Há evidências de uma correlação entre desnutrição na primeira infância e desnutrição materna e a susceptibilidade para desenvolver doenças crônico-degenerativas na vida adulta como obesidade, diabetes, cardiopatias e hipertensão.
Alguns estudos têm levantado a hipótese de que a desnutrição na infância e fase fetal também pode levar a alterações na composição corporal, com posterior desenvolvimento de obesidade na vida adulta.
Apesar de essas doenças representarem a principal causa de morte dos países desenvolvidos, dados têm mostrado que seu aumento é maior nos países em desenvolvimento. Dos 15 milhões de mortes no mundo (1996), 60% ocorreram nos países em desenvolvimento (principalmente devido a doenças do sistema circulatório) e 15% nos países ocidentais europeus. Associado à obesidade e outros fatores, há também o aumento da prevalência de câncer. Dos 6 milhões de mortes por câncer no mundo, 60% estão nos países em desenvolvimento e 10% nos países europeus.
David J. P. Barker e colaboradores foram um dos primeiros grupos a levantar a possibilidade da "origem fetal das doenças na idade adulta". Eles se basearam na hipótese de que a privação nutricional dentro do útero "programaria" o recém-nascido para uma vida de escassez. Neste caso, a desnutrição promoveria efeitos irreversíveis.
Os efeitos da desnutrição também são visíveis ao longo das gerações, pois uma mãe desnutrida gera filhos com baixo peso, que por sua vez, se sobreviverem, carregarão as deficiências nutricionais e suas conseqüências para seus filhos.
Fonte: www.desnutricao.org.br