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Cultivo de Orquídeas

 

A orquídea pertence a uma família de plantas subdividida em mais de 1.800 gêneros e cada gênero possuí de uma a centenas de espécies. O numero total de espécies oscila em torno de 35.000, espalhadas pelos quatro cantos do mundo. O gênero Isabelia, por exemplo possui duas espécies. O gênero Cattleya possui cerca de 70 espécies.

E o gênero Bulbophyllum tem mais de mil espécies.

As orquídeas mais populares são dos gêneros (C) Cattleya, (L) Laelia (Lê-se Lélia), (Onc) Oncidium (uma das espécies é conhecida como Chuva de ouro), (Milt) Miltônia, (Dent) Dendrobium, (V) Vanda, (Pha) Phalaenopsis (lê-se falenópsis), (Paph) Paphiopedilum, conhecido como sapatinho (lê-se pafiopedilum).

Morfologia

A flor de uma orquídea é formada por três sépalas e três pétalas bastante desenvolvidas. As sépalas têm a função de proteger a flor em botão e, após desabrochadas, tornam-se tão coloridas quanto as pétalas. As pétalas intercalam-se com as sépalas, sendo que uma delas se diferencia das demais na forma e coloração, recebendo o nome de labelo. O labelo tem a função de atrair os insetos polinizadores, garantindo assim a sua produção.

O órgão reprodutor de uma orquídea é constituído de quatro partes:

Coluna
Antera
Estigma e

Ovário

Coluna ou ginostêmio: órgão carnudo e claviforme que se projeta do centro da flor, resultando da fusão dos órgãos masculino (estame) e feminino (carpelo).

Antera: contém os grãos de pólen agrupados em 2 a 8 massas chamadas polinias.

Estigma: depressão de superfície viscosa, órgão receptivo feminino onde são depositadas as polinias durante a polinização.

Ovário: local onde se desenvolve a cápsula das sementes após a fecundação.

Quando ocorre a polinização, o estigma se fecha, e flor começa a secar e o ovário inicia a formação da cápsula. Na maior parte das espécies a cápsula com as sementes leva de seis meses a um ano ate o amadurecimento. Cada cápsula pode conter até 500 mil sementes ou mais. Estas sementes são muito pequenas e constituídas apenas do embrião, ou seja, não possuem substancias nutritivas de reserva para serem utilizadas na fase de germinação. Em contrapartida, têm alta capacidade de dispersão, pois são facilmente levadas pelo vento, garantindo, assim a perpetuação da espécie.

Classificação por habitat

De acordo com o lugar de origem, as orquídeas são classificadas como: epífitas, Terrestres, ou Rupicolas.

Epífitas: São a maior parte das orquídeas. Vivem grudadas em tronco de arvores, mas não são parasitas, pois realizam a fotossíntese a partir de nutrientes absorvidos pelo ar e pela chuva. E não sugam a seiva da árvore.
Terrestres:
são as que vivem como plantas comuns na terra. Mas é uma porcentagem muito pequena em relação às epífitas. Alguns exemplares mais cultivados são Cymbidium, Phaius, Paplhiopedilum, Arundina, Neobenthamia, Bletia. Apesar de plantas terrestres, aceitam muito bem o plantio em xaxim desfibrado e outros substratos casca de coco, pinus, carvão etc.
Rupicolas:
são as que vivem sobre rochas. Não vivem agarradas a uma pedra lisa, mas fixada nos liquens e folhagens decompostas acumuladas nas fendas e partes rebaixadas de pedra.

Fonte: www.cactoslucia.com.br

Cultivo de Orquídeas

O Cultivo de Orquídeas

1. Definir as características de uma orquídea.

São monocotiledôneas, tem folhas alongadas com nervuras correndo paralelas, a flor tem 3 pétalas e 3 sépalas, são de igual proporção e ornamental com 2 e 1 de formação distinta, chamada labial.

2. Quais são os dois principais grupos de orquídeas em termos de padrão de crescimento? Dar o nome e mostrar exemplos de cada, a partir das próprias plantas ou de fotografias.

As orquídeas se dividem em 2 grandes grupos, conhecidos como monopodial e simpodial. A monopodial cresce verticalmente, sendo que a simpodial cresce horizontalmente.

3.  Quais as diferenças entre as orquídeas epifíticas ou edífitas, terrestres e rupículas?

Epifítica – são aquelas que se fixam sobre outras plantas, sem parasitá-las.
Terrestre –
são aquelas que vivem diretamente na terra.
Rupícula –
são aquelas que vivem em superfícies menos tradicionais, como as pedras.

4. Discorrer sobre a distribuição de orquídeas, fazendo uma referência especial à ocorrência destas espécies em sua região.

Cerca de 25.000 espécies silvestres no mundo e outras 25.000 variedades cultiváveis. Encontradas em todos os continentes, menos na Antártida. A maioria se encontra em ambiente tropical, mas são encontrados no deserto, montanhas, nos bosques, nos pântanos, nos campos, etc. Há na Austrália uma espécie que nunca vê a luz do dia, vive encoberta e foi descoberta acidentalmente quando um agricultor arava a sua chácara.

5. Citar o principal gênero de orquídeas cultivadas. Identificar três a partir de plantas ou fotografias.

Alguns gêneros são: Vanda, Dendrobium, Cimbidium, Oncidium, Phalaenopsis, Miltonia, Odontoglossum, Laelia e Pulmilam.Mas o gênero mais cultivado é o Vanilla, para a produção da baunilha.

A Phalaenopsis prefere ser cultivada em temperatura mais alta, com pouco luminosidade.

A Cimbidium prefere ser cultivada em temperatura mais amena e com bastante luminosidade.

A Vanda prefere ser cultivada em temperatura mais alta e com bastante luminosidade.

6. Discutir os principais pontos a serem observados no cultivo de orquídeas. Cultivar pelo menos uma orquídea, durante, no mínimo, seis meses.

Luz: algumas preferem maior intensidade de iluminação e outras não crescem bem com muita luz
Temperatura:
a maioria tolera de 10 a 40° C. Sendo a temperatura ideal 25° C.
Ventilação:
as orquídeas estão acostumadas a uma brisa constante e suave. Evite ventos fortes.
Umidade:
se adaptam melhor a falta de água que excesso. 1/2 copo a cada 2 dias é suficiente (não é regra)
Pragas:
pode-se usar Dithane M-45, Manzane, Cerconil ou Benlate nas infestações (a cada 7 ou 14 dias)
Nutrientes:
adube a cada 2 semanas (1/2 colher/L), aplique torta de mamona anualmente e esteja atento para os nutrientes básicos (Nitrogênio, Fósforo e Potássio).
Envasamento:
preencha o vaso com 1/3 de calhas de telha e cacos limpos. Até o enraizamento o substrato deve ser mantido razoavelmente seco.
Vasos e substratos:
fibras de xaxim representam a melhor forma de substrato e fácil de ser obtido. Evite o uso de vasos muito grandes.

7. Quais as principais utilidades das orquídeas? Que orquídea é usada comercialmente?

A maioria é usada na ornamentação. Algumas orquídeas são cultivadas para serem usadas no buquê de noiva. São mais usados os gêneros Cimbidium e Catalieya. Também há uma orquídea famosa - a baunilha, esse sabor agradável dos sorvetes vem desta orquídea, do gênero Vanilla, o que caracteriza a espécie com maior uso comercial. Algumas espécies são microscópicas e vivem no alto das árvores, outras são do tamanho do bambu. Algumas dão aparência de insetos, outras ainda parecem com pequenos anjos, outras são as flores mais lindas em suas multicores brilhantes.

1. Definir as características de uma orquídea.

São monocotiledôneas, tem folhas alongadas com nervuras correndo paralelas, a flor tem 3 pétalas e 3 sépalas, são de igual proporção e ornamental com 2 e 1 de formação distinta, chamada labial.

2. Quais são os dois principais grupos de orquídeas em termos de padrão de crescimento? Dar o nome e mostrar exemplos de cada, a partir das próprias plantas ou de fotografias.

As orquídeas se dividem em 2 grandes grupos, conhecidos como monopodial e simpodial. A monopodial cresce verticalmente, sendo que a simpodial cresce horizontalmente.

3.  Quais as diferenças entre as orquídeas epifíticas ou edífitas, terrestres e rupículas?

Epifítica – são aquelas que se fixam sobre outras plantas, sem parasitá-las.
Terrestre –
são aquelas que vivem diretamente na terra.
Rupícula –
são aquelas que vivem em superfícies menos tradicionais, como as pedras.

4. Discorrer sobre a distribuição de orquídeas, fazendo uma referência especial à ocorrência destas espécies em sua região.

Cerca de 25.000 espécies silvestres no mundo e outras 25.000 variedades cultiváveis. Encontradas em todos os continentes, menos na Antártida. A maioria se encontra em ambiente tropical, mas são encontrados no deserto, montanhas, nos bosques, nos pântanos, nos campos, etc. Há na Austrália uma espécie que nunca vê a luz do dia, vive encoberta e foi descoberta acidentalmente quando um agricultor arava a sua chácara.

5. Citar o principal gênero de orquídeas cultivadas. Identificar três a partir de plantas ou fotografias.

Alguns gêneros são: Vanda, Dendrobium, Cimbidium, Oncidium, Phalaenopsis, Miltonia, Odontoglossum, Laelia e Pulmilam.Mas o gênero mais cultivado é o Vanilla, para a produção da baunilha.

A Phalaenopsis prefere ser cultivada em temperatura mais alta, com pouco luminosidade.
A Cimbidium prefere ser cultivada em temperatura mais amena e com bastante luminosidade.
A bastante luminosidade.Vanda prefere ser cultivada em temperatura mais alta e com

Fonte: www.especialidades.org

Cultivo de Orquídeas

Como Construir um Orquidário

Cultivo de Orquídeas
Orquídea

Uma das primeiras dúvidas que surge quando decidimos iniciar uma coleção de orquídeas diz respeito ao ambiente propício ao seu cultivo. Se você não dispõe de espaço externo, com alguns cuidados pode cultivar suas orquídeas dentro de casa ou até no apartamento, é só construir prateleiras junto a janelas bem iluminadas, protegidas no lado de fora por uma tela, para que os vasos recebam sol filtrado.

Mas se você possui espaço disponível no quintal, um orquidário é sem duvida a melhor opção para suas orquídeas. Apesar de parecer difícil, ou caro, é possível construir um orquidário eficiente a um custo relativamente baixo. Preparamos algumas dicas de construção e funcionamento do orquidário, que irão facilitar sua empreitada.

Primeiro passo: Escolha o local.

Um dos aspectos mais importantes para o sucesso de seu orquidário, independentemente do tamanho ou de suas características, é a iluminação. Para garantir uma iluminação adequada é importante escolher um local que receba o sol da manhã.

Segundo passo: Determine o tamanho

Ao contrário do que possa parecer, nem sempre construir o maior orquidário possível é o ideal. Para a saúde de suas plantas, o local deve ser mantido sempre limpo e livre de insetos e pragas, portanto, quanto maior, mais trabalho você terá. Tenha em mente que considerando-se um espaço médio de aproximadamente 4×5 metros é possível montar um orquidário com capacidade para acomodar até 200 orquídeas. Imagine o tamanho aproximado que sua coleção terá e atenha-se a ele.

Terceiro passo: Escolha a cobertura.

Num clima como o nosso, uma boa solução é construir a cobertura com ripados de madeira, bambu ou telhas, de modo que os raios solares sejam filtrados, proporcionando luz na medida certa. No mercado há ainda o sombrite, uma tela especial para proteger as plantas do sol excessivo. Esse material chega a filtrar 70% dos raios solares, criando uma atmosfera ideal para a maioria das orquídeas, já que deixa os ambientes bem ventilados e protegidos tanto do sol como de insetos e outros animais, além de ser mais barato que a madeira.

Quarto passo:

Construa um espaço com condições diversificadas.

Lembre-se, nem todas as orquídeas são iguais e, portanto, necessitam de condições diferentes. Para que todas encontrem as condições perfeitas para seu desenvolvimento, construa seu orquidário com a possibilidade de explorar diferentes espaços. Os exemplares maiores, que necessitam de bastante aeração junto às raízes, podem ficar pendurados, para isso pense em caibros mais resistente. Uma bancada ou prateleira central é um bom lugar para as mudas recém plantadas ou em fase de crescimento. Na parte de baixo, apoiadas em blocos, podem ficar as espécies que gostam de mais sombra, como os cimbídios.

Seguem abaixo três modelos que podem ajudá-lo na construção:

Cultivo de Orquídeas
Modelo 01

Vista Lateral

Medidas:

Largura: 3 metros
Comprimento:
4 metros
Altura:
Fundo 3 metros / Frente 2,5 metros

Material necessário:

3 mourões de 13 a 16 x 3,50
4 mourões de 13 a 16 x 3,00
4 mourões de 7 a 10 x 4,00
6 mourões de 7 a 10 x 3,50
1 rolo de arame liso fio 14
4 metros de sombrite 70% com 3 metros de largura (considerando fechamento superior)
Aproximadamente 30 metros de lona transparente Anti-UV (considerando fechamento completo)

Se você dispõe de pouco espaço, um orquidário com teto de uma água, com a parte mais alta encostada em uma parede ou muro é uma boa opção. A tela de sombreamento, ou sombrite, deve ser colocada 30cm acima do plástico, o que diminui sensivelmente o aquecimento no interior do orquidário e impede que as plantas mais próximas da cobertura queimem com o calor. A menor altura deve ser de pelo menos 2,5 metros, para não prejudicar a movimentação. Para ganhar espaço, coloque uma tela no fundo e a utilize para fixar placas com plantas menores. Caso entre muito sol pela frente ou pelas laterais, pode-se utilizar tela de sombreamento também nestas áreas. Para que ela fique bem esticada, utilize fios de arame com intervalos de um metro entre um fio e outro antes de colocar o sombrite.

