Também chamada de discromatopsia ou "cegueira para as cores", é um defeito genético de transmissão bastante peculiar que atinge, em 97% dos casos, os homens. Isso ocorre porque a falha genética está ligada ao cromossomo X.
Os homens têm apenas um X, como as mulheres têm dois desses cromossomos, a chance de ter os dois defeituosos é menor.
Homens daltônicos vão transmitir o gene do daltonismo somente para suas filhas, nunca para os filhos, as filhas não manifestam nunca o daltonismo mas têm uma chance de 50% de transmiti-lo para seus filhos homens. Portanto, homem daltônico só tem possibilidade de ter netos daltônicos se tiver filhas, que serão sempre, e somente, portadoras, e a possibilidade desses netos serem daltônicos será sempre de 50%.
O daltonismo não é tido como uma deficiência física de grande significado (dado que a maior parte dos daltônicos tem visão normal, no que se refere às demais características), apesar de dificultar, e muitas vezes impossibilitar, uma série de atividades profissionais e do dia-a-dia.
Apesar de não existir nenhum tratamento, tem se desenvolvido alguns recursos ópticos para facilitar a identificação das cores.
Na retina humana normal existem receptores sensíveis às cores, os cones, que contêm pigmentos seletivos para a cor, verde, vermelha e azul. A deficiência de cores ocorre quando há uma redução na quantidade de um ou mais desses pigmentos.
Os daltônicos vêem de 500 a 800 cores. Uma das cores prediletas de quem tem esta alteração genética é o roxo, cor viva.
A incidência de daltônicos pode variar conforme a localidade. Nos EUA e na Europa, por exemplo, é maior do que entre os índios da região andina. É comum que uma mesma família tenha diversos casos de daltonismo.
Muitas vezes, a pessoa nem tem idéia de que é daltônica até fazer um teste. O grande problema é que tem se notado um grande aumento de usuários de Internet que apresentam esse tipo de problema. Chegou-se ao número de 1 a cada 12 usuários de Internet apresentando uma forma de daltonismo. E isso faz crescer a polêmica em cima de usuabilidade e acessibilidade nos sites.
Para um daltônico, navegar na Internet pode ser uma experiência até mesmo frustrante. Alguns problemas podem ser até mesmo graves, como não encontrar navegação no site, e até mesmo textos podem estar 'ilegíveis'. Devido ao grande número de deficientes para cores e a gravidade das dificuldades que eles encontram na Web, seria interessante levantar essa questão e começar a pensar com mais seriedade na criação de páginas que sejam acessíveis a todos.
A pessoa pode ser portadora de uma deficiência na identificação da cor ou pode ter ausência completa de sensibilidade à ela.
O problema pode ser ligado às duas cores ou a apenas uma delas.
O Protan designa o distúrbio para reconhecer a cor vermelha _ a protanopia é quando o indivíduo não tem o receptor para o vermelho (ausência completa) e a protanomalia é quando o receptor é deficiente. O Deutan designa o distúrbio para identificar a cor verde _ na deutanopia, o indivíduo não tem o receptor para o verde (ausência completa) e na deutanomalia, o receptor é deficiente. Atualmente, já existem lentes com filtro que auxiliam o portador de deficiência em relação à uma cor. Entretanto, o material é caro e precisa ser feito sob medida, conforme o "índice" de identificação de cada cor confundida.
O Tritan é um distúrbio que impede o reconhecimento da cor azul. A identificação pode ser deficiente ou nula (nos casos em que há ausência completa de sensibilidade à cor). Pode ser adquirida, por exemplo, por alterações hormonais.
Apenas um numero muito pequeno de pessoas sofre de verdadeira incapacidade para ver todas as cores. Neste caso dizemos que têm visão acromática, ou seja, vê o mundo em tons preto, branco e cinza. A estimativa é de que, para cada 30 ou 40 mil pessoas, exista uma acromata. Quem tem acromatopsia nem mesmo sonha em cores.
