Facebook do Portal São Francisco Google+
+ circle
Home  As Cruzadas  Voltar

As Cruzadas

 

As Cruzadas
As Cruzadas

Cruzadas, expedições militares realizadas pelos cristãos da Europa ocidental, normalmente a pedido do Papa, que começaram em 1095 e cujo objetivo era recuperar Jerusalém e outros lugares de peregrinação na Palestina, no território conhecido pelos cristãos como Terra Santa, que estava sobre o controle dos muçulmanos.

Os historiadores não chegaram a um acordo a respeito de sua finalização, e têm proposto datas que vão desde 1270 até inclusive 1798, quando Napoleão I conquistou Malta aos Cavaleiros Hospitalários de São João de Jerusalém, uma ordem militar estabelecida nessa ilha durante as Cruzadas.

O vocábulo cruzada (de ‘cruz’, no emblema dos cruzados) se aplicou também, especialmente no século XIII, às guerras contra os povos pagãos, contra os hereges cristãos e contra os inimigos políticos do Papado. Por extensão, o termo é usado para descrever qualquer guerra religiosa ou política e, em ocasiões, qualquer movimento político ou moral. Assim, na Espanha, os dirigidos contra o governo republicano em 1936 que denominaram a guerra iniciada por eles mesmos (1936-1939) Cruzada, por considerar que seu objetivo era vencer o ateísmo.

Contexto Histórico

A origem das Cruzadas está enraizada no cataclismo político que resultou da expansão dos Selêucidas no Oriente Médio em meados do século XI. A conquista da Síria e da Palestina levada a cabo pelos Selêucidas islâmicos causou alarme aos cristãos do ocidente. Outros invasores turcos também penetraram profundamente no igualmente cristão Império bizantino e puseram os gregos, sírios e armênios cristãos debaixo de sua soberania. As Cruzadas foram, em parte, uma reação a todos estes sucessos. Também foi o resultado da ambição de alguns papas que buscaram ampliar seu poder político e religioso. Os exércitos cruzados foram, em certo sentido, o braço armado da política papal.

Em um esforço por entender porque os cruzados as levaram a cabo, os historiadores têm apontado como razões o dramático crescimento da população européia e a atividade comercial entre os séculos XII e XIV. As Cruzadas, portanto, se explicam como o meio de encontrar um amplo espaço onde acomodar parte dessa população em crescimento; e como o meio de dar saída aos projetos ambiciosos de nobres e cavaleiros, ávidos de terras. As expedições ofereciam, como foi assinalado, ricas oportunidades comerciais aos mercadores das pujantes cidades do ocidente, particularmente as cidades italianas de Gênova, Pisa e Veneza.

Já que estas explicações acerca das Cruzadas talvez sejam válidas, os avanços na investigação sobre o tema indicam que os cruzados no pensaram encontrar-se com os perigos de enfermidades, as longas marchas terrestres e a possibilidade de morrer em combate em terras estranhas. As famílias que ficaram na Europa tiveram que combater em muitas ocasiões durante longos períodos de tempo para manter suas granjas e suas possessões. A idéia de que os cruzados obtiveram grandes riquezas é cada vez mais difícil de justificar; a Cruzada foi um assunto extremadamente caro para um cavaleiro que tivesse o propósito de lutar no Oriente custeando a si mesmo a expedição, já que provavelmente supunha um gasto equivalente a quatro vezes sua renda anual.

Todavia, apesar de ser uma aventura perigosa, cara e que não dava benefícios, as Cruzadas tiveram um amplo atrativo para a sociedade contemporânea. Sua popularidade se solidificou na compreensão da sociedade que apoiou este fenômeno. Era uma sociedade de crentes, e muitos cruzados estavam convencidos de que suas participações na luta contra os infiéis lhes garantiriam sua salvação espiritual. Também era uma sociedade militarista, já que as esperanças e as ambições estavam associadas com façanhas militares.

A Primeira Cruzada

As Cruzadas começaram formalmente no dia 27 de novembro de 1095, em um descampado a extras muros da cidade francesa de Clermont-Ferrand. Esse dia, o papa Urbano II proferiu a uma multidão de bispos e de clérigos que assistiam a um concílio da Igreja nessa cidade. Em seu sermão, o papa esboçou um plano para uma Cruzada e pediu a seus ouvintes para unirem-se a ela. A resposta foi positiva e assustadora. Urbano encarregou os bispos assistentes ao concílio que voltaram a seus bispados para que recrutassem mais fiéis para a Cruzada. Também desenhou uma estratégia básica segundo a qual distintos grupos de cruzados iniciariam a viajem em agosto do ano 1096. Cada grupo se autofinanciaria e seria responsável ante seu próprio chefe. Os grupos fariam a viagem separados até a capital bizantina, Constantinopla (a atual Istambul, na Turquia), onde se reagrupariam. Dali, lançariam um contra-ataque, junto com o imperador bizantino e seu exército, contra os Selêucidas, que haviam conquistado Anatólia. Uma vez que essa região estivera sobre controle cristão, os cruzados realizariam uma campanha contra os muçulmanos da Síria e da Palestina, sendo Jerusalém seu objetivo fundamental.

Os Exércitos Cruzados

A primeira Cruzada se ateve em suas linhas gerais ao esquema previsto pelo papa Urbano II. O recrutamento prosseguiu a passos largos durante o resto de 1095 e os primeiros meses de 1096. Reuniram-se cinco grandes exércitos nobiliários em fins do verão de 1096 para iniciar a Cruzada. Grande parte de seus membros procediam da França, mas um significativo número vinha do sul da Itália e das regiões de Lorena, Borgonha e Flandres.

O papa no havia previsto o entusiasmo popular que sua convocação para a Cruzada produziria entre o campesinato e o povo das cidades. Ao lado da Cruzada da nobreza se materializou outra constituída pela classe baixa. O grupo mais importante de cruzados populares foi recrutado e dirigido por um predicador conhecido como Pedro o Ermitão, natural de Amiens (França). Já que foram numerosos os participantes na Cruzada popular, somente uma porcentagem mínima deles pôde chegar ao Oriente Médio; ainda assim foram menos os que sobreviveram para ver a tomada de Jerusalém pelos cristãos em 1099.

A Conquista de Anatólia

Os exércitos cruzados da nobreza chegaram a Constantinopla entre novembro de 1096 e maio de 1097. O imperador bizantino Alejo I Comneno pressionou os cruzados para que devolvessem qualquer antigo território do Império bizantino que conquistaram. Os chefes cruzados se sentiram ofendidos por essas demandas e, ainda que a maioria em última instância tenha concordado, começaram a suspeitar dos bizantinos.

Em maio de 1097, os cruzados atacaram seu primeiro grande objetivo, a capital turca de Anatólia, Nicéia (a atual cidade de Iznik na Turquia). Em junho, a cidade se rendeu aos bizantinos, antes que aos cruzados. Isto confirmou as suspeitas de que Alejo intentava utilizá-los como peões para lograr seus próprios objetivos.

Muito pouco depois da queda de Nicéia, os cruzados se encontraram com o principal exército Selêucida de Anatólia em Doriléia (perto da atual Eskisehir, na Turquia). Em 1 de julho de 1097, os cruzados obtiveram uma grande vitória e quase aniquilaram o exército turco. Como conseqüência, os cruzados encontraram escassa resistência durante o resto de sua campanha na Ásia Menor. O seguinte grande objetivo foi a cidade de Antioquia (a atual Antakya, na Turquia) no norte da Síria. Os cruzados sitiaram a cidade em 21 de outubro de 1097, mas que não caiu até o dia 3 de junho de 1098. Tão logo os cruzados houvessem tomado Antioquia, foram atacados por um novo exército turco, procedente de Mosul (no atual Iraque), que chegou demasiado tarde para auxiliar os defensores turcos de Antioquia. Os cruzados repeliram esta expedição de auxilio em 2 de junho.

A Conquista de Jerusalém

Os cruzados permaneceram descansados em Antioquia o resto do verão, e no final do mês de novembro de 1098 iniciaram o último trecho de sua viajem.

Evitaram atacar as cidades e fortificações afim de conservar intactas suas tropas. Em maio de 1099 chegaram aos limites setentrionais da Palestina e ao entardecer de 7 de junho acamparam perto das muralhas de Jerusalém.

A cidade permanecia então sob controle egípcio; seus defensores eram numerosos e estavam bem preparados para resistir um sítio. Os cruzados atacaram com a ajuda de reforços chegados de Gênova e com umas recém construídas máquinas de ataque. Em 15 de julho tomaram por assalto Jerusalém e massacraram quase todos seus habitantes. Segundo a concepção dos cruzados, a cidade caiu purificada com o sangue dos infiéis.

Uma semana mais tarde o exército elegeu a um de seus chefes, Godofredo de Bouillon, duque da Baixa Lorena, como governante da cidade. Sob sua liderança, os cruzados realizaram sua última campanha militar e derrotaram um exército egípcio em Ascalon (agora Ashqelon, Israel) em 12 de agosto. Não muito mais tarde, a maioria dos cruzados voltou para a Europa, deixando para Godofredo um pequeno contingente da força original para organizar e estabelecer o governo e o controle latino (o europeu ocidental) sobre os territórios conquistados.

O Apogeu do Poderio Latino no Oriente

Após a conclusão da primeira Cruzada os colonos europeus no Levante estabeleceram quatro estados, o maior e mais poderoso dos quais foi o reino latino de Jerusalém. Ao norte deste reino, na costa da Síria, se encontrava o pequeno condado de Trípoli. Mais além de Trípoli estava o principado de Antioquia, situado no vale de Orontes. Mais a leste aparecia o condado de Edesa (agora Urfa, Turquia), povoado em grande escala por cristãos armênios.

As vitórias da primeira Cruzada se deveram em grande parte ao isolamento e relativa debilidade dos muçulmanos. Sem dúvida, a geração posterior a esta Cruzada contemplou o início da reunificação muçulmana no Oriente Médio sob a liderança de Imad al-Din Zangi, governante de Mosul e Halab (atualmente no norte da Síria). Sob o comando de Zangi, as tropas muçulmanas obtiveram sua primeira grande vitória contra os cruzados ao tomar a cidade de Edesa em 1144, após a qual desmantelaram sistematicamente o Estado cruzado na região.

A resposta do Papado a estes sucessos foi proclamar a segunda Cruzada em fins de 1145. A nova convocação atraiu numerosos expedicionários, entre os quais destacaram o rei da França Luis VII e o imperador do Sacro Império Romano Germânico Conrado III. O exército germano de Conrado partiu de Nuremberg (na atual Alemanha) em maio de 1147 rumo a Jerusalém. As tropas francesas marcharam um mês mais tarde. Perto de Doriléia as tropas germanas foram postas em fuga por uma emboscada turca. Desmoralizados e atemorizados, a maior parte dos soldados e peregrinos voltou para a Europa. O exército francês permaneceu mais tempo, mas seu destino não foi muito melhor e só uma parte da expedição original chegou a Jerusalém em 1148. Após deliberar com o rei Balduino III de Jerusalém e seus nobres, os cruzados decidiram atacar Damasco em julho. A força expedicionária não conseguiu tomar a cidade e, muito pouco mais tarde deste ataque infrutífero, o rei francês e o que restava de seu exército regressaram a seu país.

Saladino e a Terceira Cruzada

O fracasso da segunda Cruzada permitiu a reunificação das potências muçulmanas. Zangi havia morrido em 1146, mas seu sucessor, Nur al-Din, converteu seu Império na grande potência do Oriente Médio. Em 1169, suas tropas, sob o comando de Saladino, obtiveram o controle do Egito. Quando Nur al-Din faleceu cinco anos mais tarde, Saladino o sucedeu como governante do Estado islâmico que se estendia desde o deserto da Líbia até o vale do Tigre, e que rodeava os estados cruzados que todavia existiam por três frentes. Depois de uma serie de crises na década de 1180, Saladino finalmente invadiu o reino de Jerusalém com um enorme exército em maio de 1187. Em 4 de julho derrotou de forma definitiva o exército cristão em Hattin (Galiléia). Ainda que o rei de Jerusalém, Guy de Lusignan, junto com alguns de seus nobres, tenha se rendido e sobreviveu, todos os Cavaleiros Templários e os Cavaleiros Hospitalários de São João de Jerusalém foram degolados no campo de batalha ou em suas proximidades. Saladino, após esta vitória, se apoderou da maior parte das fortalezas dos cruzados no reino de Jerusalém, inclusive esta cidade, que se rendeu em 2 de outubro. Nesse momento a única grande cidade que todavia os cruzados possuíam era Tiro, no Líbano.

Em 29 de outubro de 1187, o papa Gregório VIII proclamou a terceira Cruzada.

O entusiasmo dos europeus ocidentais foi imenso e em suas fileiras se juntaram três grandes monarcas: o imperador do Sacro Império Romano Germânico Federico I, o rei francês Felipe II Augusto e o monarca da Inglaterra Ricardo I Coração de Leão. Estes reis e seus numerosos seguidores constituíram a maior força cruzada que havia tido lugar desde 1095, mas o resultado de todo este esforço foi pequeno. Federico morreu em Anatólia enquanto viajava para a Terra Santa e a maior parte de seu exército voltou para a Alemanha de forma imediata após a sua morte. Ainda que tanto Felipe II como Ricardo I Coração de leão tenham chegado a Palestina com seus exércitos intactos, foram incapazes de reconquistar Jerusalém ou boa parte dos antigos territórios do reino latino.

Conseguiram, sem dúvida, tirar do controle de Saladino uma série de cidades, inclusive Acre (agora em Israel), ao longo da costa mediterrânea. Já no mês de outubro de 1192, quando Ricardo I Coração de Leão partiu da Palestina, o reino latino havia sido restabelecido. Este segundo reino, muito mais reduzido que o primeiro e consideravelmente mais fraco tanto no plano militar como no político, perdurou em condições precárias ainda um século.

As Últimas Cruzadas

As Cruzadas posteriores não obtiveram os êxitos militares que havia tido a terceira Cruzada. A quarta, que durou dois anos, desde 1202 até 1204, foi atingida por dificuldades financeiras. Em um esforço para aliviá-las, os chefes cruzados concordaram atacar Constantinopla em conjunto com os venezianos e aspirar ao trono do Império bizantino. Os cruzados conseguiram tomar Constantinopla, que foi saqueada sem misericórdia. O Império Latino de Constantinopla, criado assim por esta Cruzada, sobreviveu até 1261, época em que o imperador bizantino Miguel VIII Paleólogo retomou Constantinopla. Tudo isso não contribuiu em nada para a defesa da Terra Santa.

Em 1208, em um contexto e em um território muito distintos, o papa Inocêncio III proclamou uma Cruzada contra os albigenses, uma seita religiosa, no sul da França. A conseguinte Cruzada foi a primeira que teve lugar na Europa ocidental. Durou desde 1209 até 1229 e causou um grande derramamento de sangue.

