Materiais necessários a auto-aplicação:
Frasco da insulina prescrita;
Agulha para aspiração da insulina (25x7 ou 25x8);
Agulhas para aplicação
Agulha convencional 13x3,8mm ou 13x4,5mm
Agulha ultra-fine 13x3,3mm
Seringas para insulina;
Algodão;
Álcool.
Desinfecção
Lavar bem as mãos com água e sabão;
Misturar a insulina rolando o frasco entre as mãos;
Limpar a tampa do frasco usando algodão e álcool.
Montagem da seringa de insulina
Deve-se usar 2 agulhas distintas, uma para aspiração da insulina e outra para a aplicação da mesma, em virtude da agulha ficar romba com a aspiração;
Injetar no frasco um volume de ar aproximadamente igual ao da insulina a ser retirado;
Virar o frasco e aspirar a insulina;
Tirar as bolhas de ar batendo com o dedo na parte da seringa onde as mesmas se encontrarem;
Observar se a dose da insulina está correta;
Retirar a agulha do frasco e trocá-la pela da aplicação;
Fazer a assepsia da região com algodão e álcool;
Segurar a insulina como um lápis (ângulo de 90 graus ou levemente inclinada);
Fazer uma prega cutânea e introduzir a agulha, soltando a pele e aspirando o êmbolo;
Caso apareça sangue não injetar a insulina, retirar a agulha e aplicar em outro local;
Injetar a insulina;
Terminada a aplicação, retirar a agulha e fazer leve pressão no local com algodão e álcool sem massagear.
Observações
Não toque na agulha, pois assim pode contaminá-la;
A mesma agulha e seringa pode ser utilizada até cerca de três vezes ou até a ponta da agulha ficar romba;
Não utilizar agulha ou seringa que foi utilizada por outra pessoa
Lembrar que, se for fazer associação de insulina, aplicar as duas insulinas misturadas na mesma seringa
Recentemente foi lançado no mercado insulinas em "canetas" o que facilita a administração da mesma, esta modalidade requer uma técnica mais simples de aplicação dispensando algumas das etapas orientadas anteriormente.
A insulina deve ser administrada por via sub-cutânea (debaixo da pele). Nas áreas com pouco tecido adiposo (gordura) podese usar as agulhas ultra-fine.
Regiões, na prática, pouco utilizadas:
Parte externa e superior dos braços;
Região superior dos glúteos.
Regiões, na prática, mais utilizadas:
Parte anterior e lateral das coxas;
Região abdominal (com exceção da área imediatamente superior e inferior
da cicatriz umbilical).
Rodízio da aplicação
Não é aconselhável a aplicação de insulina no mesmo local todos os dias. É importante fazer um rodízio sistemático das áreas de aplicação, possibilitando a absorção uniforme da mesma. Escolha uma das áreas sugeridas na ilustração acima e utilize-a para aplicação durante uma semana, mantendo a distância de 3cm entre uma injeção e outra. Na semana seguinte, escolha outra região e assim por diante.
Lembrar que, antes de uma atividade física, não se deve usar insulina no grupo muscular que será mais exercitado. Procure outra região para aplicação, pois o aumento do fluxo sanguíneo nesta região acarretará em uma absorção mais rápida da insulina e, conseqüentemente, em maior risco de hipoglicemia.
A insulina deve ser guardada em local fresco sem incidência de raios solares. Também pode ser guardada em geladeira, na parte baixa; alguns profissionais de saúde orientam não armazenar na porta devido às constantes variações de temperatura. Meia hora antes da aplicação deve-se aspirar a dose desejada e deixar que retorne à temperatura ambiente, pois a aplicação da insulina gelada dói. A insulina que fica fora da geladeira, inclusive a usada em canetas não deve ser utilizada por mais de 30 dias. Lembrar que, da mesma forma que a insulina não deve esquentar, também não deve congelar. Caso isso aconteça, despreze-a.
Em viagens, a insulina que está em uso não precisa de refrigeração, porém deve-se tomar o cuidado de não esquentar a insulina; desta forma, deve-se carregar em bolsas térmicas evitando o contato direto do gelo com a insulina.
É importante que o paciente em uso de insulina não se esqueça de aplicá-la. Se isso eventualmente acontecer:
O paciente deverá fazer uso da insulina quando se lembrar, porém numa dose menor, ou mesmo na dose plena se a glicose estiver alta;
O paciente diabético tipo 1, ou tipo 2, deve fazer uso de insulina mesmo quando estiver doente ou se alimentando pouco;
Estas orientações devem ser discutidas com o seu médico ou enfermeiro que pode adequar situações específicas.
Os pacientes em uso de insulina, ao apresentarem qualquer intercorrência aguda como quadros infecciosos, devem fazer uso de sua insulina usual, mesmo que estejam se alimentando pouco, já que o estresse orgânico é uma condição hiperglicemiante e deve-se manter os níveis basais de insulina para evitar cetoacidose diabética; a dose usada, porém, deve ser menor: 1/2 a 1/3 da dose usual e, se possível, fazer a monitorização prévia com a dosagem de glicemia capilar HGT (hemoglucoteste).
