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Desnutrição

Desnutrição Infantil: Fator que Influencia na Aprendizagem

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INTRODUÇÃO

Partindo do pressuposto de que a alimentação é essencial para o desenvolvimento integral do ser humano, o presente trabalho aborda aspectos relativos à desnutrição infantil, um dos fatores agravantes no desenvolvimento social, afetivo e cognitivo da criança em idade escolar.

A idéia do tema partiu da experiência adquirida no estágio de docência que realizamos em uma escola pública municipal de fortaleza, onde as crianças, em sua maioria são carentes e a escola é vista como um ambiente para a educação e também como a função de suprir a carência alimentar.

Podemos perceber depois de alguns meses em sala de aula que a alimentação precária é um dos fatores que interferem no desenvolvimento da aprendizagem.

As crianças com alimentação insuficiente ou inadequada têm dificuldade em concentração, problemas com a coordenação motora, comprometendo assim a aquisição e a construção do conhecimento.

Em um outro momento, já com experiência como professora em uma escola também publica municipal, ouvi relatos de algumas mães que chegaram confidenciar que muitas vezes não tinham dinheiro para comprar as três refeições básicas: café, almoço, jantar, então preferem comprar pão, ovos e suco de pacote para o almoço e mandar as crianças para tomarem café da manhã na escola. Percebe-se com isso que além de não terem dinheiro para comprar comida, o pouco que tem não sabem utilizar com alimentos mais saudáveis como feijão, e arroz, alimentos que possuem quase todos os nutrientes necessários.

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Apesar de sabermos que existe uma verba destinada exclusivamente para a compra da merenda escolar, esta nem sempre é suficiente ou nem chega ao seu destino, pois as políticas públicas, ao invés de investir, fazem é retirar das crianças o pouco que estas tem por direito, daí percebe-se a falta de respeito e compromisso com a população.

Durante as atividades em sala de aula observamos que as crianças mal alimentadas têm dificuldades em realizar e concentrar-se nas atividades propostas, em conseqüência do estômago está vazio.

Ressalta-se, ainda a fala de uma criança de cinco anos de idade quando solicitada para realização de uma atividade:

professora não tô conseguindo fazer, tô sentindo uma coisa ruim, tô vendo tudo escuro. Tá perto da hora da merenda?“.

Evidenciando a importância de uma alimentação saudável para que as crianças aprendam mais e melhor.

O educador tem um papel fundamental não somente nas questões referentes à aprendizagem, mas na sensibilização com relação à saúde alimentar das crianças em idade escolar.

Entende-se por desnutrição a combinação de uma dieta inadequada com infecções. Em crianças, isso é traduzido como crescimento deficiente tendo peso e altura menores. Considera-se uma criança gravemente desnutrida aquela que apresenta 70% a menos do seu peso ideal. “A criança desnutrida apresenta problemas de pele, humor e algumas vezes, pigmentação”, explica a nutricionista Lucia Endrivkaite.

Segundo dados do IBGE, uma em cada três crianças brasileiras apresenta algum tipo de desnutrição, totalizando mais de cinco milhões de crianças em faixa etária abaixo dos cinco anos. O resultado disso é um subdesenvolvimento físico e mental, faltas de condições mínimas para enfrentar a vida e a morte prematura. Para uma melhor nutrição é necessário o consumo adequado de vitamina A e Iodo.

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Imaginar que combater a desnutrição constitui simplesmente satisfazer o apetite de uma criança é engano. Ainda que coma o suficiente, esta pode continuar desnutrida com deficiência de zinco, ferro, vitamina A, Iodo e Folato, essenciais para uma vida saudável constituindo-se em elementos que não devem faltar à mesa dos brasileiros.

Uma criança desnutrida está mais propensa a morrer de doenças comuns da infância do que as consideradas “saudáveis”. Doenças cardíacas, diabetes e hipertensão são resultados de deficiências alimentares durante o crescimento fetal e o desenvolvimento ao longo da vida. Crianças desnutridas também apresentam limitações em suas capacidades de aprendizagem, não respondendo adequadamente aos estímulos, reduzindo assim seu interesse diante do brincar e explorar o novo. Debilitados em seu potencial físico e mental, elas tornam-se adultos com níveis de produtividade mais baixos e com um futuro sem perspectivas.

