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As Cruzadas

As Cruzadas
Cruzadas das crianças de 1212
(Desenho de Gustave Doré)

O FRACASSO DAS CRUZADAS

Como conciliar a religião do amor e do Crucificado com a tentativa de difundir a religião com a espada? Foram, na realidade, uma Guerra Santa a exemplo da Guerra Santa do Islã. Quase nunca foi condenado o ódio contra os inimigos da fé e ganhou espaço o pensamento de ganhar o Paraíso matando.

Foram as mais sangrentas guerras medievais e, pela extensão, podem ser consideradas verdadeiras guerras mundiais, pois atingiram a Europa, a Ásia e a África.

As cruzadas fracassaram por uma necessidade objetiva: o ideal cristão das Cruzadas não poderia sobreviver, pois o Reino de Deus não pode triunfar pela espada, nem a família de Deus aumentar pelo derramamento de sangue.

Pe. José Artulino Besen

Fonte: www.pime.org.br

As Cruzadas

Cruzadas, expedições militares realizadas pelos cristãos da Europa ocidental, normalmente a pedido do Papa, que começaram em 1095 e cujo objetivo era recuperar Jerusalém e outros lugares de peregrinação na Palestina, no território conhecido pelos cristãos como Terra Santa, que estava sobre o controle dos muçulmanos. Os historiadores não chegaram a um acordo a respeito de sua finalização, e têm proposto datas que vão desde 1270 até inclusive 1798, quando Napoleão I conquistou Malta aos Cavaleiros Hospitalários de São João de Jerusalém, uma ordem militar estabelecida nessa ilha durante as Cruzadas. O vocábulo cruzada (de ‘cruz’, no emblema dos cruzados) se aplicou também, especialmente no século XIII, às guerras contra os povos pagãos, contra os herejes cristãos e contra os inimigos políticos do Papado. Por extensão, o termo é usado para descrever qualquer guerra religiosa ou política e, em ocasiões, qualquer movimento político ou moral. Assim, na Espanha, os dirigidos contra o governo republicano em 1936 que denominaram a guerra iniciada por eles mesmos (1936-1939) Cruzada, por considerar que seu objetivo era vencer o ateísmo.

Contexto Histórico

A origem das Cruzadas está enraizada no cataclismo político que resultou da expansão dos Selêucidas no Oriente Médio em meados do século XI. A conquista da Síria e da Palestina levada a cabo pelos Selêucidas islâmicos causou alarme aos cristãos do ocidente. Outros invasores turcos também penetraram profundamente no igualmente cristão Império bizantino e puseram os gregos, sírios e armênios cristãos debaixo de sua soberania. As Cruzadas foram, em parte, uma reação a todos estes sucessos. Também foi o resultado da ambição de alguns papas que buscaram ampliar seu poder político e religioso. Os exércitos cruzados foram, em certo sentido, o braço armado da política papal.

Em um esforço por entender porque os cruzados as levaram a cabo, os historiadores têm apontado como razões o dramático crescimento da população européia e a atividade comercial entre os séculos XII e XIV. As Cruzadas, portanto, se explicam como o meio de encontrar um amplo espaço onde acomodar parte dessa população em crescimento; e como o meio de dar saída aos projetos ambiciosos de nobres e cavaleiros, ávidos de terras. As expedições ofereciam, como foi assinalado, ricas oportunidades comerciais aos mercadores das pujantes cidades do ocidente, particularmente as cidades italianas de Gênova, Pisa e Veneza.

Já que estas explicações acerca das Cruzadas talvez sejam válidas, os avanços na investigação sobre o tema indicam que os cruzados no pensaram encontrar-se com os perigos de enfermidades, as longas marchas terrestres e a possibilidade de morrer em combate em terras estranhas. As famílias que ficaram na Europa tiveram que combater em muitas ocasiões durante longos períodos de tempo para manter suas granjas e suas possessões. A idéia de que os cruzados obtiveram grandes riquezas é cada vez mais difícil de justificar; a Cruzada foi um assunto extremadamente caro para um cavaleiro que tivesse o propósito de lutar no Oriente custeando a si mesmo a expedição, já que provavelmente supunha um gasto equivalente a quatro vezes sua renda anual.