Esquema de uso de insulina regular (rápida) ou ultra-rápida
Caso o paciente, por algum motivo, apresente hiperglicemia pode ser usada a insulina rápida ou ultra-rápida, segundo o esquema:
0-150 mg/dl não administrar
151-200 mg/dl 2u SC
201-250 mg/dl 4u SC
251-300 mg/dl 6u SC
301-350 mg/dl 8u SC
351-400 mg/dl 10u SC
u = unidade
SC = Subcutâneo
O paciente deverá fazer novo HGT (Hemoglucoteste) após duas horas do uso da insulina, repetindo a mesma, segundo o esquema anterior até a normalização da glicemia.
Fonte: www.fachesf.com.br
Porque é necessário aplicar insulina?
O organismo humano precisa de um hormônio chamado insulina para transformar os alimentos na energia necessária ao funcionamento das células e dos órgãos. Pessoas normais produzem insulina em um órgão chamado pâncreas. Quando uma pessoa adquire diabetes, seu corpo progressivamente vai perdendo a capacidade de fabricar insulina. Em algum momento (geralmente, alguns anos após o início do diabetes tipo 2, ou logo no início do diabetes tipo 1), o indivíduo diabético precisa repôr a insulina que o seu corpo não consegue mais produzir. A forma de aplicar essa insulina é através de injeções, uma, duas ou mais vezes durante o dia.
A boa notícia é que atualmente existem novos tipos de insulina, que tornam bem mais fácil a tarefa de controlar os níveis de glicemia de pessoas diabéticas. O médico é quem vai avaliar qual o melhor tipo de tratamento para cada caso em particular, de acordo com as características, necessidades e estilo de vida do paciente
Quais são os tipos de insulina que existem?
A maior parte das insulinas disponíveis hoje no mercado brasileiro é do tipo “humana”, ou seja, são insulinas fabricadas em laboratório mas exatamente iguais à insulina produzida pelo próprio corpo humano. Em alguns lugares, ainda se pode encontrar insulinas animais (bovinas ou suínas), mas sua utilização é bastante restrita.
As insulinas podem ser classificadas, de acordo com seus tempos de ação, em lentas, intermediárias, rápidas e ultra-rápidas. Cada tipo de insulina vai ter seu próprio início de ação (tempo necessário para que a insulina comece a fazer efeito, depois de aplicada); pico de ação (período após a aplicação em que a insulina exerce seu maior efeito), e duração de ação (por quanto tempo a insulina fica agindo, no total, após a injeção).
Um resumo do perfil de ação das insulinas encontradas no Brasil pode ser visto abaixo:
a) Insulinas ultra-rápidas
Início de ação: 10 a 15 minutos; pico de ação: 30 a 90 minutos; duração de ação: 3 a 6 horas. Cor: transparente. Exemplo: insulina lispro (Humalog ®) e insulina aspart (Novorapid ®), e, em breve: insulina glulisina.
b) Insulinas rápidas
Início de ação: 30 a 60 minutos; pico de ação: 2 a 3 horas; duração de ação: 6 a 8 horas. Cor: transparente. Exemplo: insulina regular (Insuman R ®, Biohulin R ®, Humulin R ®, Novolin R ®).
c) Insulinas intermediárias
Início de ação: 2 a 4 horas; pico de ação: 6 a 10 horas; duração de ação: 14 a 18 horas. Cor: branca turva. Exemplo: insulina NPH (Insuman N ®, Biohulin N ®, Humulin N ®, Novolin N ®).
d) Insulinas lentas - Início de ação
2 horas; pico de ação: não faz pico (nível de ação constante, por isso causam menos hipoglicemia); duração de ação: 18 a 24 horas. Exemplo: insulina glargina (Lantus ®) e insulina detemir (Levemir ®).
Além desses tipos de insulina, existem disponíveis no mercado preparações contendo 2 tipos diferentes de insulina pré-misturadas, em frascos ou em refis para canetas. Exemplos são as misturas de NPH + regular (em proporções de 90/10, 85/15, 80/20, 75/25 ou 70/30), NPH + lispro (75/25) e NPH + aspart (70/30).
A insulina pode ser usada por alguma outra via, que não seja injetável?
Atualmente, todas as insulinas disponíveis no mercado brasileiro são para uso injetável (subcutâneo).
Há muitas pesquisas para tentar encontrar alguma forma alternativa de administrar insulina aos pacientes diabéticos, visto que muitos pacientes reclamam do desconforto da injeção (embora a dor e o risco de complicações sejam mínimos, se a insulina for aplicada com a técnica correta).
Uma apresentação para uso inalatório chegou a ser comercializada no Brasil por alguns meses, em 2007, mas foi retirada do mercado devido ao seu custo altíssimo e também pelos relatos de complicações pulmonares. Essa insulina inalável (nome comercial: Exubera) necessita de um aparelho inalador para ser administrada corretamente, e não pode ser usada por asmáticos ou fumantes. Talvez essa apresentação volte ao mercado num futuro próximo, dependendo do resultado de pesquisas que estão em andamento.
Vários pesquisadores também estão tentando criar apresentações de insulina para uso oral, ou para aplicação na mucosa da cavidade oral, embora existam muitas dificuldades técnicas para essa via de aplicação, já que a maior parte da insulina administrada no aparelho digestivo acaba sendo digerida e inativada pelas enzimas do próprio paciente.
Fonte: www.portalendocrino.com.br