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Cultivo de Orquídeas

Cultivo de Orquídeas
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Octomeria palmyrabellae Barb. Rodr. (1937)

Aspecto Fitossanitário no Cultivo das Orquidáceas — Uma Prática Necessária!

Aspectos Fitossanitários

Práticas de cultivos não podem ser generalizadas a todas as orquídeas, uma vez que são imensas as variabilidades existentes.

Não há nada a estranhar em que uma tão vasta família como o das orquídeas, tenha também numerosos inimigos. Devemos, entretanto, salientar que plantas sadias, limpas, bem tratadas e conservadas em ambiente adequado, são pouco atacadas por pragas e doenças; inimigos naturais das plantas em geral.

De uma maneira geral, as características no sistema de cultivo, tais como a localização do orquidário, o controle das mudanças bruscas de temperatura, das chuvas intensas e a eliminação de abrigo dos inimigos naturais (as matas), favorecem o aparecimentos de altas populações dessas pragas ou doenças. Portanto, promover condições adequadas, limpezas constantes e outras manutenções diárias são essenciais para a redução das pragas e doenças no local de cultivo.

Habitat

As orquídeas em seu habitat natural estão sujeitas às inúmeras pragas e doenças tal como acontecem em nossos orquidários. Entre tantas outras definições, podemos entender que habitat é um laboratório natural, vivo, equilibrado e em constantes transformações.

Todas as Orquídeas são autótrofas, ou seja, se caracterizam de acordo com o ambiente de origem.

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Nos diversos habitats encontrados e analisados, notamos nas touceiras de orquídeas a presença de grandes quantidades de materiais orgânicos (*) em diversos estágios de decomposição e umedecidos pela água pura oriunda da umidade atmosférica local, pela serração, névoa, sereno ou chuva ocasional. Também foram encontradas exemplares de Epidendrum nocturnum Jacquin, Cattleya bicolor Lindley, Sophronítis cernua Lindley, além de muitas outras espécies contendo em suas folhas alguns sinais de ataques de possíveis insetos, nenhum sinal visível de doenças. Todas as plantas observadas encontravam-se vegetando com vigor exuberante, exibindo sinais de várias hastes florais, além disso, em muitas plantas as suas folhas estavam sujas de algas e liquens. Nota-se então que as plantas na natureza, mesmo com algumas partes atacadas por pragas, convivem numa harmonia perfeita, criando resistência e imunidade suficiente para a sua sobrevivência, decorar as matas com sua bela floração e principalmente atrair seu agente polinizador para a perpetuação da espécie.

Portanto, nesse estudo observamos que:

1 - Materiais orgânicos encontrados nos rizomas em meios às touceiras observadas:

Folhas e gravetos em diversos estágios de decomposição, areias acumuladas e trazidas pelos ventos, pequenos insetos mortos, fezes de aves e pequenos animais e em alguns casos, ninhos de aves formando assim no entorno de suas raízes “farelados” em decomposição que podemos chamar de húmus.

2 - Podemos concluir então que todo esse processo de decomposição, mais as algas e os liquens, aliadas as condições ideais em que as plantas crescem, são na verdade, os nutrientes que a própria planta se encarrega de assimilar como também o próprio antídoto para tolerar ou afastar os males causados por excesso de pragas e doenças, tudo isso forma um equilíbrio perfeito entre patógenos e seus predadores.

Isso é a natureza em todo seu esplendor!

Orquidário doméstico

Existem de vários tamanhos e com cobertura dos mais variados tipos de materiais destinados a essa finalidade. Possuindo também em seu interior diversos gêneros e espécies de orquídeas procedentes dos mais variados lugares, como também exigindo em sua cultura cuidados diversos no que diz respeito às necessidades de iluminação, temperatura, umidade, ventilação, adubação e outros cuidados, muitas vezes inerentes às espécies.

A intenção não é definir tamanho padrão, metodologia complicada ou algum tipo de procedimento que não seja o de ter plantas bonitas, sadias, exibindo bela floração com mínimo de pragas ou doenças possíveis.

