
Com o ritmo impressionante e crescente de desmatamento e destruição das florestas do planeta que o homem vem empreendendo nas últimas décadas, nunca antes presenciado, muito pouco do remanescente de florestas nativas sobrará. Há dez mil anos, 55% das terras do planeta eram cobertas por florestas.
Dos quase 70 milhões de km2 que se estendiam pela superfície da Terra, restam hoje pouco mais de 20 milhões. Ou seja, dois terços dessa cobertura vegetal original não existem mais. As florestas resumem-se atualmente a cerca de 32% dos continentes.
Depois da Ásia, a América Latina é o continente que mais destruiu suas florestas. A área desmatada na região é quase do tamanho da Floresta Amazônica. Na América Latina, foram desmatados 4,76 milhões de km2, o que corresponde a quase 41% da área original. A área perdida corresponde a 86,5% da Amazônia, que tem 5,5 milhões de km2. A pior situação, entretanto, é a da Ásia. Os asiáticos perderam 31,76 milhões de km2 de florestas, ou 88% de sua cobertura florestal original, e somente 5% do que restou estão legalmente protegidos.
Seis anos depois da Rio-92, o Brasil ainda é o país que mais perde florestas em todo o mundo, todos os anos. Por isso detém o triste título de campeão em área anual desmatada. Os dados de satélite indicam que a taxa anual de desmatamento no país é de 15 mil km2. A situação é particularmente grave para a Mata Atlântica, que teve 93% de sua cobertura original destruídos. Estão ainda irremediavelmente perdidos 15% da Floresta Amazônica e 30% do Cerrado.
As florestas tropicais são o alvo predileto das queimadas e da extração de madeira.
Entre 1960 e 1990, um quinto das matas tropicais foi destruído em velocidade alucinante.
Seis países sozinhos foram responsáveis por 58% desse total: Brasil, Indonésia, Congo, Bolívia, Malásia e Venezuela.
O Brasil, que abriga 17% das florestas nativas do mundo e 34% das florestas tropicais, apenas nos últimos três anos, devastou uma área de floresta tropical quase igual à da Bélgica e da Holanda somadas __ representa 11% de tudo o que já foi derrubado na Amazônia nos últimos quatro séculos.
A Indonésia, segundo país com mais florestas tropicais, é o vice-campeão no ranking da devastação. Entre 1990 e 1995, destruiu uma área maior do que a Dinamarca. Pôs no chão, apenas no ano passado, 20 mil km2 de florestas, o equivalente ao Estado de Sergipe.
Dados atuais compilados pelo WWF, em estudo realizado em conjunto com o Centro Mundial de Monitoramento da Conservação (WCMC), indicam que as florestas tropicais continuam a ser destruídas em uma velocidade impressionante: 17 milhões de hectares por ano.
A continuar nesse ritmo, em 50 anos as florestas naturais da Costa Rica, Malásia, Paquistão e Tailândia terão desaparecido por completo.
Perdas em quantidades similares também são verificadas nas florestas temperada e boreal do Canadá, Europa, Rússia e EUA. Do total de florestas nativas hoje existentes no planeta, 60% se concentram na região boreal da América do Norte e da Rússia, onde a variedade de espécies é mínima __ predominam as árvores de Pinnus. Com 25% das florestas nativas do mundo, o Canadá é o maior exportador de celulose e madeira. Nos EUA continental, resta apenas 1% de florestas nativas. A Rússia, que tem 26% das florestas nativas do planeta, já ameaça um quinto delas. Com a extração de madeira, as ex-repúblicas soviéticas perderam 35% de suas florestas originais, uma área equivalente à metade do Brasil.
O Brasil possui a maior área de floresta tropical do planeta e torna-se imperativo que o governo tome iniciativas para protegê-la , afirma Garo Batmanian, diretor-executivo do WWF Brasil. Para o diretor da Campanha de Proteção de Florestas do WWF, Francis Sullivan, o mais dramático é que o ritmo de destruição tem se acelerado nos últimos 5 anos e continua a crescer. Com a redução das florestas nativas no mundo, países como o Brasil são cada vez mais procurados por madeireiras estrangeiras, principalmente as asiáticas.