A primeira ofensiva da quinta Cruzada (1217-1221) tinha como objetivo capturar o porto egípcio de Damietta (Dumyat), a qual conseguiu em 1219. A estratégia posterior requeria um ataque contra o Egito, a tomada do Cairo e outra campanha para assegurar o controle da península do Sinai. Sem dúvida, a execução desta estratégia não obteve todos seus objetivos. O ataque contra o Cairo não se concretizou quando os reforços que havia prometido o imperador do Sacro Império Romano Germânico, Federico II, não se materializaram. Em agosto de 1221 os cruzados se viram obrigados a entregar Damietta aos egípcios e em setembro o exército cristão se dispersou.

Federico II

A Cruzada que levou a cabo o imperador do Sacro Império Romano Germânico Federico II se diferenciou das anteriores em sua forma de enfocar a questão. Federico II havia prometido dirigir uma Cruzada em 1215 e renovou seu compromisso em 1220, mas por razões políticas internas do Império teve que pedir sua saída. Sob ameaça de excomunhão do papa Gregório IX, Federico e seu exército embarcaram finalmente na Itália em agosto de 1227, mas voltaram ao porto poucos dias depois, quando o imperador caiu enfermo. O papa, exasperado por mais outro adiamento, rapidamente excomungou o imperador. Uma vez recuperada sua saúde, Federico marchou para a Terra Santa em junho de 1228, como um cruzado anônimo, sem a proteção da Igreja. Federico chegou a Acre, onde soube que a maior parte de seu exército se havia dispersado. Contudo, não tinha a intenção de combater se podia recuperar Jerusalém mediante uma negociação diplomática com o sultão egípcio Al-Kamil. Essas negociações deram como resultado um tratado de paz pelo qual os egípcios devolveriam Jerusalém aos cruzados, que garantiu uma trégua durante 10 anos. Apesar deste êxito, Federico era evitado pelos líderes seculares dos estados latinos e pelo clero, dado que estava excomungado. Ao mesmo tempo, o papa proclamou outra cruzada, desta vez contra Federico; recrutou um exército e prometeu atacar as possessões italianas do imperador. Federico voltou para a Europa em maio de 1229 para fazer frente a esta ameaça.

Luis IX

Transcorreram quase 20 anos entre a Cruzada de Federico e a seguinte grande expedição ao Oriente Médio, organizada e financiada pelo rei Luis IX da França e motivada pela reconquista de Jerusalém por parte dos muçulmanos em 1244. Luis passou quatro anos fazendo cuidadosos planos e preparativos para sua ambiciosa expedição. Em fins de agosto de 1248, Luis e seu exército marcharam até a ilha de Chipre, onde permaneceram todo o inverno e continuaram os preparativos. Seguindo a mesma estratégia da quinta Cruzada, Luis e seus seguidores desembarcaram no Egito, em 5 de junho de 1249, e no dia seguinte tomaram Damietta. O seguinte passo em sua campanha, o ataque ao Cairo na primavera de 1250, acabou sendo uma catástrofe. Os cruzados no puderam manter seus flancos, porque os egípcios detiveram o controle dos depósitos de água ao longo do Nilo. Os egípcios abriram as eclusas, provocando inundações, que prejudicaram a todo o exército cruzado, e Luis IX foi forçado a render-se em abril de 1250. Após pagar um enorme resgate e entregar Damietta, Luis embarcou por mar para a Palestina, onde passou quatro anos edificando fortificações e consolidando as defesas do reino latino. Na primavera de 1254 regressou com seu exército para a França.

O rei Luis IX também organizou a última grande Cruzada, em 1270. Nesta ocasião a resposta da nobreza francesa foi pouco entusiasmada e a expedição se dirigiu contra a cidade de Tunis e não contra o Egito. Acabou subitamente quando Luis morreu em Tunis no verão de 1270.

Enquanto as fortificações fronteiriças que todavia restaram ao Império Latino na Síria e na Palestina se viram submetidas a uma pressão incessante por parte das forças egípcias. Uma a uma, as cidades e castelos dos estados cruzados caíram em mãos dos potentes exércitos mamelucos. A última praça forte, a cidade de Acre, foi tomada em 18 de maio de 1291 e os povoados cruzados, junto com as ordens militares dos Cavaleiros Templários e os Cavaleiros Hospitalários, buscaram refúgio em Chipre. Por volta de 1306, estes últimos se estabeleceram na ilha de Rodes, a qual administraram como um virtual Estado independente e foi a última praça forte no Mediterrâneo até sua rendição aos turcos em 1522. Em 1570, Chipre, sob a soberania de Veneza, também foi conquistada pelos turcos. Os outros estados latinos que se estabeleceram na Grécia como conseqüência da quarta Cruzada sobreviveram até a metade do século XV.

Conseqüência das Cruzadas

A expulsão dos latinos da Terra Santa não pôs fim aos esforços dos cruzados, mas a resposta dos reis europeus e da nobreza a novas convocações de Cruzadas foi fraca, e as posteriores expedições se levaram a cabo sem nenhum êxito. Dois séculos de Cruzadas haviam deixado poucos vestígios na Síria e na Palestina, salvo numerosas igrejas, fortificações e uma série de impressionantes castelos, como os de Marqab, na costa da Síria, Shawbak (Montreal), na Transjordânia, o krak (fortaleza) dos Cavaleiros, que podia acolher uma guarnição de até 2000 homens, perto de Trípoli, e Monfort, perto de Haifa (Israel).

Os efeitos das Cruzadas se deixaram sentir principalmente na Europa, não no Oriente Médio. Os cruzados haviam fortalecido o comércio das cidades italianas, haviam gerado um interesse pela exploração do Oriente e haviam estabelecido mercados comerciais de duradoura importância. Os experimentos do Papado e dos monarcas europeus para obter os recursos monetários para financiar as Cruzadas conduziram ao desenvolvimento de sistemas de impostos diretos de modo geral, que tiveram conseqüências a longo prazo para a estrutura fiscal dos estados europeus. Ainda que os estados latinos no Oriente tivessem uma vida curta, a experiência dos cruzados estabeleceu alguns mecanismos que gerações posteriores de europeus usariam e melhorariam, ao colonizar os territórios descobertos pelos exploradores dos séculos XV e XVI.

Arnaldo Poesia

Fonte: www.starnews2001.com.br

As Cruzadas

Para entender a história dos “Templários” é necessário inicialmente conhecer o que foi o “movimento cruzadista” que, retratando a estrutura mental e religiosa do homem medieval, se estendeu entre os séculos XI e XII, levando-o a lutar contra os inimigos da fé cristã.

Desde o advento do Cristianismo como religião oficial do Império Romano, as peregrinações à Terra Santa (Palestina) pouco a pouco ganharam popularidade e tornaram-se movimentos de fé e de penitência, numa busca aos túmulos dos mártires cristãos e aos monumentos construídos em suas homenagens.

Durante o século V, o intercâmbio entre o Ocidente e o Oriente já era intenso. Os sírios levavam suas idéias religiosas, sua cultura e sua arte para as cidades da Gália e da Itália e, por sua vez, os cristãos ocidentais viajavam em caravanas para a Síria, Palestina e Egito, não só para visitar os lugares sagrados, mas também buscando uma vida ascética.

Mas, a partir do oitavo século, com a unificação política dos árabes, em decorrência da união religiosa obtida por Maomé, organizador do Islamismo, tal situação começou a se modificar e os peregrinos passaram a ter grandes dificuldades para chegar à Palestina. A religião islâmica pregava a guerra santa aos infiéis e justificava o direito de saqueá-los porque não aceitavam o Deus criador dos bens materiais.

Vários acordos foram feitos com o Oriente naquela época, principalmente pelos soberanos francos, na tentativa de restabelecer a paz e favorecer as condições dos peregrinos ocidentais.

Em 1009, o califa egípcio Hakem 1, num ataque de loucura, mandou destruir o Santo Sepulcro e exterminar os cristãos estabelecidos em Jerusalém, que passaram a ser cruelmente perseguidos. Mas, em 1027, o protetorado franco foi substituído pelos imperadores bizantinos e estes ordenaram, então, a reconstrução do Santo Sepulcro.

O homem medieval possuía uma fé profunda; acreditava no Paraíso e no Inferno. Por esta razão, a intensa espiritualidade daquele período histórico direcionava tais movimentos e, ao invés de diminuir, o entusiasmo dos cristãos em busca dos locais sagrados, especialmente no século XI, aumentava mais e mais, envolvendo inclusive príncipes, reis, bispos e cavaleiros.

Todavia, a expansão dos turcos no final do século XI, cujo Islamismo fanático levava-os a impedir as expedições cristãs a Jerusalém, comprometeu totalmente a segurança dos peregrinos e colocou em risco o Império Bizantino e toda a cristandade. Com a tomada de Jerusalém, as peregrinações aos lugares santos foram proibidas. Os imperadores de Constantinopla imploraram a assistência dos papas, pedindo o reestabelecimento da unidade cristã, a expulsão dos turcos e o resgate do Santo Sepulcro. Foi então que surgiram as Cruzadas, expedições guerreiras de caráter religioso com o propósito de libertar a Palestina dos turcos e proteger os fiéis dos perigos das peregrinações; uma verdadeira contra-ofensiva cristã ao avanço muçulmano.

Outros fatores contribuíram e impulsionaram o movimento das Cruzadas. O momento histórico porque passava a Europa, numa relação feudalista suserano-vassalo, fazia-se refletir também no relacionamento entre os homens e Deus.

Assim, os guerreiros-vassalos tinham como dever e forma de penitência proteger o Cristo-suserano. No contexto comercial, as Cruzadas constituíram excelente oportunidade de criar a sua área de influência no Mediterrâneo. A própria expedição militar representava um bom investimento, já que os italianos forneciam empréstimos, mantimentos, equipamentos e navios aos cruzados. Além disso, no campo social, a expansão demográfica e a conseqüente expansão das fronteiras agrícolas desencadearam a migração dos camponeses dos feudos, que passaram a buscar uma forma alternativa de sobrevivência; e as Cruzadas dariam esta oportunidade de obter novas terras no Oriente.

Entre os anos de 1096 e 1270, foram organizadas muitas Cruzadas, mas a História registra oito delas como sendo as principais. Na verdade, houve um fluxo ininterrupto de peregrinações a Jerusalém, armadas ou não, que desembarcavam ali todos os anos durante a primavera. O termo “Cruzada” adveio do período em que o Papa Urbano II, durante o Concílio de Clermont, ordenou aos cavaleiros que estavam de partida para a Terra Santa que assinalassem com uma cruz os seus trajes guerreiros, com a promessa de receberem a indulgência pelos pecados cometidos, a suspensão de suas dívidas e a proteção dos seus bens. Inclusive, muitos daqueles que partiram para a conquista de Jerusalém, fizeram-no justamente na expectativa de morrer na luta e ganhar a salvação eterna. Os cavaleiros passaram, então, a utilizar o símbolo da cruz sobre as suas armaduras.

A primeira Cruzada (1096-1099) foi comandada por Godofredo de Bulhão e obteve relativo sucesso com a conquista da Palestina e parte da Síria e a fundação de um reino cristão.

Foi durante este período que começaram a surgir várias ordens de cavaleiros: a dos Hospitalários, a dos Templários e a dos Teutônicos.

Entre os anos de 1147 e 1149 foi organizada a segunda Cruzada contra os muçulmanos; desta vez liderada por Luís VII, Rei da França, e por Conrado III, Imperador do Sacro Império Romano-germânico. A expedição atingiu Constantinopla e chegou à Ásia, mas foi derrotada antes de chegar à Palestina.

A terceira Cruzada, ou Cruzada dos Reis (1189-1192), foi decidida pelo Papa Gregório VIII, depois que o sultão egípcio Saladin 4 retomou Jerusalém. Foi liderada por Ricardo Coração de Leão, Rei da Inglaterra, por Filipe II, Rei da França, e por Frederico Barba Ruiva, Imperador do Sacro Império Romano-germânico.Este último faleceu na Ásia Menor, tendo suas forças se dispersado. Filipe Augusto, por questões de divergências, se retirou da luta, e Ricardo continuou sozinho, conquistando algumas cidades. Por fim, embora não tenha tomado a Cidade Santa, conseguiu um acordo com Saladin para que as peregrinações fossem permitidas.

Ao contrário das anteriores, os motivos que provocaram a quarta Cruzada, entre 1202 e 1204, foram outros. Inicialmente proposta pelo Papa Inocêncio III e financiada pelos nobres de Veneza, em vez de se dirigirem para a Terra Santa, que era o ponto crucial do conflito entre cristãos e muçulmanos, os cruzados resolveram atacar Constantinopla com o objetivo de derrubar Aleixo III 5 e o Império Bizantino, cujas riquezas lhes interessavam.

Com a tomada de Constantinopla, foi criado o Império Latino do Oriente, entre 1204 e 1261. Balduíno de Flandres foi feito Imperador e um patriarca latino foi nomeado Papa.

Esta conquista latina tornou-se um desastre porque enfraqueceu o Império Oriental e agravou o ódio entre a cristandade grega e latina.

Ainda motivada por Inocêncio III, a quinta Cruzada (1217-1220), formada por húngaros, austríacos, cipriotas, frísios 6, noruegueses e francos da Síria, ficou conhecida pelo completo fracasso na conquista do Egito.

A sexta Cruzada (1228-1229) foi organizada pelo Imperador germânico Frederico II, que conseguiu firmar um tratado com os muçulmanos, pelo qual Jerusalém, Belém e Nazaré ficavam sob a jurisdição dos cristãos ocidentais, mantendo-se, contudo, o livre acesso dos muçulmanos às mesquitas de Jerusalém. Mais tarde, em 1244, Jerusalém foi tomada novamente pelos turcos.

Luís IX, Rei da França, liderou as duas últimas Cruzadas.

A sétima foi organizada a partir da pregação de Inocên cio IV, feita no Concílio de Lyon, e durou entre 1248 e 1250.

Luís IX (mais tarde conhecido como São Luís) foi preso e libertado anos depois, após pagamento de resgate. Duas décadas mais tarde, em 1270, Luís comandou a última grande expedição (a oitava), mas ele e seu exército foram dizimados por uma epidemia de tifo.

No final do século XIII, os turcos apoderaram-se da última fortaleza cristã no Oriente. Vários papas tentaram organizar novas expedições, mas sem sucesso. Não mais existiam as motivações sociais e econômicas que impulsionaram as primeiras expedições.

Como conseqüência, as Cruzadas foram responsáveis pelo enfraquecimento do feudalismo, aumentando assim o poder dos reis. No plano econômico, a expansão do comércio com o Oriente favoreceu cidades marítimas, como Gênova e Veneza. Adicionalmente, o intercâmbio cultural floresceu, levando ao desenvolvimento das universidades e da literatura.

Mas, se forem considerados os objetivos primeiros das Cruzadas, elas foram um fracasso, pois além de não terem conquistado de modo permanente a Terra Santa, não se pode afirmar que tenham detido a expansão do Islamismo.

