Nessa aventura, conta-se que o intuito era traçar uma nova rota para as Índias, cujo acesso estava impossibilitado pelo "fechamento" do mar Mediterrâneo realizado pelos árabes. Há controvérsias sobre a versão de que os portugueses tenham chegado aqui por acaso, já que possuíam razoável conhecimento técnico, mas isso é uma outra história.
A jornada foi repleta de ação e de terríveis naufrágios, combates marítimos e terrestres, encontro com povos e terras desconhecidas e inúmeros outros episódios dramáticos. Homens de carne e osso, com desejos e temores, com anseios e expectativas, premidos pela fome e pela sede, lutando por glória e por dinheiro - nossa capacidade de nos identificarmos com aqueles marinheiros, soldados e capitães aumenta enormemente.
No dia 22 de abril, após 44 dias de uma longa viagem, foi avistada terra: um monte, que ficou conhecido como Monte Pascoal, já que estavam em época de Páscoa. Ali mesmo, no sul da Bahia, o Brasil foi batizado de Ilha de Vera Cruz, e os colonizadores tiveram os primeiros contatos com os nativos (denominados, erroneamente, "índios", já que se acreditava que aquela terra fosse a Índia).
Para notificar o rei português Dom Manuel, o escrivão da frota de Cabrall, Pero Vaz de Caminha, escreve um documento de 7 páginas; o primeiro documento da história do Brasil. A Carta de Pero Vaz de Caminha, por sua beleza textual, foi encaixada na escola literária quinhentista.
A designação Ilha de Vera Cruz não "pegou": os marujos preferiam chamá-la de "Terra dos Papagaios". Esse nome mudaria para Brasil, não só pela abundância da árvore de mesmo nome, mas também em função da antiga e lendária "Ilha Brasil".
Assim, graças à poderosa frota naval portuguesa, estava descoberto o país destinado a ser a maior nação católica da Terra: o Brasil.
Fonte: Educaterra
O termo Descoberta do Brasil se refere à chegada, no ano de 1500, da esquadra comandada por Pedro Álvares Cabral ao território onde hoje se encontra o Estado brasileiro e a tomada de posse do território pelo reino de Portugal.
Confirmando o sucesso da odisseia de Vasco da Gama o rei D. Manuel I depressa se aprontou em mandar emparelhar nova frota para a Índia, desta feita bastante maior que aquela usada por Gama. A nova frota era composta por treze navios e mais de mil homens. Pela primeira vez liderava uma frota um fidalgo, Pedro Álvares Cabral, filho de Fernão Cabral, alcaide-mor de Belmonte.

Sabe-se que a armada levava mantimentos para dezoito meses. Pouco antes da partida, mandou el-Rei rezar uma missa, no Mosteiro de Belém, presidida pelo bispo de Ceuta, D. Diogo de Ortiz, onde benzeu uma bandeira com as armas do Reino e a entregou em mão a D. Pedro Álvares Cabral, despedindo-se pessoalmente o rei do fidalgo e dos restantes capitães.
Vasco da Gama teria tecido considerações e recomendações para a longa viagem que se chegava: a coordenação entre os navios era crucial para não se perderem uns dos outros, pelo que recomendou ao capitão-mor disparar os canhões duas vezes e esperar pela mesma resposta de todos os outros navios antes de mudar o curso ou velocidade (método de contagem ainda hoje utilizado em campo de batalha terrestre), entre outros códigos de comunicação semelhantes.
Zarpava a grande frota de 13 navios do Restelo a 9 de Março de 1500, com o objetivo formal de concluir relações comerciais com os portos índicos de Calicute, Cananor e Sofala, iniciadas na viagem de Vasco da Gama. Pelo dia 14 do mesmo mês já se encontravam nas Canárias e no dia 22 chegavam a Cabo Verde. No dia seguinte desaparecia misteriosamente o navio de Vasco de Ataíde.