Apesar de existirem vários tipos de daltonismo, a grande maioria tem dificuldade de distinguir entre o vermelho e o verde.
Grande parte dos daltônicos apresentam dificuldade em enxergar 'sombras' de cores. Algumas cores (principalmente cores com vermelho e verde) aparecem mais 'claras' do que o normal.>>A grande maioria dos daltônicos podem ver bem o preto e o branco.
A grande maioria dos daltônicos podem ver bem as sombras com base no azul e no amarelo.
A percepção das cores varia muito de uma pessoa com daltonismo para outra.
8% dos homens e 0.4% de mulheres apresentam algum tipo de daltonismo.
Existem três métodos para verificar o grau de daltonismo:
Anomaloscópio de Nagel: Nesse aparelho, o indivíduo que vai ser examinado vê um campo dividido em duas partes. Uma delas é iluminada por uma luz monocromática amarela, enquanto a outra é iluminada por uma mistura de luzes monocromáticas vermelha e verde. Solicitando ao indivíduo sob exame que ele iguale os dois campos, ele pode alterar a razão entre a intensidade das luzes vermelha e verde, bem como reduzir ou aumentar a intensidade da luz amarela. Por intermédio desse exame, os seres humanos podem ter seu tipo de daltonismo classificado.
Lãs de Holmgreen: Consiste em um feixe de lã em diversas cores, que devem ser separadas
Lâminas Pseudoisocromáticas (ou livro de Ishihara): São quadros formados por pontos coloridos sobre as quais aparece um número desenhado em determinada cor. Por ser um método simples este é o mais difundido.
| Lâmina | Percepção Visual Normal | Deficiência para Percepção das Cores Vermelha e Verde | Ausência de Percepção para Cores |
|---|---|---|---|
| 1 | R | E | Não há Leitura |
| 2 | U | G | Não há Leitura |

1

2
A figura acima monstra outra lâmina do teste de Ishihara para determinação do Daltonismo. Se você visualizar n.º 8 está normal. O daltônico vê o n.º 3.
Um pouco de história
A inabilidade de discriminar cores foi ignorada até o fim do século 18, e sua existência só foi aceita quando o químico John Dalton descreveu, com explicações científica, sua própria dificuldade na visão de cores em 1798. A partir de sua descoberta foram criados inúmeros testes para detectar a presença do daltonismo, sendo o mais popular o Teste de Ishihara (de onde vem a planilha acima).
Já na idade escolar aparecem as primeiras dificuldades com os desenhos de mapas e identificação dos lápis de cores. Os pais e professores devem estar atento para essa dificuldade. Infelizmente (para os daltônicos, é claro) o mundo atual vive a Era das Cores. Cada vez mais a codificação industrial é feita em cores e diversas profissões excluem, por razões, o "deficiente para cores": piloto de aviação civil e militar, cabeamento em telecomunicações, eletrônica e indústria gráfica em geral, artes, indústria química, geologia, arqueologia, decoração e moda.
Dificuldades do dia-a-dia
Há algumas áreas que apresentam dificuldades para o daltônico. Mapas e quadros estatísticos com códigos coloridos em suas legendas. LEDs (Light Emitting Diodes), ou as populares "luzinhas" bi ou tri cores nos carregadores de celulares, no painel do rádio, no monitor do computador. As observações do tipo "Olha que linda árvores carregada de cerejas!!" Respondo: "que cerejas?". A compra de roupas sempre exige uma assessoria para não haver erros graves de combinação e para que não ocorram extravagâncias de cores que parecem bonitas.
O que responde às pessoas que me perguntam como vejo o mundo na minha condição de daltônico?
Explico que uma pessoa tem condições de ouvir e apreciar uma música sem conhecer as notas que estão nela.
Faço então a seguinte analogia: para mim, o mundo é lindo e também muito colorido, mesmo sem precisar saber o nome de algumas cores que o compõe.
Fonte: www.ufv.br