Fonte: www.edconhecimento.com.br

As Cruzadas

Pedro, o Eremita, e a Cruzada Popular

Um contemporâneo de Pedro, o Eremita, assim o descreve: "Ia ele descalço, levava sobre a pele uma túnica de lã e (por cima) um longo hábito. O pão era seu único alimento, com um pedaço de peixe às vezes; nunca bebia vinho... Algo de divino sentia-se em seus menores movimentos, em todas as suas palavras; chegava ao ponto de o povo arrancar, para guardá-los como relíquias, os pêlos do mulo que ele montava... "

"Os condes e os cavaleiros pensavam ainda nos seus preparativos, e já os pobres faziam os seus com tal ardor que nada podia deter... Todos deixavam as suas casas, a sua vinha, o seu patrimônio, vendiam-nos a baixo preço e partiam alegres... Apressavam-se em converter em dinheiro tudo o que não podia servir durante a viagem... Pobres ferravam os bois como cavalos e atrelavam-nos a carretas em que colocavam algumas provisões e seus filhinhos, que arrastavam atrás de si.

E essas crianças, assim que percebiam um castelo ou uma cidade, perguntavam logo se era ali essa Jerusalém para a qual caminhavam... As crianças, as velhas, os velhos preparavam-se para a partida; sabiam muito bem que não combateriam, mas esperavam ser mártires.

Diziam eles aos guerreiros: Vós sois valentes e fortes, combatereis; nós sofreremos com o Cristo e faremos a conquista do céu." (Issac, J. e Alba, A. História universal - Idade Média).

Pedro, o Eremita, foi um monge que, junto com um nobre sem terras, Gautier, Sans-Avoir ("Sem Vintém"), organizou a Primeira Cruzada.

As invasões germânicas no século V haviam consumado a destruição do Império Romano. A Europa Ocidental mergulhou em uma crise econômica, política e social. A invasão muçulmana, no século VIII, aprofundou essa crise. No século IX, ocorreram as últimas invasões bárbaras. Findas tais invasões, a Europa foi envolvida por um período de relativa tranqüilidade, embora cercada por outros povos em todos os lados.

Nestas circunstâncias, houve um grande aumento populacional no continente. A estrutura do sistema feudal não incorporava essa nova população. A produção econômica nos moldes do feudalismo não produzia excedentes. A população sem terra ou trabalho sobrevivia através do banditismo, saques ou alguma atividade comercial.

Chama-se cruzada a qualquer um dos movimentos militares, de caráter parcialmente cristão, que partiram da Europa Ocidental e cujo objetivo era colocar a Terra Santa (nome pelo qual os cristãos denominavam a Palestina) e a cidade de Jerusalém sob a soberania dos cristãos. Estes movimentos estenderam-se entre os séculos XI e XIII, época em que a Palestina estava sob controle dos turcos muçulmanos. Os ricos e poderosos cavaleiros da Ordem de São João de Jerusalém (Hospitalários) e dos Cavaleiros Templários foram criados pelas Cruzadas. O termo é também usado, por extensão, para descrever, de forma acrítica, qualquer guerra religiosa ou mesmo um movimento político ou moral.

As Cruzadas

Depois de Maomé falecer (632), as vagas de exércitos árabes que tinham servido como exércitos mercenários lançam-se com um novo fervor à conquista dos seus antigos senhores, os bizantinos e persas sassânidas que passaram décadas a guerrear-se.

Estes últimos, depois de algumas derrotas esmagadoras, demoram 30 anos a ser destruídos, mais graças à extensão do seu império do que à resistência: o último Xá morre em Cabul em 655.

Os bizantinos resistem menos: cedem uma parte da Síria, a Palestina, o Egipto e o norte de África, mas sobrevivem e mantém a sua capital. Num novo impulso, os exércitos conquistadores árabes lançam-se então para a Índia, a Península Ibérica, o sul de Itália e França, as ilhas mediterrânicas.

Tornado um império tolerante e brilhante do ponto de vista intelectual e artístico, o império muçulmano sofre de um gigantismo e um enfraquecer guerreiro e político que vai ver aos poucos as zonas mais longínquas tornarem-se independentes ou então serem recuperadas pelos seus inimigos, que guardavam na memória a época de conquista: bizantinos, francos, reinos neo-godos.

No século X, esse desagregar acentua-se em parte devido à influência de grupos de mercenários convertidos ao islão e que tentam criar reinos próprios. Os turcos seljúcidas (não confundir com os turcos otomanos antepassados dos criadores do actual estado da Turquia), procuraram impedir esse processo e conseguem unificar uma parte desse território. Acentuam a guerra contra os cristãos, esmagam as forças bizantinas em Mantzikiert em 1071 conquistando assim o leste e centro da Anatólia e tomam Jerusalém em 1078.

O Império Bizantino, depois de um período de expansão nos séculos X e XI está em sérias dificuldades: vê-se a braços com revoltas de nómadas no norte da fronteira, e com a perda dos territórios italianos, conquistados pelos normandos. Do ponto de vista interno, a expansão dos grandes domínios em detrimento do pequeno campesinato resultara numa diminuição dos recursos financeiros e humanos disponíveis ao estado. Como solução, o imperador Aléxis Commeno decide pedir auxílio militar ao Ocidente para poder enfrentar a ameaça seljúcida.

O domínio dos turcos seljúcidas sobre a Terra Santa será percepcionado pelos cristãos do Ocidente como uma ameaça e uma forma de repressão sobre os peregrinos e os cristãos do Oriente. Em 1095, no concílio de Clermont, o Papa Urbano II exorta a multidão a libertar a Terra Santa e a colocar Jerusalém de novo sob soberania cristã, apresentando a expedição militar que propõe como uma forma de penitência. A multidão presente aceita entusiasticamente o desafio e logo parte em direção ao Oriente, tendo consigo uma cruz vermelha sobre as suas roupas (daí terem recebido o nome de "cruzados"). Assim começavam as cruzadas.

"A aliança entre a espada e a cruz."

Surgiram como uma contra-ofensiva para romper o cerco muçulmano. Mas foram, ao mesmo tempo, uma forma de aliviar as pressões demográficas que ameaçavam destruir o feudalismo.

A crise do sistema feudal refletira-se na cultura, acentuando o sentimento religioso. A sociedade medieval era essencialmente religiosa. Sendo incapaz de compreender e encontrar cientificamente os meios de superação da crise, interpretou-a de um ponto de vista religioso. Assim, fiel ao sentimento religioso, a sociedade procurou, nas Cruzadas, uma possível solução para seus problemas. Porém, a religião não explica por si mesma este movimento. Como já citei anteriormente, as Cruzadas teriam sido impossíveis sem a crise do sistema feudal, que marginalizou a mão-de-obra militar, indispensável à realização das campanhas militares.

Mas não se pode ignorar o aspecto religioso das Cruzadas. A espiritualidade e o sentimento religioso do homem medieval eram muito fortes. Ele era antes de tudo um fiel servidor de Deus e da Igreja. E se as Cruzadas representavam para ele uma satisfação material, representavam também o cumprimento de uma obrigação religiosa. Combater o infiel muçulmano era uma ação santa e representava a possibilidade de salvação eterna, garantida pelas indulgências oferecidas pela Igreja aos cruzados.

Organização de uma Cruzada - França

Para a Igreja Romana, as Cruzadas se configuravam como um instrumento de expansão do Cristianismo, do estabelecimento da supremacia do Papado sobre o Império e da expansão de sua influência religiosa, por meio da conquista dos locais santos da Ásia Ocidental.

O Império Bizantino, pressionado por inimigos externos, via nas Cruzadas uma forma de conter o avanço dos turcos sobre seus territórios. Alguns setores da nobreza tinham nas Cruzadas a perspectiva de conquistar terras e fortuna. Estava difícil na Europa obter novos feudos. O primogênito herdava o feudo do pai, mas os irmãos mais novos ficavam sem terras. Esses nobres deserdados viam com muito interesse a possibilidade de conquistar terras em outras regiões.

As cidades comerciais italianas de Veneza, Pisa e Gênova consideravam as Cruzadas um instrumento de reabertura do Mediterrâneo. Também ambicionavam conquistar entrepostos comerciais situados na Ásia Ocidental. Por fim, os setores marginais da população européia, não incorporados ao sistema feudal, buscavam, através das Cruzadas, uma forma de conquista de terras que os reintegrasse ao processo produtivo.

O movimento teve como causa imediata o bloqueio à peregrinação dos cristãos ao Santo Sepulcro (túmulo de Cristo em Jerusalém), dominado pelos turcos.

Cruzada: Guerreiros cristãos contra muçulmanos

Paralelamente às Cruzadas, que investiram para o Oriente, foram realizadas expedições chamadas Cruzadas do Ocidente, que tinham como objetivo expulsar os muçulmanos da Península Ibérica e do sul da Itália.

Em 711, os árabes muçulmanos, comandados por Tarik, haviam conquistado a Península Ibérica. Submeteram toda a península, com exceção das Astúrias. Ali formaram-se os pequenos reinos cristãos de Leão, Castela, Aragão e Navarra.

Estes reinos iniciaram, no século XI, a Guerra de Reconquista. Nobres franceses, como Henrique e Raimundo de Borgonha, em busca de terras e de glória, lideraram a luta contra os muçulmanos. Os reinos cristãos expandiram-se, passando a ameaçar o califado de Córdova. Nas terras reconquistadas aos muçulmanos, doadas ao clero ou incorporados pela nobreza, implantou-se uma estrutura feudal de produção. Da Guerra de Reconquista resultou a formação das monarquias nacionais de Portugal e Espanha.

Na Itália, os muçulmanos haviam conquistado a Sicília, a Córsega e a Sardenha. O Mediterrâneo fora bloqueado à navegação e ao comércio dos europeus. A Guerra de Reconquista teve início no século X. O contato entre cristãos e muçulmanos, de início bélico, assumiu lentamente um caráter mercantil. Entre comerciantes, fossem eles cristãos ou muçulmanos, sempre se encontrava uma forma de acordo. Em vez de desperdiçar o capital na guerra, procuravam reproduzi-lo pelo comércio. A Guerra de Reconquista na Itália levou à reabertura do Mediterrâneo para os europeus. As trocas foram ampliadas e diversificadas, facilitando o reatamento das relações entre Ocidente e Oriente.

Muçulmanos numa Cruzada, século XII

Não eram raras as peregrinações de cristãos ao Santo Sepulcro. Os califas árabes não se opunham às visitas, que acabavam sendo lucrativas para os muçulmanos. No entanto, na segunda metade do século XI, os turcos dominaram grande parte da Ásia Ocidental. Este povo tinha como região natal o Turquestão, que a bem pouco tempo fazia parte das repúblicas que compunham a antiga União Soviética. Possuíam algum parentesco com os hunos, povo que invadiu a Europa no século V. Rapidamente, os turcos assimilaram a fé muçulmana. Uma de suas tribos, os seldjúcidas, ocupou a Mesopotâmia, a Síria, a Palestina, parte do planalto da Ásia Menor, chegando inclusive à Península dos Balcãs. Na Terra Santa, os turcos seldjúcidas expulsaram os cristãos e proibiram suas peregrinações ao local.

Sob o pretexto de libertar a Terra Santa e impedir o avanço muçulmano na Europa Oriental, o papa Urbano II incentivou a Primeira Cruzada.

Primeira Cruzada (1095-1099)

O papa Urbano II, recebeu do imperador bizantino Aleixo I Comneno, o pedido de ajuda militar contra os infiéis muçulmanos. No Concílio de Clermont, em 1095, o papa convocou os fiéis cristãos para uma guerra santa contra o Islão. Os cavaleiros tomaram a cruz branca como símbolo da cruzada.

Antes da partida dos cavaleiros, um grupo de fiéis exaltados, originários das baixas camadas sociais, partiu em direção a Jerusalém, sob a liderança do místico Pedro, o Eremita. Sem organização, armamento e sistema de abastecimento, a Cruzada dos Mendigos, foi totalmente destruída ao chegar à Ásia Menor.

Em 1096, partiram oficialmente os cavaleiros da Primeira Cruzada. Seus chefes eram Roberto da Normandia, Godofredo de Bulhão, Balduíno de Flandres, Roberto II de Flandres, Raimundo de Tolosa, Boemundo de Tarento e Tancredo, chefe normando do sul da Itália.

Passando por Constantinopla, onde receberam o apoio do imperador bizantino, os cruzados sitiaram Nicéia; tomaram o Sultanato de Doriléia, na Ásia Menor; conquistaram Antioquia; e finalmente avançaram sobre Jerusalém, conquistada em 15 de julho de 1099, depois de um cerco de cinco semanas.

Os chefes cruzados fundaram então uma série de Estados Cristãos no Oriente Médio, cuja organização obedecia ao sistema existente na Europa, o feudalismo.

Traçar a notável história dos Templários leva-nos a uma viagem pela Europa com a história no século XI no tempo das Cruzadas. Nesse tempo, o que conhecemos agora como países da Europa não tinham emergido ainda. O continente era uma amálgama de reinos menores, cada um com seu governo próprio. Muitas das disputas contínuas entre reinos eram iniciadas por "guerrinhas". Não era um bom lugar para viver. Especialmente se você fosse um camponês.

Mesmo assim o povo era unido por uma religião comum: A religião Cristã. Todos, dos nobres nos seus castelos aos camponeses nas suas rudimentares habitações, conformados à diária, semanal e anual adoração. O papa, sendo a cabeça da igreja, era representante de Deus na terra. Tinha suficiente poder para desafiar reis e imperadores. A palavra do Papa era lei. E esta podia alcançar a mais insignificante aldeia na Grã Bretanha rural, através de uma rede vasta de padres. Durante séculos uma sucessão de papas ousaram ter uma guerra de palavras com as casas reais de Europa numa tentativa de criar um império cristão unificado.

Em 1095 os ferozes turcos de Seljuk, guerreiros nômades recentemente convertidos ao Islão, tinham avançado a Leste e tinham estabelecido a sua própria capital a uma distância de 100 milhas de Byzantium (conhecida como Constantinopla, hoje Istambul), a capital do império romano oriental cristão. instalado o pânico, o Imperador Alexius de Byzantium emitiu uma mensagem ao papa Urbano II, pedindo-lhe ajuda.

Urbano compartilhava o sonho do predecessor de um reino cristão que se estenderia da costa atlântica até à ocidental Terra Santa, unificado sob a batuta papal.

O apelo de Alexius para a ajuda serviu perfeitamente as suas finalidades. Urbano, entretanto, não estava satisfeito com a idéia de unicamente defender Byzantium.

Não, este ambicioso papa queria libertar a própria Cidade Santa de Jerusalém, que fora ocupada pelos muçulmanos desde os meados do século VII. Aqui estava uma oportunidade de demonstrar o seu poder aos reinos da Europa. Uma oportunidade única de auto-promover o seu nome.

Numa extraordinária excursão de diplomacia, Urbano visitou inicialmente o sul e ao oeste da França, espalhando a notícia de um grande convênio a ser realizado em Clermont, uma cidade no centro-sul da França. Assitiram à reunião centenas de personalidades. No dia final, Urbano levantou-se para fazer um discurso.

Traçando um retrato terrível da crueldade dos turcos, apelou para que todos os cristãos se esquecessem das suas discussões com o companheiro cristão, e que respondessem à apaixonada chamada para uma grande Cruzada para libertar Jerusalém.