Existem várias formas de desnutrição dependendo da insuficiência de nutrientes. A deficiência de vitamina “A” que afeta cerca de 100 milhões de crianças no mundo todo pode levar á cegueira, a vulnerabilidade à diarréia (que mata 2,2 milhões de crianças por ano) e sarampo (responsável por 1 milhão de mortes), alem de outras infecções. A carência do iodo causa graves problemas cerebrais na criança, como cretinismo, aumenta o risco de aborto em mulheres grávidas. A anemia, provavelmente o problema nutricional mais comum no mundo, é outro fator de complicação durante a gravidez, matando 585 mil mulheres anualmente.

Sua principal causa é a deficiência de ferro, que também debilita o sistema imunológico a coordenação motora e o equilíbrio, além de reduzir a capacidade física e mental.

“A falta de vitamina D pode levar a malformação dos ossos, inclusive o raquitismo. A deficiência em folato provoca defeitos congênitos do feto, risco de parto prematuro e baixo peso do recém-nascido (menos de 2,5 quilos). Problemas no crescimento como o nanismo, que afeta 226 milhões de crianças, e complicações e no parto são causados pela falta de zinco”. (SITE UOL, Seção Nutrição, 2004).

Os hábitos e padrões alimentares – “formas em que os indivíduos ou grupos selecionam, consomem e utilizam os alimentos disponíveis, incluindo os sistemas de produção armazenamento, elaboração, distribuição e consumo dos alimentos” Coimbra (1982) – constituem os traços universais da cultura de qualquer grupo étnico.

Embora diversos organismos e instituições, entre os quais muitos já extintos, tratassem de aspectos referentes à alimentação em geral, não havia, ainda, no país um conjunto uniforme de informações e dados tratados cientificamente, e que permitissem o real conhecimento da situação alimentar do Brasil.

A historia da alimentação escolar no Brasil, se por um lado é plena de realizações e conquistas, é, por outro, fluída na contagem dos fatos no suceder dos anos.

Assim, “Comer e Aprender – uma história da alimentação escolar no Brasil”, representa a sistematização da história de uma instituição e seu maior objetivo:

“proporcionar alimentação adequada aos escolares e pré-escolares carentes das regiões deprimidas dos pais” (COIMBRA, 1982).

Para esta clientela, a boa alimentação é um fator imprescindível de sucesso na aprendizagem. O fracasso na escola que em regiões de pobreza reduz em 50% o rendimento formal dos alunos do 1º grau, poderá ser consideravelmente reduzido, como está demonstrado, se o educando recebe alimentação adequada.

Coimbra (1982, p.239) cita que a alimentação ocupava um pequeno espaço na reflexão:

“No saber médico do século XIX, a alimentação ocupava um espaço pequeno. Como se viu, a tematização dos alimentos raramente deixava de ser uma reflexão apenas sobre a possibilidade de que, por deterioração, viessem a encher os ares de “miasma” infectando pessoas e lugares, o verdadeiro objeto de atenção do discurso médico. Não dava este saber de medicina social, qualquer prioridade causal à alimentação na determinação do estado de saúde e de doença da população, investindo outros objetos de tal primazia. Naturalmente, isto também se aplica à alimentação da criança e do escolar que, salvo exceções notáveis, sequer passava por ser assunto digno de interesse acadêmico”.

“A educação não começa na escola. Ela começa muito antes e é influenciada por muitos fatores. Ao longo do seu desenvolvimento físico e intelectual a criança passa por várias fases nas quais a escola da vida, isto é, o ambiente familiar, as condições sócio-econômicas da família, o lugar onde se mora, o acesso aos meios de informação, têm importância muito grande”. (CECON, p. 86, 1988).

