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Dia Internacional da Mulher

8 de Março

Dia Internacional da Mulher

 

Uma data de muitas histórias

Era uma vez uma mulher... duas mulheres.... talvez, 129 mulheres. A data era 8 de março de 1857; mas bem podia ser de 1914 ou (quem sabe?) de 1917. O país era os Estados Unidos – ou será Alemanha? Ou a Rússia?

Tantas datas, tantos lugares e tanta história revelam o caráter, no mínimo, instigante da seqüência de fatos que permeiam a trajetória das pesquisas em busca da verdadeira origem da oficialização da “data de 8 de março” como o Dia Internacional da Mulher.

É instigante, e curiosa, talvez porque mescla fatos ocorridos nos Estados Unidos (Nova Iorque e Chicago), na Alemanha e na Rússia: mescla, também, greves e revoluções; reivindicações e conquistas. E nos apresenta datas que variam do dia 3 de maio (comemorado em Chicago em 1908), ao dia 28 de fevereiro (1909, em Nova Iorque) ou 19 de março (celebrado pelas alemãs e suecas em 1911).

A mais divulgada referência histórica dessa oficialização, na verdade, é a II Conferência Internacional das Mulheres Socialistas em Copenhague, Dinamarca, em 1910, da qual emanou a sugestão de que o mundo seguisse o exemplo das mulheres socialistas americanas, que inauguraram um feminismo heróico de luta por igualdade dos sexos. Na ocasião dessa conferência, foi proposta a resolução de “instaurar oficialmente o dia internacional das mulheres”. Contudo, apesar de os relatos mais recentes trazerem sempre a referência ao dia 8 de março, não há qualquer alusão específica a essa data na resolução de Copenhague.

É bem verdade que o referido exemplo americano – de intensa participação das mulheres trabalhadoras – ganhou força com o evento de um massacre “novaiorquino” extremamente cruel, datado de 8 de março de 1857. Nesta data, um trágico evento vitimou 129 tecelãs. Era uma vez uma mulher... duas mulheres.... talvez, 129 mulheres : dentro da fábrica em Nova Iorque onde trabalhavam, essas mulheres foram mortas porque organizaram uma greve por melhores condições de trabalho e contra a jornada de doze horas. Conta-se que, ao serem reprimidas pela polícia, as trabalhadoras refugiaram-se dentro da fábrica. Naquele momento, de forma brutal e vil, os patrões e a polícia trancaram as portas e atearam fogo, matando-as todas carbonizadas.

Fato brutal! Mas há quem considere como mito a correlação única e direta da tragédia das operárias americanas com a data do Dia Internacional da Mulher, simplesmente por não haver documento oficial que estabeleça essa relação.

Alguns estudiosos encontram uma correlação “mais confiável” em outros fatos históricos. Descrevem, por exemplo, como uma relação mais palpável, a data da participação ativa de operárias russas, em greve geral, que culminou com o início da revolução russa de 1917. Segundo relato de Trotski (História da Revolução Russa), o dia 8 de março era o dia internacional das mulheres – o dia em que operárias russas saíram às ruas para reivindicar o fim da fome, da guerra e do czarismo. “Não se imaginava que este ‘dia das mulheres' inaugurasse a revolução”.

Com essas duas, ou com outras tantas histórias, materializam-se, em face da diversidade de interpretações, nossas interrogações sobre a verdadeira origem do Dia “8 de março” Internacional da Mulher. Contudo, é impossível não reconhecer o vínculo entre as datas das tragédias e vitórias relatadas com a escolha da data hoje oficializada. A aceitação desse vínculo está registrada em textos, livros e palestras da atualidade. E, com certeza, essa aceitação não decorre exclusivamente de documentos oficiais; decorre principalmente de um registro imaterial – a memória de quem reconhece e jamais esquece as recorrentes e seculares reivindicações femininas por justiça e igualdade social.

E, assim, voltamos ao começo: Era uma vez uma mulher... duas mulheres.... talvez, 129 mulheres.

A data era 8 de março de 1857; mas bem podia ser de 1914 ou (quem sabe?) de 1917 . E voltamos a esse começo mesmo para concluir que o fato de o dia internacional da mulher estar, ou não, oficialmente ligado a esse ou àquele momento histórico não é o foco mais significativo da reflexão que ora se apresenta. Afinal, o dia 8 de março universalizou-se – isso é fato . E universalizou-se pela similaridade dos eventos mundiais relacionados à luta das mulheres.

Hoje, sem sombra de dúvidas, a data é mais que um simples dia de comemoração ou de lembranças. É, na verdade, uma inegável oportunidade para o mergulho consciente nas mais profundas reflexões sobre a situação da mulher: sobre seu presente concreto, seus sonhos, seu futuro real. É dia para pensar, repensar e organizar as mudanças em benefício da mulher e, conseqüentemente, de toda a sociedade. Os outros 364 dias do ano são, certamente, para realizá-las.

Fonte: www.senado.gov.br

Dia Internacional da Mulher

8 de Março

No dia 08 de março é comemorado o Dia Internacional da Mulher.

A homenagem já é antiga, mas nunca na história a mulher foi tão valorizada como agora. Bem preparadas e contando com uma forte intuição, as mulheres ocupam cada vez mais espaço no mercado de trabalho e na sociedade, quebrando tabus, inovando conceitos e transformando o mundo.

A origem desta data, no entanto, é controversa, já que duas versões se destacam entre outras tantas.

A primeira, e mais conhecida, afirma que a data tem origem em uma greve ocorrida no ano de 1857. Operárias de uma fábrica têxtil de Nova York reivindicavam melhores condições de trabalho. Os patrões as teriam trancado no interior da fábrica e ateado fogo no local. Segundo esta versão, 129 operárias morreram no incêndio.

A segunda versão, que tem ganhado mais força atualmente, sugere que a data surgiu em outra greve de operárias, mas no ano de 1917 em Petrogrado (São Petersburgo). Em 1975 a Assembléia Geral das Nações Unidas definiu o 08 de março como o Dia Internacional dos Direitos da Mulher.

Seja qual for a origem, a homenagem é mais do que merecida. O século que passou foi palco de inúmeras revoluções culturais, sobretudo femininas. Mas, mesmo que as mulheres tenham avançado muito na luta por seus direitos ainda há muito que conquistar.

Muito mais que igualdade, as mulheres desejam que se respeite justamente as suas diferenças. Sejam elas mães, esposas, filhas, irmãs, amigas, todas as mulheres merecem ser homenageadas. E que sejam todas tratadas com respeito e dignidade, não só neste dia, mas em todos os dias do ano.

Mulher

Doce e amarga como a canela Mas nada teria sentido sem ela

Que traz a razão, que faz acontecer Que ilumina o caminho, que nos faz crescer

Por ela vivemos, por ela brigamos Por ela crianças, por ela amamos

E tudo de melhor, é tudo que se quer...

Mulher, Mulher, Mulher

Fonte: www2.portoalegre.rs.gov.br

Dia Internacional da Mulher
Dia Internacional da Mulher

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8 de Março

Em março de 2005

Mãe, irmã, avó, tia, professora, namorada, esposa, filha, sogra, amiga, colega de trabalho, chefa... Quanta mulher há neste mundo, hein? E como as meninas estão em toda a parte, é importante refletir se os direitos delas estão sendo realmente respeitados hoje em dia.

Em toda a história da humanidade, deparamos com situações que prejudicam as mulheres, como discriminação, preconceito, violência e esquecimento. Uma pesquisa feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que a realidade das mulheres no Brasil não é muito romântica, não. Elas ainda sofrem muita discriminação em alguns setores, como no mercado de trabalho. O estudo mostrou que as brasileiras conquistaram mais empregos, ou seja, conseguiram mais espaço para trabalhar fora de casa, mas continuam ganhando menos do que os homens.

Por que comemorar o Dia da Mulher em 8 de março de cada ano?

Esse dia foi escolhido em homenagem a 129 operárias que foram trancadas e morreram queimadas numa fábrica de tecidos. As trabalhadoras estavam numa manifestação, pedindo a diminuição da jornada de trabalho para 10 horas por dia e o direito à licença-maternidade. Isso aconteceu em 8 de março de 1857, em Nova Iorque, nos Estados Unidos. Com essa tragédia, vários movimentos e leis surgiram em proteção às mulheres.

Mulheres no poder brasileiro

Hoje há 45 deputadas federais, eleitas para representarem o povo na Câmara dos Deputados. Exemplo dessas mulheres que fazem parte do parlamento brasileiro é a deputada Yeda Crusius (PSDB/RS). Economista, ela entrou para a política em 1988, na época da discussão da nova Constituição brasileira. Foi ministra do Planejamento no governo de Itamar Franco. Depois disso, candidatou-se como deputada federal e exerce o cargo desde 1995. Ela luta por direitos iguais entre homens e mulheres.

Participou de ações em favor da vida da mulher. “Infelizmente, muitas mães ainda morrem na hora do parto”, afirmou Yeda. Ela fez parte da Comissão Parlamentar de Inquérito (a chamada CPI) da Mortalidade Materna, que promoveu melhorias nos hospitais para atender as gestantes. “Quando a mulher está na política, ela leva adiante questões que tratam mais da igualdade entre os cidadãos (igualdade entre homens e mulheres, igualdade entre os que têm educação e os que não têm)”, contou Yeda.

Só em 1827 surgiu a primeira lei sobre a educação das mulheres. Antes disso, elas não tinham o direito de freqüentar escolas, sabia? E as brasileiras só ganharam definitivamente o direito de votar em 1932, depois de muitos movimentos em busca de condições iguais de trabalho, de direitos. E foi em 1947 que uma lei permitiu que as mulheres pudessem se candidatar a algum cargo político. A médica Carlota Pereira de Queiroz, em 1933, foi a primeira mulher brasileira a se eleger deputada federal. Apenas em 1994 foi eleita a primeira governadora, Roseana Sarney.

A deputada Maninha (PT/DF) é outra mulher importante na luta feminina. Desde que entrou na política, ela entra em todas as campanhas de combate à violência contra a mulher. “Ainda existe muita coisa a se fazer. Estamos distantes daquilo que pensamos ser ideal, principalmente no que se refere ao combate à violência”, declara.

A cada eleição, as mulheres aumentam sua participação como candidatas. Na última eleição, mais de 76 mil candidatas concorreram a vereadoras e mais de 1.400 disputaram vagas de prefeitas. Mas o número de mulheres eleitas ainda é pequeno em relação ao de homens. A deputada Maninha confirma: “A porcentagem de deputadas estaduais ainda é muito menor que a de deputadas federais. Temos poucas ministras, nenhuma mulher vice-presidente, nem presidente da república. E a participação feminina é fundamental”.

Algumas personalidades feminina

A primeira mulher a reger (dirigir) uma orquestra no Brasil foi Chiquinha Gonzaga, pianista e compositora, em 1879.

Em 1917, a professora Deolinda Daltro, fundadora do Partido Republicano Feminino, comandou uma passeata que exigia que as mulheres tivessem o direito de votar.

A primeira mulher a tornar-se ministra de Estado (representantes dos ministérios, como da Fazenda, do Trabalho) foi Maria Esther Figueiredo Ferraz, nomeada ministra da Educação em 1982. Anita Malfatti foi uma grande artista brasileira. É considerada a mulher que introduziu o Modernismo nas artes e pinturas no Brasil. Participou da famosa Semana de Arte Moderna, em fevereiro de 1922. Ela fez o desenho que abriu a exposição e foi muito elogiada.

Patrícia Galvão, mais conhecida como Pagu, foi jornalista, escritora e fazia parte de movimentos políticos. Era uma ativista política. Ela começou a trabalhar muito nova como jornalista, com apenas 15 anos. Entrou para o Partido Comunista Brasileiro e participou de greves, manifestações, protestos. Foi uma personalidade importante nas lutas em favor dos direitos e melhor condição de vida para as mulheres. Morreu em 1962.

Muitas mulheres lutaram em movimentos políticos por melhores condições de vida, não só em defesa delas mesmas como de todos os brasileiros. Foi o caso de Sonia Maria Moraes Angel Jones, que lutou contra a ditadura militar no Brasil. Foi presa em 1969 e, depois de ser solta, viveu escondida, por causa da forte repressão. Foi assassinada em 1973, quando tinha apenas 27 anos, ao ser capturada pelos militares da ditadura.

Viu como nossa história é cheia de mulheres especiais? Com certeza, você também conhece uma que faz a diferença (na sua vida, na sua escola, no seu bairro). Devemos sempre respeitá-las. Aproveite esta data especial e não se esqueça de dar os parabéns a todas as mulheres que embelezam a sua vida.

Fonte: www.plenarinho.gov.br

Dia Internacional da Mulher

 

Mulherão

Dia Internacional da Mulher

PEÇA PARA UM HOMEM DESCREVER UM MULHERÃO...

Ele imediatamente vai falar no tamanho dos seus seios, na medida da cintura, no volume dos lábios, nas pernas, bumbum e cor dos olhos.

Ou vai dizer que tem que ser loira 1,80m, siliconada, sorriso colgate.

Mulherões, dentro deste conceito, não existem muitas: Vera Fischer, Letícia Spiller, Malu Mader, Lumas e Brunas.

Agora pergunte para uma mulher o que ela considera um mulherão e você vai descobrir que tem uma em cada esquina.

Mulherão é aquela que pega dois ônibus para ir para o trabalho e mais dois para voltar, e quando chega em casa encontra um tanque lotado de roupa e uma família morta de fome. Mulherão é aquela que vai de madrugada para a fila garantir matrícula na escola e aquela aposentada que passa horas em pé na fila do banco pra buscar uma pensão de 100 reais mensais.

Mulherão é a empresária que administra dezenas de funcionários de Segunda a Sexta, e uma família todos os dias da semana.

Mulherão é aquela que sai do trabalho e vai para a faculdade estudar até às 24h para ter uma vida mais digna.

Mulherão é quem volta do supermercado segurando várias sacolas depois de ter pesquisado preços e feito malabarismo com o orçamento.

Mulherão é aquela que se depila, que passa cremes, que se maquia, que faz dieta, que malha, que usa salto alto, meia-calça, ajeita o cabelo e se perfuma mesmo sem nenhum convite para ser capa de revista.

Mulherão é quem leva os filhos na escola, busca os filhos na escola, leva os filhos para natação , balé, leva os filhos para cama, conta histórias, dá um beijo e apaga a luz.

Mulherão é aquela mãe de adolescente que não dorme enquanto ele não chega, e que de manhã bem cedo já está de pé, esquentando o leite.

Mulherão é quem leciona em troca de um salário mínimo, é quem faz serviços voluntários, é quem colhe uva, é quem opera pacientes, é quem lava roupa para fora, é quem bota a mesa, cozinha o feijão e à tarde trabalha atrás de um balcão.

Mulherão é quem cria os filhos sozinha, quem dá expediente 8 horas e enfrenta menopausa, TPM e menstruação. Mulherão é quem arruma os armários, coloca as flores nos vasos, fecha a cortina para o sol não desbotar o sofá, mantém a geladeira cheia e os cinzeiros vazios.