O apelo foi rapidamente remetido através da Europa pela rede da igreja. Desta maneira, o papa contornou os monarcas dos países europeus e apelou diretamente aos nobres, e aos seus súbditos. Àqueles que viam a guerra como um ato anti-cristão, Urbano explicou que as palavras da Bíblia tinham sido mal interpretadas. Embora o sexto mandamento indique claramente, não matarás, agora era somente um pecado matar cristãos. Matar muçulmanos era perfeitamente aceitável. Além disso, Urbano prometia que qualquer um que morresse na batalha estaria perdoado de todos os seus pecados nesta vida e na seguinte seria garantido um bilhete ao para o céu. Mas advertiu também que quem desertasse seria excomungado pela sua cobardice.

De entre os cavaleiros de guerra da Europa, muitos dos quais não estavam particularmente bem financeiramente, a oportunidade de pilhar as cidades ricas do leste era irresistível. E com a benção de Deus! De todos os cantos, cavaleiros e camponeses - freqüentemente com as famílias inteiras a reboque - marchavam através da Europa com destino a Byzantium. O primeira Cruzada estava em marcha.

Os livros escolares pintavam um retrato romântico da primeira Cruzada: cavaleiros nas suas lindas armaduras lutavam contra os árabes infiéis em nome de Deus.

Na realidade, nada podia estar mais longe da realidade.

O mundo árabe era relativamente calmo e civilizado naquela época. A um cavalheiro árabe esperava-se que fosse um poeta e um filósofo assim como um guerreiro. Tinham calculado corretamente a distância da terra à lua. E um árabe tinha sugerido mesmo que se fosse possível dividir o átomo, libertaria suficiente energia para destruir uma cidade do tamanho de Bagdá. Além disso, a própria Jerusalém era uma cidade multicultural. Os judeus, os muçulmanos e os cristãos viviam harmoniosamente. Era permitido aos cristãos em peregrinações a Jerusalém atravessar os lugares Santos.

Em contraste com o bando de Europeus bárbaros que atingiam o Médio Oriente, eram um monte de selvagens em fúria. Queimava-se, pilhava-se, violava-se e destruia-se à sua maneira através da Europa e dos Bálcãs. Quem chegou primeiramente a Byzantium na resposta à chamada de Alexius para a ajuda foi um conjunto 15 000 vagabundos, conduzido por um monge carismático chamado Pedro o heremita.

O imperador ficou horrorizado. Esperava talvez uma ou duas centenas de cavaleiros armados do papa. Certamente não iria deixar entrar Pedro e os seus desordeiros bárbaros na sua cidade. Foram seguidos por milhares de Francos e de povos germânicos, incluindo cavaleiros e seus seguidores. Alexius enviou-os a todos desordeiramente através do Bósfarus na Turquia. Estava feliz por vê-los pelas costas.

Quando os Cruzados chegaram à Turquia do norte, o massacre começou. A cidade de Lycea foi capturada e loteada. Os relatórios diziam que bebês tinham sido retalhados. Os idosos eram sujeitos a todos os tipos de tortura. Infelizmente, a maioria dos habitantes de Lycea eram realmente Cristãos.

Os distúrbios continuaram para Sul até à Terra Santa. Após os confrontos com os Turcos os Cruzados regressavam ao campo de batalha com cabeças de muçulmanos enfiadas nas lanças. Numa ocasião fizeram prisioneiros de guerra transportar as cabeças dos seus próprios colegas. Cinqüenta milhas a sul de Antioch, quando capturaram a cidade Marrat, os cruzados deram-se inclusive ao canibalismo. Como Radulph de Caen, observou. "As nossas tropas cozem pagãos adultos na panela. Enfiam as crianças no espeto e devoram-nas grelhadas". Estes não foram os agentes de Deus. Foram tão somente um bando de carniceiros sanguinários.

Eventualmente, em Junho de 1099, eles chegam a Jerusalém, a qual foi sitiada e capturada em Julho. Os primeiros a porem os pés nas muralhas da Cidade Santa foram dois irmãos flamengos. Por essa proeza tornaram-se heróis legendários. Eles eram tão famosos quanto Neil Armstrong o é hoje. Os Cruzados infringiram medonha carnificina nos indefesos habitantes, massacrando Judeus e Muçulmanos nos seus locais de culto. Foi afirmado que o sangue jorrava pelas pernas dos cavaleiros.

Mas os Cruzados foram julgados por terem sido estonteantes de sucesso.

A Cidade Santa tinha sido recapturada aos infiéis.

Segunda Cruzada (1147-1149)

Dirigida por Conrado III da Alemanha e Luís VII da França. Esta cruzada foi pregada na Europa por São Bernardo (monge Cister).

A aliança de Conrado III com o imperador bizantino Miguel Comneno e de Luís VII com Rogério II da Sicília, ocasionou o rompimento entre os dois chefes cruzados. E, ao empreenderem ofensiva em terra, foram derrotados em Doriléia.

Terceira Cruzada (1189-1192)

Esta cruzada foi organizada depois da conquista de Jerusalém pelo Sultão Saladino, em 1187. É a famosa Cruzada dos Reis. Participaram dela Ricardo Coração de Leão (Inglaterra); Filipe Augusto (França) e Frederico Barba Ruiva (Sacro Império).

Apesar de sua coragem e bravura, demonstrada nos combates, Ricardo Coração de Leão não conseguiu retomar Jerusalém, mas assinou um armistício com o Sultão Saladino, pelo qual os cristãos eram autorizados a peregrinarem até Jerusalém.

Quarta Cruzada (1202-1204)

O papa Inocêncio III convocou mais uma cruzada, esta com a finalidade de dirigir-se ao Egito. Financiada pelos mercadores de Veneza e viciada em suas origens pelo interesse mercantil, acabaria inteiramente desvirtuada de seus objetivos cristãos.

A Quarta Cruzada assinalou o declínio mercantil de Constantinopla e a ascensão das cidades italianas, que passaram a monopolizar o comércio de especiarias no Mediterrâneo.

Quinta Cruzada (1217-1221)

A Quinta Cruzada tornou-se conhecida como a Cruzada das Crianças. Para justificar as derrotas anteriores, difundiu-se a lenda de que o Santo Sepulcro só poderia ser conquistado por crianças, pois estas estavam isentas de pecados. Foram reunidas vinte mil crianças alemãs e trinta mil francesas e encaminhadas para Jerusalém. Foram todas exterminadas, aprisionadas ou vendidas como escravos nos mercados do Oriente.

Sexta Cruzada (1228-1229)

A Sexta Cruzada, organizada por André II, rei da Hungria, e comandada por Frederico II, do Sacro Império, entrou em acordo com o sultão de Damasco, obtendo por dez anos a posse de Jerusalém. Alguns anos mais tarde, os muçulmanos dominaram a região e o acordo foi rompido.

Sétima e Oitava Cruzadas

Foram organizadas entre 1250 e 1270. Seu comando coube a Luís IX, rei da França. As duas malograram. Luís IX morreu vítima da peste, em Túnis, sendo canonizado pela Igreja.

No plano econômico, as Cruzadas foram diretamente responsáveis pela reabertura do Mediterrâneo à navegação e ao comércio da Europa. Essa reabertura possibilitou o reatamento das relações entre o Ocidente e o Oriente, interrompidas pela expansão muçulmana. Contribuiu, assim para acelerar o Renascimento Comercial no ocidente da Europa.

O fracasso das Cruzadas contribuiu indiretamente para a decadência do sistema feudal. O reaparecimento do comércio, intensificado pela reabertura do Mediterrâneo, propiciou o renascimento das cidades na Europa.

O Renascimento Comercial e Urbano do ocidente da Europa, a decadência do feudalismo, o declínio do poder da nobreza e o surgimento da burguesia foram, direta ou indiretamente, conseqüências das Cruzadas.

Fonte: www.cav-templarios.hpg.ig.com.br

As Cruzadas

No apogeu do Papado, durante a Idade Média, aconteceram as Cruzadas. Esse movimento religioso-militar, surgido na Europa Ocidental, tinha por objetivo reconquistar, a Terra Santa (Jerusalém, Belém, Nazaré, etc.) das mãos dos infiéis muçulmanos. Ou seja, reconquistar os locais onde Jesus Cristo viveu, onde a Igreja nasceu e que eram visitados por peregrinos cristãos.

Quem eram os muçulmanos e por que eles conquistaram a Terra Santa?

Os muçulmanos são os seguidores de Maomé (570-632), fundador da religião muçulmana ou lslamismo ou Maometismo. Essa religião nasceu a partir da experiência de Maomé, profeta de Alá (Deus) e iniciou a sua expansão, no ano de 622, com a Égira, data da fuga de Maomé, de Meca para Medina.

A religião muçulmana tem seu núcleo de fé baseado nas seguintes doutrinas: fé num só Deus, Alá; fé no profeta de Alá, Maomé; e fé no juízo de Alá que premia os bons e castiga os maus.

O Islamismo se expandiu de uma forma extraordinária através de várias conquistas: Damasco, em 635; Jerusalém, em 638; Alexandria, em 643; assédios de Constantinopla, em 673 e 717; Cartago, em 698 e, em 711, chegam à Espanha e ali se fixam após as derrotas para os franceses, em 732. Daí se percebe que as antigas regiões cristãs do norte da África e do Oriente Médio passaram a ser dominadas por eles. Inicialmente, os muçulmanos toleraram os cristãos mediante o pagamento de impostos. Depois, criaram certas dificuldades em algumas regiões, mas não proibiram as peregrinações à Terra Santa.

A partir do século XI, começaram a surgir dificuldades para que os peregrinos cristãos pudessem visitar a Terra Santa.

Além dos problemas dos ladrões que roubavam os peregrinos — que se viram forçados a viajar em grupos maiores e com a ajuda de pequenos exércitos —, temos de mencionar o ponto chave da questão: no ano 1009, o califa Haken destruiu a igreja do Santo Sepulcro e passou a perseguir os cristãos e peregrinos.

Essa atitude foi um golpe terrível na Cristandade ocidental. Além disso, devemos registrar os pedidos de ajuda militar que os imperadores cristãos, de Constantinopla, freqüentemente faziam s lideranças ocidentais para que os ajudassem na luta contra as incursões militares muçulmanas. Empreenderá toda a luta movida pelos cristãos contra os vários tipos de infiéis.

O Papa Gregório VII (1073-1085) já tinha tentado, durante o seu pontificado, convocar uma cruzada para ajudar, particularmente, aos gregos de Constantinopla. Envolvido, porém, nas lutas contra Henrique IV da Alemanha, não pôde concretizar aquele objetivo. Assim, será o Papa Urbano II quem convocará a primeira das oito cruzadas mais importantes.

Primeira Cruzada

Convocada pelo Papa Urbano II, no Sínodo de CIermont, 1095.

Pedro, o Ermitão, foi encarregado de pregar a realização da Cruzada, que contou com a participação de um exército com mais de 600 mil homens, da Alemanha, França, Inglaterra e ltália, além de uns 18 mil aventureiros, colonos e mendigos.

Esse número se deveu a muitos fatores: o desemprego e a pobreza na Europa ocidental; a questão dos guerreiros medievais que com a ‘trégua de Deus’ (acordo temporário de paz), já não podiam lutar em várias épocas do ano; e, principalmente, a promessa de que todo cruzado que permanecesse fiel à cruzada, teria o perdão dos pecados e a garantia da salvação eterna. Os cruzados conquistaram Nicéia, Antioquia e Jerusalém, em julho de 1099. Infelizmente, foram muito violentos com os sarracenos-muçulmanos, inclusive judeus, matando adultos, crianças, violentando mulheres, etc. Após a tomada da cidade, foi estabelecido o Reino de Jerusalém, tendo à frente o francês Godofredo de Bulhões. Ele não quis ser chamado de rei, pois o único rei de Jerusalém foi Jesus Cristo e sim, ‘protetor do Santo Sepulcro’. Com o tempo, os cruzados foram retornando para a Europa. Jerusalém voltou a ser ameaçada pelos muçulmanos, dificultando a vida dos governos do ‘Reino de Jerusalém’.

Segunda Cruzada

Convocada pelo Papa Eugênio III, 1144. Causada pela queda da cidade de Edessa, Mesopotâmia (hoje Iraque), caiu nas mãos do sultão muçulmano de Alepo.

Teve dois grandes pregadores: São Bernardo de Claraval e frei Rodolfo. Foi formado, então, um exército com mais de 200 mil homens que chegou até Jerusalém, reforçando a presença cristã na Terra Santa. Fizeram algumas conquistas, mas sem muitas condições de resistir às pressões dos muçulmanos. Assim, em 1187, o sultão do Egito, Saladino, reconquistou Jerusalém, provocando grande apreensão na Europa, que motivou a 3ª Cruzada.

Terceira Cruzada

Promovida pelos papas Gregório VIII e Clemente III, 1189.

Foi dirigida pelos soberanos Frederico Barbarroxa, Ricardo Coração de Leão e Felipe II Augusto. Só conseguiram conquistar a cidade de São João do Acre, em 1191. Ricardo Coração de Leão, antes de retornar à lnglaterra, fechou um acordo com o sultão do Egito, Saladino, que se comprometeu a não maltratar os peregrinos cristãos.

Quarta Cruzada

Convocada pelo papa Inocêncio III, 1202. A condição era de que os legados papais a comandassem. Infelizmente, desviou-se de seus objetivos e os cruzados se dirigiram para Constantinopla, contra a vontade do Papa. Lá fundaram o ‘lmpério Latino de Constantinopla’, em 1204, aumentando, ainda mais, a cisão entre as lgrejas latina e grega. Em 1261, os gregos reconquistaram Constantinopla.

Cruzada das Crianças

No ano de 1212, aconteceu essa infeliz iniciativa, que teve como ponto de partida a cidade de Marselha. Milhares de crianças acabaram sendo vendidas como escravas, no norte da África.

Quinta Cruzada

Promovida pelos Papas Inocêncio III e Honório II, 1218.

Os cruzados conseguiram conquistar a fortaleza de Damieta, no Egito, em 1219, perdida anos depois.

Sexta Cruzada

Foi dirigida pelo Imperador Frederico II da Al emanha, 1229.

Esse imperador tinha sido excomungado pelo Papa Gregório IX. A cruzada deu timos resultados. Por um tratado com o sultão muçulmano do Egito, em 1229, as cidades de Jerusalém, Belém, Nazaré, Tiro e Sidon passaram para o rei alemão. A condição foi que a mesquita de Omar, em Jerusalém, ficasse nas mãos dos muçulmanos.

Sétima Cruzada

Convocada pelo Papa Inocêncio IV, 1245. Após o Concílio de Lyon. No ano anterior, Jerusalém voltou a cair nas mãos dos infiéis muçulmanos. São Luís da França foi seu grande líder e conquistou Damieta, no Egito, junto ao Mar Mediterrâneo em 1249. Mas perdeu a batalha seguinte e teve de pagar um alto resgate.

Oitava Cruzada

Novamente dirigida por São Luís de França, 1249.

Com a morte de São Luís, vitimado pela peste, em Túnis, na Africa do Norte. Em 1270, a cruzada terminou.

