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Dadaísmo

 

Movimento artístico e literário que refletiu um protesto niilista contra todos os aspectos da cultura ocidental, especialmente o militarismo existente durante e logo após a Primeira Guerra Mundial.

O termo “dada”, em francês, significa simplesmente "cavalo-de-pau"; diz-se que foi selecionado ao acaso, num dicionário, pelo poeta, ensaísta e editor Tristan Tzara, nascido em Roma.

dadaísmo foi idealizado em 1916 por Tzara, pelo escritor alemão Hugo Ball (1886-1927), pelo artista alsaciano Jean Arp, e outros jovens intelectuais que moravam em Zurique, Suíça. Uma reação semelhante contra a arte convencional aconteceu, simultaneamente, em Nova York e em Paris.

Depois da Primeira Grande Guerra o movimento chegou à Alemanha, e muitos artistas do grupo de Zurique uniram-se aos dadaístas franceses em Paris. Contudo, o grupo parisiense se desintegrou em 1922.

Para expressar a negação de todas as correntes e valores estéticos e sociais, os dadaístas usaram freqüentemente métodos artísticos e literários que eram deliberadamente incompreensíveis. Suas performances teatrais e seus manifestos eram concebidos para chocar ou desnortear o público, com o objetivo de surpreender o público através de uma reconsideração de valores estéticos aceitos.

Para este fim, os dadaístas utilizaram novos materiais e incluíram objetos achados no lixo das ruas, além de novas técnicas em suas obras, como se permitissem ao acaso a determinação dos elementos que iriam compor seus trabalhos.

O pintor e escritor alemão Kurt Schwitters destacou-se por suas colagens com papel velho e materiais semelhantes, e o pintor francês Marcel Duchamp exibiu como obras de arte produtos comerciais ordinários, que ele mesmo chamou de ready-mades.

Embora os dadaístas tenham empregado técnicas revolucionárias, sua revolta contra os padrões estéticos vigentes estava baseada em uma convicção profunda e originada ainda na tradição romântica, na bondade essencial de humanidade, quando não corrompida através de sociedade.

Dadaísmo, como movimento artístico, declinou nos anos vinte, e alguns de seus participantes tornaram-se proeminentes em outros movimentos da arte moderna, especialmente o surrealismo.

Durante a década de 50 houve um ressurgimento do interesse pelo Dadaísmo em Nova York, onde compositores, escritores, e artistas produziram muitos trabalhos com características dadaístas.

Fonte: www.geocities.com

Dadaísmo

Movimento artístico e literário da Europa ocidental (1916-23) que buscou a descoberta da realidade autêntica através da abolição de cultura e das formas estéticas tradicionais.

“Introduzir a idéia de loucura temporária através do escândalo e da publicidade de um 'ismo' novo é tão banal que, com a falta de seriedade inata para estes modos de demonstração, os jornalistas nomearam de Dadaísmo o que a intensidade de uma novidade na arte se lhes mostrou ser de compreensão impossível, por sua limitada capacidade de abstração, na magia de uma palavra (DADA - cavalo-de-pau), tendo os posto (pela simplicidade de nada significar) diante da entrada de um mundo presente, realmente uma erupção muito forte para seu hábito de desembaraçar-se facilmente das obrigações.” 
Nota para o Manifesto Dada, 1918,, em Dada, reimpressão, p. 54.

Dada (do francês: 'cavalo-de-pau'), movimento niilista nas artes, que floresceu principalmente em Zurique, Nova York, Berlim, Colonia, Paris, e Hannover, em princípios do século XX.

Várias explicações foram dadas, por vários participantes do movimento, a respeito de seu nome.

De acordo com a versão mais amplamente aceita, o nome "Dada" foi adotado no cabaré de Hugo Ball, Café Voltaire, em Zurique, em 1916, durante uma das reuniões secretas feitas por um grupo de jovens artistas e membros da Resistência, onde se incluíam Jean Arp, Richard Hülsenbeck, Tristan Tzara, Marcel Janco, e Emmy Hennings; quando um estilete de abrir correspondências caiu sobre um dicionário francês-alemão apontou a palavra dada, e ela foi escolhida pelo grupo como apropriada para suas criações anti-estéticas e atividades de protesto, que foram pensadas como uma reação aos valores pequeno-burgueses e ao desespero perante a Primeira Guerra Mundial.

Um precursor do Dadaísmo, e que acabou tornando-se um de seus membros principais, foi Marcel Duchamp, que em 1913 criou seu primeiro ready-made (hoje perdido), a “Roda de Bicicleta”, que consistia em uma roda montada sobre o assento de um tamborete.

Fonte: www.puc-rio.br

Dadaísmo

Movimento artístico e literário com um pendor niilista, que surgiu por volta de 1916, em Zurique, acabando por se espalhar por vários países europeus e também pelos Estados Unidos da América. Embora se aponte 1916 como o ano em que o romeno Tristan Tzara, o alsaciano Hans Arp e os alemães Hugo Ball e Richard Huelsenbeck seguiram novas orientações artísticas e 1924 como o final desse caminho, a verdade é que há uma discrepância de datas respeitantes, quer ao início, quer ao final deste movimento, ou como preferem os seus fundadores, desta «forma de espírito» («Manifesto Dada», in Dada-Antologia Bilingue de Textos Teóricos e Poemas, 1983).

O movimento Dada (os seus fundadores recusam o termo Dadaísmo já que o ismo aponta para um movimento organizado que não é o seu) surge durante e como reação à I Guerra Mundial.

Os seus alicerces são os da repugnância por uma civilização que atraiçoou os homens em nome dos símbolos vazios e decadentes. Este desespero faz com que o grande objetivo dos dadaístas seja fazer tábua rasa de toda a cultura já existente, especialmente da burguesa, substituindo-a pela loucura consciente, ignorando o sistema racional que empurrou o homem para a guerra.

Dada reivindica liberdade total e individual, é anti-regras e ideias, não reconhecendo a validade, nem do subjetivismo, nem da própria linguagem. O seu nome é disso mesmo um exemplo: Dada, que Tzara diz ter encontrado ao acaso num dicionário, ainda segundo o mesmo Tzara, não significa nada, mas ao não significar nada, significa tudo.

Este tipo de posições paradoxais e contraditórias são outra das características deste movimento que reclama não ter história, tradição ou método. A sua única lei é uma espécie de anarquia sentimental e intelectual que pretende atingir os dogmas da razão. Cada um dos seus gestos é um ato de polémica, de ironia mordaz, de inconformismo.

É necessário ofender e subverter a sociedade. Essa subversão tem dois meios: o primeiro os próprios textos, que embora sejam concebidos como forma de intervenção direta, são publicados nas numerosas revistas do movimento como Der Dada, Die Pleite, Der Gegner ou Der blutige Ernst, entre muitas outras.

O segundo, o famoso Cabaret Voltaire, em Zurique, cujas sessões são consideradas escandalosas pela sociedade da época verificando-se frequentes insultos, agressões e intervenções policiais.

Não é fácil definir Dada. Os próprios dadaístas para isso contribuem: as afirmações contraditórias não permitem um consenso já que, enquanto consideram que definir Dada era anti-Dada, tentam constantemente fazê-lo. No primeiro manifesto, por ele próprio intitulado dadaísta, Tristan Tzara afirma, que Ser contra este manifesto significa ser dadaísta!» («Manifesto Dada», in Dada-Antologia Bilingue de Textos Teóricos e Poemas, 1983) o que confirma a arbitrariedade e a inexistência de cânones e regras neste movimento.

Tentam mesmo dissuadir os críticos de o definir: Jean Arp, artista plástico francês ligado ao movimento de Zurique, ridiculariza a metodologia crítica escrevendo, que não era, nem nunca seria credível qualquer história deste movimento já que, para ele não eram importantes as datas, mas sim o espírito que já existia antes do próprio nome; além disso Tzara afirma ser «contra sistemas.

O sistema mais aceitável é, por princípio, não ter nenhum.» (Dada and Surrealism,1972). São conscientemente subversivos: ridicularizam o gosto convencional e tentam deliberadamente desmantelar as artes para descobrir em que momento a criatividade e a vitalidade começam a divergir. Desde o início que é destrutivo e construtivo, frívolo e sério, artístico e anti-artístico.

Embora se tenha espalhado por quase toda a Europa, o movimento Dada tem os núcleos mais importantes em Zurique, Berlim, Colónia e Hanôver. Todos eles defendem a abolição dos critérios estéticos, a destruição da cultura burguesa e da subjetividade expressionista reconhecendo, como caminhos a seguir, a dessacralização da arte e a necessidade do artista ser uma criatura do seu tempo, no entanto, há uma evolução diferenciada nestes quatro núcleos.

O núcleo de Zurique, o mais importante durante a guerra, é muito experimentalista e provocatório, embora mais ou menos restrito ao círculo do Cabaret Voltaire. É aqui que surgem duas das mais importantes inovações dadaístas: o poema simultâneo e o poema fonético.

O poema simultâneo consiste na recitação simultânea do mesmo poema em várias línguas; o poema fonético, desenvolvido por Ball, é composto unicamente por sons, com predominância de sons vocálicos. Nesta última composição a semântica é completamente posta de parte: já que o mundo não faz sentido para os dadaístas, a linguagem também não terá de fazer.