Mulherão é quem sabe onde cada coisa está, e que cada filho sente e qual o melhor remédio para azia. Lumas, Brunas, Carlas, Luanas, Sheilas: mulheres nota 10 no quesito lindas de morrer, mas mulherão é quem mata um leão por dia para sobreviver .

Martha Medeiros

Dia Internacional da Mulher

8 de Março

O Homem e a Mulher

O Homem é a mais elevada das criaturas, a Mulher é o mais sublime dos ideais!

Deus fez para o Homem um trono, para a Mulher, um altar. O trono exalta, o altar santifica!

O Homem é o cérebro, a Mulher, o coração. O cérebro produz a luz; o coração, amor. A luz fecunda; o amor ressuscita!

O Homem é o gênio, a Mulher é o anjo... O gênio é imensurável; o anjo, indefinível!...

A aspiração do Homem é suprema glória; a aspiração da Mulher, a virtude suprema... A glória traduz grandeza, a virtude traduz divindade!...

O Homem tem a supremacia; a Mulher, a preferência... A supremacia representa a força, a preferência representa o direito!...

O Homem é forte pela razão; a mulher é invencível pela lágrima... A razão convence, a lágrima comove!...

O Homem é capaz de todos os heroísmos; a Mulher, de todos os martírios... O heroísmo enobrece; o martírio sublima!...

O Homem é o código; a Mulher, o evangelho... O código corrige; o evangelho aperfeiçoa!...

O Homem é o templo; a Mulher, um sacrário... Ante o templo, nos descobrimos; ante o sacrário, ajoelhamo-nos!...

O Homem pensa, a Mulher sonha... Pensar é ter cérebro; sonhar é ter na frente uma auréola!...

O Homem é um oceano; a mulher, um lago... O oceano tem a pérola que o embeleza, o lago tem a poesia que o deslumbra!...

O Homem é a águia que voa; a Mulher, o rouxinol que canta... Voar é dominar o espaço, cantar é conquistar a alma!...

O Homem tem um farol: a experiência; a Mulher tem uma estrela, a esperança... O farol guia, a esperança salva!...

Enfim, o Homem está colocado onde termina a Terra; a mulher, onde começa o Céu!...

Victor Hugo

Dia Internacional da Mulher

8 de Março

MULHERES

“Elas sorriem quando querem gritar.
Elas cantam quando querem chorar.
Elas choram quando estão felizes.
E riem quando estão nervosas.

Elas brigam por aquilo que acreditam.
Elas levantam-se para injustiça.
Elas não levam “não” como resposta
quando acreditam que existe melhor solução.

Elas andam sem novos sapatos
para suas crianças poder tê-los.
Elas vão ao medico com uma amiga assustada.
Elas amam incondicionalmente.

Elas choram quando suas crianças adoecem
e se alegram quando suas crianças ganham prêmios.
Elas ficam contentes quando ouvem
sobre um aniversário ou um novo casamento.”

Pablo Neruda

 

 

Dia Internacional da Mulher

8 de Março

Dia Internacional da Mulher

Dia Internacional da Mulher: em busca da memória perdida

A referência histórica principal das origens do Dia Internacional da Mulher é a II Conferência Internacional das Mulheres Socialistas em 1910, em Copenhague, na Dinamarca, quando Clara Zetkin propôs uma resolução de instaurar oficialmente um dia internacional das mulheres. Nessa resolução, não se faz nenhuma alusão ao dia 8 de março. Clara apenas menciona seguir o exemplo das socialistas americanas. É certo que a partir daí, as comemorações começaram a ter um caráter internacional, expandindo-se pela Europa, a partir da organização e iniciativa das mulheres socialistas.

Essa e outras fontes históricas intrigaram a pesquisadora Renée Coté, que publicou em 1984, no Canadá, sua instigante pesquisa em busca do elo ou dos elos perdidos da história do dia internacional das mulheres.

Renée, em sua trajetória de pesquisa, se deparou com a história das feministas socialistas americanas que tentavam resgatar do turbilhão da história de lutas dos trabalhadores no final do século XIX e início do século XX, a intensa participação das mulheres trabalhadoras, mostrar suas manifestações, suas greves, sua capacidade de organização autônoma de lutas, destacando-se a batalha pelo direito ao voto para as mulheres, ou seja, pelo sufrágio universal. A partir daí, levanta hipóteses sobre o por quê de tal registro histórico ter sido negligenciado ou se perdido no tempo.

O que nos fica claro, a partir de sua pesquisa das fontes históricas é que a referência de um 8 de março ou uma greve de trabalhadoras americanas, manifestações de mulheres ou um dia da mulher, não aparece registrada nas diversas fontes pesquisadas no período, principalmente nos jornais e na imprensa socialista.

Houve greves e repressões de trabalhadores e trabalhadoras no período que vai do final do século XIX até 1908, mas nenhum desses eventos até então dizem respeito à morte de mulheres em Nova York, que teria dado origem ao dia de luta das mulheres. Tais buscas revelam, para Coté, que não houve uma greve heróica, seja em 1857 ou em 1908, mas um feminismo heróico que lutava por se firmar entre as trabalhadoras americanas. Em busca do 8 de março retraçou a luta pela existência autônoma das mulheres socialistas americanas. As fontes encontradas revelam o seguinte:

Em 3 de maio de 1908 em Chicago, se comemorou o primeiro "Woman's day, presidido por Lorine S. Brown, documentado pelo jornal mensal The Socialist Woman, no Garrick Theather, com a participação de 1500 mulheres que "aplaudiram as reivindicações por igualdade econômica e política das mulheres; no dia consagrado à causa das trabalhadoras". Enfim, foi dedicado à causa das operárias, denunciando a exploração e a opressão das mulheres, mas defendendo, com destaque, o voto feminino. Defendeu-se a igualdade dos sexos, a autonomia das mulheres, portanto, o voto das mulheres, dentro e fora do partido.

Já em 1909, o Woman's day foi atividade oficial do partido socialista e organizado pelo comitê nacional de mulheres, comemorado em 28 de fevereiro de 1909, a publicidade da época convocava o "woman suffrage meeting", ou seja, em defesa do voto das mulheres, em Nova York.

Coté apura que as socialistas americanas sugerem um dia de comemorações no último domingo de fevereiro, portanto, o woman's day teve, no início, várias datas mas foi ganhando a adesão das mulheres trabalhadoras, inclusive grevistas e teve participação crescente.

Os jornais noticiaram , o woman's day em Nova York, em 27 de fevereiro de 1910, no Carnegie Hall, com 3000 mulheres, onde se reuniram as principais associações em favor do sufrágio, convocado pelas socialistas mas com participação de mulheres não socialistas.

Consta que houve uma greve longa dos operários têxteis de Nova York (shirtwaist makers) que durou de novembro de 1909 a fevereiro de 1910, 80% dos grevistas eram mulheres e que terminou 12 dias antes do woman's day. Essa foi a primeira greve de mulheres de grande amplitude denunciando as condições de vida e trabalho e demonstrou a coragem das mulheres costureiras, recebendo apoio massivo. Muitas dessas operárias participaram do woman's day e engrossaram a luta pelo direito ao voto das mulheres ( conquistado em 1920 em todo os EUA).

Clara Zetkin, socialista alemã, propõe que o woman's day se torne "uma jornada especial, uma comemoração anual de mulheres, seguindo o exemplo das companheiras americanas". Sugere ainda, num artigo do jornal alemão Diegleichheit, de 28/08/1910, que o tema principal seja a conquista do sufrágio feminino.

Em 1911, o dia internacional das mulheres, foi comemorado pelas alemãs, em 19 de março e pelas suecas, junto com o primeiro de maio etc. Enfim, foi celebrado em diferentes datas.

Em 1913, na Rússia, sob o regime czarista, foi realizada a Primeira Jornada Internacional das Trabalhadoras pelo sufrágio Feminino. As operárias russas participaram da jornada internacional das mulheres em Petrogrado e foram reprimidas. Em 1914, todas os organizadoras da Jornada ou Dia Internacional das Mulheres na Rússia foram presas, o que tornou impossível a comemoração.

Em 1914, o Dia Internacional das Mulheres, na Alemanha foi dedicado ao direito ao voto para as mulheres. E foi comemorado pela primeira vez no dia 8 de março, ao que consta porque foi uma data mais prática naquele ano.

As socialistas européias coordenavam as comemorações em torno do direito ao voto vinculando-o à emancipação política das mulheres, mas a data era decidida em cada país. Em tempos de guerra, o dia internacional das mulheres passou a segundo plano na Europa.

Outra referência instigante, que leva a indicação da origem da fixação do dia 8 de março, foi a ligação dessa data com a participação ativa das operárias russas em ações que desencadearam a revolução russa de 1917. Portanto, uma ação política das operárias russas no dia 8 de março, no calendário gregoriano, ou 23 de fevereiro, no calendário russo, precipitou o início da ações revolucionárias que tornaram vitoriosa a revolução russa.

Alexandra Kolontai , dirigente feminista da revolução socialista escreveu sobre o fato e sobre o 8 de março, mas, curiosamente, desaparece da história do evento. Diz ela: " O dia das operárias em 8 de março de 1917 foi uma data memorável na história. A revolução de fevereiro acabara de começar". O fato também é mencionado por Trotski, dirigente da revolução, na História da Revolução Russa. Nessas narrativas fica claro, que as mulheres desencadearam a greve geral, saindo corajosamente, às ruas de Petrogrado, no dia internacional das mulheres, contra a fome, a guerra e o czarismo.

Trotski diz: " 23 de fevereiro ( 8 de março) , era o dia internacional das mulheres estava programado atos, encontros etc. Mas não imaginávamos que este "dia das mulheres" viria a inaugurar a revolução. Estava planejado ações revolucionárias mas sem data prevista. Mas pela manhã, a despeito das diretivas, as operárias têxteis deixam o trabalho de várias fábricas e enviam delegadas para solicitarem sustentação da greve... o que se transforma em greve de massas.... todas descem às ruas".

Constata-se que a revolução foi desencadeada por elementos de base que superaram a oposição das direções e a iniciativa foi das operárias mais exploradas e oprimidas, as têxteis. O número de grevistas foi em torno de 90.000, a maioria mulheres. Constata-se que o dia das mulheres foi vencedor, foi pleno e não houve vítimas.

Renée Coté encontra, por fim, documentos de 1921 da Conferência Internacional das Mulheres Comunistas onde " uma camarada búlgara propõe o 8 de março como data oficial do dia internacional da mulher, lembrando a iniciativa das mulheres russas".

A partir de 1922, o Dia Internacional da Mulher é celebrado oficialmente no dia 8 de março.

Essa história se perdeu nos grandes registros históricos seja do movimento socialista, seja dos historiadores do período. Faz parte do passado histórico e político das mulheres e do movimento feminista de origem socialista no começo do século.

Algumas feministas européias na década de 70, por não encontrarem referência concreta às operárias têxteis mortas em um incêndio em 1857, em Nova York, chegaram a considera-lo um fato mítico. Mas essa hipótese foi descartada diante de tantos fatos e eventos vinculando as origens do dia internacional da mulher às mulheres americanas de esquerda.

Quanto aos elos perdidos dos fatos em torno do dia 8 de março, levantam-se várias hipóteses, em busca de mais aprofundamento.

É certo que, nos EUA, em Nova York, as operárias têxteis já denunciavam as condições de vida e trabalho, já faziam greves . E esse momento de organização das trabalhadoras fazem parte de todo um processo histórico de transformações sociais que colocaram as mulheres em condições de lutarem por direitos, igualdade e autonomia participando do contexto social e político que motivaram a existência de um dia de comemoração que simbolizasse suas lutas, conquistas e necessidade de organização. É preciso, pois, entretecer os fios da história desse período.

Desse contexto, surge um dos relatos a ser precisado em suas fontes documentais, sintetizado por Gládis Gassen, (em texto para as trabalhadoras rurais da FETAG), nos indicando que, em março de 1911, dezoito dias após o woman's day, não em 1857, " numa mal ventilada indústria têxtil, que ocupava os 3 últimos andares de um edifício de 10 andares , na Triangle Schirwaist Company, de New York, estalou um incêndio que envolveu 500 mulheres jovens, judias e italianas imigrantes, que trabalhavam precariamente, com o assoalho coberto de materiais e resíduos inflamáveis, o lixo amontoado por todas as partes, sem saídas em caso de incêndio, nem mangueiras para água... Para " impedir a interrupção do trabalho", a empresa trancava à chave a porta de acesso à saída. Quando os bombeiros conseguiram chegar onde estavam as mulheres, 147 já tinham morrido, carbonizadas ou estateladas na calçada da rua, para onde se jogavam em desepero. Após essa tragédia, nomeou-se a Comissão Investigadora de Fábricas de New York, que tinha sido solicitada há 50 anos! E se iniciram, assim, as legislações de proteção à saúde e à vida das trabalhadoras. A líder sindical Rosa Scneiderman organizou 120.000 trabalhadoras no funeral das operárias para lamentar a perda e declarar solidariedade a todas as mulheres trabalhadoras".

Assim, embora, seja necessário continuar a procurar o fio da meada, é certo que todo um ciclo de lutas, numa era de grandes transformações sociais, até as primeiras décadas do século XX, tornaram o dia internacional das mulheres o símbolo da participação ativa das mulheres para transformarem a sua condição e a transformarem a sociedade.

Estamos nós assim, anualmente, como nossas antecessoras comemorando nossas iniciativas e conquistas, fazendo um balanço de nossas lutas, atualizando nossa agenda de lutas pela igualdade entre homens e mulheres e por um mundo onde todos e todas possam viver com dignidade e plenamente.

Referências Bibliográficas

Cote, Renée. (1984) La Journée internationale dês femmes ou les vrais dates des mystérieuses origines du 8 de mars jusqu'ici embrouillés, truquées, oubliées : la clef dês énigmes .La vérité historique. Montreal: Les éditions du remue ménage.

Gassem, Gladis. (2000) Ato de solidariedade a mulher trabalhadora Ou, Afrodite surgindo dos mares. 8 de Março de 2000. Organização das trabalhadoras rurais. FETAG/RS.

Fonte: www.sof.org.br

Dia Internacional da Mulher

8 de Março

Dia Internacional da Mulher

As mulheres fazem História

Dia Internacional da Mulher foi criado em homenagem a 129 operárias que morreram queimadas numa ação da polícia para conter uma manifestação numa fábrica de tecidos. Essas mulheres estavam pedindo a diminuição da jornada de trabalho de 14 para 10 horas por dia e o direito à licença-maternidade. Isso aconteceu em 8 de março de 1857, em Nova Iorque, nos Estados Unidos.

É longo o caminho das mulheres em busca de respeito à sua dignidade pessoal, social e profissional. Longo, mesmo. E, isto, vocês podem perceber clicando em "As mulheres fazem a história".

Quando pensamos que, no fim do século dezenove, na Inglaterra, mulheres sozinhas, sem marido, eram consideradas um problema social, levamos um susto. Parece mentira, não? Mas não é.

