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Desnutrição

 

Desnutrição
Desnutrição

Consequência clínicas da desnutrição

Quando uma pessoa que está sofrendo de uma doença perde 10-20% do peso do seu corpo, uma deterioração significativa na função corporal pode ocorrer.

Isto reduzirá a velocidade da recuperação e poderá terminar levando à morte. As funções muscular, respiratória e termoreguladora poderão ser prejudicadas.

As respostas imunológicas serão diminuídas, a resistência à infecção diminuirá e a cicatrização de ferimentos será retardada. No caso de uma perda de peso mais grave, ambas as funções cardiovascular e gastrintestinal são prejudicadas. Os pacientes também podem sofrer psicologicamente quando eles estão desnutridos, tornando-se deprimidos e apáticos.

Algumas das conseqüências serão discutidas a seguir de maneira mais detalhada:

Perda da resistência muscular

A perda da resistência muscular leva a uma redução na mobilidade e na independência, o que, juntamente com reservas de gordura subcutânea reduzidas, aumenta a incidência e a persistência de complicações, tais como quedas e feridas por pressão.

Aumento de fraturas

A desnutrição pode ser considerada um fator de risco para fratura do quadril, podendo acelerar a perda de massa óssea dependente da idade, uma vez que as dietas deficientes em cálcio podem levar à osteoporose.

A coordenação prejudicada, que também ocorre com a desnutrição, aumenta a probabilidade de queda, levando à fraturas. Um estudo de Bastow e outros mostrou que 20% dos pacientes com fratura de quadril estavam seriamente desnutridos e apresentavam uma mortalidade de 20% (em comparação com 4% dos bem nutridos).

Incidência aumentada de feridas por pressão

Em um levantamento de 501 pacientes consecutivos admitidos a um pavilhão médico de longa permanência, Ek e outros descobriram uma incidência de feridas por pressão, na admissão, de 34,8% entre aqueles avaliados como desnutridos, em comparação com 20,6% naqueles adequadamente nutridos (p<0,01).

Durante o estudo, o desenvolvimento de novas feridas por pressão durante a hospitalização foi significativamente mais elevado. A cicatrização das feridas existentes foi menor no grupo desnutrido, apesar de cuidados e tratamento idênticos.

Cicatrização retardada de ferimentos

Um problema particular entre os pacientes cirúrgicos desnutridos é a cicatrização retardada dos ferimentos. Haydock & Hill mediram a resposta da cicatrização de ferimentos de 66 pacientes cirúrgicos medindo o teor de colágeno (hidroxiprolina) de sondas de Gore-Tex inseridas ao longo de trajetos de agulha subcutâneos padronizados. Após sete dias, o teor de hidroxiprolina das sondas estava significativamente mais baixo nos 30 pacientes com desnutrição pré-operatória do que nos 36 pacientes eutróficos (p<0,01).

Funções imunológica e hormonal prejudicadas

A desnutrição pode levar a um comprometimento considerável do equilíbrio hormonal, com hipoinsulinismo ou hipotiroidismo. Ela também compromete o sistema imunológico com linfopenia periférica; fagocitose reduzida por fagócitos polinucleares e macrófagos; produção reduzida de citoquina por monócitos e o aparecimento de linfócitos imaturos de CD2 e CD3.

Tais deficiências aumentam o risco e as consequências de infecções, o que, por sua vez, exacerba o déficite nutricional, levando a uma espiral descendente, que pode se mostrar fatal. Um quadro muito semelhante de deficiência imunológica e desnutrição que se exacerbam mutuamente ocorre em pacientes de AIDS.

Complicações Pós-Circúrgicas

A desnutrição tem sérias implicações para a recuperação após uma cirurgia, em todos os grupos etários. Já em 1936, Studley relatou uma taxa de mortalidade de 33% em pacientes de úlceras com uma perda de peso >20% no período pré-operatório, em comparação com uma mortalidade operatória de 3,5% naqueles com nenhuma perda de peso.

Mullen e outros, em uma experiência prospectiva de 64 admissões consecutivas para cirurgia eletiva, descobriram que aqueles com um nível de albumina do soro <3 g/dl e aqueles que apresentaram reações de hipersensibilidade retardada da pele tinham o dobro da taxa de complicações daqueles com um nível >3 g/dl.

Além disso, aqueles com um nível de transferrina do soro <220 mg/dl corriam um risco de complicações cinco vezes maior, especialmente de sepse. Os problemas em potencial se tornam mais agudos nos pacientes que estão sendo operados por razões graves, tais como tumor maligno.

Numa série de 365 pacientes consecutivos (idade média de 60 anos) que estavam sendo submetidos à resseção abdominal por causa de vários tumores malignos, Meguid e outros relataram uma taxa de complicação de 72% e uma taxa de mortalidade pós-operatória de 23% nos 177 pacientes desnutridos, em comparação com 29% de complicações e 4% de mortalidade nos eutróficos (p<0,001).

As complicações observadas mais frequentemente incluiram não apenas aquelas normalmente associadas com a desnutrição, tais como sepse, infecção de ferimento, abscesso intra-abdominal e pneumonia, mas também as menos comumente associadas, tais como deiscência anastomótica e íleo protraído.

Resumo das consequências clínicas da desnutrição

A desnutrição causa o enfraquecimento generalizado, exacerba a patologia existente, reduz os poderes de recuperação e aumenta o risco de mortalidade.
As funções muscular, respiratória e termoreguladora podem ficar prejudicadas. A perda da força muscular leva a uma redução na mobilidade.
As respostas imunológicas são diminuídas, a resistência à infecção cai e a cicatrização de ferimentosé retardada.
A desnutrição afeta todos os grupos etários com graves implicações para a recuperação, particularmente após a cirurgia.
Os pacientes também podem ficar deprimidos e apáticos.

Referências

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Fonter: www.nestle.com.br

Desnutrição

Subnutrição

A desnutrição é a condição que ocorre quando o corpo não recebe nutrientes suficientes.

Causas

Há um certo número de causas de desnutrição.

Pode resultar de:

Dieta inadequada ou desequilibrada
Problemas com a digestão ou absorção
Certas condições médicas

A desnutrição pode ocorrer se você não comer comida suficiente. A fome é uma forma de desnutrição.

Você pode desenvolver desnutrição se a falta de uma única vitamina na dieta.

Em alguns casos, a desnutrição é muito suave e não causa sintomas. No entanto, às vezes pode ser tão grave que os danos causados ao corpo é permanente, mesmo que você sobreviver.

A desnutrição continua a ser um problema significativo em todo o mundo, especialmente entre as crianças. A pobreza, desastres naturais, problemas políticos e de guerra, tudo contribui para as condições - até mesmo epidemias - de desnutrição e fome, e não apenas nos países em desenvolvimento.

Tipos de desnutrição

Cada forma de desnutrição depende do que nutrientes estão ausentes na dieta, por quanto tempo e em que idade.

O tipo mais básico é chamado de desnutrição energético-protéica. É o resultado de uma dieta deficiente em energia e proteína por causa de um déficit em todos os principais macronutrientes, como carboidratos, gorduras e proteínas.

Marasmo é causada por uma falta de proteína e energia com os sofredores aparecendo esquelético. Em casos extremos, pode levar a kwashiorkor, em que desnutrição provoca inchaço, incluindo um chamado "cara de lua".

Outras formas de desnutrição são menos visíveis - mas não menos mortal. Eles são geralmente o resultado de deficiências de vitaminas e minerais (micronutrientes), que pode levar à anemia, escorbuto, pelagra, beribéri e xeroftalmia e, finalmente, a morte.

As deficiências de ferro, vitamina A e zinco são classificados entre a Organização Mundial da Saúde (OMS) como as 10 principais causas de morte por doença nos países em desenvolvimento:

A deficiência de ferro é a forma mais prevalente de desnutrição em todo o mundo, afetando milhões de pessoas. Ferro forma as moléculas que transportam oxigênio no sangue, assim que os sintomas de deficiência incluem cansaço e letargia. A falta de ferro em grandes segmentos da população prejudica severamente a produtividade de um país. A deficiência de ferro também impede o desenvolvimento cognitivo, afetando 40-60 por cento das crianças de 6-24 meses em países em desenvolvimento (fonte: vitamina e mineral Deficiência, um relatório de avaliação de danos global, Unicef).

A deficiência de vitamina A enfraquece o sistema imunológico de uma grande proporção de menores de cinco anos nos países pobres, aumentando sua vulnerabilidade à doença. A deficiência de vitamina A, por exemplo, aumenta o risco de morte por diarréia, sarampo e malária por 20-24 por cento. Afetando 140 milhões de crianças pré-escolares em 118 países e mais de sete milhões de mulheres grávidas, é também uma das principais causas de cegueira infantil em todos os países em desenvolvimento (fonte: Comissão Permanente das Nações Unidas sobre 5 Relatório da Nutrição sobre a Situação Mundial da Nutrição, 2005).

A deficiência de iodo afeta 780 milhões de pessoas no mundo. O sintoma mais claro é um inchaço da glândula tireóide chamado de bócio. Mas o mais grave impacto é sobre o cérebro, o que não pode desenvolver-se adequadamente sem iodo. Segundo a pesquisa da ONU, cerca de 20 milhões de crianças (fonte: vitamina e mineral Deficiência, um relatório de avaliação de danos global, Unicef) nascem deficiente mental porque suas mães não consumiram iodo suficiente. O pior-hit sofrer cretinismo, associado com retardo mental grave e baixa estatura física.

A deficiência de zinco contribui para a falta de crescimento e baixa imunidade em crianças pequenas. Ela está ligada a um maior risco de diarréia e pneumonia, resultando em cerca de 800.000 mortes por ano.

A Desnutrição

A desnutrição pode ser o resultado de pouca alimentação ou alimentação excessiva. Ambas as condições são causadas por um desequilíbrio entre a necessidade do corpo e a ingestão de nutrientes essenciais.

Subnutrição

É uma deficiência de nutrientes essenciais e pode ser o resultado de uma ingestão insuficiente devido a uma dieta pobre; de uma absorção deficiente do intestino dos alimentos ingeridos (má absorção); do consumo anormalmente alto de nutrientes pelo corpo; ou da perda excessiva de nutrientes por processos como a diarréia, sangramento (hemorragia), insuficiência renal.

Hipernutrição

É um excesso de nutrientes essenciais e pode ser o resultado de comer demais (ingestão excessiva); ou do uso excessivo de vitaminas ou outros suplementos.

A desnutrição se desenvolve em fases: primeiro ocorrem alterações na concentração de nutrientes no sangue e nos tecidos, a seguir acontecem alterações nos níveis de enzimas, depois passa a ocorrer mal funcionamento de órgãos e tecidos do corpo e então surgem sintomas de doença e pode ocorrer a morte.

O corpo necessita de mais nutrientes durante certas fases da vida, especialmente na infância e adolescência; durante a gravidez; e enquanto a mãe está amamentando. Na velhice as necessidades alimentares são menores, mas a capacidade de absorver os nutrientes também está freqüentemente reduzida. Assim, o risco de subnutrição é maior nestas etapas da vida, e ainda mais entre pessoas economicamente desprovidas.

Avaliação nutricional

Para avaliar o estado nutricional de uma pessoa, o médico precisa conhecer a dieta e problemas médicos que possam existir, realizar um exame físico, e algumas vezes solicitar exames de laboratório - os níveis sangüíneos de nutrientes e substâncias que dependem dos níveis destes nutrientes (como hemoglobina, hormônios da tiróide e a transferrina) podem ser medidos.

Fatores de risco

As crianças formam uma faixa da população particularmente susceptível à subnutrição, pois elas precisam de uma maior quantidade de calorias e nutrientes para o seu crescimento e desenvolvimento.

Elas também podem desenvolver deficiências de ferro, ácido fólico, vitamina C e cobre se receberem dietas inadequadas.

A ingestão insuficiente de proteínas, calorias e outros nutrientes pode conduzir à desnutrição protéico-calórica, uma forma particularmente severa de subnutrição, que retarda o crescimento e o desenvolvimento.

Na medida em que as crianças chegam à adolescência, suas exigências nutricionais crescem devido ao aumento das suas taxas de crescimento.

As gestantes ou mães que amamentam têm uma necessidade aumentada de todos os nutrientes para prevenir a subnutrição nelas e no seu bebê.

O bebê de uma mãe alcoolista pode ser física e mentalmente prejudicado pela síndrome alcoólica fetal, pois o abuso de álcool e a subnutrição resultante afetam o desenvolvimento fetal.

Uma criança que é amamentada exclusivamente ao seio pode desenvolver deficiência de vitamina B12 se a mãe for uma vegetariana que não come nenhum produto de origem animal.

Prognóstico

Até 40% das crianças que têm desnutrição protéico-calórica morrem. A morte durante os primeiros dias de tratamento normalmente é causada por um desequilíbrio eletrolítico, uma infecção, hipotermia ou parada cardíaca.

Os efeitos a longo prazo da desnutrição na infância são desconhecidos. Quando as crianças são tratadas adequadamente, o fígado e o sistema imunológico se recuperam completamente. Porém, em algumas crianças, a absorção intestinal de nutrientes permanece comprometida. O grau de prejuízo mental está relacionado a quanto tempo uma criança ficou subnutrida, quão severa foi a desnutrição e com que idade começou.

Fonter: www.hcrmarau.com.br

Desnutrição

Desnutrição
Desnutrição

Desnutrição - O que é

Estima-se que, no mundo em desenvolvimento, 174 milhões de crianças menores de cinco anos têm desnutrição indicada pelo baixo peso para a idade e 230 milhões, pela baixa estatura para a idade.

Reconhece-se que 6,6 milhões dos 12,2 milhões de mortes entre crianças menores de cinco anos, ou seja, 55% das mortes infantis em países em desenvolvimento, estão associadas à desnutrição. Além do sofrimento humano, a perda em termos de potencial humano traduz-se em custos sociais e econômicos que nenhum país pode sustentar.

Cerca de 800 milhões de pessoas ainda não podem suprir suas necessidades básicas de energia e proteína, mais de 2 bilhões de pessoas carecem de micronutrientes essenciais, e milhões sofrem de doenças causadas por falta de higiene dos alimentos e ingestão alimentar desequilibrada.

A desnutrição é evitável e, principalmente, pode ser facilmente tratada. Os ganhos obtidos com o tratamento e a erradicação da desnutrição em termos de progresso, produtividade, bem-estar e felicidade são incalculáveis. Para que isso aconteça, é importante a mobilização conjunta de governos, organizações da sociedade civil e universidades.

A desnutrição energético-protéica é uma síndrome que compreende uma série de doenças, cada uma das quais tem uma causa específica relacionada com um ou mais nutrientes (por exemplo, proteínas, iodo ou cálcio) e se caracteriza pela existência de um desequilíbrio celular entre o fornecimento de nutrientes e energia por um lado, e por outro, a demanda corporal para assegurar o crescimento, manutenção e funções específicas. Ocorre mais facilmente em crianças em fase de amamentação, e menores de 5 anos.

