Biotecnologia e Plantas Transgênicas

Biotecnologia e Plantas Transgênicas

Temos acompanhado, por todos os meios de comunicação, os fantásticos avanços da medicina no controle das doenças e no desenvolvimento de novos medicamentos que possibilitam o prolongamento da vida humana no planeta. As pessoas estão vivendo mais e cada vez mais nasce mais gente no mundo todo. Há 100 anos, a estimativa média de vida girava em torno de 45 e 50 anos. Hoje, as pessoas planejam ter filhos com 40 anos, pois sabem que poderão viver muito bem e com bastante saúde até os 80 anos. Atualmente podemos ter filhos com 30 anos e ter certeza de que chegaremos a pegar no colo nossos bisnetos.

As estimativas apontam para daqui a 30 anos uma população mundial em torno de 12 bilhões de pessoas. O dobro de hoje. Como alimentar toda essa gente se a produção de alimentos no planeta aumenta em progressão aritmética e a população aumenta em progressão geométrica? A solução seria a utilização de novas tecnologias agrícolas para conseguir um aumento da produtividade nas culturas ocupando a mesma área de exploração agrícola que temos atualmente. Muitas pesquisas na área da agricultura têm desenvolvido novas tecnologias objetivando o aumento da produção de alimentos. Dentre essas tecnologias podemos citar os defensivos agrícolas mais seletivos e menos poluentes, o melhoramento vegetal, máquinas de colheita mais precisas com menos riscos de perdas na produção, novas tecnologias no armazenamento da produção, aplicação de insumos agrícolas com agricultura de precisão diminuindo os custos de produção e diminuindo os riscos da contaminação ambiental, a biotecnologia e outros.

Dentre essas novas tecnologias as que mais tem ocupado os canais da mídia com manifestações contra sua utilização em todo o planeta são os agroquímicos, chamados de agrotóxicos, a biotecnologia e os organismos geneticamente modificados.

As perdas na produção agrícola mundial pelo ataque de insetos, doenças e plantas daninhas, em média, giram em torno de 40%. No Brasil, a área plantada da cultura da soja para o ano de 2003 foi de 35 milhões de hectares. Estima-se que 30% dessa produção foi consumida pelas doenças de final de ciclo. As DFCs, doenças de final de ciclo, são causadas por fungos e bactérias e rapidamente se desenvolvem no ataque às culturas. Levando-se em consideração essa porcentagem absurda de perdas de alimentos, pelo ataque de apenas um tipo de doença, nem devemos discutir se devemos usar ou não os defensivos agrícolas. As outras tecnologias que têm causado muita discussão na mídia são a biotecnologia e as plantas transgênicas.

Biotecnologia e os OGMs

A Biotecnologia é o ramo da ciência que pesquisa a transferência de genes de um ou mais organismos para outro organismo. O objetivo dessa transferência de genes é mudar a programação genética do organismo receptor para que esse atenda às necessidades do homem e do meio ambiente.

OGMs - Organismos Geneticamente Modificados - também conhecidos como transgênicos, são organismos cuja cadeia de DNA - onde se encontra informações sobre os códigos da vida - sofre modificações pela introdução de genes de outros seres vivos, mudando suas características (do receptor) adquiridas pela evolução da natureza para uma programação imposta pelos interesses das pesquisas científicas para um determinado fim específico.

Para a agricultura, por exemplo, uma planta como o feijão poderia ser resistente a um determinado herbicida se fosse introduzido em seu DNA um gene de uma alga marinha ou de um peixe descoberto através de pesquisas, por exemplo, que mudasse sua programação genética e tornasse essa planta de feijão resistente a esse herbicida.

Essa característica de resistência a esse herbicida seria importante nas práticas do controle fitossanitário nessa cultura, pois poderia ser aplicado o herbicida na área de cultivo do feijão, onde estariam também as plantas daninhas e o herbicida mataria somente as plantas daninhas. A cultura do feijão não seria afetada pelo herbicida, pois seria resistente a ele. Esse tipo de aplicação da biotecnologia na agricultura tem resultado, em muitas pesquisas, um menor consumo de defensivos agrícolas no controle de plantas daninhas em diversas culturas pelo mundo todo.

No caso dos problemas com a fome mundial prevista para as próximas décadas, os OGMs desenvolvidos para a agricultura poderiam produzir plantas transgênicas com características de maior produtividade, maior resistência à seca ou mais tolerantes ao alagamento, mais resistentes ao ataque de pragas e doenças e também o prolongamento de tempo de vida dos frutos durante o processo de armazenamento.