Vista como um ser esquisito, o tal probleminha social, na verdade, não passava de uma preocupação política com o mercado de trabalho. O censo inglês da época contava muito mais mulheres solteiras do que homens, ocasionando um alarme entre os detentores do poder econômico.

Chegou-se a cogitar a emigração de mulheres para as colônias - onde sobrava homem -, para que elas pudessem exercer a sua função de fêmea, que seria, segundo concepção em voga, apenas o de completar e embelezar a vida do homem e não em se preocupar com carreira ou em ganhar seu sustento.

As feministas, por sua vez, tinham uma visão bem mais prática sobre a questão. Para elas, o excedente de mulheres disputando vagas no mercado de trabalho deveria ajudar a sociedade a refletir sobre as políticas sociais que lhes fechavam a porta para o ensino superior, para o voto e para as oportunidades profissionais e de desenvolvimento do seu potencial humano.

As mulheres fazem História

1792 - Inglaterra

Mary Wolstonecraft escreve um dos grandes clássicos da literatura feminista – A Reivindicação dos Direitos da Mulher – onde defendia uma educação para meninas que aproveitasse seu potencial humano.

1822 - Brasil

A Arquiduquesa da Áustria e imperatriz do Brasil, Maria Leopoldina Josefa Carolina, exerce a regência, na ausência de D. Pedro I, que se encontrava em São Paulo. A imperatriz envia-lhe uma carta, juntamente com outra de José Bonifácio, além de comentários de Portugal criticando a atuação do marido e de dom João VI. Ela exige que D. Pedro proclame a independência do Brasil e, na carta, adverte: "O pomo está maduro, colhe-o já, senão apodrece".

1827 - Brasil

Surge a primeira lei sobre educação das mulheres, permitindo que freqüentassem as escolas elementares; as instituições de ensino mais adiantado eram proibidas a elas.

1857 - Estados Unidos

No dia 8 de março, em uma fábrica têxtil, em Nova Iorque, 129 operárias morrem queimadas numa ação policial porque reivindicaram a redução da jornada de trabalho de 14 para 10 horas diárias e o direito à licença-maternidade.

Mais tarde foi instituído o Dia Internacional da Mulher8 de março, em homenagem a essas mulheres.

1879 - Brasil

As mulheres têm autorização do governo para estudar em instituições de ensino superior; mas as que seguiam este caminho eram criticadas pela sociedade.

1885 - Brasil

A compositora e pianista Chiquinha Gonzaga estréia como maestrina, ao reger a opereta "A Corte na Roça". É a primeira mulher no Brasil a estar à frente de uma orquetra. Precursora do chorinho, Chiquinha compôs mais de duas mil canções populares, entre elas, a primeira marcha carnavalesca do país: "Ô Abre Alas". Escreveu ainda 77 peças teatrais.

1887 - Brasil

Formou-se a primeira médica no Brasil: Rita Lobato Velho. As pioneiras tiveram muitas dificuldades em se afirmar profissionalmente e algumas foram ridicularizadas.

1893 - Nova Zelândia

Pela primeira vez no mundo, as mulheres têm direito ao voto.

1917 - Brasil

A professora Deolinda Daltro, fundadora do Partido Republicano Feminino em 1910, lidera uma passeata exigindo a extensão do voto às mulheres.

1920 - EUA

Sufrágio feminino.

1923 - Japão

As atletas femininas ganham o direito de participarem das academias de artes marciais.

1928 - Brasil

O Governador do Rio Grande do Norte, Juvenal Lamartine, consegue uma alteração da lei eleitoral dando o direito de voto às mulheres. Elas foram às ruas, mas seus votos foram anulados. No entanto, foi eleita a primeira prefeita da História do Brasil: Alzira Soriano de Souza, no município de Lages - RN.

1932 - Brasil

Getúlio Vargas promulga o novo Código Eleitoral, garantindo finalmente o direito de voto às mulheres brasileiras.

A primeira atleta brasileira a participar de uma Olimpíada, a nadadora Maria Lenk, de 17 anos, embarca para Los Angeles. É a única mulher da delegação olímpica.

1933 - Brasil

Nas eleições para a Assembléia Constituinte, são eleitos 214 deputados e uma única mulher: a paulista Carlota Pereira de Queiroz.

1937/1945 - Brasil

O Estado Novo criou o Decreto 3199 que proibia às mulheres a prática dos esportes que considerava incompatíveis com as condições femininas tais como: "luta de qualquer natureza, futebol de salão, futebol de praia, pólo, pólo aquático, halterofilismo e beisebol". O Decreto só foi regulamentado em 1965.

1945

A igualdade de direitos entre homens e mulheres é reconhecida em documento internacional, através da Carta das Nações Unidas.

1948

Depois de 12 anos sem a presença feminina, a delegação brasileira olímpica segue para Londres com 11 mulheres e 68 homens. Neste ano, a holandesa Fanny Blankers-Keon, 30 anos, mãe de duas crianças, foi a grande heroína individual da Olimpíada, superando todos os homens ao conquistar quatro medalhas de ouro no atletismo.

Declaração Universal dos Direitos Humanos

1949

São criados os Jogos da Primavera, ou ainda "Olimpíadas Femininas". No mesmo ano, a francesa Simone de Beauvoir publica o livro "O Segundo Sexo", no qual analisa a condição feminina.

1951

Aprovada pela Organização Internacional do Trabalho a igualdade de remuneração entre trabalho masculino e feminino para função igual.

1960 - Brasil

Grande tenista brasileira, a paulista Maria Esther Andion Bueno torna-se a primeira mulher a vencer os quatros torneios do Grand Slam (Australian Open, Wimbledon, Roland Garros e Us Open). Conquistou, no total, 589 títulos em sua carreira.

1974 - Argentina

Izabel Perón torna-se a primeira mulher presidente.

1975 - Argentina

Ano Internacional da Mulher. A ONU promove a I Conferência Mundial sobre a Mulher, na Cidade do México. Na ocasião, é criado um Plano de Ação.

1979 - Brasil

Eunice Michilles, então representante do PSD/AM, torna-se a primeira mulher a ocupar o cargo de Senadora, por falecimento do titular da vaga. A equipe feminina de judô inscreve-se com nomes de homens no campeonato sul-americano da Argentina. Esse fato motivaria a revogação do Decreto 3.199.

1980 - Brasil

Recomendada a criação de centros de autodefesa, para coibir a violência contra a mulher. Surge o lema: "Quem ama não mata".

1983 - Brasil

Surgem os primeiros conselhos estaduais da condição feminina (MG e SP), para traçar políticas públicas para as mulheres. O Ministério da Saúde cria o PAISM - Programa de Atenção Integral à Saúde da Mulher, em resposta à forte mobilização dos movimentos feministas, baseando sua assistência nos princípios da integralidade do corpo, da mente e da sexualidade de cada mulher.

1983 - Estados Unidos

Sally Ride é a primeira mulher astronauta. Voou na nave espacial Challenger.

1985 - Brasil

Surge a primeira Delegacia de Atendimento Especializado à Mulher - DEAM (SP) e muitas são implantadas em outros estados brasileiros. Ainda neste ano, com a Nova República, a Câmara dos Deputados aprova o Projeto de Lei que criou o Conselho Nacional dos Direitos da Mulher.

1985

É criado o Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (Unifem), em lugar do antigo Fundo de Contribuições Voluntárias das Nações Unidas para a Década da Mulher.

1987 - Brasil

Criação do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher do Rio de Janeiro - CEDIM/RJ, a partir da reivindicação dos movimentos de mulheres, para assessorar, formular e estimular políticas públicas para a valorização e a promoção feminina.

1988 - Brasil

Através do lobby do batom, liderado por feministas e pelas 26 deputadas federais constituintes, as mulheres obtêm importantes avanços na Constituição Federal, garantindo igualdade a direitos e obrigações entre homens e mulheres perante a lei.

1990 - Brasil

Eleita a primeira mulher para o cargo de senadora: Júnia Marise, do PDT/MG.

1993 - Brasil

Assassinada Edméia da Silva Euzébia, líder das Mães de Acari, o grupo de nove mães que ainda hoje procuram seus filhos, 11 jovens da Favela de Acari (RJ), sequestrados e desaparecidos em 1990.

1993

Ocorre, em Viena, a Conferência Mundial de Direitos Humanos. Os direitos das mulheres e a questão da violência contra o gênero recebem destaque, gerando assim a Declaração sobre a eliminação da violência contra a mulher.

1994 - Brasil

Roseana Sarney é a primeira mulher eleita governadora de um estado brasileiro: o Maranhão. Foi reeleita em 1998.

1996 - Brasil

O Congresso Nacional inclui o sistema de cotas, na Legislação Eleitoral, obrigando os partidos a inscreverem, no mínimo, 20% de mulheres nas chapas proporcionais.

1996 - Brasil

A escritora Nélida Piñon é a primeira mulher a ocupar a presidência da Academia Brasileira de Letras. Exerce o cargo até 1997 e é membro da ABL desde 1990.

1997 - Brasil

As mulheres já ocupam 7% das cadeiras da Câmara dos Deputados; 7,4% do Senado Federal; 6% das prefeituras brasileiras (302). O índice de vereadoras eleitas aumentou de 5,5%, em 92, para 12%, em 96.

1998 - Brasil

A Senadora Benedita da Silva é a primeira mulher a presidir a sessão do Congresso Nacional.

2001 - Alemanha

A alemã Jutta Kleinschmidt é a primeira mulher a vencer o Rali Paris-Dakar, na categoria carros. Considerada a prova mais difícil do planeta - seu desafio é atravessar o deserto - Kleinschmidt, com essa vitória, faz juz à força feminina, presente em todas as atividades do mundo atual. Em 23 anos de disputa, jamais uma mulher havia ganho nessa competição.

2003 - Brasil

Marina Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT) do Acre, reeleita senadora com o triplo dos votos do mandato anterior, assume o Ministério do Meio Ambiente do governo Lula no dia 1o de janeiro de 2003. Em seu discurso de posse, disse: "Não acho que devemos nos render à lógica do possível. O possível é feito para não se sair do lugar".

Machão Demais!

As mulheres conquistaram o direito de disputar oficialmente as provas olímpicas em 1928. O Barão Pierre de Coubertin – criador das Olimpíadas da era moderna – era totalmente contra a participação feminina nesse evento, então decidiu pedir demissão do cargo de presidente do Comitê Olímpico Internacional.

Elas Batem um Bolão!

Quem pensa que futebol feminino é novidade, está muito enganado. Inglaterra e Escócia foram os personagens da primeira partida de futebol entre mulheres, em 1898, em Londres.

No Brasil, a primeira partida de futebol feminino foi realizada em 1921, em São Paulo, onde enfrentaram-se os times das senhoritas catarinenses e tremembeenses.

Mas o que hoje é tão normal para nós levou muito tempo para ser conquistado. Em 1964, o Conselho Nacional de Desportos - CND proibiu a prática do futebol feminino no Brasil. Levou tempo para mudar essa situação. A decisão só foi revogada em 1981. E em 1996 o futebol feminino foi incluído como categoria nas Olimpíadas. O Brasil ficou com o quarto lugar, a mesma colocação que obteve nas Olimpíadas de Sydney, em 2000.

Em 2003, sob o comando do técnico Paulo Gonçalves, as meninas conquistaram a medalha de ouro nos Jogos Panamericanos e também o tetracampeonato sul-americano.

Contra a violência: Fórum Social Mundial - 2002

As mulheres foram participantes ativas do Fórum Social Mundial 2002, em Porto Alegre. Entre outras atividades, foram realizadas cerca de 100 oficinas propostas por mulheres, além de conferências e seminários.

Destacou-se a conferência "Cultura da violência, violência doméstica", organizada pela rede da Marcha Mundial das Mulheres. Como representantes da Marcha, estavam presentes Sashi Sail (Índia), Suzi Rujtman (França) e Diane Matte (Canadá).

O debatedor foi o psicanalista Jurandir Freire Costa, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Ele ressaltou que a cultura da violência é um valor que vem sendo repassado ao longo dos tempos, e muitas pessoas nem têm consciência de como isto ocorre. Os padrões culturais mantidos até hoje contam um pouco desta história de violência justificada ou ignorada. O caminho apontado pelo psicanalista é uma ação crítica contra as bases do consenso moral.

Fátima Mello, representante da Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais (Abong), foi a responsável pela coordenação dos trabalhos. Ela lembrou da violência contra as mulheres afegãs e das estatísticas alarmantes: de 20% a 50% das mulheres no mundo já foram vítimas de assalto; uma em cada dez já foi estuprada; 30 milhões já foram mutiladas em todo o planeta.

As críticas recaíram também sobre a combinação da estrutura patriarcal com a economia capitalista neoliberal. Por um lado, o patriarcado impõe papéis desiguais a homem e mulher; em contrapartida, o sistema neoliberal impõe a divisão do trabalho também desigual entre os sexos.

A conferência teve como resultado algumas propostas de nível mundial, versando sobre a proibição da prática de todas as formas de violência (entendida como abuso de poder), e cobrando das autoridades a aplicação efetiva das leis. Com isto, busca-se punir os responsáveis por agressões contra as mulheres. Para 2003, foi criado um projeto de tribunal internacional da violência contra as mulheres.

O que Você Acha Disto?

Infelizmente, a história das mulheres nem sempre foi marcada por conquistas. Em muitos lugares do mundo ainda falta mudar muita coisa para que a mulher tenha seus direitos respeitados. Reunimos alguns fatos para que você tome conhecimento e gostaríamos muito que você desse sua opinião sobre o que acha dessas situações. Leia e faça seus comentários.

Mutilação genital feminina

Alguns grupos étnicos praticam a mutilação genital feminina, ou seja, a retirada total ou parcial dos órgãos sexuais femininos (clitóris e lábios da genitália). Essa prática só vem afirmar o desrespeito à mulher nessas comunidades, pois a mutilação é praticada geralmente entre os 4 e 8 anos, quando a criança nem sabe do que se trata e muito menos tem o direito de rejeitar o ato, e seu objetivo é fazer com que a mulher já adulta não sinta prazer no ato sexual. Como se não bastasse o desrespeito, ainda há agravantes: a mutilação é feita sem qualquer anestésico, porque fazem parte do ritual o sofrimento e a dor; pode provocar hemorragia, infecções muito graves e até mesmo a morte. Além disso, a utilização dos instrumentos em várias meninas pode provocar a transmissão da AIDS.

A mutilação é praticada em mais de 28 países africanos, em populações muçulmanas, na Indonésia, Sri Lanka, Malásia, Índia, Egito, Omã, Yemem e Emirados Árabes Unidos. Cerca de 135 milhões de meninas e mulheres em todo mundo sofreram a mutilação genital feminina. A Organização Mundial da Saúde calcula que são mutiladas 6.000 mulheres por dia – 41 por minuto.

Ultrassonografia a serviço do aborto

Em Bangladesh, país localizado na Ásia, a ultrassonografia não vem sendo usada simplesmente como um recurso para garantir o melhor acompanhamento da gravidez e da saúde da mulher. Como o método permite saber o sexo do bebê bem antes do nascimento, muitas vezes as famílias, ao saber que a criança é do sexo feminino, decidem fazer o aborto. Isto porque nessa sociedade a mulher é vista como inferior e o filho tem mais valor que a filha.

