O cupuaçuzeiro (Theobroma grandiflorum (Willd. ex Spreng.) K. Schum.) destaca-se entre as fruteiras amazônicas como uma das mais atrativas da região, pelas características de sabor e aroma de seus frutos, cuja polpa é empregada no preparo de sucos, sorvetes, licores, compotas, geléias, cremes, etc. Instituições de pesquisas na região Norte têm implementado programas de melhoramento com ênfase à seleção de materiais com características de alta produção de frutos, rendimento de polpa e resistência à vassoura de bruxa (Crinipellis perniciosa (Stahel) Singer), principal enfermidade da cultura. Neste contexto, objetiva-se com a propagação in vitro, a minimização destes problemas pela aquisição de material propagativo vegetal livre de fitopatógenos. Outra vantagem da micropropagação é permitir a obtenção de maior quantidade de mudas em um curto período de tempo, quando comparado com a propagação vegetativa tradicional.
A primeira etapa da micropropagação é o estabelecimento in vitro do material a ser multiplicado e, para tanto, deve-se determinar a melhor metodologia para desinfestação dos explantes a serem inoculados. Após a escolha do tecido que será empregado como explante, procede-se o tratamento de desinfestação do mesmo, a fim de eliminar microorganismos exógenos, para a obtenção de um bom resultado no final do processo de estabelecimento in vitro (GAMBORG & PHILLIPS, 1995; ROCHA; 1999; SOUZA et al., 2003; SILVA et al., 2003).
Em espécies lenhosas, a contaminação dos explantes é um dos principais problemas do cultivo in vitro (Pierik, 1990) e depende também da procedência do material vegetal utilizado, que pode ser de casa de vegetação ou do campo. Os níveis de contaminação tendem a ser maiores quando as plantas matrizes usadas como fonte de explantes são provenientes do campo. Contudo, mesmo as plantas submetidas ao rigoroso controle fitossanitário e mantidas em viveiro protegido ou casa de vegetação são fontes potenciais de microorganismos, que podem tornar-se limitantes aos procedimentos de cultivo in vitro (MEDEIROS, 1999).
Na maioria dos casos, a presença de fungos e bactérias ocorre poucos dias após a inoculação. Em alguns casos, a presença de bactérias e fungos nas plantas é detectada após algum tempo de cultivo, geralmente quando um grande número de plantas já está em produção. Além disso, por serem de difícil visualização, são facilmente transmitidas de um material para outro durante a manipulação dos explantes para a inoculação in vitro. Quando as condições do meio de cultura (nutrição, pH) tornam-se favoráveis ao seu desenvolvimento, os fitopatógenos passam a competir por nutrientes minerais e carboidratos do meio de cultura (Smith, 2000), comprometendo a multiplicação e o desenvolvimento dos explantes (Montarroyos, 2000), podendo levá-los rapidamente à morte. Esta deterioração dos explantes está relacionada com a produção de metabólitos fitotóxicos pelos fitopatógenos, tais como os ácidos láctico e acético e cianeto (PEREIRA et al., 2003).
Um problema freqüente durante o isolamento de explantes é a oxidação de compostos fenólicos, que são liberados pelas células, relatam GRATTAPAGLIA & MACHADO (1998). Segundo Teixeira (2006), a oxidação dos polifenóis leva à produção de substâncias amareladas de composição complexa, do tipo quinonas, que se pode ligar a proteínas das membranas ou enzimas, acarretando toxidez e morte da célula.
Para minimizar a contaminação microbiana, inúmeros protocolos de esterilização são apresentados por diversos autores. Estes relatam o uso de substâncias como hipoclorito de sódio e etanol 70% e, em alguns casos, a adição de antibióticos ao meio de cultura (GARCIA & RAFAEL, 1990; LEIFERT et al., 1991;BUCKLEY et al., 1995; TANPRESERT & REED, 1998; REED et al., 1998). A utilização de antibióticos para o controle e erradicação de microrganismos contaminantes é frequente, podendo os mesmos serem adicionados ao meio de cultura ou imersão dos em banhos sob agitação, durante alguns dias (GRATTAPAGLIA & MACHADO, 1998).