Para se entender as Cruzadas, é preciso voltar para o século VII. No ano 637, apenas alguns anos após a morte de Mohammed, o profeta do Islamismo, o Califa Omar tomou a Palestina, há três séculos, cristã. Tomou de assalto os lugares santos e expulsou os cristãos. Não proibiu as peregrinações, porém impôs pesados tributos. No século X (cem anos antes das Cruzadas), a dinastia dos Fatimistas, que dominavam a Palestina, empreendeu uma perseguição cruel ao cristianismo, provocando a morte dos que se aproximavam dos lugares santos e empreendendo uma violenta onda de conquistas das cidades cristãs, rumando para a Europa.

Essa perseguição teve seu auge no ano de 1076, com a chegada dos turcos a Jerusalém e a destruição da Igreja do Santo Sepulcro, quando (e veja só, após mais de cem anos de perseguição) o Papa Gregório VII ressaltou a necessidade de convocar os Cristãos a uma campanha de resgate dos lugares santos. Em 1095, Urbano II convocou a primeira Cruzada. Ganharam a primeira e sofreram a massacrante derrota de outras sete. Lembre-se que, na sexta Cruzada, Felipe II, ainda que excomungado, recupera Jerusalém e assegura ao sultão que as Mesquitas da Cidade Santa ficariam em poder dos muçulmanos. A paz durou dez anos.

O Sultão do Egito, auxiliado pelos povos do Turquistão invadiram a Cidade Santa e promoveram a degolação de todos os habitantes, o que desencadeou a Sétima Cruzada, empreendida por São Luís, que, ainda que tenha tomado Damieta, acabou preso. Fora libertado e deportado para a França após o pagamento de uma soma em dinheiro exigida pelo Sultão.

A oitava Cruzada ocorreu pelas mãos de São Luis também. São Luis recebera a falsa notícia por parte de seu irmão, de que o Sultão do Egito desejava conhecer o cristianismo. Empreendeu uma expedição que visava uma reunião diplomática com o Sultão, para fazê-lo um aliado. Esse porém havia dissimulado o interesse e preparava uma emboscada. A guerra se segue. São Luis morre de peste após desembarcar em Cartago.

Alguns pontos positivos podem ser relacionados com as Cruzadas, como o declínio e desaparecimento do poder feudal e o atraso em quatro séculos da invasão dos turcos à Europa, o que acabou por acontecer, infelizmente. Os muçulmanos tomaram violentamente a Espanha, a Sicília, a Grécia, a região onde se encontra hoje a Turquia, os Balcãs, uma parte de Portugal e só parou de avançar quando bateu à porta de Viena. Os muçulmanos só desistiram da conquista da Europa em meados do século XIX.

Estêvão Tavares Bettencourt

Fonte: www.presbiteros.com.br

As Cruzadas

Com a reforma gregoriana, ficou sempre mais evidente que o papa era a autoridade que contava na Europa. Reis e príncipes, bispos e abades devem-lhe obediência. O gesto do imperador alemão Henrique IV, excomungado e de joelhos pedindo ao papa Gregório VII para que o absolvesse e lhe devolvesse o trono, dá a dimensão da mudança do eixo do poder.

Sinal claro dessa autoridade é que o papa, e não o imperador, convoca as Cruzadas (o nome vem do sinal distintivo do peregrino em armas: a cruz), grandes expedições religioso-militares que movimentam a Europa por quase dois séculos, para libertar a Terra Santa.

Os cristãos e os peregrinos na Palestina, apesar do domínio muçulmano desde 637, não tinham sido molestados. Em 1071, porém, Jerusalém foi conquistada pelos turcos e a pressão desses novos inimigos coloca em perigo a sobrevivência do Império do Oriente.

O imperador Aleixo (1081-1118) lança um grito desesperado ao Ocidente: os Lugares Santos estavam fechados aos cristãos.

Isso causou imensa comoção popular e, sob o comando do papa, inicia um grande movimento religioso e militar para libertar o Santo Sepulcro: as Cruzadas.

CRUZADAS PELA TERRA SANTA

Em 1095, no Sínodo de Clermont, o papa Urbano II reativou a consciência cristã em favor dos Lugares Santos do Oriente e promulgou a “cruzada” para libertar a Terra Santa das mãos dos infiéis.

A motivação papal acentua que a expedição deveria ser uma expiação da cristandade manchada por rapinas, assassínios e opressões sobre os pobres. Tantas forças instintivas, antes canalizadas para o mal, deviam ser empregadas de forma positiva. Todos os participantes receberiam uma indulgência plenária.

A adesão foi inesperada.

O papa nomeou o comandante do primeiro exército, mas os preparativos foram insuficientes: contentou-se com um mínimo de organização e, praticamente, marcando apenas o ponto de encontro. Os primeiros a se movimentarem foram os camponeses, dos quais a maior parte morreu pelo caminho.

Infelizmente, em sua passagem pelos territórios romanos e outros, os cruzados aproveitaram para assassinar judeus e destruir seus povoados, movidos por um raciocínio bruto: nos Lugares Santos os judeus mataram a Cristo; era agora uma ocasião propícia para vingar o crime!

Pierre d’Amiens conduziu uma parte do exército, mas, chegada à Ásia Menor, foi exterminada pelos turcos. Desta primeira cruzada participaram entre 20 a 30 mil homens. Jerusalém foi ocupada em 1099.

Rios de sangue inocente foram derramados: nem mulheres, nem crianças e nem velhos foram poupados. O comandante Godofredo de Bulhões foi eleito príncipe do Santo Sepulcro. A primeira Cruzada teve algum êxito político, mas, o que vale para todas, sempre de curta duração.

SÃO BERNARDO, ANIMADOR DAS CRUZADAS

A segunda Cruzada, organizada em meados do século XII, foi pregada por São Bernardo de Claraval, que encerrava seus sermões realizando milagres. Toda a Europa participou desta expedição comandada por Luiz VII da França e Conrado III da Alemanha. Foi um fracasso terrível: ataques turcos, desânimo e doenças destruíram a obra. Grande desilusão no Ocidente: Deus não estaria mais do lado dos seus?

O sultão Saladino, em 1187, reconquistou Jerusalém. Organizou-se então a terceira Cruzada, sob o comando de Frederico Barbaroxa da Alemanha, Filipe Augusto da França e Ricardo Coração de Leão da Inglaterra. Iniciativa grandiosa, mas inútil, fracassando quase totalmente pelos ciúmes e desentendimentos entre as cabeças coroadas.

O SAQUE DE CONSTANTINOPLA

Marcou tristemente a história da Igreja a quarta Cruzada (1204), solicitada por Inocêncio III. Contra toda a orientação histórica e religiosa, os cruzados tomaram Constantinopla, sob forte influência dos interesses comerciais dos venezianos. Assassinaram o imperador Isaac Ângelos e seu filho e, estupidamente, fundaram o Império Latino de Constantinopla!

A cidade foi profanada, saqueada, ícones destruídos e suas virgens estupradas. Sacrilegamente profanou-se toda a tradição religiosa e eclesial do Oriente. (Obs.: em 5 de maio de 2001, João Paulo II pediu perdão aos ortodoxos por essa atitude cruel e pelas responsabilidades do católicos na queda de Constantinopla em 1453. Verdade é que a ferida continua aberta).

Cruzada das crianças

Como as Cruzadas de adultos não produzissem o resultado esperado, em 1212 promove-se a trágica cruzada das crianças. Milhares de meninos, guiados por um pastorzinho francês e outro alemão, de apenas 10 anos, estavam convencidos de que a graça de Deus iria servir-se dos pequeninos para obter aquilo que grandes exércitos não conseguiram.

A expedição terminou tragicamente: uns morrem em naufrágios, outros são presos por comerciantes de escravos, outros ainda são trucidados.

Poucos chegaram a Bríndisi, de onde foram constrangidos a retornar. Houve também a Cruzada dos pobres, dos pastorezinhos. O imperador Frederico II, anteriormente excomungado, parece ter tido maior sucesso. Em 1228, com negociações, conseguiu Jerusalém, da qual tomou a coroa real em 1229. Inúteis foram os esforços do santo rei Luiz IX da França, desenvolvidos em 1250 e em 1270, que lhe causaram a prisão e a morte em Túnis.

O FRACASSO DAS EXPEDIÇÕES

Após uma luta incrivelmente dispendiosa, durante dois séculos, a última possessão cristã no Oriente cai, em 1291, nas mãos dos muçulmanos. Fracassaram assim os ataques contra o Islã. Contudo, quer como expressão da natureza da Idade Média, quer pelos reflexos sobre o Ocidente, as Cruzadas devem ser incluídas entre os empreendimentos mais importantes da história medieval.

CAUSAS E ESSÊNCIA

São um fenômeno religioso. Há, na Igreja européia, um grande fervor, o desejo da salvação e a decisão de peregrinar. Combater os infiéis era um socorro à Igreja padecente e toda operação guerreira em favor da cristandade trazia uma bem-aventurança.

São um fenômeno migratório e popular devido às escassas colheitas de 1095 e a opressão dos senhores. Muitos filhos de famílias nobres, sem herança, viram nelas a possibilidade de adquirir um domínio. Acrescente-se ainda o gosto pela aventura e os grandiosos projetos comerciais de Pisa e Veneza.

Ordens Cavalheirescas foram fundadas para garantir a posse dos territórios cruzados. Nasceram assim as ordens dos Templários, Joaninos, Teutônica, dos Porta-Espada. Nelas, os monges proferiam os três votos religiosos e dedicavam-se aos doentes e pobres, além da defesa dos territórios.

O FRACASSO DAS CRUZADAS

Como conciliar a religião do amor e do Crucificado com a tentativa de difundir a religião com a espada? Foram, na realidade, uma Guerra Santa a exemplo da Guerra Santa do Islã. Quase nunca foi condenado o ódio contra os inimigos da fé e ganhou espaço o pensamento de ganhar o Paraíso matando.

Foram as mais sangrentas guerras medievais e, pela extensão, podem ser consideradas verdadeiras guerras mundiais, pois atingiram a Europa, a Ásia e a África.

As cruzadas fracassaram por uma necessidade objetiva: o ideal cristão das Cruzadas não poderia sobreviver, pois o Reino de Deus não pode triunfar pela espada, nem a família de Deus aumentar pelo derramamento de sangue.

José Artulino Besen

Fonte: www.pime.org.br

As Cruzadas

Principais Cruzadas

São cinco grandes expedições militares rumo ao Oriente:

Cruzadas dos Mendigos (1096): Primeira cruzada extra-oficial. Reúne mendigos e ataca tribos árabes. Todos os cruzados são aniquilados.

1ª Cruzada (1096-1099): Conhecida como Cruzada dos Barões, é a primeira cruzada oficial francesa e agrega cerca de 500 mil pessoas.Chega a Jerusalém, onde é fundado um reino cristão.
2ª Cruzada (1147-1149):
Motivada pela tomada de Edessa pelos turcos.Os cruzados são derrotados em Doriléia, quando empreendem a ofensiva na Palestina.
3ª Cruzada (1189-1192):
Chamada de Cruzada dos Reis, é liderada pelo rei inglês Ricardo Coração de Leão, que estabelece um acordo com o sultão Saladino, do Egito, para que os cristãos possam realizar peregrinações a Jerusalém.
4ª Cruzada (1202-1204):
Financiada por venezianos interessados na rota comercial do Império Bizantino.Tomam e saqueiam Constantinopla.

1118-1312

Hugues de Payns funda a Ordem dos Cavaleiros Templários, depois da conquista de Jerusalém. Inicialmente conhecidos como Pobres Cavaleiros do Templo de Salomão, seu propósito era proteger a viagem de cristãos à Palestina. No decorrer dos anos se tornam muito poderosos e conquistam, por meio de doações, vastas propriedades em toda a Europa, principalmente na França. A instituição é abolida em 1312, com a morte do Grande Mestre, Jacques de Molay, nas fogueiras da Inquisição.

1158

Uma associação de comerciantes no norte da Alemanha cria a Liga Hanseática, para proteger e promover interesses comerciais comuns. A Liga se transforma em importante força política na Europa, congregando diversas cidades da Alemanha e comunidades alemãs na Holanda, na Inglaterra e no mar Báltico e incentivando o surgimento de cidades livres e associações mercantis.

1206

Genghis Khan unifica tribos da Ásia Central (atual Mongólia) e inicia o Império Mongol – tribunal da Igreja Católica instituído para perseguir, julgar e punir os acusados de heresia (doutrinas ou práticas contrárias às definidas pela Igreja). As punições variam desde uma retratação pública até o confisco de bens e a prisão perpétua, convertida pelas autoridades civis em execução na fogueira ou forca em praça pública. Em 1252, o papa Inocêncio IV aprova o uso da tortura como método para obter confissão de suspeitos do tribunal.

1278-1295

O mercador italiano Marco Polo, acompanhado do pai e do tio, chega à China, abrindo caminho a outros viajantes e promovendo o intercâmbio entre Ocidente e Oriente. Permanece na China por 17 anos, exercendo funções administrativas e diplomáticas na corte do soberano Kublai Khan, neto de Genghis Khan. Em 1295, os Polo voltam a Veneza, com riquezas e especiarias.

1281

Otman I dá início à expansão turca e à propagação do islamismo, fundando o Império Turco-Otomano. De um pequeno principado na região da Anatólia (atualmente na Turquia), os turco-otomanos estendem seus domínios pela Europa, pelo Oriente Médio e pelo norte da África. O florescimento do império como potência mundial ocorre com a tomada de Constantinopla e a conquista da península Balcânica, nos séculos XIV, XV e XVI.

Século XIII

Os incas fundam Cuzco, a capital do Império Inca, na cordilheira dos Andes (região do atual Peru). Ocupam também territórios do Equador, do Chile e da Bolívia. Enfraquecidos por guerras internas, são dominados pelos espanhóis em 1532. Viabilizam a agricultura nas montanhas, talhando o relevo em degraus, e, nas regiões desérticas do litoral, irrigam a terra por meio de tanques e canais. Dominam a ourivesaria, a cerâmica e conhecem a tecnologia do bronze. Utilizam quipos (cordões e nós coloridos) para registrar acontecimentos e fazer cálculos. São o único povo pré-colombiano a domesticar animais. Constroem centros religiosos e cultuam o deus Sol. Seu rei, intitulado Inca, tem poder absoluto por estar associado a essa divindade.

Fonte: br.geocities.com

As Cruzadas

As Cruzadas e a Santa Igreja na idade media

As Cruzadas são tradicionalmente definidas como expedições de caráter "militar" organizadas pela Igreja, para combaterem os inimigos do cristianismo e libertarem a Terra Santa (Jerusalém) das mãos desses infiéis. O movimento estendeu-se desde os fins do século XI até meados do século XIII. O termo Cruzadas passou a designá-lo em virtude de seus adeptos (os chamados soldados de Cristo) serem identificados pelo símbolo da cruz bordado em suas vestes. A cruz simbolizava o contrato estabelecido entre o indivíduo e Deus. Era o testemunho visível e público de engajamento individual e particular na empreitada divina.