Controle de natalidade cruel

Na China, devido à superpopulação e à consequente dificuldade em sustentar os filhos, o governo estabeleceu que as famílias só poderiam ter um filho. Como nesse país a mulher não é vista com bons olhos - eles preferem os homens, que têm força para trabalhar e lutar - é sabido que quando nasce uma menina não é raro a criança ser morta, pois não terá utilidade para a família e será desvalorizada pela sociedade. Como só podem ter uma criança, é melhor então que seja menino.

Violência extrema

Na Índia as mulheres têm sempre que ser submissas e obedientes aos seus maridos. E as autoridades fazem vista grossa às maiores atrocidades cometidas, como por exemplo, o fato de o homem cobrir com líquido inflamável e atear fogo à esposa. Ele é como se fosse dono dela. E a mulher é como se fosse uma mercadoria, um objeto, que ele pode utilizar como bem entender e do qual pode se desfazer, se por algum motivo não a quiser mais.

Crenças que aumentam a possibilidade de risco

Separamos aqui algumas crendices, comuns principalmente entre povos africanos. Estas idéias partem de princípios preconceituosos, que subjugam o gênero feminino e resultam em problemas de saúde física e psicológica para as mulheres. Aí se inclui a contaminação pelo HIV, muitas vezes corroborada por estas crenças infundadas.

Uma delas é a idéia de que ter relação sexual com uma mulher virgem curaria o homem do HIV. Daí é fácil imaginar o resto: muitas meninas novas acabaram sendo forçadas a fazer sexo sem proteção com homens contaminados.

Outro pensamento comum, desta vez no Senegal, é de alguns homens que acreditam que a circuncisão feminina seja positiva porque "racionaliza" o desejo das mulheres. Embora soe muito agradável para uma cultura machista, a prática da extirpação do clitóris da mulher aumenta, e muito, o risco de contaminação pelo HIV.

Do mesmo modo, as meninas que se casam muito cedo, de acordo com o costume de algumas tribos, têm mais chances de contrair AIDS. Forçadas a terem relações sexuais sem estarem preparadas, o risco de ferimentos é maior - o que aumenta o risco de contágio.

Exames femininos gratuitos no Brasil

Os exames preventivos anuais de ginecologia e de mamografia são importantíssimos para acompanhar a saúde da mulher. Mesmo assim, estes exames não eram oferecidos gratuitamente a todas as brasileiras: era preciso apresentar uma declaração de pobreza para consegui-los através do Sistema Único de Saúde (SUS).

Mas as coisas podem melhorar logo, logo. É que a Câmara dos Deputados aprovou a gratuidade destes exames anuais para todas as mulheres a partir de 30 anos e também para aquelas que apresentem problemas ginecológicos ou de mama, desde que constatados por médicos credenciados pelo SUS.

A idéia de estender o direito aos exames tem como base o artigo 194 da Constituição da República, que prevê a universalidade do atendimento na área de saúde.

Outro projeto que beneficia as mulheres é o Projeto de Lei 848/99, também aprovado, permitindo a realização gratuita de testes de mamografia, senografia e mastografia, desta vez para as mulheres que tenham sido recomendadas a fazê-los, por causa de um diagnóstico anterior.

Embora os dois projetos aumentem as possibilidades de acesso gratuito, tal acesso ainda está longe de ser universal. A saúde não deveria ser um direito de todos?

Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

Dia Internacional da Mulher

8 de Março

Dia Internacional da Mulher

Em 8 de março de 1857 , 129 operárias têxteis morreram queimadas em Nova Iorque, porque lutavam pela redução da jornada de trabalho. Desde então, a luta das mulheres tem sido cotidiana, contra a opressão vivenciada na vida, no trabalho, nos espaços públicos e privados. Foi após as mortes destas trabalhadoras que surgiram as primeiras legislações de proteção à saúde das mulheres. Um dos patrões presos como um dos responsáveis por mandar trancar as portas das fábricas e atear fogo, recebeu liberdade sob fiança de apenas 20 dólares.

O Dia 8 de Março foi instituído em 1910, no I Congresso Internacional de Mulheres, em homenagem às operárias que morreram, como sendo um dia de luta, hoje, devido ao aumento de exclusão social desenvolvida através das políticas neoliberais, todos os dias tem sido dia de luta para homens e mulheres que vivem em seu cotidiano a exclusão, o desemprego, a retirada de direitos sociais, arrocho salarial, e a falta de qualidade e condições de uma vida digna.
Neste momento conjuntural, homens e mulheres estão em pé de igualdade, no que se refere AS PÉSSIMAS CONDIÇÕES DE VIDA.

Mas, como a situação das mulheres ao longo da história é permeada pela discriminação, suas condições são mais precárias em relação aos homens sabe por que?

As mulheres que em 1857 lutavam pela redução as jornada de trabalho, hoje, além de trabalhar em média, o mesmo tempo que os homens recebem até 40% do total de seu salário para DESEMPENHAR A MESMA FUNÇÃO.
A taxa de desemprego para as Mulheres é de até 6% em relação aos homens
Os postos de trabalho ocupados pelas mulheres, com aumento significativo, principalmente a partir da década de 80, são os mais desqualificados.
Os direitos sociais conquistados com a luta das mulheres, como por exemplo, o salário maternidade está correndo risco de ser reduzido.
As mulheres, principalmente de baixa renda estão morrendo contaminadas pelo Vírus da AIDS, por falta de uma política de prevenção.
Segundo a Organização Mundial de Saúde, 10% do total de abortos praticados em todo o mundo, corresponde ao Brasil, significando que milhares de mulheres morrem, por não ter um política pública de qualidade que lhe assegure a vida.
Portanto, continuando a história combativa das mulheres, convocamos todas para continuar a lua.
Contra as políticas neoliberais dos governos
Contra o desemprego, pela redução da jornada de trabalho, sem redução de salário
Pelo combate à violência contra as mulheres
Pela garantia de serviços públicos de qualidade, como creches, escola, saúde,
Contra as reformas de FHC – Previdência e Administrativa
Pela paternidade responsável
Pela criação de mecanismos que assegurem a participação equitativa de mulheres nos processo de geração de emprego e renda, como forma de combater a pobreza no Brasil, majoritariamente feminina
Pela garantia de oportunidade de acesso das mulheres a todos os níveis de educação e seu caráter não discriminatório
Pela implementação de políticas governamentais na área da saúde que possam atender as mulheres em todas as fases de seu ciclo vital, com ênfase no respeito aos direitos reprodutivos e saúde no trabalho
Pela adoção de mecanismos de ações afirmativas que estimulem a representação paritária de homens e mulheres nas instâncias de deliberação e de decisão, especialmente políticas COMISSÃO NACIONAL SOBRE A MULHER TRABALHADORA/CUT

IMPORTÂNCIA DO DIA 08 DE MARÇO

A Organização das Nações Unidas - ONU - decreta, em 08 de março, 1975 como o Ano Internacional da Mulher. No Brasil vivíamos sob o domínio dos governos militares ao mesmo tempo em que os movimentos sociais organizados começavam a se mobilizar apesar da repressão.

Qual a importância deste dia para a sociedade e para as sindicalistas?

1° - Ele é uma homenagem às trabalhadoras norte americanas que, em 1857, foram queimadas dentro de uma fábrica, após dias de greve por melhores condições de trabalho, melhores salários e redução da jornada de trabalho, entre outras reivindicações;

2° - Simboliza todas as formas de luta e resistência da mulheres ao longo dos tempos nas fábricas, nos sindicatos, nos partidos, etc...

3° - É um momento importante para reflexão sobre os papéis sexuais, suas diferenças e dificuldades no espaço público e privado. Além de ser uma forma das mulheres dizerem para o mundo que estamos atentas e lutando contra toda a forma de opressão e discriminação;

4° - Além da luta por seu reconhecimento enquanto cidadãs nos movimentos sociais e no mundo do trabalho, além da persistente e cotidiana luta contra a opressão da mulher na família e demais espaços sociais por elas ocupados, as mulheres sabem que enquanto existir dias de comemorações e homenagens, significa que existem opressão e discriminação Portanto, nenhum desses momentos podem ser vistos apenas como momentos de festa e comemoração, mas como um momento particular de denúncia, reflexão e resistência a um modelo social que exclui mulheres, crianças, negros, pobres, idosos e homossexuais.

PARTICIPAÇÃO FEMININA NA HISTÓRIA

O século XIX é o tempo do capital industrial, do desenvolvimento das grandes cidades européias e americanas, da destruição do campesinato e da utilização intensiva de mão-de-obra masculina, feminina e infantil nas indústrias. É quando surge o termo feminismo ou, pelo menos, muitas formas de reivindicações dos direitos das mulheres em diferentes locais.

No Brasil somente após 1850 é que vão surgir as primeiras organizações de mulheres que lutavam pelo direito ao voto e a educação. Até esse momento, só era permitida à mulher acesso ao ensino básico (1827), que além de ensinar a ler e escrever priorizava o ensino de prendas domésticas e música.

Em 1871 as mulheres foram aceitas nos cursos de formação para o magistério "ocupando-se a participação feminina desde que com um currículo específico que incluísse bordado branco em filó, de matizes, flores de conta e aplicação, corte de roupas brancas e lisas".

É importante ressaltar que, em 1872 as mulheres compunham aproximadamente 45% dos trabalhadores e não considerava as donas de casa neste conjunto "..se observarmos o total de pessoas absorvidas... tanto nos serviços quanto na indústria, constataremos que elas eram mulheres em sua maioria".

A história política brasileira não caracterizou-se pela participação popular, tendo tradição do poder autoritário, seja em termos políticos, seja nas relações senhor-escravo, marido-mulher, pai-filhas, empregadora-empregada. A vida isolada nas fazendas, a urbanização tardia, o cerceamento político impediram o desenvolvimento de relações associativas.

Desde o século XIX, a convivência das mulheres com as fábricas eram desoladoras, como nos mostra o depoimento a seguir:

"Eram obrigadas, após incontáveis horas de trabalho a aprender corte e costura e, frequentemente, não faziam jus a nenhum salário. As condições de trabalho supunham, ainda a sujeira, a insalubridade, os espancamentos e estupros."

Com a chegado do século XX, os homens começam a substituir as mulheres nas indústrias e os salários começam a se generalizar no seu interior, ".. iniciando o hábito do pagamento diferenciado entre os sexos, com os homens recebendo salários maiores que as mulheres, veja o quadro abaixo:

Salário médio masculino na fiação: 4$500 réis;

Salário médio feminino na fiação: 2$000 réis;

Salário médio masculino na seção de acabamento: 4$900 réis;

Salário médio feminino na seção de acabamento: 3$000 reis.

No final do século XIX e inicio do século XX, as mulheres eram 78% das trabalhadoras industriais. Elas perdiam para os homens na agricultura, que consistia na atividade econômica mais importante. As
péssimas condições de trabalho e dupla exploração de sexo e de classe ficam evidenciadas no depoimento abaixo da operária Luzia Ferreira de Medeiros, Fábrica Têxtil de Bangu, no Rio de Janeiro:

"Entrei para a fábrica Bangu no período da Primeira Guerra Mundial, com sete anos de idade. Iniciava o trabalho às seis horas e terminava por volta das dezessete horas, sem horário para o almoço definido. Era a critério dos mestres o direito de comer, e tendo ou não, tempo para almoçar; o salário era o mesmo. isso, evidentemente, depois de passada a fase do trabalho gratuito, que chamavam de aprendizagem... Nunca recebíamos horas-extras mesmo trabalhando além do horário estabelecido. O mestre Cláudio fechava as moças no escritório para força-las à prática sexual... As moças que faziam parte do sindicato eram vistas como meretrizes, ou pior que isso, eram repugnantes".

O processo de opressão de classe e gênero, não coloca a mulher trabalhadora na defensiva, mesmo estando sobrecarregado pelo trabalho em casa com as filhas, alimentação, roupas e as quatorze e/ou dezesseis horas de trabalho nas indústrias, ela encontrou formas de protestar, como observamos na fala
a seguir:

"Devemos demonstrar; enfim, que somos capazes de exigir o que nos pertence e se todas forem solidárias, se todas nos acompanharem nessa luta, se nos derem ouvidos, nós começaremos por desmascarar a cupidez dos patrões sanguinolentos".

Já nesta fase as mulheres trabalhadoras reivindicam melhores condições de trabalho, redução da jornada, fim da exploração sexual. Aspectos que não são novos em nossas pautas de reivindicações.

Foram as mulheres brasileiras protagonistas de diversas mobilizações e greves gerais que aconteceram no período histórico de 1900 a 1930 aproximadamente:

Em 1901 e 1903, na Fábrica Álvaro Penteado - paralisaram o trabalho em protesto contra as condições de trabalho e os baixos salários;

Na Cia. Industrial e São Paulo, fizeram uma paralisação contra a diminuição de tarefas (pois diminuía a remuneração);

Em 1902, na Anhaia, em São Paulo, entraram em greve em solidariedade a uma companheira despedida;

Em 1917, as mulheres paralisaram o trabalho em SP, RJ, BA, PE,RS, reivindicando aumento salarial e diminuição da jornada, entre outras coisas;

Em 1917, a Lei Sanitária proibiu o trabalho noturno de todas as operárias e vetou o trabalho de mulheres durante o último mês de gravidez e primeiro de puerpério.
Em média o salário das mulheres representavam 645 do salário dos homens.

Só a partir de l930 s mulheres começam a ter em maior número acesso ao ensino médio e superior, conquistam o direito de voto, fruto de uma luta de mais de 40 anos. Em l949 é fundada a Federação Democrática de Mulheres de Influência Comunista, que colaborou nas lutas gerais e especialmente nas manifestações nacionalistas, que predominaram nas décadas de 50 como "O petróleo é nosso". Ao mesmo tempo na França, Simone de Beauvoir publicava seu livro " O Segundo Sexo", um dos marcos teóricos importantes para o que vem a se caracterizar como feminismo moderno.

Nos anos 60 os movimentos reivindicatórios europeus tinham um forte caráter cultural questionando os valores da sociedade industrial, colocando em cheque o estado de bem estar social, mostrando que nem tudo está bem quando as necessidades básicas estão garantidas, permitindo a eclosão de movimentos específicos (mulheres, negros, índios, entre outros) que denunciavam a sua condição de opressão.
Enquanto aqui (diferentemente dos países europeus) os movimentos reivindicatórios dirigiam sua atenção ao Estado enquanto agente e promotor do bem estar social. Asfalto, luz, água e/ou esgoto, são palavras de ordem sem sentido para as sociedades européias. Aqui no Brasil tornam-se o fundamento das reivindicações feministas. Dessa forma, o feminismo foi se incorporando com muita cautela nas lutas populares.
Para a direita era um movimento imoral, portanto, perigoso. Para a esquerda era reformismo burguês, e para muitos homens e mulheres independentes de sua ideologia, ser feminista tinha uma carga anti-feminina.
No contexto de autoritarismo que marcou a década de 60 no Brasil, os problemas gerais da sociedade eram prioritários em relação aos problemas específicos. A nível internacional, o movimento feminista, tanto europeu quanto americano, denuncia firmemente a opressão específica sofrida pelas mulheres. Isso irá repercutir a nível dos organismos internacionais, levando as Nações Unidas (ONU) a declara a ano de 1975 como o Ano Internacional da Mulher.