A desnutrição é uma síndrome multifatorial que tem como causas diversos fatores, normalmente associados à pobreza e a falta de alimentos dela decorrente.

Está relacionada à falta de condições mínimas de existência. Sua solução deve levar em consideração o acesso à:

Renda que garanta a aquisição de comida para uma vida saudável e a compra de bens necessários para a existência social do indivíduo enquanto cidadão;
Economia formal - que dá ao cidadão o acesso aos documentos necessários para que ele tenha uma identidade e possa trabalhar na sociedade em que vive;
Educação mínima que forneça formação e informação, criando oportunidades para uma vida melhor, o que ajuda os indivíduos a cuidar bem de seus filhos;
Escolaridade é cada vez mais fundamental para se ingressar no mercado de trabalho e viver numa sociedade desfrutando os direitos de cidadão.
O analfabetismo é um dos mais potentes mecanismos de exclusão;
Higiene
Moradias dignas, com vias pavimentadas, rede de esgoto, água potável e recolhimento de lixo, evitando a proliferação de doenças;
Serviço de saúde acessível com atendimento adequado por profissionais capacitados, aptos a orientar mães e pais para se evitarem os males da desnutrição.

No atendimento à saúde, o cidadão deve ter acesso a medicamentos - os altos preços dos medicamentos impossibilitam o acesso do cidadão aos mesmos, dificultando, ou mesmo impossibilitando, o tratamento de uma doença. Também a falta de medicamentos doados pela rede pública de saúde é outro agravante dessa situação.

O desenvolvimento da criança pode ser prejudicado, quando seus pais não recebem orientação de médicos, enfermeiras, nutricionistas, auxiliares de enfermagem, psicólogos, assistentes sociais, etc, a respeito de :

Cuidados pré-natais;
Aleitamento materno;
Desmame;
Orientação nutricional durante o desenvolvimento da criança;
Vacinação - que deve estar em dia, pois desta forma muitas doenças, como difteria, coqueluche, tétano, paralisia infantil, tuberculose e sarampo serão evitadas.

Tais ações contribuem de maneira significativa para a prevenção da desnutrição energético-protéica.

A desnutrição só pode ser efetivamente combatida por meio de ações sociais e clínicas integradas entre si.

Além da deficiência de proteína e energia na alimentação, as crianças desnutridas sofrem também da deficiência de várias vitaminas e minerais, relacionados na seguinte ordem de importância: deficiência de ferro, deficiência de vitamina A, deficiência de iodo, deificiência de zinco, deficiência de vitamina D e deficiência de folato.

Baixo Peso ao Nascimento

Sabe-se que a desnutrição pode iniciar-se já na vida dentro do útero, trazendo conseqüências mais graves.

Quando uma criança nasce com menos de 2.500 g, é considerada de baixo peso. O baixo peso ao nascer é um importante fator de risco para doenças e morte neonatal e infantil. Quanto menor o peso ao nascer, maior é a mortalidade.

O baixo peso ao nascer, quando não associado à prematuridade, expressa o retardo do crescimento intra-uterino e está relacionado à baixa condição socioeconômica da família.

Quanto mais alta é a proporção de nascidos vivos de baixo peso, mais grave é o problema de nutrição e de saúde pública na localidade.

A cada ano, cerca de 30 milhões de bebês (24% do total de recém-nascidos) nascem com retardo de crescimento intra-uterino nos países em desenvolvimento.

No Sul da Ásia, esse percentual alcança 36% dos bebês, duas vezes a média dos países em desenvolvimento, que é de 18%. Em Bangladesh, essa proporção atinge 54%.

Hábitos inadequados de alimentação também promovem desnutrição. Muitos pais, em centros urbanos sobretudo, permitem a ingestão de guloseimas - como, por exemplo, salgadinhos, balas e biscoitos - o que faz com que as crianças comam menos outros tipos de alimento como arroz, feijão, hortaliças, frutas e carnes.

Na faixa etária de dois a quatro anos, quando a criança está formando seus hábitos alimentares, é essencial trabalhar a educação nutricional para que elas possam chegar à vida adulta com mais saúde. A tarefa é difícil, já que os meios de comunicação têm uma forte influência - muitas vezes, negativa - na formação dos hábitos alimentares.

Hábitos Alimentares Inadequados

Um estudo realizado em 2001 para verificar o perfil alimentar de crianças de 0 a 72 meses com desnutrição energético-protéica atendidas pelo Centro de Recuperação e Educação Nutricional verificou que 50% das crianças entre 0 e 6 meses usavam mamadeira. Quanto aos hábitos alimentares, verificou-se que 31% das crianças entre 6 e 36 meses consumiam guloseimas e 33% dessa mesma faixa etária consumiam salgadinhos diariamente. Entre as crianças de 36 a 72 meses, verificou-se que 50% consumia refrigerantes diariamente.

Desmame inadequado

Em geral, problemas no desmame acontecem por falta de informação. Nem sempre as mães fazem pré-natal quando engravidam e deixam de aprender como preparar as mamas para o aleitamento, as técnicas corretas de amamentação, bem como distinguir o que é crendice e o que é verdade.

É comum que a desnutrição esteja associada a desmame inadequado:

Desmame precoce - As mães devem alimentar seus filhos exclusivamente com leite materno até o sexto mês de vida, pois contém nutrientes essenciais para os mesmos, tais como: proteínas, imunoglobulinas, carboidratos, lipídios, cálcio, fósforo, ferro, vitaminas, essenciais para a saúde nessa idade.

As razões para o desmame são as mais diversas. Por não saberem amamentar corretamente, as mães sentem dores, têm rachaduras nos seios e até mesmo ferimentos, o que as levam a desistir.

Também se prendem a crendices - como, por exemplo, que o "leite materno é fraco" - e, por esse motivo, oferecem complementos além do leite materno.

Há também o problema do trabalho. Muitas mães não são orientadas a como retirar e guardar o leite materno para ser dado à criança enquanto estão trabalhando.

Desmame tardio - Não é incomum que a desnutrição ocorra por desmame não adequado e excessivamente tardio. Algumas mães chegam a deixar que a criança se alimente somente de leite materno até os dois anos de idade ou mais. Há dificuldades no vínculo mãe-filho que impedem o desmame adequado. Há mães que não têm outro alimento a oferecer devido à sua situação socioeconômica e assim, acabam oferecendo somente o leite materno por muito tempo.

Referências Bibliográficas

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Universidade Federal de São Paulo - UNIFESP

Fonter: www.uraonline.com.br

Desnutrição

Desnutrição Infantil

A desnutrição é definida como um estado patológico de diferentes graus de intensidade e variadas manifestações clínicas e é produzida pela deficiente assimilação dos nutrientes.

A desnutrição infantil, apesar da redução mundial da sua prevaléncia, é atualmente o problema de saúde pública mais importante dos países em desenvolvimento.

Mais de 50% das mortes de crianças menores de 5 anos, que ocorrem nestes países, é influenciada pela desnutrição em alguma de suas formas.

A mortalidade das crianças desnutridas graves, tratadas em hospital, tem se mantido inalterada nas últimas cinco décadas.

Na América Latina, sua incidéncia é bastante elevada: existe desnutrição de alguma intensidade em cerca de 65% das crianças menores de cinco anos. De acordo com o índice peso/altura, considera-se nutrida a criança que, independentemente da idade, apresenta peso condizente para sua altura e sexo.

O conceito de desnutrição de acordo com o índice de baixo peso/altura aponta, portanto, apenas desnutrição aguda (crianças visivelmente magras). A desnutrição aguda está associada a fenómenos de curto prazo e reversíveis, indicando que a incidéncia de desnutrição por baixo peso/altura poderia, portanto, ser eliminada por programas nutricionais de emergéncia. Sendo assim, desnutrição pode ser entendida como o déficit de nutrientes no organismo.

Segundo a OMS/FAO, o termo desnutrição energético-protéica define-se como uma gama de condições patológicas com deficiéncia simultánea de proteínas e calorias em variadas proporções, que acomete potencialmente crianças de baixa idade e sõo associadas com infecções.

Classificação por deficiéncias nutricionais que originam a desnutrição:

1. Específica: quando falta um nutriente bem determinado, caracterizando síndromes específicas. (Exemplo: anemia por deficiéncia de ferro; escorbuto por deficiéncia de vitamina C; etc...)
2. Global: quando faltam vários nutrientes. Exemplo clássico constitui a desnutrição calórico-proteica.

Quanto á etiopatogenia, pode ser:

1. Primária: quando há oferta inadequada de alimentos
2. Secundária: quando o aproveitamento inadequado dos alimentos ocorre por fatores independentes da oferta, a qual é feita de forma correta.

Quanto á intensidade da DPC, podemos dividi-la em graus (Classificação de Gomez):

1 grau ou leve: déficit de peso de mais de 10% até 25%
2 grau ou moderada: déficit de peso de mais de 25% até 40%
3 grau ou grave: déficit de peso superior a 40%.

A desnutrição grave pode ainda ser subdividida em tipos, de acordo com a diversidade de quadros clínicos:

Kwashiorkor - desnutrição proteica, que leva a edema e apresenta quadro de pobreza extrema
Marasmo - desnutrição seca, com depleção energética, mesmo com adequada oferta de nutrientes.
Formas intermediárias - apresentam características mistas das duas formas anteriores.

Quando levamos em conta os parámetros peso e altura em associação, de acordo com a idade, temos um perfil mais fiel do tempo de ocorréncia do processo.

Etiologia:

Os fatores etiológicos mais importantes são o baixo nível sócio-ecnómico (pobreza-privação nutricional) e seus acompanhantes intránsecos: más condições ambientais, que frequentemente levam a infecções e hospitalização, e baixo nível educacional e cultural, que muitas vezes leva á negligéncia infantil.

A desnutrição é manifestação de pobreza e decorre de três fatores: alimentar (déficit de nutrientes), infeccioso (diarréias e infecções respiratórias repetidas) e psicológico (falta de estimulação e de apoio afetivo).

A baixa ingestão calórica condiciona uma correspondente diminuição da atividade física, sendo esta a primeira adaptação decorrente do processo de depleção. A segunda adaptação é a parada de crescimento (falta de ganho de peso e altura).

Fisiopatologia:

A desnutrição energético-proteica (DEP) provoca uma série de respostas clínicas adaptativas. Somente mais tarde, pela persisténcia das condições adversas nos seus mais variados graus, a adaptação se transforma em má adaptação, pondo em evidéncia as manifestações clínicas decorrentes. Vários mecanismos fisiopatológicos são instalados, determinando adaptações metabólicas de variadas intensidades, desencadeados e mantidos por controles hormonais.

O organismo passa a lançar mão de vários mecanismos para sobreviver: gliconeogénese, glicogenélise e lipílise, passando a ser consumidas gradativamente a musculatura esquelética (reservatório protéico) e a gordura corporal, ás custas da manutenção da homeostase. Em resposta ás baixas concentrações de glicose e aminoácidos, os níveis de insulina diminuem. Em contrapartida, ou por um estresse infeccioso ou pela própria restrição calórico-proteica, a adrenal cortical passa a secretar quantidades aumentadas de cortisol, com consequente liberação de aminoácidos pelo consumo muscular, a fim de serem usados por órgãos nobres como fígado, páncreas e intestino. Essa integridade visceral ás custas desse consumo é característica do marasmo.

Quando há insuficiéncia da adrenal e da utilização do músculo, ocorre quebra do mecanismo de adaptação, condicionando o kwashiorkor. Há elevação da secreção do hormónio de crescimento e de epinefrina, condicionando a lipílise, que libera ácidos graxos e corpos ceténicos como combustíveis para o metabolismo cerebral.

As anormalidades bioquímicas e manifestações clínicas começam a se intensificar e predominar no quadro clínico-laboratorial da desnutrição após a faléncia do processo adaptativo. Somente a partir deste estádio é que surgem as formas graves da desnutrição.

O marasmo se origina das categorias moderadas da desnutrição (subnutrição) que continuaram sofrendo uma deficiéncia global de energia. Acomete crianças geralmente abaixo dos 12 meses.

O kwashiorkor origina-se de formas leves e moderadas que sofreram deficiéncia de proteína com adequada ingestão de energia em qualquer idade.

A forma seca pode se transformar na edematosa e vice-versa em certas condições: aumento de perdas protéicas fecais, ocorréncia de doenças infecciosas.

Fisiologia dos órgãos envolvidos:

Todas as vísceras se apresentam com déficit de peso quando comparadas com o peso dos mesmos órgãos em crianças não desnutridas da mesma idade.

No páncreas, há inicialmente atrofia das células acinosas e a seguir há degeneração hialina, os canalúculos intra-lobulares se dilatam e se inicia esclerose periacinosa intra e perilobular. As ilhotas de Langerhans estão conservadas em número. Funcionalmente, há diminuição da amilase, lipase, tripsina e qimiotripsina.

No fígado, pode-se observar esteatose, que consiste na infiltração gordurosa do fígado, que é tanto mais intensa quanto maior o grau de desnutrição, sendo mais frequente e intensa no kwashiorkor do que no marasmo. Quando a desnutrição se corrige, a esteatose desaparece e as células passam a apresentar aspecto de depleção protéica temporariamente. Podem ser vistos também infiltrado celular linfocitório e fibrose. Há diminuição da síntese de sais biliares e de sua conjugação por causa dessas alterações.

As glándulas salivares apresentam lesões de atrofia, mais intensas e frequentes nas partidas. Em estágios mais avançados, ocorre infiltrado celular, aumento do depósito de gordura e mesmo fibrose em torno dos ácinos atrofiados e frequentemente dilatados. Há prejuízo da mastigação e deglutição.

No intestino delgado, todas as camadas são atingidas por progressivo processo de atrofia e consequente redução das respectivas espessuras, com intensidade crescente no sentido duodeno-ileal. O relevo da mucosa intestinal desaparece por completo em algumas áreas. Há supercrescimento bacteriano levando á desconjugação de ácidos biliares, redução dos sais biliares conjugados, com prejuízo da digestão das gorduras e aumento dos ácidos biliares livres, que são lesivos á mucosa intestinal e redução das dissacaridases, especialmente da lactase.

Na pele, a epiderme tem todas as suas camadas comprometidas. A camada córnea sofre hiperqueratose em zonas, permanecendo trechos da pele com aspecto normal; a hiperqueratose leva á posterior descamação. Os capilares mostram-se ingurgitados e cheios de leucícitos, podendo sofrer roturas e pequenas hemorragias. Na hipoderme, o tecido gorduroso em geral estão ausente.

No sistema imune, o componente mais comprometido á o celular. Os níveis de imunoglobulina estão normais ou aumentados, ás custas de infecções repetidas. Os fatores humorais responsáveis pela fagocitose estão diminuídos. A produção de IgA em lágrimas, secreção nasofarángea e intestinal está diminuída.