Ball considera ser esta uma época onde « Um universo desmorona-se. Uma cultura milenar desmorona-se.» («A Arte dos Nossos Dias», in Dada-Antologia Bilingue de Textos e Poemas, 1983). Estes tipos de composições, juntamente com o poema visual, também assente em princípios simultaneístas, e a colagem, primeiro utilizada nas artes plásticas, são as grandes inovações formais deste movimento.

O grupo de Berlim, mais ativo depois da guerra, está profundamente ligado s condições socio-políticas da época. Ao contrário do anterior realiza intervenções politizantes, próximas da extrema esquerda, do anarquismo e da “Proletkult” (cultura do proletariado). Apesar de tudo, os próprios dadaístas têm consciência que são demasiado anarcas para aderir a um partido político e que a responsabilidade pública que daí advinha era inconciliável com o espírito dadaísta.

Colónia e Hanover são menos significativos, sendo no entanto de salientar o desenvolvimento da técnica da colagem no primeiro e a inovadora utilização de materiais casuais e subalternos, como jornais e bilhetes de autocarro, na pintura do segundo.

Estes autores destacam-se da sociedade em que estão inseridos pela revolta, pelos valores expressos nas suas obras, pelas convicções que defendem e pelas contradições que apresentam, muitas vezes exemplo da vitalidade e humor dos criadores.

Dada tornou-se muito popular em Paris, para onde Tzara vai viver depois da guerra. Na capital francesa, ao contrário de Berlim e Nova Iorque, o movimento Dada desenvolve-se bastante no campo literário.

Esta ligação foi muito importante para a génese do surrealismo que acaba por absorver o movimento no início da década de vinte.

As fronteiras entre os dois movimentos são ténues, embora se oponham: o surrealismo mergulha as suas raízes no simbolismo, enquanto Dada se aproxima mais do romantismo; o primeiro é nitidamente politizado, enquanto o segundo é, na generalidade apolítico (com excepção do grupo de Berlim, como já foi referido).

É também possível encontrar vestígios dadaístas na poesia de Ezra Pound e T. S. Elliot e na arte de Ernst e Magritte.

Fonte: www2.fcsh.unl.pt

Dadaísmo

Fundado na neutra Zurique, em 1916, por um grupo de refugiados da Primeira Guerra Mundial, o movimento dadá tomou seu nome de uma palavra nonsense.

Em seus sete anos de vida, o Dadaísmo muitas vezes parecia mesmo sem sentido, mas tinha um objetivo de não-sem-sentido: protestava contra a loucura da guerra.

Nesse primeiro conflito global, anunciado como "a guerra para acabar com todas as guerras", dezenas de milhares morriam diariamente nas trincheiras para conquistar uns poucos metros de terra calcinada e em seguida eram forçadas a recuar pelos contra-ataques. Dez milhões de pessoas foram massacradas ou ficaram inválidas.

Não admira que os dadaístas achassem que não podiam mais confiar na razão e na ordem estabelecida. Sua alternativa foi subverter toda autoridade e cultivar o absurdo.

Dadaísmo foi uma atitude internacional, que se expandiu de Zurique para França, Alemanha e Estados Unidos.

Sua principal estratégia era denunciar e escandalizar.

Uma noite dadaísta típica contava com diversos poetas declamando versos nonsense simultaneamente em línguas diferentes e outros latindo como cães.

Os oradores lançavam insultos à platéia, dançarinos com trajes absurdos entravam pelo palco, enquanto uma menina de vestido de primeira comunhão recitava poemas obscenos.

Os dadaístas tinham um objetivo mais sério do que causar escândalo: queriam acordar a imaginação.

"Falamos de Dadá como de uma cruzada para a reconquista da terra prometida da Criatividade", disse o pintor alsaciano Jean Arp, um dos fundadores do movimento.

Fonte: www.rainhadapaz.g12.br

Dadaísmo

Com a eclosão da Primeira Guerra Mundial, em 1914 e durante os anos de conflitos, houve uma perturbação fundamental nos conceitos artísticos.

Naturalmente a arte, espelho da vida, deveria refletir o estado moral do homem europeu.

Nesse clima, surgiu o Dadaísmo, nome que se teria originado da palavra "dada", cavalinho de pau em linguagem infantil (em Francês) ou o som balbuciado pelas crianças pequenas, atribuído a si mesmo por alguns artistas que se reuniam em Zurique, Suíça, em 1916, no chamado Cabaré Voltaire.

Dadaísmo concentrou-se em questionar as realidades aceitas em satirizar a arte e a literatura, rompendo com o emprego dos objetos tradicionais eleitos pela arte no decurso de séculos, um de seus artistas mais expressivos, Marcel Duchamp, tentou expor um urinol como escultura. Era uma típica atitude anárquica, procurando escandalizar a opinião pública.

Ao contrário dos futuristas, seus adeptos reagiram à Primeira Guerra Mundial e decepcionaram-se com a sociedade maligna, que deveria ser destruída porque estava social e moralmente falida. O movimento dadaísta era menos um estilo do que uma atitude, um expressão de revolta contra todas as instituição e convenções vigentes, uma posição niilista (do Latim nihil, nada).

Para os dadaístas, a pintura deveria ser a expressão da inocência infantil, da simples decorrência do mundo psicomotor do nosso interior. As figuras centrais do movimento dadaísta foram Tristan Tzara, Marcel Duchamp, Wassily Kandinsky e Max Ernst.

CARACTERÍSTICAS DO DADAÍSMO

Fotomontagens oníricas

Incorporação de materiais diversos

Elementos mecânicos

Inscrições humorísticas

Expressões ridículas e burlescas

Fonte: www.cyberartes.com.br

Dadaísmo

Dadaísmo foi um movimento originado em 1915 na cidade de Zurique (cidade que durante a Primeira Grande Guerra Mundial conservou-se neutra).

Negava todas as tradições sociais e artísticas, tinha como base um anarquismo niilista e o slogan de Bakunin "a destruição também é criação".

Contrários à burguesia e ao naturalismo, identificado como "a penetração psicológica dos motivos do burguês", buscavam a destruição da arte acadêmica e tinham grande admiração pela arte abstrata. O acaso era extremamente valorizado pelos dadaístas, bem como o absurdo.

Tinha tendências claramente anti-racionais e irônicas. Procurava chocar um público mais ligado a valores tradicionais e libertar a imaginação via destruição das noções artísticas convencionais. Acredita-se, ainda, que seu pessimismo venha de uma reação de desilusão causada pela Primeira Guerra Mundial.

Apesar de sua curta durabilidade - no período entre guerras, praticamente havia sido esquecido - e das críticas realizadas ao movimento, fundamentalmente baseadas em sua ausência de vocação construtiva, teve grande importância para a arte do século XX.

Fez parte de um processo, observado nesse século, de libertação da arte de valores preestabelecidos e busca de experiências e formas expressivas mais apropriadas à expressão do homem moderno e de sua vida.

Originou-se de um grupo composto por artistas como Tristan Tzara, Hans Harp, Richard Hülsenbeck, Marcel Janko, Hugo Ball e Hans Richter que se encontravam em cafés de Zurique. A idéia inicial era a realização de um espetáculo internacional de Cabaré que contava com músicas diversas, recitais de poesia e exposição de obras.

A maneira como surgiu o nome do evento é sugestiva: por acaso Ball e Hülsenbeck abriram um dicionário de alemão-francês e acabaram se deparando com a palavra dada, que foi posteriormente adotada pelo grupo e pelo movimento que daí surgiria.

A brochura "Cabaret Voltaire", a inauguração da "Galeria Dada" em 1917 e as revistas "Dada", seguidas de livros sobre o movimento, ajudaram a popularizá-lo. Sua provocação, ativismo e conceito de simultaneidade (realizar ao mesmo tempo diversas apresentações, como a leitura de poemas distintos) muito deve aos futuristas, entretanto, não possuía o otimismo e a valorização da tecnologia que esse último movimento tinha.

dadaísmo costuma ser bastante identificado aos ready-mades de Duchamp, como os urinóis elevados à categoria de obras de arte ou outras proezas do artista, como o acréscimo de bigodes à Mona Lisa.

Os poemas non-sense, as máquinas sem função de Picabia, que zombavam da ciência, ou a produção de quadros com detritos, como Merzbilder, de Schwitters, são outras obras características do dadaísmo. Além disso, o dadaísmo, desde o começo, pretendia ser um movimento internacional nas artes.

Picabia era o artista que acabou por fazer a ponte entre o dadaísmo europeu e o americano, tornando-se, juntamente com Duchamp e Man Ray, uma das principais figuras do dadaísmo forte em Nova York.

A revista "Dada 291" era publicada nessa cidade americana, além de Barcelona e Paris, outras cidades por onde o movimento espalhara-se. Berlim, Colônia e Hanover eram outros importantes focos Dada. (Na Alemanha, o movimento ganhou características mais próximas de protesto social que de movimento artístico).

dadaísmo forneceu grande inspiração para movimentos posteriores, como o surrealismo, derivado dele, a Arte Conceitual, o Expressionismo Abstrato e a Pop Art americana.