Na Amazônia, grande parte das madeireiras age fora da lei, derrubando a floresta sem prestar contas a ninguém e sem nenhuma preocupação ecológica. O governo brasileiro, leia-se Ibama, admite que 80% do comércio de madeira no país é, no mínimo, irregular.
Este processo, além de causar um dano irreparável para o meio ambiente, tem um agravante para nós brasileiros: nossa floresta se perde e pouca riqueza é gerada para o país.
A devastação atual das florestas tropicais tem motivação diferente da que destruiu os bosques temperados europeus e norte-americanos séculos atrás. Apesar de não ser uma justificativa para tal ação contra o meio ambiente, há de se ter em conta que, não só naquela época não se tinha a noção de preservação que hoje "achamos" que temos, como lá as florestas foram derrubadas para a utilização dos solos férteis que elas escondiam e para a expansão das áreas urbanas e industriais. Para as regiões tropicais essa fórmula não funciona. Na Amazônia, apenas 9% do solo tem aptidão para a agricultura. Na área restante, a camada fértil é pouco profunda e não agüenta mais do que cinco anos de cultivo. Na África Central as condições são semelhantes. As florestas tropicais estão estão sendo destruídas para virar madeira ou ardendo sob o fogo colocado para abrir espaço para agricultura e pecuária de baixa produtividade. O Congo, ex-Zaire, que ocupa a terceira colocação entre os maiores desmatadores do planeta, perdeu entre 1990 e 1995 o equivalente a uma Bélgica. Todo ano, os vizinhos Congo, Camarões, República Centro-Africana e Gabão devastam uma área maior do que três municípios do Rio de Janeiro.
Outro dado preocupante é a pequena quantidade de florestas protegidas na América Latina. Das florestas restantes no continente, apenas 600 mil km2, ou 9%, constituem parques ou reservas, uma área menor do que o Chile. Isso significa que 91% das florestas remanescentes não possuem qualquer proteção legal.
Mesmo quando estabelecidos, alguns parques não chegam a sair do papel, como é o caso do Brasil, com seus 36 parques nacionais oficialmente implantados.
Alguns deles não têm nem mesmo a área totalmente demarcada.
Ao lançar os mapas denunciando a destruição das florestas no mundo, o WWF fez um apelo para que seja criada, até o ano 2000, uma rede de áreas legalmente protegidas cobrindo pelo menos 10% de cada floresta nativa remanescente no planeta (veja no mapa mundial de florestas os atuais percentuais de áreas protegidas nos continentes).
O Brasil deu o primeiro passo para cumprir tal meta, o equivalente a uma área de 37 milhões de hectares apenas na Amazônia. O Governo anunciou em abril a criação de 4 novas Unidades de Conservação, duas no Rio de Janeiro, para preservar uma área de restinga (Parque Nacional de Jurubatiba) e uma área de Mata Atlântica (Reserva Biológica da fazenda União), e duas em Roraima, para proteger a Floresta Amazônica (Parques Nacionais de Viruá e da Serra da Mocidade).
As unidades somam juntas uma área de 596 mil hectares.
Pelo menos 22 países já aderiram à campanha da WWF, mas o Brasil é o primeiro a ser beneficiado pelos financiamentos do Banco Mundial, que no ano passado firmou compromisso de fornecer recursos para a proteção de 50 milhões de hectares de florestas, sendo metade dessa área em território brasileiro.
Estima-se que serão necessários de US$ 84 milhões a US$ 165 milhões em um período de cinco a dez anos para que o Brasil consiga atingir a meta de preservação florestal.
O acordo prevê que o Brasil entrará com uma contrapartida de metade deste valor.
Muitos países estão aprendendo na marra a importância de preservar suas florestas. É o caso da Malásia, de onde vêm as madeireiras que agora atuam na Amazônia. Depois de ter destruído grande parte de suas matas nativas __ uma área igual ao Estado de Sergipe entre 1990 e 1995 __, o país criou leis que estimulam a conservação. Além de investir no extrativismo, passou a explorar madeira de maneira sustentada, que chega a valer 15% mais do que as outras.