Avaliação clínica:

O Marasmo é DPC de 3 grau caracterizada por desaparecimento do tecido subcutáneo, auséncia de lesões de pele, de cabelo e de esteatose hepética. O aspecto físico é de quem consumiu todas ou quase todas as suas reservas musculares e de gordura (emagrecimento "seco"). é uma criança com baixa atividade, pequena para a idade, com membros delgados, costelas proeminentes, pele solta e enrugada na região das nádegas. Está sempre irritada, com choro forte e contínuo, além do apetite variível, pois passa a apresentar anorexia e prostração.

Ocorre mais frequentemente em lactentes (1 ano) que receberam uma dieta inadequada e globalmente deficiente. As proteínas sóricas (albumina), as enzimas hepéticas e os minerais são normais.

Kwashiorkor é DPC caracterizada por edema clínico, lesões de pele e cabelo, esteatose hepótica, hipoalbuminemia, tecido celular subcutáneo ainda presente, frequentemente diarréia.

Características da desnutrição:

Apatia mental: a criança nunca sorri, choraminga, raramente responde a está mulos dolorosos ou prazerosos.
Posição preferencial: encolhido, coberto (frio) e na obscuridade (fotofobia)
Grande emagrecimento do tórax e segmentos proximais dos membros, com edema frio, mole, não doloroso é pressão nos seguimentos distais.
Alterações de pele (lesões hipocrámicas alternadas com lesóes hipercrémicas) dos membros inferiores, que podem ser secas e frias; tipo xerose - secas, ásperas e sem brilho -; lesées pelagrosas, com eritema, despigmentação das bordas e descamação; tipo queratose folicular; fissuras lineares e flexurais; acrocianose; escaras; piodermite secundária; púrpuras de mau prognóstico.
Alterações de cabelos (finos, secos, quebradiços e facilmente destacáveis - alopácia). Pode aparecer o sinal da bandeira nas desnutriçães muito prolongadas, quando o cabelo apresenta faixas de coloração escura e clara.
Alterações das unhas: finas, quebradiças, sem brilho e pequeno crescimento.
Mucosas: língua careca ou com hipertrofia de papilas, retração das gengivas, lábios rachados, sangrantes, lesões comissurais.
Olhos: alterações de conjuntiva, cérnea com manchas, queratomalócia, xeroftalmia, podendo levar á cegueira.
Ossos: osteoporose com linhas de parada de crescimento; idade óssea retardada.
Sistema Nervoso: retardo neuropsicomotor, atrofia cortical e/ou subcortical, timidez, retraimento, irritabilidade
Hepatomegalia pela esteatose hepética presente.
Área perineal sempre com dermatite e escoriações, devido á diarréia.
Déficit importante de estatura e massa muscular seriamente consumida, mas tecido subcutáneo e gorduroso conservados.
Baixas concentrações sóricas de proteína e albumina.

Considerações:

Nas condições adequadas de recuperação nutricional, há reversibilidade total do déficit da estatura. As más condições ambientais em que vivem os desnutridos primários, após a alta hospitalar, é que seriam o fator mais importante do retardo de crescimento, diminuindo a estatura final desses indivíduos. Entretanto, quando a estatura foi comprometida, não há normalização total da mesma, o que vai prejudicar especialmente as mulheres nas gestações e partos futuros. Quando há desnutrição intra-útero, há grande possibilidade de haver lesoes grave e permanente do sistema nervoso central. As que ocorrem no período pós-natal podem ocasionar lesóes permanentes de acordo com o grau da desnutrição, que são responsáveis pelo retardo de desenvolvimento neuropsicomotor. No entanto, este retardo pode ser reversível, quando a recuperação nutricional se faz em condições sócio-culturais favoráveis, com estimulação psicomotora da criança.

Ana Paula Souza

Referéncias

DUTRA, O. Ciências Nutricionais. São Paulo: Sarvier, 1998.
EUCLYDES, M. Nutrição do lactente. 2 ed. Vitosa MG: 2000.
MONTOGOMERY, C. Bioquímica, Uma abordagem Dirigida por Casos. 5 ed. São Paulo: Artes Médicas. 1994.
NÓBREGA, F.J. Distúrbios da Nutrição, Rio de Janeiro: Revinter, 1998
WAITZBERG, Dan Linetzky, Nutrição oral, enteral e parenteral na prática clínica. 3 ed. São Paulo: atheneu, 2000.
Nutrição e Saúde

Fonter: clinicadenutricao.com

Desnutrição

O que é desnutrição?

A desnutrição é um distúrbio resultante de combinações e graus variados de deficiência protéico-calórica, normalmente acompanhados de lesão ambiental, lesão fisiológica e estresse. Estes distúrbios, muitas vezes se agravam devido a problemas infecciosos e são acompanhados de deficiências nutricionais como a anemia por falta de ferro.

Prevalência:

A desnutrição protéico-calórica é encontrada em todo o mundo e em pessoas de todas as idades, porém é mais comum em países em desenvolvimento e em crianças. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 300 milhões de crianças no mundo apresentam retardo de crescimento resultante de alguma forma de desnutrição.

Tipos de desnutrição grave

As formas mais graves são: marasmo, kwashiokor e kwashiokor-marásmico.

Marasmo: é uma forma crônica de semi-inanição, na qual a criança tem uma redução na velocidade de crescimento. Em fases mais avançadas é caracterizada por debilidade muscular e ausência de gordura subcutânea. Freqüentemente, este tipo de desnutrição é conseqüência de amamentação inadequada e utilização de fórmulas diluídas, ocorrendo em crianças de todas as idades.

Kwarshiorkor: aparece no período posterior à amamentação, durante o desmame, e na fase de 1 a 4 anos. Está associada à baixa ingestão de proteínas, o que leva à hipoalbuminemia (baixa concentração de albumina no organismo), edema e aumento da gordura hepática. A gordura subcutânea usualmente é preservada, porém há uma debilidade muscular, freqüentemente ocultada pelo edema.

Kwarshiorkor- marásmico: é a combinação dos sintomas dos dois estágios de carência acima, porém neste caso a perda de gordura subcutânea é evidente no início do tratamento da Kwarshiorkor, quando ocorre a redução de edema. Está associado à grande oferta de carboidratos e ao baixo consumo de proteínas, sempre de baixa qualidade nutricional.

Prevenção e tratamento

O tratamento dietético específico para a desnutrição depende da gravidade da doença e de outros sintomas de deficiência que podem estar presentes.

Considerando que a deficiência protéico-calórica ocorre principalmente na infância, uma maneira fácil e barata para a prevenção é o incentivo ao aleitamento materno. Ensinar a forma correta de desmame às mães, também constitui uma orientação essencial na prevenção da desnutrição.

A oferta de leite é fundamental na dieta da criança, pois grandes quantidades de proteína são necessárias para o tratamento do kwashiorkor. A oferta da maior variedade possível de alimentos às crianças, em quantidades e consistências adequadas, também contribuem muito para evitar que o quadro se agrave, ou que apresentem no futuro algum problema nutricional.

Alimentos protéicos:

Origem Animal: Alimentos dessa origem suprem, em média, 65% das proteínas consumidas na dieta. Além disto, uma dieta rica em proteína animal fornece todos os aminoácidos indispensáveis para a realização de uma síntese protéica eficiente. São eles: carnes, ovos, leite e derivados.
Origem Vegetal:
Os produtos vegetais mais ricos em proteína são as leguminosas (feijão de soja, amendoim, ervilha, feijão e lentilhas), contribuindo com cerca de 3% do consumo total de proteínas. Os cereais contêm quantidades menores deste nutriente, mas, por serem muito consumidos, contribuem com 18% das proteínas da dieta. Para obter uma fonte completa deste nutriente, deve-se misturar os grãos aos cereais na dieta.

Outros Nutrientes

Não somente a proteína como também outros nutrientes são importantes na prevenção e tratamento da desnutrição. Os carboidratos (cereais, massas, pães, raízes e tubérculos) e as gorduras (óleos vegetais, azeite e a manteiga) são fornecedores de energia, utilizada pelo organismo, entre outras coisas, para a fixação de proteínas, permitindo que a mesma exerça suas funções primordiais.

Isto é, os carboidratos e as gorduras devem ser ingeridos na quantidade recomendada para cada idade uma vez que, na ausência destes nutrientes, as proteínas serão utilizadas como fonte de energia, deixando de exercer suas funções essenciais, que garantem o crescimento adequado e evita a desnutrição nas crianças.

As vitaminas e minerais também devem ser inclusos na dieta sob a forma de frutas e vegetais, pois fornecem grande variedade destes nutrientes ao organismo, sendo essenciais na prevenção de doenças e manutenção geral da saúde.

Fonter: www.rgnutri.com.br

Desnutrição

Desnutrição Infantil: Fator que Influencia na Aprendizagem

Desnutrição
Desnutrição

INTRODUÇÃO

Partindo do pressuposto de que a alimentação é essencial para o desenvolvimento integral do ser humano, o presente trabalho aborda aspectos relativos à desnutrição infantil, um dos fatores agravantes no desenvolvimento social, afetivo e cognitivo da criança em idade escolar.

A idéia do tema partiu da experiência adquirida no estágio de docência que realizamos em uma escola pública municipal de fortaleza, onde as crianças, em sua maioria são carentes e a escola é vista como um ambiente para a educação e também como a função de suprir a carência alimentar.

Podemos perceber depois de alguns meses em sala de aula que a alimentação precária é um dos fatores que interferem no desenvolvimento da aprendizagem.

As crianças com alimentação insuficiente ou inadequada têm dificuldade em concentração, problemas com a coordenação motora, comprometendo assim a aquisição e a construção do conhecimento.

Em um outro momento, já com experiência como professora em uma escola também publica municipal, ouvi relatos de algumas mães que chegaram confidenciar que muitas vezes não tinham dinheiro para comprar as três refeições básicas: café, almoço, jantar, então preferem comprar pão, ovos e suco de pacote para o almoço e mandar as crianças para tomarem café da manhã na escola. Percebe-se com isso que além de não terem dinheiro para comprar comida, o pouco que tem não sabem utilizar com alimentos mais saudáveis como feijão, e arroz, alimentos que possuem quase todos os nutrientes necessários.

Apesar de sabermos que existe uma verba destinada exclusivamente para a compra da merenda escolar, esta nem sempre é suficiente ou nem chega ao seu destino, pois as políticas públicas, ao invés de investir, fazem é retirar das crianças o pouco que estas tem por direito, daí percebe-se a falta de respeito e compromisso com a população.

Durante as atividades em sala de aula observamos que as crianças mal alimentadas têm dificuldades em realizar e concentrar-se nas atividades propostas, em conseqüência do estômago está vazio.

Ressalta-se, ainda a fala de uma criança de cinco anos de idade quando solicitada para realização de uma atividade:

professora não tô conseguindo fazer, tô sentindo uma coisa ruim, tô vendo tudo escuro. Tá perto da hora da merenda?“.

Evidenciando a importância de uma alimentação saudável para que as crianças aprendam mais e melhor.

O educador tem um papel fundamental não somente nas questões referentes à aprendizagem, mas na sensibilização com relação à saúde alimentar das crianças em idade escolar.

Entende-se por desnutrição a combinação de uma dieta inadequada com infecções. Em crianças, isso é traduzido como crescimento deficiente tendo peso e altura menores. Considera-se uma criança gravemente desnutrida aquela que apresenta 70% a menos do seu peso ideal. “A criança desnutrida apresenta problemas de pele, humor e algumas vezes, pigmentação”, explica a nutricionista Lucia Endrivkaite.

Segundo dados do IBGE, uma em cada três crianças brasileiras apresenta algum tipo de desnutrição, totalizando mais de cinco milhões de crianças em faixa etária abaixo dos cinco anos. O resultado disso é um subdesenvolvimento físico e mental, faltas de condições mínimas para enfrentar a vida e a morte prematura.

Para uma melhor nutrição é necessário o consumo adequado de vitamina A e Iodo.

Desnutrição
Desnutrição

Imaginar que combater a desnutrição constitui simplesmente satisfazer o apetite de uma criança é engano. Ainda que coma o suficiente, esta pode continuar desnutrida com deficiência de zinco, ferro, vitamina A, Iodo e Folato, essenciais para uma vida saudável constituindo-se em elementos que não devem faltar à mesa dos brasileiros.

Uma criança desnutrida está mais propensa a morrer de doenças comuns da infância do que as consideradas “saudáveis”. Doenças cardíacas, diabetes e hipertensão são resultados de deficiências alimentares durante o crescimento fetal e o desenvolvimento ao longo da vida. Crianças desnutridas também apresentam limitações em suas capacidades de aprendizagem, não respondendo adequadamente aos estímulos, reduzindo assim seu interesse diante do brincar e explorar o novo. Debilitados em seu potencial físico e mental, elas tornam-se adultos com níveis de produtividade mais baixos e com um futuro sem perspectivas.

Existem várias formas de desnutrição dependendo da insuficiência de nutrientes. A deficiência de vitamina “A” que afeta cerca de 100 milhões de crianças no mundo todo pode levar á cegueira, a vulnerabilidade à diarréia (que mata 2,2 milhões de crianças por ano) e sarampo (responsável por 1 milhão de mortes), alem de outras infecções. A carência do iodo causa graves problemas cerebrais na criança, como cretinismo, aumenta o risco de aborto em mulheres grávidas. A anemia, provavelmente o problema nutricional mais comum no mundo, é outro fator de complicação durante a gravidez, matando 585 mil mulheres anualmente.

Sua principal causa é a deficiência de ferro, que também debilita o sistema imunológico a coordenação motora e o equilíbrio, além de reduzir a capacidade física e mental.

“A falta de vitamina D pode levar a malformação dos ossos, inclusive o raquitismo. A deficiência em folato provoca defeitos congênitos do feto, risco de parto prematuro e baixo peso do recém-nascido (menos de 2,5 quilos). Problemas no crescimento como o nanismo, que afeta 226 milhões de crianças, e complicações e no parto são causados pela falta de zinco”. (SITE UOL, Seção Nutrição, 2004).

Os hábitos e padrões alimentares – “formas em que os indivíduos ou grupos selecionam, consomem e utilizam os alimentos disponíveis, incluindo os sistemas de produção armazenamento, elaboração, distribuição e consumo dos alimentos” Coimbra (1982) – constituem os traços universais da cultura de qualquer grupo étnico.

Embora diversos organismos e instituições, entre os quais muitos já extintos, tratassem de aspectos referentes à alimentação em geral, não havia, ainda, no país um conjunto uniforme de informações e dados tratados cientificamente, e que permitissem o real conhecimento da situação alimentar do Brasil.

A historia da alimentação escolar no Brasil, se por um lado é plena de realizações e conquistas, é, por outro, fluída na contagem dos fatos no suceder dos anos.

Assim, “Comer e Aprender – uma história da alimentação escolar no Brasil”, representa a sistematização da história de uma instituição e seu maior objetivo:

“proporcionar alimentação adequada aos escolares e pré-escolares carentes das regiões deprimidas dos pais” (COIMBRA, 1982).

