
A Noiva, Marcel Duchamp, Museu de Arte Moderna Filadélfia
O Dadaísmo, movimento artístico e literário anárquico fundado em 1916 por artistas e intelectuais exilados na Suíça durante a I Guerra Mundial teve como fundadores: Hans Richter [1888-1976] e Raul Haussmann [1886-1971]. Por essa altura, publicaram-se numerosos manifestos Dada que proclamavam a espontaneidade, a liberdade e a anarquia absolutas do artista e consideravam a invenção pura, as leis do acaso e a permutação de formas antropomórficas e inanimadas muito importantes para o trabalho artístico. Mais tarde se expande por outros países da Europa e pelos Estados Unidos (EUA). Caracteriza-se pelo desejo de destruir as formas de arte institucionalizadas e de romper o limite entre as várias modalidades artísticas.
Os artistas opõem-se à sociedade materialista, vista como fracassada por promover a guerra, e propõem ignorar o conhecimento até então acumulado pela humanidade.


Acima de tudo, os dadaístas procuravam chocar a sociedade com uma extravagância deliberada.
Devem ainda referir-se como precursores deste movimento: Marcel Duchamps [1887-1964], francês e Francis Picabia [1878-1953], de origem cubana, que inicialmente foram seguidores do Cubismo.
O seu nome deriva de da-da, duas das primeiras sílabas a serem pronunciadas pelas crianças, segundo os seus autores.
É um estilo entre o infantil e o burlesco [Duchamps, por exemplo, pintou a Gioconda com bigodes...]. Com Duchamps, as formas passam a ter um aspecto mais ou menos mecânico mas não são animadas de um movimento natural. Este artista pintou cerca de vinte quadros, a maior parte deles sobre vidro. Foi ele que imaginou os "ready-made", ou seja, simples objetos manufaturados, como por exemplo um abridor de garrafas ou um urinol, em que ele se limitava apenas a modificar-lhe um pequeno pormenor ou até a não mudar absolutamente nada. Isto levou a que, em 1962, numa carta que Duchamp escreveu a Richter desabafasse: "Quando descobri os ready-mades pensei que ia desencorajar os estetas... Atirei-lhes o porta-garrafas e o urinol à cara como um desafio e eles agora admiram-nos pela sua beleza estética".
Picabia, grande humorista, levou mais longe ainda o seu desafio com as suas mistificações absurdas. Esta atitude é muito característica do Dadaísmo e revela o seu espírito de protesto e de provocação.
Aliás, este movimento surge precisamente como uma reação às conseqüências nefastas da 1ª Grande Guerra Mundial. Perante o horror da guerra, viram-se forçados a reconhecer a fragilidade da civilização e dos seus valores. Por isso, os dadaístas entendiam como necessário fazer uma limpeza na arte, fazendo-a reviver, ou seja, começar tudo a partir do zero, defendendo assim a espontaneidade e a anarquia. Utilizavam qualquer tipo de material que encontrassem à mão.
Atualmente os seus quadros são admirados nos museus e reproduzidos em livros e revistas de arte. Entre os seus principais adeptos, contam-se Tristian Tzara, de origem romena, Hugo Ball, alemão, Jean Arp, alsaciano, Max Ernst, alemão, e Man Ray, norte-americano.
No seu início, os dadaístas chamaram a atenção de Picasso e de outros artistas cubistas, mas em breve manifestaram a sua oposição com firmeza.
O movimento acabou por se desintegrar em 1922 e os seus adeptos foram aderindo a outros movimentos. Contudo, verificou-se um certo mérito neste movimento. Através da ironia e do absurdo, acabaram por provocar o desequilíbrio num determinado número de hábitos e idéias pré-concebidas enraizados na sociedade de então, que só dessa forma puderam ser alterados. Alguns dos seus elementos, do grupo dadaísta alemão, George Grosz [1893-1959] e Otto Dix [n.1891] criaram um outro movimento, denominado Nova Objetividade. Os temas tratados tinham um caráter amargo e satírico. Punha-se em causa a vida política e social, o caos e a hipocrisia da vida.
Fonte: www.spiner.com.br
A fumaça dos cabarés enchia os olhos dos artistas. Ali não havia espaço para a mesmice, para o lógico, para a conformação. Na cidade de Zurique, na Suíça, intelectuais de várias vertentes se sentiam inquietos com os rumos das artes, em todas as suas formas de expressão. O ano era de 1916. O mundo estava em sua Primeira Grande Guerra e as ruínas se espalhavam por toda a Europa.
Neste ano simbólico surge, em solo suíço, o Cabaré Voltaire. Sob a tutela dos escritores alemães Hugo Ball e Richard Huelsenbeck e do pintor Hans Arp, este exclusivíssimo grupo literário, que também abria espaço para exposições e teatro, realiza um grande encontro de música, dança e poesia, que também divulgava a arte russa e francesa. Era o início de um movimento. Para batizá-lo, um dicionário de francês, aberto ao acaso, expõe o termo dada - sem significado aparente - é adotado. Ainda que o sentido original da palavra - cavalo de brinquedo - possa de alguma maneira se encaixar nas idéias dos artistas, na verdade, é na escolha aleatória o grande cerne criativo para eles, o que realmente deve ser levado em conta.