A Malásia exporta US$ 3,8 bilhões em óleo de dendê e US$ 1,4 bilhão em borracha de seringueira por ano. Dez por cento de seu PIB provém de produtos florestais, o que prova que a floresta em pé vale mais do que toras de madeira.
| Região | Área Original Estimada* | Área Remanescente** | Área Protegida*** |
| Ásia e Oceania | 36,02 | 4,26 (11,83%) | 0,22 (5,16%) |
| América Latina | 11,72 | 6,96 (59,39%) | 0,63 (9,05%) |
| América do Norte | 11,01 | 6,74 (61,22%) | 0,34 (5,04%) |
| África | 3,89 | 2,14 (55,01%) | 0,12 (5,61%) |
| Europa | 5,65 | 2,14 (37,88%) | 0,04 (1,87%) |
| Totais | 68,29 | 22,24 (32,57%) | 1,35 (6,07%) |
* Todas as áreas estão em milhões de km2
** Os percentuais referem-se ao que sobrou da área original.
*** Os percentuais referem-se ao que é protegido da área
remanescente.
Nosso planeta possui hoje algo entre 80 mil e 100 mil espécies de árvores. Deste total, cerca de 10%, ou mais precisamente 8.753 espécies, estão ameaçadas de extinção. Entre os países com maior número de espécies em extinção aparecem, em primeiro lugar, a Malásia com 958 espécies em extinção, seguida pela Indonésia, com 551 espécies, e pelo Brasil, com 462 espécies ameaçadas. Essas informações estão no relatório intitulado Lista Mundial de Árvores Ameaçadas, divulgado pelo Fundo Mundial para a Natureza (WWF) e pelo Centro Mundial de Monitoramento da Conservação.
Realizado em 197 países, o estudo é considerado o primeiro inventário já realizado de todas as árvores ameaçadas de extinção no mundo. Segundo o relatório, a atividade madeireira (derrubada) representa a principal causa e ameaça 1.290 espécies. É seguida pela agricultura, que ameaça 919 espécies, pela expansão de povoamento, com 751 espécies, pela pecuária, com 417 espécies, e pelas queimadas, com 285 espécies ameaçadas.
Apenas 8% das espécies ameaçadas são hoje cultivadas e as áreas protegidas existentes no mundo abrangem somente 12% das árvores que estão desaparecendo. O relatório recomenda, para salvar o que resta, medidas como o aumento da proteção das árvores em áreas específicas, o manejo sustentável das florestas em conjunto com a certificação florestal, a recuperação dos habitats florestais com o controle das espécies invasoras e a conservação das espécies ameaçadas em jardins botânicos e bancos de sementes.
Das 462 espécies brasileiras ameaçadas, cinco são consideradas extintas, 38 enfrentam ameaça crítica, 106 estão em risco de extinção, 207 são vulneráveis, 23 são dependentes de conservação, 56 estão quase ameaçadas e sobre as 27 restantes não existem dados suficientes. Dentre as espécies brasileiras mais ameaçadas estão o pau-brasil, o pau-rosa e o mogno. O pau-brasil, usado para móveis, arcos de violino e na construção naval, com quantidades limitadas nos litorais do Rio de Janeiro, Bahia, Alagoas, Pernambuco e Rio Grande do Norte, é ameaçado pela exploração comercial, uso local, desmatamento e destruição de habitat. Do pau-rosa se extrai um óleo para perfumes, resina e borracha e sua madeira é usada para mobílias. O mogno é a espécie de maior valor comercial no mundo e 70% de sua extração são exportados.
As florestas controlam o clima e os ciclos aquáticos e abrigam milhões de plantas, animais e microorganismos interligados em uma fina cadeia. As folhas das árvores absorvem dióxido de carbono (CO2), liberado pela queima de combustíveis, como madeira e petróleo. O gás é fotossintetizado e usado pela árvore em seu crescimento. Graças a essa capacidade de absorver CO2 e filtrar outros poluentes, as florestas ajudam a manter o ar limpo e reduzir o risco de aquecimento do planeta (efeito estufa). As florestas também são fontes de madeiras, frutas, borracha, cortiça, tinturas, óleos e remédios.