Todavia, apesar de ser uma aventura perigosa, cara e que não dava benefícios, as Cruzadas tiveram um amplo atrativo para a sociedade contemporânea. Sua popularidade se solidificou na compreensão da sociedade que apoiou este fenômeno. Era uma sociedade de crentes, e muitos cruzados estavam convencidos de que suas participações na luta contra os infiéis lhes garantiriam sua salvação espiritual. Também era uma sociedade militarista, já que as esperanças e as ambições estavam associadas com façanhas militares.

A Primeira Cruzada

As Cruzadas começaram formalmente no dia 27 de novembro de 1095, em um descampado a extras muros da cidade francesa de Clermont-Ferrand. Esse dia, o papa Urbano II proferiu a uma multidão de bispos e de clérigos que assistiam a um concílio da Igreja nessa cidade. Em seu sermão, o papa esboçou um plano para uma Cruzada e pediu a seus ouvintes para unirem-se a ela. A resposta foi positiva e assustadora. Urbano encarregou os bispos assistentes ao concílio que voltaram a seus bispados para que recrutassem mais fiéis para a Cruzada. Também desenhou uma estratégia básica segundo a qual distintos grupos de cruzados iniciariam a viajem em agosto do ano 1096. Cada grupo se autofinanciaria e seria responsável ante seu próprio chefe. Os grupos fariam a viagem separados até a capital bizantina, Constantinopla (a atual Istambul, na Turquia), onde se reagrupariam. Dali, lançariam um contra-ataque, junto com o imperador bizantino e seu exército, contra os Selêucidas, que haviam conquistado Anatólia. Uma vez que essa região estivera sobre controle cristão, os cruzados realizariam uma campanha contra os muçulmanos da Síria e da Palestina, sendo Jerusalém seu objetivo fundamental.

Os Exércitos Cruzados

A primeira Cruzada se ateve em suas linhas gerais ao esquema previsto pelo papa Urbano II. O recrutamento prosseguiu a passos largos durante o resto de 1095 e os primeiros meses de 1096. Reuniram-se cinco grandes exércitos nobiliários em fins do verão de 1096 para iniciar a Cruzada. Grande parte de seus membros procediam da França, mas um significativo número vinha do sul da Itália e das regiões de Lorena, Borgonha e Flandres.

O papa no havia previsto o entusiasmo popular que sua convocação para a Cruzada produziria entre o campesinato e o povo das cidades. Ao lado da Cruzada da nobreza se materializou outra constituída pela classe baixa. O grupo mais importante de cruzados populares foi recrutado e dirigido por um predicador conhecido como Pedro o Ermitão, natural de Amiens (França). Já que foram numerosos os participantes na Cruzada popular, somente uma porcentagem mínima deles pôde chegar ao Oriente Médio; ainda assim foram menos os que sobreviveram para ver a tomada de Jerusalém pelos cristãos em 1099.

A Conquista de Anatólia

Os exércitos cruzados da nobreza chegaram a Constantinopla entre novembro de 1096 e maio de 1097. O imperador bizantino Alejo I Comneno pressionou os cruzados para que devolvessem qualquer antigo território do Império bizantino que conquistaram. Os chefes cruzados se sentiram ofendidos por essas demandas e, ainda que a maioria em última instância tenha concordado, começaram a suspeitar dos bizantinos.

Em maio de 1097, os cruzados atacaram seu primeiro grande objetivo, a capital turca de Anatólia, Nicéia (a atual cidade de Iznik na Turquia). Em junho, a cidade se rendeu aos bizantinos, antes que aos cruzados. Isto confirmou as suspeitas de que Alejo intentava utilizá-los como peões para lograr seus próprios objetivos.