Fonte: www.brasilcultura.com.br

Dadaísmo

Dadaísmo, movimento que abrange todos os gêneros artísticos e expressa uma proposta niilista contra a cultura ocidental, especialmente contra o militarismo desencadeado pela I Guerra Mundial. Criado, em 1916, por Tristan Tzara, o escritor alemão Hugo Ball, o artista alsaciano Jean Arp e outros intelectuais residentes em Zurique (Suíça), o movimento Dadá foi influenciado pela revolução contra a arte convencional liderada por Man Ray, Marcel Duchamp e Francis Picabia. Mais tarde, o dadaísmo inspiraria os surrealistas franceses.

Os dadaístas utilizaram técnicas revolucionárias. Suas idéias, derivadas da tradição romântica, baseavam-se no apelo ao subconsciente e na crença da bondade intrínseca do homem quando não corrompido pela sociedade.

DADAÍSMO

O massacre da Primeira Guerra Mundial afetou os artistas de maneiras diferentes. Alguns sentiram, como Mondrian, que o crescimento do ser humano dependia da criação de um modo de vida impessoal e mecanizado, enquanto que outros concordavam com Dix, acreditando que ele dependia de se chamar atenção para os problemas políticos. Outros chegaram à conclusão de que a própria idéia de crescimento do ser humano era uma ilusão sem sentido. Para esse grupo, a maior lição da guerra, se é que houve alguma, foi a falência da razão, da política, da tecnologia e até mesmo da própria arte.

A partir dessa premissa, vários artistas e poetas criaram o dadaísmo, um movimento cujo nome propositadamente não significava nada e cujos membros ridicularizavam qualquer coisa que se relacionasse à cultura, política ou estética. Inicialmente centralizado em Zurique, na Suíça, o dadaísmo se espalhou mais tarde por Berlim, Paris e Nova York. Entre seus adeptos estavam o poeta e o artista alemães Hugo Ball e Kurt Schwitters, o poeta e o artista romenos Tristan Tzara e Marcel Janco, o artista americano Man Ray e os artistas franceses Jean Arp, Marcel Duchamp e Francis Picabia.

Os dadaístas se opunham à concepção de arte ou de poesia criando colagens a partir de sucata velha. Também escreviam poemas satíricos usando palavras aleatórias. Alguns dos artifícios criativos mais comuns dos dadaístas eram o acaso e a eventualidade.

A fonte (1917, Museu de Arte Moderna, Nova York), de Marcel Duchamp, foi uma das primeiras obras dadaístas particularmente influente. Trata-se de um urinol, produzido em massa, que foi transformado em obra de arte simplesmente por ter sido exposto em uma galeria e por ter recebido um novo título. Duchamp queria ridicularizar as concepções tradicionais sobre arte, criatividade e beleza.

O artista — apesar de Duchamp ter sempre negado ser um artista — não criava mais obras de perfil estético baseadas em inspiração ou talento, mas selecionava objetos do uso cotidiano pré-fabricados.

E ainda que esses objetos, que Duchamp considerava acabados e prontos para o uso, fossem originalmente funcionais, ele negava sua função utilitária ao inseri-los em um novo contexto — uma galeria ou um museu — e ao mudar seus títulos.

Dadaísmo

Características:

Sem nexo

Revolução artística

Não se preocupa com a lógica

Avacalha a arte

Ready-made: o já feito - Objetos do cotidiano como arte

Ao ganhar seguidores o movimento acaba, mas ele se estende até hoje

Fonte: www.vestibular1.com.br

Dadaísmo

Ao contrário de outras correntes artísticas, o dadaísmo apresenta-se como um movimento de crítica cultural mais ampla, que interpela não somente as artes mas modelos culturais, passados e presentes.

Trata-se de um movimento radical de contestação de valores que utilizou variados canais de expressão: revistas, manifestos, exposições, entre outros.

As manifestações dos grupos dada são intencionalmente desordenadas e pautadas pelo desejo do choque e do escândalo, procedimentos típicos das vanguardas de um modo geral.

A criação do Cabaré Voltaire, em Zurique, 1916, inaugura oficialmente o dadaísmo. Fundado pelos escritores alemães H. Ball e R. Ruelsenbeck, e pelo pintor e escultor alsaciano Hans Arp (1886-1966), o clube literário - ao mesmo tempo galeria de exposições e sala de teatro - promove encontros dedicados à música, dança, poesia, artes russa e francesa. O termo dada é encontrado "por acaso" numa consulta a um dicionário francês. "Cavalo de brinquedo", sentido original da palavra, não guarda relação direta, nem necessária, com bandeiras ou programas, daí o seu valor: sinaliza uma escolha aleatória (princípio central da criação para os dadaístas), contrariando qualquer sentido de eleição racional. "O termo nada significa", afirmaria o poeta romeno Tristan Tzara (1896-1963), integrante do núcleo primeiro.

A geografia do movimento aponta para a formação de diferentes grupos, em diversas cidades, aproximados pelo espírito de questionamento crítico e pelo sentido anárquico das intervenções públicas. O clima mais amplo que abriga as várias manifestações dada pode ser encontrado na desilusão e ceticismo instaurados pela 1ª Guerra Mundial, que alimenta reações extremadas por parte dos artistas e intelectuais em relação à sociedade e ao suposto progresso social. Na Alemanha, nas cidades de Berlim e Colônia, destacam-se os nomes de R. Ruelsenbeck, R.Haussmann, Johannes Baader (1876-1955), John Heartfield (1891-1968), G.Groz e Kurt Schwitters (1887-1948). Em Colônia, Max Ernst (1891-1976) - posteriormente um dos grandes nomes do surrealismo - aparece como um dos principais representantes do dadaísmo.

A obra e atuação de Francis Picabia (1879) estabelecem um elo direto entre Europa e Estados Unidos. Catalisador, com Albert Gleizes (1881-1953) e A. Cravan, das expressões dada em Barcelona, onde edita a revista 391, Picabia se associa também ao grupo de Tzara e Arp, em Zurique. Em Nova York, por sua vez, é protagonista do movimento com Marcel Duchamp (1887-1968) e Man Ray (1890-1976).

Se o dadaísmo não professa um estilo específico nem defende novos modelos, aliás colocou-se expressamente contra projetos pré-definidos e recusou todas as experiências formais anteriores, é possível localizar formas exemplares da expressão dada. Nas artes visuais, os ready-made de Duchamp constituem manifestação cabal de um certo espírito que caracterizou o dadaísmo.

Ao transformar qualquer objeto escolhido ao acaso em obra de arte, Duchamp realiza uma crítica radical ao sistema da arte. Assim, objetos utilitários sem nenhum valor estético em si são retirados de seus contextos originais e elevados à condição de obra de arte ao ganharem uma assinatura e um espaço de exposições, museu ou galeria.

Por exemplo, a roda de bicicleta que encaixada num banco vira Roda de bicicleta (1913), ou um mictório que invertido se apresenta como Fonte (1917), ou ainda os bigodes colocados sobre a Gioconda de Leonardo da Vinci (1452-1519) que fazem dela um ready-made retificado, o L.H.O.O.Q. (1919). Os princípios de subversão mobilizados pelos ready-made podem ser também observados nas máquinas antifuncionais de Picabia e nas imagens fotográficas de Man Ray.

Ainda que o ano de 1922 apareça como o do fim do dadaísmo, fortes ressonâncias do movimento podem ser notadas em perspectivas artísticas posteriores.

Na França, muitos de seus protagonistas integraram o surrealismo subsequente. Nos Estados Unidos, por sua vez, na década de 50, artistas como Robert Rauschenberg (1925), Jasper Johns (1930) e Louise Nevelson (1899-1988) retomam certas orientações do movimento no chamado neodada.

Difícil localizar influências diretas do dadaísmo na produção brasileira, mas talvez seja possível pensar que ecos do movimento dada chegaram até nós através da leitura que dele fizeram os surrealistas, herdeiros legítimos do dadaísmo em solo francês. Por exemplo, em obras variadas como as de Ismael Nery (1900-1934) e Cicero Dias (1907-2003); nas fotomontagens de Jorge de Lima (1893-1953), que podem ser aproximadas de trabalhos correlatos de Max Ernst; na produção de Flávio de Carvalho (1899-1973).

Deste último, podemos lembrar as performances, tão ao gosto das vanguardas - por exemplo, a relatada no livro Experiência nº 2 - e também o seu projeto para a Fazenda Capuava, edificada em 1938, cujas motivações de aproximação arte e vida lembram, segundo algumas leituras, o Merzbau de Schwitters.

Fonte: www.itaucultural.org.br

Dadaísmo

Dadaísmo
Tábua com ovos - Hans Arp 
Coleção particular - (xx)

dadaísmo surgiu no ano de 1916, por iniciativa de um grupo de artistas que, descrentes de uma sociedade que consideravam responsável pelos estragos da Primeira Guerra Mundial, decidiram romper deliberadamente com todos os valores e princípios estabelecidos por ela anteriormente, inclusive os artísticos. A própria palavra dadá não tem outro significado senão a própria falta de significado, sendo um exemplo da essência desse movimento iconoclasta.

