Depressão é uma doença do humor caracterizada por um conjunto de sintomas variados
Sentimentos de tristeza são comuns em situações de perdas, fracassos e conflitos interpessoais (ex. luto) x reação desprorporcional com comprometimento funcional
Depressão pode ser uma manifestação de doenças físicas ou uso de medicações
Tristeza prolongada, “sensação de vazio” e ataques de choro sem explicação
Dormir muito pouco ou dormir demasiado
Perda de apetite e de peso ou aumento de apetite e de peso
Perda de interesse ou prazer em atividades que antes eram prazerosas
Inquietação ou irritabilidade
Lentificação
Sintomas físicos persistentes que não respondem ao tratamento (como dor de cabeça, dor crônica, prisão de ventre e outras alterações digestivas)
Dificuldade em concentar-se, recordar ou tomar decisões
Fadiga ou perda de energia
Sentimentos de culpa, de desesperança ou inutilidade
Pensamentos recorrentes sobre morte e suicídio.
Humor ansioso ou irritado
Queixas físicas diversas com exames clínico/laboratoriais normais
Queixas de memória com bons resultados nos testes cognitivos
Apetite reduzido com perda de peso na ausência de doença física
Insônia inicial e principalmente despertar precoce (< 5 horas/noite)
Idéias de baixa auto-estima, menos valia
Atos auto-lesivos, desesperança e ideação suicida
Crenças irreais de perseguição, doença grave ou falência dos órgãos internos
Outras condições que cursam com sintomas depressivos:
Luto
Ajustamento
Depressão bipolar
Distimia
Distúrbio misto de ansiedade e depressão
Transtorno disfórico pré-menstrual
É comum as pessoas ficarem deprimidas?
Maioria não procura atendimento médico, ½ em atendimento clínico não especializado; ¼ em psicoterapia, ¼ com psiquiatra
A depressão é pouco diagnosticada pelo médico não psiquiatra (30 a 50%)
Transtorno freqüente
3 a 11% da população geral
20% dos idosos
33% pós IAM e 47% nos pcts. com câncer
Duas x mais freqüente em mulheres (15 a 25%)
Incapacitante: 4ª causa de afastamento do trabalho (em 2020 será 2ª causa)
Crônico e recorrente:
80% apresentarão um segundo episódio, em média 4
12% não remitem
Quando buscar ajuda?
Se houver suspeita
Teste de duas questões
Durante o último mês você se sentiu incomodado por estar para baixo, deprimido ou sem esperança?
Durante o último mês você se sentiu incomodado por ter pouco interesse ou prazer para fazer as coisas?
O que causa depressão?
Muitas causas podem estar envolvidas:
Biológicas
Excesso ou falta de algumas substâncias no cérebro, os “neurotransmissores”
Genéticas
Herança familiar multifatorial
Medicamentos
Alguns medicamentos como antihipertensivos, cimetidina, indometacina, etc.
Doenças clínicas
IAM, câncer, transtornos hormonais, etc.
Psicológicas
Cognição negativa, perdas precoces, situações de vida.
Medicamentos antidepressivos
Psicoterapia
ECT
| Aguda | Objetivo: remissão
dos sintomas e melhora do funcionamento psicossocial Duração: em geral, de 6 a 8 semanas |
| Continuação | Objetivo: prevenção
de recaídas e recuperação do funcionamento psicossocial Duração: em média, de 4 a 9 meses |
| Manutenção | Objetivo: prevenção
de recorrências Duração: indefinida |
Atitudes e crenças
Deve-se tomar o antidepressivo só até melhorar
Antidepressivos podem mudar a personalidade
Meu médico me forçou a tomar o antidepressivo
Pode-se tomar menos pílulas nos dias em que você se sente melhor
Minha depressão desapareceria mesmo sem tratamento
Pode-se tomar pílulas extras nos dias em que você se sente pior
Causas de abandono do tratamento antidepressivo
Sentem-se melhor
Efeitos adversos
Medo de ficar dependente
Sentimento de desconforto
Falta de eficácia
“Tenho que me curar sozinho”
Informações que influenciam positivamente a adesão
Medicamentos demoram de duas a quatro semanas para fazer efeito
Não parar sem antes falar com o médico
Realizar atividades de laser
Suicídio
14 – 15% dos pacientes deprimidos tentam (11% com êxito)
Não considerar como tentativas de chamar a atenção
15 – 22% apresentam nova tentativa no ano seguinte; 10% se suicidam em 10 anos
Fatores de risco: M, > 45 anos, separado ou divorciado, classes sócioeconômicas extremas, morar em área urbana, desempregado ou aposentado, ser ateu, e ter poucos contatos sociais; doenças crônicas
Personalidade impulsiva, uso de álcool e drogas.
