Não há forma única nem um único modelo de educação;a escola não é o único modelo de educação,aescola não é o único lugar onde ele acontece e talvés nem seja o melhor;o ensino escolar não é a sua única prática e o professor não é o seu único praticante.

Em mundos diversos a educação existe diferente:em pequenas sociedades tribais de povos caçadores,agricultores ou pastores nômades;em sociedades camponesas,em países desnvolvidos e industrializados;em mundos sociais sem classes,de classes;tipos de sociedades e culturas sem Estado,com um Estado em formação ou com ele consolidando entre e sobre as pessoas.
Existe a educação de cada categoria de sujeitos de um povo;ela existe em cada povo,ou entre povos que se encontram.
A educação participa do processo de produção de crenças e idéias,de qualificações e especilaidades que envolvem as trocas de símbolos,bens e poderes que,em conjunto,constroem tipos de sociedades.E esta é a sua força.
A educação existe onde não há a escola e por toda parte podem haver redes e estruturas sociais de transferências de saber de uma geração a outra,onde ainda não foi sequer criada a sombra de algum modelo de ensino formal e centralizado.
Werner Jaeger explica "A natureza do homem,na sua dupla estrutura corpórea e espiritual,cria condições especiais para a manutenção e transmissão da sua forma particular e exige organizações físicas e espirituais,ao conjunto das quaisdamos o nome de educação.Na educação,como o homem a pratica,atua a mesma força vital,criadora e plástica,que espontaneamente impele todas as espécies vivas à conservação e à propagação de seu tipo.É nela,porém,que essa força atinge o seu mais alto grau de intensidade ,através do esforço consciente do conhecimento e da vontade,dirigidapara a consecução de um fim".
Vista em seu vôo mais livre,a educação é uma fração da experiência endoculturativa.Ela aparece sempre que há relações entre pessoas e intenções de ensinar-aprender.Intenções,por exemplo,de aos poucos''''modelar'''' a criança,para conduzi-la aser o ''''modelo'''' social de adolescentes,para torná-lo mais adiante um jovem e,depois,um adulto.Todos os povos sempre traduzem de alguma maneira esta lente transfomação que a aquisição do saber deve operar.Ajudar a crescer,orientar a maturação,transformar em,tornar capaz,trabalhar sobre,domar,polir,criar,como um sujeito social,a obra,de que o homem natural é a matéria-prima.
A educação aparece sempre que surgem formas sociais de condução e controle da aventurade ensinar-e-aprender.O ensino formal é o momentoem que a educação se sujeitaà pedagogia(a teoria da educação),cria situações próprias para o seu exercício,produz os seus métodos,estabelece suas regras etempos,e constitui executores especializados.É quando aparecem a escola,o aluno e o professor.
Em todos os cantos do mundo,primeiro a educação existe como um inventário amplo de relações interpessoais diretas no âmbito familiar,todo o saber que se transfere pela educação circula através de trocas interpessoais,de relação física e simbolicalicamente afetivas entre pessoas.
Ora,uma outra maneira de se compreender oque a educação é,ou poderia ser, procurar ver o que dizemsobre ela pessoas como legisladores,pedagogo,professores,estudantes e outros sujeitos um tanto mais tradicionalmente difíceis de entender,como filósofos e cientistas sociais.
Nos dois dicionários brasileiros mais conhecidos a educação aparece definida assim:
"Ação e efeito de educar ,de desenvolver as faculdades físicas,intelectuais e morais da criança e,em geral,do ser humano;disciplinamento,instrução,ensino".(Dicionário contemporâneo da língua portuguesa,caldas aulete).
"Ação exercida pelas gerações adultas sobre as gerações jovens para adaptá-las a vida social;trabalho sistematizado,seletivo,orientador,pelo qual nos ajustamos à vida,de acordo com as necessidades ideais e propósitos dominantes;ato ou efeitode educar;aperfeiçoamento integral de des humanas,polidez,cortesia".9pequeno dicionário brasileiro de língua portuguesa,Aurélio buarque de holanda).
Ao pretenderem estabelecer os fins da educação no país,nossos lesgisladores,pelo menos em teoria,falam sobre oque deve determinar e controlar o trabalho pedagógico em todos os seus graus e modalidade.De certo modo falam a respeito de uma educação idealizada,ou falam da educação através de uma ideologia.Mas,do outro lado do palco,intelectuais,educadores e estudantes fazem e refazem todos os dias a crítica da prática da educação no brasil.Eles levantam questões e afirmam que,do ministério á escolinha,a educação nega no cotidiano oque afirma na lei.
De acordo com as idéias de alguns filósofos e educadores,a educação é um meio pelo qual o homem desenvolve pontencialidades biopsíquias inatas,mas que não atingiriam a sua pefeição( o seu amadurecimento,o seu desenvolvimento,etc)sem a aprendizagem realizada através de educação.
Fonte: pt.shvoong.com
Essas questões são a síntese da preocupação humana com a educação ao longo dos séculos. Isso porque a espécie humana, diferentemente dos animais movidos apenas por instinto, é capaz de criar, de inovar, de inventar o supérfluo. E é tamanha a quantidade de invenções e de conhecimentos humanos, que torna-se necessário sistematizá-los e transmiti-los às novas gerações. Assim surgiu a educação formal, como meio de suprir essa necessidade, o que possibilitou uma evolução cada vez maior e mais rápida em termos de conhecimentos.