Para esta clientela, a boa alimentação é um fator imprescindível de sucesso na aprendizagem. O fracasso na escola que em regiões de pobreza reduz em 50% o rendimento formal dos alunos do 1º grau, poderá ser consideravelmente reduzido, como está demonstrado, se o educando recebe alimentação adequada.

Coimbra (1982, p.239) cita que a alimentação ocupava um pequeno espaço na reflexão:

“No saber médico do século XIX, a alimentação ocupava um espaço pequeno. Como se viu, a tematização dos alimentos raramente deixava de ser uma reflexão apenas sobre a possibilidade de que, por deterioração, viessem a encher os ares de “miasma” infectando pessoas e lugares, o verdadeiro objeto de atenção do discurso médico. Não dava este saber de medicina social, qualquer prioridade causal à alimentação na determinação do estado de saúde e de doença da população, investindo outros objetos de tal primazia. Naturalmente, isto também se aplica à alimentação da criança e do escolar que, salvo exceções notáveis, sequer passava por ser assunto digno de interesse acadêmico”.

“A educação não começa na escola. Ela começa muito antes e é influenciada por muitos fatores. Ao longo do seu desenvolvimento físico e intelectual a criança passa por várias fases nas quais a escola da vida, isto é, o ambiente familiar, as condições sócio-econômicas da família, o lugar onde se mora, o acesso aos meios de informação, têm importância muito grande”. (CECON, p. 86, 1988).

Segundo Cecon (1988), durante os primeiros anos de vida, é importante que a criança seja seguida de perto e estimulada a desenvolver suas potencialidades. É também neste período que uma alimentação equilibrada e sadia faz-se necessária para construir uma base sólida sobre a qual a criança vai se desenvolver futuramente. Está provado que uma carência de vitaminas pode resultar em handicaps ao nível da inteligência. Com isso ao chegar a escola, algumas crianças terão sérias dificuldades em seguir as demais.

Esta pesquisa será relevante tanto à sociedade como um todo, assim como também para nossa profissão. Como pedagogos tomaremos consciência de fatores que determinam aprendizagem e com isso, cabe a nós, repensarmos nossa prática em sala de aula.

Muitas vezes olhamos a criança apenas em seus aspectos cognitivos sem nos preocuparmos com as influências do meio como: alimentação, moradia digna, saneamento e as condições sócio-econômicas que interferem de maneira significativa no processo de aprendizagem.

Ou seja, este trabalho será também um estímulo para que a sociedade possa exigir dos políticos o mínimo a que tem direito, como uma merenda escolar de boa qualidade, que supra as necessidades nutricionais das crianças em horário escolar, não que esta ação resolva o problema mais atenua por alguns instantes o incômodo da fome para que então a criança possa concentrar-se para assistir as aulas.

1. OBJETIVOS

Identificar problemas relacionados à aprendizagem em crianças desnutridas.

Propor estratégias de promoção de saúde buscando uma educação para alimentação mais saudável.

2. REVISÃO LITERÁRIA

2.1. Desnutrição

Para fundamentar o nosso trabalho faz-se necessário a citação de alguns autores que são de fundamental importância para o enriquecimento de nossa pesquisa, dando suporte para nosso caminhar.

Apesar do aumento da produção de alimentos per capta, a fome e a má nutrição têm aumentado tanto nos paises desenvolvidos como nos em desenvolvimento.

“Segundo dados da FAO, o numero de desnutridos em 1970 era de 401 milhões de pessoas e em 1974 era de 455 milhões, somente em paises em desenvolvimento isto aconteceu apesar do aumento da produção per capta de alimentos em aproximadamente 1% ao ano, em media, nos paises em desenvolvimento nos sete primeiros anos desta década”. (VALENTE, 1989).

A educação nutricional tradicional tem-se concentrado nos efeitos dos nutrientes sobre a população e em como são armazenados e preparados os alimentos. Mas a nutrição depende do acesso a alimentos e, portanto, precisa incluir os indivíduos como produtores. “Na maioria das sociedades contemporâneas, inclusive naquelas onde muitos passam fome, existe, na realidade, o potencial para uma produção adequada de alimentos. A distribuição eqüitativa da produção atual, a liberação dos potenciais e a maneira como se dá os controles dos recursos produtivos são delimitados pela estrutura da sociedade”. (SCHIECK, 1989).

Segundo Berg (1973), “os advogados da nutrição tem buscado demonstrar que a desnutrição é o maior obstáculo a esforços mais amplos em direção ao desenvolvimento econômico o ponto central deriva de uma extrapolação para dimensões nacionais do efeito de deficiências nutricionais sobre o indivíduo”.

A lógica é simples: a desnutrição, ao contribuir para a promoção da doença, para distúrbios da capacidade física e mental e para uma menor esperança de vida, reduz o potencial produtivo do indivíduo, contribuindo, assim, para um país com uma parte significativa da população desnutrida, tendo, provavelmente uma capacidade produtiva nacional reduzida.

As causas da nutrição inadequada são muitas e estão inter-relacionadas, incluindo limitações ecológicas, sanitárias e culturais mas a causa principal é a pobreza.

Isto, por sua vez, “resulta dos padrões de desenvolvimento sócio econômico, que na maioria dos paises mais pobres tem-se caracterizado por um alto grau de concentração de poder, riquezas e renda nas mãos de pequenas elites compostas de indivíduos ou grupos nacionais ou estrangeiros”. (food and agriculture organization, 1974).

BOFF (1999, p.140) cita os maiores desafios que a política enfrentam para se manter em uma ética:

“Um dos maiores desafios lançados à política orientada pela ética e ao modo de ser cuidado é indubitavelmente o dos milhões e milhões de pobres, oprimidos e excluídos de nossas sociedades. Com efeito, graças aos avanços tecnológicos, nas ultimas décadas verificou-se um crescimento fantástico na produção de serviços e bens materiais, entretanto, desumanamente distribuídos, fazendo com que 2/3 da humanidade viva em grande pobreza. Nada agride mais o modo-de-ser do que a crueldade para com os próprios semelhantes”.

2.2. Determinação Social da Fome

Josson, em seu trabalho recente, coloca que poderíamos visualizar a determinação social da fome/desnutrição como ocorrendo com diferentes níveis hierárquicos de causação (JOSSON, 1981).

Em um nível mais alto ele coloca o que chama de causas básicas: organização social da produção e relações de produção.

Estas delimitariam as causas mediatas: acesso a terra, emprego, salário, acesso a alimentos, transporte, água, serviços de saúde, educação, etc.

Por sua vez, as causas mediatas delimitariam o espaço de variação das causas imediatas: ingestão de alimentos, necessidades alimentares e nutricionais e estado de saúde, que se manteriam em equilíbrio dinâmico. E, finalmente, teríamos os sinais e sintomas da fome/desnutrição que surgiriam caso o equilíbrio entre as causas imediatas se movesse nesta direção.

Os aspectos essenciais na determinação dos hábitos alimentares são: a disponibilidade objetiva de certos produtos alimentares em condições específicas de clima, solo, chuva, etc; influências do processo de colonização, por exemplo, portugueses, espanhóis, americanos, etc; a classe social como modo de vida, delimitando as práticas e hábitos; e por fim, a continua produção de “novos” alimentos industrializados ou de alimentos não tradicionalmente utilizados para consumo humano, como por exemplo a soja (VALENTE,1989). Silvia e Guimarães (1995) evidenciam que a desnutrição protéica calórica não existe isoladamente e sim, faz parte do contexto da pobreza e da fome, o que traz conseqüências negativas no desenvolvimento cerebral destes indivíduos.

O primeiro sinal, geralmente constatado, é o baixo ganho de peso da criança, e daí começam outros sinais como, flacidez muscular, letargia, falta de resposta a estímulos externos, atraso no desenvolvimento neuropsicomotor, etc.

A medida que o déficit nutricional aumenta, as formas de desnutrição grave aparecem, o marasmo é o mais comum no primeiro ano de vida: apresentando emagrecimento progressivo, autólise e autofagia. O olhar da criança é ávido e ansioso, massa muscular atrófica e abdome globoso. O óbito quase sempre esta associado à diarréia com desidratação e infecção respiratória. (DUCAN,1995).

2.3. Seqüelas Causadas pela Desnutrição

As seqüelas deixadas pela desnutrição são de ordem física, neurológica e psicológica, entre outras, podemos citar, entre elas, o nanismo – a criança tratada da desnutrição a qualquer tempo recupera o ganho de peso, porem a estatura é algo mais complexo, pois o principal fator de controle em longo prazo  da secreção do hormônio do crescimento é o estado nutricional dos próprios tecidos, especialmente seu nível de nutrição protéica. Portanto a deficiência nutricional pode levar a deficiência da secreção do hormônio do crescimento e, conseqüentemente, a baixa estatura. (CRAVIOTO, 1982).

Segundo Castro (1996), crianças que tiveram desnutrição grave durante seu primeiro ano de vida, mostraram posteriormente distúrbios de rendimento escolar – falta de atenção, agitação, pouca memória, motivação escassa, labilidade emocional, reduzida aptidões sociais, aspectos físicos inexpressivos e Q.I. mais baixo. O retardo no desenvolvimento neuropsicomotor também é constatado, deixando a criança de evoluir em diversas etapas ou fazê-las com atraso, como engatinhar andar sem ajuda, conseguir equilíbrio estático e dinâmico.

Outra seqüela evidenciada é o atraso da linguagem. Devido a falta de estímulos e a própria carência nutricional, a criança desnutrida comunica-se de maneira ineficiente e inadequada. O tempo de internação também é um fator que contribui para esse atraso. (CASTRO, 1996).

“Hoje, no Brasil, ocorre um empobrecimento crescente da população. A maior parte das pessoas não tem condições econômicas para uma alimentação mínima necessária. Aumenta os índices de desnutrição, aumenta a situação de miséria e de fome, aumenta o numero de crianças nas escolas públicas que vão à aula praticamente em jejum. Um contingente enorme de crianças subsiste á base de papa de água e farinha”.(VALENTE, p. 105, 1989).

É neste contexto que propomos a discussão da merenda escolar. Que é uma suplementação alimentar fornecida às crianças matriculadas em escolas oficiais de 1º grau, durante o período de aulas. E regulamentada por Lei Federal, devendo suprir no mínimo 15% das necessidades calóricas diária das crianças (decreto federal nº 72.034/73).

Valente (1989, p. 105) cita o objetivo do programa da merenda:

“O programa da merenda, conforme o texto legal, tem por objetivo diminuir os índices de repetência e evasão, imutáveis há quarenta anos, e minimizar o problema da desnutrição, fazendo com que a criança melhore seu rendimento escolar”.

O Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), popularmente chamado como programa da merenda, é uma, das diversas situações nas quais as atividades educativas em nutrição podem ocorrer, uma área importante de atuação visando promover a saúde e possibilitando a construção de novos conhecimentos. De acordo com documento do Conselho Federal de Nutrição sobre o “panorama de alimentação escolar”, “a alimentação escolar tem característica de assistência nutricional, desde que ofereça alimentos adequados em quantidade e qualidade, para satisfazer as necessidades nutricionais do escolar, no período do dia em que permanece na escola, mas também pode ser servida na escola adquire característica de ferramenta educativa, que pode e deve ser utilizada para os fins maiores da educação, habilitando o aluno a intervir na própria realidade” (o Conselho Federal,1995) desse modo, pode ser considerado como um instrumento pedagógico, não apenas por fornecer uma parte dos nutrientes que o aluno necessita diariamente, mas também por constituir-se em espaço educativo melhor explorado, quando, por exemplo, estimula a integração de temas relativos à nutrição ao currículo escolar.

Para Abreu (1995), Castro& Peliano (1985), Moyses & Collares (1995), e Pipitone (1995) as atividades educativas em nutrição desenvolvidas no ambiente escolar não tem conseguido atingir seus objetivos.

Pipitone (1995)

“(…) professores, merendeiras e pais de alunos, em discussões que mostrem a função social e o significado dado a merenda escolar e ao atendimento das necessidades nutricionais das crianças durante a jornada escolar (…) valem mais do que asa aulas tradicionais em cartazes coloridos sobre noções de boa alimentação”.

O nutricionista cuja formação tem interfase com o campo educativo, pode e deve, ter participação ativa nessa discussão, interagindo com a equipe escolar, propondo atividades com o objetivo de esclarecer a importância do PNAE, discutindo sua função na escola e contribuindo para o reconhecimento dos limites e das possibilidades que apresentam como instrumento educativo em nutrição.

Para alcançar o estado de bem estar, torna-se necessário desenvolver recursos sociais e pessoais, além das aptidões físicas, para o que exige um trabalho que reúna profissionais de diferentes áreas atuando em equipe multiprofissional.

Neste sentido, a escola atual apresenta-se como espaço e um tempo privilegiado para a promoção de saúde, por ser um local onde muitas pessoas passam grande parte do seu tempo, vivem, aprendem e trabalham. O ambiente de ensino, ao articular de forma dinâmica alunos, familiares, professores, funcionários, técnicos – administrativos e profissionais de saúde, proporciona as condições para desenvolver atividades que reforçam a capacidade da escola de transformar-se em um local favorável à convivência saudável, ao desenvolvimento psíco-afetivo, ao aprendizado e ao trabalho de todos os envolvidos nesse processo podendo, como conseqüência, constituir-se em um núcleo de promoção de saúde local (SITE SAÚDE.GOV, Seção programas/promoção, 2004).

2.4 Aprendizagem

Segundo Heydebrand (p. 25, 1991) “nenhuma criatura poderá desenvolver-se adequadamente se quem cuida dela poderá não puder compreende-la em sua maneira de ser, em suas necessidades vitais. Muitos erros fundamentais são cometidos no cuidado e na educação das crianças por não de conhecermos perfeitamente. Precisamos conhecê-las a fundo, se quisermos educá-las para o seu bem. As forças que regem principalmente plasmando e criando formas são, de mesmo tempo, fornecedoras de vida e estimuladoras de crescimento. Do modo como atuam na criança depende uma porção de coisas. Por isto, os educadores só poderão educar proveitosamente quando conseguirem obter uma noção viva destas forças”.

A aprendizagem é um processo pelo qual o ser humano percorre por toda a sua vida. Esta se torna significativa quando o indivíduo encontra meios sejam estes sistematizados (escola) ou de uma maneira mais ampla envolvendo a família e a sociedade permitindo o seu contato mais dinâmico com o mundo que a cerca.

Os caminhos que levam a criança a desenvolver sua inteligência são vários. “A posição difundida pela teoria Piaget, é que o conhecimento é construído durante as interações da criança com o mundo”.

“As características biológicas constituem o primeiro fator importante já que influem, mas sem fornecer uma estruturação psicológica pronta desde o nascimento.” (SEBER, p. 14, 1993).