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Se em seu habitat natural, as orquídeas estão sujeitas a todas as condições de intempéries possíveis e mesmo assim demonstrando exuberância e vigor em seu crescimento. Isto é fato, pois o mesmo não acontece na maioria dos orquidários domésticos devido justamente a essa diversidade e exigência das espécies cultivadas e muitas vezes sendo manipuladas de forma contrária às suas necessidades básicas. Podemos dizer então que o orquidário doméstico é um local artificial onde tentamos reproduzir condições adequadas para o cultivo de orquidáceas.

A grande diversidade de gêneros e espécies com necessidades diferentes entre si dentro de um mesmo local, e não dando a devida atenção e cuidado no cultivo, favorece o enfraquecimento das plantas e ao mesmo tempo propiciam condições ideais para proliferação de pragas e surgimentos de vários tipos de doenças.

Outro fator relevante é no tocante a localização do orquidário. Quando falamos em orquidário, muitos orquidófilos podem levar suas atenções unicamente para o interior do mesmo. Sem dúvida o dimensionamento, a forma da estrutura e como são dispostos vasos, plantas e outros elementos em seu interior irão refletir diretamente sobre o desenvolvimento das plantas e a ocorrência de pragas e doenças; porém, fora dessa estrutura de abrigo das plantas, a escolha do local e a instalação do mesmo também refletem essencialmente no sucesso ou “fracasso” (dificuldade) levando a ocorrência ou não de pragas e doenças (pequenas ou grandes proporções) nas plantas.

Citemos a presença de vários cítricos em geral, cajueiro, caquizeiro, jabuticabeira e outras culturas.

São plantas que normalmente abrigam diversas pragas em suas folhas podendo infestar todo o interior do orquidário, se este estiver instalado próximo a essas plantas.

Finalizando, as pragas em geral necessitam para o seu desenvolvimento condições ambientais muito parecidas ao que as plantas necessitam. Portanto, ambientes com temperaturas entre 25 e 35 graus centígrados e média-alta umidade relativa do ar que seriam ideais às plantas, também favorecem a maioria das pragas e doenças das orquídeas.

Pragas e Doenças — Prevenir é melhor que remediar...

“Pode-se afirmar com segurança, que não há coleção no Brasil que não apresente um número (maior ou menor, dependendo dos cuidados fitossanitários adotados) de plantas atacadas por doenças.

Portanto, já que não é factível erradicar as doenças do orquidário, essencial se torna saber mantê-las sob controle, de modo a não afetar de forma significativa a produtividade e beleza das plantas”.

Aqui o velho ditado se aplica à perfeição: "Prevenir é melhor que remediar" (Roland Brooks Cooke OrquidaRio).

Cultivo de Orquídeas

Acianthera saundersiana (Rchb. F.) Pridgeon & M. W. Chase 2001, ex. Pleurothallis saundersiana Rchb. f. 1825. Habitat em Mata Ciliar de beira de Estrada de terra – Sul de Minas Gerais. Nota-se o acúmulo de grandes quantidades de poeiras em suas folhas e rizomas.

Sugerimos, portanto, reflexões e mudanças nos hábitos e procedimentos aos tratos culturais que são dados às orquídeas com o propósito de ter plantas bonitas, sadias e fitossanitariamente bem cultivadas, produzindo exuberância no vigor, na floração e consequentemente formação de belas touceiras.

Vários são os procedimentos existentes, que se aplicados corretamente tornar-se-ão em ótimos benefícios às plantas e consequentemente economia e gratificação aos orquidófilos, principalmente aos iniciantes.

Descrevemos abaixo vários desses procedimentos que julgo ser de grande importância neste primeiro passo:

A- Lembre-se, cada orquidário tem em seu interior característica própria quanto à iluminação, temperatura, umidade e ventilação.

B- Fazer limpeza periódica e criteriosa no orquidário, eliminando ervas daninhas, folhas mortas, entulhos diversos, vasos usados e substratos velhos, etc.

C- Adequar o orquidario as necessidades das plantas que se quer cultivar, não o contrário.

D- Conhecer as necessidades da espécie é fundamental, isso facilitará escolher o local onde a planta ficará no orquidário e também ajudará na forma de plantio e o cuidado básico necessário.

E- Ao adquirir suas orquídeas escolha sempre plantas saudáveis e de fornecedores confiáveis.