No dia 22 de Abril , acidente de percurso ou missão secreta de legitimação de posse, avistava-se «terra chã, com grandes arvoredos: ao monte». Ao grande monte, Pedro Álvares Cabral baptizou de Monte Pascoal e à terra deu o nome de Terra da Vera Cruz — hoje denominado Porto Seguro, no estado da Bahia. Aproveitando os alísios, a esquadra bordeja a costa baiana em direção ao norte, à procura de uma enseada, achada afinal pouco antes do pôr-do-sol do dia 24 de abril, em local que viria a ser denominado Baía Cabrália. Ali permaneceram até 2 de maio, quando rumaram para a Índia, cumprindo seu objetivo formal de viagem e deixando dois degredados e dois grumetes que desertaram. Estava iniciada a ocupação do Brasil por europeus.
No dia 24 de Maio Cabral recebe os nativos no seu navio. Aí, acompanhado de Sancho de Tovar, Simão de Miranda, Nicolau Coelho, Aires Correia e Pêro Vaz de Caminha, recebia o grupo de índios que reconheceram de imediata o ouro e prata que se fazia surgir no navio — nomeadamente um fio de ouro de D. Pedro e um castiçal de prata — indicando aos portugueses que ali havia destes metais.
O encontro entre portugueses e índios está muito bem documentada na famosa carta escrita por Pêro Vaz de Caminha, escrivão a bordo. O choque cultural foi evidente. Os indígenas não reconheciam os animais que traziam os navegadores, à excepção de um papagaio que o capitão trazia consigo; ofereceram-lhes comida e vinho que os índios rejeitaram. O fascínio tocava-lhes pelos objectos não reconhecidos - como umas contas de rosário, e a surpresa dos portugueses pelos objectos reconhecidos - os metais preciosos.
Primeira missa, de Victor Meirelles.Os indígenas começaram a tomar conhecimento da fé dos portugueses ao assistirem a Primeira Missa, rezada por Frei Henrique de Coimbra, em 26 de abril de 1500. A cruz foi plantada no solo do novo domínio português, que recebera o nome de Ilha de Vera Cruz. Logo depois de realizada a missa, a frota de Cabral rumou para a Índia, seu objetivo final, mas enviou um dos navios de volta a Portugal com a carta de Pero Vaz de Caminha.

Primeira missa, de Victor Meirelles.
Quando do “achamento” do Brasil pelos portugueses, o litoral baiano estava ocupado por duas nações indígenas do grupo linguístico tupi: os Tupinambás, que ocupavam a faixa compreendida entre Camamu e a foz do Rio S. Francisco, e os Tupiniquins, que se estendiam de Camamu até o limite com o atual Estado do Espírito Santo. Mais para o interior, ocupando faixa paralela àquela apropriada pelos Tupiniquins, estavam os Aimorés. Tais grupos dominavam aqueles territórios há apenas dois séculos e, provavelmente, provinham do Alto Xingu, na Amazônia.
No ano 2000 comemorou-se os 500 anos do Descobrimento do Brasil, o que provocou muita polêmica ao redor da data. Para muitos, a comemoração implicaria que a história do Brasil completou quinhentos anos no ano 2000, uma perspectiva claramente eurocêntrica, pois parte do princípio de que apenas com a chegada da esquadra de Cabral teve início o processo histórico nas terras que hoje formam o Brasil. Isso é particularmente relevante do ponto de vista indígena, uma vez que os primeiros habitantes do território sofreram com a escravidão e mesmo as guerras de extermínios levadas a cabo pelos recém-chegados, o que, junto com as doenças e processos de aculturação, levou à desaparição de grande parte das tribos indígenas originais.
Outro fator polêmico é a descoberta de que alguns portugueses foram enviados ao Brasil em missões secretas antes mesmo da descoberta oficial, como, por exemplo, Duarte Pacheco Pereira.
Outros consideram que as comemorações, tanto oficiais como não oficiais, serviram como um bom pretexto para a reflexão sobre toda a história brasileira, uma vez que a Descoberta do Brasil é certamente um dos momentos-chave da História do Brasil.
Fonte: pt.wikipedia.org