Muito pouco depois da queda de Nicéia, os cruzados se encontraram com o principal exército Selêucida de Anatólia em Doriléia (perto da atual Eskisehir, na Turquia). Em 1 de julho de 1097, os cruzados obtiveram uma grande vitória e quase aniquilaram o exército turco. Como conseqüência, os cruzados encontraram escassa resistência durante o resto de sua campanha na Ásia Menor. O seguinte grande objetivo foi a cidade de Antioquia (a atual Antakya, na Turquia) no norte da Síria. Os cruzados sitiaram a cidade em 21 de outubro de 1097, mas que não caiu até o dia 3 de junho de 1098. Tão logo os cruzados houvessem tomado Antioquia, foram atacados por um novo exército turco, procedente de Mosul (no atual Iraque), que chegou demasiado tarde para auxiliar os defensores turcos de Antioquia. Os cruzados repeliram esta expedição de auxilio em 2 de junho.

A Conquista de Jerusalém

Os cruzados permaneceram descansados em Antioquia o resto do verão, e no final do mês de novembro de 1098 iniciaram o último trecho de sua viajem. Evitaram atacar as cidades e fortificações afim de conservar intactas suas tropas. Em maio de 1099 chegaram aos limites setentrionais da Palestina e ao entardecer de 7 de junho acamparam perto das muralhas de Jerusalém.

A cidade permanecia então sob controle egípcio; seus defensores eram numerosos e estavam bem preparados para resistir um sítio. Os cruzados atacaram com a ajuda de reforços chegados de Gênova e com umas recém construídas máquinas de ataque. Em 15 de julho tomaram por assalto Jerusalém e massacraram quase todos seus habitantes. Segundo a concepção dos cruzados, a cidade caiu purificada com o sangue dos infiéis.

Uma semana mais tarde o exército elegeu a um de seus chefes, Godofredo de Bouillon, duque da Baixa Lorena, como governante da cidade. Sob sua liderança, os cruzados realizaram sua última campanha militar e derrotaram um exército egípcio em Ascalon (agora Ashqelon, Israel) em 12 de agosto. Não muito mais tarde, a maioria dos cruzados voltou para a Europa, deixando para Godofredo um pequeno contingente da força original para organizar e estabelecer o governo e o controle latino (o europeu ocidental) sobre os territórios conquistados.

O Apogeu do Poderio Latino no Oriente

Após a conclusão da primeira Cruzada os colonos europeus no Levante estabeleceram quatro estados, o maior e mais poderoso dos quais foi o reino latino de Jerusalém. Ao norte deste reino, na costa da Síria, se encontrava o pequeno condado de Trípoli. Mais além de Trípoli estava o principado de Antioquia, situado no vale de Orontes. Mais a leste aparecia o condado de Edesa (agora Urfa, Turquia), povoado em grande escala por cristãos armênios.

As vitórias da primeira Cruzada se deveram em grande parte ao isolamento e relativa debilidade dos muçulmanos. Sem dúvida, a geração posterior a esta Cruzada contemplou o início da reunificação muçulmana no Oriente Médio sob a liderança de Imad al-Din Zangi, governante de Mosul e Halab (atualmente no norte da Síria). Sob o comando de Zangi, as tropas muçulmanas obtiveram sua primeira grande vitória contra os cruzados ao tomar a cidade de Edesa em 1144, após a qual desmantelaram sistematicamente o Estado cruzado na região.

A resposta do Papado a estes sucessos foi proclamar a segunda Cruzada em fins de 1145. A nova convocação atraiu numerosos expedicionários, entre os quais destacaram o rei da França Luis VII e o imperador do Sacro Império Romano Germânico Conrado III. O exército germano de Conrado partiu de Nuremberg (na atual Alemanha) em maio de 1147 rumo a Jerusalém. As tropas francesas marcharam um mês mais tarde. Perto de Doriléia as tropas germanas foram postas em fuga por uma emboscada turca. Desmoralizados e atemorizados, a maior parte dos soldados e peregrinos voltou para a Europa. O exército francês permaneceu mais tempo, mas seu destino não foi muito melhor e só uma parte da expedição original chegou a Jerusalém em 1148. Após deliberar com o rei Balduino III de Jerusalém e seus nobres, os cruzados decidiram atacar Damasco em julho. A força expedicionária não conseguiu tomar a cidade e, muito pouco mais tarde deste ataque infrutífero, o rei francês e o que restava de seu exército regressaram a seu país.