O principal foco de difusão desta nova corrente artística foi o Café Voltaire, fundado na cidade de Zurique pelo poeta Hugo Ball e ao qual se uniram os artistas Hans Arp e Marcel Janco e o poeta romeno Tristan Tzara. Suas atuações provocativas e a publicação de inúmeros manifestos fizeram que o dadaísmo logo ficasse conhecido em toda a Europa, obtendo a adesão de artistas como Marcel Duchamp, ou Francis Picabia.

Não se deve estranhar o fato de artistas plásticos e poetas trabalharem juntos - o dadaísmo propunha a atuação interdisciplinar como única maneira possível de renovar a linguagem criativa. Dessa forma, todos podiam ter vivência de vários campos ao mesmo tempo, trocando técnicas ou combinando-as. Nihilistas, irracionais e, às vezes, subversivos, os dadaístas não romperam somente com as formas da arte, mas também com o conceito da própria arte.

Não são questionados apenas os princípios estéticos, como fizeram expressionistas ou cubistas, mas o próprio núcleo da questão artística.Negando toda possibilidade de autoridade crítica ou acadêmica, consideram válida qualquer expressão humana, inclusive a involuntária, elevando-a à categoria de obra de arte.Efêmera, mas eficaz, a arte dadaísta preparou o terreno para movimentos vanguardistas tão importantes como o surrealismo e a arte pop, entre outros.

PINTURA NO DADAÍSMO

A pintura dadaísta foi um dos grandes mistérios da história da arte do século XX. Os pintores deste movimento, guiados por uma anarquia instintiva e um forte nihilismo, não hesitaram em anular as formas, técnicas e temas da pintura, tal como tinham sido entendidos até aquele momento. Um exemplo disso eram os quadros dos antimecanismos ou máquinas de nada, nos quais o tema central era totalmente inédito para aqueles tempos.

Representavam artefatos de aparência mais poética do que mecânica, cuja função era totalmente desconhecida. Para dificultar ainda mais sua análise, os títulos escolhidos jamais tinham qualquer relação com o objeto central do quadro. Não é difícil deduzir que, exatamente através desses antitemas, os pintores expressavam sua repulsa em relação à sociedade, que com a mecanização estava causando a destruição do mundo.

Um capítulo à parte merecem as colagens, que logo se transformaram no meio ideal de expressão do sentimento dadaísta. Tratava-se da reunião de materiais aparentemente escolhidos ao acaso, nos quais sempre se podiam ler textos elaborados com recortes de jornais de diferente feição gráfica. A mistura de todo tipo de imagens extraídas da imprensa da época faz desse tipo de trabalho uma antecipação precoce da idealização dos meios de comunicação de massa, que mais tarde viria a ser a artepop.

ESCULTURA NO DADAÍSMO

A escultura dadaísta nasceu sob a influência de um forte espírito iconoclasta. Uma vez suprimidos todos os valores estéticos adquiridos e conservados até o momento pelas academias, os dadaístas se dedicaram por completo à experimentação, improvisação e desordem. Os ready mades de Marcel Duchamp não pretendiam outra coisa que não dessacralizar os conceitos de arte e artista, expondo objetos do dia-a-dia como esculturas.

Um dos mais escandalosos foi, sem dúvida, o urinol que este artista francês se atreveu a apresentar no Salão dos Independentes, competindo com as obras de outros escultores. Sua intenção foi tão-somente demonstrar até que ponto o critério subjetivo do artista podia transformar qualquer objeto em obra de arte. Com exemplos desse tipo e outros, pode-se afirmar que Marcel Duchamp é sem dúvida o primeiro pai da arte conceitual.

Apareceram também, como na pintura, os primeiros antimecanismos, máquinas construídas com os elementos mais estapafúrdios e com o único objetivo de serem expostas para desconcertar e provocar o público. Os críticos não foram muito condescendentes com essas obras, que não conseguiam compreender nem classificar. Tais manifestações, por mais absurdas e insolentes que possam parecer, começaram a definir a plástica que surgiria nos anos seguintes.

FOTOGRAFIA E CINEMA DADAÍSTA

Artistas de seu tempo, os dadaístas foram sem dúvida os primeiros a incorporar o cinema e a fotografia à sua expressão plástica. E fizeram isso de uma maneira totalmente experimental e guiados por uma espontaneidade inata. O resultado desse novo materialismo foi um cinema completamente abstrato e absurdo, por exemplo, o de diretores como Hans Richter e a fotografia experimental de Man Ray e seus seguidores.

Foi exatamente Man Ray o inventor da conhecida técnica do raiograma, que consistia em tirar a fotografia sem a câmara fotográfica, ou seja, colocando o objeto perto de um filme altamente sensível e diante de uma fonte de luz. Apesar de seu caráter totalmente experimental, as obras assim concebidas conseguiram se manter no topo da modernidade tempo suficiente para passar a fazer parte dos anais da história da fotografia e do cinema artísticos.

Bibliografia

Enciclopedia Multimedia del Arte Universal©AlphaBetum Multimedia

Fonte: www.arteeeducacao.net

Dadaísmo

Dadaísmo é a vida sem pantufas nem paralelos: quem é contra e pela unidade e decididamente contra o futuro; nós sabemos ajuizadamente que os nossos cérebros se tornarão macias almofadas, que nosso antidogmatismo é tão exclusivista como o funcionário e que não somos livres e gritamos liberdade; necessidade severa sem disciplina nem moral e escarramos na humanidade.

Assim começa o "Manifesto do Senhor Antipirina", o manifesto dadaísta, o mais radical de todos os movimentos de vanguarda. De feições anarquistas, o dadaísmo nasceu em meio à 1ª Grande Guerra, em Zurique, onde ainda se podia respirar os ares da paz.

Em 1916, foi fundado o Cabaret Voltarie, por Hugo Ball, e logo tornou-se local de reuniões de intelectuais e foragidos da guerra. Neste cabaret, Tristan Tzara, o próprio Hugo Ball, Hans Harp, Marcel Janco e Huelsembeck lançaram o Dadaísmo, tendo como intenção buscar uma liberdade de se exprimir, de agir; pregando e destruição do passado, o passado cultural e sócio-político da humanidade, assim como dos valores presentes, e não vendo qualquer esperança ao futuro.

Apesar de todo esse radicalismo, o dadaísmo foi na verdade um movimento pacifista, pois este desejo, esta ânsia de destruição, era motivado exatamente pela guerra, que gerou uma forte crise moral e política por toda a Europa.

Dadaísmo representou, portanto, uma reação à sociedade decadente, sobretudo a alemã.

Voltou-se inclusive contra uma possível vitória da Alemanha. E um das maneiras que os artistas encontraram para mostrar seu descontentamento com a sociedade foi criando uma antiarte, uma antiliteratura, carregada de ilogismo, de deboche, de humor sendo antiintelectualista, seguindo com isto parte das idéias cubistas, embora se declarassem anticubistas também.

O cubismo a penúria nas idéias. Os cubistas, os quadros dos primitivos, as esculturas negras, as guitarras, e agora vão cubicar o dinheiro. (Francis Picabia - Manifesto canibal na obscuridade)

Este niilismo, esta negação dadaísta, era tão forte que os artistas procuravam negar-se até a si mesmos. "Os verdadeiros dadaístas são contra dadá.". Isto pelo fato de, uma vez destruídas a arte acadêmica e a moral burguesa, dadá seria o substituto natural.

Entretanto, o dadaísmo representou uma reação a qualquer sistema institucionalizado. No referido manifesto, Tzara diz: "eu sou contra os sistemas, o mais aceitável dos sistemas é aquele que tem por princípio não ter princípio nenhum."

Quanto ao significado da palavra dadá, Tzara explica: "Dada não significa nada." De qualquer modo, esta palavra foi encontrada no dicionário Petit Larousse pelo próprio Tzara. E um dos significados lá presentes era o de que se tratava de um sinal de ingenuidade, algo ligado à criança. O que ressalta a idéia de espontaneidade, de ilogismo e humor da antiarte dadaísta.

Por outro lado, a intenção maior ao nomear o movimento de dadaísmo foi a de ter uma expressividade e uma força à própria palavra.

Dadaísmo teve como epicentro Zurique, na Suiça; porém houve uma contemporânea internacionalização do movimento, indo de Nova York a Moscou, passando por Paris, Barcelona e Munique. Na Alemanha, procurou-se ressaltar os aspectos críticos em relação à sociedade e ao pós-guerra. Enquanto nos Estados Unidos, Francis Picabia, Marcel Duchamp e o americano Man Ray realizam algo como um protodadaísmo.

Duchamp utilizou-se da técnica do ready-made, consistindo em se aproveitar de produtos industrializados para recriar um novo objeto que desprezasse a arte acadêmico-burguesa. Segundo Georges Hugnet, Duchamp "pretendia exprimir a sua aversão à arte e a admiração pelos objetos fabricados."

Quanto à literatura, os textos dadaístas mostravam-se agressivos, opondo-se a qualquer técnica tradicional, criando com isto um texto ilógico e antiracional. "abolição da lógica, dança dos impotentes da criação: DADÁ; (...) trajetória de uma palavra lançada como um disco sonoro grito" (Manifesto Dada - 1918).

Veja como exemplo de ilogicidade dadá este poema de Tzara: As borboletas de 5 metros de comprimento se partem como os espelhos, como o vôo dos rios noturnos sobem com o fogo até à via-láctea.