Cultivo de Orquídeas
Modelo 02

Vista Lateral

Medidas:

Largura: 4 metros
Comprimento
: 5 metros

Altura:

3 metros na parte mais alta
2,5 metros nas partes mais baixas

Material necessário:

3 mourões de 13 a 16 x 3,50
6 mourões de 13 a 16 x 3,00
6 mourões de 7 a 10 x 2,50
3 mourões de 7 a 10 x 4,00
12 mourões de 7 a 10 x 2,20
2 rolos de arame liso fio 14
15 metros de sombrite 70% com 1,50 metros de largura (considerando fechamento superior)
Aproximadamente 70 metros de lona transparente (considerando fechamento completo)

Se você dispõe de um espaço um pouco maior, o modelo acima, com telhado de duas águas, pode ser uma boa opção.

A disposição das bancadas em escada, no lado encostado a parede faz com que a insolação nesse canto seja otimizada. Ao construí-las opte por uma altura máxima de 1,5 metros para o andar mais alto e por uma largura máxima de 30cm para cada bancada. Estas medidas facilitam a manutenção e evitam o amontoamento de plantas. A bancada instalada no meio do orquidário pode ser um pouco mais larga, podendo ter mais de um nível, pois existe a possibilidade de se andar pelos seus dois lados, mas sempre lembrando de não encostar muito um vaso no outro. A largura pode-se estender, de acordo com o espaço disponível, mas lembre-se que a altura mínima recomendada é de 2,5 metros, e é absolutamente necessário haver uma caída no telhado para as águas de chuvas.

Dicas:

Para a cobertura abaixo do sombrite, utilize lona transparente para silos, com proteção anti-UV, que aumenta a durabilidade.
Em locais expostos ao vento, utilize a lona transparente também nas laterais. Fios de arame de metro em metro ajudam a mantê-la esticada.
Se for montar a estrutura em madeira, mourões de eucalipto imunizado são uma excelente opção. Duráveis e com excelente custo-benefício, dão um ar rústico à construção.
Plantas infectadas não devem ser colocadas em locais mais altos, pois podem facilmente infectar as que estiverem na parte de baixo.
Pense em manter a parte abaixo da bancada em terra e com alguma vegetação, para manter a umidade no ambiente. Se o piso for cimentado coloque vasos com plantas no chão do orquidário.
Os vasos devem ser pendurados na mesma altura e no mesmo alinhamento, para melhor distribuição de luz nas plantas da bancada.

Fonte: www.casacampoecia.com.br

Cultivo de Orquídeas

Características

A família das orquídeas possui mais de vinte mil espécies distribuídas em quase todas as partes do planeta, porém a maioria das espécies é encontrada nas áreas tropicais.

O Brasil é um dos países mais ricos em orquídeas, comparável somente à Colômbia e ao Equador.

Estudos recentes registram cerca de duas mil e trezentas espécies para o território brasileiro.

Vegetam em diversos ecossistemas, sendo encontradas em florestas, campos, cerrados, dunas, restingas, tundras e até mesmo em margens de desertos. São erroneamente chamadas de parasitas. Na realidade, as que vivem sobre troncos, galhos e gravetos são epífitas, plantas que vivem sobre outras plantas, sem causar danos ao hospedeiro.

Uma orquídea epífita utiliza o galho da árvore apenas como suporte, absorvendo nutrientes que são lavados pela água da chuva e depositados em suas raízes.

Uma significativa parcela das espécies vive em ambientes bem diferentes dos galhos e gravetos das árvores. Muitas vegetam sobre ou entre as rochas (rupícolas e saxícolas), geralmente em pleno sol.

Outras são terrestres, encontradas nos solos das matas, campos e até mesmo na areia pura das dunas e restingas. Existem casos raros de orquídeas subterrâneas (saprófitas), plantas aclorofiladas que se alimentam de matéria orgânica em decomposição.

As orquídeas são consideradas a família mais evoluída do reino vegetal. Isto se deve a modificações em suas extraordinárias flores, que, muitas vezes, apresentam formas sinistras e bizarras.

O tamanho das plantas e suas flores é também muito variável, algumas tão pequenas que, por isso, são conhecidas por microorquídeas, enquanto outras, como a trepadeira baunilha (Vanilla), podem atingir vários metros de comprimento. Existem flores pouco maiores do que a cabeça de um alfinete, e outras cujo diâmetro alcança cerca de quinze centímetros.

Cultivo de Orquídeas
Baptistonia echinata

Cultivo de Orquídeas
Vanilla planifolia

A flor das orquídeas é constituída de três sépalas (mais externas) e três pétalas (mais internas).

Na maioria das espécies, uma das pétalas é distinta das demais e recebe um nome especial, o labelo, que geralmente apresenta cores vistosas e serve como atrativo e campo de pouso aos polinizadores. No centro da flor encontramos um órgão especializado, a coluna , resultado da fusão dos estames (órgãos de reprodução masculinos) com o pistilo (órgão de reprodução feminino). No ápice da coluna, os grãos de pólen apresentam-se unidos em pequenas massas, ou polínias , protegidas pela antera . Logo abaixo, uma pequena cavidade representa a porção receptiva feminina, o estigma. Para que suas flores sejam fertilizadas, as orquídeas necessitam de um agente polinizador, geralmente um inseto ou pássaro, responsável pela transferência das políneas para o estigma, processo este denominado de polinização.

A estratégia utilizada pelas orquídeas para atração de seus polinizadores é um fenômeno altamente complexo e fascinante. Em casos extremos, a flor da orquídea pode apresentar a forma de fêmeas de besouros ou abelhas, cujos machos, atraídos pela insinuante aparência, tentam "copular" com as flores, efetuando involuntariamente a polinização.

Um fruto de orquídea pode conter mais de um milhão de sementes. Contudo, na natureza, somente uma pequeníssima fração germinará, e poucos indivíduos chegarão à fase adulta.

As sementes das orquídeas estão entre as menores do reino vegetal. O tamanho reduzido e a leveza facilitam a dispersão pelo vento, em muitos casos a grandes distâncias.

Ao contrário das sementes das outras plantas, elas são desprovidas de tecidos nutritivos, endosperma e cotilédone, responsáveis pela energia utilizada na fase inicial da germinação. Na falta de tecido nutritivo, essa energia é fornecida por certos fungos que vivem em simbiose com as orquídeas.

Algumas orquídeas são comercializadas não por sua beleza, mas devido ao uso na alimentação humana. A mais importante para a indústria é a baunilha, como são conhecidas algumas espécies do gênero Vanilla, largamente utilizadas na aromatização de bolos, sorvetes, balas e doces.

Cultivo de Orquídeas
Sophronitis cernua

Cultivo de Orquídeas
Miltonia clowesii

Propagação

Sementes, divisão de rizomas e micropropagação

Função

Vasos, placas de xaxim ou fibra de côco e ainda em madeira ou mesmo em árvores, terra ou pedra, dependendo da espécie. Em jardim elas vão crescer sadias sob as árvores ou até fixadas nos troncos.

Cultivo de Orquídeas
Laelia harpophylla

Cuidados

A exposição direta à luz solar causa queimaduras nas folhas da maioria das orquídeas.

A condição de iluminação mais recomendada é a de 50 a 70% de sombra, que é obtida ao cultivar as orquídeas sob árvores, telados ou ripados. Toleram variações de temperatura entre 10 a 40 ºC, mas a temperatura ideal fica em torno de 25 ºC. Recomenda-se evitar o uso de vasos muito grandes. Pode-se usar tanto os vasos de barro como os de plástico, mas as fibras de xaxim (não confundir com pó de xaxim) são ainda o substrato que dão melhores resultados.

Atualmente também há a opção da fibra de coco, igualmente eficiente e mais ecológica. A adubação pode ser suspensa nos meses do outono e inverno. Uma boa opção de adubação orgânica é a torta de mamona (1 colher de sobremesa por vaso), que pode ser fornecida uma vez ao ano, depois que o sistema radicular estiver bem desenvolvido.

Por serem plantas epífitas - possuem raízes aéreas -, as orquídeas suportam bem uma brisa suave e contínua, mas deve-se evitar ventos fortes e canalizados. As regas devem ser feitas apenas quando o substrato estiver seco. Ao regar, uma boa medida é deixar a água escorrer pelo fundo do vaso.

Outro detalhe: as orquídeas são plantas adaptadas à condições de umidade do ar relativamente elevadas.

Em regiões mais secas, recomenda-se borrifá-las com água periodicamente. Apesar de gostar de umidade, ventilação e claridade, as orquídeas não suportam ficar expostas diretamente ao vento, sol e chuva.

Ameaças

Infelizmente, no Brasil e outras partes do mundo, o cultivo e comércio de orquídeas nativas teve como prática o extrativismo. Aliado à destruição de seus habitats naturais, muitas espécies desapareceram ou foram levadas à beira da extinção. Para mudar este cenário, é urgente o estabelecimento de uma conduta conservacionista que seja seguida por indivíduos e instituições.

Hoje, as orquídeas são facilmente reproduzidas artificialmente em laboratório a partir de sementes, geralmente atingindo a maturidade em dois a quatro anos.

Espécies raras e ameaçadas vêm sendo reproduzidas com sucesso por alguns estabelecimentos.

Fonte: www.vivaterra.org.br

Cultivo de Orquídeas

ORQUÍDEAS BRASILEIRAS E ABELHAS

ORQUÍDEAS: DIVERSIDADE E MORFOLOGIA GERAL

As orquídeas (família Orchidaceae) constituem um dos maiores (ca. 19.500 spp.) e mais diversos agrupamentos de angiospermas. Hoje são aceitas cinco subfamílias dentro de Orchidaceae (Cameron et al. 1999, Judd et al. 1999) (Figura 1). Como um todo, a família Orchidaceae é notável pela sua diversificada morfologia floral e vegetativa. No entanto, o estereótipo (flores grandes e muito ornamentais, presença de “pseudobulbos”, etc.) que a maioria das pessoas têm em relação à Orchidaceae diz respeito apenas a caracteres morfológicos próprios de uma das cinco subfamílias (Epidendroideae).

No entanto, há caracteres comuns a todas as orquídeas: o ovário é ínfero, sincárpico (carpelos fusionados). O perianto consta de dois verticilos trímeros (3 sépalas e 3 pétalas) (Figura 2), sendo que a pétala mediana com freqüência é maior e apresenta glândulas (nectários, glândulas de óleo, osmóforos, etc.) ou ornamentações (calos) com funções relacionadas ao processo de polinização. Por ser morfologicamente diferenciada, a pétala mediana é denominada de “labelo” (lábio, em latim). A posição original do labelo (para cima) é modificada durante a ontogênese da flor. O pedicelo floral, o ovário ou ambos sofrem uma torção (ressupinação) que faz com que o labelo seja apresentado para baixo por ocasião da abertura da flor.

Assim, o labelo pode atuar como plataforma de pouso ou guia mecânica para os polinizadores. Androceu e gineceu encontram-se fusionados em maior ou menor grau, formando uma estrutura única denominada coluna (Figuras 2 e 3). O número de anteras férteis em geral é muito reduzido (normalmente uma, mas raramente duas ou – muito mais raramente - três) (Figura 1). As sementes são em geral muito reduzidas e carecem de endosperma. Durante o processo de germinação estabelece-se uma simbiose entre fungos e a semente. O fungo providencia ao embrião nutrientes, sem os quais os processo de germinação não seria possível na natureza.

Cultivo de Orquídeas
Figura 1: legenda na própria figura

Cultivo de Orquídeas
Figura 2: morfologia geral da flor de Orchidaceae (Epidendroideae). A) Flor - Acacallis cyanea(Epidendroideae: Zygopetalinae). B) Coluna - Oncidium sp. (Epidendroideae: Oncidiinae). Sd: sépala dorsal. Sl: sépalas laterais. Pl: pétalas laterais.

Em duas subfamílias (Orchidoideae e Epidendroideae) o pólen encontra-se empacotado na forma de políneas (Figuras 2 e 3). Por sua vez, as políneas podem estar unidas a outras estruturas originadas na coluna, que coadjuvam na retirada das políneas durante o processo de polinização. O conjunto formado pelas políneas e as antes citadas estruturas adicionais, denomina-se polinário (Figura 3). Na subfamília Orchidoideae as políneas são de textura quebradiça ou compostas por grande número de subunidades menores (Figura 3). Em ambos os casos, o conteúdo polínico das políneas é gradativamente depositado na superfície estigmática das flores durante o processo de polinização. Na subfamília Epidendroideae, as políneas apresentam-se como estruturas globosas de consistência cerosa ou cartilaginosa, que não se fragmentam (Figura 3). Vale salientar que nas outras três subfamílias de Orchidaceae o pólen apresenta-se solto (Apostasioideae) ou aglutinado (Cypripedioideae, Vanilloideae), mas sem formar verdadeiras políneas (Figuras 1 e 3). Devemos ainda salientar que existem exemplos de orquídeas que formam políneas que não apresentam estruturas que coadjuvem na sua remoção da coluna. Estas políneas aderem nos polinizadores graças a secreções originadas no gineceu.

Cultivo de Orquídeas
Figura 3: aspecto geral e coluna em três subfamílias de Orchidaceae. A-B) Phragmipedium vittatum (Cypripedioideae). C-D) Sarcoglottis ventricosa (Orchidoideae). E-F) Oncidium sp (Epidendroideae). E) Flor de Oncidium cognauxianum. F) Coluna de Oncidium flexuosum.

A subfamília Epidendroideae é a mais numerosa e, certamente, a melhor representada no Brasil. Talvez por isto, a maior parte das pessoas associam Orchidaceae com caracteres morfológicos próprios desta subfamília.

A marcante morfologia floral das Orchidaceae faz com que seja relativamente fácil acompanhar o processo de polinização. Por sua vez, numerosas estratégias de atração aos polinizadores surgiram nesta família tornando o estudo da biologia floral destas plantas um fascinante exercício de biologia integradora.

Nas orquídeas da subfamília Apoistasioideae, o pólen (solto) atua como recompensa aos polinizadores (Kocyan & Endress 2001). Nos grupos que formam políneas, o empacotamento do pólen dificulta ou impossibilita seu uso por parte dos potenciais polinizadores.