Segundo Cecon (1988), durante os primeiros anos de vida, é importante que a criança seja seguida de perto e estimulada a desenvolver suas potencialidades. É também neste período que uma alimentação equilibrada e sadia faz-se necessária para construir uma base sólida sobre a qual a criança vai se desenvolver futuramente. Está provado que uma carência de vitaminas pode resultar em handicaps ao nível da inteligência. Com isso ao chegar a escola, algumas crianças terão sérias dificuldades em seguir as demais.

Esta pesquisa será relevante tanto à sociedade como um todo, assim como também para nossa profissão. Como pedagogos tomaremos consciência de fatores que determinam aprendizagem e com isso, cabe a nós, repensarmos nossa prática em sala de aula.

Muitas vezes olhamos a criança apenas em seus aspectos cognitivos sem nos preocuparmos com as influências do meio como: alimentação, moradia digna, saneamento e as condições sócio-econômicas que interferem de maneira significativa no processo de aprendizagem.

Desnutrição

 

Ou seja, este trabalho será também um estímulo para que a sociedade possa exigir dos políticos o mínimo a que tem direito, como uma merenda escolar de boa qualidade, que supra as necessidades nutricionais das crianças em horário escolar, não que esta ação resolva o problema mais atenua por alguns instantes o incômodo da fome para que então a criança possa concentrar-se para assistir as aulas.

1. OBJETIVOS

Identificar problemas relacionados à aprendizagem em crianças desnutridas.

Propor estratégias de promoção de saúde buscando uma educação para alimentação mais saudável.

2. REVISÃO LITERÁRIA

2.1. Desnutrição

Para fundamentar o nosso trabalho faz-se necessário a citação de alguns autores que são de fundamental importância para o enriquecimento de nossa pesquisa, dando suporte para nosso caminhar.

Apesar do aumento da produção de alimentos per capta, a fome e a má nutrição têm aumentado tanto nos paises desenvolvidos como nos em desenvolvimento.

“Segundo dados da FAO, o numero de desnutridos em 1970 era de 401 milhões de pessoas e em 1974 era de 455 milhões, somente em paises em desenvolvimento isto aconteceu apesar do aumento da produção per capta de alimentos em aproximadamente 1% ao ano, em media, nos paises em desenvolvimento nos sete primeiros anos desta década”. (VALENTE, 1989).

A educação nutricional tradicional tem-se concentrado nos efeitos dos nutrientes sobre a população e em como são armazenados e preparados os alimentos. Mas a nutrição depende do acesso a alimentos e, portanto, precisa incluir os indivíduos como produtores. “Na maioria das sociedades contemporâneas, inclusive naquelas onde muitos passam fome, existe, na realidade, o potencial para uma produção adequada de alimentos. A distribuição eqüitativa da produção atual, a liberação dos potenciais e a maneira como se dá os controles dos recursos produtivos são delimitados pela estrutura da sociedade”. (SCHIECK, 1989).

Segundo Berg (1973), “os advogados da nutrição tem buscado demonstrar que a desnutrição é o maior obstáculo a esforços mais amplos em direção ao desenvolvimento econômico o ponto central deriva de uma extrapolação para dimensões nacionais do efeito de deficiências nutricionais sobre o indivíduo”.

A lógica é simples: a desnutrição, ao contribuir para a promoção da doença, para distúrbios da capacidade física e mental e para uma menor esperança de vida, reduz o potencial produtivo do indivíduo, contribuindo, assim, para um país com uma parte significativa da população desnutrida, tendo, provavelmente uma capacidade produtiva nacional reduzida.

As causas da nutrição inadequada são muitas e estão inter-relacionadas, incluindo limitações ecológicas, sanitárias e culturais mas a causa principal é a pobreza. Isto, por sua vez, “resulta dos padrões de desenvolvimento sócio econômico, que na maioria dos paises mais pobres tem-se caracterizado por um alto grau de concentração de poder, riquezas e renda nas mãos de pequenas elites compostas de indivíduos ou grupos nacionais ou estrangeiros”. (food and agriculture organization, 1974).