Uma técnica dadaísta, aprofundada pelos surrealistas, é a da escrita automática, que consiste em escrever sem qualquer preocupação lógica, fazendo uma livre associação de idéias (conforme o poema acima). Dentro deste espírito desconcertante, Tzara dá até mesmo a "técnica" de como se escrever um poema dadaísta:

Pegue um jornal. Pegue a tesoura. Escolha no jornal um artigo do tamanho que você deseja dar a seu poema. Recorte o artigo. Recorte em seguida com atenção algumas palavras que formam esse artigo e meta-se num saco. Agite suavemente. Tire em seguida cada pedaço um após o outro. Copie conscienciosamente na ordem em que elas são tiradas do saco. O poema se parecerá com você. E ei-lo um escritor infinitamente original e de uma sensibilidade graciosa, ainda que incompreendido do público.

Dadaísmo conheceu seu apogeu em 1920 e, no ano seguinte, seu declínio. No ano de 1920, várias peças teatrais, recitais de música e leitura de poemas dadaístas foram praticadas com até mesmo certa aceitação pública. Porém, o distanciamento pretendido se acentuou e, em um outro manifesto, lido por Francis Picabia, "Manifesto Canibal na Obscuridade", há a seguinte passagem:

Dada não quer nada, não pede nada. Move-se e gesticula para que o público diga: nós não compreendemos nada, nada, nada.

Contudo, a Europa, após o término da 1ª Guerra, pedia uma reconstrução, tanto física quanto cultural e moral; e este desejo de se manter distante, este aspecto destrutivo foi causa de discordâncias internas, sendo a principal a entre Tzara e André Breton, dadaísta francês que, em 1924, lançaria o movimento surrealista.

De qualquer modo, apesar de todo radicalismo peculiar, os dadaístas cumpriram seu papel ao se posicionarem contra uma sociedade decadente.

Fonte: www.redacional.com.br

Dadaísmo

Durante a I Guerra Mundial, a cidade de Zurique, na Suíça era considerada neutra. Artistas, escritores e poetas de várias nacionalidades que nos seus países de origem haviam se manifestado publicamente contrários à guerra, foram acusados de impatriotismo e traição, fugiram exilando-se em Zurique e acabaram reunidos, pela primeira vez em fevereiro de 1916, numa cervejaria, a que deram o nome de Cabaret Voltaire. Na ocasião foram lidos manifestos, poesias, encenaram teatro e realizaram exposições de arte. Resolveram fundar um movimento artístico literário que expressasse suas decepções em relação a ineficiência das ciências, da religião e da filosofia que foram incapazes de evitar os horrores da guerra justamente entre as nações mais civilizadas do ocidente e por sua inutilidade já não deveriam merecer confiança e respeito.

Sob influência da psicanálise de Freud, na época em voga entre os suíços, elegeram o automatismo psíquico e as manifestações do subconsciente como fonte da criação artística e o irracionalismo como lei da conduta humana. Não adiantava pensar, raciocinar, conduzir-se conscientemente numa humanidade que havia perdido a razão.

Para designar o movimento, o poeta Tristan Tzara (húngaro)abriu ao acaso um dicionário alemão-francês Larousse acertando na palavra DADA que significa na linguagem infantil “cavalo de pau”. O nome escolhido é sem sentido e o gesto fora irracional, assim como a arte que perdera todo o sentido diante da irracionalidade da guerra. Dez milhões de pessoas foram massacradas ou ficaram inválidas, por isso os dadaístas achassem que não podiam confiar na razão e na ordem estabelecida e sua alternativa foi subverter toda autoridade e cultivar o absurdo.

Não se preocupavam em formular uma teoria que explicasse o pensamento do grupo e somente após quase 3 anos do inicio das atividades, Tristan Tzara escreveu um manifesto sobre o Dadaísmo.

Simultaneamente o movimento foi levado a New York pelos pintores Marcel Duchamp, Picabia e Man Ray , terminado a guerra o negativismo e o irracionalismo dos dadaístas encontraram um ambiente propício na Europa traumatizada. Em Paris, com o apoio dos escritores e artistas Picabia, Max Ernst, Alfred Stieglitz, André Breton, Louis Aragon, Ribemont-Dessaignes, Marcel Duchamp, Albert Biron, Ph.Soupault, Paul Eluard, Benjamin Peret, promoveram famosas reuniões.

Seus seguidores procuravam chocar o público anulando as formas técnicas e os temas da pintura, dando valor ao irracionalismo como fundamento da criação artística; consideravam válida qualquer expressão artística inclusive involuntária, elevando-a a categoria de obra de arte Ex. urinol ou outros objetos banais (ridicularizando a arte eterna ou profunda); poemas sem sentido; máquina sem função (zombando a ciência).

O movimento difere dos futuristas pois não possuía o otimismo e nem a valorização da tecnologia e se aproxima deste no conceito de simultaneidade e provocação (em suas apresentações se misturam desde dançarinas a poetas, a oradores; tudo ao mesmo tempo). Propunham a interdisciplinaridade como única maneira possível de renovar a linguagem criativa.

Em 1922 realizou-se a última grande manifestação em Paris. O movimento durou sete anos e seu declínio é reflexo da recuperação dos países vítimas do conflito e das divergências doutrinárias entre alemães chefiados por Tzara e franceses chefiados por Breton, porém o sinal de alerta do espírito contra a decadência de valores; sua ruptura com a lógica e o raciocínio convencional, foram a base de novas formas de enriquecimento do imaginário como o Surrealismo em 1924.

Característica gerais:

Pregavam “non sense e antiarte” (deliberada irracionalidade)

A colagem era feita com papéis rasgados e não cortados.

Utilizavam materiais diversos como botões, gesso, entre outros.

Usavam as leis do acaso (criação artística não depende de regras estabelecidas e nem da habilidade mental)

Fotomontagem (distorção da fotografia)

Movimento contra o tradicional.

Fonte: www.she.art.br

Dadaísmo

Criado em 1916, em Zurique, por jovens franceses e alemães que se tivessem permanecido em seus respectivos países teriam sido convocados para o serviço militar, o Dadaísmo foi um movimento de negação.

Durante a Primeira Guerra Mundial, artistas de várias nacionalidades, exilados na Suíça, eram contrários ao envolvimento de seus próprios países na guerra.

Fundaram então um movimento literário para expressar suas decepções em relação incapacidade das ciências, da religião e da filosofia, que se revelaram pouco eficazes em evitar a destruição da Europa.

A palavra Dada foi descoberta acidentalmente por Hugo Ball e por Tzara Tristan em um dicionário alemão-francês e significa, na linguagem infantil, "cavalo-de-pau". Como a arte que perdera todo o sentido diante da irracionalidade da guerra, o nome Dada fora escolhido sem qualquer razão específica.

Sua proposta era soltar a arte das amarras racionalistas, de modo que ela fosse apenas o resultado do automatismo psíquico, selecionando e combinando elementos ao acaso. As obras caracterizavam-se pelo movimento das formas e por suas cores exuberantes. Em uma fase posterior, formas e cores tornaram-se mais discretas, até que fossem explorados os engenhos mecânicos dodadaísmo.

De índole satírica, algumas pinturas baseavam-se no irracional, no onírico e no inconsciente. Entre as manifestações dos principais pintores, encontramos a superposição de formas lineares e transparentes, para representar a figura humana, e as colagens, fotomontagens e composições, que sugeriam a múltipla identidade dos objetos.

Fonte: www.acrilex.com.br

Dadaísmo

 

Dadaísmo
A Noiva, Marcel Duchamp, Museu de Arte Moderna Filadélfia

Dadaísmo, movimento artístico e literário anárquico fundado em 1916 por artistas e intelectuais exilados na Suíça durante a I Guerra Mundial teve como fundadores: Hans Richter [1888-1976] e Raul Haussmann [1886-1971]. Por essa altura, publicaram-se numerosos manifestos Dada que proclamavam a espontaneidade, a liberdade e a anarquia absolutas do artista e consideravam a invenção pura, as leis do acaso e a permutação de formas antropomórficas e inanimadas muito importantes para o trabalho artístico. Mais tarde se expande por outros países da Europa e pelos Estados Unidos (EUA). Caracteriza-se pelo desejo de destruir as formas de arte institucionalizadas e de romper o limite entre as várias modalidades artísticas.

Os artistas opõem-se à sociedade materialista, vista como fracassada por promover a guerra, e propõem ignorar o conhecimento até então acumulado pela humanidade.

Dadaísmo

Dadaísmo

Acima de tudo, os dadaístas procuravam chocar a sociedade com uma extravagância deliberada.

Devem ainda referir-se como precursores deste movimento: Marcel Duchamps [1887-1964], francês e Francis Picabia [1878-1953], de origem cubana, que inicialmente foram seguidores do Cubismo.

O seu nome deriva de da-da, duas das primeiras sílabas a serem pronunciadas pelas crianças, segundo os seus autores.