Numerosas orquídeas oferecem néctar aos polinizadores. Este néctar, com freqüência é oferecido em longas estruturas (geralmente prolongamentos do labelo) com forma de nectários ou esporões.

Outras orquídeas oferecem óleos florais secretados em glândulas complexas denominadas elaióforos (Figura 4). Há ainda recompensas florais menos comuns, tais como tricomas, resinas (Figura 4) ou até compostos aromáticos.

Ainda, numerosas orquídeas não oferecem recompensa nenhuma aos polinizadores. São as assim chamadas “orquídeas de engodo”. Muitas destas orquídeas apresentam conjuntos de caracteres (cores, fragrâncias florais, etc.) que atraem animais a procura de comida. Outras orquídeas “de engodo” apresentam estratégias mais sofisticadas. Este é o caso das orquídeas polinizadas por “pseudocópula”. Estas orquídeas produzem fragrâncias florais que mimetizam os feromônios sexuais de fêmeas de insetos (em geral, Hymenoptera).

Ainda, há caracteres que reforçam a semelhança das flores com a das fêmeas de insetos mimetizadas. O labelo se apresenta piloso e superficialmente semelhante a um inseto. Insetos machos atraídos pela fragrância floral tentam copular com as flores e as polinizam ao longo de sucessivas visitas.

Estima-se que um 60 % das espécies de orquídeas sejam polinizadas por diferentes tipos de Hymenoptera. Há também orquídeas polinizadas por aves, lepidópteros (diurnos e noturnos), dípteros e besouros. Existem também espécies que se autopolinizam espontaneamente (autógamas). Em geral, espécies autógamas apresentam flores de cores pálidas e estruturas secretoras (ex: nectários) reduzidas ou ausentes. Com freqüência, modificações morfológicas da coluna facilitam a autopolinização.

Cultivo de Orquídeas
Figura 4: exemplos de adaptações para atrair polinizadores. A) Nectários em Pelexia oestrifera (Orchidoideae: Spiranthinae). B) Elaióforo (glândulas de óleo) em Oncidium hookerii (Epidendroideae). C) Coxins de tricomas em Maxillaria brasiliensis (Epidendroideae: Maxillariinae). D) Secreção de consistência cerosa em Maxillaria cerifera (Epidendroideae: Maxillariinae).

GRUPOS DE ABELHAS IMPORTANTES NA POLINIZAÇÃO DE ORQUÍDEAS NATIVAS

ABELHAS HALICTIDAE

As abelhas da família Halictidae são importantes na polinização de numerosas orquídeas brasileiras, embora sua importância tenha vindo à tona apenas recentemente (Singer & Cocucci 1999a, Singer & Sazima 2001a, Singer 2003).

A seguir, os agrupamentos taxonômicos de orquídeas polinizados por estas abelhas de que temos conhecimento até o presente:

Subfamília Orchidoideae, subtribo Spiranthinae: vários gêneros de abelhas Halictidae (Augochloropsis, Pseudoaugochlora, etc.) tem sido documentados como polinizadores das flores de orquídeas terrestres do gênero Cyclopogon (Singer & Cocucci 1999a, Singer & Sazima 1999) (Figura 5). Estas orquídeas apresentam flores modestas, tubulosas e branco- esverdeadas, que oferecem néctar. O polinário destas orquídeas se adere na superfície ventral do labrum destas abelhas enquanto estas tentam sugar o néctar secretado por nectários presentes no labelo, logo embaixo da coluna (Figura 5).

Subfamília Orchidoideae, subtribo Prescottinae: abelhas do gênero Augochloropsis foram encontradas polinizando as minúsculas flores de Prescottia densiflora Lindl. (Singer & Cocucci 1999a, Singer & Sazima 2001a). Estas flores apresentam uma coloração branca ou branco-rosada e também produzem néctar. As flores depositam os polinários na superfície ventral da probóscide das abelhas.

Subfamília Epidendroideae, subtribo Angraeciinae: abelhas do gênero Pseudoaugochlora (P. gramínea) polinizam as flores de Campylocentrum aromaticum, uma orquídea monopodial bastante freqüente nas florestas com Araucaria (Singer & Cocucci 1999a). As flores desta orquídea são muito perfumadas e oferecem néctar em estruturas de tipo “esporão”. Os diminutos polinários se fixam na superfície ventral da probóscide das abelhas. Vale salientar que as orquídeas Angraeciinae são muito diversificadas no Madagascar e na África, onde são polinizadas principalmente por mariposas da família Sphingidae (Van der Cingel 2001).

Cultivo de Orquídeas
Figura 5: Exemplo de orquídea polinizada por abelhas Halictidae. A) Cyclopogon congestus, aspecto da flor. B) Abelha Pseudoaugochlora com polinário aderido na face ventral do labrum.

ABELHAS APIDAE: ABELHAS COLETORAS DE LEOS

Vários gêneros de abelhas Neotropicais coletam óleos florais em diversas famílias de angiospermas (Malpighiaceae, algumas Iridaceae, Krameriaceae, algumas Orchidaceae). Estas plantas secretam os óleos em estruturas glandulares complexas denominadas elaióforos. Os elaióforos podem ser epidermais (os óleos são secretados por tecidos epidermais) ou tricomáceos (formados por grande quantidade de tricomas secretores) (Figura 6). As fêmeas (e mais raramente, os machos) destas abelhas apresentam adaptações morfológicas que lhes permitem coletar estes óleos. Os óleos, misturados com pólen são oferecidos como alimento às larvas e, ao que parece, servem também como material isolante para os ninhos. A química destes óleos florais de orquídeas está sendo estudada por pesquisadores do Instituto de Química, na Unicamp (Reis et al., 2000). As abelhas coletoras de óleos eram antes incluídas em uma família própria, denominada Antophoridae. Hoje, estas abelhas estão inseridas em várias subtribos da família Apidae. A seguir, alguns exemplos de orquídeas brasileiras polinizadas por estas abelhas. Todas estas orquídeas pertencem a subfamília Epidendroideae.

Subtribo Oncidiinae: Um macho de Tetrapedia diversipes foi capturado enquanto polinizava flores de Oncidium paranaense (Singer & Cocucci 1999b). Ainda precisa ser esclarecido qual seria o uso que os machos destas abelhas dão aos óleos. Uma fêmea de Tetrapedia sp. foi capturada na Unicamp enquanto polinizava as flores de Oncidium pubes (Singer 2003) (Figura 6). Esta abelha estava claramente coletando leos secretados em um complexo elaióforo epidermal.

Recentemente (janeiro de 2004), foi observada uma grande fêmea de Epicharis sp visitando e polinizando (a abelha claramente levava um polinário embaixo das antenas) flores de Oncidium jonessianum (Singer & Farias-Singer, inédito) na região de Sidrolândia, Mato Grosso do Sul. A visita foi muito rápida e não foi possível estabelecer se a abelha tinha coletado alguma substância nas flores.

Cultivo de Orquídeas
Figura 6: polinização de orquídeas por abelhas coletoras de óleos. A) Flor de Oncidium pubes (Epidendroideae: Oncidiinae). B) Elaióforo de O. pubes. C) Fêmea de Tetrapedia sp com polinário de Oncidium pubes. D) Elaióforo de Ornitophora radicans (Oncidiinae). E) Possível elaióforo tricomáceo em Oncidium pulvinatum.

ABELHAS DO GÊNERO BOMBUS

As mamangavas sociais do gênero Bombus são importantes polinizadores de orquídeas no Velho Mundo (Van der Cingel 1995). Por enquanto, há poucos registros de polinização de orquídeas brasileiras por estas abelhas, mas esta situação deverá certamente mudar uma vez que mais estudos sejam feitos.

Subfamília Orchidoideae, subtribo Spiranthinae: operárias de Bombus (Fervidobombus) atratus polinizam as flores de Pelexia oestrifera (Singer & Sazima 1999) (Figura 4A, Figura 7), uma orquídea terrestre relativamente abundante em ambientes rupícolas de altitude na região sudeste. Estas orquídeas secretam néctar que se acumula em um esporão encurvado. As mamangavas visitam as flores a procura de néctar. Os polinários se aderem na superfície ventral do labrum (Figura 7).

Subfamília Vanilloideae: Pansarin (2003), documentou a polinização de Cleistes machrantha (= C. libonii?) por operárias de Bombus atratus que procuram néctar nas flores. Rainhas e operárias de Bombus morio foram observadas visitando e polinizando as flores de Vanilla chamissonis, em Picinguaba (Ubatuba, São Paulo).

Vale salientar que as orquídeas Vanilloideae não formam políneas. Durante suas visitas nas flores, as abelhas deslocam pequenas porções de pólen que se adere na região dorsal (escuto e/ou escutelo).

Subfamília Epidendroideae: rainhas de Bombus brasiliensis foram capturadas carregando polinários de Bifrenaria harrisoniaeae (subtribo Maxillariinae) (Singer & Koehler 2004).

Rainhas de Bombus morio foram observadas carregando políneas de Cattleya forbesii (subtribo Laeliinae), na Ilha do Mel, Paraná (Singer, inédito). Operárias de Bombus atratus foram observadas visitando flores de Miltonia flavescens (subtribo Oncidiinae) no Parque Estadual Grota Funda (Atibaia, SP). No entanto, não foi possível esclarecer se estas abelhas eram de fato polinizadoras.

Cultivo de Orquídeas
Figura 7: exemplo de polinização por mamangavas Bombus. A-B) Operárias de Bombus (Fervidobombus) atratus com polinários de Pelexia oestrifera (Orchidoideae: Spiranthinae).

ABELHAS EUGLOSSINI

Com pouco mais de 200 espécies, e apenas cinco gêneros (Aglae, Eufriesea, Euglossa, Eulaema e Exaerete), as abelhas Euglossini são de grande importância na polinização de orquídeas neotropicais. Algumas subtribos de orquídeas neotropicais (Catasetiinae, Stanhopeinae) são exclusivamente polinizadas por machos destas abelhas. Os machos de abelhas Euglossini visitam as flores para coletar compostos aromáticos, terpenos e sesquiterpenos que são secretados por regiões especializadas do labelo. Estas abelhas apresentam adaptações morfológicas para a coleta destas substâncias. As substâncias são raspadas com estruturas como esponjas no primeiro par de patas e transferidas em vôo para estruturas esponjosas no segundo e terceiro par. No terceiro par de patas observa-se uma grande dilatação das tíbias, onde os compostos são estocados pelas abelhas. A função destes compostos é motivo de debate e ainda não foi esclarecida, mas é possível que intervenham no processo de acasalamento, como fator de reconhecimento específico e/ ou de seleção sexual (Lunau 1992, Singer & Koehler 2003). Nos anos 60, a síntese de muitos dos compostos atrativos para machos de Euglossini permitiu utilizar estes compostos como ferramentas para o estudo da polinização de orquídeas. Pedaços de papel são embebidos nestes compostos químicos e a seguir são colocados em locais bem expostos ao vento.

Machos de Euglossini atraídos nas iscas são capturados e verifica-se se eles estão ou não carregando polinários de orquídeas. Quando já existe um levantamento florístico das orquídeas do local, com freqüência é possível determinar os polinários a nível de gênero e espécie. Esta metodologia permitiu estudar as interações entre comunidades de orquídeas e suas abelhas polinizadoras. Existem completos censos de abelhas Euglossini (e dos polinários de orquídeas que elas eventualmente carregam) para algumas regiões da América Central (Ackerman 1982, Roubik & Ackerman 1986) e, mais recentemente, para a região de Picinguaba (Município de Ubatuba, São Paulo) (Singer & Sazima 2004, no prelo).

Em geral, todos estes trabalhos apresentam alguns pontos em comum: nem todas as espécies de Euglossini de uma localidade estão envolvidas em polinização de orquídeas. Entre 22 e 30 % das espécies de uma determinada comunidade de Euglossini, não apresentaram quaisquer inter-relação evidente com espécies de orquídeas. Isto pode parecer paradoxal, mas acontece que as abelhas Euglossini podem conseguir os compostos aromáticos não apenas em orquídeas, mas também em flores de outras famílias de angiospermas (algumas Araceae, Apocynaceae, Bignoniaceae, Euphorbiaceae, etc.), bem como em outras fontes não florais (seiva de árvores, madeira podre, fungos, etc.). A seguir, alguns grupos de orquídeas representativas da Flora Brasileira e que são polinizadas por machos de abelhas Euglossini.

Subfamília Epidendroideae, subtribo Catasetiinae: todas as espécies desta subtribo são polinizadas por machos de abelhas Euglossini. Nos gêneros Catasetum e Cycnoches verifica-se a produção de flores unissexuais (flores masculinas e femininas em plantas diferentes) (Figuras 8 e 9). As flores femininas em geral são esverdeadas, mais duradouras e coriáceas. As flores masculinas são mais coloridas e efêmeras.

Ao que parece, o que determina o sexo das flores que vão ser produzidas é a quantidade de luz solar recebida pela planta: plantas expostas a sol pleno produzem flores femininas; aquelas crescendo em locais mais sombrios, produzem flores masculinas. As flores masculinas do gênero Catasetum são famosas pelo modo de aderir o polinário nos polinizadores. O polinário encontra-se em tensão, rodeado por dois apêndices da coluna denominados “antenas”.

Quando as abelhas raspam o labelo procurando os compostos aromáticos e contatam as antenas, o polinário é ejetado no dorso das abelhas. Em geral, o polinário se adere no escuto (Figura 8), mas pode acontecer que ele se fixe acidentalmente em alguma pata ou até nas asas (e, neste caso, impossibilitando o vôo da abelha).

Cultivo de Orquídeas
Figura 8: Polinização de Catasetum spp (Epidendroideae: Catasetiinae) por abelhas Euglossini. Flores masculinas. A-B) Flores masculinas de Catasetum barbatum. C) Eufriesea violascens visitando flor de Catasetum fimbriatum. D) Eufriesea violascens com dois polinários de C. barbatum aderidos no dorso.