O desenvolvimento intelectual está relacionado ao biológico (hereditariedade) e ao social (transmissão social que pode acelerar ou inibir ou acelerar ou inibir, mas não substituir ou impor um desenvolvimento).

Sem dúvida é perceptível que a transmissão social está presente no indivíduo podendo, portanto, inibir ou acelerar o seu desenvolvimento, mas não bloqueá-lo.

A criança está em constante processo de aprendizagem desde o seu nascimento, apropriando-se da cultura elaborada pela sociedade: aprende a falar, recebe informação de como agir etc. A aprendizagem e o desenvolvimento são constituídos por uma unidade inter-relacionada, por isso são processos inseparáveis.

Portanto, o ensino e suas possibilidades não podem ser definidas somente pelo nível de desenvolvimento real apresentando pela criança, mas também pelo que Piaget denominou como zona de desenvolvimento proximal, ou seja, aquilo que a criança consegue realizar com a ajuda dos adultos ou colegas mais experientes. (SILVA, 1994).

3. PROCESSO METODOLÓGICO

3.1 Tipo de Natureza do Estudo

O estudo será do tipo qualitativo, pois segundo Leopardi (1999), este tipo de pesquisa não se data em contar o número de vezes em que uma variável aparece, não se pode usar neste caso instrumentos de medidas precisas. O que é importante neste tipo de pesquisa é tentar compreender problemas da vivência diária do sujeito, sua satisfação, seus desejos, desapontamentos surpresas e outras emoções. Atenta-se ao contexto social em que ocorre o evento ocorre. Portanto, deseja-se ter acesso aos dados subjetivos, que não são perceptíveis, e nem captável em equações, ou seja, não qualificável.

“A pesquisa qualitativa responde a questões muitas particulares. Ela se preocupa, nas ciências sociais, com um nível de realidade que não pode ser quantificado. Ou seja, ela trabalha com universo de significados, motivos, crenças e valores, o que corresponde a um espaço mais profundo das relações, dos processos e dos fenômenos que não podem ser reduzidos á operacionalização de variáveis”. (MINAYO, 1994 p.21).

Segundo os objetivos, a pesquisa será do tipo exploratória. Para Leopardi (1999), possibilita ao investigador ampliar sua experiência em torno de um determinado problema. Consiste em proporcionar maior familiaridade em relação a um fato ou fenômeno. Para isso, faz-se necessário uma revisão de literatura , entrevistas questionário, entre outros.

3.2 Descrição do Cenário do Estudo

A Escola Professor Luís Costa fica na Rua Jaime Leonel, 156 – Bairro Luciano Cavalcante onde a clientela em sua maioria é de baixa renda.

No ano 1967 as atividades pedagógicas foram iniciadas apenas com duas salas de aula, tendo a frente dos trabalhos a professora Iran Bezerra, considerada a primeira diretora da Unidade Escolar.

Atualmente, a Escola Municipal Professor Luis Costa participa de vários projetos, tais como o Jornal na Escola, com o clube do jornal Geração Escolar; Escola e Comunidade, envolvendo eventos com todo o bairro (igrejas, escola particulares, posto de saúde, etc), Recreio Legal, onde o intervalo é orientado por alunos monitores, com alegria e brincadeiras.

A escola participa do Plano de Desenvolvimento (PDE), onde tem como missão: Oferecer um ensino fundamental de qualidade, estimulando a criatividade e a excelência dos valores humanos para uma aprendizagem significativa e com sentido para o aluno e para população em geral.

A Escola Municipal Professor Luis Costa possui 1500 alunos matriculados, e ainda uma escola em anexo: A Creche Tia Nana situada no Jardim das Oliveiras.

3.3 Seleção dos Participantes

Serão incluídas na pesquisa as crianças que freqüentam Jardim I com idade entre 4 e 5 anos da referida escola. A técnica a ser utilizada com as mesmas será de observação simples, pois segundo (GIL, 1999) a observação simples caracteriza-se pela maneira espontânea que o investigador coleta os dados que acontecem no cotidiano, porem, não perde o caráter cientifico, transpondo a simples constatação dos fatos.

Os informantes propriamente ditos serão pais e professores, não podendo, portanto, quantificá-los pois, segundo Leopardi (2001 p.135) “quando os dados se tornam repetidos, pode-se considerar a amostra suficiente”.

Processo de inclusão e exclusão:

Serão incluídas na pesquisa:

Crianças menores de 4 anos e 5 anos de idade, com quadro instalado de desnutrição infantil, residem, obrigatoriamente, na comunidade em estudo, cujos responsáveis se comprometem em participar da pesquisa;

Serão excluídas da pesquisa:

Crianças maiores de 6 anos de idade;
Crianças que não residem na comunidade em estudo;
Crianças não desnutridas.

Esta etapa da coleta de dados será realizada de Junho à Agosto de 2004.

3.4 Instrumento e Procedimento para coleta de Dados

Para investigar a relação da desnutrição com a aprendizagem, realizaremos um levantamento bibliográfico acerca do assunto no que tange a aprendizagem e nutrição e procederemos a revisão da literatura do material selecionado.

Num segundo momento observaremos a partir de um roteiro estruturado, o cotidiano de uma turma de crianças em uma Escola Pública Municipal, dando ênfase às questões da aprendizagem, paralelamente realizaremos entrevistas com os professores e pais da escola em questão.

As questões norteadoras do projeto serão:

Qual a importância da merenda escolar para o seu filho?
Qual a primeira alimentação do seu filho?
Para o professor:
Você acredita que a alimentação pode influenciar na aprendizagem?
Como se dá o desenvolvimento das crianças com carência alimentar na sala de aula?

Utilizaremos a técnica de entrevista a qual o investigador apresenta-se frente ao investigado e fórmula perguntas com o objetivo de obtenção dos dados que interessam à investigação. Quanto à classificação, a entrevista será focalizada pois, segundo Gil (1999) enfoca um tema bem especifico, o entrevistado pode falar livremente do tema porem quando este se desviar do mesmo, cabe ao entrevistador esforçar -se para retomar o assunto.

Após a coleta desses dados, analisaremos e apresentaremos uma síntese do que pudemos observar.

3.5 Aspecto Ético de Estudo

A pesquisa segue os preceitos éticos de acordo com a resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde e será encaminhado ao comitê de ética da Universidade de Fortaleza – UNIFOR.

Por ser uma pesquisa que envolve seres humanos faz-se necessário o respeito a autonomia de cada sujeito (liberdade) beneficência e não maledicência (fraternidade) e justiça (igualdade). (MARTINS, 2001).

Mesmo quando a população do estudo é composta por sujeitos que gozam de autonomia plena, para que seja exercida plenamente são necessários os entendimentos e a autodecisão da pessoa de participar ou não da pesquisa que lhe é apresentada. (Martins, 2001, p.169).

3.6 Análise dos Dados

A análise de dados inicialmente estabelecerá uma compreensão dos dados coletados, confirmar ou não os pressupostos da pesquisa e/ou responder às questões formuladas, e ampliar o conhecimento sobre o assunto pesquisado, articulando-o ao contexto cultural da qual faz parte. Essas finalidades são complementares, em termos de pesquisa social. (MINAYO, 1994).

4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFIAS

ABREU, M. Alimentação escolar: combate à desnutrição e ao fracasso ou direito da criança e ao pedagógico? Em aberto. Brasília, v. 15, n.67, p.5-20, 1995.
ANDRÉ, Martins; PALÁCIOS, Marisa; PEGONARO, Olinto A. Ética, ciência e saúde: desafios da biotética. Petrópolis: Vozes, 2001.
ASSIS, M. Educação em saúde e qualidade de vida: para além dos modelos, a busca da comunicação. Série Estudos em Saúde Coletiva. Rio de Janeiro, n. 169, p.3-30, 1998.
BOFF, Leonardo. SABER CUIDAR: Ética do humano – compaixão pela terra. 07 ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 1999.
CECON, Cláudio; OLIVEIRA, Miguel Dancy de; OLIVEIRA, Rosiska Dancy de. A vida na escola e a escola na vida. Petrópolis: Vozes em co-edição com IDAC, 1988.
COIMBRA, Mario. Comer e Aprender – Uma História da Alimentação Escolar do Brasil. Belo Horizonte. MEC, 1982.
DESNUTRIÇÃO. Disponível em < www.uol.com.br/bibliaworld/movagorabrasil/reacao/nutr1.htm.>.
GIL, Antonio Carlos.  Método e Técnicas de Pesquisa Social. 03 ed. São Paulo: Atlas,1999.
HEYDEBRAND, Caroline Von; tradução de Rudoll Lang. A Natureza anímica da criança.02 ed. São Paulo: Antropofágica, 1991.
MINAYO, Maria Cecília de S. Pesquisa Social – teoria, método e criatividade. Petrópolis: Vozes, 1994.
PIAGET, Yves de  La Taille; VYGOTSKY, Marta Kohl de Oliveira; WALLON, Heloysa Dantas. Teorias Psicogenéticas em Discussão. São Paulo: Summus, 1992.
PIPITONE, M.A.P. A relação saúde e educação na escola de 1º grau. Alimentação e Nutrição. São Paulo, n.65, p.48-52, 1995.
PROMOÇÃO DA SAÚDE. Escolas Promotoras. Disponível em: www.saude.gov.br./programas/promoçao/escola.htm
ROSCHKE, M.A. Aprendizaje y conocimiento significativo en los servicios da salud (Versión Preliminar). [s.1.:s.n.], s.d. (Mimeografado).
SILVA, Maria Alice Setúbal Souza e. Conquistando o Mundo da Escrita. São Paulo: Ática, 1994.
SEBER, Maria da Glória. Construção da Inteligência pela Criança. São Paulo: Scipione, 1993.
VALENTE, Flavio Luis Schieck. Fome e desnutrição, Determinantes Sociais. 02 ed. São Paulo: Cortez, 1989.

Fonter: www.pedagogiaaopedaletra.com

Desnutrição

A desnutrição é um grupo de condições em crianças e adultos, geralmente relacionados à má qualidade ou quantidade insuficiente de ingestão de nutrientes, absorção ou utilização.

Existem dois tipos principais de desnutrição:

Desnutrição protéico-calórica - resultantes de deficiências em qualquer ou todos os nutrientes
Doenças de deficiência de micronutrientes -
resultante de uma deficiência de micronutrientes específicos

Há três tipos de desnutrição protéico-energética em crianças:

Tipo

Aparência

Causa

A desnutrição aguda Perdendo ou magreza Nutrição inadequada aguda levando a rápida perda de peso ou incapacidade de ganhar peso normalmente
A desnutrição crônica Nanismo ou falta A nutrição inadequada sobre longo período de tempo, levando à insuficiência do crescimento linear
A desnutrição aguda e crônica Abaixo do peso Uma medida de combinação, por conseguinte, podem ocorrer como um resultado da perda de massa, nanismo, ou ambas

 

Desnutrição
Desnutrição

Desmame inadequado pode causar desnutrição

Em geral, problemas no desmame acontecem por falta de informação. Nem sempre as mães fazem pré-natal quando engravidam e deixam de aprender como preparar as mamas para o aleitamento, as técnicas corretas de amamentação, bem como distinguir o que é crendice e o que é verdade.

Desmame precoce

As mães devem alimentar seus filhos exclusivamente com leite materno até o sexto mês de vida, pois contém nutrientes essenciais para os mesmos, tais como: proteínas, imunoglobulinas, carboidratos, lipídios, cálcio, fósforo, ferro, vitaminas, essenciais para a saúde nessa idade.

As razões para o desmame são as mais diversas. Por não saberem amamentar corretamente, as mães sentem dores, têm rachaduras nos seios e até mesmo ferimentos, o que as levam a desistir.

Também se prendem a crendices, como: que o "leite materno é fraco" - e, por esse motivo, oferecem complementos além do leite materno.

Há também o problema do trabalho. Muitas mães não são orientadas a como retirar e guardar o leite materno para ser dado à criança enquanto estão trabalhando.

Desmame tardio - Não é incomum que a desnutrição ocorra por desmame não adequado e excessivamente tardio.

Algumas mães chegam a deixar que a criança se alimente somente de leite materno até os dois anos de idade ou mais. Há dificuldades no vínculo mãe-filho que impedem o desmame adequado. Há mães que não têm outro alimento a oferecer devido à sua situação socioeconômica e assim, acabam oferecendo somente o leite materno por muito tempo.

Hábitos inadequados de alimentação também promovem desnutrição

Muitos pais, em centros urbanos sobretudo, permitem a ingestão de guloseimas, como: salgadinhos, balas e biscoitos, o que faz com que as crianças comam menos outros tipos de alimento como arroz, feijão, hortaliças, frutas e carnes.

Na faixa etária de dois a quatro anos, quando a criança está formando seus hábitos alimentares, é essencial trabalhar a educação nutricional para que elas possam chegar à vida adulta com mais saúde. A tarefa é difícil, já que os meios de comunicação têm uma forte influência - muitas vezes, negativa - na formação dos hábitos alimentares.

Um estudo para verificar o perfil alimentar de crianças de 0 a 72 meses com desnutrição energético-protéica atendidas pelo Centro de Recuperação e Educação Nutricional verificou que 50% das crianças entre 0 e 6 meses usavam mamadeira. Quanto aos hábitos alimentares, verificou-se que 31% das crianças entre 6 e 36 meses consumiam guloseimas e 33% dessa mesma faixa etária consumiam salgadinhos diariamente. Entre as crianças de 36 a 72 meses, verificou-se que 50% consumia refrigerantes diariamente.

Fonter: www.ebb.com.br

Desnutrição

Desnutrição
Desnutrição

A desnutrição é uma das maiores causas de mortalidade infantil no Brasil. Diretamente ligada à desigualdade social, ela aumenta o risco de doenças e pode afetar de forma irreversível o desenvolvimento. Além disso, uma criança desnutrida tem muito mais chances de se tornar um adulto suscetível a problemas graves de saúde.

A Pesquisa Nacional sobre Demografia e Saúde (PNDS), realizada pelo Ministério da Saúde a cada dez anos, mostra que desde os anos 70 existe uma tendência de queda nos índices de desnutrição em crianças menores de cinco anos. A última medição indicava que o problema era mais grave no Nordeste e no Norte. Na região do semi-árido, por exemplo, há praticamente quatro vezes mais crianças desnutridas que no sul do Brasil. O campo também tem mais crianças desnutridas (9,2%) que as cidades (4,6%).

Além dos dados citados acima, há outros igualmente importantes para o diagnóstico da desnutrição. Indicadores envolvendo peso, altura e idade ajudam a apontar os níveis de proteínas e calorias existentes no corpo. Mas há outras formas de desnutrição, como a falta de ferro (que pode comprometer o desenvolvimento intelectual e psicomotor), de vitamina A (que afeta o sistema imunológico e a visão, podendo até cegar), de iodo (a falta atrasa o crescimento e pode causar cretinismo) e de zinco (elemento que combate diarréia e pneumonia).