BOFF (1999, p.140) cita os maiores desafios que a política enfrentam para se manter em uma ética:

“Um dos maiores desafios lançados à política orientada pela ética e ao modo de ser cuidado é indubitavelmente o dos milhões e milhões de pobres, oprimidos e excluídos de nossas sociedades. Com efeito, graças aos avanços tecnológicos, nas ultimas décadas verificou-se um crescimento fantástico na produção de serviços e bens materiais, entretanto, desumanamente distribuídos, fazendo com que 2/3 da humanidade viva em grande pobreza. Nada agride mais o modo-de-ser do que a crueldade para com os próprios semelhantes”.

2.2. Determinação Social da Fome

Josson, em seu trabalho recente, coloca que poderíamos visualizar a determinação social da fome/desnutrição como ocorrendo com diferentes níveis hierárquicos de causação (JOSSON, 1981).

Em um nível mais alto ele coloca o que chama de causas básicas: organização social da produção e relações de produção.

Estas delimitariam as causas mediatas: acesso a terra, emprego, salário, acesso a alimentos, transporte, água, serviços de saúde, educação, etc.

Por sua vez, as causas mediatas delimitariam o espaço de variação das causas imediatas: ingestão de alimentos, necessidades alimentares e nutricionais e estado de saúde, que se manteriam em equilíbrio dinâmico. E, finalmente, teríamos os sinais e sintomas da fome/desnutrição que surgiriam caso o equilíbrio entre as causas imediatas se movesse nesta direção.

Os aspectos essenciais na determinação dos hábitos alimentares são: a disponibilidade objetiva de certos produtos alimentares em condições específicas de clima, solo, chuva, etc; influências do processo de colonização, por exemplo, portugueses, espanhóis, americanos, etc; a classe social como modo de vida, delimitando as práticas e hábitos; e por fim, a continua produção de “novos” alimentos industrializados ou de alimentos não tradicionalmente utilizados para consumo humano, como por exemplo a soja (VALENTE,1989). Silvia e Guimarães (1995) evidenciam que a desnutrição protéica calórica não existe isoladamente e sim, faz parte do contexto da pobreza e da fome, o que traz conseqüências negativas no desenvolvimento cerebral destes indivíduos.

O primeiro sinal, geralmente constatado, é o baixo ganho de peso da criança, e daí começam outros sinais como, flacidez muscular, letargia, falta de resposta a estímulos externos, atraso no desenvolvimento neuropsicomotor, etc.

A medida que o déficit nutricional aumenta, as formas de desnutrição grave aparecem, o marasmo é o mais comum no primeiro ano de vida: apresentando emagrecimento progressivo, autólise e autofagia. O olhar da criança é ávido e ansioso, massa muscular atrófica e abdome globoso. O óbito quase sempre esta associado à diarréia com desidratação e infecção respiratória. (DUCAN,1995).

2.3. Seqüelas Causadas pela Desnutrição

As seqüelas deixadas pela desnutrição são de ordem física, neurológica e psicológica, entre outras, podemos citar, entre elas, o nanismo – a criança tratada da desnutrição a qualquer tempo recupera o ganho de peso, porem a estatura é algo mais complexo, pois o principal fator de controle em longo prazo  da secreção do hormônio do crescimento é o estado nutricional dos próprios tecidos, especialmente seu nível de nutrição protéica. Portanto a deficiência nutricional pode levar a deficiência da secreção do hormônio do crescimento e, conseqüentemente, a baixa estatura. (CRAVIOTO, 1982).

Segundo Castro (1996), crianças que tiveram desnutrição grave durante seu primeiro ano de vida, mostraram posteriormente distúrbios de rendimento escolar – falta de atenção, agitação, pouca memória, motivação escassa, labilidade emocional, reduzida aptidões sociais, aspectos físicos inexpressivos e Q.I. mais baixo. O retardo no desenvolvimento neuropsicomotor também é constatado, deixando a criança de evoluir em diversas etapas ou fazê-las com atraso, como engatinhar andar sem ajuda, conseguir equilíbrio estático e dinâmico.