Saladino e a Terceira Cruzada

O fracasso da segunda Cruzada permitiu a reunificação das potências muçulmanas. Zangi havia morrido em 1146, mas seu sucessor, Nur al-Din, converteu seu Império na grande potência do Oriente Médio. Em 1169, suas tropas, sob o comando de Saladino, obtiveram o controle do Egito. Quando Nur al-Din faleceu cinco anos mais tarde, Saladino o sucedeu como governante do Estado islâmico que se estendia desde o deserto da Líbia até o vale do Tigre, e que rodeava os estados cruzados que todavia existiam por três frentes. Depois de uma serie de crises na década de 1180, Saladino finalmente invadiu o reino de Jerusalém com um enorme exército em maio de 1187. Em 4 de julho derrotou de forma definitiva o exército cristão em Hattin (Galiléia). Ainda que o rei de Jerusalém, Guy de Lusignan, junto com alguns de seus nobres, tenha se rendido e sobreviveu, todos os Cavaleiros Templários e os Cavaleiros Hospitalários de São João de Jerusalém foram degolados no campo de batalha ou em suas proximidades. Saladino, após esta vitória, se apoderou da maior parte das fortalezas dos cruzados no reino de Jerusalém, inclusive esta cidade, que se rendeu em 2 de outubro. Nesse momento a única grande cidade que todavia os cruzados possuíam era Tiro, no Líbano.

Em 29 de outubro de 1187, o papa Gregório VIII proclamou a terceira Cruzada. O entusiasmo dos europeus ocidentais foi imenso e em suas fileiras se juntaram três grandes monarcas: o imperador do Sacro Império Romano Germânico Federico I, o rei francês Felipe II Augusto e o monarca da Inglaterra Ricardo I Coração de Leão. Estes reis e seus numerosos seguidores constituíram a maior força cruzada que havia tido lugar desde 1095, mas o resultado de todo este esforço foi pequeno. Federico morreu em Anatólia enquanto viajava para a Terra Santa e a maior parte de seu exército voltou para a Alemanha de forma imediata após a sua morte. Ainda que tanto Felipe II como Ricardo I Coração de leão tenham chegado a Palestina com seus exércitos intactos, foram incapazes de reconquistar Jerusalém ou boa parte dos antigos territórios do reino latino. Conseguiram, sem dúvida, tirar do controle de Saladino uma série de cidades, inclusive Acre (agora em Israel), ao longo da costa mediterrânea. Já no mês de outubro de 1192, quando Ricardo I Coração de Leão partiu da Palestina, o reino latino havia sido restabelecido. Este segundo reino, muito mais reduzido que o primeiro e consideravelmente mais fraco tanto no plano militar como no político, perdurou em condições precárias ainda um século.

As Últimas Cruzadas

As Cruzadas posteriores não obtiveram os êxitos militares que havia tido a terceira Cruzada. A quarta, que durou dois anos, desde 1202 até 1204, foi atingida por dificuldades financeiras. Em um esforço para aliviá-las, os chefes cruzados concordaram atacar Constantinopla em conjunto com os venezianos e aspirar ao trono do Império bizantino. Os cruzados conseguiram tomar Constantinopla, que foi saqueada sem misericórdia. O Império Latino de Constantinopla, criado assim por esta Cruzada, sobreviveu até 1261, época em que o imperador bizantino Miguel VIII Paleólogo retomou Constantinopla. Tudo isso não contribuiu em nada para a defesa da Terra Santa.

