e quatro por cento, a saber: vinte de direito grossos, e quatro do donativo já estabelecido, regulando-se a cobrança destes direitos pelas pautas, ou aforamento, porque até o presente se regulam cada uma das ditas Alfândegas, ficando os vinhos, águas ardentes e azeites doces, que se denominam molhados, pagando o dobro dos direitos, que até agora nelas satisfaziam.

Segundo: Que não só os meus vassalos, mas também os sobreditos estrangeiros possam exportar para os Portos, que bem lhes parecer a benefício do comércio e agricultura, que tanto desejo promover, todos e quaisquer gêneros e produções coloniais, a exceção do pau-brasil, ou outros notoriamente estancados, pagando por saída os mesmos direitos já estabelecidos nas respectivas Capitanias, ficando entretanto como suspenso e sem vigor todas as leis, cartas régias, ou outras ordens que até aqui proibiam neste Estado do Brasil o recíproco comércio e navegação entre meus vassalos e estrangeiros. O que tudo assim fareis executar com zelo e atividade que de vós espero".

Fonte: Revista do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo Vol. IX.

Para assinar esta carta régia, João baseou-se fundamentalmente em conselhos econômicos de brasileiros mormente do Visconde de Cairú, visto que ele estava sem contato com seus conselheiros da corte portuguesa; os navios se separaram e se perderam uns dos outros durante uma tempestade na travessia do Oceano Atlântico.

Basicamente a carta trata das entradas e saídas de mercadorias das capitanias do Brasil. Ou seja desta data em diante quaisquer produtos transportadas por embarcações em navios que estivessem em paz com Portugal, eram admitidas na alfândega brasileira desde que pagassem uma taxa de 24% sobre o valor das mercadorias. Súditos portugueses e comerciantes estrangeiros também poderiam exportar suas mercadorias para qualquer porto amigo de Portugal.

Ainda na Bahia, antes da família real vir para o Rio de Janeiro foi criada em 18 de fevereiro de 1808 a primeira Escola de Medicina (Escola de Cirurgia e Obstetrícia). Criou facilidades para a fundação de uma fábrica de vidros. Autorizou a criação da primeira companhia de seguros do Brasil.

Enquanto isso em Portugal, Napoleão trata os portugueses com pesadíssimos impostos, muitas humilhações, e uma enorme taxa foi exigida a título de "resgate".

Em 26 de fevereiro de 1808, a esquadra zarpou para o Rio de Janeiro.

Os portugueses organizam uma resistência, para combater Napoleão; com o auxílio de tropas inglesas e espanholas conseguem em alguns meses expulsar as tropas napoleônicas do território português.

Em 7 de março de 1808 chegam ao Rio de Janeiro.

Chegada Dom João a Igreja do Rosário no Rio de Janeiro
Chegada Dom João a Igreja do Rosário no Rio de Janeiro

Pintura de Armando Viana Museu da Cidade - RJ

Termina assim a época dos vice-reis do Brasil. Mais tarde Dom João VI eleva a colônia ao nível de Reino Unido a Portugal e Algarves os títulos de vice-reis eram para na prática dar mais autoridade ao cargo, antes essa posição tinha o nome de Governador Geral do Brasil.

Às quatro horas da tarde do dia 8 de março de 1808 a família real desembarcou. Dom João desceu do navio Príncipe Real e passou para um bergantim (uma embarcação de pequeno porte) e assim pode aportar ao cais. Ao mesmo tempo Dona Carlota e os filhos desceram do navio Afonso d´Albuquerque, apenas Dona Maria permaneceu a bordo. Só no dia 10 de março Dom João volta ao navio Príncipe Real para acompanhar o desembarque da mãe; logo após seu desembarque a Rainha mãe Dona Maria I, ouviu um baque de uma portinhola e misturado com os ruídos de tiros de canhão e o alarido da população, ela se assustou e começou a gritar: Não me matem! Não me matem! Foi imediatamente recolhida ao Paço.

A família real portuguesa desembarcou no antigo cais do Largo do Paço na atual Praça XV no Rio de Janeiro, é bom lembrar, que o cais ficava onde hoje existe a construção em forma de pirâmide (Chafariz da Pirâmide), mais tarde toda essa parte foi aterrada levando o atual cais das barcas Rio-Niterói para mais longe. Em tempo, a esquadra fundeou na Ilha das Cobras.

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