Outra seqüela evidenciada é o atraso da linguagem. Devido a falta de estímulos e a própria carência nutricional, a criança desnutrida comunica-se de maneira ineficiente e inadequada. O tempo de internação também é um fator que contribui para esse atraso. (CASTRO, 1996).

“Hoje, no Brasil, ocorre um empobrecimento crescente da população. A maior parte das pessoas não tem condições econômicas para uma alimentação mínima necessária. Aumenta os índices de desnutrição, aumenta a situação de miséria e de fome, aumenta o numero de crianças nas escolas públicas que vão à aula praticamente em jejum. Um contingente enorme de crianças subsiste á base de papa de água e farinha”.(VALENTE, p. 105, 1989).

É neste contexto que propomos a discussão da merenda escolar. Que é uma suplementação alimentar fornecida às crianças matriculadas em escolas oficiais de 1º grau, durante o período de aulas. E regulamentada por Lei Federal, devendo suprir no mínimo 15% das necessidades calóricas diária das crianças (decreto federal nº 72.034/73).

Valente (1989, p. 105) cita o objetivo do programa da merenda:

“O programa da merenda, conforme o texto legal, tem por objetivo diminuir os índices de repetência e evasão, imutáveis há quarenta anos, e minimizar o problema da desnutrição, fazendo com que a criança melhore seu rendimento escolar”.

O Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), popularmente chamado como programa da merenda, é uma, das diversas situações nas quais as atividades educativas em nutrição podem ocorrer, uma área importante de atuação visando promover a saúde e possibilitando a construção de novos conhecimentos. De acordo com documento do Conselho Federal de Nutrição sobre o “panorama de alimentação escolar”, “a alimentação escolar tem característica de assistência nutricional, desde que ofereça alimentos adequados em quantidade e qualidade, para satisfazer as necessidades nutricionais do escolar, no período do dia em que permanece na escola, mas também pode ser servida na escola adquire característica de ferramenta educativa, que pode e deve ser utilizada para os fins maiores da educação, habilitando o aluno a intervir na própria realidade” (o Conselho Federal,1995) desse modo, pode ser considerado como um instrumento pedagógico, não apenas por fornecer uma parte dos nutrientes que o aluno necessita diariamente, mas também por constituir-se em espaço educativo melhor explorado, quando, por exemplo, estimula a integração de temas relativos à nutrição ao currículo escolar.

Para Abreu (1995), Castro& Peliano (1985), Moyses & Collares (1995), e Pipitone (1995) as atividades educativas em nutrição desenvolvidas no ambiente escolar não tem conseguido atingir seus objetivos.

Pipitone (1995)

“(…) professores, merendeiras e pais de alunos, em discussões que mostrem a função social e o significado dado a merenda escolar e ao atendimento das necessidades nutricionais das crianças durante a jornada escolar (…) valem mais do que asa aulas tradicionais em cartazes coloridos sobre noções de boa alimentação”.

O nutricionista cuja formação tem interfase com o campo educativo, pode e deve, ter participação ativa nessa discussão, interagindo com a equipe escolar, propondo atividades com o objetivo de esclarecer a importância do PNAE, discutindo sua função na escola e contribuindo para o reconhecimento dos limites e das possibilidades que apresentam como instrumento educativo em nutrição.

Para alcançar o estado de bem estar, torna-se necessário desenvolver recursos sociais e pessoais, além das aptidões físicas, para o que exige um trabalho que reúna profissionais de diferentes áreas atuando em equipe multiprofissional.