Não há estatísticas específicas relacionadas a esses elementos. Mas sabe-se que o mais preocupante é o ferro.

Uma pesquisa da Universidade Federal de São Paulo feita entre 1996 e 1999 analisou a situação de oito mil crianças com menos de três anos em creches públicas de várias capitais: metade delas estava anêmica. No Recife, mais de 80% apresentavam falta de ferro.

Desde junho de 2004, o governo federal determinou que todas as farinhas de trigo e milho devem receber adição de ferro e ácido fólico. Há também programas de inclusão de outros micronutrientes na dieta das crianças brasileiras. O iodo, por exemplo, é acrescentado ao sal de cozinha desde 1950 em algumas áreas onde há maiores índices de desnutrição, e desde 1995 em todo o País. Uma pesquisa feita em 2000 com o apoio da UNICEF provou que tal medida tem apresentado bons resultados. Ela identificou, por exemplo, que nas áreas de risco, pouco mais de 1% das crianças entre 6 e 12 anos tinham bócio (para quem não sabe, bócio é uma espécie de inchaço que se forma no pescoço de pessoas que têm carência de iodo). Por outro lado, a pesquisa também mostrou que ainda havia sal para consumo humano sem a quantidade suficiente de iodo em alguns locais.

De acordo com o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, há mais de 11 milhões de famílias brasileiras vivendo abaixo da linha da pobreza. Em português claro, essas famílias não têm dinheiro nem para comprar comida.
Muitas organizações não-governamentais têm combatido a desnutrição de um jeito diferente:
implantando a suplementação alimentar. A iniciativa mais conhecida é a da Pastoral da Criança, que criou uma espécie de farofa chamada de “multimistura” (feita com ingredientes simples e baratos) para ser ingerida juntamente com outros alimentos. Hoje, a Pastoral não usa mais a mistura em larga escala, está substituindo-a por frutas e outros alimentos naturais de alto valor nutritivo e baixo custo.
Outro fator importante para manter uma criança bem nutrida é o aleitamento materno. Sabe-se que toda criança precisa se alimentar só com o leite materno até os seis meses de idade. Infelizmente, de acordo com o Ministério da Saúde, isso acontece com menos de 10% das crianças brasileiras.

Fonter: www.educacional.com.br

Desnutrição

Desnutrição
Desnutrição

A desnutrição é caracterizada pela falta de alimento ou pela falta dos nutrientes necessários ao organismo.

As pessoas mais suscetíveis à desnutrição são:

Crianças
Gestantes
Mães que estão em fase de amamentação
Idosos
Pessoas com algum tipo de patologia que desenvolva a desnutrição por dificuldade de alimentar-se

As causas da desnutrição são:

Falta de alimento
Ingestão inadequada de alimento
Má – absorção (devido a alguma patologia)
Anorexia

Ela pode ocorrer em diversas fases da vida, sendo mais comum e mais grave em bebês e crianças de até cinco anos de idade.

Em uma criança, a desnutrição causa um déficit de crescimento e de ganho de peso que compromete:

Desenvolvimento psicológico
Desenvolvimento físico
Desenvolvimento intelectual
Ocorre maior incidência de doenças

A melhor forma de evitar a desnutrição é realizar um acompanhamento do crescimento e do peso correlacionado com a idade. O ideal é que este acompanhamento seja realizado desde a gestação até a puberdade (17 – 18 anos).

Durante os primeiros 6 meses o ideal é oferecer ao bebê somente o leite materno, pois este fornece todos os nutrientes necessários para esta fase. O essencial é cuidar da alimentação da mãe, pois uma alimentação balanceada produzirá leite em maior quantidade.

Após este período é preciso iniciar a alimentação, mas esta deve ser acompanhada por um médico ou nutricionista para orientar o tipo, quantidade e formas de preparo do alimento que será oferecido ao bebê.

A mãe que está amamentando também deve cuidar de sua alimentação. Para a produção do leite o organismo retira os nutrientes necessários da mãe. Caso estes nutrientes não sejam repostos pode ocorrer um estado de desnutrição. O acompanhamento médico e nutricional desta fase é de essencial importância para a saúde e bem estar da mãe.

Os idosos, pelo próprio processo de envelhecimento, alteram a sua composição corporal, sendo este um fator de risco para a desnutrição. Neste período ocorre aumento da massa gorda e diminuição da massa muscular. Além disso fatores como paladar, apetite, freqüência de atividades físicas dificultam a alimentação. É preciso que o idoso tenha um acompanhamento nutricional periódico, para verificar a quantidade de massa muscular e atender todas as necessidades nutricionais.

Em adultos, a desnutrição pode ocorrer devido a alguma patologia, problemas relacionados à absorção de nutrientes, entre outros.

Um indivíduo que possuía uma alimentação normal e passa a possuir uma alimentação restrita, o organismo primeiramente esgota seus estoques de energia. Após este período o organismo utiliza o tecido muscular como fonte de energia para manter suas necessidades fisiológicas normais.

Esta degradação causa diversas complicações como:

Degradação de massa muscular do coração podendo acarretar em insuficiência cardíaca.
Queda brusca do sistema imunológico, propiciando o indivíduo a pegar doenças e infecções.
Diminuição da freqüência respiratória
Indisposição, fadiga, cansaço
Pele seca
Cabelos e unhas quebradiços

Criança Gestante / Lactante Adultos Idosos
Avaliar reserva de massa gorda Avaliar reserva de massa gorda Avaliar reserva de massa gorda Avaliar reserva de massa gorda
Avaliar reserva de massa magra Avaliar reserva de massa magra Avaliar reserva de massa magra Avaliar reserva de massa magra
Avaliar crescimento de acordo com a idade Avaliar a relação do peso com a estatura Avaliar a relação do peso com a estatura Avaliar a relação do peso com a estatura
Avaliar ganho de peso de acordo com a idade Avaliar ganho de peso de acordo com a idade gestacional Avaliar a ingestão alimentar Avaliar a ingestão alimentar
Avaliar a relação do peso com a estatura Avaliar a ingestão alimentar Orientar quanto à higiene dos alimentos Orientar quanto à higiene dos alimentos
Avaliar a ingestão alimentar Orientar quanto à higiene dos alimentos Avaliar a alimentação de acordo com a patologia Alterar a consistência dos alimentos de acordo com a aceitação
Orientar quanto à higiene dos alimentos Utilização de suplementos somente com orientação médica e/ou nutricional Utilização de suplementos somente com orientação médica e/ou nutricional Utilização de suplementos somente com orientação médica e/ou nutricional
Utilização de suplementos somente com orientação médica e/ou nutricional         

Fonter: www.alessandracoelho.com.br

Desnutrição

BAIXA ESTATURA E MAGREZA

Muitos autores descrevem dois tipos principais de desnutrição em grande prevalência no mundo:

o baixo peso para a estatura (wasting ou magreza); a baixa estatura para a idade (stunting ou baixos).

Criança com baixo peso para sua idade

A baixa estatura para a idade apresenta prevalências muito mais altas que o baixo peso para estatura. Está associada à baixa disponibilidade de alimentos, analfabetismo materno e baixa renda. O baixo peso para estatura, ou magreza, está associado principalmente à baixa imunização, alta prevalência de infecções e guerras.

Na América Latina e Caribe, 19% das crianças com menos de 5 anos estão com baixa estatura (stunting) e 3% com magreza (wasting). Na África, 42% das crianças menores de 5 anos estão com baixa estatura e 9% com magreza, enquanto no sul da Ásia 51% apresentam baixa estatura e 18% magreza, as proporções mais altas do mundo.

Baixa estatura: Um marcador de qualidade de vida

A estatura é considerada um importante parâmetro para se avaliar a qualidade de vida de uma população, podendo ser utilizada para monitorar mudanças nos padrões econômico, de saúde e de nutrição.

A variação das mudanças na estatura ao longo dos anos reflete o estado de saúde de um país e o estado nutricional médio de seus cidadãos

Criança com baixa estaturapara sua idade

Historicamente, tem-se observado uma tendência progressiva para o aumento na estatura de indivíduos que habitam em países industrializados e em alguns países em desenvolvimento.

O aumento médio de estatura a cada 10 anos nas populações européias varia conforme a idade e o estrato socioeconômico e tem sido de:

de 1,0 a 1,3 cm por década para crianças entre 5 e 10 anos;
de 1,9 a 2,5 cm por década durante a adolescência; de 0,6 a 1,0 cm por década no início da idade adulta. Esses aumentos estão relacionados principalmente à nutrição e à ausência de doenças.

No Brasil, a estatura dos adolescentes aumentou ao redor de 8 cm entre 1975 e 1989, porém ainda apresenta um déficit de aproximadamente 10 cm em relação aos adolescentes americanos.

Fator Genético x Fator Ambiental

Vários estudos mostraram que os fatores ambientais têm um efeito muito maior do que os genéticos na estatura final dos indivíduos.

Os fatores ambientais considerados nos estudos de baixa estatura estão normalmente relacionados à renda familiar e escolaridade materna e, em alguns desses trabalhos, à paterna, à inserção do chefe da família no mercado de trabalho, à paridade e às condições habitacionais.

A interferência do fator genético na determinação da estatura final deve ser considerada quando o fator nutricional não for importante.

Em populações economicamente desprivilegiadas, o déficit de estatura em adultos também pode ser usado como um indicador da iniqüidade socioeconômica. Em média, o ambiente pode alterar a estatura de diversas populações em cerca de 12 cm, e os fatores genéticos, ao redor de 3,5 cm.

Nos países em desenvolvimento, os estudos têm mostrado que os fatores ambientais, importantes na determinação da estatura da população, são principalmente os socioeconômicos. Estes fatores são responsáveis por 3/4 na variação da prevalência do déficit de estatura.

Em uma análise estratificada no Chile observou-se que o déficit de estatura materna estava associado a um risco 2 vezes maior de déficit de estatura nas crianças de nível socioeconômico baixo. No estrato social mais elevado este risco subiu para 4, o que reflete que, quando o fator nutricional não predomina, a estatura dos pais pode ser um fator que determina a estatura final dos filhos.

No México, o déficit de estatura materna foi associado ao déficit de estatura dos filhos com uma chance de risco igual a 4. Quando o resultado foi ajustado levando-se em conta os fatores ambientais, a chance diminuiu principalmente nas regiões mais pobres, mostrando a influência destes fatores na determinação da estatura.

BAIXO PESO AO NASCIMENTO

Sabe-se que a desnutrição pode iniciar-se já na vida dentro do útero, trazendo conseqüências mais graves. Quando uma criança nasce com menos de 2.500 g, é considerada de baixo peso.

O baixo peso ao nascer é um importante fator de risco para "morbi-mortalidade" neonatal e infantil. Quanto menor o peso ao nascer, maior é a mortalidade.

Criança menor de 2 anos sendo pesada na balança eletrônica

O baixo peso ao nascer, quando não associado à prematuridade, expressa o retardo do crescimento intra-uterino e está relacionado à baixa condição socioeconômica da família.

Quanto mais alta é a proporção de nascidos vivos de baixo peso, mais grave é o problema de nutrição e de saúde pública na localidade.

A cada ano, cerca de 30 milhões de bebês (24% do total de recém-nascidos) nascem com retardo de crescimento intra-uterino nos países em desenvolvimento.

No Sul da Ásia, esse percentual alcança 36% dos bebês, duas vezes a média dos países em desenvolvimento, que é de 18%. Em Bangladesh, essa proporção atinge 54%.

Recém-nascido pequeno para a idade gestacional/prematuro

Entende-se por recém-nascido de baixo peso qualquer criança com peso de nascimento inferior a 2500 g, independente da idade gestacional.

O peso de nascimento pode ainda ser classificado de acordo com a idade gestacional através do uso da curva de crescimento intra-uterino de Williams et al.(1982):

Pequeno para Idade Gestacional (PIG) quando, no nascimento, o recém-nascido tiver seu peso abaixo do percentil 10 da curva acima citada; Poderá ser considerado Adequado para Idade Gestacional (AIG) quando seu peso estiver entre o percentil 10 e 90; Grande para Idade Gestacional (GIG) quando seu peso estiver acima do percentil 90.

O recém-nascido pode ainda ser classificado por sua maturidade: pré-termo quando tiver idade gestacional abaixo de 37 semanas; de termo quando tiver idade gestacional entre 37 a 42 semanas; pós-termo acima de 42 semanas. Portanto, o recém-nascido de baixo peso pode estar em diferentes grupos. Este paciente pode ser uma criança de termo, mas pequeno para idade gestacional (PIG), uma criança prematura, mas com peso adequado para idade gestacional (AIG), ou ainda um recém-nascido pré-termo e pequeno para idade gestacional (PIG).

Na prática clínica, o termo PIG é utilizado para designar crianças que sofreram desnutrição intra-uterina. Alguns autores, porém, acreditam que essa identificação não é adequada, pois uma pequena porcentagem dos recém-nascidos que se encontram abaixo do percentil 10 nas curvas de peso pode não refletir uma desnutrição intra-uterina, mas sim uma variação biológica individual. Já a desnutrição, ou o retardo de crescimento intra-uterino, é um processo fisiopatológico decorrente de múltiplos fatores etiológicos.

Condições socioeconômicas desfavoráveis, desnutrição energético-protéica materna e doenças crônicas maternas que levam à insuficiência útero-placentária promovem o nascimento destas crianças pequenas para idade gestacional.

Dependendo da natureza da agressão e do momento da gestação em que esses danos acontecem, o grau e as características da desnutrição podem variar.

Se fatores adversos atuarem durante a última metade da gestação, mais intensas serão as repercussões no comprimento, peso e perímetro cefálico. É o retardo de crescimento intra-uterino (RCIU) do tipo 1 ou proporcionado. Quando a desnutrição afeta mais o peso deste paciente do que o perímetro cefálico ou comprimento, geralmente os fatores que causam este retardo atuaram no último trimestre, causando RCIU do tipo 2 ou desproporcionado. Diminuição da quantidade de massa gorda e partes moles são verificadas nestes RN PIG.

Formas de melhor avaliar clinicamente a desnutrição fetal, sem somente se basear em curvas de peso em relação a idade gestacional, são preconizadas por alguns autores, onde um ¨score¨ avaliando partes moles (pregas cutâneas ou dobras) classifica esse RCIU e serve como controle para monitorização destes pacientes no suporte nutricional.

De modo geral, existe consenso entre diferentes autores de que a desnutrição materna primária, com conseqüente desnutrição fetal, leva a um recém-nascido de baixo peso que apresenta pior evolução pondero-estatural do que aqueles que são baixo peso por intercorrências obstétricas (estas são mais freqüentes em países ricos e permitem maior chance de recuperação desta criança, diferente das nossas populações onde a inferioridade é mantida por mais tempo).