O movimento das cruzadas e seu significado

O movimento cruzadista foi motivado pela conjugação de diversos fatores, dentre os quais se destacam os de natureza religiosa, social e econômica. Em primeiro lugar, a ocorrência das Cruzadas expressava a própria cultura e a mentalidade de uma época. Ou seja, o predomínio e a influência da Igreja sobre o comportamento do homem medieval devem ser entendidos como os primeiros fatores explicativos das Cruzadas. Partindo desse princípio, podemos afirmar que as peregrinações em direção a Jerusalém, assim como as lutas travadas contra os muçulmanos na Península Ibérica e contra os hereges em toda a Europa Ocidental, foram justificadas e legitimadas pela Igreja, através do conceito de Guerra Santa, a guerra divinamente autorizada para combater os infiéis, os hereges e todos os demais que não aceitavam a igreja.

Tendo como base a intensa religiosidade presente na sociedade feudal a Igreja sempre defendia a participação dos fiéis na Guerra Santa, prometendo a eles recompensas divinas, como a salvação da alma e a vida eterna, através de sucessivas pregações realizadas em toda a Europa.

O Papa Urbano II, idealizador da Primeira Cruzada, realizou sua pregação durante o Concílio de Clermont rompida com a separação da Igreja no Cisma do Oriente, o Papa assim se dirigiu aos fiéis. A ocorrência das Cruzadas Medievais deve ser analisada também como uma tentativa de superação da crise que se instalava na sociedade feudal durante a Baixa Idade Média. Por esta razão outros fatores contribuíram para sua realização. Muitos nobres passam a encarar as expedições à Terra Santa como uma real possibilidade de ampliar seus domínios territoriais.

Aliada a esta questão deve-se lembrar ainda de que a sucessão da propriedade feudal estava fundamentada no direito de primogenitura. Esta norma estabelecia que, com a morte do proprietário, a terra deveria ser transmitida, por meio de herança, ao seu filho primogênito. Aos demais filhos só restavam servir ao seu irmão mais velho, formando uma camada de "nobres despossuídos", a pequena nobreza, interessada em conquistar territórios no Oriente por meio das Cruzadas.

Tanto a Cruzada Popular como a das Crianças foram fracassadas. Ambas tiveram um trágico fim, devido à falta de recursos que pudessem manter os peregrinos em sua longa marcha. Na verdade, as crianças mal alcançaram a Terra Santa, pois a maioria morreu no caminho, de fome ou de frio. Alguns chegaram somente até a Itália, outros se dispersaram, e houve aqueles que foram seqüestrados e escravizados pelos mulçumanos. Com os mendigos da Cruzada Popular não foi diferente.

Embora tivessem alcançado a cidade de Constantinopla (sob péssimas condições), as autoridades bizantinas logo trataram de afastar aquele grupo de despossuídos. Para tanto, o bispo de Constantinopla incentivou os peregrinos a lutarem contra os infiéis da Ásia.

O resultado não poderia ser outro: sem condições para enfrentar os fanáticos turcos seldjúcidas, os abnegados fiéis foram massacrados. Além dessas duas cruzadas, tiveram ainda oito cruzadas oficialmente organizadas, em direção à Terra Santa.

Guerra Santa liberou o comércio

No século XI, dentro do contexto histórico da expansão árabe, os muçulmanos conquistaram a cidade sagrada de Jerusalém. Diante dessa situação, o papa Urbano II convocou a Primeira Cruzada (1096), com o objetivo de expulsar os "infiéis" (árabes) da Terra Santa. Essas batalhas, entre católicos e muçulmanos, duraram cerca de dois séculos, deixando milhares de mortos e um grande rastro de destruição.

Ao mesmo tempo em que eram guerras marcadas por diferenças religiosas, também possuíam um forte caráter econômico. Muitos cavaleiros cruzados, ao retornarem para a Europa, saqueavam cidades árabes e vendiam produtos nas estradas, nas chamadas feiras e rotas de comércio. De certa forma, as Cruzadas contribuíram para o renascimento urbano e comercial a partir do século XIII. Após as Cruzadas, o Mar Mediterrâneo foi aberto para os contatos comerciais.O que foram as cruzadas naquele determinado momento? No momento em que o Papa Urbano chama os fiéis para as cruzadas, havia um interesse muito grande em terras. A nobreza já não tinha mais como dividir as terras. A Europa precisava de uma expansão.

Ao mesmo tempo a Igreja precisava barrar o avanço do islamismo, pois ele avançava em passos largos sobre a Europa, pois já havia chegado à península Ibérica e tomado todo norte da África. Então, a idéia de tomar a Terra Santa, onde Jesus nasceu e morreu, e que estava na mão de infiéis, explica o motivo religioso das cruzadas. Havia um motivo religioso que era forte no momento das cruzadas. Mas existia também uma motivação econômica e uma motivação psicológica.

As cruzadas modificaram a Europa profundamente, trazendo novos elementos que mudaram a vida das populações européias daquela época. A economia modificou-se radicalmente. Deixou de apenas produzir alimentos; conheceu novos produtos, aprendeu novos métodos de trabalho; e enriqueceu com novas indústrias. Politicamente, as cruzadas selaram a ruína do Sistema Feudal. Antes de partir os senhores penhoraram suas terras aos camponeses. A liberação desses camponeses ficou mais fácil ainda. Além disso, houve grande quantidade de pessoas que foram e não voltaram.

Principais Repercussões

Se tomarmos como referência somente a essência religiosa das Cruzadas, podemos afirmar que estes movimentos fracassaram, ou seja, não atingiram seu principal objetivo: libertar a Terra Santa do domínio mulçumano.

Na verdade, os cristãos obtiveram algumas vitórias isoladas que possibilitaram, inclusive, a formação dos Estados Latinos do Oriente: O Reino de Jerusalém, os Condados de Edessa e Trípoli e o Principado de Antioquia. Mas, a fundação desses territórios, após a Primeira Cruzada, representou apenas um aparente domínio dos cristãos sobre regiões orientais, pois os mulçumanos logo retomaram o controle a partir do século XIII.

Devemos considerar, no entanto, algumas decorrências indiretas provocadas pelos cruzados em suas expedições. De maneira geral, houve a expansão da cristandade pela Europa Oriental (parte da Grécia e dos Bálcãs), Setentrional (Escandinávia) e o início do processo de reconquista da Península Ibérica.

Vale ressaltar ainda outro resultado indireto extremamente negativo: a intolerância religiosa cada vez mais acentuada, especialmente com relação à comunidade judaica na Europa. O aumento do anti-semitismo entre os cristãos culminou com o massacre de milhares de judeus em todo o continente europeu.

Vale ressaltar que houve o restabelecimento das rotas comerciais entre Europa e Ásia. Com as Cruzadas, o Ocidente retoma o controle das rotas comerciais, pondo fim ao domínio árabe no Mediterrâneo e, a partir da intensificação das relações comerciais, outras grandes mudanças foram geradas na sociedade feudal. Ocorre o desenvolvimento das cidades, o surgimento de uma rica camada de comerciantes (a burguesia), a expansão dos mercados, o aumento da circulação monetária, o despertar do espírito de lucro e a difusão do racionalismo econômico.

Vale lembrar também que o movimento das Cruzadas contribuiu para o retrocesso da servidão medieval, pois alguns aristocratas, precisando de recursos para suas expedições, vendiam a liberdade para os servos. Havia ainda a ocorrência de fugas, em algumas propriedades, onde a ausência dos senhores facilitava a libertação. A fuga era empreendida por alguns camponeses entusiasmados em participar das Cruzadas ou por aqueles que procuravam uma nova vida nos centros urbanos, tornando-se artesãos ou comerciantes.

Finalmente, vale destacar algumas repercussões de caráter cultural promovidas pelas Cruzadas. Podemos afirmar que o contato com as requintadas civilizações orientais (bizantina e árabe) provocou um refinamento no modo de vida europeu. Uma grande quantidade de produtos do Oriente foi trazida à Europa. Dentre eles, destacam-se o café, o cravo, a canela, a pimenta, o arroz, o algodão, etc. Também foram assimiladas novas técnicas de cultivo, de produção de ferro, de fabricação de tecidos, bem como novas práticas financeiras e comerciais.

O grande desenvolvimento do comércio que as cruzadas propiciaram foi um dos fatores das profundas transformações que levaram do Modo de Produção Feudal ao Modo de Produção Capitalista na Europa durante os séculos seguintes; em outras palavras, aquelas grandes expedições de caráter primordialmente ou alegadamente religioso prepararam o fim da Idade Média e o início da Idade Moderna.

As cruzadas ajudaram a expandir as atividades comerciais, pelo menos por três motivos: os cruzados não eram os únicos a irem às expedições cruzadistas, os viajantes mercadores iam juntos, e assim serviam como abastecedores dos peregrinos com seus produtos. Os cruzados voltavam para suas terras de origem com um gosto pelos novos luxos e confortos descobertos durante a viagem. As cidades italianas, principalmente Veneza e Gênova, ficaram imensamente ricas com o comércio desses produtos na Europa.

Conclusão

Com as cruzadas, muitos camponeses puderam deixar os domínios senhoriais. O campo perdeu população, e as velhas cidades receberam uma boa parte desses camponeses que deixaram os domínios senhoriais. Engolindo a derrota sofrida, os cristãos tinham todos os motivos para odiar os árabes. Mas esta raiva sentida vinha junto com a admiração e a inveja sentida diante de um inimigo sofisticado, que possuía muitos conhecimentos que para os europeus eram desconhecidos.

As Cruzadas não alcançaram sua meta principal, que era garantir o domínio cristão de Jerusalém. Em compensação, o encontro entre as duas culturas fecundou a Europa. A maravilhosa porta do Oriente foi aberta e os árabes transmitiram uma porção de novidades aos ocidentais. Imagine a sensação que um cruzado causava quando voltava para sua terra. Além de histórias sobre suas aventuras militares, trazia presentes sensacionais comprados de mercadores árabes. Produtos lindos, que vinham de lugares em que nenhum outro europeu jamais tinha pisado. Tapetes persas, pimentas, açúcar, cravo e canela da índia, porcelana chinesa, seda do Japão, tecidos, perfumes exóticos, pérolas.

Não é difícil concluir que essas cruzadas despertaram o comércio ativo entre europeus e os árabes. O Mar Mediterrâneo voltou a ser atravessado por navios abarrotados de mercadorias. Os lugares que mais cresceram com isso foram às cidades italianas, especialmente Gênova e Veneza. A espada dava lugar ao lucro.

Em muitos outros aspectos as cruzadas foram um desastre! Os cruzados não conseguiram expulsar definitivamente os muçulmanos E isso durou por séculos, chegando até os nossos dias.

Robson Stigar

Fonte: www.webartigos.com

As Cruzadas

Cruzadas, (termo espanhol, cruzada “marcada com uma cruz”) é o nome dado a uma série de guerras efetuadas pelos cristãos da Europa ocidental com a bênção – e a pedido - dos Papas, de 1095 até à metade do séc. XV, com o objetivo de retomar e defender o Santo Sepulcro, em Jerusalém, que estava na posse dos Muçulmanos. Em seu sentido lato, uma cruzada era uma guerra sancionada e apoiada pelo papa romano, dirigida contra todos os inimigos de Cristo.

AS CAUSAS

A causa imediata das cruzadas foi a interrupção da visita dos peregrinos ao Santo Sepulcro, como resultado da conquista dos turcos Seldjúcidas no séc. XI. Em 1055 o Seldjúcida Togrul Beg obrigou o seu suposto chefe, o Califa Abássida de Bagdá, que era sunita, a garantir-lhe o título de sultão. Após a batalha de Manzikert em 1071, bandos de turcos nômades arrasaram na Anatólia o que restava do antigo Império Bizantino, dificultando bastante a passagem dos peregrinos da Europa.

Após a morte do sultão Malik Shah em 1092, os seus emires entraram em guerra com a Síria, com a Palestina e com as demais províncias Abássidas, pertencentes ao Califa de Bagdá, interrompendo totalmente a visita dos peregrinos ao Santo sepulcro. A viagem de numerosos grupos de peregrinos europeus à Terra Santa era, à época, cada vez mais freqüente. Daí o clamor destes peregrinos por não terem mais acesso a Jerusalém. Uma segunda causa para a realização das cruzadas foi a liberação de energias que se tinham acumulado na Europa Ocidental. Por cerca de 200 anos os europeus sofreram guerras movidas pelos Sarracenos, pelos Vikings e pelos Húngaros. Mas no início do séc. XI os vikings e os húngaros já estavam cristianizados e de algum modo foi estabelecida uma ordem e uma lei pelos príncipes feudais e pelos prelados, enquanto que o comércio recomeçava a crescer e a moeda a circular.

Na época, a Igreja estava altamente envolvida na grande reforma Beneditina dos mosteiros, liderada pela Abadia de Cluny, na organização de um número sempre crescente de peregrinações à Terra Santa e pela redução das guerras religiosas contra os muçulmanos na Espanha e na Sicília. A cidade de Toledo, na Espanha, foi reconquistada aos árabes em 1085; a base árabe de Mahdia, na Tunísia, tinha sido conquistada pelos Genoveses e seus aliados de várias regiões da Itália, em 1087; os últimos muçulmanos foram expulsos da Sicília em 1091. Todas estas guerras foram abençoadas pelo Papa, que assim abriram precedentes para as futuras cruzadas.

O mais importante de tudo eram os planos do Papa Urbano II, um discípulo e protegido do Papa Gregório VII e um proeminente líder do movimento pela reforma dos Beneditinos de Cluny. Esta reforma previa a imposição de uma disciplina rígida, pura e universal para a Igreja, para livrá-la de todas as acusações de controle feudal e para consolidar a figura do Papa como vigário de Cristo para governar a igreja universal e para orientar as atividades do ser humano no serviço de Deus. Governar a igreja universal implicaria não só controlar a Europa Ocidental, mas também administrar a ruptura causada pelo cisma de 1054 entre o papado e o patriarca e imperador Bizantino, e atuar de modo a conseguir o reconhecimento da supremacia papal sobre toda a cristandade, tanto no ocidente quanto no oriente.

Depois de sua eleição em 1088, o papa Urbano II reativou os contatos com os Bizantinos, mas considerando que tanto ele quanto o Imperador de Bizâncio, Alexius I, estavam por demais ocupados em fortalecer suas posições em seus próprios domínios, nada de importante aconteceu nesta área por alguns anos. Na primavera de 1095, Urbano convocou o Concílio de Piacenza, para discussão de assuntos eclesiásticos. Alexius fez então um apelo a este Concílio, pedindo recrutas para a sua marinha, para combater os turcos. Urbano convocou para discutir o problema o Concílio de Clermont, em Auvergne, em novembro de 1095.

Todavia, em vez de pedir marinheiros para a armada de Bizâncio, Urbano solicitou e obteve autorização para formar a sua própria armada, como, aliás, tinha tentado o seu antecessor, o Papa Gregório VII. O símbolo desta armada era uma cruz e o seu comandante seria um legado do Papa. O objetivo desta armada era auxiliar Alexius de Bizâncio a expulsar os turcos da Anatólia e em seguida recuperar a posse do Santo Sepulcro em Jerusalém.