Neste sentido, a escola atual apresenta-se como espaço e um tempo privilegiado para a promoção de saúde, por ser um local onde muitas pessoas passam grande parte do seu tempo, vivem, aprendem e trabalham. O ambiente de ensino, ao articular de forma dinâmica alunos, familiares, professores, funcionários, técnicos – administrativos e profissionais de saúde, proporciona as condições para desenvolver atividades que reforçam a capacidade da escola de transformar-se em um local favorável à convivência saudável, ao desenvolvimento psíco-afetivo, ao aprendizado e ao trabalho de todos os envolvidos nesse processo podendo, como conseqüência, constituir-se em um núcleo de promoção de saúde local (SITE SAÚDE.GOV, Seção programas/promoção, 2004).

2.4 Aprendizagem

Segundo Heydebrand (p. 25, 1991) “nenhuma criatura poderá desenvolver-se adequadamente se quem cuida dela poderá não puder compreende-la em sua maneira de ser, em suas necessidades vitais. Muitos erros fundamentais são cometidos no cuidado e na educação das crianças por não de conhecermos perfeitamente. Precisamos conhecê-las a fundo, se quisermos educá-las para o seu bem. As forças que regem principalmente plasmando e criando formas são, de mesmo tempo, fornecedoras de vida e estimuladoras de crescimento. Do modo como atuam na criança depende uma porção de coisas. Por isto, os educadores só poderão educar proveitosamente quando conseguirem obter uma noção viva destas forças”.

A aprendizagem é um processo pelo qual o ser humano percorre por toda a sua vida. Esta se torna significativa quando o indivíduo encontra meios sejam estes sistematizados (escola) ou de uma maneira mais ampla envolvendo a família e a sociedade permitindo o seu contato mais dinâmico com o mundo que a cerca.

Os caminhos que levam a criança a desenvolver sua inteligência são vários. “A posição difundida pela teoria Piaget, é que o conhecimento é construído durante as interações da criança com o mundo”.

“As características biológicas constituem o primeiro fator importante já que influem, mas sem fornecer uma estruturação psicológica pronta desde o nascimento.” (SEBER, p. 14, 1993).

O desenvolvimento intelectual está relacionado ao biológico (hereditariedade) e ao social (transmissão social que pode acelerar ou inibir ou acelerar ou inibir, mas não substituir ou impor um desenvolvimento).

Sem dúvida é perceptível que a transmissão social está presente no indivíduo podendo, portanto, inibir ou acelerar o seu desenvolvimento, mas não bloqueá-lo.

A criança está em constante processo de aprendizagem desde o seu nascimento, apropriando-se da cultura elaborada pela sociedade: aprende a falar, recebe informação de como agir etc. A aprendizagem e o desenvolvimento são constituídos por uma unidade inter-relacionada, por isso são processos inseparáveis.

Portanto, o ensino e suas possibilidades não podem ser definidas somente pelo nível de desenvolvimento real apresentando pela criança, mas também pelo que Piaget denominou como zona de desenvolvimento proximal, ou seja, aquilo que a criança consegue realizar com a ajuda dos adultos ou colegas mais experientes. (SILVA, 1994).

3. PROCESSO METODOLÓGICO

3.1 Tipo de Natureza do Estudo

O estudo será do tipo qualitativo, pois segundo Leopardi (1999), este tipo de pesquisa não se data em contar o número de vezes em que uma variável aparece, não se pode usar neste caso instrumentos de medidas precisas. O que é importante neste tipo de pesquisa é tentar compreender problemas da vivência diária do sujeito, sua satisfação, seus desejos, desapontamentos surpresas e outras emoções. Atenta-se ao contexto social em que ocorre o evento ocorre. Portanto, deseja-se ter acesso aos dados subjetivos, que não são perceptíveis, e nem captável em equações, ou seja, não qualificável.

“A pesquisa qualitativa responde a questões muitas particulares. Ela se preocupa, nas ciências sociais, com um nível de realidade que não pode ser quantificado. Ou seja, ela trabalha com universo de significados, motivos, crenças e valores, o que corresponde a um espaço mais profundo das relações, dos processos e dos fenômenos que não podem ser reduzidos á operacionalização de variáveis”. (MINAYO, 1994 p.21).