No crescimento pós-natal do recém-nascido de baixo peso, são reconhecidas 4 fases, que dependem da idade gestacional, da intensidade e da duração das intercorrências da fase anterior:

Perda fisiológica de peso - corresponde às modificações na distribuição de água e eletrólitos, onde clinicamente se traduz por perda de peso. Quanto menor for a idade gestacional e menor o peso de nascimento, maior a restrição nutricional e a duração das intercorrências clínicas desta fase; Fase de estabilização - período onde as intercorrências são controladas;
Crescimento acelerado - ocorre crescimento rápido em peso, comprimento e perímetro cefálico, superior ao da população normal, na tentativa do RN alcançar seu canal de crescimento; Fase de equilíbrio - onde ocorre crescimento em velocidade semelhante ao da população. Tem-se observado que o recém-nascido (RN) de baixo peso (BP) pré-termo (PT) de peso adequado para a idade gestacional (AIG) tem evolução mais satisfatória, tanto em relação ao peso como ao comprimento quando comparado aos recém-nascidos (RN) de baixo peso (BP) de termo (T) e pequeno para a idade gestacional (PIG), demonstrando efeito negativo da desnutrição intra-uterina na vida pós-natal. Observa-se também que quanto mais precoce é a instalação da desnutrição fetal, tendo o RN um RCIU do tipo 1, maiores são as seqüelas do ponto de vista nutricional.

A necessidade energética do recém-nascido (RN) na primeira semana de vida é de 120 Kcal/kg/dia e a necessidade hídrica, de 150 ml/kg/dia, sendo ele de termo e adequado para a idade gestacional (AIG). No recém-nascido (RN) pequeno para a idade gestacional (PIG), a necessidade passa a ser em torno de 180 kcal/kg/dia para o crescimento adequado. Relativo hipermetabolismo nos recém-nascidos (RN) com retardo de crescimento intra-uterino (RCIU) tem sido documentado, com maior consumo de oxigênio, que não é devido a maior atividade.

O recém-nascido (RN) pré-termo, seja adequado para a idade gestacional (AIG) ou pequeno para a idade gestacional (PIG), em função da inexistência da vida intra-uterina no terceiro trimestre - onde ocorre maior depósito de gordura - nasce com baixas reservas de energia, necessitando, portanto, da instalação precoce de suporte nutricional - o que nem sempre é possível ser plenamente feito em função das intercorrências clínicas que estes pacientes freqüentemente apresentam.

A avaliação pôndero-estatural desses recém nascidos prematuros é difícil, pois as curvas de peso existentes são baseadas em dados de uma população a termo.

Para contornar este problema utilizamos um artifício na avaliação antropométrica: a correção do peso para a idade gestacionais. Para avaliar um recém-nascido prematuro até completar 40 semanas de vida pósnatal deve-se utilizar curvas do crescimento intra-uterino; após 40 semanas deve-se utilizar curvas do peso e estatura da população a termo descontando as semanas da vida pós-natal. Assim, um RN de 30 semanas só irá utilizar as curvas do crescimento da população a termo quando alcançar 10 semanas de vida. Essa correção deve ser feita para o peso até a criança completar 24 meses após o termo, para o comprimento até 42 meses e para o perímetro cefálico até 18 meses.

De forma geral, os recém-nascidos de baixo peso, sendo prematuros ou desnutridos intra-uterinos, são pacientes de risco para processos infecciosos e desnutrição energético-protéica futura e devem, portanto, ser rigorosamente monitorizados tanto no aspecto nutricional como nas intercorrências infecciosas.

CARÊNCIAS DE MICRONUTRIENTES

Além da deficiência de proteína e energia na alimentação, as crianças desnutridas sofrem também da deficiência de várias vitaminas e minerais, relacionados na seguinte ordem de importância: deficiência de ferro, deficiência de vitamina A, deficiência de iodo, deificiência de zinco, deficiência de vitamina D e deficiência de folato

Deficiência de Ferro

A carência de ferro leva a criança a desenvolver anemia ferropriva. Existem outros tipos de anemia causados pela deficiência de ácido fólico, vitamina A, riboflavina, e diversos minerais também podem contribuir para a anemia.

A anemia afeta o sistema imunológico e reduz a capacidade física e mental das populações afetadas:

Em bebês e em crianças pequenas, pode comprometer o desenvolvimento intelectual; Em mulheres grávidas, constitui uma causa importante de mortalidade materna, aumentando o risco de hemorragia e de infecção generalizada durante o parto; Bebês nascidos de mulheres anêmicas podem nascer anêmicos e apresentar baixo peso ao nascer.

A anemia por deficiência de ferro é uma doença altamente prevalente no mundo e pode prejudicar o sistema de defesa do organismo durante o período de crescimento da criança, comprometendo a capacidade do mesmo em eliminar agentes patogênicos invasores e acarretando um aumento do número de casos novos de doenças.

A deficiência de ferro atinge cerca de 2 bilhões de crianças e adultos; é o distúrbio mais comum em todo o mundo e inclui 80% de gestantes nos países em desenvolvimento, principalmente na Ásia.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estimou em 1998, que, das crianças menores de quatro anos de idade vivendo nos países em desenvolvimento, 51% estavam sofrendo de anemia.

O que o ferro faz

O corpo precisa de ferro para:

Produzir hemoglobina, a proteína presente nas células vermelhas do sangue, responsável pelo transporte de oxigênio;
Produzir inúmeras enzimas essenciais para o funcionamento do cérebro, dos músculos e das células do sistema imunológico;
Armazená-lo no fígado, baço e medula dos ossos. A deficiência de ferro desenvolve-se quando estas reservas se esgotam, resultado de uma absorção de ferro insuficiente.

Sintomas da anemia

A anemia apresenta vários sintomas, entre eles:

Palidez da língua e parte interna dos lábios;
Cansaço;
Falta de ar.

Fontes de ferro

O ferro pode ser encontrado nas carnes (principalmente fígado), feijão e outras leguminosas (grão-de-bico, lentilha, soja), folhas de cor verde escura e gema do ovo.
Para melhor aproveitamento do ferro contido nos vegetais e na gema de ovo pode-se oferecer na mesma refeição alimentos ricos em vitamina C (limão, maracujá, laranja, goiaba ,acerola, kiwi, etc). Estas frutas podem ser oferecidas como sobremesa ou na forma de sucos.
É preciso evitar a oferta, em uma mesma refeição de alimentos que prejudicam o aproveitamento do ferro
Como café, chá mate e preto, leite e derivados.
Deficiência de Vitamina A

Quando uma criança apresenta deficiência dessa vitamina, a defesa do seu organismo fica prejudicada. Desta forma, ela estará desprotegida contra as infecções.

A deficiência de vitamina A provoca cegueira noturna, porque as células dos olhos não conseguem mais produzir a rodopsina, que é um pigmento fundamental para se enxergar no escuro. Em formas mais graves, ocorrem lesões na conjuntiva e na córnea que, caso não sejam tratadas, podem provocar danos irreversíveis, inclusive cegueira parcial ou total.

Em 1995, cerca de 3 milhões de crianças apresentavam deficiência de vitamina A clínica ou severa e entre 140 e 250 milhões de crianças pré-escolares tinham uma deficiência subclínica - ainda sem apresentar sintomas - de vitamina A. A deficiência de vitamina A está associada às altas taxas de morbidade e mortalidade.

O que a vitamina A faz

Esta vitamina é armazenada no fígado e é fundamental para o funcionamento do sistema imunológico (sistema de defesa do organismo), protegendo:

Integridade das células epiteliais;
Superfície dos olhos;
Parte interna da boca;
Tratos alimentar e respiratório.

Sintomas

Entre os sintomas da deficiência de vitamina A, encontram-se:

Perda de apetite;
Inibição do crescimento;
Anormalidades ósseas;
Queratinização das papilas gustativas;
Perda do paladar.

Fontes de vitamina A

O caroteno, um precursor da vitamina A que é convertido em retinol nas paredes do abdômen, é encontrado nos vegetais de folhas verdes, nas frutas amarelas e de cor laranja, e no óleo de palmeira.

A vitamina A é encontrada como retinol no leite materno, no fígado, nos ovos, na manteiga e no leite de vaca.

Deficiência de Iodo

Estima-se que cerca de 28 milhões de crianças nascidas em 1997 corriam risco de apresentar problemas mentais como o cretinismo por falta de iodo na dieta de suas mães.

Quando a gestante ingere uma dieta pobre em iodo, o feto tem seu desenvolvimento comprometido a partir da 12ª semana após a concepção. O crescimento do cérebro e do sistema nervoso serão abalados, pois a deficiência deste micronutriente gera quantidades insuficientes dos hormônios tireoidianos, ocasionando o cretinismo.

O cretinismo é uma situação em que a tireóide na criança está ausente ou é rudimentar, ou está presente ao nascimento mas secreta pouco hormônio tireoidiano.

Dos 5 milhões de pessoas que moram nos países onde há doenças por deficiência de iodo, 68% agora tem acesso ao sal iodado. Considerando-se somente a África, a porcentagem é de 63%, e as Américas, 90%.

Mesmo assim, a OMS estima que 43 milhões de pessoas em todo o mundo estejam sofrendo de problemas cerebrais evitáveis. Existem aproximadamente 11 milhões de pessoas portadoras de cretinismo. Cerca de 760 milhões de pessoas têm bócio, outra doença causada pela deficiência de iodo.

O que o iodo faz

A glândula tireóide precisa de iodo para:

Garantir o desenvolvimento físico e mental normais;
Evitar a ocorrência de bócio, também conhecido como "papo", devido ao aumento da tireóide no esforço para absorver iodo do sangue e aumentar a produção hormonal;
Evitar uma série de comprometimentos, tais como: cretinismo, surdez, diplegia espasmódica (uma paralisia espasmódica que atinge os membros inferiores) e nanismo;
Evitar a ocorrência de deficiências menos graves, mas não menos importantes, tais como: redução no quociente de inteligência (QI) entre 10 e 15 pontos, além de prejuízo na coordenação física e letargia.

Sintomas

Na criança, a forma mais grave causa atraso do crescimento, apatia, cansaço, pele seca, cabelo seco e quebradiço, intestino preso, dentição lenta, falta de apetite, voz grave, extremidade fria e muita sensação de frio, língua grande, barriga em pote, inchaço pelo corpo e retardo mental.

No adolescente, ocorre o hipogonadismo que afeta o aparecimento das características sexuais secundárias, como aumento da massa muscular, engrossamento da voz, aparecimento dos pêlos e crescimento do órgão genital masculino e dos testículos. Além disso, pode levar a alterações esqueléticas, com braços e pernas mais longos e desproporcionais à altura (hábito eunucóide) e alterações psicológicas.

No adulto, ocorre o mixedema, que, por definição, é o infiltrado de mucopolissacarídeos (ácido hialurônico, condroitina) principalmente na pele e subcutâneo. Ele é causado por quadros de hipotireoidismo severo e deve ser combatido com o tratamento deste.

Sintomas de hipotireoidismo no adulto:

Fadiga, letargia, sonolência;
Intolerância ao frio (hipometabolismo);
Obstipação intestinal;
Sudorese reduzida;
Parestesias;
Audição reduzida;
Lentidão mental;
Nervosismo, ansiedade. Fontes de iodo O sal iodado constitui a melhor fonte de iodo. O iodo pode ser encontrado também em peixes de água salgada e em algumas algas marinhas.

Deficiência de Zinco

A doença provocada pela deficiência de zinco não é encontrada somente nas populações desnutridas. Nos Estados Unidos também verificaram carências marginais deste mineral.

Algumas décadas atrás, acreditava-se que as circunstâncias que levavam à deficiência de zinco, prejudiciais ao desenvolvimento humano, só eram encontradas em países subdesenvolvidos. Mas estudos posteriores, efetuados em pré-escolares de famílias aparentemente bem-nutridas de Denver, demonstraram uma correlação positiva entre baixa estatura e o baixo nível de zinco nos cabelos.

Um estudo atual canadense encontrou uma correlação negativa entre o nível de zinco nos cabelos e o crescimento nos meninos - e não nas meninas. Os meninos com menores estaturas do grupo estudado tinham uma baixa ingestão de carne, peixe e aves e uma alta ingestão de leite, ao contrário dos meninos de estatura normal.

O que o zinco faz

Este micronutriente é necessário para promover o crescimento e o desenvolvimento normais. Faz parte da estrutura molecular de 80%, ou mais, das enzimas que trabalham com as células vermelhas do sangue para deslocar o dióxido de carbono dos tecidos para os pulmões.

O zinco é importante para a síntese de hormônios e enzimas essenciais ao nascimento, principalmente para as funções dependentes do estrógeno, tais como:

Expulsão da placenta;
Contração dos músculos uterinos durante o parto;
Desenvolvimento do sistema imunológico da criança.

Sintomas

Quando a pessoa tem deficiência de zinco, apresenta:

Deficiência de crescimento, predispondo o organismo a desenvolver infecções em crianças desnutridas; Diarréia;
Lesões na pele;
Perda de apetite;
Queda de cabelo;
Desenvolvimento sexual mais lento em meninos;
Lentidão de raciocínio;
Redução da capacidade gustativa e visual;
Diminuição na condução dos estímulos nervosos;
Lesões neurológicas;
Problemas para a cicatrização adequada;
Diminuição da Resistência às infecções.

Fontes de zinco

As fontes de zinco incluem: cereais integrais, legumes, carne, frango e peixe. Vegetais e frutas contém pouca quantidade de zinco, porém, quando ingeridos com cereais, podem aumentar o potencial do zinco presente nos cereais.

Deficiência de Vitamina D

A deficiência de vitamina D causa o raquitismo, que consiste em malformação óssea decorrente de inadequada mineralização da matriz orgânica, acarretando baixa estatura e ossos fracos que não suportam o peso corporal.

A deficiência de vitamina D no homem pode ser devida a uma ingestão inadequada e/ou à falta de uma absorção adequada de luz solar que converte o 7-diidrocolesterol em colecalciferol.

O calcitriol é uma forma metabolicamente ativa de vitamina D produzida pelo rim e que funciona como um hormônio; 1,25-diidroxicolecalciferol (1,25(OH)2).

O que a vitamina D faz

Promove a absorção intestinal ativa do cálcio através da estimulação da síntese de proteína de ligação do cálcio na borda em escova da mucosa intestinal.

A vitamina D também estimula o sistema de transporte ativo de fosfato no intestino. Em conjunto com o paratormônio (PTH), ela age para mobilizar o cálcio do osso e aumentar a reabsorção tubular renal de cálcio e fosfato.

Sintomas

Duas doenças carenciais podem ser observadas no homem: o raquitismo e a osteomalacia.

O raquitismo começa clinicamente em torno dos seis meses de idade e o grau de severidade está diretamente relacionado com a rapidez do crescimento corporal e é mais severo nas crianças nascidas prematuramente.

Tem havido evidências que mostram que o raquitismo em crianças é devido mais à deficiência de vitamina D do que propriamente a uma deficiência do cálcio e fósforo.

Existe também um raquitismo de natureza genética que ocorre em torno do segundo ano de vida da criança.