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Figura 9: Polinização de Catasetum spp (Epidendroideae: Catasetiinae) por abelhas Euglossini. Flores femininas. A) Seção longitudinal de flor feminina de Catasetum trulla. B-C) Abelhas Euglossa visitando flores femininas de Catasetum barbatum.

Cultivo de Orquídeas
Figura 10: Polinização de Promenaea stapelioides (Epidendroideae: Zygopetaliinae) por abelhas Euglossini. A) flor de P. stapelioides. B) Coluna de P. stapelioides, mostrando o polinário. C) Euglossa cf. ignita com polinário aderido na região occipital.

Subfamília Epidendroideae, subtribo Stanhopeinae: esta subtribo de orquídeas é também polinizada na sua totalidade por machos de abelhas Euglossini a procura de compostos aromáticos. Estas flores apresentam amiúde complexas morfologias florais e mecanismos de polinização envolvendo flores armadilha (gênero Coryanthes) onde o polinizador é temporariamente retido na cavidade do labelo ou flores pendentes, onde o polinizador escorrega e cai sobre a coluna, deslocando o polinário (Stanhopea, Gongora) (Figura 11).

Há também mecanismos de polinização menos complexos, onde a flor toda atua como plataforma de pouso e os polinários se aderem na região ventral ou nas patas dos polinizadores (gênero Cirrhaea) (Figura 11). Nesta subtribo de orquídeas são freqüentes mecanismos prevenindo a autopolinização. Em muitas espécies, a cavidade estigmática é muito reduzida e é preciso que o polinário se desidrate consideravelmente para poder ser inserido nela. Este mecanismo dificulta que uma abelha deposite um polinário na mesma inflorescência onde o adquiriu (pelo menos, durante a mesma visita) e, portanto, aumenta as chances de polinização cruzada.

Cultivo de Orquídeas
Figura 11: Euglossini e orquídeas da subtribo Stanhopeinae. A) Eufriesea violacea polinizando Gongora bufonia (note-se que o animal tem um polinário aderido no escutelo). B) Coluna de G. bufonia. C) Eufriesea violacea com dois polinários de G. bufonia no escutelo. D) Eufriesea violacea visitando Cirrhaea saccata. E) Coluna de C. saccata. F) Euglossa chalybeata iopoecila com polinário de Cirrhaea aderido em uma pata.

Subfamília Epidendroideae, subtribo Zygopetaliinae: a literatura antiga (van der Pijl & Dodson 1966 e obras ali citadas) sugere que a polinização por machos de abelhas Euglossini seja importante nesta subtribo de orquídeas. De fato, um grande número de orquídeas desta subtribo do Norte da América do Sul e América Central são polinizadas por machos destas abelhas. Na região sudeste do Brasil, no entanto, outras mamangavas (abelhas Bombus?) devem também ser importantes polinizadores. Embora a literatura antiga sugira que Zygopetalum seja polinizado por machos de Euglossini (van der Pijl & Dodson 1966), nossas observações de campo ao longo de muitos anos não trouxeram qualquer evidência sustentando esta idéia (Singer & Gerlach 2002). Pudemos, no entanto, constatar que Promenaea stapelioides (epífita mais ou menos comum no litoral de São Paulo) é polinizada por machos de Euglossa cf. ignita, que carregam os polinários na nuca (Figura 10).

Subfamília Epidendroideae, subtribo Oncidiinae: esta subtribo de orquídeas apresenta diferentes estratégias e polinização e, como vimos antes, muitas espécies são polinizadas por abelhas Apidae coletoras de leos. Há, no entanto, alguns gêneros de orquídeas Oncidiinae que oferecem compostos aromáticos no labelo e são, portanto, polinizados por machos de abelhas Euglossini. Todas as espécies do gênero Notylia (incluindo Macroclinium) são polinizadas enquanto machos Euglossini raspam o labelo para obter compostos aromáticos (Singer & Koehler 2003a, Singer & Sazima 2004, em prensa) (Figura 12). Em Notylia, verifica-se a ocorrência de 1) protandria e 2) auto- incompatibilidade (impossibilidade de se formar frutos através de autopolinização, por aborto das flores autopolinizadas).

As flores recém abertas apresentam a cavidade estigmática fechada e podem apenas atuar como doadoras de pólen. Após uns 2 ou 3 dias, a cavidade estigmática se abre e a flor pode agora atuar como receptora de pólen e ser polinizada.

As abelhas tendem a visitar todas as flores disponíveis em toda a planta e, visto que ambas fases florais podem coexistir na mesma planta ou inflorescência, ocorrem algumas autopolinizações e abortos induzidos pelos polinizadores (Singer & Koehler 2003a). Recentemente (Singer & Gerlach 2002) pudemos verificar a presença de polinários de uma orquídea Oncidiinae (provisoriamente identificados como Rodrigueziopsis) no primeiro par de patas de machos de Euglossa iophyrra. Através da análise de mais polinários, bem como pela sua comparação com polinários de flores vivas, hoje se pode afirmar que esses polinários pertencem na verdade a Warminga eugenii, uma pequena Oncidiinae epífita, filogeneticamente muito próxima de Notylia. Ainda, pudemos verificar a visita de machos de abelhas Euglossini em flores cultivadas de Macradenia paraense. Macradenia é também filogeneticamente próximo de Notylia e, como ela, apresenta protandria (Figura 12). Estes fatos sugerem que a polinização por machos de Euglossini seja um fato generalizado em um clado de Oncidiinae composto por estes gêneros (Singer & Koehler 2003a).

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Figura 12: A-B) Polinização de Notylia nemorosa (Epidendroideae: Oncidiinae) por abelhas Euglossini. A) Abelhas vistando inflorescência. B) Abelha com dois polinários aderidos no labrum. C) Macho de Euglossa visitando flor de Macradenia rubescens (Oncidiinae). D-E) Protandria em Macradenia (Oncidiinae). D) Fase masculina (estigma fechado). E) Fase feminina (estigma aberto).

ORQUÍDEAS NECTARÍFERAS POLINIZADAS POR EUGLOSSINI

Os machos de abelhas Euglossini são tão famosos pela sua conduta de coleta de fragrâncias em flores de orquídeas que muitas pessoas esquecem que (como qualquer outra abelha), machos e fêmeas visitam outras flores a procura de néctar. Ainda, as fêmeas (exceto em Aglae e Exaerete) visitam flores de diversas famílias de angiospermas para obter pólen, como o resto das abelhas não parasíticas. Em anos recentes, pudemos constatar que machos e fêmeas de Euglossini visitam e polinizam algumas espécies de orquídeas terrestres (subfamília Orchidoideae) (Singer & Sazima 1999, Singer & Sazima 2001b).

Estas orquídeas apresentam longas cavidades nectaríferas onde as abelhas inserem suas peças bucais. Fêmeas de Euglossa foram documentadas como polinizadoras de Sarcoglottis fasciculata (Subtribo Spiranthinae) (Figura 13), uma orquídea freqüente em matas mesófilas da região Sudeste do Brasil. O polinário se adere na superfície ventral do labrum, dificultando sua remoção por parte da abelha. Fêmeas de Euglossa chalybeata iopoecila e Euglossa cf. ignita foram documentadas como polinizadoras das flores de Aspidogyne longicornu (subtribo Goodyeriinae). Aqui também o polinário se adere na face ventral do labrum (Figura 13). Recentemente, (Singer, inédito) foi capturado um macho de E. cf. ignita carregando um polinário desta orquídea na Ilha do Cardoso (município de Cananéia, São Paulo). É chamativo que ambas as espécies de orquídea, embora pertençam a subtribos diferentes, apresentam uma estratégia de polinização semelhante.

A fixação do polinário na face ventral do labrum nos parece um fato ecologicamente significativo: 1) torna difícil a remoção do polinário por parte da abelha e 2) o labrum é uma peça bucal versátil. Quando a abelha retrai a proboscis e fecha as peças bucais, o labrum fica retraído abaixo da cabeça. Se houver um polinário aderido na face ventral do labrum, este ficará protegido abaixo da cabeça da abelha durante o vôo. Estes fatores antes citados propiciam não apenas a permanência do polinário na abelha, mas também a polinização cruzada e a distribuição do pólen ao longo de longas distâncias (vale lembrar que os polinários de Orchidoideae são quebradiços e seu conteúdo polínico pode ser distribuído através de muitas visitas florais).

Cultivo de Orquídeas
Figura 13: Euglossini e orquídeas nectaríferas. A) Euglossa visitando flores de Sarcoglottis fasciculata (Orchidoideae: Spiranthinae). B) Euglossa com polinário de S. fasciculata aderido na face ventral do labrum. C) Euglossa cf. ignita visitando inflorescência de Aspidogyne longicornu (Orchidoideae: Goodyerinae). D) Euglossa chalybeata iopoecila com polinário de A. longicornu aderido na face ventral do labrum.

ABELHAS MELIPONINI E ORQUÍDEAS

As abelhas Meliponini são eusociais, isto é, há nestas abelhas determinação de castas e divisão do trabalho nas colméias. As colméias podem abrigar milhares de indivíduos e as operárias precisam não apenas coletar néctar e pólen, mas também substâncias (principalmente resinas) que são utilizadas como material de construção no ninho. Numerosas orquídeas brasileiras são polinizadas por estas abelhas.

Subfamília Epidendroideae, subtribo Maxillariinae: numerosas espécies do gênero Maxillaria não oferecem quaisquer recompensas aos polinizadores, mas apresentam fragrâncias e colorações que atraem operárias dos gêneros Trigona (freqüentemente, T. spinipes). Isto parece ser um fato freqüente em Maxillaria picta e espécies próximas (Singer 2003, Singer & Koehler 2004) (Figura 14). Estas abelhas aderem os polinários na região do escutelo (Figura 14). Em geral, as abelhas visitam as flores apenas nos primeiros dias de florada, sugerindo que são capazes de reconhecer que estas flores não apresentam recompensas após um curto período de interação com elas (Singer & Cocucci 1999b, Singer & Koehler 2004). Há também numerosas espécies de Maxillaria que oferecem secreções cerosas /resinosas ou tufos de tricomas aos polinizadores (Flach et al., 2004, Singer & Koehler 2004). Já foi documentada a polinização de Maxillaria brasiliensis (Singer & Koehler 2004) e, mais recentemente, M. discolor (Singer & Koehler, inédito) por operárias de Trigona que coletam tricomas no labelo destas orquídeas. Em ambos os casos, as abelhas aderem os polinários no escutelo (Singer & Koehler 2004). Operárias de Plebeia sp. foram observadas visitando as flores de M. parviflora, mas ainda não pode ser constatado se são de fato polinizadoras. Operárias de Partamona hellerii já foram encontradas carregando polinários de orquídeas Maxillariinae na Estrada da Graciosa, Paraná (Singer, inédito). Não foi possível ainda esclarecer a identidade destes polinários.

Subfamília Epidendroideae, subtribo Polystachiinae. Esta Subtribo de orquídeas é pantropical e deve apresentar diversos tipos de polinizadores ao longo da sua distribuição. Durante numerosas visitas no Orquidário do Instituto de Botânica, em São Paulo, São Paulo, pudemos constatar que as plantas cultivadas de Polystachya concreta eram sistematicamente visitadas e polinizadas por operárias de Trigona spinipes. As abelhas coletavam os tricomas esbranquiçados da superfície do labelo. Durante o processo, deslocavam numerosos polinários que se aderiam na face das abelhas (Figura 15).

Subfamília Epidendroideae, subtribo Angraeciinae: operárias de Trigona spinipes e Plebeia sp foram observadas visitando e polinizando as minúsculas flores nectaríferas de Campylocentrum burchellii (uma orquídea notável por ser totalmente áfila e acaule). As abelhas aderiam os polinários na face ventral da proboscis (Singer & Cocucci 1999a).

Cultivo de Orquídeas
Figura 14: Abelhas Meliponini e orquídeas da subtribo Maxillariinae. A) Operária de Trigona spinipes visitando Maxillaria picta. B) Trigona sp. com polinário de Maxillaria marginata aderido no escutelo. C) Operária de Trigona sp. vistando flor de Maxillaria brasiliensis (note-se que a abelha já carrega um polinário desta orquídea no escutelo). D) Trigona sp. com polinário de Maxillaria brasiliensis aderido no escutelo.

Cultivo de Orquídeas
Figura 15: Abelhas Meliponini e Polystachya concreta (Epidendroideae: Polystachiinae). A-B) Operárias de Trigona sp. coletando os tricomas do labelo das flores. C) Operária de Trigona sp. com alguns polinários aderidos na face.

MIMETISMO SEXUAL OU “PSEUDOCÓPULA”

Dentre as estratégias de atração de polinizadores por engodo, talvez a mais espetacular seja a assim denominada polinização por “pseudocópula”. Nestas orquídeas, as fragrâncias florais mimetizam os feromônios sexuais de fêmeas de insetos (normalmente Hymenoptera). Ainda, há um conjunto de caracteres florais que reforçam a semelhança das flores com as fêmeas dos insetos mimetizados. Assim, as flores normalmente apresentam colorações escuras ou apagadas e o labelo apresenta-se piloso, superficialmente semelhante com um inseto. Insetos machos atraídos pela fragrância floral pousam nas flores e tentam copular com elas, levando ao processo de polinização e fertilização ao longo de sucessivas visitas florais (van der Pijl & Dodson 1996, Dressler 1993). Esta estratégia de polinização foi particularmente bem documentada em orquídeas européias e australianas (Van der Cingel 1995 e 2001). Nestas orquídeas, as flores normalmente são polinizadas por um breve período de tempo que coincide com a emergência de machos de insetos sazonais.

Neste período não há fêmeas disponíveis no ambiente e os machos destes insetos tentam copular com as flores, polinizando-as. Quando as fêmeas finalmente emergem, os machos se tornam capazes de discernir entre as flores e as “fêmeas verdadeiras”, ignorando as primeiras (Van der Pijl & Dodson 1966). Evidências recentes, no entanto, sugerem que ao menos em alguns casos, as flores podem continuar sendo atrativas para os machos após a emergência das fêmeas (Ayasse et al., 2003).