A floresta tropical, em particular, é hoje sinônimo de biodiversidade. O Brasil, que abriga 17% das últimas matas virgens, concentra 22% de toda a biodiversidade vegetal mundial. Grande parte dos princípios ativos descobertos contra o câncer nos últimos 10 anos vieram das florestas tropicais. Por isso é tão importante preservá-las.
Para tirar melhor proveito destas florestas é preciso manter seu equilíbrio natural e explorá-las de forma racional e sustentável. Assim, é fundamental que os projetos de educação ambiental possam conscientizar e mobilizar as pessoas sobre a importância da preservação do meio ambiente.
A Floresta Amazônia é o maior ecossistema tropical do planeta. Dona de uma biodiversidade ainda desconhecida em sua maior parte, vem enfrentando ano após ano o ataque implacável do homem. Segundo o relatório do Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe), a devastação continua avançando tendo atingido seu ápice em 1995, quando 29.059 km2 de florestas foram destruídos. Nos últimos 3 anos, 60.257 km2 de florestas __ área quase uma vez e meia o território da Suíça __ desapareceram do mapa.
A Floresta Amazônica permaneceu praticamente intacta até a década de 60. As atividades produtivas, basicamente extrativistas, não chegavam a afetar a mata.
Nesta época, a região só possuía 6.000 km de estradas, dos quais menos de 300 eram asfaltados. Esse isolamento relativo, que resguardou a vegetação nativa, começou a ser quebrado em 1964 com a abertura da rodovia Belém-Brasília, que estimulou a expansão da pecuária. De 1960 a 1970, a população na zona de influência da estrada passou de 100 mil para 2 milhões de pessoas.
O Programa de Integração Nacional, instituído no governo Médici, injetou recursos para a abertura de 15.000 km de estradas, incluindo a Transamazônica.
O desmatamento provocou surtos de malária, o que, no entanto, não evitou a descoberta de jazidas minerais (casseterita e ouro). A prospecção dos minerais, conjugada com a distribuição de lotes para pequenos produtores, impulsionou a ocupação da região. Aos poucos, as pequenas propriedades foram sendo substituídas por megaprojetos. O mais conhecido deles é o Grande Programa Carajás, que cobre uma superfície de 895.000 km2, mais de 10% da área total do País. Por outro lado, o governo passou a incentivar a destruição da floresta por projetos agropecuários, atingindo principalmente o Pará, Mato Grosso e Rondônia.
| Estados | Agosto / 94* | Agosto / 95** | Agosto / 96** |
| Acre | 12.064 | 13.306 (10,30%) | 13.742 (3,28%) |
| Amapá | 1.736 | 1.782 (2,65%) | 1.782 (0,00%) |
| Amazonas | 24.739 | 26.629 (7,64%) | 27.434 (3,02%) |
| Maranhão | 95.979 | 97.761 (1,86%) | 99.338 (1,61%) |
| Mato Grosso | 103.614 | 112.150 (8,24%) | 119.141 (6,23%) |
| Pará | 160.355 | 169.007 (5,40% | 176.138 (4,22%) |
| Rondônia | 42.055 | 46.152 (9,74%) | 48.648 (5,41%) |
| Roraima | 4.961 | 5.124 (3,29%) | 5.361 (4,64%) |
| Tocantins | 24.475 | 25.142 (2,73%) | 25.483 (1,36%) |
| Totais | 469.978 | 497.055 (5,76%) | 517.069 (4,03%) |
* Os números fornecem o tamanho acumulado da área (em km2)
de desflorestamento bruto nos estados que compoêm a Amazônia Legal até as
correspondentes datas.
** Os números entre parenteses referem-se aos percentuais
de aumento relativos.
Saudado pelo governo como uma conquista brasileira da tecnologia de monitoramento por satélite, o Programa de Avaliação de Desflorestamento (Prodes) montado pelo Inpe mostrou resultados constrangedores.