Em todos os casos de raquitismo, observa-se um crescimento anormal dos ossos, que se tornam muitas vezes fracos, podendo curvar-se com o peso do corpo.

A deficiência de vitamina D na vida adulta resulta em osteomalacia, condição caracterizada por acentuado amolecimento dos ossos, que leva a deformidades, principalmente nos membros, coluna, tórax e pelve.

Fontes de Vitamina D

A maior fonte de absorção de vitamina D é a exposição da pele à luz solar. Alguns alimentos de origem animal apresentam grandes quantias desta vitamina na forma de colecalciferol, como por exemplo, manteiga, fígado e gema de ovo.

Deficiência de Folato

A deficiência de folato provoca defeitos congênitos no feto em desenvolvimento durante as primeiras semanas da gravidez, antes mesmo que muitas gestantes sequer saibam que estão grávidas. Além de contribuir para a ocorrência de anemia, principalmente em mulheres grávidas e mulheres que estão amamentando, resulta em comprometimento do crescimento, problemas no trato gastrointestinal, anemia megaloblástica e outras alterações hematológicas.

O que o folato faz

Ajuda na formação das células vermelhas do sangue;
Regula as células nervosas nos estágios embrionário e fetal do desenvolvimento, ajudando a prevenir defeitos na estrutura neurológica (do cérebro e/ou da medula espinhal).

Sintomas

Diminuição do crescimento;
Anemia megaloblástica e outros distúrbios sanguíneos;
Glossites;
Distúrbios no trato gastrointestinal.

Fontes de folato

Vegetais folhosos de cor verde escura, fígado, carnes, trigo, ovos, peixes, feijão de corda, aspargos, brócolis, levedura.

CONSEQUÊNCIAS A LONGO DA DESNUTRIÇÃO

Obesidade, diabetes e doenças do coração

Há evidências de uma correlação entre desnutrição na primeira infância e desnutrição materna e a susceptibilidade para desenvolver doenças crônico-degenerativas na vida adulta como obesidade, diabetes, cardiopatias e hipertensão.

Alguns estudos têm levantado a hipótese de que a desnutrição na infância e fase fetal também pode levar a alterações na composição corporal, com posterior desenvolvimento de obesidade na vida adulta.

Apesar de essas doenças representarem a principal causa de morte dos países desenvolvidos, dados têm mostrado que seu aumento é maior nos países em desenvolvimento. Dos 15 milhões de mortes no mundo (1996), 60% ocorreram nos países em desenvolvimento (principalmente devido a doenças do sistema circulatório) e 15% nos países ocidentais europeus. Associado à obesidade e outros fatores, há também o aumento da prevalência de câncer. Dos 6 milhões de mortes por câncer no mundo, 60% estão nos países em desenvolvimento e 10% nos países europeus.

David J. P. Barker e colaboradores foram um dos primeiros grupos a levantar a possibilidade da "origem fetal das doenças na idade adulta". Eles se basearam na hipótese de que a privação nutricional dentro do útero "programaria" o recém-nascido para uma vida de escassez. Neste caso, a desnutrição promoveria efeitos irreversíveis.

Os efeitos da desnutrição também são visíveis ao longo das gerações, pois uma mãe desnutrida gera filhos com baixo peso, que por sua vez, se sobreviverem, carregarão as deficiências nutricionais e suas conseqüências para seus filhos.

DESNUTRIÇÃO E POBREZA

A desnutrição está intimamente associada às condições de pobreza de uma comunidade.

A pobreza não pode ser definida de forma única e universal; contudo, podemos afirmar que ela se refere a situações de carência em que os indivíduos não conseguem manter um padrão mínimo de vida onde possam satisfazer suas necessidades básicas, tais como: de renda e de recursos para atender necessidades de alimentos, habitação, vestuário, saúde e educação; de voz e de poder nas instituições e na sociedade; de condições para enfrentar mudanças repentinas, como, por exemplo, crises econômicas no país, catástrofes naturais,etc bibliografia | voltar

Desigualdade no mundo

No mundo há muita pobreza em meio à abundância. Dos 6 bilhões de habitantes, 2,8 bilhões (quase a metade) vivem com menos de 2 dólares por dia e 1,2 bilhão (um quinto) com menos de 1 dólar por dia, sendo que 44% destes vivem no Sul da Ásia.

Alguns países perderam terreno nos anos noventa. A Coréia do Norte viu o aumento da taxa de mortalidade infantil de 45 para 58 entre mil nascidos vivos, enquanto Quênia de 62 para 76, e Zimbábue de 52 para 70.

Entre 1970 e 1999, as diferenças na mortalidade infantil entre os países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e países em desenvolvimento diminuiu em termos absolutos (de 86 em 1970 para 53 em 1999), mas elevou-se em termos relativos.

Enquanto a mortalidade infantil em 1970 era por volta de 5 vezes mais alta em países em desenvolvimento do que em países da OCDE, é agora aproximadamente 10 vezes mais alta. Nos países ricos, menos de uma criança em 100 não completa cinco anos, enquanto nos países mais pobres um quinto das crianças morrem antes disso.

Nos países ricos, menos de 5% de todas as crianças abaixo de cinco anos são desnutridas; nos países pobres, a proporção chega a 50%.

A experiência da pobreza por quem a vive

Não é óbvio entender a experiência da pobreza. Para entendê-la bem, é preciso ouvir quem a experimenta, como descrito no livro Alguém pode nos ouvir?

Desnutrição e pobreza: Conseqüência ou Causa?

A desnutrição não é só conseqüência da pobreza, mas também sua causa, ao diminuir o potencial humano em uma sociedade. Nesse sentido, os benefícios que a diminuição da taxa de desnutrição num país acarretam são enormes.

Crianças saudáveis tornam-se adultos mais fortes e mais produtivos. Meninas bem nutridas tornam-se mães menos expostas aos riscos da gravidez e do parto, e geram crianças com melhores possibilidades de desenvolvimento físico e mental.

Fonte: www.desnutricao.org.br

Desnutrição

DESEQUILÍBRIO DE ALIMENTAÇÃO

Desnutrição

A desnutrição ou, mais corretamente, as deficiências nutricionais - pode ser o resultado de pouca alimentação ou alimentação excessiva. Ambas as condições são causadas por um desequilíbrio entre a necessidade do corpo e a ingestão de nutrientes essenciais. O mais comum na desnutrição é a pessoa não obter calorias suficientes na alimentação, ou ingerir uma dieta com deficiência de proteínas, vitaminas ou micronutrientes.

Subnutrição

A subnutrição é uma deficiência de nutrientes essenciais e pode ser o resultado de uma ingestão insuficiente devido a uma dieta pobre; de uma absorção deficiente do intestino dos alimentos ingeridos (má absorção); do consumo anormalmente alto de nutrientes pelo corpo; ou da perda excessiva de nutrientes por processos como a diarréia, sangramento (hemorragia), insuficiência renal.

Hipernutrição

A hipernutrição é um excesso de nutrientes essenciais e pode ser o resultado de comer demais (ingestão excessiva); ou do uso excessivo de vitaminas ou outros suplementos.

A desnutrição se desenvolve em fases: primeiro ocorrem alterações na concentração de nutrientes no sangue e nos tecidos, a seguir acontecem alterações nos níveis de enzimas, depois passa a ocorrer mal funcionamento de órgãos e tecidos do corpo e então surgem sintomas de doença e pode ocorrer a morte.

O corpo necessita de mais nutrientes durante certas fases da vida, especialmente na infância e adolescência; durante a gravidez; e enquanto a mãe está amamentando. Na velhice as necessidades alimentares são menores, mas a capacidade de absorver os nutrientes também está freqüentemente reduzida. Assim, o risco de subnutrição é maior nestas etapas da vida, e ainda mais entre pessoas economicamente desprovidas.

Avaliação nutricional

Para avaliar o estado nutricional de uma pessoa, o nutricionista precisa conhecer a dieta e problemas médicos que possam existir, realizar um exame físico, e algumas vezes solicitar exames de laboratório.

Para determinar a história dietética de uma pessoa, o nutricionista pergunta que alimentos foram comidos nas 24 horas prévias e que tipos de alimentos normalmente são consumidos. É muito comum pedir à pessoa que mantenha um diário de comida no qual ele anote tudo o que comer durante alguns dias.

Durante o exame físico, o nutricionista observa o aspecto geral e o comportamento da pessoa bem como a distribuição da gordura corporal.

Deficiências Nutricionais

Podem causar várias doenças. Por exemplo, hemorragia gastro-intestinal pode causar anemia por deficiência de ferro. Uma pessoa sendo tratada com altas doses de vitamina A para acne pode desenvolver dores de cabeça e visão dupla como resultado da concentração da vitamina A. Qualquer sistema do corpo pode ser afetado por uma desordem nutricional. Por exemplo, o sistema nervoso é afetado pela deficiência de niacina (pelagra), deficiência de tiamina, Vitamina B1 (beribéri), deficiência ou excesso de vitamina B6 (piridoxina), e deficiência de vitamina B12. O paladar e o olfato são afetados pela deficiência de zinco.

O sistema cardiovascular é afetado pelo beribéri, pela obesidade, por uma dieta com muita gordura que leva à hipercolesterolemia e à doença coronariana, ou por uma dieta com excesso de sal que conduz à hipertensão. O trato gastro-intestinal é afetado pela pelagra, deficiência de ácido fólico e alcoolismo. A boca (lábios, língua, gengivas e membranas mucosas) é afetada pela deficiência de vitaminas do complexo B e pelo escorbuto (deficiência de vitamina C). A deficiência de iodo pode resultar no aumento da glândula tireóide. Uma tendência aumentada para sangramentos e sintomas cutâneos como erupções, secura e inchação por retenção de líquidos (edema) podem acontecer no escorbuto, deficiência de vitamina K, deficiência de vitamina A e no beribéri. Os ossos e articulações são afetados pelo raquitismo (deficiência de vitamina D), osteoporose e escorbuto.

Fatores de Risco

As crianças formam uma faixa da população particularmente susceptível à subnutrição, pois elas precisam de uma maior quantidade de calorias e nutrientes para o seu crescimento e desenvolvimento. Elas também podem desenvolver deficiências de ferro, ácido fólico, vitamina C e cobre se receberem dietas inadequadas. A ingestão insuficiente de proteínas, calorias e outros nutrientes pode conduzir à desnutrição protéico-calórica, uma forma particularmente severa de subnutrição, que retarda o crescimento e o desenvolvimento. Na medida em que as crianças chegam à adolescência, suas exigências nutricionais crescem devido ao aumento das suas taxas de crescimento.

No caso do sexo feminino, o retardo do crescimento na infância determina mulheres adultas de baixa estatura, sujeitas a um risco maior de gerar crianças com baixo peso ao nascer. Estas, por sua vez, terão um maior risco de apresentar retardo de crescimento e de produzir recém-nascidos de baixo peso, o que caracteriza o efeito intergerações da desnutrição.

As gestantes ou mães que amamentam têm uma necessidade aumentada de todos os nutrientes para prevenir a subnutrição nelas e no seu bebê.

O bebê de uma mãe alcoolista pode ser física e mentalmente prejudicado pela síndrome alcoólica fetal, pois o abuso de álcool e a subnutrição resultante afetam o desenvolvimento fetal.

Uma criança que é amamentada exclusivamente ao seio pode desenvolver deficiência de vitamina B12 se a mãe for uma vegetariana que não come nenhum produto de origem animal.

Desnutrição Protéico-calórica

Os tipos mais comuns de desnutrição incluem a protéico-energética e de micronutrientes. A desnutrição protéica energética é a inadequada absorção ou disponibilidade de energia e proteínas no organismo. Já a desnutrição de micronutrientes refere-se à falta de alguns nutrientes essenciais como vitaminas e sais minerais necessários em pequenas quantidades. Deficiência de micronutrientes ocasiona várias enfermidades e compromete o funcionamento normal do corpo. A deficiência de vitamina A reduz a capacidade do organismo resistir a doenças. Deficiências de ferro, iodo e vitamina A são prevalentes e representam um desafio para a saúde pública.

Sintomas

Há três tipos de desnutrição protéico-calórica: seca (a pessoa está magra e desidratada), molhada (a pessoa está inchada por causa de retenção de líquidos) e um tipo de intermediário.

O tipo seco, chamado marasmo, é resultante da fome quase total. A criança que tem marasmo ingere muito pouca comida, freqüentemente porque a mãe não pode amamentar e é extremamente magra devido a perda de músculo e gordura corporal. Quase invariavelmente desenvolve alguma infecção.

O tipo molhado é chamado kwashiorkor, uma palavra africana que significa "primeira criança-segunda criança". Vem da observação de que a primeira criança desenvolve kwashiorkor quando a segunda criança nasce e substitui a primeira criança no peito da mãe. A primeira criança, desmamada, passa a ser alimentada com uma sopa de aveia que tem baixa qualidade nutricional comparada com o leite de mãe, assim a criança não se desenvolve. A deficiência de proteína no kwashiorkor é normalmente mais significativa que a deficiência calórica, resultando em retenção fluida (edema), doença de pele, e descoloração do cabelo. Como as crianças desenvolvem kwashiorkor depois que são desmamadas, elas são geralmente mais velhas do que as que tem marasmo.

O tipo de intermediário de desnutrição de protéico-calórica é chamado kwashiorkor marasmático. Crianças com esse tipo retêm algum fluído e tem mais gordura corporal do que as que tem marasmo.

O kwashiorkor é menos comum do que o marasmo e normalmente acontece como kwashiorkor marasmático. Tende a ser limitado a algumas partes do mundo (África rural, Caribe, Ilhas do Pacífico, e Sudeste da Ásia) onde as comidas utilizadas para desmamar os bebês como inhame, mandioca, arroz, batata-doce e bananas verdes - são deficientes em proteína.

A deficiência de proteína prejudica o crescimento do corpo, a imunidade, a cicatrização e a produção de enzimas e hormônios. Tanto no marasmo quanto no kwashiorkor a diarréia é comum.

O desenvolvimento comportamental pode ser extremamente atrasado na criança severamente subnutrida e pode acontecer retardamento mental. Normalmente, uma criança que tem marasmo é mais severamente afetada do que uma criança mais velha que tem kwashiorkor.

Prognóstico

Até 40 por cento das crianças que têm desnutrição protéico-calórica morrem. A morte durante os primeiros dias de tratamento normalmente é causada por um desequilíbrio eletrolítico, uma infecção, hipotermia ou parada cardíaca.

Os efeitos em longo prazo da desnutrição na infância são desconhecidos. Quando as crianças são tratadas adequadamente, o fígado e o sistema imunológico se recuperam completamente. Porém, em algumas crianças, a absorção intestinal de nutrientes permanece comprometida. O grau de prejuízo mental está relacionado a quanto tempo uma criança ficou subnutrida, quão severa a desnutrição era e com que idade começou.

Fonte: escolabambinata.com.br

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