Em 1208, em um contexto e em um território muito distintos, o papa Inocêncio III proclamou uma Cruzada contra os albigenses, uma seita religiosa, no sul da França. A conseguinte Cruzada foi a primeira que teve lugar na Europa ocidental. Durou desde 1209 até 1229 e causou um grande derramamento de sangue.

A primeira ofensiva da quinta Cruzada (1217-1221) tinha como objetivo capturar o porto egípcio de Damietta (Dumyat), a qual conseguiu em 1219. A estratégia posterior requeria um ataque contra o Egito, a tomada do Cairo e outra campanha para assegurar o controle da península do Sinai. Sem dúvida, a execução desta estratégia não obteve todos seus objetivos. O ataque contra o Cairo não se concretizou quando os reforços que havia prometido o imperador do Sacro Império Romano Germânico, Federico II, não se materializaram. Em agosto de 1221 os cruzados se viram obrigados a entregar Damietta aos egípcios e em setembro o exército cristão se dispersou.

Federico II

A Cruzada que levou a cabo o imperador do Sacro Império Romano Germânico Federico II se diferenciou das anteriores em sua forma de enfocar a questão. Federico II havia prometido dirigir uma Cruzada em 1215 e renovou seu compromisso em 1220, mas por razões políticas internas do Império teve que pedir sua saída. Sob ameaça de excomunhão do papa Gregório IX, Federico e seu exército embarcaram finalmente na Itália em agosto de 1227, mas voltaram ao porto poucos dias depois, quando o imperador caiu enfermo. O papa, exasperado por mais outro adiamento, rapidamente excomungou o imperador. Uma vez recuperada sua saúde, Federico marchou para a Terra Santa em junho de 1228, como um cruzado anônimo, sem a proteção da Igreja. Federico chegou a Acre, onde soube que a maior parte de seu exército se havia dispersado. Contudo, não tinha a intenção de combater se podia recuperar Jerusalém mediante uma negociação diplomática com o sultão egípcio Al-Kamil. Essas negociações deram como resultado um tratado de paz pelo qual os egípcios devolveriam Jerusalém aos cruzados, que garantiu uma trégua durante 10 anos. Apesar deste êxito, Federico era evitado pelos líderes seculares dos estados latinos e pelo clero, dado que estava excomungado. Ao mesmo tempo, o papa proclamou outra cruzada, desta vez contra Federico; recrutou um exército e prometeu atacar as possessões italianas do imperador. Federico voltou para a Europa em maio de 1229 para fazer frente a esta ameaça.

Luis IX

Transcorreram quase 20 anos entre a Cruzada de Federico e a seguinte grande expedição ao Oriente Médio, organizada e financiada pelo rei Luis IX da França e motivada pela reconquista de Jerusalém por parte dos muçulmanos em 1244. Luis passou quatro anos fazendo cuidadosos planos e preparativos para sua ambiciosa expedição. Em fins de agosto de 1248, Luis e seu exército marcharam até a ilha de Chipre, onde permaneceram todo o inverno e continuaram os preparativos. Seguindo a mesma estratégia da quinta Cruzada, Luis e seus seguidores desembarcaram no Egito, em 5 de junho de 1249, e no dia seguinte tomaram Damietta. O seguinte passo em sua campanha, o ataque ao Cairo na primavera de 1250, acabou sendo uma catástrofe. Os cruzados no puderam manter seus flancos, porque os egípcios detiveram o controle dos depósitos de água ao longo do Nilo. Os egípcios abriram as eclusas, provocando inundações, que prejudicaram a todo o exército cruzado, e Luis IX foi forçado a render-se em abril de 1250. Após pagar um enorme resgate e entregar Damietta, Luis embarcou por mar para a Palestina, onde passou quatro anos edificando fortificações e consolidando as defesas do reino latino. Na primavera de 1254 regressou com seu exército para a França.

