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Pedras Preciosas

As verdes esmeraldas

As pedras verdes mais famosas do mundo, as esmeraldas, são uma variedade do mineral Berilo, tal e qual como as bonitas águas-marinhas. Conheça um pouco da sua história e das suas principais características.

O termo “esmeralda” vem do grego smaragdos, nome atribuído também a outras pedras verdes.

Esta gema tem uma história muito antiga. Foi relacionada com Vénus, a deusa romana do amor e com a correspondente babilônica Ishtar, tendo chegado a servir de moeda de troca nos mercados da Babilônia. No túmulo de Tutankhámon (rei faraó do antigo Egipto, 18ª dinastia) está talhado, em esmeralda, um escaravelho representando a ressurreição (a imortalidade da alma). Também Moisés (profeta, legislador e juiz hebreu) ordenou que se fizesse o grande peitoral de Aaron para as grandes cerimônias, com 12 pedras preciosas, entre as quais se pensa que estava a esmeralda. Cada uma dessas gemas tinha inscrito por baixo o nome de cada uma das 12 tribos de Israel.

Mas esta gema nem sempre foi tão apreciada como nos nossos dias. Por exemplo, na Colômbia, de onde provêem as melhores esmeraldas do mundo, durante a Antiguidade, os Azetecas e os Maias não a usavam em joalharia da mesma forma que o faziam com o Jade ou com a Turquesa, o mesmo acontecendo nas outras culturas centro-americanas.

As esmeraldas na Antiguidade provinham essencialmente do Egipto, rico em minas, e só mais tarde, no séc. XVI, depois da conquista espanhola da Colômbia é que a bela esmeralda colombiana entra na Europa. Foi em 1537 que os espanhóis localizaram as minas de Chivor e mais tarde as minas de Muzo, ambas nas montanhas de Somondoco, palavra que significa o deus das pedras verdes em idioma indígena (dos índios chibcha).

Da Europa, as esmeraldas colombianas prosseguiam para o oriente, onde eram trocadas ou vendidas aos governantes turcos, persas e hindus, que as adoravam. Na joalharia hindu encontram-se as esmeraldas colombianas da melhor qualidade.

As pedras não apresentavam as mesma características visuais, de beleza e brilho, que as esmeraldas de hoje em dia. Isto deve-se ao fato de não existirem, na altura, técnicas de talhe específicas para cada gema. As técnicas de talhe foram evoluindo ao longo dos tempos e no seu início apenas se poliam as faces naturais dos cristais, de forma a perder-se o menor peso possível da pedra. Foi em França, em 1380, que se iniciou um talhe precursor do talhe atual, o Talhe Esmeralda, chegando a conseguir-se 8 facetas extra, aumentando dessa forma o brilho da gema. Ano após ano as técnicas para facetar as pedras foram evoluindo de forma a extrair o máximo de brilho das pedras e também de modo a evidenciarem da melhor maneira a sua cor.

O Talhe Esmeralda, como o nome indica, foi desenvolvido para esta gema: apresenta algumas facetas para dar brilho, mas só o suficiente para não "mascarar" a bonita e impressionante cor verde desta gema; deixa ainda os cantos facetados para facilitar o engaste da pedra sem a danificar, pois é uma gema frágil, que facilmente se pode fraturar. A escolha do talhe depende também doutros fatores, como o tamanho e forma do material em bruto, zonas de cor, presença de inclusões e fraturas, entre outros.

O material de boa qualidade é, geralmente, facetado e o de pior qualidade talhado em cabuchão. A arte da glíptica (arte de gravar pedras preciosas) foi muito praticada em esmeraldas, no séc. XVI em Itália. São desta época a importante colecção do papa Paulo III e os camafeus de Juan Carnivole de Pisa.

As jóias mais antigas exibem, muitas vezes, pedras com tamanhos consideráveis (quando comparados com os de hoje em dia) e pouco trabalhadas (de talhe muito simples e com pouco brilho). Porém, o encanto que estas jóias nos provocam, talvez pela sua história, é muito maior daquele que, por vezes, sentimos quando olhamos os trabalhos modernos.