A Floresta Amazônica perdeu, de 1995 a 1997, 60.257 km2 de sua superfície, índice superior à média de devastação no período 1978-1988 (21.130 km2), época dos grandes projetos de colonização do governo federal.
O ano de 1995 registrou o recorde da destruição na Amazônia: foram 29.059 km2 de floresta derrubada ou uma extensão maior do que o tamanho do Estado de Alagoas em apenas um ano (veja o gráfico evolução da devastação na floresta). Cerca de 11% de toda a devastação da história da região ocorreram nos últimos 3 anos, durante o período do governo de Fernando Henrique Cardoso.
Mesmo com uma considerável redução ocorrida em 1996 __ 18.161 km2 __, os números apenas mantêm o ritmo apresentado no início da década de 90. A área já desmatada em toda região da Amazônia Legal é de 517.069 km2, algo em torno de duas vezes e meia o tamanho do Estado de São Paulo ou 10,34% do total da região (veja a tabela evolução do desmatamento por estado). Somente em 1997, segundo as previsões, foram 13.037 km2, uma área superior à da Jamaica. Hoje, as ameaças são representadas pelas madeireiras, pelos colonos, pelos garimpeiros e principalmente pela falta de política ambiental por parte do governo.
O levantamento do Inpe mostra que em 1995, 21% das matas derrubadas estavam em propriedades de até 15 hectares e 27% em glebas de 15 a 20 hectares.
Em 1996, 18% estavam em áreas de até 15 hectares e 23% em áreas de 15 a 50 hectares. As propriedades acima de 1.000 hectares contribuíram com 11% da destruição em 1995 e com 24% em 1996.
Embora os assentamentos rurais, junto com os grandes projetos de desenvolvimento agropecuário, tenham sido apontados como os fatores que mais impulsionaram o desflorestamento, a exploração de madeira __ tanto para consumo interno quanto para o exterior __ é o outro vilão. Segundo dados do Ibama, 90% da madeira consumida em todo o País saem da região amazônica. O Ibama tem apertado a fiscalização da região e, no ano passado, chegou a apreender 600 mil metros cúbicos de madeira extraída ilegalmente, emitindo cerca de R$ 9,8 milhões em multas contra empresas estrangeiras. Apenas 20% do desmatamento foi autorizado. No período de 1994 a 1996, os Estados do Mato Grosso e Pará contribuíram com mais de 60% de todo o desflorestamento da Amazônia, seguidos de Rondônia e Amazonas, com 20% do total.
Para concluir o levantamento, o Inpe recebeu e processou 47 imagens do satélite americano Landsat, de uma área onde estão concentrados 75% dos desflorestamentos. O Inpe cruzou os dados de satélite com os do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), para verificar os tipos de vegetação mais atingidos pela devastação.
A vegetação do tipo ombrófila aberta foi a mais derrubada: 31% em 1995 e 32% em 1996.
De acordo com os pesquisadores do Instituto de Pesquisa da Amazônia (Ipam), ONG de Belém, o estudo do Inpe não cobre todas as agressões feitas à floresta.
As imagens de satélite ainda não dão um quadro fiel do desmatamento na Amazônia e, com isso, a floresta pode estar sendo devastada a um ritmo maior do que o indicado pelo Inpe. Mesmo contando com a tecnologia mais moderna para monitorar florestas tropicais, o Inpe não detecta o fogo sob a copa das árvores nem o desmatamento seletivo feito pelas madeireiras. Segundo eles, o fogo rasteiro que queima sob a copa das árvores é mais extenso do que se imagina. Estimativas do Ipam indicam que esse tipo de queimada atinge cerca de 9 mil km2 de floresta por ano. Como o calor do fogo rasteiro não atinge a copa das árvores, não é percebido pelos sensores térmicos dos satélites NOAA 12 e 14, utilizados pelo Inpe para monitorar as queimadas.
Há casos extremos. O Ipam fez um levantamento em uma área com raio de 30 km em torno da cidade de Paragominas, no Pará, onde existem 100 serrarias.