A importância dos OGMs para a Humanidade

Em um futuro bastante próximo, uma planta de feijão transgênico poderá produzir grãos acrescidos de vitaminas e sais minerais ou poderá produzir uma vacina específica para o controle de uma determinada doença.

Nessa mesma planta de feijão poderão ser inseridos em seu DNA genes que possibilitarão condições de se desenvolver em solos com baixa fertilidade e alta acidez, sem a necessidade de preparo na correção do solo pela calagem e adubação.

Atualmente, as pesquisas com plantas transgênicas estão bastante adiantadas. Já existem plantas de arroz muito mais ricas em betacaroteno que as naturais. A engenharia genética utilizou para esse OGM, genes emprestados da erva narciso e da bactéria erwinia. O betacaroteno é o agente construtor da vitamina A, responsável pelo fortalecimento do organismo humano contra doenças infecciosas e previne contra a cegueira noturna. O mal da cegueira noturna aflige atualmente mais de 350.000 crianças subnutridas em todo o mundo.

Um outro exemplo são as experiências com a planta de tomate. Pesquisadores dos Estados Unidos estão desenvolvendo plantas transgênicas de tomate com a propriedade de produzir antígenos do vírus respiratório sincicial, agente de uma infecção fatal em crianças e idosos. Somente no Estado de São Paulo essa doença causa 2.000 mortes por ano em crianças com menos de 5 anos de idade.

A redução da aplicação de agroquímicos nas culturas também é busca da biotecnologia. O algodão Bt, por exemplo, é uma planta desenvolvida pela biotecnologia, que carrega em seu código genético o gene da Proteína Cristal de Bacillus thuringiensis, uma bactéria de solo encontrada naturalmente, que tem ação inseticida contra insetos e pragas que atacam as lavouras. Com o uso da biotecnologia Bt, as plantações de algodão ficam protegidas contra a lagarta alabama (curuquerê), a lagarta-da-maçã e a lagarta rosada. O resultado dessa proteção contra essas pragas é uma diminuição considerável no número de aplicações, que em muitos testes de campo chegou a 30%.

Possibilidades de Riscos Ambientais

Com certeza, as plantas transgênicas transformarão o mundo nas próximas décadas, livrando bilhões de pessoas do sofrimento, da fome e das doenças. Contudo, a introdução dessas plantas transgênicas na natureza poderá também ocasionar grandes impactos ecológicos e profundas modificações no meio ambiente do planeta.

Dentre os possíveis problemas ambientais que poderão ocorrer, podemos citar:

1) Transferência de genes entre plantas: Através da polinização as plantas transgênicas poderão transferir seus genes para as suas plantas parentes silvestres.

2) As plantas transgênicas podem se tornar plantas invasoras.

3) As plantas silvestres já com os genes transferidos das plantas transgênicas podem se tornar resistentes aos insetos.

4) Os insetos pragas podem se adaptar e desenvolver mecanismos alternativos de ataque a essas plantas transgênicas.

A Fome no Planeta

A produção mundial de alimentos no 2020 somente atenderá 20% da população mundial. Hoje, a cada 3,6 segundos morre uma pessoa de fome no mundo. Por dia, são 24 mil mortos pela fome crônica. A cada ano, 7 milhões de crianças com menos de 5 anos morrem de fome e desnutrição. Esses são os números da fome no planeta.

Toda e qualquer medida para acabar com a fome no planeta deve ser implantada o mais rapidamente possível, objetivando reverter esse possível quadro catastrófico que assola a humanidade e que, em breve, deverá aumentar ainda mais o sofrimento e a miséria das populações pobres dos países do chamado terceiro mundo.

Apenas criticar os OGMs e protestar contra a utilização das plantas transgênicas com características modificadas para produzir mais frutos com maior poder nutricional não ajudam a amenizar a fome no mundo. Faltam alternativas apontadas por esses críticos para reverter o quadro da fome e da miséria que assolam grande parte da humanidade.


O retrato da miséria e fome no planeta

Nunca saberemos exatamente o que esse povo faminto está sentindo e sofrendo, pois se estamos lendo esse texto pela tela de um computador, somos pessoas com maior acesso às informações, com melhor poder econômico e mais esclarecidas e nunca passamos fome, nem veremos nossos filhos e netos passarem fome.

Utilizar as plantas transgênicas para produzir mais alimentos e acabar com a fome no mundo deve ser o objetivo maior, acima de qualquer interesse comercial das indústrias fabricantes ou de qualquer interesse de preservação da natureza pelas ONGs ambientais

Fonte: www.pulverizador.com.br