Fonte: www.icrvb.com

Dia Internacional da Mulher

8 de Março

Dia Internacional da Mulher

A idéia de se celebrar o Dia da Mulher surgiu no contexto dos inúmeros protestos e manifestações de mulheres trabalhadoras no mundo entre o final do século XIX e início do século XX. 

O primeiro grande marco é de 8 de março de 1857, quando trabalhadoras da indústria têxtil da cidade de Nova Iorque protestaram contra as condições desumanas de trabalho, as longas jornadas e os baixos salários.

Em 28 de fevereiro de 1909, celebrou-se nos Estados Unidos o primeiro Dia Nacional da Mulher. A iniciativa foi do Partido Socialista da América.

Em 1910, durante a II Conferência de Mulheres Socialistas, ocorrida em Copenhague, foi aventada pela primeira vez a idéia de se criar um Dia Internacional da Mulher. A proposta foi da alemã Clara Zetkin, uma das lideranças do Partido Social-Democrata da Alemanha.

Em seguimento à idéia, no dia 19 de março de 1911, a data foi oficialmente celebrada na Áustria, Dinamarca, Alemanha e Suíça.

Em representação à luta travada pelas mulheres por direitos no final do século XIX e início do século XX, associa-se a data do Dia Internacional da Mulher a um momento máximo de opressão, quando, em 1911, cerca de 140 trabalhadoras foram trancadas dentro de uma fábrica de roupas e carbonizadas durante um incêndio.

Destacam-se também os protestos de mulheres russas contra a Primeira Guerra Mundial, a partir de 1914. As manifestações geralmente ocorriam no último domingo de fevereiro, que, no calendário ocidental gregoriano, caía por volta do dia 8 de março. Destes, o evento mais significativo ocorreu em 1917, às vésperas da Revolução Russa, quando trabalhadoras protestaram e entraram em greve por “Pão e Paz”. Com a queda do czar Nicolau II poucos dias depois, o novo Governo Provisório russo garantiu às mulheres o direito de votar e ser votada, além de vários direitos trabalhistas.

Em 1975, Ano Internacional da Mulher, as Nações Unidas confirmaram o 8 de março como o Dia Internacional da Mulher.

Em 2011, o tema das Nações Unidas para o Dia Internacional da Mulher é “Igualdade de acesso à educação, ao treinamento e à ciência e tecnologia: trilha do trabalho decente para a mulher”.

Com o passar dos anos, as mulheres conquistaram importantes vitórias, como o direito à educação, ao trabalho, à participação ativa na política e à licença-maternidade. No Brasil, segundo informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) 2009, elas representam 51,3% da população, 43,9% da população economicamente ativa (PEA) e 42,6% da ocupada. Já os dados da Síntese dos Indicadores Sociais 2010, baseados na PNAD, apontam que a média de estudo das mulheres é de 8,8 anos, enquanto os homens estudam apenas 7,7 anos.

Apesar disso, ainda é grande a desigualdade no mercado de trabalho. O Perfil Social, Racial e de Gênero das 500 Maiores Empresas do Brasil e Suas Ações Afirmativas – Pesquisa 2010 -, do Instituto Ethos e Ibope Inteligência, aponta que as mulheres detêm 33,1% dos postos de trabalho no quadro funcional. Nos outros níveis, a presença feminina se divide em 26,8% na supervisão, 22,1% na gerência e 13,7% no executivo.

No setor político, a situação é parecida. De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 193 mulheres foram eleitas em 2010 para o Executivo e o Legislativo, apenas 11,66% do total de cargos. Uma dessas posições foi a de Dilma Rousseff, eleita a primeira presidenta do País.

As mulheres e a violência

A mobilização da sociedade contra a discriminação e a violência contra a mulher são mais frequentes a cada ano. Em 1985, por exemplo, a cidade de São Paulo (SP) inaugurou a primeira Delegacia de Defesa da Mulher do país. Cinco anos depois, também na capital paulista, a prefeita Luiza Erundina fundou uma casa de amparo às mulheres, primeiro serviço público municipal de atendimento aos casos de violência doméstica e sexual. Em 2003, o governo federal criou a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM), que estabelece políticas públicas voltadas para a valorização e a proteção das cidadãs do sexo feminino.

Em agosto de 2006, as brasileiras alcançaram uma grande vitória: a Lei Maria da Penha alterou o Código Penal ao punir de forma mais severa agressores de mulheres, que hoje podem ser presos em flagrante ou ter prisão preventiva decretada. Antes, eles só eram punidos após ferirem efetivamente as mulheres, pois as ameaças não eram suficientes para mandá-los para a prisão ou afastá-los do lar.

Fonte: www.brasil.gov.br

Dia Internacional da Mulher

8 de Março

Dia Internacional da Mulher

No dia 8 de março é comemorado o Dia Internacional da Mulher. Esta data é ligada a uma proposta feita em 1910, pela líder comunista alemã Clara Zetkin, durante o II Congresso Internacional de Mulheres Socialistas para lembrar operárias mortas durante um incêndio que ocorreu em uma fábrica em Nova York, em 1857.

Mas há controvérsias quanto a esta versão. Segundo a socióloga Eva Alterman Blay, coordenadora do Núcleo de Estudos da Mulher e Relações de Gênero (Nemge) e professora da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), o acidente de 1857 não aconteceu. Pelo menos não na data em que é lembrado.

Dia Internacional da Mulher

De acordo com Eva Blay o incêndio que se relaciona ao Dia Internacional da Mulher foi o que aconteceu no dia 25 de março de 1911, nos EUA, na Triangle Shirtwaist Company, uma fábrica têxtil que ocupava do oitavo ao décimo andar de um prédio, e que empregava 600 trabalhadores. A maioria eram mulheres imigrantes judias e italianas com idade entre 13 e 23 anos. Parte dos trabalhadores conseguiu chegar as escadas, descendo para a rua ou subindo no telhado. Outros desceram pelo elevador.

O fogo e a fumaça aumentaram e muitos trabalhadores desesperados pularam pelas janelas e algumas mulheres morreram nas próprias máquinas. Na tragédia 146 pessoas morreram, sendo 125 mulheres e 21 homens.
No local do incêndio foi construída uma parte da Universidade de Nova York onde consta uma placa com a inscrição em homenagem às vítimas do incêndio. Por causa dessa tragédia foram criados novos conceitos de responsabilidade social e legislação do trabalho, tornando as condições de trabalho as melhores do mundo.

Para Eva Blay, é provável que a morte das trabalhadoras da Triangle tenha se incorporado ao imaginário coletivo da comemoração do Dia Internacional da Mulher. Mas o processo para instituir uma data comemorativa já vinha sendo estudada pelas socialistas americanas e européias há algum tempo e acabou sendo confirmada com a proposta de Clara Zetkin em 1910.

A data passou a ser comemorada com mais intensidade na década de 60 com o fortalecimento do movimento feminista, quando passaram a ser discutidos problemas da sexualidade, da liberdade ao corpo, do casamento e dos jovens. O fato é que não se sabe com precisão por que o dia 8 de março foi escolhido, mas ele se consagrou ao longo do século XX. A consagração do direito de manifestação pública veio com apoio internacional, em 1975, quando a Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu oficialmente a data como o Dia Internacional da Mulher.

Dia Internacional da Mulher

Curiosidades

Segundo dados do Dieese – Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos as mulheres correspondem a 41% da População Economicamente Ativa (PEA) do Brasil e mais de um quarto das famílias são chefiadas por elas. Mas nem tudo são flores. Pela pesquisa, as mulheres possuem maior nível de escolaridade que os homens, porém não ocupam funções compatíveis com sua formação, além de ter remuneração menor se comparada ao sexo oposto.

Primeira mulher diplomada no Brasil

De acordo com pesquisa realizada pela professora de pós-graduação em História Social da USP Maria Regina da Cunha Rodrigues Simões de Paula a primeira mulher diplomada no Brasil foi a médica Rita Lobato Velho Lopes (1867-1960). Segundo pesquisa, com os impedimentos existentes na época, Rita Lobato só pode iniciar seus estudos depois que o imperador d. Pedro II assinasse um decreto-lei.

Fonte: www.usp.br

Dia Internacional da Mulher

8 de Março

Dia Internacional da Mulher

Origem do Dia Internacional da Mulher

O dia 8 de Março é, desde 1975, comemorado pelas Nações Unidas como Dia Internacional da Mulher

Neste dia, do ano de 1857, as operárias têxteis de uma fábrica de Nova Iorque entraram em greve ocupando a fábrica, para reivindicarem a redução de um horário de mais de 16 horas por dia para 10 horas. Estas operárias, que recebiam menos de um terço do salário dos homens, foram fechadas na fábrica onde, entretanto, se declarara um incêndio, e cerca de 130 mulheres morreram queimadas.

Em 1903, profissionais liberais norte-americanas criaram a Women's Trade Union League. Esta associação tinha como principal objetivo ajudar todas as trabalhadoras a exigirem melhores condições de trabalho.

Em 1908, mais de 14 mil mulheres marcharam nas ruas de Nova Iorque: reivindicaram o mesmo que as operárias no ano de 1857, bem como o direito de voto. Caminhavam com o slogan "Pão e Rosas", em que o pão simbolizava a estabilidade econômica e as rosas uma melhor qualidade de vida.

Em 1910, numa conferência internacional de mulheres realizada na Dinamarca, foi decidido, em homenagem àquelas mulheres, comemorar o 8 de Março como "Dia Internacional da Mulher".

Fonte: www.portaldafamilia.org

Dia Internacional da Mulher

Dia da Mulher nasceu das mulheres socialistas Quando começou a ser comemorado o Dia Internacional da Mulher? Quando começou a luta das mulheres por sua libertação? Qual é a influência do movimento socialista na luta das mulheres? E o 8 de Março, como nasceu? A data teve origem a partir do quê? Onde?

Estas e outras questões mereceram uma atenção especial em 2003, quando nos jornais e na Internet apareceram repetidamente versões diferentes.

Todas, no entanto, esqueceram a palavra-chave, que está na luta da mulher por sua libertação: mulher “socialista”.

Em 2003, nas vésperas do 8 de Março, o jornal cearense O Povo publicou um longo artigo de uma professora da Universidade Federal do Ceará (UFCE) que dei- O Dia da Mulher nasceu das mulheres socialistas Quando começou a ser comemorado o Dia Internacional da Mulher? Quando começou a luta das mulheres por sua libertação? Qual é a influência do movimento socialista na luta das mulheres? E o 8 de Março, como nasceu?

A data teve origem a partir do quê? Onde? Estas e outras questões mereceram uma atenção especial em 2003, quando nos jornais e na Internet apareceram repetidamente versões diferentes. Todas, no entanto, esqueceram a palavra-chave, que está na luta da mulher por sua libertação: mulher “socialista”. xou muita gente assustada.

O mesmo aconteceu com vários artigos que circularam pela Internet. Para encarecer a dose, logo após a comemoração do Dia Internacional da Mulher, em 2003, o novo jornal que acabara de sair, Brasil de Fato, no seu número 1, também trazia um artigo da mesma professora da UFCE, Dolores Farias, que reafirmava o que ela havia escrito no jornal O Povo, dias antes. Houve pessoas que ficaram furiosas com a contestação da origem da data do Dia Internacional da Mulher. Procurando entender o porquê desta confusão.

Na verdade, a questão da origem do 8 de Março já é discutida há mais de vinte anos. Em 1996, o Jornal do Brasil trazia um artigo da professora da UFRJ, Naumi Vasconcelos, no qual ela dizia que a tal greve de Nova Iorque, em 1857, quando teriam morrido 129 operárias queimadas vivas, nunca existiu. E ela afirma que a origem desta data é bem outra. No mesmo ano, em março, Conselho de Classe, jornal do SEPE, Sindicato dos Profissionais de Educação da Rede Pública do Estado do Rio de Janeiro, trazia um artigo da mesma professora Naumi, com o título sugestivo de: Quem tem medo do 8 de Março?

2003

O recém-criado semanário Brasil de Fato entra na polêmica sobre as origens do 8 de Março.

Uma pesquisa de 12 anos

Neste, a autora citava, como fonte fundamental para a discussão, um livro de uma pesquisadora canadense intitulado: O dia Internacional da Mulher - Os verdadeiros fatos e datas das misteriosas origens do 8 de março, até hoje confusas, maquiadas e esquecidas.

Dia Internacional da Mulher

Este livro, da autora canadense Renée Cote, saiu em 1984, mas estranhamente ficou esquecido por várias razões. O livro da Renée é totalmente antiacadêmico, anticonvencional. Mas, mais do que a forma, o que fez o livro cair em esquecimento é o que ela afirma, que incomoda muita gente. Ela prova por a+b, ao longo de 240 páginas, que as certezas criadas nos anos de 1960, 70 e 80 pelos movimentos feministas, a respeito do surgimento do 8 de Março, são pura ficção.

Ela derruba um mito caro às mulheres feministas, que tanto penaram para afirmar esta data. Além disso, o livro acabou caindo no esquecimento porque é mais fácil aceitar versões já consolidadas de histórias caras às nossas vidas, do que questionar mitos estabelecidos. Assim como, para muitos, é mais fácil aceitar a historinha de Adão e Eva, criados do barro, uns seis mil anos atrás, do que questionar as origens do homem, bem mais complexas, centenas de milhares de anos atrás. Há um outro fator determinante que fez o livro da autora canadense cair no limbo: ela deixa transparecer, o tempo todo, sua visão favorável à autonomia dos movimentos sociais frente aos partidos e mostra uma prevenção à própria idéia de partido político.

O livro se insere no grande leito de luta autonomista, típica dos movimentos de esquerda dos anos 70. Isto cria uma animosidade com muitos setores da esquerda mais influente, que poderiam divulgar sua obra. Mas, deixando de lado simpatias, ou alergias, vamos entrar no cipoal deste mito. A explicação da origem do mito da greve de Nova Iorque de 1857, nos EUA, e do esquecimento de outra greve real, concreta e proibida, de 1917 na Rússia, vamos ver só no final do artigo. A questão-chave é ver por quê, no mundo bipolar da Guerra Fria dos anos 60 do século passado, os dois blocos em disputa aceitaram a versão de uma greve de mulheres, em 1857, nos EUA, e esqueceram uma outra greve de mulheres, em 1917, na Rússia. Os motivos são mais políticos que psicológicos.