Este último objetivo não estava nos planos de Alexius, que tinha objetivos mais urgentes. Não se sabe se Urbano levantou na ocasião a questão da supremacia papal. A cruzada subseqüente indica que Urbano pretendeu restaurar o seu domínio sobre os Gregos Ortodoxos.

A PRIMEIRA CRUZADA

O apelo de Urbano para a realização desta cruzada mobilizou a cristandade ocidental. Foi criada não só uma armada no sul da França, mas também duas armadas no norte deste mesmo país e uma na Apúlia, no sul da Itália, todas elas comandadas por príncipes feudais. Também foram formados batalhões de soldados, sob o comando de diversos líderes populares. A grande armada formada na Provença, liderada pelo poderoso Raimundo IV, conde de Toulouse, era acompanhada por Adhemar de Monteil, bispo de Le Puy, legado do Papa. Contingentes do norte eram liderados por Robert II Curthose, duque da Normandia; por Robert II, conde de Flandres e por Godfrey de Bouillon, duque da Baixa Lorena; por Stephen Henry, conde de Blois e por Hugh, conde de Vermandois. Do ducado Normando da Apúlia veio também Bohemund, filho de Robert Guiscard, com uma pequena, porém excelente armada.

Estes líderes, seja por sua posição seja por seu temperamento, não se dispuseram a serem comandados por Raymond ou qualquer outro comandante, e ficou claro que o legado papal teria de ter muito tato para os controlar. Estas forças de cruzados Francos, como foram chamadas, chegaram a Constantinopla entre julho de 1096 e maio de 1097. Godfrey de Bouillon – que seria depois um dos fundadores da Ordem do Templo – estava na Hungria; Raymond estava na Dalmácia e os outros na Apúlia e na Albânia.

Alexius, que simplesmente pedira marinheiros para a sua esquadra, ao contrário, recebeu hordas indisciplinadas de soldados, juntamente com peregrinos, padres e outros não combatentes, sob o comando de líderes que ele não podia controlar. Bohemund, que tinha acompanhado Robert Guiscard numa perigosa invasão das possessões Bizantinas na Albânia e na Grécia entre 1081 e 1085, de maneira irônica, solicitou a Alexius o comando das operações de todo o Oriente. Se concedido, isto faria dele o vice-rei, com poderes imperiais sobre todas as terras que os cruzados pudessem conquistar. Não se sabe se Alexius atendeu ao pedido, mas sabe-se que ele exigiu dos príncipes Francos o juramento de que lhe entregariam todo o território conquistado pelos turcos, que antes fizesse parte de seu reinado. Isto significava que Alexius esperava o retorno da península da Anatólia e da cidade de Antioquia aos seus domínios, não se importando com os territórios que fossem conquistados na Palestina pelos cruzados.

Assim, os Francos e os Bizantinos começaram ressentidos uns com os outros a sua jornada pela Ásia Menor, onde cercaram e obtiveram a rendição da cidade de Nicéia em 1097, que só não foi saqueada pelos Francos devido à intervenção das tropas Bizantinas. Este fato intensificou o ressentimento dos Francos em relação aos Gregos, cujos costumes religiosos eram diferentes e cujo nível cultural era superior ao seu. Apesar das diferenças entre os dois exércitos, toda a Anatólia foi reconquistada aos turcos seldjúcidas e retornou para o domínio de Alexius. Nesse meio tempo, a esquadra principal dos cruzados lançou âncora nas proximidades de Antioquia, cidade ao norte da Síria, em outubro de 1097. Esta cidade foi tomada a 3 de junho de 1098. Em seu caminho pela costa da Síria com destino a Jerusalém, os Francos conquistaram todas as cidades por onde passaram. Estas cidade eram domínio do Califa do Cairo. Finalmente, após sangrenta luta, os Francos conquistaram Jerusalém e recuperaram a posse do Santo Sepulcro em 15 de julho de 1099, com grande mortandade de cristãos, árabes e judeus. Na ocasião, a cidade era governada pelos árabes xiitas.

Existiram no total oito cruzadas, a última, decidida em 1267 por Louis IX de França, que não chegou a Jerusalém porque Luiz IX morreu na Tunísia em 1270. A quarta cruzada não foi contra os árabes, mas contra os Albingenses, que professavam a religião Cátara e que foram massacrados pelos cruzados em Béziers em 1209 (60.000 mortos) e em 1211, nas cidades de Castres, Pamiers, Albi, Minerve, etc. Em 1219, houve o massacre da cidade de Marmande, durante o qual homens mulheres e crianças pereceram. Por último a cidade de Montségur foi transformada em uma fogueira, onde morreram todos os Cátaros que restavam.

Eles adotavam a Bíblia, acreditam em Deus, mas eram dualistas, isto é acreditavam só na existência de dois princípios opostos, o Bem e o Mal. Isto era considerado herege pela Igreja de Roma.

Os Cátaros eram franceses, da região do Languedoc (Langue d’OC)

O FIM DAS CRUZADAS

O ideal das cruzadas não tinha morrido. Os Papas – os Pontífices, os construtores de pontes, os árbitros da Paz – continuaram a pregar mais cruzadas contra os muçulmanos, porém a sua voz deixou aos poucos de ser ouvida. Apesar disso, várias expedições foram iniciadas, uma das quais saqueou Alexandria no Egito, em 1365.

Outras expedições foram enviadas não só contra a Terra Santa, mas também contra a cidade de Esmirna (1344) e mais duas invasões nos Bálcãs, que terminaram em derrota em Nikopol (1396) e em Varna (1344).

O príncipe português, dom Henrique o Navegador, o genovês Cristóvão Colombo e o almirante português dom Afonso de Albuquerque (conquistador da Índia e das cidades que controlavam a navegação no golfo pérsico) foram todos solenemente aclamados, porque as suas viagens restringiram o domínio muçulmano à parte oriental do mar Mediterrâneo.

Na Dieta de Augsburg, em 1530, os Luteranos, piedosamente, concordaram com os católicos em abrir guerra contra os Turcos – que tinham conquistado recentemente a Hungria – retornando depois às suas próprias divergências religiosas com o Papa. Desta expedição participou a armada portuguesa ,que junto com a francesa, derrotou os turcos no cabo de Matapão. Na verdade, a Europa Ocidental tinha, desde o início, aplaudido a idéia de uma guerra santa. No entanto, devido aos seus próprios problemas, nenhuma outra cruzada recebeu tanto apoio quanto a primeira. As guerras dos cavaleiros Teutônicos nas praias do mar Báltico, a Guerra dos Cem Anos na França, a reconquista da Espanha dos Mouros e as campanhas contra os Turcos Otomanos, desviaram a atenção do Santo Sepulcro. Além disso, os Papas, desde o cisma com a Igreja Ortodoxa, nunca mais estiveram em condições de pregar por novas cruzadas com sucesso.

Finalmente, o nascimento das monarquias nacionais, a difusão do comércio, o aumento de influência da classe média, a gradual eliminação do feudalismo, a Renascença, as Grandes Descobertas Marítimas de Portugal e da Espanha, e a Reforma de Lutero, tudo isso contribuiu para que o ideal das cruzadas desaparecesse da mente coletiva européia.

OS RESULTADOS DAS CRUZADAS

Um trágico resultado das cruzadas foi a destruição do império e da civilização Bizantina. Os Bizantinos nunca se recuperaram depois da quarta cruzada. O seu governo, restaurado em Constantinopla em 1261 era uma pálida sombra do império anterior, e caiu para os Turcos Otomanos em 1453, ano que marcou a Renascença européia. Desde daí ocorreu o declínio da cultura cristã ortodoxa. Assim foi destruída a esperança do Papa Urbano II de unir a cristandade do Oriente com a do Ocidente.

Um segundo resultado das cruzadas foi o triunfo militar do Islam no Oriente Médio. Não só os cruzados foram rechaçados, mas o Islam, sob o comando dos turcos otomanos, atacaram e conquistaram parte dos Bálcãs nos séc. XIV e XV, chegando às portas de Viena d’Áustria nos séc. XVI e XVII. Somente em Portugal, na Espanha e na costa oriental do mar Báltico, conseguiu o movimento dos cruzados estender a conquista Cristã de maneira permanente.

Por outro lado, o Islam também foi muito afetado pelas cruzadas. Considerando que os muçulmanos tinham sido bastante tolerantes com os cristãos e judeus cujo território haviam conquistado, o rude tratamento que receberam dos cruzados por três ou quatro séculos tornou-os totalmente intolerantes, principalmente nas regiões governadas pelos sultões Mamelucos e Otomanos. A própria cultura árabe sofreu com as invasões dos cruzados.

Quando as cruzadas começaram, o Islam possuía um notável nível cultural, bastante superior ao da Europa. Quando as cruzadas terminaram a situação estava invertida, com os europeus ostentando nível cultural superior ao dos árabes. Esta mudança não pode ser atribuída às cruzadas, mas sim à transferência do conhecimento árabe para a Europa, através da Espanha, da Sicília e da Renascença.

O comércio no Mediterrâneo foi altamente estimulado pelas cruzadas. Especiarias, tapeçarias, almofadas, drogas, frutas, açúcar, joalheria, perfumes, vidro e refinados produtos de aço, além de grãos, madeira, cavalos, eram trazidos dos portos árabes da África e do Mediterrâneo Oriental para a Europa. Os navios árabes passavam o Estreito de Gilbraltar (Djebel al Tarik. Obs. Tarik foi o árabe que comandou a invasão da Europa no ano 711. Daí o estreito ter o seu nome) e subiam até ao norte da Europa.

Uma outra importante conseqüência das cruzadas no ocidente foi, a introdução da cultura árabe que trouxe, além dos novos conceitos de arquitetura e de pintura, também trouxe a vasta literatura em forma de estórias, lendas, canções, crônicas e a historiografia. Muitas destas canções e contos fazem parte hoje do vernáculo e da cultura de vários países, principalmente de Portugal, da Espanha e da França.

Ao contrário, a Europa ocidental pouco ou nada contribuiu para enriquecer intelectualmente o mundo islâmico. Na época das cruzadas, o Ocidente tinha muito pouco para oferecer ao Islamismo.

ANTÓNIO ROCHA FADISTA

Fonte: www.maconaria.net

As Cruzadas

O fenômeno das cruzadas foi, sem dúvida, muito importante na Idade Média. Diversas ordens de cavaleiros foram criadas com o intuito de lutar na Terra Santa neste período. Este modesto artigo pretende relatar o movimento e estimular o interesse dos irmãos pelo assunto pois algumas destas ordens tem influência significativa na Ordem Maçônica.

Costuma-se dizer que existiram oito cruzadas. Entretanto, alguns autores classificam como tal alguns movimentos populares e sem apoio da Igreja ou do Estado como a "Cruzada do Povo" e a "Cruzada das Crianças". Alguns consideram a "Cruzada Veneziana" como um movimento meramente político que não merece ser considerado como campanha cruzadista visto que o objetivo primordial destes movimentos era expulsar os muçulmanos da Terra Santa unindo, assim, o Mundo Cristão. Resumiremos, agora, as principais campanhas.

Cruzada do Povo (1095)

Comandada por Pedro, o eremita. Era composta por uma massa de aproximadamente dezessete mil homens sem equipamentos nem experiência de combate.

Marcharam até Constantinopla aonde o Imperador, temendo um saque, embarcouos, o mais rápido possível, para a Asia Menor. Ao chegar, atacaram a cidade de Nicéia sem plano nem estratégia, sendo assim esmagados pelos turcos.

A Primeira Cruzada (1096)

Liderada por Godofredo de Bulhões. Constavam nesta cruzada alguns dos mais importantes nomes da nobreza feudal da época e era composta por aproximadamente 150.000 homens. Após três anos de campanha, tomaram Jerusalém em 15 de Julho de 1099. Godofredo de Bulhões recebeu, então, o título de "Defensor do Santo Sepulcro". Para garantir a defesa do Reino Latino de Jerusalém, foram criadas ordens militares-religiosas como a dos Teutônicos, Hospitalários e A Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo ou Cavaleiros Templários.

A Segunda Cruzada

Uma nova investida muçulmana recuperou Edessa, reconquistando parte do Reino da Antióquia. Foi organizada, pelos reis da França e do Sacro Império Romano-Germânico, uma segunda cruzada. Em virtude da má recepção obtida em Constantinopla, o exército cruzado se dividiu e se enfraqueceu. Seu objetivo inicial era chegar até Damasco, porém, enfraquecidos que estavam, foram derrotados pelos turcos antes de chegarem.

A Terceira Cruzada ( Cruzada dos Reis )

Ao tornar-se sultão do Egito, Saladino, aliado a Bagdá declarou uma Guerra Santa muçulmana contra os cristãos. Em 1187, retomaram Jerusalém resultando na formação da "Cruzada dos Reis". Foi liderada por Frederico I do Império Romano-Germânico, Filipe Augusto da França e Ricardo Coração de Leão da Inglaterra.

A campanha teve resultados desastrosos: Frederico I faleceu, Filipe retornou a França derrotado e Ricardo Coração de Leão permaneceu na Palestina tentando recuperar Jerusalém. Esta cruzada, no entanto, representou um progresso nas relações entre cristãos e muçulmanos. Ricardo Coração de Leão firmou um tratado com Saladino reconhecendo o domínio cristão sobre uma faixa costeira na Palestina o que lhes garantia o acesso a Jerusalém.

A Quarta Cruzada (Cruzada Veneziana)

Foi uma cruzada movida por interesses econômicos. Convocada por Inocêncio III para atacar o Egito e a Palestina a partir de Veneza. Encontrou um obstáculo na alta quantia exigida pela cidade italiana para transportar os cruzados.

Como não conseguiram a quantia exigida, Veneza propôs um acordo: Os cruzados deveriam tomar a cidade de Zara, no Adriático, cuja prosperidade preocupava Veneza. Em seguida, contra a vontade de Inocêncio III , atacaram Constantinopla que se opunha a uma guerra contra os muçulmanos com quem mantinha boas relações comercias. Foi uma cruzada de cristãos contra cristãos que não ser viu aos objetivos iniciais.

A Quinta Cruzada

Dirigida por André I, da Hungria. Não teve maior importância histórica.

A Sexta Cruzada

Comandada por Frederico II. Não recebeu apoio por parte dos reis cristãos, pois Frederico II havia sido excomungado. Ao chegar a Palestina, Frederico foi recebido pelos muçulmanos que, admirados pelos seus conhecimentos da cultura Árabe, firmaram, amistosamente, um tratado garantindo a soberania cristã sobre os territórios de Acra, Jafa, Sidon, Nazaré, Belém e toda a Jerusalém.

As Cruzadas de São Luís

Em 1244, Jesulém estava sob domínio dos turcos. A sétima cruzada tinha como objetivo inicial o Egito onde conquistaram a cidade de Damieta, porém foram logo derrotados na cidade de Mansura e Luís IX (São Luís) foi feito prisioneiro. Foi libertado, somente, após o pagamento de vultuoso resgate.

A oitava cruzada (1270)

Tinha como objetivo atacar os turcos em Túnis. Porém, ao chegar, Luís IX faleceu vítima da Peste.