O rei Luis IX também organizou a última grande Cruzada, em 1270. Nesta ocasião a resposta da nobreza francesa foi pouco entusiasmada e a expedição se dirigiu contra a cidade de Tunis e não contra o Egito. Acabou subitamente quando Luis morreu em Tunis no verão de 1270.

Enquanto as fortificações fronteiriças que todavia restaram ao Império Latino na Síria e na Palestina se viram submetidas a uma pressão incessante por parte das forças egípcias. Uma a uma, as cidades e castelos dos estados cruzados caíram em mãos dos potentes exércitos mamelucos. A última praça forte, a cidade de Acre, foi tomada em 18 de maio de 1291 e os povoados cruzados, junto com as ordens militares dos Cavaleiros Templários e os Cavaleiros Hospitalários, buscaram refúgio em Chipre. Por volta de 1306, estes últimos se estabeleceram na ilha de Rodes, a qual administraram como um virtual Estado independente e foi a última praça forte no Mediterrâneo até sua rendição aos turcos em 1522. Em 1570, Chipre, sob a soberania de Veneza, também foi conquistada pelos turcos. Os outros estados latinos que se estabeleceram na Grécia como conseqüência da quarta Cruzada sobreviveram até a metade do século XV.

Conseqüência das Cruzadas

A expulsão dos latinos da Terra Santa não pôs fim aos esforços dos cruzados, mas a resposta dos reis europeus e da nobreza a novas convocações de Cruzadas foi fraca, e as posteriores expedições se levaram a cabo sem nenhum êxito. Dois séculos de Cruzadas haviam deixado poucos vestígios na Síria e na Palestina, salvo numerosas igrejas, fortificações e uma série de impressionantes castelos, como os de Marqab, na costa da Síria, Shawbak (Montreal), na Transjordânia, o krak (fortaleza) dos Cavaleiros, que podia acolher uma guarnição de até 2000 homens, perto de Trípoli, e Monfort, perto de Haifa (Israel). Os efeitos das Cruzadas se deixaram sentir principalmente na Europa, não no Oriente Médio. Os cruzados haviam fortalecido o comércio das cidades italianas, haviam gerado um interesse pela exploração do Oriente e haviam estabelecido mercados comerciais de duradoura importância. Os experimentos do Papado e dos monarcas europeus para obter os recursos monetários para financiar as Cruzadas conduziram ao desenvolvimento de sistemas de impostos diretos de modo geral, que tiveram conseqüências a longo prazo para a estrutura fiscal dos estados europeus. Ainda que os estados latinos no Oriente tivessem uma vida curta, a experiência dos cruzados estabeleceu alguns mecanismos que gerações posteriores de europeus usariam e melhorariam, ao colonizar os territórios descobertos pelos exploradores dos séculos XV e XVI.

Fonte: www.starnews2001.com.br

As Cruzadas

Para entender a história dos “Templários” é necessário inicialmente conhecer o que foi o “movimento cruzadista” que, retratando a estrutura mental e religiosa do homem medieval, se estendeu entre os séculos XI e XII, levando-o a lutar contra os inimigos da fé cristã.

Desde o advento do Cristianismo como religião oficial do Império Romano, as peregrinações à Terra Santa (Palestina) pouco a pouco ganharam popularidade e tornaram-se movimentos de fé e de penitência, numa busca aos túmulos dos mártires cristãos e aos monumentos construídos em suas homenagens.

Durante o século V, o intercâmbio entre o Ocidente e o Oriente já era intenso. Os sírios levavam suas idéias religiosas, sua cultura e sua arte para as cidades da Gália e da Itália e, por sua vez, os cristãos ocidentais viajavam em caravanas para a Síria, Palestina e Egito, não só para visitar os lugares sagrados, mas também buscando uma vida ascética.

Mas, a partir do oitavo século, com a unificação política dos árabes, em decorrência da união religiosa obtida por Maomé, organizador do Islamismo, tal situação começou a se modificar e os peregrinos passaram a ter grandes dificuldades para chegar à Palestina. A religião islâmica pregava a guerra santa aos infiéis e justificava o direito de saqueá-los porque não aceitavam o Deus criador dos bens materiais.