É um estilo entre o infantil e o burlesco [Duchamps, por exemplo, pintou a Gioconda com bigodes...]. Com Duchamps, as formas passam a ter um aspecto mais ou menos mecânico mas não são animadas de um movimento natural. Este artista pintou cerca de vinte quadros, a maior parte deles sobre vidro. Foi ele que imaginou os "ready-made", ou seja, simples objetos manufaturados, como por exemplo um abridor de garrafas ou um urinol, em que ele se limitava apenas a modificar-lhe um pequeno pormenor ou até a não mudar absolutamente nada. Isto levou a que, em 1962, numa carta que Duchamp escreveu a Richter desabafasse: "Quando descobri os ready-mades pensei que ia desencorajar os estetas... Atirei-lhes o porta-garrafas e o urinol à cara como um desafio e eles agora admiram-nos pela sua beleza estética".

Picabia, grande humorista, levou mais longe ainda o seu desafio com as suas mistificações absurdas. Esta atitude é muito característica do Dadaísmo e revela o seu espírito de protesto e de provocação.

Aliás, este movimento surge precisamente como uma reação às conseqüências nefastas da 1ª Grande Guerra Mundial. Perante o horror da guerra, viram-se forçados a reconhecer a fragilidade da civilização e dos seus valores. Por isso, os dadaístas entendiam como necessário fazer uma limpeza na arte, fazendo-a reviver, ou seja, começar tudo a partir do zero, defendendo assim a espontaneidade e a anarquia. Utilizavam qualquer tipo de material que encontrassem à mão.

Atualmente os seus quadros são admirados nos museus e reproduzidos em livros e revistas de arte. Entre os seus principais adeptos, contam-se Tristian Tzara, de origem romena, Hugo Ball, alemão, Jean Arp, alsaciano, Max Ernst, alemão, e Man Ray, norte-americano.

No seu início, os dadaístas chamaram a atenção de Picasso e de outros artistas cubistas, mas em breve manifestaram a sua oposição com firmeza.

O movimento acabou por se desintegrar em 1922 e os seus adeptos foram aderindo a outros movimentos. Contudo, verificou-se um certo mérito neste movimento. Através da ironia e do absurdo, acabaram por provocar o desequilíbrio num determinado número de hábitos e idéias pré-concebidas enraizados na sociedade de então, que só dessa forma puderam ser alterados. Alguns dos seus elementos, do grupo dadaísta alemão, George Grosz [1893-1959] e Otto Dix [n.1891] criaram um outro movimento, denominado Nova Objetividade. Os temas tratados tinham um caráter amargo e satírico. Punha-se em causa a vida política e social, o caos e a hipocrisia da vida.

Fonte: www.spiner.com.br

Dadaísmo

A fumaça dos cabarés enchia os olhos dos artistas. Ali não havia espaço para a mesmice, para o lógico, para a conformação. Na cidade de Zurique, na Suíça, intelectuais de várias vertentes se sentiam inquietos com os rumos das artes, em todas as suas formas de expressão. O ano era de 1916. O mundo estava em sua Primeira Grande Guerra e as ruínas se espalhavam por toda a Europa.

Neste ano simbólico surge, em solo suíço, o Cabaré Voltaire. Sob a tutela dos escritores alemães Hugo Ball e Richard Huelsenbeck e do pintor Hans Arp, este exclusivíssimo grupo literário, que também abria espaço para exposições e teatro, realiza um grande encontro de música, dança e poesia, que também divulgava a arte russa e francesa. Era o início de um movimento. Para batizá-lo, um dicionário de francês, aberto ao acaso, expõe o termo dada - sem significado aparente - é adotado. Ainda que o sentido original da palavra - cavalo de brinquedo - possa de alguma maneira se encaixar nas idéias dos artistas, na verdade, é na escolha aleatória o grande cerne criativo para eles, o que realmente deve ser levado em conta.

A idéia do movimento era romper com tudo o que existia antes, com todos os valores e princípios, em especial os artísticos. Era iconoclasta por excelência. Aos poucos, outros cérebros foram se aproximando do grupo original, em especial Hans Arp, Marcelo Janco e o curioso poeta romeno Tristan Tzara. O tumulto dessa nova arte fez a fama do dadaísmo por toda a Europa. Não por acaso, Marcel Duchamp e Francis Picabia logo se interessaram.

Uma das principais características do movimento dadaísta está na postura interdisciplinar de seus trabalhos, afinal estamos falando de poetas, romancistas, artistas plásticos trabalhando em conjunto.

A combinação de elementos era fundamental para a definição da arte dadá.

Usando a subversão, o niilismo, a irreverência e a anarquia, o dadaísmo acaba sendo uma arte rompedora, não só contra o status quo mas também contra o conceito da própria arte, e aqui não nos referimos apenas aos seus princípios estéticos.

A negar a idéia acadêmica ou crítica, o dadaísmo tenta validar a expressão humana, elevando objetos comuns à categoria de obras de artes - vide o Urinol, de Marcel Duchamp. Na literatura, por exemplo, poemas-pílulas, sem sentido, buscavam alavancar o conceito artísticos das palavras pelas palavras, desafiando e instigando os leitores. Ou ainda os textos caóticos feitos através de recortes de jornais, onde os escritores pinçavam palavras, colocavam em um saco, sorteavam e montavam suas obras ao acaso. Por sua vez, a pintura também buscava nesse enigma sua ostentação. Artefatos buscados aleatoriamente formavam colagens e usam a técnica literária - de recortes de jornais para capitanear a obra. Aliando isso à anulação da mecanização da sociedade, a pintura dadá até ousava em representar objetos por sua poética e não por sua função.

Já nas esculturas, o ready-made de Marcel Duchamp são o ponto alto da estética Dadá, que junta a experimentação, a desordem e a improvisação, praticamente criam um raio-x das propostas do estilo. Tanto que seu Urinol, que ele apresentou ao Salão dos Independentes, em Nova Iorque, para competir com obras "tradicionais", causou comoção no meio artístico, quando, nas entrelinhas, estava o questionamento da arte em seu ponto mais crucial, a estética.

Mas o dadá não parou por aí. O cinema e a fotografia também foram discutidas pelo movimento. Hans Richter, no primeiro caso, e Man Ray, no segundo, são os maiores expoentes dessa arte. Nas películas, o resultado era tão abstrato quanto absurdo, explorando as imagens e suas potencialidades de movimento ao máximo. Já na fotografia, Ray, o inventor da conhecida técnica do raiograma, que consistia em tirar a fotografia sem a câmara fotográfica, ou seja, colocando o objeto perto de um filme altamente sensível e diante de uma fonte de luz, era o mais inventivo criador. Para o trabalho dos dois, apesar de seu caráter totalmente experimental, as obras assim concebidas conseguiram se manter no topo da modernidade tempo suficiente para passar a fazer parte dos anais da história da fotografia e do cinema artísticos.

Entre os principais nomes do movimento estão, na Alemanha, Richard Huelsenbeck, R.Haussmann, Johannes Baader, John Heartfield, G.Groz, Kurt Schwitters, Max Ernst - posteriormente um dos grandes nomes do surrealismo. Nos EUA, encontram-se o multi-homem Francis Picabia, Marcel Duchamp (oriundo da França) e Man Ray. Porém, Picabia também foi o elo de ligação com Albert Gleizes e A. Cravan, na Espanha, onde editaram em conjunto a revista dadá 391. Por fim, ele também se associa ao grupo de Tzara e Arp, em Zurique.

Com tal proposta eloqüente, uma crítica cultural ampla e irrestrita, o dadaísmo não poderia durar muito. Oficialmente, o ano de 1922 marca o término do dadá como movimento artístico. Porém, vários dos protagonistas migraram para o subseqüente surrealismo. Na década de 50, nos EUA, surgiram artistas como Robert Rauschenberg, Jasper Johns e Louise Nevelson, que buscaram no dadá certas orientações. No Brasil, alguns ecos foram ouvidos nas obras de Ismael Nery, Flávio de Carvalho, Jorge de Lima e Cícero Dias.

Esse foi o dadaísmo, um movimento radical que contestava tudo e todos. Uma vanguarda libertária e avassaladora, que tirou as amarras das artes para todo o sempre. Criou, acima de tudo, os diálogos interdisciplinar e estabeleceu uma nova maneira de se enxergar o mundo

Fonte: www.carcasse.com

Dadaísmo

Formado em 1916 em Zurique por jovens franceses e alemães que, se tivessem permanecido em seus respectivos países, teriam sido convocados para o serviço militar, o Dada foi um movimento de negação. Durante a Primeira Guerra Mundial, artistas de várias nacionalidades, exilados na Suíça, eram contrários ao envolvimento dos seus próprios países na guerra.

Fundaram um movimento literário para expressar suas decepções em relação a incapacidade da ciências, religião, filosofia que se revelaram pouco eficazes em evitar a destruição da Europa. A palavra Dada foi descoberta acidentalmente por Hugo Ball e por Tzara Tristan num dicionário alemão-francês. Dada é uma palavra francesa que significa na linguagem infantil "cavalo de pau". Esse nome escolhido não fazia sentido, assim como a arte que perdera todo o sentido diante da irracionalidade da guerra.

Sua proposta é que a arte ficasse solta das amarras racionalistas e fosse apenas o resultado do automatismo psíquico, selecionado e combinando elementos por acaso. Sendo a negação total da cultura, o Dadaísmo defende o absurdo, a incoerência, a desordem, o caos. Politicamente , firma-se como um protesto contra uma civilização que não conseguiria evitar a guerra.