O clima mundial quando nasceu o mito de 1857. Na década de 60, o mundo vivia uma grande convulsão político-ideológica. Somente no começo dos anos 70, o jogo se define e o bloco ocidental americano, isto é, capitalista, leva a melhor sobre o bloco soviético, socialista. A chegada do homem à lua, por parte dos americanos, em 69, definiu o destino da humanidade por várias décadas e, quem sabe, séculos. A URSS, a partir dessa data, entra em rápida decadência e o bloco americano caminha rumo ao império neoliberal mundial. Esta década foi um vendaval nos costumes e ideologias do mundo. Mexeu com todo o equilíbrio político- cultural do planeta. Os anos 60 começam com a vitória do povo da Argélia contra o colonizador francês que foi o estopim das guerras de libertação no Congo, Senegal, Nigéria, Ghana e em toda a África.

A China vivia sua Revolução Cultural, com o famoso Livro Vermelho de Mão Tsé Tung, que influenciava milhões de jovens no mundo inteiro. O Vietnã , após ter derrotado a França em 54, enfrentava e preparava a derrota do maior exército do mundo. Os países excoloniais tinham criado o movimento dos Nãoalinhados. O mundo árabe, sob a liderança de Nasser, começava a se mexer. Enquanto isso, a Revolução Cubana, com os barbudos Fidel e Che era um modelo para os revolucionários da América Latina e do mundo. No bloco soviético, aumentava a contestação interna com a “Primavera de Praga”, em 68, na República Tcheca. Enquanto isso, a Igreja Católica vivia as dores do parto do nascimento da Teologia da Libertação, pós-Concílio Vaticano II, que negava o apoio a exploradores, opressores, colonizadores e senhores da guerra, com suas cruzadas, e começava a falar em libertação dos oprimidos. No mundo ocidental, os costumes tradicionais eram contestados pela entrada em cena do mundo jovem: Beatles, Woodstock, Black Power, movimento hippie e Panteras Negras. Na América Latina, faziamse guerrilhas contra ditadores representantes do capital local e capachos do imperialismo americano. As mulheres americanas e européias haviam descoberto a pílula e as dos países do Terceiro Mundo, a metralhadora, nas guerrilhas lado a lado com os homens.

Dia Internacional da Mulher

No Ocidente, os estudantes passaram dos livros de Marcuse a Alexandra Kollontai e Wilhem Reich com sua Revolução Sexual e A Função do Orgasmo. As mulheres americanas se manifestavam contra a Guerra do Vietnã e falavam em Women’s Lib: Libertação das mulheres. Os estudantes erguiam barricadas em Paris, tomavam as ruas em Praga, Berkeley e Rio de Janeiro e falavam de revolução e de amor: revolução social e sexual. E as feministas nas suas manifestações falavam de “mística feminina” e queimavam sutiãs nas praças públicas.

Nesse caldeirão cultural mundial, em Chicago, em 1968, e em Berkeley, em 69, se retoma, através de boletins e jornais feministas, a idéia do Dia Internacional da Mulher. Só que se esquece de que no começo do século, quando nasceu o Dia da Mulher, se acrescentava a qualificação de socialista. Este dia... tinha caído no esquecimento, soterrado por sucessivas avalanches históricas. As duas guerras mundiais, a burocratização stalinista da União Soviética e o avanço do capitalismo ocidental na sua versão clássica americana, ou na sua versão socialdemocrata européia, cada vez menos socialista, não tinham interesse em comemorar o 8 de Março. Nos países comunistas, após a 2ª Guerra Mundial, voltam as comemorações do 8 de Março, mas era mais para louvar a política dos seus governos do que para lutar pela total libertação da mulher. É nesse clima político-ideológico mundial que será retomada a idéia de se comemorar uma data internacional para a luta de libertação das mulheres.

A origem do mito da greve de 1857

O que estamos acostumados a ler nos boletins de convocação do Dia da Mulher é a história de uma greve, que aconteceu em Nova Iorque, em 1857, na qual 129 operárias morreram depois de os patrões terem incendiado a fábrica ocupada. A primeira menção a esta greve aparece no jornal do Partido Comunista Francês, na véspera do 8 de Março de 55. Mas a fixação da data devido a greve aparece num boletim, em Berlim, na então Alemanha Oriental, da Federação Internacional Democrática das Mulheres. O boletim é de 1966. O artigo fala rapidamente, em três linhas, do incêndio que teria ocorrido em 8 de março de 1857 e depois diz que em 1910, durante a 2ª Conferência da Mulher Socialista, a dirigente do Partido Socialdemocrata Alemão, Clara Zetkin, em lembrança à data da greve das tecelãs americanas, 53 anos antes, propôs o 8 de Março como data do Dia Internacional da Mulher.

O jornal do PCF, L´Humanité, não fala das 129 mulheres que teriam morrido queimadas. Esta história teve origens, provavelmente, em dois fatos ocorridos na mesma cidade de Nova Iorque, 50 anos depois da suposta greve. O primeiro foi uma longa greve de costureiras que durou de 22 de novembro de 1909 a 15 de fevereiro de 1910.

O segundo foi um dos tantos acidentes de trabalho, ocorridos no começo do século XX. Aconteceu na mesma cidade da greve das costureiras, em 1911. Nesse episódio, em 25 de março, foi registrada a morte, durante um incêndio, causado pela falta de segurança nas péssimas instalações de uma fábrica têxtil, de 146 pessoas, na maioria mulheres. As portas da fábrica estavam fechadas, como de costume, para que as operárias não se dispersassem na hora do almoço. Esse incêndio foi, evidentemente, descrito pelos jornais socialistas, numerosos nos EUA naqueles anos, como um crime cometido pelos patrões, pelo capitalismo. A fábrica pegando fogo, com dezenas de operárias se jogando do oitavo andar, em chamas, nos dá a pista do nascimento do mito daquela greve de 1857, na qual teriam morrido 129 operárias num incêndio provocado propositadamente pelos patrões.

E como se chegou a criar toda a história de 1857? Por que aquele ano? Por que nos EUA? A explicação, provavelmente, é a combinação de casualidades, sem plano diabólico pré-estabelecido. Assim como nascem todos os mitos. A canadense Renée Côté pesquisou, durante dez anos, em todos os arquivos da Europa, EUA e Canadá e não encontrou nenhuma traça da greve de 1857. Nem nos jornais da grande imprensa da época, nem em qualquer outra fonte de memórias das lutas operárias.

Ela afirma e reafirma que essa greve nunca existiu. É um mito criado a partir da confusão entre a greve de 1910, nos EUA; a de 1917, na Rússia e o incêndio de 1911, em Nova Iorque.

Pouco a pouco, o mito dessa greve das 129 operárias queimadas vivas se firmou e apagou da memória histórica das mulheres e dos homens outras datas reais de greves e congressos socialistas que determinaram o Dia das Mulheres, sua data de comemoração e seu caráter político.

Dia Internacional da Mulher

Já em 1970, o mito das mulheres queimadas vivas estava firmado. Rapidamente foi feita a síntese de uma greve que nunca existiu, a de 1857, com as outras duas, de costureiras, que ocorreram em 1910 e 1911, em Nova Iorque. Nesse ano de 1970, com centenas de milhares de mulheres americanas participando de enormes manifestações contra a guerra do Vietnã e com um forte movimento feminista, em Baltimore, EUA, é publicado o boletim, Mulheres-Jornal da Libertação. Neste já se reafirmava e se consolidava a versão do mito de 1857.

Mas essa confusão não foi aceita tranquilamente, na França, por todas e todos. O boletim nº 0, de 8 de março de 1977, História d ’Elas, publicado em Paris, alerta para esta mistura de datas e diz que, em longas pesquisas, nada se encontrou sobre a famosa greve de Nova Iorque, em 1857. Mas o alerta não teve eco. Dolores Farias, no seu artigo no Brasil de Fato, nº 2, nos lembra que, em 1975, a ONU declarou a década de 75 a 85 como a década da mulher e reconheceu o 8 de março como o seu dia. Logo após, em 1977, a Unesco reconhece oficialmente este dia como o Dia da Mulher, em homenagem às 129 operárias queimadas vivas. No ano de 1978, o prefeito de Nova Iorque, na resolução nº 14, de 24/1, reafirma o 8 de março como Dia Internacional da Mulher, a ser comemorado oficialmente na cidade de Nova Iorque. Na resolução, cita expressamente a greve das operárias de 1857, por aumento de salário e por 12 horas de trabalho diário, e mistura esta greve fictícia com uma greve real que começou em 22/11/1909. O mito estava fixado, firmado e consolidado. Agora era só repeti-lo.

Por que a Cor Lilás

A partir de 1980, o mundo todo contará esta história acreditando ser verdadeira. Aparecerá até um pano de cor lilás, que as mulheres estariam tecendo antes da greve. Daquela greve que não existiu. A mitologia nasce assim. Cada contador acrescenta um pouquinho. “Quem conta um conto aumenta um ponto”, diz nosso ditado.

Por que não vermelho? Porque vermelhas eram as bandeiras das mulheres da Internacional. Vermelhas eram as bandeiras de Clara Zetkin, Rosa Luxemburgo e Alexandra Kollontai, delegadas dos seus partidos, à 1ª Conferência das Mulheres Socialistas, em 1907; e da segunda, na Dinamarca, em 1910. Nesta Conferência foi decidido que as delegadas, nos seus países, deveriam comemorar o Dia da Mulher Socialista.

A origem da cor lilás está na retomada do feminismo, nos anos 60. O vermelho estava muito ligado aos Partidos Comunistas do Bloco Soviético que, na verdade, já tinham muito pouco de socialismo, ou de comunismo. Além disso, historicamente, vários desses partidos, pouco apoio haviam dado às lutas específicas das mulheres.

A expressão “Libertação da Mulher” não era própria destes partidos. Neles, a luta da mulher era vista quase só com o objetivo de integrá-la à luta de classes. A luta feminista, para muitos comunistas, só atrapalhava a luta geral do proletariado. Tirava forças da luta principal.

Foi nesse clima que, nas décadas de 60 e 70, a luta feminista foi retomada, num processo de auto-organização das mulheres. No movimento feminista havia uma forte crítica à prática da maioria dos partidos e sindicatos. Muitos movimentos se organizaram de forma autônoma, lutando para garantir sua independência. Assim, foi adotada a cor roxa, como uma nova síntese entre as cores azul e rosa. O vermelho das bandeiras das mulheres da Internacional ficou esquecido.

O roxo já havia ensaiado seus primeiros passos entre os anos 1914 e 1918, na Inglaterra, pelas mulheres sufragistas. Ele, que historicamente representava a cor da nobreza, e, consequentemente, a nobreza da alma feminina. Naqueles mesmos anos, as bandeiras desfraldadas pelas mulheres socialistas e comunistas eram vermelhas. Hoje, a nova cor, o roxo, abrange tanto a luta das mulheres socialistas quanto a daquelas que se opõem exclusivamente ao jugo do machismo. Dentre estas últimas estão mulheres trabalhadoras e outras pertencentes à classe burguesa que, obviamente, rejeitam o socialismo como programa político.

Dia Internacional da Mulher

A libertação da mulher: uma luta socialista

A idéia da libetação da mulher nasceu no terreno fértil do movimento socialista mundial, no final do século XIX e começo do século XX.

As raízes desta batalha podem ser encontradas nos escritos de Marx e Engels. A visão da família, da mulher proletária e da buuguesa que permeiam o livro A Origem da Família, da Propriedade e do Estado, de Engels, é a base da visão dos socialistas da necessidade da libertação da mulher proletária. A frase de Marx “A opressão do homem pelo homem iniciouse com a opressão da mulher pelo homem” é uma síntese da sua visão sobre o assunto. Estas idéias demoraram em dar seus frutos, mas deram.

Dia Internacional da Mulher

Contemporâneos de Marx, Paul Lafargue e Laura Marx foram batalhadores da igualdade e da libertação feminina, em seus vários escritos, sobretudo em seu livro mais conhecido Direito à Preguiça.

Clara Zetkin, desde 1890, logo após a fundação da Internacional Socialista, começou a falar, escrever e organizar a luta das mulheres visando a integrá-las à luta socialista. Visando a que elas tomassem seu lugar na luta de classes, na revolução socialista que estava próxima. Fora da 2ª Internacional, a tradição anarquista de uma parte do movimento operário também exigia a igualdade de homens e mulheres. A realidade, naquele começo do movimento da classe trabalhadora ainda era dura: partido e sindicato eram coisas de homem. Mas, mesmo nesse ambiente desfavorável, grandes mulheres passaram a discutir com as maiores lideranças da época e deixaram suas marcas em livros e artigos e na organização das forças revol ucionárias.

Foi neste embate de idéias que um dos teóricos da Internacional, August Bebel, escreveu seu livro A mulher e o socialismo. E é nesse grande rio que deságua o célebre A nova mulher e a moral sexual, de Alexandra Kollontai.

Nesse ambiente de lutas operárias e de discussões teóricas, no campo socialista, é que nasceu a luta pela participação política e, pouco a pouco, pela libertação da mulher.

A partir do começo do século XX, essa batalha das socialistas se cruzou com a luta do movimento das mulheres independentes, em sua maioria pertencentes às classes média e alta, que estavam em campanha pelo direito de voto. Essas mulheres, sobretudo nos Estados Unidos e Inglaterra, ao reivindicar o sufrágio para as mulheres, ficaram conhecidas como as sufragistas e suas relações com as socialistas eram de conflito. As mulheres socialistas criam o Dia da Mulher Desde 1901, nos EUA, logo após a criação do Partido Socialista, surge a União Socialista das Mulheres, com a finalidade de reivindicar o direito de voto feminino. Entre os anos 1904 e 1908, sempre nos Estados Unidos, nascem vários clubes de mulheres, uns intimamente ligados ao Partido Socialista, outros mais autônomos, anarquistas ou não. Todos exigiam o direito de voto para as mulheres.

Em 1908, a Federação dos Clubes de Mulheres Socialistas de Chigaco toma a iniciativa, autônoma, não ligada oficialmente ao Partido Socialista, de chamar para um Dia da Mulher, num teatro da cidade. Era o domingo, 3 de maio. Os debates do dia tinham dois temas de pauta: 1 – A educação da classe trabalhadora, 2 – A mulher e o Partido Socialista.

Nessa conferência, o palestrante, Ben Hanford repetiu uma das idéias-chaves de Engels no seu A origem da família da propriedade e do Estado: As mais exploradas são as mães do nosso povo. Elas estão de mãos e pés amarrados pela dependência econômica. São forçadas a vender-se no mercado do casamento, como suas irmãs prostitutas no mercado público. Mas não foi esse encontro independente, no teatro The Garrick, de Chicago, que foi reconhecido pelo Partido Socialista como começo da comemoração do Dia da Mulher. A iniciativa desse dia tinha nascido fora da estrutura oficial do Partido.

O primeiro dia da Mulher, nacional, assumido pelo Partido, foi no ano seguinte, em Nova Iorque, em 28 de fevereiro de 1909. Em outras cidades do País, como Chicago, o dia foi celebrado em outras datas. O objetivo desse dia, convocado pelo Comitê Nacional da Mulher do Partido Socialista americano, era obter o direito de voto e abolir a escravidão sexual. O panfleto de convocação dizia: A realização da revolução das mulheres é um dos meios mais eficazes para a revolução de toda a sociedade.