Vários acordos foram feitos com o Oriente naquela época, principalmente pelos soberanos francos, na tentativa de restabelecer a paz e favorecer as condições dos peregrinos ocidentais.

Em 1009, o califa egípcio Hakem 1, num ataque de loucura, mandou destruir o Santo Sepulcro e exterminar os cristãos estabelecidos em Jerusalém, que passaram a ser cruelmente perseguidos. Mas, em 1027, o protetorado franco foi substituído pelos imperadores bizantinos e estes ordenaram, então, a reconstrução do Santo Sepulcro.

O homem medieval possuía uma fé profunda; acreditava no Paraíso e no Inferno. Por esta razão, a intensa espiritualidade daquele período histórico direcionava tais movimentos e, ao invés de diminuir, o entusiasmo dos cristãos em busca dos locais sagrados, especialmente no século XI, aumentava mais e mais, envolvendo inclusive príncipes, reis, bispos e cavaleiros.

Todavia, a expansão dos turcos no final do século XI, cujo Islamismo fanático levava-os a impedir as expedições cristãs a Jerusalém, comprometeu totalmente a segurança dos peregrinos e colocou em risco o Império Bizantino e toda a cristandade. Com a tomada de Jerusalém, as peregrinações aos lugares santos foram proibidas. Os imperadores de Constantinopla imploraram a assistência dos papas, pedindo o reestabelecimento da unidade cristã, a expulsão dos turcos e o resgate do Santo Sepulcro. Foi então que surgiram as Cruzadas, expedições guerreiras de caráter religioso com o propósito de libertar a Palestina dos turcos e proteger os fiéis dos perigos das peregrinações; uma verdadeira contra-ofensiva cristã ao avanço muçulmano.

Outros fatores contribuíram e impulsionaram o movimento das Cruzadas. O momento histórico porque passava a Europa, numa relação feudalista suserano-vassalo, fazia-se refletir também no relacionamento entre os homens e Deus.

Assim, os guerreiros-vassalos tinham como dever e forma de penitência proteger o Cristo-suserano. No contexto comercial, as Cruzadas constituíram excelente oportunidade de criar a sua área de influência no Mediterrâneo. A própria expedição militar representava um bom investimento, já que os italianos forneciam empréstimos, mantimentos, equipamentos e navios aos cruzados. Além disso, no campo social, a expansão demográfica e a conseqüente expansão das fronteiras agrícolas desencadearam a migração dos camponeses dos feudos, que passaram a buscar uma forma alternativa de sobrevivência; e as Cruzadas dariam esta oportunidade de obter novas terras no Oriente.

Entre os anos de 1096 e 1270, foram organizadas muitas Cruzadas, mas a História registra oito delas como sendo as principais. Na verdade, houve um fluxo ininterrupto de peregrinações a Jerusalém, armadas ou não, que desembarcavam ali todos os anos durante a primavera. O termo “Cruzada” adveio do período em que o Papa Urbano II, durante o Concílio de Clermont, ordenou aos cavaleiros que estavam de partida para a Terra Santa que assinalassem com uma cruz os seus trajes guerreiros, com a promessa de receberem a indulgência pelos pecados cometidos, a suspensão de suas dívidas e a proteção dos seus bens. Inclusive, muitos daqueles que partiram para a conquista de Jerusalém, fizeram-no justamente na expectativa de morrer na luta e ganhar a salvação eterna. Os cavaleiros passaram, então, a utilizar o símbolo da cruz sobre as suas armaduras.

A primeira Cruzada (1096-1099) foi comandada por Godofredo de Bulhão e obteve relativo sucesso com a conquista da Palestina e parte da Síria e a fundação de um reino cristão. Foi durante este período que começaram a surgir várias ordens de cavaleiros: a dos Hospitalários, a dos Templários e a dos Teutônicos.