Estudos recentes demonstraram que o fenômeno de “pseudocópula” ocorre pelo menos em dois gêneros de orquídeas neotropicais da subtribo Maxillariinae (Singer 2002, Singer et. al., 2004).

Curiosamente, ambas as orquídeas apresentam atributos que parecem conflitar com o que se sabia sobre pseudocópula em orquídeas do Velho Mundo: ambas as espécies apresentam longos períodos de florada, ou seja, flores são produzidas em pequeno número, mais praticamente na maior parte do ano.

Como se explica isto?

A explicação é muito interessante: nas espécies até agora estudadas no Brasil, a polinização depende não de abelhas solitárias e sazonais, mas de abelhas eusociais (concretamente, Meliponini). As abelhas Meliponini vivem em colméias perenes onde machos, rainhas e operárias são produzidos várias vezes, ao longo do ano. Portanto, na maior parte do ano, haverá machos disponíveis que poderão ser atraídos pelas flores (Singer 2002, Singer et.al., 2004). Ainda, a diferença das rainhas, que são produzidas em números moderados, os machos são produzidos em grandes quantidades. Portanto, há sempre uma grande probabilidade que um número significativo de zangões não contatem nunca uma rainha verdadeira, aumentando as chances destas abelhas serem enganadas pelas flores.

A seguir são descritos brevemente os dois casos de “pseudocópula” que puderam ser documentados até o momento. Análises das fragrâncias florais destas orquídeas, bem como testes de eletroantenograma estão sendo feitos em colaboração com a equipe da Dra. Anita J. Marsaioli (Instituto de Química, UNICAMP).

Trigonidium obtusum

Já em 1962, Kerr e López perceberam que zangões de Plebeia droryana (Figura 16) tentavam copular com as flores de Trigonidium obtusum, mas sugeriram que as abelhas deviam ser pequenas demais para serem os polinizadores efetivos das flores. Em 2002, Singer consegue acompanhar todo o processo da polinização.

As flores são afuniladas e eretas e não apresentam qualquer parte do perianto semelhante a um inseto. Zangões tentam copular ora com as sépalas ou com as pétalas e escorregam na cavidade floral onde são temporariamente retidos. Tentando sair da flor, alguns machos acessam a cavidade entre o labelo e a coluna e aderem o polinário no escutelo (Figura 16), como acontece em muitas outras orquídeas Maxillariinae. As políneas são muito grossas no momento de serem deslocadas da coluna e precisam passar por uma desidratação para poder encaixar na cavidade estigmática. As políneas só estão em condições de entrar no estigma uns 40 minutos após a remoção do polinário. Este mecanismo aumenta as chances de polinização cruzada (Singer 2002). Esta combinação de atração sexual e flores armadilha e até hoje apenas conhecida para T. obtusum (Singer 2002). A fragrância floral de T. obtusum é relativamente simples e primariamente composta por pentadecano (Flach et al., 2004).

Mormolyca ringens

Mormolyca ringens não é nativa do Brasil. No entanto, seus polinizadores apresentam uma ampla distribuição nos Neotrópicos, o que permitiu que o processo de polinização fosse acompanhado em plantas cultivados no Orquidário da ESALQ (USP-Piracicaba) (Singer et. al., 2004). Os polinizadores são zangões de Nannotrigona testaceicornis e Scaptotrigona sp (ambos Meliponini) (Figura 17). As flores de Mormolyca apresentam um forte paralelismo com as do gênero Ophrys (Subfamília Orchidoideae), onde o fenômeno de pseudocópula foi originalmente descrito. As flores são de cor amarronzada, com estrias cor de vinho. O labelo é piloso e superficialmente semelhante com um inseto. Os zangões tentam copular com o labelo das flores e aderem o polinário no escutelo durante o processo (Figura 17).

Diferente de Trigonidium, não há qualquer mecanismo morfológico favorecendo a polinização cruzada e flores que sejam autopolinizadas pelos zangões abortarão em 7-10 dias, já que as flores de M. ringens são autoincompatíveis. A fragrância floral de M. ringens apresenta 31 componentes principais (Singer et al, 2004).

Cultivo de Orquídeas
Figura 16: polinização por “pseudocópula” em Trigonidium obtusum (Epidendroideae: Maxillariinae). A-B) Zangões de Plebeia droryana tentando copular com as sépalas da flor. C) Zangão retido na cavidade floral (note-se que ele já aderiu um polinário no escutelo). D) Zangão de Plebeia droryana com um polinário aderido no escutelo.

Cultivo de Orquídeas
Figura 17: polinização por “pseudocópula” em Mormolyca ringens (Epidendroideae: Maxillariinae). A) Zangão de Nannotrigona testaceicornis tentando copular com a flor. B) Zangão de Scaptotrigona sp tentando copular com flor. C) Zangão de Nannotrigona com polinário aderido no escutelo.

Rodrigo B. Singer

BIBLIOGRAFIA

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Fonte: www.webbee.org.br

Cultivo de Orquídeas

Dicas para cuidar bem delas

Cultivo de Orquídeas
Orquídea

Conta-se que há cerca de 3.000 anos, a Rainha de Sabá estava indecisa sobre como presentear o Rei Salomão. Afinal, o que poderia encantar um rei tão poderoso?

Uma escrava lhe trouxe a decisão: "ao maior dos reis, leve um feixe de orquídeas". Passado tanto tempo, o fascínio ainda persiste e as orquídeas continuam a aumentar sua legião de fãs e apaixonados. E hoje, é possível adquirir lindos exemplares desta planta por preços bem acessíveis, até em supermercados! Bem tratadas, as orquídeas produzem belas floradas anualmente.

Luz

A exposição direta à luz solar causa queimaduras nas folhas da maioria das orquídeas. A condição de iluminação mais recomendada é a de 50 a 70% de sombra, que é obtida ao cultivar as orquídeas sob árvores, telados ou ripados. Varandas ou áreas de serviço de apartamentos também são bons locais, mas é preciso cuidado, nesses casos, para que as orquídeas recebam o sol da manhã.

Alguns especialistas afirmam que em apartamentos, os melhores lugares para as orquídeas são atrás da janela do banheiro ou um terraço envidraçado, onde há luz filtrada.

Para saber se as condições de iluminação estão adequadas, é só observar a planta: folhas amareladas indicam excesso de luz; já as folhas estreitas, longas e de cor verde bem escura indicam iluminação deficiente.

Plantas como Vanda, Dendrobium, Cymbidium e várias espécies de Oncidium suportam luminosidade mais intensa, enquanto que Phalaenopsis, Miltonia, Laelia e Pumilan preferem baixa luminosidade.

Temperatura

A maioria das orquídeas toleram variações de temperatura entre 10 a 400 C, mas a temperatura ideal fica em torno de 25 graus.

Orquídeas como Phalaenopsis e Vanda preferem temperaturas mais altas, enquanto que as Miltonias, Cymbidiums, e Paphilopedilum se dão melhor com temperaturas mais amenas.

Vasos e substratos

Recomenda-se evitar o uso de vasos muito grandes. Pode-se usar tanto os vasos de barro como os de plástico, mas as fibras de xaxim (não confundir com pó de xaxim) são ainda o substrato que dão melhores resultados. Atualmente também há a opção da fibra de coco, igualmente eficiente e mais ecológica.

Certas espécies de orquídeas, como Cattleya walkeriana, C. Nobillor, C. Schilleriana, C. Acladiae e a maioria das espécies de Oncidium desenvolvem-se melhor sobre placas xaxim ou pedaços de casca de madeira do que em xaxim desfibrado.

Adubação

A fórmula NPK (nitrogênio, fósforo e potássio) deve ser aplicada a cada duas semanas, na proporção de 1 colher (café) por litro de água, durante a primavera e o verão. A adubação pode ser suspensa nos meses do outono e inverno. Uma boa opção de adubação orgânica é a torta de mamona (1 colher de sobremesa por vaso), que pode ser fornecida uma vez ao ano, depois que o sistema radicular estiver bem desenvolvido.

Cultivo de Orquídeas
Orquídea

Ventilação e umidade

Por serem plantas epífitas - possuem raízes aéreas -, as orquídeas suportam bem uma brisa suave e contínua, mas deve-se evitar ventos fortes e canalizados. Se as plantas estivem num orquidário, recomenda-se protegê-lo do vento sul, usando um plástico transparente.

Ainda por sua característica epífita, as orquídeas preferem mais a falta do que o excesso de água junto às raízes. As regas devem ser feitas apenas quando o substrato estiver seco. Ao regar, uma boa medida é deixar a água escorrer pelo fundo do vaso.

Outro detalhe: as orquídeas são plantas adaptadas à condições de umidade do ar relativamente elevadas. Em regiões mais secas, recomenda-se borrifá-las com água periodicamente.

Mais uma vez, o que deve prevalecer é sempre o bom senso: para ter sucesso no cultivo de orquídeas, os excessos devem ser evitados. Apesar de gostar de umidade, ventilação e claridade, as orquídeas não suportam ficar expostas diretamente ao vento, sol e chuva. Em jardim elas vão crescer sadias sob as árvores ou até fixadas nos troncos.

Fonte: www.soorquideas.com

Cultivo de Orquídeas

Cultivo de Orquídeas
Orquídea

Cultivo de Orquídeas
Orquídea Phaius Tanhervilleae

As orquídeas são das flores mais apreciadas no mundo todo e muitas pessoas fazem de seu cultivo um hobby.

Estamos assim trazendo informações para que todos possam ter em seu jardim estas belas plantas.

O que são orquídeas?

São plantas herbáceas perenes pertencentes à família Orchidaceae e de variadas origens, existem mais de 1800 gêneros, sendo que em cada um há centenas de espécies.

No mundo todo há gêneros exclusivos de determinada localidade.

No Brasil temos muitos tipos de orquídeas grandes e pequeninas, oriundas de matas ou cultivadas, todas belas.

Erroneamente chamadas de parasitas, na verdade são plantas que se desenvolvem sobre outras plantas, sem causar dano nenhum à hospedeira.

Registros existentes sobre as orquídeas cultivadas fornecem um dado impreciso de 35 000 espécies conhecidas.

As formas da flor

A orquídea apresenta-se com sépalas e pétalas em número de 3 ou múltiplo de 3.
Algumas têm forma bem diferente que iremos vendo em artigos que colocaremos periodicamente.
Inicialmente, para podermos entender, estamos colocando o desenho de uma Cattleya, com os nomes de cada parte.
A flor da Cattleya é composta de 3 sépalas e 3 pétalas.
As sépalas são de formato mais simples e tem a função de proteger a flor quando em botão.
Após o desabrochar são tão bonitas e coloridas quanto as pétalas.
Uma das pétalas, chamada labelo, é mais desenvolvida e diferente das outras, podendo ter coloração mais viva, listras, pontuações e manchas.
Esta forma diferente por vêzes mimetiza o corpo de um inseto, para atraí-los para o néctar contido no fundo da flor.
Ao entrar para buscá-lo acabam por carregar o polen e ajudar assim na polinização.
Esta é necessária e o objetivo maior das plantas, para a produção de frutos contendo sementes para a perpetuação da espécie.

As Formas da Orquídea

As orquídeas têm muitas formas, partindo de duas básicas: simpodial e monopodial.

Suas estruturas vegetais diferem em forma, mas seu cultivo não é muito diferente, apenas o modo de realizar a propagação vegetativa não é a mesma.

A orquídea simpodial:

Refere-se ao um tipo de orquídea que tem os rizomas com crescimento linear.
É necessário plantá-la de um lado do vaso para que vá crescendo em direção à borda oposta.
Colocada no meio, logo atingirá esta parte do vaso, acabando por descer pela parede externa do mesmo. Exemplo: Cattleya, Laelias

A orquídea monopodial:

Esta orquídea tem o caule com crescimento contínuo como nas Phalenopsis, Vanda e Dendrobium.
No caso do Dendrobium, ao longo da haste floral, numa época de estado vegetativo da planta costumam surgir rebentos que podem ser utilizados para propagação vegetativa.

Reprodução de orquídeas por sementes

Os órgãos reprodutores da planta é formado por coluna, anteras, estigma e ovário.
A coluna é um órgão mais desenvolvido que está situado no centro da flor, contendo os órgãos masculino (estames) e feminino (carpelo).
As anteras contêm os grãos de pólen em grande número agrupados numa estrutura chamada de polínia.
O estigma contém uma substância viscosa capaz de grudar os grãos de pólen quando o inseto carregado com eles passar em busca do néctar no fundo da flor.
Abaixo do estigma fica o ovário com o óvulo que recebendo o grão de pólen será fecundado.
O produto disto é o fruto carregado de sementes com a carga genética obtida pelo cruzamento.
Após a fecundação da flor, as pétalas secam, o estigma se fecha e o processo todo se inicia para formar o fruto que contém as sementes. Algumas orquídeas levam até um ano para amadurecerem.
A polinização também pode ser feita pela mão humana, como os cultivadores fazem para obter os híbridos.
Nem sempre a planta resultante deste tipo de cruzamento é bonita, algumas não produzem flores e são estéreis.
É preciso estudar para fazer este tipo de trabalho e pesquisar, longos anos de paciência e espera.

Cultivo de Orquídeas
Orquídea Chuva de ouro - Oncidium Flexuosum

Os nomes latinos e populares das plantas

Os nomes das plantas são dados em latim ou grego clássico, antigas línguas usadas hoje para nomear plantas e para termos jurídicos e médicos.

Uma planta nomeada assim poderá ser reconhecida no mundo inteiro, facilitando aquisições e trocas.

A cada nova descoberta os taxonomistas registram a planta e fornecem um nome, de acordo com o gênero, com detalhes de sua anatomia e para homenagem a alguma pessoa relevante.

Os nomes populares são dados pelas pessoas, muitas vêzes por causa da anatomia, cor de flores,etc. e tem função regional, variando de um lugar para o outro.

A forma de dizer o nome em latim pode ser complicado em função da grafia. Por exemplo, a orquídea Laelia, pronuncia-se Lélia.

Os Recipientes de cultivo das Orquídeas

Para orquídeas monopodiais, um vaso comum de plástico é o suficiente por anos.

