A Nestor Vítor
Por Devotamento e Admiração.
Ah! para sempre! para sempre! Agora
não nos separaremos nem um dia...
Nunca mais, nunca mais, nesta
harmonia das nossas almas de
divina aurora.
A voz do céu pode vibrar
sonora ou do Inferno a
sinistra sinfonia,
que num fundo de astral
melancolia minh’alma com a
tu’alma goza
e chora.
Para sempre está feito o augusto
pacto! Cegos serenos do celeste
tato,
do Sonho envoltos na estrelada rede.
E perdidas, perdidas no Infinito
as nossas almas, no Clarão
bendito hão de enfim saciar
toda
esta sede...
E livres, livres desta vã
matéria, longe, nos claros
astros
peregrinos
que havemos de encontrar os dons divinos
e a grande paz, a grande paz sidérea.
Cá nesta humana e trágica
miséria, nestes surdos
abismos
assassinos teremos
de colher de atros destinos a
flor apodrecida e deletéria.
O baixo mundo que troveja e
brama só nos mostra a
caveira e só a
lama, ah! só a
lama e movimentos lassos...
Mas as almas irmãs, almas
perfeitas, hão de trocar, nas
Regiões
eleitas, largos,
profundos, imortais abraços!
Alma das almas
, minha irmã
gloriosa, divina irradiação
do
Sentimento,
quando estarás no azul
Deslumbramento, perto de mim, na
grande Paz
radiosa?!
Tu que és a lua da Mansão de rosa
da Graça e do supremo
Encantamento, o círio astral do
augusto
Pensamento velando
eternamente a Fé chorosa;
Alma das almas, meu consolo
amigo, seio celeste, sacrossanto
abrigo,
serena e constelada imensidade;
entre os teus beijos de etereal
carícia, sorrindo e soluçando
de delícia, quando te abraçarei
na Eternidade?!
Fonte: www.dominiopublico.gov.br