Outra característica humana, além do poder de criação, é a reflexão. Por isso, o ser humano se questiona a respeito de qual a função da educação: será preparar para o mercado de trabalho, assegurando profissionalização? Ou dar uma visão humanística, mais geral? Deverá o ensino preparar para o vestibular, ser propedêutico? Ou devemos fornecer uma educação desvinculada desse compromisso?
Seja qual for a resposta, ela nunca será neutra, mas estará impregnada das nossas concepções de educação e de sociedade. Passo agora a defender a minha posição.
Educação é um direito de todos. Todos os setores da sociedade valorizam e exigem a educação, embora nem sempre se mobilizem para torná--la efetivamente abrangente, universal e de boa qualidade. Mas em todas as famílias vemos a preocupação em ter seus filhos educados; nas empresas exige-se um nível de escolaridade cada vez maior, e vários setores buscam superar os problemas das escolas (voluntários, 3º setor, etc). Todavia, o que se vê é a falta de visão sobre os objetivos da educação.
A educação, muito mais do que transmissão de informações ou qualificação profissional, tem o dever de transmitir o legado cultural acumulado pela humanidade historicamente. Essa é uma tarefa verdadeiramente desafiadora, porque envolve mobilização de professores e alunos na apropriação de saberes construídos em diversas áreas, desde a arte até a linguagem, desde a música até a matemática. A escola seria o lugar ideal para dar um vislumbre da grandeza humana, de sua produção cultural, de suas idéias e aspirações, do desenvolvimento das técnicas a serviço da qualidade de vida, dos erros e horrores da história e de como superá-los, aprendendo com eles.
Essa seria uma tarefa apaixonante, e daria conta, indubitavelmente, de todos aqueles famigerados conteúdos e programas que são alienadamente empurrados para e pelo professor. Viria do encontro das necessidades dos alunos, da sua curiosidade, do seu dinamismo e alegria naturais, desenvolvendo espírito científico e criatividade, e semeando o prazer do aprendizado.
Quantos talentos se perderam na escola, entre as inúmeras tarefas
repetitivas e mecanizadas, tão comuns no cotidiano escolarizado? Como
podiam ter florescido, se apenas lhes fossem dados meios de desenvolver seu
potencial, respeitando sua individualidade, sem tentar sufocar sua personalidade!
A escola não tem cumprido nenhum dos objetivos anteriormente citados.
Não propicia a atualização cultural, não prepara
para o trabalho e nem para o vestibular. A escola gera alunos desmotivados,
que não gostam de estudar, que não têm o hábito
da leitura, meros executores de tarefas repetitivas, seguidores de ordens,
passivos e em nada conscientes.
Inúmeros educadores têm denunciado ao longo de vários anos essa função reprodutora da escola; Paulo Freire chama essa concepção de "educação bancária", pois o professor "deposita" o conhecimento no aluno, para nas provas verificar o "saldo".
Infelizmente, apesar de muito se falar sobre construtivismo, sobre desenvolver as competências, respeitar as "inteligências múltiplas", essas considerações não transcendem a teoria, não chegam a alcançar a prática.
São inúmeros os motivos para isso: falta de vontade política e de compromisso social por parte dos governantes, falta de condições mínimas de trabalho para o professor, seja de material de trabalho, seja de remuneração; falta de consciência dos pais da necessidade de mobilizarem-se na luta por melhores condições nas escolas; falta de visão dos gestores acerca do que é realmente necessário realizar em sua prática e do que é meramente burocrático... falta de tudo!
Todavia, isso não pode ser desculpa ou empecilho para mudar a realidade. Reconhecer a importância da escola básica e conhecer seus problemas deve levar-nos, como sociedade, a nos mobilizarmos para mudar essa situação, exigindo dos governantes que façam a sua parte, equipando as escolas e dando melhores condições de trabalho ao professor.
Esses passos são fundamentais para a construção de uma sociedade mais justa e menos desigual. Para a efetivação da cidadania de cada um, para uma verdadeira democracia.
Uma escola que dê ao aluno a chance de escolher entre ver o Programa do Ratinho ou o Jornal Nacional, entre ouvir Bach ou É o Tchan. Entre votar bem ou votar nos mesmos corruptos que nos têm explorado por anos a fio. Que lhe dê liberdade. Porque ninguém é livre sem conhecimento, sem consciência.
Uma escola que mostre ao aluno que o mundo tem jeito, que não foi tudo sempre assim, que vale a pena lutar e coordenar esforços para perseguir um sonho, um ideal. Afinal, não foi assim com o fim da escravidão, e com tantas mudanças históricas que só sucederam em virtude das lutas humanas?
Por isso, o papel fundamental da escola é o de dar ao aluno uma visão sócio-histórico-cultural da evolução da humanidade. Para dar-lhe o direito de escolha, para que ele tenha meios de efetuar essa luta. Dizer que a escola deve preparar profissionalmente é reduzir demais o seu papel. Alegar que deve ser propedêutica ao vestibular é assassinar seu verdadeiro sentido, o que serve principalmente para perpetuar essa sociedade de privilégios em que vivemos.
Selma Moura
Fonte: www.recantodasletras.uol.com.br