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Smorzando

cruz de souza

O véu da tarde cai pelas quebradas
Das serras altaneiras; As aves condoreiras
Rompem da mata em místicas risadas
O largo espaço intérmino cindindo.

A livre natureza,
Humildemente, pura, vai caindo, Caindo de joelhos
Como esse denso véu
Cai na viril e rútila grandeza
Do sol que desce em borbotões vermelhos
Como uma mancha tropical no céu.

E vibra a Ave-Maria
Como um soluço, estranho, indefinido; Talvez como um gemido
Dentre a escalvada e agreste serrania.

E desce e desce e desce
De toda a imensidade
A salutar carícia de uma prece, O eflúvio da saudade
Que alaga o nosso peito heroicamente
Como o luar de um treno
Mavioso e emoliente,
Mais doce que o sorrir do Nazareno.

Fonte: www.dominiopublico.gov.br

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