Segundo as imagens do Landsat, ainda existem 65% da cobertura vegetal da área. Mas o Ipam descobriu que apenas 6% da região tinham florestas saudáveis.
Os ambientalistas se queixam também que os dados demoraram a ser divulgados. Essa também tem sido uma exigência constante dos organismos internacionais envolvidos com projetos ambientais na Amazônia. Segundo o Greenpeace, o governo esperou para divulgar os dados quando havia uma perspectiva de queda na taxa de desmatamento. Além disso, o governo teve muita habilidade na apresentação dos dados, desviando-se da magnitude dos números, a fim de diminuir a repercussão negativa sobre o recorde de desmatamento em 1995.
O governo, por outro lado, contestou os resultados do Prodes, que apontam o recorde histórico de desmatamento em 1995. Reconheceu que, como o poder aquisitivo da população da Amazônia aumentou com o Plano Real, houve uma maior demanda por alimentos e, conseqüentemente, um maior desmatamento. Mas afirmou que o governo foi sensível aos riscos e adotou medidas severas de controle, tanto que houve uma redução no ano seguinte.
Na verdade, a estratégia do governo foi minimizar os números do relatório do Inpe e maximizar as ações contra o desmatamento. Dessa forma, foram lembradas as mudanças nas regras de manejo, como a Medida Provisória 1511, de 1986, que limitou em 20% o desmatamento em cada propriedade na Amazônia Legal, a moratória sobre as exportações de mogno e virola e a atuação do Ibama na apreensão de 600 mil metros cúbicos de madeira. A conclusão oficial é que poucos governos tomaram medidas tão duras para combater o desflorestamento na Amazônia, resultando na mais drástica queda no índice de devastação na floresta.
Por não apresentar a exuberância da Floresta Amazônica ou da Mata Atlântica, a qual estamos acostumados a ver e que "enche os nossos olhos", o Cerrado brasileiro veio sendo constantemente desprezado até a década de 60 como se fosse apenas um grande descampado com espargidas árvores retorcidas, no centro do país. Não despertava, por isso, a merecida atenção como área potencial para o desenvolvimento econômico e muito menos como um verdadeiro ecossistema, digno de preocupações conservacionistas.
Nas últimas três décadas, este cenário começou a se alterar. Com a mudança da capital do País para Brasília, na década de 60, e a criação de técnicas de correção do solo ácido em conjunto com a introdução de novas espécies de gramíneas para alimentação do gado, na década de 70, houve um enorme desenvolvimento da região com a expansão rodoviária, populacional, imobiliária e agropecuária. Atualmente, 42% da soja e 32% do milho nacionais são produzidos no Cerrado, enquanto que 40% do rebanho bovino do país é criado por lá.
Todo esse desenvolvimento e expansão provocou, como não poderia deixar de ser __ já que se assemelha muito à expansão das áreas urbanas, industrias e agropecuárias européias e norte-americanas nos séculos passados __, a degradação ambiental e a correspondente, porém tardia, inquietação dos ambientalistas.
Um recente estudo do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) revelou que, da área original de Cerrado __ correspondente a 22% do território nacional ou à soma de dez países da Europa __, apenas um terço permanece intacto. Outra terça parte foi degradada por pequenos agricultores e estradas e o restante está irremediavelmente perdido, coberto por cidades ou plantações. As regiões mais arrasadas estão no Estado de São Paulo, que já abrigou 10% do Cerrado e hoje conserva apenas 1%.
Além do diagnóstico por satélite, o foco dos ambientalistas sobre o Cerrado originou estudos inéditos sobre sua biodiversidade. Por ser uma vegetação aberta, sempre se acreditou que o ecossistema da região não apresentasse espécies importantes. O resultado da pesquisa, no entanto, mostrou que a realidade é completamente diferente. O Cerrado é rico em diversidade animal e vegetal. O fato de ainda não conhecermos a totalidade de sua biodiversidade aumenta muito a importância de evitar a destruição desta região.