Seu crescimento não “caminha” como nas simpodiais.

Para estas o vaso melhor é o que tem a boca mais larga.

Colocando-se a planta bem na borda com o ponto de crescimento virado para o meio poderá usar por longo tempo o mesmo vaso.

Cultivo de Orquídeas
Orquídea em placa

Mas dada a enorme oferta de recipientes do mercado, como escolher?

Os antigos vasos de cerâmica queimada usados para orquídeas ainda continuam sendo manufaturados e oferecidos e podem ser usados.

São mais pesados e ajudam a reter mais a água de chuvas ou regas, nem sempre interessante em climas úmidos, por favorecer desenvolvimento de fungos.

Vasos plásticos tem longa duração, são leves e baratos.

Opções como garrafas PET cortadas, penduradas com arames ou fios de nylon de pesca, podem ser boas opções.

As orquídeas também aderem a placas de coco, madeira, troncos, telhas, etc., aumentando as possibilidades e a criatividade do cultivador.

Ramos grossos apanhados no chão pelas trilhas no meio do mato, para quem dispuser deste tipo de local, são dádivas da natureza. Forma ecológica e sem custo e a planta irá se desenvolver muito bem a um tipo de apoio a que está acostumado por centenas de anos.

Substrato de cultivo para suas orquídeas

Como foi dito, o substrato natural é uma mistura de folhas decompostas e matéria orgânica. Poderemos usar isto? Dificilmente conseguiremos reproduzir.

Mas temos algumas boas opções que têm dado certo, usando criatividade com coisas que estão ao nosso alcance.

Característica de um bom substrato:

O substrato ideal para as orquídeas devem ter boa densidade, pode ser em pedaços para propiciar boa aeração e ótima drenagem.

Não tem necessidade de realizar trocas nutricionais com a planta, portanto poderá ser oriundo de materiais descartados pela indústria. A indústria madeireira e moveleira descarta madeira que poderia ser reciclada e aproveitada.

Pedaços de madeira ou cascas de árvores tem lignina, tanino e outros compostos que podem ser tóxicos para o cultivo de plantas, principalmente orquídeas.

É preciso colocar em água, trocando muitas vezes, por vários dias para lavar estes componentes. São materiais naturais e com o tempo irão se decompor por ação dos microorganismos do solo, virando composto orgânico. A utilização de argila expandida também tem sido feita com sucesso.

Para quem não conhece, são pequenas bolotas de argila cozida, muito usada para preenchimento de vasos para esconder a terra. Podem ser quebradas para melhor preenchimento do recipiente. Guardam alguma umidade e são ótimas para locais onde há problemas de baixa umidade do ar, como no centro do país. O uso de pedaços de coco reciclado tem ganho o mercado pela sua leveza e facilidade de encontrar.

Oriunda da indústria do coco seu descarte era até bem pouco tempo um problema ecológico.

É poroso e leve, mas armazena boa quantidade de água, nem sempre desejável. E é necessário deixar de molho em água, trocando todos os dias para diminuir a quantidade de compostos tóxicos, como taninos e outros elementos.

A vermiculita é um mineral micáceo vendido na forma expandida, não é solúvel em água, é leve e resistente a mofos, mas muito dispendiosa.

É muito usada em mistura com pó de coco, com ótimos resultados. O substrato mais fino em textura não é bom para as raízes das orquídeas, por sufocá-las, melhor usar materiais mais grosseiros de tamanho maior.

Para locais onde a indústria tem materiais descartáveis, como sisal, piaçava, tijolos quebrados, o uso deles pode ser barato e ajudaria também o meio ambiente, diminuindo os lixões urbanos.

Quando adquirimos aparelhos eletro-eletrônicos as embalagens de isopor acabam indo para o lixo. Se cortarmos este isopor em pedaços pequenos poderemos preencher fundos de vasos grandes para outras plantas mas também para o cultivo de orquídeas.

Onde cultivar suas orquídeas?

Estas plantas são oriundas de matas, sob árvores ou troncos é o seu lugar melhor.

Na falta destes, poderemos construir um espaço com bancadas de madeira ou bambu, poderemos pendurar em ripados feitos de madeira, ferro de construção e tela para sombreamento.

Um muro onde haja luz e sol pela manhã, na sacada do apartamento, dentro de casa junto a janelas com boa iluminação.

O lugar não é o problema nem precisa ser sofisticado.

Basta que tenha luz, água e nutrientes adequados à sua espécie e o seu carinho por elas. E florescerão, para sua alegria e orgulho.

Como envasar sua orquídea

Cultivo de Orquídeas

Retirada de muda de orquídea monopodial

Materiais necessários para cuidar de suas orquídeas

1. Tesoura de poda para cortar as raízes mortas. É uma tesoura com lâminas finas, não é o podão de jardim.
2.
Etiquetas de identificação, de PVC, adquiridas em lojas que vendem materiais para jardim ou agropecuárias.
3.
Estacas para sustentar sua muda, que poderá ser de arame ou bambu cortado.
4.
Cordão de algodão ou arame fino revestido de plástico, que podem ser adquiridos em lojas de embalagens.
5.
Isqueiro à gás. Parece estranho, mas com a chama você irá esterilizar as lâminas da tesoura, evitando contaminar uma planta com outra que poderá estar doente sem sintomas aparentes. Para grandes cultivos é usado um pequeno maçarico na bancada de trabalho. 6. Regador, aspersor

Como retirar uma muda e plantar a orquídea no vaso

Cultivo de Orquídeas
Verificando a sanidade da muda

1 - Lavar bem o vaso para retirar poeira. No caso de vasos de cerâmica queimada, encharcá-lo de água antes de colocar o substrato. Não usar vasos grandes para mudas pequenas, a proporção de substrato excessiva poderá reter mais umidade e propiciar surgimento de fungos.
2 -
Escolha uma muda bem saudável e retire-a com a tesoura conforme ilustração maior de topo da página
3 -
Verifique a existência de raízes secas ou doentes, e também insetos presos à planta
4 -
Separe os materiais necessários para o tranplante
5 -
No fundo do vaso colocar uma camada de brita, cacos de vasos ou isopor para garantir a drenagem das regas e da chuva. Se o vaso é de cerâmica, é costume o fabricante fazer grandes furos nas laterais. Cubra com cacos de vaso, irá impedir a entrada de lesmas e outros insetos que poderão atacar as raízes.
6 -
Coloque o substrato escolhido em pedaços e cubra com pedaços de coco que foram deixados de molho em água, conforme ensinamos
7 -
Colocar a planta delicadamente, fixando-a com pedaços de arame curvos.
8 -
Colocar um tutor preso firmemente no substrato, de arame ou bambu cortado. Amarre delicadamente a orquídea nele. Também servirá posteriormente para amarrar a haste floral.

Se optar por colocar em placas de coco ou madeira, será necessário amarrar a planta até que suas raízes se fixem no material.

Use cordão de algodão e não aperte demasiadamente, é só para que ela não caia da placa.

As plantas que foram colocadas em novo recipiente deverão receber atenção especial, de regas e sanidade.

Depois desta etapa são colocados os arames para pendurar a planta no ripado.

Não coloque junto com as outras plantas, estabeleça uma parte do seu ripado de cultivo para as mudas novas, irá facilitar sua vigilância.

Não esquecer de identificar sua planta, com seu nome latino e época de floração, principalmente se for muda oriunda de outra já identificada, quando então poderá colocar um número significando a quantidade de mudas já retiradas desta matriz.

Miriam Stumpf

Fonte: www.fazfacil.com.br

Cultivo de Orquídeas

Nutrição e fertilização de orquídeas

Estudo de caso – Cattleya walkeriana

1. Introdução

A produção e o cultivo de orquídeas, visando atender o mercado e a preservação destas espécies, requerem inúmeros cuidados, tais como irrigação, adubação, recultivo, controle de pragas e doenças, escolha do vaso e substrato, desinfestação de ferramentas, toalete, entre outras (Rosa et al., 2009).

Dentre estes fatores a adubação tem grande importância, visto a essencialidade dos nutrientes às plantas, e tem gerado grande preocupação entre os orquidófilos, visto que a fertilização das orquídeas tem sido feita de forma empírica pelos colecionadores e produtores, já que existem poucas informações a respeito da demanda nutricional destas plantas e que a maioria dos fertilizantes existentes no mercado não foi desenvolvida especificamente para as orquídeas.

Apesar das orquídeas serem conhecidas e cultivadas há tanto tempo, os estudos relacionados à nutrição e fertilização dessas são escassos, localizados e com poucas espécies, excluindo-se um grande número de outras espécies, o que acaba gerando limitada informação com base científica. Assim, as recomendações de adubação ficam a cargo da experiência dos orquidófilos e dos fabricantes de fertilizantes.

Portanto, o objetivo, com este trabalho, é apresentar conhecimentos básicos em nutrição e avanços em fertilização de orquídeas para que, assim, os orquidófilos aprimorem as técnicas de cultivo e fertilização de suas orquídeas e a capacidade de diagnosticar problemas nutricionais em suas plantas, facilitando o caminho entre o surgimento do problema e a sua resolução.

2. Nutrição

2.1. Conceitos básicos

Existem dois grupos de seres vivos em relação à obtenção de seu alimento, os heterotróficos e os autotróficos. Os seres vivos heterotróficos são aqueles que não conseguem produzir seu próprio alimento, como por exemplo, nós, que dependemos de uma fonte externa de energia para sobrevivermos, a qual adquirimos com os alimentos que ingerimos. Já as plantas, que são organismos autotróficos, conseguem produzir seu próprio alimento a partir de minerais, água, CO2 e luz (fotossíntese) (Taiz e Zaiger, 2009).

Cerca de 95 % da matéria seca de uma planta é constituída de carbono (C), oxigênio (O) e hidrogênio (H). O restante (5 %) é composto pelos chamados nutrientes minerais, também conhecido como elementos essenciais. Estes nutrientes estão divididos em dois grupos, aqueles que são exigidos em maiores quantidades, macronutrientes, e os que são exigidos em menores quantidades, micronutrientes.

Os macronutrientes são: nitrogênio (N), fósforo (P), potássio (K), cálcio (Ca), magnésio (Mg) e enxofre (S); e os micronutrientes: ferro (Fe), manganês (Mn), zinco (Zn), cobre (Cu), boro (B), molibdênio (Mo), cloro (Cl) e níquel (Ni).

Estes elementos são essenciais ao desenvolvimento da planta, ou seja, na ausência de qualquer um deles a planta não consegue sobreviver (Marschner, 1995). Os elementos C, O e H são fornecidos à plantas a partir da água e CO2, não havendo limitação desses nas condições normais de cultivo (Taiz e Zaiger, 2009).

A limitação de qualquer nutriente resultará em crescimento e desenvolvimento mais lento, em plantas mais susceptíveis a doenças e pragas e, em casos mais severos de limitação nutricional, no surgimento de sintomas visuais de deficiência (Marschner, 1995).

2.2. Funções dos nutrientes na planta

Como se viu anteriormente existe nutrientes minerais que são essenciais à manutenção da vida das plantas, agora será descrito o papel destes nutrientes.

Pode-se comparar a sua atuação com a construção de uma casa, qualquer construção tem componentes fixos, como paredes e pisos, que não podem ser transferidos de um lugar para outro, também existem componentes móveis, como lâmpadas, as quais poderão ser transferidas de um cômodo para outro caso seja necessário, e ainda podemos citar outros componentes, como: interruptores, torneiras, tubulação, a partir dos quais será permitida a passagem de energia elétrica, ou água (Rosa et al., 2009).

Comparando uma construção com uma planta, percebe-se que a mesma tem elementos estruturais os quais dão sustentação a planta e seriam equivalentes aos tijolos e cimento das paredes e pisos, elementos envolvidos em reações ou energia, seriam equivalentes a energia elétrica, e outro grupo de elementos seriam aqueles envolvidos nos processos de ativação, seriam semelhantes a um interruptor ou torneira, ou seja, é através deles que a corrente elétrica ou a água passam (Rosa et al., 2009).

Principais funções dos nutrientes minerais em plantas:

Nitrogênio (N) – Constituinte de aminoácidos, proteínas e, portanto, de enzimas; é constituinte, também, de ácidos nucléicos, ATP, alcalóides, clorofila, bem como de componentes estruturais da parede celular. Sua deficiência tem como maior problema a limitação na síntese de proteínas e, como conseqüência, a falta de enzimas com forte efeito negativo sobre o crescimento e desenvolvimento da planta. Sua deficiência causa clorose ou amarelecimento foliar, em razão da menor síntese de clorofila.
Fósforo (P) –
Envolvido na transferência de energia pela formação de compostos, como ATP, ricos em energia, e como componente de membranas celulares e ácidos nucléicos. É o elemento mais envolvido no processo de estocagem e consumo de energia na planta. Ativador de enzimas-chave no metabolismo.
Potássio (K) –
Sua função principal é o controle do balanço hídrico da planta, ou seja, é responsável pelo turgor da planta por meio do controle da abertura estomática. Essencial à síntese de proteínas e carboidratos. Ativador de numerosas enzimas. Cálcio (Ca) – Maior constituinte da parede celular, sendo, portanto, essencial à formação de novas células (divisão celular) e à estabilidade de membranas celulares.Ativador de enzimas.
Magnésio (Mg) –
Componente da clorofila. Requerido para a síntese de proteínas e ativador de enzimas.
Enxofre (S) –
É constituinte dos aminoácidos cisteína e metionina, o que torna a síntese de proteínas limitada pela deficiência deste nutriente.
Ferro (Fe) – Componente de reações relacionadas a ganho (fotossíntese) e perda (respiração) de energia, dada sua função na transferência de elétrons (e-), por meio dos estados de oxidação reversíveis:
Fe3+ + e- ? Fe2+ (constituinte da cadeia de transporte de elétrons).
Manganês (Mn) –
Possui propriedades similares às do magnésio em alguns sistemas enzimáticos. Envolvido na regulação da concentração de auxina na planta por meio da enzima auxina-oxidase. Requerido na fotossíntese para a divisão da molécula d’água pela luz.
Cobre (Cu) –
À semelhança do ferro, participa de reações relacionadas à cadeia de transporte de elétrons (Cu2+ + e- ? Cu+). Ativador de diversas enzimas.
Zinco (Zn) –
Envolvido na síntese de auxina e, portanto, no alongamento celular: alongamento de entrenós, folha, etc. Constituinte de muitas enzimas.
Boro (B) –
Constituinte de membranas e parede celular, sendo, portanto, essencial à divisão e ao crescimento celular.
Molibdênio (Mo) –
Constituinte de duas enzimas essenciais ao metabolismo do nitrogênio na planta: a nitrato redutase, responsável pela redução do nitrato absorvido e a conseqüente utilização deste nutriente na síntese de proteína; e a nitrogenase, envolvida na fixação biológica do nitrogênio atmosférico. Portanto, é um elemento envolvido em transporte de elétrons (MoVI+ + e- ? MoV+). A deficiência deste nutriente na planta causa sintoma semelhante ao provocado pela deficiência de nitrogênio.
Cloro (Cl) –
Envolvido na divisão da molécula da água com evolução de O2 no processo fotossintético. Apesar de sua essencialidade à planta, teoricamente comprovada em ambiente controlado, sua deficiência não tem sido detectada em ambientes não-controlados.
Níquel (Ni) –
Constituinte enzimática da urease. A urease é essencial à utilização da uréia como fonte de N pelas plantas. Sem a urease, a aplicação de uréia causa grande acúmulo deste composto na planta, levando à necrose intensa nas pontas das folhas. Assim, a toxidez provocada pela uréia pode ocorrer em plantas com baixa concentração de Ni. A concentração ótima (ideal) de Ni em plantas, de modo geral, está na faixa de 1 a 10 mg/kg de matéria seca. Não há informações sobre sua concentração ideal em orquídeas.