Ready-Made significa confeccionado, pronto. Expressão criada em 1913 pelo artista francês Marcel Duchamp para designar qualquer objeto manufaturado de consumo popular, tratado como objeto de arte por opção do artista.

O fim do Dada como atividade de grupo ocorreu por volta de 1921.

Principais artistas

Marcel Duchamp (1887-1968)

Pintor e escultor francês, sua arte abriu caminho para movimentos como a pop art e a op art das décadas de 1950 e 1960. Reinterpretou o cubismo a sua maneira, interessando-se pelo movimento das formas.

Dadaísmo
Um Rumor Secreto, Marcel Duchamp

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Porta-Garrafas, Duchamp, Galeria Schwarz, Milão

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Foutain, Marcel Duchamp

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Moedor de Chocolate nº 2, Duchamp, Museu de Arte Moderna de Filadélfia

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Nu Descendo a Escada, Duchamp, Museu de Arte Moderna de Filadélfia

O experimentalismo e a provocação o conduziram a idéias radicais em arte, antes do surgimento do grupo Dada (Zurique, 1916). Criou os ready-mades, objetos escolhidos ao acaso, e que, após leve intervenção e receberem um título, adquiriam a condição de objeto de arte.

Em 1917 foi rejeitado ao enviar a uma mostra um urinol de louça que chamou de "Fonte". Depois fez interferências (pintou bigodes na Mona Lisa, para demonstrar seu desprezo pela arte tradicional), inventou mecanismos ópticos.

François Picabia (1879-1953)

Dadaísmo
Moça com sombrinha, Francis Picabia

Pintor e escritor francês. Envolveu-se sucessivamente com os principais movimentos estéticos do início do século XX, como cubismo, surrealismo e dadaísmo. Colaborou com Tristan Tzara na revista Dada.

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A Mulher-monóculo, Picabia, Coleção Simone Collinet, Paris

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O Menino Carburador, Picabia
Museu Guggennheim, Nova York

 

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A Noiva Picabia

Dadaísmo
Paradoxismo da Dor, Picabia, Coleção Tzara, Paris

Suas primeiras pinturas cubistas, eram mais próximas de Léger do que de Picasso, são exuberantes nas cores e sugerem formas metálicas que se encaixam umas nas outras. Formas e cores tornaram-se a seguir mais discretas, até que por volta de 1916 o artista se concentrou nos engenhos mecânicos do dadaísmo, de índole satírica. Depois de 1927, abandonou a abstração pura que praticara por anos e criou pinturas baseadas na figura humana, com a superposição de formas lineares e transparentes.

Pintor alemão, adepto do irracional e do onírico e do inconsciente, esteve envolvido em outros movimentos artísticos, criando técnicas em pintura e escultura.

No Dadaímo contribuiu com colagens e fotomontagens, composições que sugerem a múltipla identidade dos objetos por ele escolhidos para tema. Inventou técnicas como a decalcomania e o frottage, que consiste em aplicar uma folha de papel sobre uma superfície rugosa, como a madeira de veios salientes, e esfregar um lápis de cor ou grafita, de modo que o papel adquira o aspecto da superfície posta debaixo dele. Como o artista não tinha controle sobre o quadro que estava criando, o frottage também era considerado um método que dava acesso ao inconsciente.

Man Ray (1890-1976)

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Le Violon d'Ingres, Man Ray, 1924

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Cadeau, Man Ray

Fotógrafo e pintor norte-americano, em 1915 conhece o pintor francês Marcel Duchamp, com quem funda o grupo dadá nova-iorquino. Em 1921 contata com o movimento surrealista na pintura. Trabalha como fotógrafo para financiar a pintura e, com a nova atividade, desenvolve a sua arte, a raiografia, ou fotograma, criando imagens abstratas (obtidas sem o auxílio da câmara) mas com a exposição luz de objetos previamente dispersos sobre o papel fotográfico.

Fonte: www.historiadaarte.com.br

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Dadaísmo em Zurique

Dadaísmo
Hugo Ball e Emmy Hennings

Início da Primeira Guerra Mundial. 1915. Chegou na Suíça, em Zurique, um escritor e diretor de teatro: Hugo Ball. Veio com uma amiga chamada Emmy Hennings, que cantava e recitava poemas.

Em primeiro de fevereiro de 1916, Ball funda o Cabaré Voltaire. Um cabaré literário. Emmy cantava e Ball a acompanhava ao piano. Em 2 de fevereiro uma notícia no jornal: "...o Cabaré Voltaire exorta todos os jovens artistas de Zurique para que compareçam com sugestões e contribuições, sem se preocupar com esta ou aquela orientação artística."

Os jovens compareceram. Ball relata: "no dia 5 de fevereiro o recinto estava superlotado; muitos não encontravam mais lugar. Por volta das seis horas da tarde, quando o pessoal ainda se encontrava martelando com afinco e afixando cartazes, apareceu uma delegação de quatro homenzinhos, de aspecto oriental, com pastas e quadros debaixo do braço, fazendo várias mesuras discretas. Apresentaram-se: Marcel Janco, o pintor, Tristan Tzara, Georges Janco e um quarto senhor, cujo nome me escapou. Por acaso, Arp também estava lá, e todos se entenderam com poucas palavras. Logo em seguida, os generosos Arcanjos de Janco estavam pendurados ao lado das outras coisas bonitas, e na mesma noite Tzara recitou versos em estilo antigo, que foi tirando dos bolsos do paletó de uma maneira muito simpática."

Zurique era o refúgio de vários personagens irregulares: desertores, emigrados políticos, agentes secretos, etc. Havia também artistas literatos e poetas que chegaram em Zurique por motivos os mais diversos. Tzara e Janco vieram da Romênia e já moravam em Zurique por motivos de estudo (Tzara estudava filosofia e Janco, arquitetura). Com a declaração de guerra da Romênia foram obrigados a permanecer na Suíça. Hanz Arp veio de Paris e chegou em Zurique para encontrar com sua mãe, que era alemã. Hugo Ball, que estava alistado no exército alemão, escolheu a Suíça como asilo. Richard Huelsenbeck e Hans Richter também vieram da Alemanha. Estes homens deram vida ao Cabaré Voltaire, onde nasceu o DADAÍSMO.

Dadaísmo
Sophie Taeuber e Hans Arp, Zurique, 1918

Dadaísmo
Tristan Tzara, Zurique, 1917

Dadaísmo
Marcel Janco, Zurique, 1916-17

Dadaísmo
Dr. Richard Huelsenbeck, Berlim, 1917

De onde surgiu a palavra dadá?

Como diz Hans Richter: "Até hoje é impossível constatar quem achou ou inventou a palavra Dadá, ou o que ela significa." Várias são as versões desta descoberta, várias foram as polêmicas que surgiram em torno da autoria desta marca. Huelsenberck diz: "Ball e eu descobrimos a palavra Dadá, por acaso, num dicionário francês-alemão, quando procurávamos um nome artístico para madame LeRoy, a cantora do nosso Cabaré. Dadá é uma palavra francesa, que significa cavalo de pau."

Já Hans Arp declara, em 1921, na revista do movimento: "Declaro que Tristan Tzara encontrou a palavra dadá em 08 de fevereiro de 1916 às seis da tarde. Eu estava presente com os meus doze filhos quando Tzara pronunciou pela primeira vez essa palavra que despertou em todos nós legítimo esntusiasmo. Isso aconteceu no Café Terasse de Zurique enquanto eu levava uma brioche à narina esquerda. Estou convencido de que esta palavra não tem nenhuma importância e que apenas os imbecis e os professores espanhóis podem interessar-se pelos dados. Aquilo que nos interessa é o espírito dadaísta e nós éramos todos dadaístas antes da existência de dadá."

Em 18 de abril de 1916, Tzara deu esta versão: "Uma palavra nasceu, não sei como."

E Ribemont-Dessaignes confirma que o caso dependeu de "um cortador de papel ter escorregado acidentalmente entre as páginas do dicionário."

A palavra dadá, segundo Baal, traz várias explicações que ficam em aberto: "Dadá em romeno, significa Sim, Sim; em francês, cavalo de pau. Para os alemães, a palavra é um sinal de ingenuidade tola e disparatada, e de simpatia, cheia de alegria procriadora, pelo carro de criança."

O certo é que a palavra Dadá apareceu impressa pela primeira vez no Cabaré Voltaire, no dia 15 de junho de 1916. Estas disputas pela autoria do nome Dadá, só aconteceram após a expansão internacional do movimento dadaísta. Em Zurique, quando o movimento estava sendo vivenciado, estas referidas disputas nunca existiram.

Por algum tempo, houve muita discussão em torno do que seria uma arte nova, uma nova poesia dentro do contexto em que estavam vivendo. Janco e Hans Arp descreviam a situação: "Tínhamos perdido a esperança de uma condição de vida mais justa para a arte em nossa sociedade. Aqueles dentre nós que tinham consciência do problema sentiam o peso de uma enorme responsabilidade. Estávamos indignados com os sofrimentos e o aviltamento do homem."(Janco). "Em Zurique, em 1915, quando perdemos o interesse nas carnificinas da guerra mundial, entregamo-nos às belas-artes. Enquanto ao longe troavam os canhões, nós cantávamos, pintávamos, colávamos e fazíamos poesia a mais não poder, pondo a alma inteira nisso." (Arp)

E qual era a alma? O espírito?