Ao final das campanhas cruzadistas, pode-se concluir que, no geral, foram um fracasso, pois constantemente, a Terra Santa voltada a ser invadida pelos muçulmanos.

As cruzadas serviram, na realidade, como um instrumento essencial para a queda do sistema feudal , pois abriram caminhos para a navegação no Mediterrâneo propiciando a modernização das práticas comerciais com consequente fortalecimento da classe burguesa.

Ivo Machado Clinio dos Santos

Fonte: www.perfeitauniao.org

As Cruzadas

As Principais Cruzadas

Fonte: >"Desde os finais do século XI até os finais do século XIII organizam-se e se verificam na Europa ocidental grandes expedições religioso-militares contra o Islã destinadas, inicialmente, a retirar de sob o poder dos muçulmanos o Santo Sepulcro, ou seja: a cidade de Jerusalém. Estas expedições denominam-se “Cruzadas” porque seus participantes “levavam a Cruz”.

Três foram as causas principais das Cruzadas.

A primeira de ordem religiosa: os turcos proibiram as peregrinações cristãs ao Santo Sepulcro, autorizadas pelos árabes, o que provocou grande irritação em toda a cristandade; a segunda de ordem psicológica: os cavaleiros cristãos do Ocidente ansiavam honras, aventuras, guerra e presas de guerra;

e a terceira de caráter político a necessidade de auxiliar ao Império bizantino em sua luta contra os turcos. Acrescente-se a estas as ambições pessoais de importantes personagens (reis e príncipes) e os interesses econômicos das cidades mercantis da Itália, desejosas de ampliar seus negócios no Levante mediterrâneo.

PRIMEIRA CRUZADA (1095-1099)

Após a pregação de Urbano II no Concílio de Clermont (1095), um tropel de camponeses, aventureiros, vagabundos e mendigos, inflamados pela palavra de Pedro o Eremita, partiram (1095) para Constantinopla sem qualquer princípio de organização: cometeram, durante o caminho, uma série de tropelias e acabaram aniquilados pelos turcos na Ásia Menor. A verdadeira cruzada partiu em 1096 sob o comando de Godofredo de Bouilhão, de seu irmão Balduino de Flandres, de Boemundo de Tarento (normando de origem) e de Raimundo de Tolosa. Os cruzados concentraram-se em Constantinopla e, pela Ásia Menor, alcançaram a Síria. Venceram em Edessa, Doriléa e Antióquia e tomaram Jerusalém (junho de 1099). Com suas conquistas formaram o reino de Jerusalém (Protetor do Santo Sepulcro, Godofredo; primeiro rei, à morte de Godofredo, em 1100, Balduino de Flandres). Predominou neste reino, organizado à maneira feudal, o elemento francês.

SEGUNDA CRUZADA (1147-49)

Pregada por São Bernardo de Claraval para opor-se à reação turca (tomada de Edesa); dirigida por Conrado III da Alemanha e Luis VIII da França; fracassou.

TERCEIRA CRUZADA (1189-92)

Reação contra a tomada de Jerusalém por Saladino (1187). Tomaram parte nela Federico I, Barba-roxa, Ricardo I da Inglaterra (Coração de Leão), e Felipe II, Augusto de França. A expedição alemã regressou a seu país ao morrer fortuitamente Frederico na Ásia Menor; também se retirou Felipe Augusto, por desinteligências com Ricardo. Este conseguiu conquistar uma faixa costeira na Palestina, desde Jafa a Tiro.

QUARTA CRUZADA (1202-1204)

Pregada por Inocêncio III e dirigida por Bonifácio de Monferrato. Em vez de dirigir-se ao Egito, os venezianos pactuando com os cruzados desviaram os cruzados para Constantinopla. Os cruzados tomaram a cidade, saquearam-na e acabaram fundando ali o chamado Império latino de Constantinopla, que durou 57 anos (1204-1261).

QUINTA CRUZADA (1217-1221)

Dirigida por Andrés de Hungria, que foi derrotada e continuada por João de Brienne, que conseguiu desembarcar no Egito, embora tivesse de abandonar a empresa por falta de reforços.

SEXTA-CRUZADA (1217-1221)

Dirigida pelo Imperador Frederico II, na época excomungado. Pactuou com o sultão do Egito, - tratado de Jafa (e que na ocasião atravessava um difícil momento), a cessão de Jerusalém, Belém e Nazaret. Em 1244 os egípcios recobraram Jerusalém.

SÉTIMA-CRUZADA (1217-1221)

Em plena decadência a idéia de Cruzada, esta expedição e a seguinte foram obra da fé e entusiasmo de Luís IX da França (São Luís). A sétima teve objetivo o Egito; os cruzados tomaram Damieta, mas foram derrotados em Mansurah e o próprio rei caiu prisioneiro. A oitava atacou Tunis; o exército cruzado foi dizimado pela peste que causou a morte ao próprio monarca.

RESULTADO DAS CRUZADAS

O resultado final das cruzadas, no que se refere a seus objetivos constitui um fracasso, pois São João de Acre, última possessão cristã no Levante mediterrâneo, perdeu-se um 1291, e os lugares Santos continuaram em poder do Islã.

Mas estas expedições tiveram grande repercussão sob outros aspectos, a saber: ampliaram o campo de conhecimentos dos ocidentais, tanto no domínio geográfico quanto científico e técnico.

Na ordem econômica certos produtos desconhecidos ou conhecidos unicamente na Espanha ou Sicília, difundiram-se por toda a Europa: algodão, cana de açúcar, arroz, diversas árvores frutíferas.

Alem, disso, favoreceram de grande maneira as relações comerciais entre Ravena de modo que, a única autoridade existente na Itália central era o Papa. Este, pois, tomou para si a região cedida, pelos lombardos, convertendo-se no senhor temporal das terras compreendidas entre o Tibre e a desembocadura do Pó (o Patrimônio de São Pedro, denominação utilizada pelo monarca franco). Mais tarde, o reino Lombardo foi conquistado por Carlos Magno, que se fez coroar rei dos lombardos."

Fonte: www.saberhistoria.hpg.ig.com.br

As Cruzadas

Expedições militares organizadas pelos cristãos europeus, desde o final do século XI, durante a Idade Média, para propagar o cristianismo, combater os muçulmanos e cristianizar territórios da Ásia Menor (atual Turquia) e da Palestina, ocupados por tribos turcas. As expedições também têm motivações não religiosas, como a abertura das rotas terrestres de comércio com o Oriente, a conquista de novos territórios, a formação de alianças para derrotar concorrentes feudais e decidir disputas dinásticas. As oito cruzadas oficiais ocorrem entre 1095 e 1270.

São formadas por cavaleiros e comandadas por nobres, príncipes ou reis. A primeira, por exemplo, convocada pelo papa Urbano II, tem como objetivo tomar do controle muçulmano o Santo Sepulcro - local onde Jesus Cristo teria sido enterrado -, em Jerusalém.

A campanha termina com a vitória dos cruzados. Os combates para expulsar os muçulmanos da península Ibérica e a luta dos cavaleiros alemães em marcha para o leste também recebem o status de cruzada.

Alguns historiadores acreditam que as cruzadas contribuem para despertar nos europeus a consciência de uma unidade cultural, o que evolui para a formação dos Estados nacionais a partir do século XIII.

Apesar de não terem alcançado seus objetivos, as cruzadas tiveram conseqüências importantes: reabriram a navegação do Mediterrâneo aos europeus e intensificaram as relações comerciais do Ocidente com o Oriente.

Produtos como sedas, tapetes, armas e especiarias foram introduzidos no consumo da Europa pelos cruzados. Pela proximidade geográfica, os comerciantes da Itália, principalmente de Veneza, desenvolveram intenso comércio dos produtos orientais.

Chamado às Armas

Então falou com doçura e eloqüente persuasão.

"Ó Francos, de quantas maneiras Nosso Senhor os abençoou? Vejam quão férteis são suas terras. Quão verdadeira é sua fé. Quão indisputável é sua coragem. A vocês, abençoados homens de Deus, dirijo essas palavras. E que não sejam levadas levianamente, pois são expressas pela Santa Igreja, que, pelo sagrado pacto com Nosso Senhor, é Sua santíssima voz na terra.

Vós que sois justos e bons, vós que brilhais em santa fé escutai. Que saibam de justa e grave causa que nos reúne hoje aqui, sob o mesmo teto, na piedade de Nosso Senhor. Relataremos fatos horríveis. Ouvimos sobre uma raça de homens saídos de presença profana e falta de fé. Turcos, Persas, Árabes, amaldiçoados, estranhos a nosso Deus, que devastam por fogo ou espada as muralhas de Constantinopla, o Braço de São Jorge. Até hoje, por misericórdia do Supremo, Constantinopla foi nossa pedra, nosso bastião de fé em território infiel.

Agora essa sagrada cidade encontra-se desfigurada, ameaçada. Quantas igrejas esses inimigos de Deus poluíram e destruíram? Ouvimos de altares e relíquias sendo dessecrados por sujeira produzida por corpos Turcos. Ouvimos sobre verdadeiros crentes sendo circuncidados e o sangue desse ato sendo vertido em pias batismais. O que podemos dizer a vocês? Turcos transformam solo sagrado em estábulo e chiqueiro, expelem o conteúdo de seus fétidos e putrefatos corpos em vestimentas dos emissários da palavra de Nosso Senhor. Os descrentes forçam Cristãos a ajoelhar sobre essas roupas imundas, curvar as cabeças e esperar o golpe da espada. Essas vestes, que através da imundície e sangue são testemunhas de aberrações na falta da verdadeira fé, são exibidas junto com corpos dos mártires. O que mais devemos lhes dizer, ó fieis? Turcos abusam de mulheres Cristãs. Turcos abusam de crianças Cristãs.

Pensem nos peregrinos da fé que cruzam o mar, obrigados a pagar passagem em todos os portões e igrejas de todas as cidades. Quão freqüente esses irmãos no sangue do Cristo passam por humilhações e falsas acusações? Aqueles que crêem em pobreza, como são recebidos nesses lugares de nenhuma fé? São vasculhados em busca de moedas escondidas. As calosidades em seus joelhos, causadas pelo ato de fé ao Nosso Senhor, são abertas por lâminas.

Aos fiéis são dadas bebidas de natureza vomitória para que sejam vasculhadas suas emissões estomacais. Após isso são ainda obrigados a sorver excremento liquefeito de bodes e cabras de forma a esvaziar suas entranhas. Se nada for encontrado que satisfaça essas crias infernais, ó fieis, escutem. Turcos abrem com lâmina da espada as barrigas dos verdadeiros seguidores, em busca de peças de ouro ingeridas e assim escondidas. Espalham e retalham entranhas mostrando assim o que a natureza manteria secreto. Tudo a procura de riquezas ou por prazer insano.

Turcos perfuram os umbigos dos fiéis, amarram suas tripas a estacas e afastam os Cristãos, prendendo-os com cordas a outro poste, de forma a que vejam suas próprias entranhas endurecendo ao sol, apodrecendo e sendo consumidas por corvos e vermes. Os Turcos perfuram irmãos na fé com setas, fazem dos mais velhos alvos móveis para seus malditos arcos. Queimam os braços e pernas dos mártires até o negro e soltam cães famintos para os devorar, ainda vivos.

Ó Francos, o que dizer? O que mais deve ser dito? A quem, pois, deve ser dirigida a tarefa de vingança tão santa quanto a espada de São Miguel? A quem Nosso Senhor poderia confiar tal tarefa senão aos seus mais abençoados e fiéis filhos?

Ó Francos, vocês não são habilidosos cavaleiros? Poderosos guerreiros na palavra de Deus? Próximos a São Miguel na habilidade de expurgar o mal pela espada? Dêem um passo a frente! Não mais levantarão as espadas entre si, ceifando vidas e pecando contra A palavra. Aproximem-se guerreiros abençoados.

Os que dentre vocês roubaram tornem-se agora soldados, pois a causa é suprema. Aqueles que cultivam mágoas juntem-se aos seus causadores, pois a irmandade é essencial ao objetivo. Aproximem-se os que desejam vida eterna, aproximem-se os que desejam absolvição no sagrado.

Saibam que Nosso Senhor espera seus filhos em lugar abençoado. Na palavra do Santíssimo seguirão e combaterão, não deixem que obstáculos os parem, creiam Na palavra e nada os deterá. Deixem todas as controvérsias para trás! Unam-se e acreditem! Não permitam que posses ou família os detenham.

Lembrem-se das palavras de Nosso Salvador, "Aquele que abandonar sua morada, família, riqueza, títulos, pai ou mãe pelo meu nome, receberá mil vezes mais e herdará a vida eterna". Se os Macabeus dos tempos de outrora conquistaram glória pela sua luta de fé, da mesma forma a chance é ofertada a vocês. Resgatem a Cruz, o Sangue e a Tumba. Resgatem o Gólgota e santifiquem o local.

No passado vocês não lutaram em perdição? Não levantaram aço contra iguais? Orgulho, avareza e ganância não foram suas diretivas? Por isso vocês merecem a danação, o fogo e a morte perpétua. Nosso Senhor em sua infinita sabedoria e bondade oferece aos seus bravos, porém desvirtuados filhos, a chance de redenção. A recompensa do sagrado martírio.Ó Francos,ouçam! Deixem a chama sagrada queimar em seus corações! Levem justiça em nome do Supremo! Francos!

A Palestina é lugar de leite e mel fluindo, território precioso aos olhos de Deus. Um lugar a ser conquistado e mantido apenas pela fé. Pois chamamos por suas espadas! Lutem contra a amaldiçoada raça que avilta a terra sagrada, Jerusalém, fértil acima de todas outras. Glorifiquem suas peregrinações para o centro do mundo, consagrem-se em Sua paixão! Alcancem a redenção pela Sua morte! Glorificado pelo Seu túmulo! O caminho será longo, a fé no Onipotente tornar-lhe-á possível e frutífera. Não temam Francos! Não temam tortura, pois nela reside a glória do martírio! Não temam a morte, pois nela reside a vida eterna! Não temam dor, pois serão resignados!

Os anjos apresentarão suas almas a Deus, o Santíssimo será glorificado pelos atos de seus filhos! Vejam a sua frente aquele que é voz de Nosso Senhor! Sigam

Sua presença e palavras eternas! Marchem certos da expiação de seus pecados, na certeza da glória imortal. Deixem as hordas do Cristo Rei se atracar com o inimigo! Os anjos cantarão suas vitórias! Que os conhecedores Da palavra entrem em Jerusalém portando o estandarte de Nosso Senhor e salvador!

Que o símbolo da fé seja mostrado em vermelho sobre o imaculado branco, pureza e sofrimento expressados! E que Sua palavra se faça ouvida como retumbante trovão, trazendo medo e luz para os infiéis! Que agora o exército do Deus único grite em glória sobre os Seus inimigos!"

"Louvado seja o Senhor meu Deus!" Gritaram as centenas de cavaleiros Francos reunidos no campo de Clermont.

Fonte: www.geocities.yahoo.com.br

Sobre o Portal | Política de Privacidade | Fale Conosco | Anuncie | Indique o Portal