Desde o começo do século, nos EUA havia um importante movimento pelo voto feminino, fora da órbita dos socialistas. A maioria das mulheres do Partido considerava esse movimento como de “mulheres brancas e de classe média”.

Porém, dentro do Partido Socialista havia um constante vai-e-vem sobre esse tema. Por seu lado, as mulheres anarquistas não viam nenhum sentido na luta pelo voto. Nem das mulheres e nem dos homens. O meio para construir uma nova sociedade e a igualdade entre homens e mulheres, na visão anarquista, não seria certamente o voto, e sim a ação direta revolucionária.A principal representante desta visão era a revolucionária Emma Goldman. O ambiente americano favorecia a reivindicação do direito de voto. Até o ano de 1909, somente em quatro estados era reconhecido o direito ao voto feminino. A extensão do voto para toda mulher americana, só viria em 1920.

Na Europa, o movimento das mulheres socialistas, liderado por Clara Zetkin, também era cheio de zigue-zagues.

No começo, dentro da Internacional, se levava uma guerra sistemática contra o voto feminino, visto como uma forma de desviar as forças revolucionárias das mulheres e considerado como uma reivindicação burguesa. Era assim que eram tachadas as sufragistas, pelos socialistas.

Essa visão européia será adotada pelo Partido Socialista americano, em meio a grandes debates e com vozes discordantes.

Mas no meio de todas as contradições desse debate, em 1907, em Stuttgart, Alemanha, na 1ª Conferência Internacional das Mulheres Socialistas, 58 delegadas de 14 países elaboraram uma proposição que comprometia os vários Partidos Socialistas a entrar na luta pelo voto feminino. A resolução foi elaborada, na véspera, na casa de Clara Zetkin, por ela e duas camaradas, suas hóspedes: Rosa Luxemburgo e a única russa da Conferência, Alexandra Kollontai.

É nesse clima de embates que, em 1910, o Partido Socialista Americano organiza, pela segunda vez, o Dia da Mulher no último domingo de fevereiro, em Nova Iorque. O objetivo do dia é declarado sem rodeios no convite: Arrolar as mulheres no exército dos camaradas da revolução social.

Dia Internacional da Mulher

Esta comemoração, de 1910, foi marcada por uma grande participação de operárias. Eram as costureiras da cidade que haviam terminado uma longa greve pelo direito de ter o seu sindicato reconhecido. A greve durou de 22 de novembro de 1909 até 15 de fevereiro de 1910, quase na véspera do Dia da Mulher. Foi uma greve longa, dura, com fortes piquetes reprimidos com violência pela polícia, que prendeu mais de 600 pessoas. Encerrada a greve, as costureiras participaram ativamente da preparação e da realização do Dia da Mulher chamado pelo Partido Socialista.

Dois meses depois, em maio, no congresso do partido, realizado em Chicago, foi deliberado que o partido americano enviaria delegados ao Congresso da Internacional, a ser realizado em agosto, com a tarefa, entre outras, de propor ao plenário que o Dia da Mulher fosse assumido pela Internacional. Esse dia deveria tornar-se o Dia Internacional da Mulher, a ser celebrado pelos socialistas, no último domingo de fevereiro de cada ano.

Em agosto desse ano, antes do Congresso da Internacional, se realizou em Copenhague, na Dinamarca, a 2ª Conferência Internacional das Mulheres Socialistas. Foi então que as delegadas americanas levaram a proposta aprovada no Congresso do seu partido. Assim, aceitando a proposta das delegadas dos Estados Unidos, Clara Zetkin e outras camaradas propõem a realização anual do Dia Internacional da Mulher.

O dia ficou indefinido, a cargo de cada país comemorar o seu dia na melhor data. A resolução aprovada será publicada logo em seguida, no jornal dirigido por Clara, A Igualdade , em 29 de agosto.

“As mulheres socialistas de todas as nações organizarão um Dia das Mulheres específico, cujo primeiro objetivo será promover o direito de voto das mulheres. É preciso discutir esta proposta, ligando-a à questão mais ampla das mulheres, numa perspectiva socialistas.” A partir dessa Conferência, as mulheres socialistas passarão a comemorar o Dia Internacional das Mulheres, sempre aos domingos.

Nos primeiros três anos, após esta resolução, este dia, na maioria dos países, é marcado para o último domingo de fevereiro.

Dia Internacional da Mulher

O Dia da Mulher se fixa em 8 de Março

Na Europa, a primeira celebração do Dia Socialista das Mulheres aconteceu em 19 de março de 1911, por decisão da Secretaria da Mulher Socialista, órgão da Internacional. Alexandra Kollontai, que propôs a data, diz que foi para lembrar um levante de mulheres proletárias, na Prússia, em 19 de março de 1848. Nesse dia, escreveu Kollontai, as mulheres conseguiram do rei da Prússia a promessa, depois não cumprida, de obter direito de voto.

Nos EUA, a tradição de realizar o Dia da Mulher no último domingo de fevereiro se repetiu em 1911, 1912 e 1913. Em 1914, será comemorado em 19 de março, seguindo a indicação da Kollontai. Nos vários países da Europa, após a decisão da 2ª Conferência, onde havia um partido socialista, se começou a comemorar o Dia da Mulher. Na Suécia, a primeira comemoração foi em 1º de março de 1911. O mesmo aconteceu na Itália. Na França, o começo do Dia da Mulher foi em 1914, comemorado dia 9 de março, próximo ao Dia da Mulher na Alemanha.

Em 1914, pela primeira vez, na Alemanha, as mulheres socialistas marcam data do Dia da Mulher para 8 de março. Não se explicou o porquê dessa data, pois não precisava. Era um detalhe sem interesse. A data era totalmente indiferente. Importante era a realização do dia. Na Rússia, sob da opressão do czar, o primeiro Dia da Mulher só foi comemorado em 3 de março de 1913. Em 1914 todas as organizadoras do Dia da Mulher foram presas e com isso não houve comemoração. Em plena Guerra Mundial, em 1917, na Rússia, as mulheres socialistas realizaram seu Dia da Mulher no dia 23 de fevereiro, pelo calendário russo. No calendário ocidental, a data correspondia ao dia 8 de Março. Foi nesse dia que explodiu a greve espontânea das tecelãs e costureiras de Petrogrado.

Nesse dia, um grande número de mulheres operárias, na maioria tecelãs e costureiras, contrariando a decisão do Partido, que achava que aquele não era o momento para qualquer greve, saíram às ruas em manifestação por pão e paz.

Declararam-se em greve. Essa manifestação foi o estopim do começo da primeira fase da Revolução Russa, conhecida depois como a Revolução de Fevereiro. Em outubro o Partido Bolchevique lidera a grande Revolução Russa, nos dez dias que abalaram o mundo.

Dia Internacional da Mulher

Essa greve foi documentada nos escritos de Trotsky e de Alexandra Kollontai, ambos membros do Comitê Central do Partido Operário Socialdemocrata Russo e ambos, depois, proscritos pelo stalinismo vencedor. Kollontai escreve: “O dia das operárias, 8 de Março, foi uma data memorável na história. Nesse dia as mulheres russas levantaram a tocha da revolução.”

Mas o texto que melhor nos conta os fatos da greve das operárias da Petrogrado é um longo trecho de Leon Trotsky, no primeiro volume de seu livro História da Revolução Russa. Vale a pena acompanhá-lo:

“O 23 de fevereiro era o Dia Nacional das Mulheres”. Programava-se, nos círculos da socialdemocracia, de mostrar o seu significado com os meios tradicionais: reuniões, discursos, boletins. Na véspera, ninguém teria imaginado que este Dia das Mulheres pudesse ter inaugurado a revolução. Nenhuma organização planejava alguma greve para aquele dia. Ainda por cima, uma das combativas organizações bolcheviques, o Comitê dos tecelões de rayon, formado essencialmente por operários, desaconselhava qualquer greve. O estado de espírito da massa, segundo Kaiurov, um dos chefes operários deste setor, era muito tenso e cada greve ameaçava tornar-se um confronto aberto.

O Comitê julgava que o momento de começar hostilidades ainda não tinha chegado e que o Partido ainda não tinha forças suficientes e, ao mesmo tempo, a união entre soldados e operários ainda era insuficiente. Por isso tinha decidido não chamar para greve, mas para se preparar para a ação revolucionária, num futuro ainda não definido.

Esta era a linha de conduta preconizada pelo Comitê, na véspera do dia 23, e parecia que todos a tivessem aceitado. Mas, na manhã seguinte, contra todas as orientações, as operárias têxteis abandonaram o trabalho em várias fábricas e enviaram delegadas aos metalúrgicos para pedir-lhes que apoiassem a greve.

Foi a contra-gosto, escreve Kaiurov, que os bolcheviques, seguidos pelos operários mencheviques e pelos socialistas de esquerda se juntaram à marcha. Como se tratava de uma greve de massa, era necessário comprometer todo mundo para sair às ruas e estar à frente do movimento. Esta foi a resolução proposta por Kaiurov e o Comitê de Vyborov se sentiu forçado a aprová-la.

Pelos fatos, é então certo que a Revolução de Fevereiro foi iniciada por elementos da base que passaram por cima da oposição das suas organizações revolucionárias, e que a iniciativa foi tomada espontaneamente por um contingente do proletariado explorado e oprimido mais que todos os outros, as operárias têxteis. (...) O empurrão final veio das enormes filas de espera em frente às padarias”.

Em 1921, realizou-se, em Moscou, na URSS, a Conferência das Mulheres Comunistas que adota o dia 8 de Março como data unificada do Dia Internacional das Operárias. A partir dessa Conferência, a 3ª Internacional, recém-criada, espalhará a data 8 de Março como data das comemorações da luta das mulheres. Um dia esquecido e depois reinventado Na Rússia comunista, após a vitória da Revolução de Outubro, nos primeiros anos do novo regime, o dia 8 de Março era comemorado todo ano, como o Dia Internacional da Mulher Comunista.

O dia, pouco a pouco, perdeu seu interesse e o adjetivo comunista foi caindo à medida que o ímpeto revolucionário da União Soviética começou a se arrefecer.

Nos últimos anos da década de 20 e, sobretudo, nos anos 30, o Dia Internacional da Mulher, seja comunista ou socialista, se perderá na tormenta que se abateu sobre o mundo. A ascensão do nazismo na Alemanha, o triunfo do stalinismo na URSS e o declínio da socialdemocracia na Europa e o vendaval da 2ª Guerra Mundial enterram as manifestações do Dia das Mulheres.

Dia Internacional da Mulher

Fora dos países comunistas, no Ocidente a humanidade só voltará a falar do Dia da Mulher, no final dos anos 60. Nesse lapso de tempo, o marco do 8 de Março, data da greve das operárias de Petrogrado, de 1917, foi esquecido.

A data da vitória das revolucionárias rebeldes russas, que impôs a derrota do absolutismo do Czar e deslanchou a Revolução Russa, não interessava aos comunistas do mundo todo. Estes, quase todos, viviam anestesiados pelos encantos ou pelo terror stalinista. Retornar a lembrança daquele 8 de Março das operárias revolucionárias de Petrogrado também não interessava à Socialdemocracia, rejuvenescida após a destruição da guerra e em conflito aberto com o comunismo dos países do bloco soviético.

8 de Março: uma data a celebrar

Menos que menos, a data do 8 de Março de 1917, na nascente URSS, interessava o bloco capitalista ocidental, inimigo mortal da Rússia comunista.

Foi assim, sem precisar de uma conspiração organizada por um suposto império do mal, que na Alemanha comunista, em 1966, a Federação das Mulheres Comunistas retornou o Dia da Mulher.

Vimos que o fizeram de forma confusa, misturando fatos com fantasias, inventando datas e detalhes. E foi assim, sem nenhuma deliberação conspiratória, que o mito que acabava de ser criado, em 1966, no Leste Europeu, começou a ser divulgado e foi depois enriquecido fartamente, nos EUA do final dos anos 60 e em todo o mundo ocidental.

Depois disso, era só enriquecer o mito. O que foi feito, até sua cristalização em 75, com a ONU e logo depois com a Unesco, em 1977. Derrubar o mito de origem da data 8 de Março não implica desvalorizar o significado histórico que este adquiriu. Muito ao contrário. Significa enriquecer a comemoração desse dia com a retomada de seu sentido original.

Significa voltar às origens, para que a cepa-mãe do ideal socialista possa alimentar, sem medos, e sem vergonha pelas derrotas sofridas pelas revoluções perdidas no século XX, a árvore, ainda frágil, da luta pelos direitos e pela libertação total das mulheres.

Significa integrar todos os novos e importantíssimos aspectos da luta da libertação da mulher, descobertos com a evolução histórica da humanidade no século XX, com a retomada de suas raízes socialistas.

Integrar à clássica luta socialista/comunista do começo do século, as contribuições de Wilhem Reich, Simone de Beauvoir, Herbert Marcuse, Samora Machel, Betty Friedann, Rose Marie Muraro e milhares de ativistas, militantes e organizadoras da luta das mulheres, no mundo inteiro.

Sem medo da felicidade, sem medo do prazer. Sem medo de lutar por uma revolução, que deverá ser social, sexual, e profundamente cultural.

Sem medo de levantar as bandeiras vermelhas da luta pela libertação da humanidade. A libertação de homens e mulheres.

Datas básicas sobre a origem do 8 de Março

1900-1907

Movimento das Sufragistas pelo voto feminino nos EUA.

1907

Em Stuttgart, é realizada a 1ª Conferência da Internacional Socialista com a presença de Clara Zetkin, Rosa Luxemburgo e Alexandra Kollontai. . Uma das principais resoluções: Todos os partidos socialistas do mundo devem lutar pelo sufrágio feminino.

1908

Em Chicago (EUA), no dia 3 de maio, é celebrado, pela primeira vez, o Woman´s Day. A convocação é feita pela Federação Autônoma de Mulheres.

1909

Novamente em Chicago, mas com nova data, último domingo de fevereiro, é realizado o Woman ´s Day. O Partido Socialista Americano toma a frente.

1910

A terceira edição do Woman’s Day é realizada em Chicago e Nova Iorque, chamada pelo Partido Socialista, no último domingo de fevereiro.

Em Nova Iorque, é grande a participação de operárias devido a uma greve que paralisava as fábricas de tecido da cidade. Dos trinta mil grevistas, 80% eram mulheres.

Essa greve durou três meses e acabou no dia 15/02, véspera do Woman’s Day. - Em maio, o Congresso do Partido Socialista Americano delibera que as delegadas ao Congresso da Internacional, que seria realizado em Copenhague, na Dinamarca, em agosto, defendam que a Internacional assuma o Dia Internacional da Mulher.

Este deve ser comemorado no mundo inteiro, no último domingo de fevereiro, a exemplo do que já acontecia nos EUA. - Em agosto, a 2ª Conferência Internacional da Mulher Socialista, realizada dois dias antes do Congresso, delibera que: as mulheres socialistas de todas as nacionalidades organizarão (...) um dia das mulheres específico, cujo principal objetivo será a promoção do direito a voto para as mulheres.