Segundo os objetivos, a pesquisa será do tipo exploratória. Para Leopardi (1999), possibilita ao investigador ampliar sua experiência em torno de um determinado problema. Consiste em proporcionar maior familiaridade em relação a um fato ou fenômeno. Para isso, faz-se necessário uma revisão de literatura , entrevistas questionário, entre outros.

3.2 Descrição do Cenário do Estudo

A Escola Professor Luís Costa fica na Rua Jaime Leonel, 156 – Bairro Luciano Cavalcante onde a clientela em sua maioria é de baixa renda.

No ano 1967 as atividades pedagógicas foram iniciadas apenas com duas salas de aula, tendo a frente dos trabalhos a professora Iran Bezerra, considerada a primeira diretora da Unidade Escolar.

Atualmente, a Escola Municipal Professor Luis Costa participa de vários projetos, tais como o Jornal na Escola, com o clube do jornal Geração Escolar; Escola e Comunidade, envolvendo eventos com todo o bairro (igrejas, escola particulares, posto de saúde, etc), Recreio Legal, onde o intervalo é orientado por alunos monitores, com alegria e brincadeiras.

A escola participa do Plano de Desenvolvimento (PDE), onde tem como missão: Oferecer um ensino fundamental de qualidade, estimulando a criatividade e a excelência dos valores humanos para uma aprendizagem significativa e com sentido para o aluno e para população em geral.

A Escola Municipal Professor Luis Costa possui 1500 alunos matriculados, e ainda uma escola em anexo: A Creche Tia Nana situada no Jardim das Oliveiras.

3.3 Seleção dos Participantes

Serão incluídas na pesquisa as crianças que freqüentam Jardim I com idade entre 4 e 5 anos da referida escola. A técnica a ser utilizada com as mesmas será de observação simples, pois segundo (GIL, 1999) a observação simples caracteriza-se pela maneira espontânea que o investigador coleta os dados que acontecem no cotidiano, porem, não perde o caráter cientifico, transpondo a simples constatação dos fatos.

Os informantes propriamente ditos serão pais e professores, não podendo, portanto, quantificá-los pois, segundo Leopardi (2001 p.135) “quando os dados se tornam repetidos, pode-se considerar a amostra suficiente”.

Processo de inclusão e exclusão:

Serão incluídas na pesquisa:

Crianças menores de 4 anos e 5 anos de idade, com quadro instalado de desnutrição infantil, residem, obrigatoriamente, na comunidade em estudo, cujos responsáveis se comprometem em participar da pesquisa;

Serão excluídas da pesquisa:

Crianças maiores de 6 anos de idade;

Crianças que não residem na comunidade em estudo;

Crianças não desnutridas.

Esta etapa da coleta de dados será realizada de Junho à Agosto de 2004.

3.4 Instrumento e Procedimento para coleta de Dados

Para investigar a relação da desnutrição com a aprendizagem, realizaremos um levantamento bibliográfico acerca do assunto no que tange a aprendizagem e nutrição e procederemos a revisão da literatura do material selecionado.

Num segundo momento observaremos a partir de um roteiro estruturado, o cotidiano de uma turma de crianças em uma Escola Pública Municipal, dando ênfase às questões da aprendizagem, paralelamente realizaremos entrevistas com os professores e pais da escola em questão.

As questões norteadoras do projeto serão:

Qual a importância da merenda escolar para o seu filho?

Qual a primeira alimentação do seu filho?

Para o professor: Você acredita que a alimentação pode influenciar na aprendizagem?

Como se dá o desenvolvimento das crianças com carência alimentar na sala de aula?

Utilizaremos a técnica de entrevista a qual o investigador apresenta-se frente ao investigado e fórmula perguntas com o objetivo de obtenção dos dados que interessam à investigação. Quanto à classificação, a entrevista será focalizada pois, segundo Gil (1999) enfoca um tema bem especifico, o entrevistado pode falar livremente do tema porem quando este se desviar do mesmo, cabe ao entrevistador esforçar -se para retomar o assunto.