F- Identificação correta das plantas é fator importantíssimo, pois ajudará buscar informações de como cultivar a espécie e suas necessidades.

G- Em caso de dúvida, manter em quarentena a planta recém adquirida, ganhada ou com sinais duvidosos de pragas e doenças.

H- Não reutilizar vasos usados e sem a devida esterilização.

I- Jamais reutilize substratos velhos ou do próprio vaso de replante.

J- Usar substratos novos e adequados às espécies.

K- Evite os excessos nas adubações, inclusive os de formulações milagrosas.

L- Usar luvas descartáveis durante o manuseio das plantas e em todos os procedimentos.

M- Esterilizar todos os instrumentos de corte no ato de sua utilização, como também para guardá-los.

N- Nunca utilize a mesma ferramenta para cortar duas plantas, sem antes efetuar uma esterilização adequada.

O- Isolar a planta doente cuidando-a isoladamente ou dependendo do caso, incinerá-la.

Considerações Finais

A matéria em questão não é propriamente sobre as pragas e doenças (mas tem relação entre si) e sim como evitá-las no mínimo possível, baseando-se no conceito do cultivo ecologicamente correto, na mudança de hábito e no cuidado ao manusear as plantas.

No cultivo das orquídeas muita coisa pode ser feita em relação às condições preventivas e sanitárias do ambiente, visto que na maioria das situações esse cultivo é conduzido em ambientes fechados ou semi-fechados onde é possível controlar a umidade relativa do ar e a luminosidade. Porém é necessário conhecer as condições ao desenvolvimento das espécies de pragas e patógenos que atacam as orquídeas, assim como as condições favoráveis dessas plantas. Também é necessário encontrar o ponto de equilíbrio entre esses fatores onde as plantas sejam mais favorecidas e as pragas e patógenos desfavorecidas.

Destruição dos restos culturais, manejo de plantas invasoras (ervas daninhas, samambaias e folhagens diversas), adubação ou fertilização moderada, irrigação e manejo do ambiente são algumas das ações que os orquidófilos em geral devem promover em seu orquidário com o objetivo de ter plantas saudáveis com mínimo de pragas ou doenças.

Aos iniciantes em especial: O cultivo das orquídeas não é difícil, mas especializado. Com tempo, interesse, persistência, observação e muito estudo o cultivador vai descobrindo os pequenos segredos e as exigências gerais de cada gênero suas espécies.

Fotos de orquídeas em seu habitat

Cultivo de Orquídeas
Acianthera luteola (Lindl.) Pridgeon & M. W. Chase (2001). ex. Pleurothallis luteola Lindl. (1841).

Cultivo de Orquídeas

Cultivo de Orquídeas
Leptotes unicolor Barb. Rodr. (1877).

Cultivo de Orquídeas
Liparis nervosa (Thumb. ex. Murry) Lindl. (1830).

Cultivo de Orquídeas

Cultivo de Orquídeas

Phymatidium delicatulum Lindl. (1833).

Referências Bibliográficas

Cardoso, J. C. – Pragas das Orquídeas, Identificação, controle e manejo, FSN de Tecnologia e Faculdade de Ciências Agrônomos, UNESP – Pompéia, SP. Bless Ed., 2005, 140p.: il. Bergmann, E. C. & Vaz Alexandre, M. A – Aspectos Fitossanitários das Orquídeas, Boletim Técnico, Instituto Biológico, N.11, São Paulo, 1995, P.5-51. Klein, E. H. S. – Levantamento e Desenvolvimento de Kit Diagnóstico de Patógenos e Propagação In Vitro de Orquídeas no Estado do Rio de Janeiro, Dissertação de Pós-graduação em Fitossanidade e Biotecnologia, UFRRJ, 2008, 72F.:il. Takane, R. J., Faria, R. T. e Altafin, V. L. – Cultivo de Orquídeas, LK Editora e Comunicação, 2006, 132p., il., 21 cm. Cooke, R. B. – Doenças das Orquídeas – Parte II, Fungos e Bactérias, disponível em: http://www.orquidario.org/palestras/palestra001.htm, acesso em 03/03/2010.

Fonte: www.aorquidea.com.br

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