Baixa Estatura e Magreza

BAIXA ESTATURA E MAGREZA

Muitos autores descrevem dois tipos principais de desnutrição em grande prevalência no mundo:

o baixo peso para a estatura (wasting ou magreza); a baixa estatura para a idade (stunting ou baixos).

Criança com baixo peso para sua idade

A baixa estatura para a idade apresenta prevalências muito mais altas que o baixo peso para estatura. Está associada à baixa disponibilidade de alimentos, analfabetismo materno e baixa renda. O baixo peso para estatura, ou magreza, está associado principalmente à baixa imunização, alta prevalência de infecções e guerras.

Na América Latina e Caribe, 19% das crianças com menos de 5 anos estão com baixa estatura (stunting) e 3% com magreza (wasting). Na África, 42% das crianças menores de 5 anos estão com baixa estatura e 9% com magreza, enquanto no sul da Ásia 51% apresentam baixa estatura e 18% magreza, as proporções mais altas do mundo.

Baixa estatura: Um marcador de qualidade de vida

A estatura é considerada um importante parâmetro para se avaliar a qualidade de vida de uma população, podendo ser utilizada para monitorar mudanças nos padrões econômico, de saúde e de nutrição.

A variação das mudanças na estatura ao longo dos anos reflete o estado de saúde de um país e o estado nutricional médio de seus cidadãos

Criança com baixa estaturapara sua idade

Historicamente, tem-se observado uma tendência progressiva para o aumento na estatura de indivíduos que habitam em países industrializados e em alguns países em desenvolvimento. O aumento médio de estatura a cada 10 anos nas populações européias varia conforme a idade e o estrato socioeconômico e tem sido de:

de 1,0 a 1,3 cm por década para crianças entre 5 e 10 anos;
de 1,9 a 2,5 cm por década durante a adolescência; de 0,6 a 1,0 cm por década no início da idade adulta. Esses aumentos estão relacionados principalmente à nutrição e à ausência de doenças.

No Brasil, a estatura dos adolescentes aumentou ao redor de 8 cm entre 1975 e 1989, porém ainda apresenta um déficit de aproximadamente 10 cm em relação aos adolescentes americanos.

Fator Genético x Fator Ambiental

Vários estudos mostraram que os fatores ambientais têm um efeito muito maior do que os genéticos na estatura final dos indivíduos.

Os fatores ambientais considerados nos estudos de baixa estatura estão normalmente relacionados à renda familiar e escolaridade materna e, em alguns desses trabalhos, à paterna, à inserção do chefe da família no mercado de trabalho, à paridade e às condições habitacionais.

A interferência do fator genético na determinação da estatura final deve ser considerada quando o fator nutricional não for importante.

Em populações economicamente desprivilegiadas, o déficit de estatura em adultos também pode ser usado como um indicador da iniqüidade socioeconômica. Em média, o ambiente pode alterar a estatura de diversas populações em cerca de 12 cm, e os fatores genéticos, ao redor de 3,5 cm.

Nos países em desenvolvimento, os estudos têm mostrado que os fatores ambientais, importantes na determinação da estatura da população, são principalmente os socioeconômicos. Estes fatores são responsáveis por 3/4 na variação da prevalência do déficit de estatura.

Em uma análise estratificada no Chile observou-se que o déficit de estatura materna estava associado a um risco 2 vezes maior de déficit de estatura nas crianças de nível socioeconômico baixo. No estrato social mais elevado este risco subiu para 4, o que reflete que, quando o fator nutricional não predomina, a estatura dos pais pode ser um fator que determina a estatura final dos filhos.

No México, o déficit de estatura materna foi associado ao déficit de estatura dos filhos com uma chance de risco igual a 4. Quando o resultado foi ajustado levando-se em conta os fatores ambientais, a chance diminuiu principalmente nas regiões mais pobres, mostrando a influência destes fatores na determinação da estatura.

Fonte: www.desnutricao.org.br