Perguntando sobre ideação suicida
Sente que a vida perdeu o sentido?
Tem esperança de que as coisas vão melhorar?
Pensou que seria melhor morrer?
Pensamentos de por fim à própria vida?
São idéias passageiras ou persistentes?
Pensou em como se mataria?
Já tentou, ou chegou a fazer algum preparativo?
Tem conseguido resistir a esses pensamentos?
É capaz de se proteger e retornar para a próxima consulta?
Tem esperança de ser ajudado?
Circunstâncias que sugerem risco de suicídio
Comunicação prévia de que iria se matar
Mensagem ou carta de adeus
Providências finais (ex. conta bancária) antes do ato
Planejamento detalhado
Precauções para que o ato não fosse descoberto
Ausência de pessoas por perto que pudessem socorrer
Não procurou ajuda logo após a tentativa de suicídio
Método violento, ou uso de drogas mais perigosas
Crença de que o ato seria irreversível e letal
Afirmação clara de que queria morrer
Arrependimento por ter sobrevivido
Transtorno mental mais comum na população
Recorrente e com risco de cronificação
Recuperação plena se tratado adequadamente
Referências
Fleck MPA et al. Diretrizes da Associação Médica Brasileira para o tratamento da depressão. Revista Brasileira de Psiquiatria 2003;25(2):114-22
Shua-Haim JR et al. Depression in Elderly. Hospital Medicine 1997;33(7):45-58
Louzã MR et al. Psiquiatria Básica. Artes Médicas. Porto Alegre, 1995.
Moreno DH e Soares MB. Diagnósticos & Tratamento: Elementos de Apoio - Depressão. Editora Lemos. São Paulo, 2003.
Botega NJ. Prática psiquiátrica no hospital geral: interconsulta e emergência. Editora Artmed. Porto Alegre, 2002
Luciana Porto C. da Nóbrega
Fonte: www.hoje.org.br
O que é Depressão?
Depressão (do latim depressione) é uma palavra freqüen- temente usada para descrever nossos sentimentos. Em primeiro lugar, depressão não é um estado de tristeza profunda nem desânimo, preguiça, estresse ou mau humor. A depressão, enquanto evento psiquiátrico, é algo bastante diferente: é uma doença como outra qualquer que exige tratamento. Mesmo assim, podemos considerar a depressão como natural período de transição. São tempos de mudanças e crescimento, épocas que antecedem novos horizontes de amadurecimento do ser em constante processo de evolução.
Para entendermos melhor essa diversidade de sintomas de- pressivos, vamos considerar que, entre as pessoas, a depressão seria como uma bebedeira geral, onde cada pessoa alcoolizada ficasse de um jeito: uns alegres, outros tristes, irritados, engraçados, dorminhocos, libertinos... A única coisa que todos teriam em comum é o fato de estarem sob efeito do álcool, todos estariam tontos, com os reflexos diminuídos, etc. Na depressão também. Cada personalidade se manifestará de uma maneira.
Na verdade, ninguém sabe o que um deprimido sente, só ele mesmo e talvez quem tenha passado por isso. Nem o psiquiatra sabe: ele reconhece os sintomas e sabe tratar, mas isso não faz com que ele conheça os sentimentos e o sofrimento do seu paciente.
Tipos de Depressão
Há dois tipos de depressão: monopolar (não é um termo usado oficialmente) e a depressão bipolar (este termo é oficial). A depressão bipolar se caracteriza pelo transtorno afetivo, ou seja, a alternância de fases deprimidas com maníacas, de exaltação, alegria ou irritação do humor. A depressão monopolar só tem fases depressivas.