Essas e outras funções dos nutrientes minerais foram citadas por Taiz e Zaiger (2009) e Marschner (1995).

2.3. Sintomas visuais de deficiência nutricional

A deficiência de qualquer um dos nutrientes irá limitar o crescimento e desenvolvimento da planta e, dependendo da intensidade com a qual essa deficiência esteja ocorrendo, será possível observar sintomas evidentes dessa deficiência. Também pode ocorrer uma deficiência silenciosa, na qual a planta não manifesta claramente os sintomas de deficiência nutricional, sendo a redução no crescimento da planta o sintoma visual mais proeminente dessa deficiência.

Esses sintomas são divididos em dois grupos: sintomas de deficiência relativos aos nutrientes móveis e sintomas relativos aos nutrientes imóveis, ou seja, existe diferença no comportamento dos nutrientes dentro da planta. Como já se sabe existem elementos estruturais, os quais, não poderão ser retirados de uma determinada parte da planta para satisfazer as necessidades de outra, são os chamados nutrientes imóveis e o sintoma de sua deficiência se dá em regiões novas como brotos e raízes em formação, por outro lado existem elementos móveis que podem ser retirados de uma determinada parte da planta para satisfazer outra, assim, sob condições de deficiência desses nutrientes, a planta transfere o nutriente de um órgão mais velho e menos ativo, para um órgão novo e mais ativo que necessita do nutriente, aparecendo, então, os sintomas nas partes mais velhas (Marschner, 1995). Com isso podemos construir uma chave de identificação de sintomas visuais de deficiência nutricional.

3. Fertilização

3.1. Por que adubar?

Acreditou-se durante muito tempo que a adubação de orquídeas seria uma prática dispensável, porém percebeu-se que a adubação produzia efeitos significativos no cultivo de orquídeas, produzindo plantas maiores, florescendo com menos tempo e sem sintomas de deficiência nutricional.

A natureza também aduba suas orquídeas utilizando as fontes que tem: material em decomposição, água da chuva, poeira, excrementos de animais, bactérias, algas e liquens. Entretanto, vale ressaltar que existem grandes diferenças entre as adubações feitas pelo homem e aquelas feitas pela natureza, o homem tem pressa querendo ver respostas o mais rápido possível, já a natureza se importa apenas com a resposta não considerando o tempo, com isso não é raro a ocorrência de problemas com a aplicação em excesso de fertilizantes, levando em muitos casos à morte da planta.

Nutrientes móveis (sintomas ocorrem em folhas mais velhas)

N: Amarelecimento uniforme de folhas mais velhas (traseiras), com posterior perda destas folhas, permanecendo apenas o pseudobulbo no caso daqueles gêneros que o possuem. Redução do crescimento.
P:
Crescimento reduzido; plantas com folhas com um verde muito escuro e, ou, avermelhadas (manchas avermelhadas pelo acúmulo de antocianina – pigmento avermelhado).
K:
Amarelecimento e necrose (morte de tecido) de folhas mais velhas; plantas mais suscetíveis a pragas e doenças.
Mg:
Folhas velhas com clorose internerval. Pontas das folhas cloróticas esbranquiçadas, dobradas (enroladas) para dentro.

Nutrientes imóveis (sintomas ocorrem em folhas mais novas e brotações)

Ca: Morte de brotações e raízes novas. Crescimento restrito de raízes.
S:
Amarelecimento uniforme, mais intenso nas folhas mais novas.
B:
Morte de brotações e de raízes. Engrossamento de folhas novas e de pontas de raízes. Nas flores, pétalas, sépalas e labelo não se formam completamente, deformando-se.
Mn e Fe:
Folhas novas com clorose e possível necrose internerval. No caso de deficiência de Fe, a clorose tende a ser mais clara, esbranquiçada. Dada a semelhança do sintoma desses dois nutrientes, a separação entre eles deve ser feita determinando-se suas concentrações foliares para verificar qual deles ou os dois é, ou são, limitante(s).
Cu:
Folhas novas deformadas, retorcidas.
Zn:
Folhas novas anormalmente pequenas, lançamentos ou entrenós curtos. Limitado crescimento de tecidos mais novos. Brotação intensa de gemas, com morte subseqüente das brotações.

3.2. Quanto e o que adubar?

Na maioria das vezes fazemos essa pergunta na seqüência invertida (o que e quanto adubar?), mas é necessário conhecer-se primeiro o quanto deve ser aplicado de cada nutriente, para que, então, sejam escolhidos os produtos que serão utilizados como fonte dos nutrientes e, posteriormente, definirmos a dose do produto a ser utilizado.

Para conhecer a quantidade necessária de cada nutriente a ser aplicada é preciso saber o quanto as orquídeas necessitam desses, esta quantidade é denominada de demanda nutricional. Essa demanda pode ser calculada a partir dos teores dos nutrientes nos tecidos das orquídeas e da produção de matéria seca (MS) dessas plantas.

Deste modo, para calcular a demanda de cada nutriente basta multiplicar o teor do nutriente pela produção de matéria seca esperada, como indica a equação a seguir:

Dj = TNj × MS

Equação 1 em que, Dj é a demanda nutricional do nutriente “j” (mg/ano ou mg/pseudobulbo do nutriente “j”); TNj é o teor do nutriente “j” nos tecidos da orquídea (g/kg do nutriente “j” na MS); e MS é a produção de matéria seca esperada (g/ano ou g/pseudobulbo de MS). Na obtenção desses valores devem-se utilizar plantas saudáveis, vigorosas e sem sintomas de deficiência nutricional.

Em trabalhos realizados pelos pesquisadores do NPCO-UFV (Núcleo de Pesquisa e Conservação de Orquídeas da Univ. Federal de Viçosa), em parceria com a ACW (Ass. da Cattleya Walkeriana), foram determinados os teores nutricionais e produção de MS por fitômero (composto por um pseudobulbo e suas folhas, raízes e rizoma – Figura 1) e estimadas a demanda nutricional de plantas adultas de Cattleya walkeriana.

Cultivo de Orquídeas
Figura 1. Esquema representativo de um fitômero de C. walkeriana. Neste esquema foi desconsiderada a inflorescência associada ao fitômero

Outros trabalhos, desse mesmo grupo de pesquisa, utilizando outras espécies e híbridos de orquídeas do grupo das catléias, demonstram que existe uma semelhança entre a demanda nutricional dessas plantas com a da C. walkeriana (dados não apresentados).

Considerando que 100 % dos nutrientes dos fertilizantes fossem absorvidos pelas orquídeas, o fertilizante ideal deveria ter a relação entre os nutrientes igual à relação entre o conteúdo dos nutrientes na orquídea. No entanto, as taxas de recuperação pelas orquídeas de cada nutriente não são de 100 % e são diferenciadas entre cada nutriente. Portanto, a quantidade a ser aplicada de cada nutriente deve ser maior que aquela exigida pela orquídea para suprir de forma adequada essa exigência. Por exemplo, se a demanda anual por N e P forem de 25 e 5,0 mg/ano, respectivamente, e as taxas de recuperação de N e P pelas orquídeas forem de 50 e 80 %, respectivamente, as quantidades adequadas para suprir essas demandas seriam de 50 e 6,25 mg/ano de N e P, respectivamente.

Desconsiderando as taxas de recuperação dos nutrientes pelas orquídeas, a escolha do fertilizante pode ser feita comparando a relação entre os nutrientes no fertilizante e a relação entre o conteúdo dos nutrientes na orquídea.

Uma forma mais prática de visualizar essa comparação é estabelecendo a quantidade semanal que seria gasta do fertilizante (ou da solução contendo o fertilizante) para suprir a demanda isolada de cada nutriente, para isso pode ser utilizada a seguinte equação:

Vj = Dj × 100 / (TNAj × CFS × NSA)

Equação 2 em que, Vj é o volume de solução de fertirrigação que deverá ser aplicado considerando apenas a demanda do nutriente “j” (mL/semana da solução de fertirrigação); Dj é a demanda nutricional do nutriente “j” (mg/ano do nutriente “j”); TNAj é o teor do nutriente “j” no adubo (% do nutriente “j” no adubo); CFS é a concentração do fertilizante na solução de fertirrigação (g/L do fertilizante); e NSA é o número de semanas em um ano (52,14 semanas/ano).

Para mostrar a importância dessa análise na escolha do fertilizante, determinou-se o volume da solução de fertirrigação que deveria ser aplicado por planta, considerando a demanda isolada de cada nutriente, para três diferentes fertilizantes para orquídeas disponíveis no mercado.

Volumes semanais de soluções de fertirrigação, preparadas com três diferentes fertilizantes para orquídeas, necessários para suprir a demanda anual de Cattleya walkeriana por um determinado nutriente

A variação do volume de solução de fertirrigação necessário para suprir a demanda de Cattleya walkeriana por cada um dos nutrientes é muito grande para as duas formulações do fertilizante Peters®, variando de 0,4 a 34,5 mL/semana para Mo e B, respectivamente, enquanto que, para a solução de fertirrigação contendo 2 g/L de B&G Orchidées®, essa variação foi muito menor (0,6 a 5,8 mL/semana para Mo e B, respectivamente).

Sendo assim, se for aplicado 34,5 mL/semana da solução de Peters 20-20-20 ou 10-30-20 (2 g/L) será desperdiçado a quantidade de Mo presente em 34,1 mL da solução, já que a orquídea necessitaria apenas de 0,4 mL, caso o contrário acontecesse, se fosse aplicado apenas 0,4 mL da solução, a orquídea não seria suprida adequadamente de B. Outro aspecto importante, é que essa duas formulações do fertilizante Peters® não possuem Ca, sendo, então, necessária a combinação desses ferlilizantes com outras fórmulas do Peters, ou com outros fertilizantes que contenham Ca, como o nitrato de cálcio [Ca(NO3)2], a farinha de osso e outros fertilizantes de origem orgânica que contenha cinzas e farinha de osso.

O fertilizante B&G Orchidées® foi desenvolvido especificamente para orquídeas e durante seu desenvolvimento foram consideradas as exigências nutricionais médias de orquídeas de diversos gêneros e espécies e as taxas de recuperação de cada nutriente pelas plantas, por isso ele apresenta uma discrepância entre os valores do volume de solução de fertirrigação, necessário para suprir a demanda de Cattleya walkeriana por cada um dos nutrientes, muito menores que nas formulações do Peters®.

Considerando os teores e a produção de matéria seca anual de diversas espécies de orquídeas comumente encontradas nos orquidários dos colecionadores brasileiros, recomenda-se a aplicação de 10 g do fertilizante B&G Orchidées® por semana para cada 100 plantas. Uma forma de realizar essa aplicação é preparar uma solução contendo 4 g desse fertilizante em 1 L de água e aplicar 25 ml dessa solução em cada vaso. Segundo essa recomendação, a quantidade necessária desse fertilizante para o cultivo de 100 plantas durante um ano seria de, aproximadamente, 525 g.

Outra opção para a fertilização das orquídeas é utilizar uma combinação de fontes simples de fertilizantes para suprir a demanda nutricional das orquídeas. Para que isso seja feito o orquidófilo deverá procurar a ajuda de um engenheiro agrônomo ou florestal para auxiliá-lo a combinar as fontes simples de fertilizantes, de modo que a proporção entre esses fertilizantes gerem uma proporção de nutrientes compatível com a exigida pelas orquídeas.

André Ferreira Santos

4. Literatura Citada

LANGE, A. & MOREIRA, F.M.S. Detecção de Azospirillum amazonense em raízes e rizosfera de Orchidaceae e de outras famílias vegetais. R. Bras. Ci. Solo, 26:529-533, 2002. MARSCHNER H. Mineral nutrition of higher plants. 2.ed. London, Academic Press, 1995. 889p.
ROSA, G.N.G.P.; NOVAIS, R.F.; SANTOS, A.F.; LOCATELLI, M.V. et al. Cultivo de orquídeas. 5.ed. Viçosa, 2009. 35p.
TAIZ, L. & ZEIGER, E. Fisiologia vegetal. 4.ed. Porto Alegre, Artmed, 2009. 820p.

Fonte: Universidade Federal de Viçosa

Cultivo de Orquídeas

Aspecto Fitossanitário no Cultivo das Orquidáceas — Uma Prática Necessária!