A concentração da solução desinfestante e o tempo de exposição podem variar muito os índices de descontaminação, no que se faz necessário à adequação do protocolo de desinfestação. Este trabalho teve como objetivo desenvolver um protocolo para a desinfestação de explantes florais de cupuaçuzeiro, visando ao seu estabelecimento in vitro.
Foram coletados botões florais em estágio anterior à antese, oriundos de plantas de cupuaçu sem sementes, coletados no campo experimental da Embrapa Rondônia, em Porto Velho, RO. Os materiais foram conduzidos ao Laboratório de Cultura de Tecidos Vegetais, onde passaram por uma pré-limpeza, empregando-se uma esponja umedecida com água destilada e algumas gotas de detergente comercial. Após esse procedimento, os botões foram lavados com água destilada e, em seguida, colocados em álcool 70% (v/v) por um minuto.
Em câmara de fluxo laminar, os botões florais foram retirados do álcool e esterilizados com concentrações de 0,25 e 0,50% de hipoclorito de sódio, durante 20 e 30 minutos, sendo, em seguida, lavados três vezes com água bidestilada estéril e os explantes dispostos em placa de Petri contendo papel de filtro estéril. Empregando-se outra placa de Petri estéril, os botões foram segmentados, com a ajuda de bisturi, em pétala, estaminóide, lígula e ovário. Esses explantes ficaram imersos em solução antioxidante, constituída por uma mistura de 100 mg de ácido ascórbico e 150 mg de ácido cítrico, dissolvida em um litro de água, sendo sua esterilização feita em filtro bacteriológico de 0,22 ou 0,45 micras, por dez minutos.
Em seguida, os explantes foram inoculados em placas de Petri contendo meio MS (Murashige & Skoog, 1962), sem reguladores de crescimento, acrescido de 3,0% de sacarose, com e sem cefotaxima (100 mg.L -1 ) e solidificado com ágar (0,8%). Os experimentos foram realizados em delineamento inteiramente casualizado em esquema fatorial 2 x 2 x 2, combinando duas concentrações de hipoclorito de sódio (0,25% e 0,50%), dois tempos de imersão (20 e 30 minutos), na presença e ausência de antibiótico, consistindo de oito tratamentos.
Foram empregadas três placas de Petri com meio contendo cinco explantes cada uma, totalizando 15 repetições. Os dados foram analisados pelo Teste de Tukey ao nível de 5% de probabilidade. As culturas foram mantidas em sala de crescimento, com fotoperíodo de 8 horas a 28°C, durante 20 dias, sendo avaliado o número de explantes contaminados ao final desse período.
Verificamos que na ausência de antibiótico, empregando-se 0,25% de hipoclorito de sódio e 20 minutos de imersão (T1), todos os explantes empregados apresentaram as maiores porcentagens de contaminação (Figura 1). No tratamento 2 (0,25% de hipoclorito de sódio e 30 minutos de imersão), as contaminações foram menores apenas com o emprego de ovário e estaminódio, não diferindo estatisticamente para lígula e pétala, com relação ao T1. No tratamento 3 (0,50% de hipoclorito de sódio e 20 minutos de imersão), não houve diferença significativa apenas com o emprego de estaminódio, sendo que os demais explantes apresentaram menores porcentagens de contaminação, em relação ao tratamento 2.
O tratamento 4 (0,50% de hipoclorito de sódio e 30 minutos de imersão) apresentou diferença significativa apenas para estaminódio, sendo que os demais explantes empregados não diferiram estatisticamente do tratamento 3.