Não é definida uma data específica.

1911

Durante uma nova greve de tecelãs e tecelões, em Nova Iorque, morrem 146 grevistas, a causa de um incêndio devido a péssimas condições de segurança. Na Alemanha, Clara Zetkin lidera as comemorações do Dia da Mulher, em 19 de março.

(Alexandra Kollontai diz que foi para comemorar um levante, na Prússia, em 1848, quando o rei prometeu às mulheres o direito de voto). Nos Estados Unidos, o Dia da Mulher é comemorado em 26/02 e na Suécia, em 1º de Maio.

1912

Nos Estados Unidos, o Dia da Mulher é comemorado em 25/02

1912 e 1913

Na Alemanha, o Dia da Mulher é comemorado em 19/3.

1913

Na Rússia é comemorado, pela primeira vez, o Dia da Mulher, em 3/3.

1914

Pela primeira vez, a Secretaria Internacional da Mulher Socialista, dirigida por Clara Zetkin, indica uma data única para a comemoração do Dia da Mulher: 8 de Março. Não há explicação sobre o porquê da data. A orientação foi seguida na Alemanha, Suécia e Dinamarca. Nos Estados Unidos, o Dia da Mulher foi comemorado em 19/03

1917

No dia 8 de Março de 1917 (27 de fevereiro no calendário russo) estoura uma greve das tecelãs de São Petersburgo. Esta greve gera uma grande manifestação e dá início à Revolução Russa.

1918

Alexandra Kollontai lidera, em 8/3, as comemorações pelo Dia Internacional da Mulher, em Moscou, e consagra o 8/3 em lembrança à greve do ano anterior, em São Petersburgo.

1921

A Conferência das Mulheres Comunistas aprova, na 3ª Internacional, a comemoração do Dia Internacional Comunista das Mulheres e decreta que, a partir de 1922, será celebrado oficialmente em 8 de Março.

1955

Dia 5/3 L´Humanité, Jornal do PCF fala pela primeira vez da greve de 1857 em Nova Iorque. Não fala da morte das tecelãs queimadas vivas.

1966

A Federação das Mulheres Comunistas da Alemanha Oriental retoma o Dia Internacional das Mulheres e, pela primeira vez, conta a versão das 129 mulheres queimadas vivas.

1969

Nos Estados Unidos, o movimento feminista ganha força. Em Berkley, é retomada a comemoração do Dia Internacional da Mulher.

1970

O jornal feminista Jornal da Libertação, em Baltimore, nos EUA consolida a versão do mito de 1857.

1975

A ONU decreta, 75-85, a Década da Mulher.

1977

A Unesco encampa a data 8/3 como Dia da Mulher e repete a versão das 129 mulheres queimadas vivas.

1978

O prefeito de Nova Iorque decreta dia de festa, no município, o dia 8 de Março, em homenagem às 129 mulheres queimadas vivas. No Brasil:

1945

O PCB cria a União Feminina contra a carestia.

1947

O 8 de Março é comemorado pela primeira vez no Brasil.

1948

Com o PCB na ilegalidade, a passeata do 8 de Março é proibida, no Rio.

1949

É editado, pela primeira vez, no Brasil, o livro de Alexandra Kollontai, A Nova Mulher e a Moral Sexual.

1950

Em 8 de Março, a Federação das Mulheres do Brasil retoma a comemoração do Dia Internacional da Mulher.

Fonte: www.piratininga.org.br

Dia Internacional da Mulher

As mulheres do Século XVIII eram submetidas à um sistema desumano de trabalho, com jornadas de 12 horas diárias, espancamentos e ameaças sexuais

Dia Internacional da Mulher8 de março, está intimamente ligado aos movimentos feministas que buscavam mais dignidade para as mulheres e sociedades mais justas e igualitárias. É a partir da Revolução Industrial, em 1789, que estas reivindicações tomam maior vulto com a exigência de melhores condições de trabalho, acesso à cultura e igualdade entre os sexos. As operárias desta época eram submetidas à um sistema desumano de trabalho, com jornadas de 12 horas diárias, espancamentos e ameaças sexuais.

Dentro deste contexto, 129 tecelãs da fábrica de tecidos Cotton, de Nova Iorque, decidiram paralisar seus trabalhos, reivindicando o direito à jornada de 10 horas. Era 8 de março de 1857, data da primeira greve norte-americana conduzida somente por mulheres. A polícia reprimiu violentamente a manifestação fazendo com que as operárias refugiassem-se dentro da fábrica. Os donos da empresa, junto com os policiais, trancaram-nas no local e atearam fogo, matando carbonizadas todas as tecelãs.

Em 1910, durante a II Conferência Internacional de Mulheres, realizada na Dinamarca, foi proposto que o dia 8 de março fosse declaradoDia Internacional da Mulher em homenagem às operárias de Nova Iorque.

A partir de então esta data começou a ser comemorada no mundo inteiro como homenagem as mulheres.

Mulher

Você que busca no dia a dia sua
independência, sua liberdade, sua
identidade própria;

Você que luta profissional e 
emocionalmente, para ser 
valorizada e compreendida;

Você que a cada momento tenta ser a
companheira, a amiga, a "rainha do lar";

Você que batalha incansavelmente por seus
próprios direitos e também por um mundo
mais justo e por uma sociedade sem
violências;

Você que resiste aos sarcasmos daqueles
que a chamam de, pejorativamente, de
feminista liberal e que já ocupa um 
espaço na fábrica, na escola, na 
empresa e na política;

Você, eu, nós que temos a capacidade de
gerar outro ser, temos também o dever de
gerar alternativas para que a nossa Ação
criadora, realmente ajude outras
mulheres a conquistarem
a liberdade de Ser...

Ilsa da Luz Barbosa

Mulheres

Mulheres serenas, promessas de nada.
mulheres de vento, de sopro divino,
mulheres de sonho, mulheres sentido,
mulheres da vida, melhor ter vivido...
Mulheres de tempo, em que tudo que havia fazia sentido,
mulheres que eu vejo, no sol de janeiro,
mulheres saídas de potes de vidro,
mulheres faceiras, as mais feiticeiras, melhor ter sorrido...

mulheres de tantos e tantos perigos,

mulheres de vinho e de vã harmonia,
mulheres convívio,
mulheres no cio, as mais parideiras, melhor ter nascido...

mulheres de luzes e de absinto,
mulheres que um dia sonhei colorido,
mulheres de santos, mulheres de igrejas,
as mais rezadeiras, melhor sacrifício

mulheres que um dia deitaram comigo,
mulheres tão lindas e de maior juízo,
mulheres de danças,
as tranças nos ombros, meus olhos caídos....

mulheres que fecham a vã poesia,
mulheres que o ouro não tem nem princípio,
mulheres de outono,
o seu abandono, melhor ter carinho...

mulheres de um tempo em que estive sozinho,
mulheres de riso abrindo janelas,
mulheres que sonham,
seu sono macio, melhor o seu ninho....

mulheres do dia e da noite, eternos,
mulheres que lutam, raízes na terra,
mulheres que as feras,
no meio da noite, não mais intimidam...

mulheres espera, no mar do abandono,
mulheres teares, tecendo seu linho,
mulheres tão loucas,
Seu beijo na boca, uma taça de vinho....

Vito Cesar

Mulher da vida, minha irmã

Mulher da Vida, minha Irmã.
De todos os tempos.
De todos os povos.
De todas as latitudes.
Ela vem do fundo imemorial das idades e
carrega a carga pesada dos mais
torpes sinônimos,
apelidos e apodos:
Mulher da zona,
Mulher da rua,
Mulher perdida,
Mulher à-toa.
Mulher da Vida, minha irmã.
Pisadas, espezinhadas, ameaçadas.
Desprotegidas e exploradas.
Ignoradas da Lei, da Justiça e do Direito.
Necessárias fisiologicamente.
Indestrutíveis.
Sobreviventes.
Possuídas e infamadas sempre por
aqueles que um dia as lançaram na vida.
Marcadas. Contaminadas,
Escorchadas. Discriminadas.
Nenhum direito lhes assiste.
Nenhum estatuto ou norma as protege.
Sobrevivem como erva cativa dos caminhos,
pisadas, maltratadas e renascidas.
Flor sombria, sementeira espinhal
gerada nos viveiros da miséria, da
pobreza e do abandono,
enraizada em todos os quadrantes da Terra.
Um dia, numa cidade longínqua, essa
mulher corria perseguida pelos homens que
a tinham maculado. Aflita, ouvindo o
tropel dos perseguidores e o sibilo das pedras,
ela encontrou-se com a Justiça.
A Justiça estendeu sua destra poderosa e
lançou o repto milenar:
“Aquele que estiver sem pecado
atire a primeira pedra”.
As pedras caíram
e os cobradores deram s costas.
O Justo falou então a palavra de equidade:
“Ninguém te condenou, mulher...
nem eu te condeno”.
A Justiça pesou a falta pelo peso
do sacrifício e este excedeu àquela.
Vilipendiada, esmagada.
Possuída e enxovalhada,
ela é a muralha que há milênios detém
as urgências brutais do homem para que
na sociedade possam coexistir a inocência,
a castidade e a virtude.
Na fragilidade de sua carne maculada
esbarra a exigência impiedosa do macho.
Sem cobertura de leis
e sem proteção legal,
ela atravessa a vida ultrajada
e imprescindível, pisoteada, explorada,
nem a sociedade a dispensa
nem lhe reconhece direitos
nem lhe dá proteção.
E quem já alcançou o ideal dessa mulher,
que um homem a tome pela mão,
a levante, e diga: minha companheira.
Mulher da Vida, minha irmã.
No fim dos tempos.
No dia da Grande Justiça
do Grande Juiz.
Serás remida e lavada
de toda condenação.
E o juiz da Grande Justiça
a vestirá de branco em
novo batismo de purificação.
Limpará as máculas de sua vida
humilhada e sacrificada
para que a Família Humana
possa subsistir sempre,
estrutura sólida e indestrurível
da sociedade,
de todos os povos,
de todos os tempos.
Mulher da Vida, minha irmã.
Declarou-lhe Jesus:
“Em verdade vos digo
que publicanos e meretrizes
vos precedem no Reino de Deus”.
Evangelho de São Mateus 21, ver.31.

Cora Coralina
Poesia dedicada, por Coralina, ao Ano Internacional da Mulher em 1975.

Ser mulher

Ser mulher, vir à luz trazendo a alma talhada
para os gozos da vida, a liberdade e o amor,
tentar da glória a etérea e altívola escalada,
na eterna aspiração de um sonho superior...

Ser mulher, desejar outra alma pura e alada
para poder, com ela, o infinito transpor,
sentir a vida triste, insípida, isolada,
buscar um companheiro e encontrar um Senhor...

Ser mulher, calcular todo o infinito curto
para a larga expansão do desejado surto,
no ascenso espiritual aos perfeitos ideais...

Ser mulher, e oh! atroz, tantálica tristeza!
ficar na vida qual uma águia inerte, presa
nos pesados grilhões dos preceitos sociais!

Gilka Machado

Mulheres I

Não me bastam os cinco sentidos para perceber-lhes toda a beleza. Não me bastam os cinco sentidos para viver com totalidade o mistério profundo que elas trazem consigo. Eu tenho é que tocá-las, cheirá-las, acariciá-las, penetrar-lhes o sorriso, sentir o seu perfume, beijar-lhes o céu da boca, ouvir suas histórias, transformá-las em deusas. Tenho que dar-lhes o amor que o meu corpo conduz e sustenta-me a alma. O belo amor natural de todos os corpos e almas e coisas do mundo. Como espelho de paixões em labareda, tenho que sentir nos seus olhos um raro brilho diamante.

Eu as respeito e as venero, com a graça de um cisne satisfeito nadando num lago tranquilo e a ousadia de um touro selvagem recém-despertado. Não lhes faço perguntas, não as pressiono por nada, não quero mudá-las jamais. Sempre imagino o que possam sonhar, e procuro suavemente entrar no sonho delas. Cavalgo o vento para visitar-lhes as razões, as emoções, as loucuras. E como um deus escandaloso e surpreso por sua própria criatura, eu entro então no coração de cada uma delas, deliciosamente, como se entrasse numa pulsante catedral. Mergulho na essência dos seus desejos e cada vez me espanto mais com tanta fantasia, com tanta formosura. Os cinco sentidos, por não serem precisos, ainda não bastam, e eu preciso mais do que isso para compreendê-las.

Toda mulher é silenciosa por dentro. A existência pura se manifesta em cada detalhe. Assim na terra como no céu, amar as mulheres é uma experiência religiosa. E eu as amo, fina substância, como deve amar quem ama de verdade -- incondicionalmente. Sem ciúmes. Eu amo as morenas, as loiras, as baixinhas, as altas, as lindas, as quase feias. Amo as virtuosas, as magras, as gordinhas, as diabólicas, as tímidas, e até as mentirosas. As iluminadas, as pecadoras, e as santíssimas. Amo as virgens, as pobres, as ricas, as loucas, as muito vivas, as inocentes. As bronzeadas pelo sol, e as branquinhas. As inteligentes, e as nem tanto. Desde que sensíveis, eu amo as jovens, as velhas, as solteiras, as casadas, as separadas. As bem-amadas, e as abandonadas. As livres, e as indecisas. E se me dessem o poder, o tempo, e, principalmente, a chance, eu a todas elas daria, todos os dias, um orgasmo cósmico e sublime. Poeticamente.

Apanharia flores silvestres, tomaria sol com todas elas. Andaríamos descalços na areia, contemplaríamos crepúsculos cor de abóbora, jantaríamos à luz de velas, dançaríamos, tomaríamos vinho branco, olharíamos as estrelas. E eu lhes faria poesias de amor. Puro como um anjo, amaria cada uma delas eternamente — uma por vez. Com delicadeza, com doçura, com profundidade, com inocência. Entusiasmado, como se cada uma fosse a única. Como se no mundo inteiro não houvesse mais nada, nem ninguém.

Todas as noites, passaria cremes e encantos no seu corpo. Falaria sobre fábulas, contaria histórias românticas, as veria dormir. Ao som de Vangelis, velaria por um tempo o sono delas, e de madrugada, antes do sol raiar, antes do primeiro pássaro cantar, as cobriria com o resto de luar que ainda houvesse, e sairia em silêncio. Como um felino lógico, sensual e saciado, deslizaria pelo cetim azul-celeste dos lençóis, saltaria por sobre todas as metáforas -- e sorrindo iria embora.

Enfim, se fosse Deus, eu com certeza não mais cuidaria do universo e dessas coisinhas banais. Não iria ficar controlando o destino das pessoas, o tempo, a pressa, os compromissos, as horas, o caminho dos planetas, a economia, o cotidiano, o infinito, a Internet, a geografia... Não!

Eu somente iria amar as mulheres, como elas merecem. E como nunca foram amadas.

Só isso, definitivamente. Nada mais, nada mais!

Edson Marques

Fonte: www.arteducacao.pro.br

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