Causas
A causa exata da depressão permanece desconhecida. A explicação mais correta é o desequilíbrio bioquímico dos neurônios responsáveis pelo controle do estado de humor. Em nosso cérebro existem mensageiros químicos chamados neuro-transmissores que ajudam a controlar as emoções. Os dois mensageiros principais são a serotonina e a norepinefrina. Os níveis aumentam ou diminuem, mudando nossas emoções. Quando os neuro-transmissores encontram-se em equilíbrio, sentimos a emoção certa para cada ocasião. Quando alguém está deprimido, os mensageiros químicos não estão em equilíbrio. Mas isso ocorre em algumas pessoas e não em outras. Sendo que em certas famílias é mais freqüente. Por isso, a tendência genética ainda é alvo de estudos para que se encontre a causa da depressão.
Eventos estressantes como perda de pessoa querida, perda de emprego, mudança de habitação contra vontade, doença grave e pequenas contrariedades, ainda não são considerados fortes suficientes para desencadear depressão. Porém, em pessoas que têm a tendência genética, esses fatores podem se transformar em depressão. Além disso, alguns medicamentos, como os remédios para pressão alta, podem causar depressão. O álcool e algumas drogas ilegais podem piorar a depressão.
Sintomas - Você sofre de depressão?
Como outras doenças, a depressão tem certos sintomas. Uma vez que esses sintomas são reconhecidos, pode-se tomar providências para o tratamento. Faça o seguinte teste para saber se você (ou alguém de sua família ou um amigo) pode estar deprimido.
Durante a maior parte das duas últimas semanas, você:
Se algumas respostas foram afirmativas, este possivelmente é um quadro depressivo. Mas para afirmarmos que o paciente está deprimido, temos que afirmar que ele sente-se triste a maior parte do dia e quase todos os dias, não tem tanto prazer ou interesse pelas atividades que apreciava, não consegue ficar parado, e pelo contrário, movimenta-se mais lentamente que o habitual. Passa a ter sentimentos inapropriados de desesperança, desprezando-se como pessoa e até mesmo se culpando pela doença ou pelo problema dos outros, sentindo-se um peso morto na família. Com isso, apesar de ser uma doença potencialmente fatal, surgem pensamentos de suicídio. Esse quadro deve durar pelo menos duas semanas para que possamos dizer que o paciente está deprimido.
Tratamento
O primeiro passo no tratamento é consultar o médico que irá estabelecer as causas. Atendimento médico, medicação antidepressiva, aconselhamento e apoio da família e amigos são meios eficazes no tratamento. Orientação, entendimento e cuidados nas dosagens das medicações são os passos fundamentais.
O médico precisa conhecer os sintomas e saber por quanto tempo você tem se sentido deprimido. A visita pode incluir um exame físico e testes laboratoriais. Assim, os problemas físicos podem ser descartados, e o médico irá poder fazer um plano de tratamento efetivo para você.
Seu médico poderá fazer algumas perguntas, como:
Estatísticas
Os períodos depressivos são mais comuns no sexo feminino. Sendo 3,2% no feminino e 1,9% no sexo masculino.
Estima-se que 5,8% dos homens e 9,5% das mulheres passarão por períodos depressivos em 12 meses.
A depressão contínua afeta de 15% a 20% das mulheres e de 5% a 10% dos homens.
Em 20% dos casos, a depressão segue um curso contínuo, especialmente quando não há tratamento adequado.
Embora a depressão possa manifestar-se em qualquer momento, a incidência mais alta é nas idades médias. Mas há um crescimento reconhecido durante a adolescência e início da vida adulta. Portanto, manifesta-se com maior freqüência entre os 20 e 50 anos.
Aproximadamente 2/3 das pessoas com depressão não fazem tratamento. Entre os pacientes que procuram o clínico geral, apenas 50% são diagnosticados corretamente.
A maioria dos pacientes não tratados irá tentar suicídio pelo menos uma vez. Sendo que 17% conseguem se matar.
Com tratamento correto, 70% a 90% dos pacientes recuperam-se.
Fonte: Organização Mundial de Saúde (OMS)