Figura 1. Porcentagens de contaminação de explantes florais de cupuaçu em meio sem utilização de antibiótico, imersos em hipoclorito de sódio a diferentes concentrações e períodos de imersão. Tratamento 1 – 0,25% de hipoclorito de sódio e 20 minutos de imersão; Tratamento 2 - 0,25% de hipoclorito de sódio e 30 minutos de imersão; Tratamento 3 – 0,50% de hipoclorito de sódio e 20 minutos de imersão; Tratamento 4 – 0,50% de hipoclorito de sódio e 30 minutos de imersão. Letras diferentes indicam significância a 5%, pelo teste de Tukey. Porto Velho, Embrapa Rondônia, 2009.
Na Figura 2 observamos os resultados da descontaminação dos explantes na presença de antibiótico. Com exceção do Tratamento 5 (0,25% de hipoclorito de sódio e 20 minutos de imersão), os explantes não apresentaram contaminação nos demais tratamentos testados. Contudo, a utilização de concentrações maiores de hipoclorito de sódio (0,50%) e maior tempo de imersão dos explantes (30 minutos) proporcionou as menores taxas de contaminação, porém danificaram os tecidos, provocando escurecimento e necrose, resultando na inibição do desenvolvimento e morte dos explantes. Resultados semelhantes foram observados por Moraes et al. (2007) estudando a desinfestação de gemas axilares de abacaxi submetidas a diferentes concentrações de hipoclorito de sódio e tempo de imersão. Em protocolo de micropropagação de Ananas comosus, Teixeira et al. (2001) recomendam 0,5 a 1,0% de hipoclorito de sódio durante 10 a 20 minutos na obtenção de mudas.
Constatou-se no presente estudo que a utilização de antibiótico no meio de cultura foi essencial para o controle da contaminação em explantes florais de cupuaçu, permitindo o seu estabelecimento in vitro. Duhem et al. (1988), em estudos com café e cacau, observaram que a presença da cefatoxima sódica no meio de cultivo, promovia o controle da contaminação, além de não causar efeito tóxico às plantas. Resultados semelhantes foram observados por Rodrigues (2005), que testou cefotaxima e cloranfenicol, isolados e em combinação, para o controle de microrganismos endofíticos no estabelecimento in vitro de Heliconia rauliniana, observando que a cefotaxima aplicada isoladamente, na concentração de 500 mg.L -1 foi a forma mais eficiente de controle dos microrganismos. Costa et al. (2007) verificaram que a utilização do antibiótico cefotaxima proporcionou um efeito positivo no controle do crescimento bacteriano e sobrevivência de explantes de alecrimpimenta.
Recomenda-se a utilização da menor concentração de hipoclorito de sódio (0,25%) com 20 minutos de imersão dos explantes, o que auxilia na redução da oxidação dos tecidos, para descontaminação de explantes florais de cupuaçu.
A adição de antibiótico ao meio de cultura torna-se necessária para controlar a contaminação em explantes florais de cupuaçu.
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Informações sobre o Cupuaçu, características, vitaminas, benefícios e propriedades
Cupuaçu: fruta típica da amazônia
CLASSIFICAÇÃO CIENTÍFICA
Reino: Plantae
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Magnoliopsida
Ordem: Malvales
Família: Malvaceae
Subfamília: Sterculioideae
Gênero: Theobroma L.
Espécie: T. grandiflorum
INFORMAÇÕES
A árvore que produz o cupuaçu chama-se cupuaçuzeiro ou cupuaçueiro. Esta árvore pode chegar a 15 metros de altura.
É uma fruta típica da região da floresta amazônica.
A casca deste fruto é de consistência dura e lisa. Sua cor é castanho-escuro, quase preta.
A época desta fruta é de janeiro a maio.
Possui sementes em sua parte interna, que são envoltas numa polpa branca de sabor ácido.
Esta fruta é muito utilizada para a fabricação de sucos, sorvetes, geléias, vinhos e licores.
O sabor do cupuaçu á azedo, porém muito suave.
Esta fruta é rica em proteínas, cálcio e fósforo.
Com relação às vitaminas, possui vitamina A, B1, B2 e C.
Além das vitaminas e sais minerais, esta fruta é rica em pectina.
Fonte: Geocities