Este espírito foi transformado pela guerra de descontentamento em náusea. Esta náusea foi dirigida contra a sociedade, responsável pelos estragos da guerra e contra a arte e a filosofia impregnadas de racionalismo burguês, a ponto de se tornarem incapazes de criar novas formas, através das quais, se pudesse veicular qualquer tipo de protesto. Opondo-se à paralisia que esta situação parecia conduzir, estes jovens artistas voltaram-se para o absurdo, para o primitivo, para o elementar. Aspiravam uma nova ordem que poderia restaurar o equilíbrio entre o céu e o inferno. Eram contra a arte como instrumento para emburrecer a humanidade. Mais do que a obra é o gesto. Um gesto provocador contra o sentido comum, a moral, a lei ou qualquer norma ou ortodoxia. Transformar poesia em ação. Unir arte e vida.

Em 14 de julho de 1916 realizou-se a primeira noite Dadá: música, danças, manifestos, poemas, pinturas, figurinos, máscaras. Assim escreveu Hans Richter a respeito: "o caldeirão da arte fervia no Cabaré Voltaire, certa noite, ele transbordou."(...) "Campainhas, tambores, chocalhos, batidas na mesa ou em caixas vazias animavam as exigências selvagens da nova linguagem, na nova forma, e excitavam, a partir do físico, um público que inicialmente quedava atordoado atrás dos seus copos de cerveja. Pouco a pouco eram sacudidos e despertados de seu estado de letargia a tal ponto que irrompiam num verdadeiro frenesi de participação. Isto era arte, isto era vida, e era isto o que se queria."

Dadaísmo
Desenho de Marcel Jango, Cabaret Voltaire, 1916. Desenho, 33 x 30. Galeria Schwarz, Milão

Os dadaístas quebraram as barreiras do significado das palavras. O importante era criar palavras pela sonoridade. O importante era o grito, o urro contra o capitalismo burguês e o mundo em guerra.

Outra noite, parecida com a primeira noite dadá, Hugo Ball recita o seu primeiro poema sonorista, chamado O Gadji Beri Bimba:

"Gadji beri bimba glandridi laula lonni dacori
Gadjama gramma berida bimbala glandri galassassa
laulitalomini
Gadji beri bin blassa glassala laula lonni cadorsu
sassala bim
gadjama tuffm i zimzalla binban gkigia wowolimai
bin beri ban
o katalominal rhinozerossola hosamen laulitalomini
hoooo gadjama
rhinozerossola hopsamen
bluku terullala blaulala looooo..."

Ball usava traje especial, como ele mesmo descreve: "traje concebido por Janco e por mim. Minhas pernas estavam enfiadas numa coluna feita de cartolina azul brilhante que ia até a minha cintura, o que, até aquela altura, me dava a aparência de um obelisco. Por cima eu usava uma enorme gola de papelão, revestida de escarlate por dentro e de amarelo-ouro por fora, presa ao pescoço de tal modo que eu podia movimenta-la à semelhança de asas, levantando e abaixando os cotovelos. O traje era complementado por um chapéu de feiticeiro, parecido com uma cartola, com listras brancas e azuis.

O público consternado inicialmente, acabou por explodir."

A poesia abandona a língua, como a pintura o fez com os objetos. Os poemas sonoristas pretenderam renunciar a uma linguagem já devastada: "É preciso que nos retiremos para a mais profunda alquimia da palavra e que até mesmo abandonemos a alquimia da palavra, para, desta maneira, preservar os mais sagrados domínios da poesia."

O dadaísmo se mostra povoado de ecos do futurismo italiano, no seu discurso agressivo, na linguagem violenta de seus manifestos, em suas experiências com o ruído e a simultaneidade, mas com uma diferença: o futurismo possuía um programa e o dadaísmo era visceralmente antiprogramático. A busca de uma verdade não sujeita às regras pré-estabelecidas, regras políticas e morais e também, artísticas.

O seu programa era não ter programa, não ter liames estéticos e sociais:

"Dadá não significa nada"- Dadá foi produzido na boca." (manifesto Dadá de 1918 - Tristan Tzara)

"A arte vai adormecer. A arte imitativa, papagaida, substituía por Dadá. A arte precisa ser operada. A arte é uma exigência especial, aquecida pela timidez do sistema urinário, histeria, nascida no ateliê." ( Tristan Tezara)

"Todos vocês estão acusados: levantem-se! De pé, como fariam para ouvir a Marselhesa ou Deus Salve o Rei...
Dadá, sozinho não cheira a nada; não é nada, nada, nada.
É como as suas esperanças: nada.
Como o seu paraíso: nada.
Como os seus ídolos: nada.
Como os seus políticos: nada.
Como os seus heróis: nada.
Como os seus artistas: nada.
Como as suas religiões: nada.
Vaiem, gritem, esmurrem meus dentes, e daí? Continuarei dizendo que vocês são uns débeis mentais.
Daqui a três meses, meus amigos e eu lhes estaremos vendendo os seus retratos, por uns poucos francos.

( Manifesto canibal Dadá, de Francis Picabia, lido na noite Dadá, no Théâtre de la Maison de l'Oeuvre, Paris, 27 de março de 1920).

O espanhol Francis Picabia chega em Zurique em 1918, vindo de Nova York. Sua descrença total pela arte e sua falta de sentido da vida opera uma mudança radical no movimento dadaísta. Hans Hichter diz a respeito de Picabia: "Encontrei Picabia poucas vezes, mas estes encontros sempre foram para mim, algo como a experiência da morte: extremamente estranho, extremamente atraente, extraordinariamente instigante e assustador. Possivelmente, entretanto, todos nós tivemos, em determinado momento, e por algum tempo., a necessidade de seguir o impulso antivida que Picabia expressava de maneira tão virulenta. Lembro-me de que em horas de desespero e em fase à guerra, à injustiça, caminhei pelo meu ateliê e destruí com pontapés os meus próprios quadros que olhavam para mim. Não sei de que forma este impulso de autodestruição se manifestou nos meus amigos, mas lembro-me das profundas depressões sofridas por Janco, habitualmente tão equilibrado e gentil." (...) " o movimento parecia ter deixado para trás o equilíbrio entre arte e antiarte, para enveredar pelo reino estratosférico do alegre Nada."

Tzara fica fascinado pela personalidade dominadora e fascinante de Picabia e no seu Manifesto Dadá 1918 expressa o seu niilismo:

"Filosofia, eis a questão: de que lado olharemos a vida, Deus, pensamento, ou que outro tipo de fenômeno? Tudo o que vemos é falso."

Picabia edita em Zurique, o número 8 de sua revista 391, fundada em Barcelona, e que atesta oficialmente sua vinculação direta com o movimento Dadá.

Muitas obras dadaístas tiveram na sua criação o método da "poesia no chapéu" - recolhendo diversos elementos e colocando-os juntos segundo a casualidade das suas formas, das suas cores, da sua matéria:

"Para fazer uma poesia dadaísta:
Pegue um jornal.
Pegue uma tesoura.
Escolha no jornal um artigo que tenha o comprimento que você deseja dar sua poesia.
Recorte o artigo.
Corte de novo com cuidado, cada palavra que forma este artigo e coloque todas as palavras num saquinho.
Agite delicadamente.
Tire uma palavra depois da outra colocando-as na ordem em que você as tirou.
Copie-as conscienciosamente.
A poesia se parecerá com você.
Ei-lo transformado em escritor infinitamente original e dotado de encantadora sensibilidade..."

(Manifesto Dadá de 1918 - Tristan Tzara).

Serões provocadores, recitais inconformistas, declamações cacofônicas e, podemos dizer, os primeiros happenings da história, baseados na inspiração casual, no absurdo e no anti-racionalismo. Este era o clima do Cabaré Voltaire, onde nasceu o "movimento mais subversivo da história da arte e das letras."

A Revista Dadá

A revista "Dada" resultou de um trabalho em conjunto de Janco, Arp, Ball, Huelsenbeck, Hans Richter e de muitos outros dadaístas. Tristan Tzara era o editor, o carro chefe, com toda sua energia, paixão e talento organizador. Vários foram os manifestos publicados na revista Dadá.

Teses, anti-teses e a-teses:

Dadaísmo


Capas para Dada, 1917-18

"Destruo as caixas cranianas e as da organização social. Desmoralizar em toda parte, jogar o homem do céu no inferno, voltar os olhos do inferno para o céu, reerguer a terrível roda do circo universal nos reais poderes e na imaginação de cada indivíduo."

"Ordem=desordem; eu=não eu; afirmação=negação: máxima irradiação da arte absoluta, absoluta em pureza, caos ordenado - rolar eternamente em segundos sem fronteiras, sem respiração, sem luz, sem controle - amo uma obra antiga por causa do seu caráter de inovação. Apenas o contraste nos prende ao passado."

"Dadá não significa nada - Dada foi produzido na boca."

Como promotor ideal do Dadá, Tzara estabelece contatos com poetas e escritores modernos de outros países, especialmente na França.O dadaísmo começa a transformar-se num movimento internacional.

Cristina Tolentino

Fonte: www.caleidoscopio.art.br

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