Aspectos Fitossanitários

Práticas de cultivos não podem ser generalizadas a todas as orquídeas, uma vez que são imensas as variabilidades existentes.

Não há nada a estranhar em que uma tão vasta família como o das orquídeas, tenha também numerosos inimigos. Devemos, entretanto, salientar que plantas sadias, limpas, bem tratadas e conservadas em ambiente adequado, são pouco atacadas por pragas e doenças; inimigos naturais das plantas em geral.

De uma maneira geral, as características no sistema de cultivo, tais como a localização do orquidário, o controle das mudanças bruscas de temperatura, das chuvas intensas e a eliminação de abrigo dos inimigos naturais (as matas), favorecem o aparecimentos de altas populações dessas pragas ou doenças. Portanto, promover condições adequadas, limpezas constantes e outras manutenções diárias são essenciais para a redução das pragas e doenças no local de cultivo.

Habitat

As orquídeas em seu habitat natural estão sujeitas às inúmeras pragas e doenças tal como acontecem em nossos orquidários. Entre tantas outras definições, podemos entender que habitat é um laboratório natural, vivo, equilibrado e em constantes transformações.

Todas as Orquídeas são autótrofas, ou seja, se caracterizam de acordo com o ambiente de origem.

Nos diversos habitats encontrados e analisados, notamos nas touceiras de orquídeas a presença de grandes quantidades de materiais orgânicos (*) em diversos estágios de decomposição e umedecidos pela água pura oriunda da umidade atmosférica local, pela serração, névoa, sereno ou chuva ocasional. Também foram encontradas exemplares de Epidendrum nocturnum Jacquin, Cattleya bicolor Lindley, Sophronítis cernua Lindley, além de muitas outras espécies contendo em suas folhas alguns sinais de ataques de possíveis insetos, nenhum sinal visível de doenças. Todas as plantas observadas encontravam-se vegetando com vigor exuberante, exibindo sinais de várias hastes florais, além disso, em muitas plantas as suas folhas estavam sujas de algas e liquens. Nota-se então que as plantas na natureza, mesmo com algumas partes atacadas por pragas, convivem numa harmonia perfeita, criando resistência e imunidade suficiente para a sua sobrevivência, decorar as matas com sua bela floração e principalmente atrair seu agente polinizador para a perpetuação da espécie.

Portanto, nesse estudo observamos que:

1 - Materiais orgânicos encontrados nos rizomas em meios às touceiras observadas: Folhas e gravetos em diversos estágios de decomposição, areias acumuladas e trazidas pelos ventos, pequenos insetos mortos, fezes de aves e pequenos animais e em alguns casos, ninhos de aves formando assim no entorno de suas raízes “farelados” em decomposição que podemos chamar de húmus.

2 - Podemos concluir então que todo esse processo de decomposição, mais as algas e os liquens, aliadas as condições ideais em que as plantas crescem, são na verdade, os nutrientes que a própria planta se encarrega de assimilar como também o próprio antídoto para tolerar ou afastar os males causados por excesso de pragas e doenças, tudo isso forma um equilíbrio perfeito entre patógenos e seus predadores.

Isso é a natureza em todo seu esplendor!

Orquidário doméstico

Existem de vários tamanhos e com cobertura dos mais variados tipos de materiais destinados a essa finalidade. Possuindo também em seu interior diversos gêneros e espécies de orquídeas procedentes dos mais variados lugares, como também exigindo em sua cultura cuidados diversos no que diz respeito às necessidades de iluminação, temperatura, umidade, ventilação, adubação e outros cuidados, muitas vezes inerentes às espécies.

A intenção não é definir tamanho padrão, metodologia complicada ou algum tipo de procedimento que não seja o de ter plantas bonitas, sadias, exibindo bela floração com mínimo de pragas ou doenças possíveis.

Se em seu habitat natural, as orquídeas estão sujeitas a todas as condições de intempéries possíveis e mesmo assim demonstrando exuberância e vigor em seu crescimento. Isto é fato, pois o mesmo não acontece na maioria dos orquidários domésticos devido justamente a essa diversidade e exigência das espécies cultivadas e muitas vezes sendo manipuladas de forma contrária às suas necessidades básicas. Podemos dizer então que o orquidário doméstico é um local artificial onde tentamos reproduzir condições adequadas para o cultivo de orquidáceas.

A grande diversidade de gêneros e espécies com necessidades diferentes entre si dentro de um mesmo local, e não dando a devida atenção e cuidado no cultivo, favorece o enfraquecimento das plantas e ao mesmo tempo propiciam condições ideais para proliferação de pragas e surgimentos de vários tipos de doenças.

Outro fator relevante é no tocante a localização do orquidário. Quando falamos em orquidário, muitos orquidófilos podem levar suas atenções unicamente para o interior do mesmo. Sem dúvida o dimensionamento, a forma da estrutura e como são dispostos vasos, plantas e outros elementos em seu interior irão refletir diretamente sobre o desenvolvimento das plantas e a ocorrência de pragas e doenças; porém, fora dessa estrutura de abrigo das plantas, a escolha do local e a instalação do mesmo também refletem essencialmente no sucesso ou “fracasso” (dificuldade) levando a ocorrência ou não de pragas e doenças (pequenas ou grandes proporções) nas plantas.

Citemos a presença de vários cítricos em geral, cajueiro, caquizeiro, jabuticabeira e outras culturas.

São plantas que normalmente abrigam diversas pragas em suas folhas podendo infestar todo o interior do orquidário, se este estiver instalado próximo a essas plantas.

Finalizando, as pragas em geral necessitam para o seu desenvolvimento condições ambientais muito parecidas ao que as plantas necessitam. Portanto, ambientes com temperaturas entre 25 e 35 graus centígrados e média-alta umidade relativa do ar que seriam ideais às plantas, também favorecem a maioria das pragas e doenças das orquídeas.

Pragas e Doenças — Prevenir é melhor que remediar...

“Pode-se afirmar com segurança, que não há coleção no Brasil que não apresente um número (maior ou menor, dependendo dos cuidados fitossanitários adotados) de plantas atacadas por doenças.

Portanto, já que não é factível erradicar as doenças do orquidário, essencial se torna saber mantê-las sob controle, de modo a não afetar de forma significativa a produtividade e beleza das plantas”.

Aqui o velho ditado se aplica à perfeição: "Prevenir é melhor que remediar" (Roland Brooks Cooke OrquidaRio).

Acianthera saundersiana (Rchb. F.) Pridgeon & M. W. Chase 2001, ex. Pleurothallis saundersiana Rchb. f. 1825. Habitat em Mata Ciliar de beira de Estrada de terra – Sul de Minas Gerais. Nota-se o acúmulo de grandes quantidades de poeiras em suas folhas e rizomas.

Sugerimos, portanto, reflexões e mudanças nos hábitos e procedimentos aos tratos culturais que são dados às orquídeas com o propósito de ter plantas bonitas, sadias e fitossanitariamente bem cultivadas, produzindo exuberância no vigor, na floração e consequentemente formação de belas touceiras.

Vários são os procedimentos existentes, que se aplicados corretamente tornar-se-ão em ótimos benefícios às plantas e consequentemente economia e gratificação aos orquidófilos, principalmente aos iniciantes.

Descrevemos abaixo vários desses procedimentos que julgo ser de grande importância neste primeiro passo:

A- Lembre-se, cada orquidário tem em seu interior característica própria quanto à iluminação, temperatura, umidade e ventilação.
B-
Fazer limpeza periódica e criteriosa no orquidário, eliminando ervas daninhas, folhas mortas, entulhos diversos, vasos usados e substratos velhos, etc.
C-
Adequar o orquidario as necessidades das plantas que se quer cultivar, não o contrário.
D-
Conhecer as necessidades da espécie é fundamental, isso facilitará escolher o local onde a planta ficará no orquidário e também ajudará na forma de plantio e o cuidado básico necessário.
E-
Ao adquirir suas orquídeas escolha sempre plantas saudáveis e de fornecedores confiáveis.
F-
Identificação correta das plantas é fator importantíssimo, pois ajudará buscar informações de como cultivar a espécie e suas necessidades.
G-
Em caso de dúvida, manter em quarentena a planta recém adquirida, ganhada ou com sinais duvidosos de pragas e doenças.
H-
Não reutilizar vasos usados e sem a devida esterilização.
I-
Jamais reutilize substratos velhos ou do próprio vaso de replante.
J-
Usar substratos novos e adequados às espécies.
K-
Evite os excessos nas adubações, inclusive os de formulações milagrosas.
L-
Usar luvas descartáveis durante o manuseio das plantas e em todos os procedimentos.
M-
Esterilizar todos os instrumentos de corte no ato de sua utilização, como também para guardá-los.
N-
Nunca utilize a mesma ferramenta para cortar duas plantas, sem antes efetuar uma esterilização adequada.
O-
Isolar a planta doente cuidando-a isoladamente ou dependendo do caso, incinerá-la.

Considerações Finais

A matéria em questão não é propriamente sobre as pragas e doenças (mas tem relação entre si) e sim como evitá-las no mínimo possível, baseando-se no conceito do cultivo ecologicamente correto, na mudança de hábito e no cuidado ao manusear as plantas.

No cultivo das orquídeas muita coisa pode ser feita em relação às condições preventivas e sanitárias do ambiente, visto que na maioria das situações esse cultivo é conduzido em ambientes fechados ou semi-fechados onde é possível controlar a umidade relativa do ar e a luminosidade. Porém é necessário conhecer as condições ao desenvolvimento das espécies de pragas e patógenos que atacam as orquídeas, assim como as condições favoráveis dessas plantas. Também é necessário encontrar o ponto de equilíbrio entre esses fatores onde as plantas sejam mais favorecidas e as pragas e patógenos desfavorecidas.

Destruição dos restos culturais, manejo de plantas invasoras (ervas daninhas, samambaias e folhagens diversas), adubação ou fertilização moderada, irrigação e manejo do ambiente são algumas das ações que os orquidófilos em geral devem promover em seu orquidário com o objetivo de ter plantas saudáveis com mínimo de pragas ou doenças.

Aos iniciantes em especial: O cultivo das orquídeas não é difícil, mas especializado. Com tempo, interesse, persistência, observação e muito estudo o cultivador vai descobrindo os pequenos segredos e as exigências gerais de cada gênero suas espécies.

Referências Bibliográficas

Cardoso, J. C. – Pragas das Orquídeas, Identificação, controle e manejo, FSN de Tecnologia e Faculdade de Ciências Agrônomos, UNESP – Pompéia, SP. Bless Ed., 2005, 140p.: il.
Bergmann, E. C. & Vaz Alexandre, M. A – Aspectos Fitossanitários das Orquídeas, Boletim Técnico, Instituto Biológico, N.11, São Paulo, 1995, P.5-51.
Klein, E. H. S. – Levantamento e Desenvolvimento de Kit Diagnóstico de Patógenos e Propagação In Vitro de Orquídeas no Estado do Rio de Janeiro, Dissertação de Pós-graduação em Fitossanidade e Biotecnologia, UFRRJ, 2008, 72F.:il.
Takane, R. J., Faria, R. T. e Altafin, V. L. – Cultivo de Orquídeas, LK Editora e Comunicação, 2006, 132p., il., 21 cm.
Cooke, R. B. – Doenças das Orquídeas – Parte II, Fungos e Bactérias, disponível em: http://www.orquidario.org/palestras/palestra001.htm, acesso em 03/03/2010.

Fonte: www.aorquidea.com.br

Cultivo de Orquídeas

Produção de mudas de Orquídeas

Cultivo de Orquídeas
Orquídea

Cultivo de Orquídeas
Orquídea

Introdução

Maior família de todo reino vegetal (7%)
25 mil espécies catalogadas
Mais de 100 mil catalogadas incluindo os híbridos
Encontrada no mundo inteiro
Uso na alimentação (baunilha)

Principal: Utilizada na ornamentação

Características das flores

3 pétalas (1 labelo)
3 sépalas
1 coluna (órgão reprodutor feminino e masculino)
1 ovário

Tipos de crescimento

Monopodial
Simpodial

Classificação conforme o habitat

Epífitas - maior grupo (não são parasitas)
Terrestres (Arundina bambusifolia)
Rupículas (L.flava)

Luminosidade

Bastante luminosidade (claridade)
Não pode sol direto (maioria)

Sintomas :

Folha amarelada = excesso
Folha verde escuro =
falta

Água

Regar somente quando o substrato estiver seco
Regar de manhã ou à tarde (preferencialmente de manhã)
Não utilizar prato

Material - Vaso

Tipos (xaxim, plástico, cerâmica e cachepô)
Dimensões (profundidade e largura)
Furos (drenagem)

Material - Substrato

Xaxim (fibra, pó, placa e palito)
Casca de Pinus
Fibra de coco
Terra
Casca de peroba
Pedra britada
Esfagno

Propagação

Vegetativa por divisão de touceiras (assexuada).
Por sementes (Sexuada).
Vegetativa por meristema.

Divisão de touceira

Pouco utilizada comercialmente

Por Semente

Muito utilizada para espécies
Melhoramento genético
Autopolinização, cruzamento entre mesma espécie, espécies diferentes e gêneros diferentes.

Quadro de amadurecimento da cápsula de sementes

Gênero

Meses

Bulbophylum 3
Calanthe 4
Cattleya 11
Coelogynes 13
Cymbidium 10
Cypripedum 3,5
Dendrobium 12
Epidendrum 3,5
Laelia 9
Masdevalia 3,5
Miltônia 9
Odontoglossum 7
Paphiopedilum 10
Phalaenopsis 6
Stanhopea 7
Wanda 20

Sementes

Muito pequenas
Fungos micorrízicos
Germinação em laboratório

Por Meristema

Feito em híbridos
Espécies de alta qualidade
Processo com custo maior
Cuidados com a planta (número de frentes)

In-vitro

Meio de cultura nutritivo
Condições assépticas
Temperatura adequada
Fotoperiodo 16h

Paulo Hercilio Viegas Rodrigues

Fonte: web.cena.usp.br

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