Após a coleta desses dados, analisaremos e apresentaremos uma síntese do que pudemos observar.

3.5 Aspecto Ético de Estudo

A pesquisa segue os preceitos éticos de acordo com a resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde e será encaminhado ao comitê de ética da Universidade de Fortaleza – UNIFOR.

Por ser uma pesquisa que envolve seres humanos faz-se necessário o respeito a autonomia de cada sujeito (liberdade) beneficência e não maledicência (fraternidade) e justiça (igualdade). (MARTINS, 2001).

Mesmo quando a população do estudo é composta por sujeitos que gozam de autonomia plena, para que seja exercida plenamente são necessários os entendimentos e a autodecisão da pessoa de participar ou não da pesquisa que lhe é apresentada. (Martins, 2001, p.169).

3.6 Análise dos Dados

A análise de dados inicialmente estabelecerá uma compreensão dos dados coletados, confirmar ou não os pressupostos da pesquisa e/ou responder às questões formuladas, e ampliar o conhecimento sobre o assunto pesquisado, articulando-o ao contexto cultural da qual faz parte. Essas finalidades são complementares, em termos de pesquisa social. (MINAYO, 1994).

4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFIAS

ABREU, M. Alimentação escolar: combate à desnutrição e ao fracasso ou direito da criança e ao pedagógico? Em aberto. Brasília, v. 15, n.67, p.5-20, 1995.

ANDRÉ, Martins; PALÁCIOS, Marisa; PEGONARO, Olinto A. Ética, ciência e saúde: desafios da biotética. Petrópolis: Vozes, 2001.

ASSIS, M. Educação em saúde e qualidade de vida: para além dos modelos, a busca da comunicação. Série Estudos em Saúde Coletiva. Rio de Janeiro, n. 169, p.3-30, 1998.

BOFF, Leonardo. SABER CUIDAR: Ética do humano – compaixão pela terra. 07 ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 1999.

CECON, Cláudio; OLIVEIRA, Miguel Dancy de; OLIVEIRA, Rosiska Dancy de. A vida na escola e a escola na vida. Petrópolis: Vozes em co-edição com IDAC, 1988.

COIMBRA, Mario. Comer e Aprender – Uma História da Alimentação Escolar do Brasil. Belo Horizonte. MEC, 1982.

DESNUTRIÇÃO. Disponível em < www.uol.com.br/bibliaworld/movagorabrasil/reacao/nutr1.htm.>.

GIL, Antonio Carlos.  Método e Técnicas de Pesquisa Social. 03 ed. São Paulo: Atlas,1999.

HEYDEBRAND, Caroline Von; tradução de Rudoll Lang. A Natureza anímica da criança.02 ed. São Paulo: Antropofágica, 1991.

MINAYO, Maria Cecília de S. Pesquisa Social – teoria, método e criatividade. Petrópolis: Vozes, 1994.

PIAGET, Yves de  La Taille; VYGOTSKY, Marta Kohl de Oliveira; WALLON, Heloysa Dantas. Teorias Psicogenéticas em Discussão. São Paulo: Summus, 1992.

PIPITONE, M.A.P. A relação saúde e educação na escola de 1º grau. Alimentação e Nutrição. São Paulo, n.65, p.48-52, 1995.

PROMOÇÃO DA SAÚDE. Escolas Promotoras. Disponível em: <www.saude.gov.br./programas/promoçao/escola.htm>

ROSCHKE, M.A. Aprendizaje y conocimiento significativo en los servicios da salud (Versión Preliminar). [s.1.:s.n.], s.d. (Mimeografado).

SILVA, Maria Alice Setúbal Souza e. Conquistando o Mundo da Escrita. São Paulo: Ática, 1994.

SEBER, Maria da Glória. Construção da Inteligência pela Criança. São Paulo: Scipione, 1993.

VALENTE, Flavio Luis Schieck. Fome e desnutrição, Determinantes Sociais. 02 ed. São Paulo: Cortez, 1989.

Fonte: www.pedagogiaaopedaletra.com

 

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