ANIMAL
Das 1.622 espécies de aves brasileiras, mais de 550 vivem no Cerrado. A região é habitada também por grande parte dos maiores, mais bonitos e também mais ameaçados mamíferos de nossa fauna, como a onça-pintada, a onça parda, o lobo guará, a lontra, a ariranha, o quati e o cervo pantaneiro. Apenas na região do Distrito Federal foram cadastradas mais de 1.000 espécies de borboletas, 30 de morcegos e 550 de abelhas.
VEGETAL
Além de flores exuberantes, onde despontam bromélias, orquídeas e plantas carnívoras, a região apresenta variedades silvestres de plantas cultivadas, como o caju, a mandioca, o abacaxi, o caqui, a goiaba, o amendoim e o guaraná. Todas essas variedades são fundamentais para os trabalhos de melhoria genética que permitem desenvolver tipos mais resistentes às pragas. Cerca de 80 plantas nativas, como o pequi, são usadas na alimentação. Algumas têm potencial para a produção de adoçantes. Vinte espécies de árvores produzem cortiça e alguns arbustos têm quantidade suficiente de tanino __ usado no curtimento de couro __ para ser comercialmente viáveis. Mais de 100 espécies possuem propriedades medicinais conhecidas.
Hoje, temos plena consciência e capacidade tecnológica para saber que sua superfície não precisa ser toda ocupada para gerar um excedente agrícola. Até porque, se, hipoteticamente, ocupassemos todas as terras com plantações, além de extingüir a fauna e a flora, haveria o risco de degradação do solo com sua conseqüente erosão.
Segundo a Embrapa, usando apenas as técnicas modernas de manejo do solo, a área de 10 milhões de hectares atualmente ocupada pela agricultura no Cerrado, poderia, no mínimo, dobrar a produção e chegar a 60 milhões de toneladas de grãos por ano.
É fundamental, para a sobrevivência dos animais e plantas, manter preservadas as áreas representativas da diversidade animal e vegetal, com a criação de mais Unidades de Conservação, como parques e reservas. Infelizmente, apenas 1,5% da área de Cerrado se encontra hoje protegida. É muito pouco, mesmo quando a comparamos com a média do território nacional, que é de 2,6% de área preservada, e, muito menos ainda, em comparação com a Amazônia, que tem 3,8% de sua área "teoricamente" preservada.
Novos parques, aliados ao cumprimento do atual código florestal e à implementação do turismo ecológico consciente, com certeza ajudariam bastante na preservação da vida selvagem e do ecossistema do Cerrado. Por lei, os fazendeiros são obrigados a manter pelo menos 20% das propriedades como reserva e preservar a vegetação ao longo dos rios e cursos de água, além das encostas com mais de 45 graus de declividade.
Marcelo Szpilman
Fonte: www.institutoaqualung.com.br

O desmatamento é um processo que ocorre no mundo todo, resultado do crescimento das atividades produtivas e econômicas e principalmente pelo aumento da densidade demográfica em escala mundial, isso coloca em risco fundamentalmente regiões compostas por florestas.
A exploração que naturalmente propicia devastação através das atividades humanas já disseminou em cerca de 300 anos mais de 50% de toda área de vegetação natural em todo mundo.
A atividade de extrativismo vegetal é extremamente importante em vários países como o Brasil, com predomínio de florestas tropicais, assim como a Indonésia e o Canadá com florestas temperadas, e essa extração coloca em risco diversos tipos de vegetações distribuídas no mundo.
Atualmente a destruição ocorre em passos largos podendo ser medida, pois anualmente são devastadas cerca de 170.000 km2, os causadores da crescente diminuição das áreas naturais do planeta são dentre eles a produção agrícola e pastoril com a abertura de novas áreas de lavoura e pastagens, o crescimento urbano, a mineração e o extrativismo animal, vegetal e mineral. Essa exploração é característica da Ásia, que por meio da extração de madeira já destruiu 60% de toda floresta, no Brasil o número é pouco menor, mas não menos preocupante, pois abrange cerca de 40% da área total do território.
As conseqüências da retirada da cobertura vegetal original são principalmente perdas de biodiversidade, degradação do solo e o aumento da incidência de processo de desertificação, erosões, mudanças climáticas e na hidrografia.


Fonte: pt.scribd.com