Entre os anos de 1147 e 1149 foi organizada a segunda Cruzada contra os muçulmanos; desta vez liderada por Luís VII, Rei da França, e por Conrado III, Imperador do Sacro Império Romano-germânico. A expedição atingiu Constantinopla e chegou à Ásia, mas foi derrotada antes de chegar à Palestina.

A terceira Cruzada, ou Cruzada dos Reis (1189-1192), foi decidida pelo Papa Gregório VIII, depois que o sultão egípcio Saladin 4 retomou Jerusalém. Foi liderada por Ricardo Coração de Leão, Rei da Inglaterra, por Filipe II, Rei da França, e por Frederico Barba Ruiva, Imperador do Sacro Império Romano-germânico.Este último faleceu na Ásia Menor, tendo suas forças se dispersado. Filipe Augusto, por questões de divergências, se retirou da luta, e Ricardo continuou sozinho, conquistando algumas cidades. Por fim, embora não tenha tomado a Cidade Santa, conseguiu um acordo com Saladin para que as peregrinações fossem permitidas.

Ao contrário das anteriores, os motivos que provocaram a quarta Cruzada, entre 1202 e 1204, foram outros. Inicialmente proposta pelo Papa Inocêncio III e financiada pelos nobres de Veneza, em vez de se dirigirem para a Terra Santa, que era o ponto crucial do conflito entre cristãos e muçulmanos, os cruzados resolveram atacar Constantinopla com o objetivo de derrubar Aleixo III 5 e o Império Bizantino, cujas riquezas lhes interessavam.

Com a tomada de Constantinopla, foi criado o Império Latino do Oriente, entre 1204 e 1261. Balduíno de Flandres foi feito Imperador e um patriarca latino foi nomeado Papa.

Esta conquista latina tornou-se um desastre porque enfraqueceu o Império Oriental e agravou o ódio entre a cristandade grega e latina.

Ainda motivada por Inocêncio III, a quinta Cruzada (1217-1220), formada por húngaros, austríacos, cipriotas, frísios 6, noruegueses e francos da Síria, ficou conhecida pelo completo fracasso na conquista do Egito.

A sexta Cruzada (1228-1229) foi organizada pelo Imperador germânico Frederico II, que conseguiu firmar um tratado com os muçulmanos, pelo qual Jerusalém, Belém e Nazaré ficavam sob a jurisdição dos cristãos ocidentais, mantendo-se, contudo, o livre acesso dos muçulmanos às mesquitas de Jerusalém. Mais tarde, em 1244, Jerusalém foi tomada novamente pelos turcos.

Luís IX, Rei da França, liderou as duas últimas Cruzadas.

A sétima foi organizada a partir da pregação de Inocên cio IV, feita no Concílio de Lyon, e durou entre 1248 e 1250.

Luís IX (mais tarde conhecido como São Luís) foi preso e libertado anos depois, após pagamento de resgate. Duas décadas mais tarde, em 1270, Luís comandou a última grande expedição (a oitava), mas ele e seu exército foram dizimados por uma epidemia de tifo.

No final do século XIII, os turcos apoderaram-se da última fortaleza cristã no Oriente. Vários papas tentaram organizar novas expedições, mas sem sucesso. Não mais existiam as motivações sociais e econômicas que impulsionaram as primeiras expedições.

Como conseqüência, as Cruzadas foram responsáveis pelo enfraquecimento do feudalismo, aumentando assim o poder dos reis. No plano econômico, a expansão do comércio com o Oriente favoreceu cidades marítimas, como Gênova e Veneza. Adicionalmente, o intercâmbio cultural floresceu, levando ao desenvolvimento das universidades e da literatura.

Mas, se forem considerados os objetivos primeiros das Cruzadas, elas foram um fracasso, pois além de não terem conquistado de modo permanente a Terra Santa, não se pode afirmar que tenham detido a expansão do Islamismo.

Fonte: www.edconhecimento.com.br

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