A idéia do movimento era romper com tudo o que existia antes, com todos os valores e princípios, em especial os artísticos. Era iconoclasta por excelência. Aos poucos, outros cérebros foram se aproximando do grupo original, em especial Hans Arp, Marcelo Janco e o curioso poeta romeno Tristan Tzara. O tumulto dessa nova arte fez a fama do dadaísmo por toda a Europa. Não por acaso, Marcel Duchamp e Francis Picabia logo se interessaram.
Uma das principais características do movimento dadaísta está na postura interdisciplinar de seus trabalhos, afinal estamos falando de poetas, romancistas, artistas plásticos trabalhando em conjunto.
A combinação de elementos era fundamental para a definição da arte dadá.
Usando a subversão, o niilismo, a irreverência e a anarquia, o dadaísmo acaba sendo uma arte rompedora, não só contra o status quo mas também contra o conceito da própria arte, e aqui não nos referimos apenas aos seus princípios estéticos.
A negar a idéia acadêmica ou crítica, o dadaísmo tenta validar a expressão humana, elevando objetos comuns à categoria de obras de artes - vide o Urinol, de Marcel Duchamp. Na literatura, por exemplo, poemas-pílulas, sem sentido, buscavam alavancar o conceito artísticos das palavras pelas palavras, desafiando e instigando os leitores. Ou ainda os textos caóticos feitos através de recortes de jornais, onde os escritores pinçavam palavras, colocavam em um saco, sorteavam e montavam suas obras ao acaso. Por sua vez, a pintura também buscava nesse enigma sua ostentação. Artefatos buscados aleatoriamente formavam colagens e usam a técnica literária - de recortes de jornais para capitanear a obra. Aliando isso à anulação da mecanização da sociedade, a pintura dadá até ousava em representar objetos por sua poética e não por sua função.
Já nas esculturas, o ready-made de Marcel Duchamp são o ponto alto da estética Dadá, que junta a experimentação, a desordem e a improvisação, praticamente criam um raio-x das propostas do estilo. Tanto que seu Urinol, que ele apresentou ao Salão dos Independentes, em Nova Iorque, para competir com obras "tradicionais", causou comoção no meio artístico, quando, nas entrelinhas, estava o questionamento da arte em seu ponto mais crucial, a estética.
Mas o dadá não parou por aí. O cinema e a fotografia também foram discutidas pelo movimento. Hans Richter, no primeiro caso, e Man Ray, no segundo, são os maiores expoentes dessa arte. Nas películas, o resultado era tão abstrato quanto absurdo, explorando as imagens e suas potencialidades de movimento ao máximo. Já na fotografia, Ray, o inventor da conhecida técnica do raiograma, que consistia em tirar a fotografia sem a câmara fotográfica, ou seja, colocando o objeto perto de um filme altamente sensível e diante de uma fonte de luz, era o mais inventivo criador. Para o trabalho dos dois, apesar de seu caráter totalmente experimental, as obras assim concebidas conseguiram se manter no topo da modernidade tempo suficiente para passar a fazer parte dos anais da história da fotografia e do cinema artísticos.
Entre os principais nomes do movimento estão, na Alemanha, Richard Huelsenbeck, R.Haussmann, Johannes Baader, John Heartfield, G.Groz, Kurt Schwitters, Max Ernst - posteriormente um dos grandes nomes do surrealismo. Nos EUA, encontram-se o multi-homem Francis Picabia, Marcel Duchamp (oriundo da França) e Man Ray. Porém, Picabia também foi o elo de ligação com Albert Gleizes e A. Cravan, na Espanha, onde editaram em conjunto a revista dadá 391. Por fim, ele também se associa ao grupo de Tzara e Arp, em Zurique.
Com tal proposta eloqüente, uma crítica cultural ampla e irrestrita, o dadaísmo não poderia durar muito. Oficialmente, o ano de 1922 marca o término do dadá como movimento artístico. Porém, vários dos protagonistas migraram para o subseqüente surrealismo. Na década de 50, nos EUA, surgiram artistas como Robert Rauschenberg, Jasper Johns e Louise Nevelson, que buscaram no dadá certas orientações. No Brasil, alguns ecos foram ouvidos nas obras de Ismael Nery, Flávio de Carvalho, Jorge de Lima e Cícero Dias.
Esse foi o dadaísmo, um movimento radical que contestava tudo e todos. Uma vanguarda libertária e avassaladora, que tirou as amarras das artes para todo o sempre. Criou, acima de tudo, os diálogos interdisciplinar e estabeleceu uma nova maneira de se enxergar o mundo
Fonte: www.carcasse.com