A esmeralda é uma variedade do mineral Berilo (silicato de alumínio e berílio), com algum crômio (e por vezes com vanádio), responsável pela sua cor verde “forte”. O Berilo é um mineral explorado para se extrair o berílio, metal leve, utilizado em ligas de alta resistência. Entre as variedades gema do berilo encontra-se a água-marinha (azul a azul-esverdeada), o heliodoro (amarelo a amarelo-dourado), a morganite (cor-de-rosa), a goshenite (incolor) e o berilo vermelho, muito raro, que provém apenas dos E.U.A., mais concretamente das montanhas Wha Wha, no estado do Utah. A água-marinha e o heliodoro devem a sua cor à presença de vestígios de ferro nas suas estruturas e a morganite e o berilo vermelho ao manganés. A goshenite é muitas vezes tratada de modo a ficar colorida e mais comercial.

A esmeralda ocorre em rochas associadas ao metamorfismo hidrotermal. “A esmeralda cristaliza a partir de fluidos quentes (hidrotermais), ricos em elementos químicos, que atravessam fissuras e fendas de rochas. Estes fluidos ao precipitarem os sais neles contidos, preenchem as fissuras originando os filões.” Rui Galopim de Carvalho com. pess..Os cristais são prismáticos hexagonais e raramente são límpidos, sem inclusões. Apesar da sua dureza (7 – 71/2 na escala de Mohs), é uma gema frágil.

Como já referido, os cristais têm quase sempre inclusões e, por este motivo, esmeraldas excepcionais, i.e., “limpas” (sem inclusões), de boa cor e relativamente grandes, são extremamente raras e muito caras, podendo atingir preços exorbitantes, por exemplo, valores superiores a US$10.000 (1) por quilate (0,2g).

As inclusões presentes nas esmeraldas permitem, em muitos casos, a determinação da sua origem geográfica.

De forma a se disfarçarem as fraturas nas esmeraldas, estas são frequentemente impregnadas com óleos ou resinas. Os reflexos provocados pela luz ao intersectar as fraturas diminui a transparência da pedra e afeta, também, a sua cor.

O preenchimento destas fraturas com óleos ou resinas vai diminuir substancialmente o efeito dos reflexos e melhorar, consideravelmente, o aspecto da pedra. O grande problema é que, por um lado, o tratamento com óleo não é estável (o óleo desaparece com o tempo) e, por outro, algumas resinas, muito difíceis de detectar, ao camuflarem as fraturas impedem que se detectem os locais de fraqueza dum exemplar, muito importantes para avaliar o cuidado necessário ao manuseamento, de forma evitar a sua fratura quando se procedem a trabalhos de limpeza, de engaste ou de uma relapidação.

Entre os países produtores de esmeraldas destaca-se a Colômbia (o mais importante), o Brasil, a Zâmbia, a África do Sul, o Zimbabwe, a Nigéria, o Paquistão, a Rússia, a Índia e a Austrália.

O Jade

O jade, muito apreciado pelos orientais, que se tornaram mestres na arte de esculpir peças de adorno e de adoração, é na realidade uma designação que se refere a dois minerais com propriedades semelhantes. Conheça algumas das suas características.

Jade é um termo gemológico para designar dois minerais, a Jadeíte (uma piroxena) e a Nefrite (uma anfíbola), que se assemelham nas suas características e na utilização. A jadeíte é um silicato de alumínio e sódio e a nefrite um silicato de magnésio e cálcio, com algum ferro a substituir o cálcio. Ambas são constituídas por agregados microcristalinos com uma estrutura entrelaçada, que lhes confere uma grande tenacidade (resistência), apropriada para a arte de gravar ou esculpir. Ocorrem em rochas metamórficas(1) e podem ser encontradas em depósitos aluviais, como seixos arredondados.

A nefrite é conhecida desde o Neolítico e a jadeíte desde o final do séc. XVIII; ambas foram, e são, utilizadas para a escultura de muitos objetos sagrados, de adorno e de ornamento. Desde os tempos mais antigos que os chineses admiram muito estes dois minerais, designando-os por yu, “a coisa mais apreciada”.

A nefrite e a jadeíte eram usadas para ajudar a curar doenças renais: nefrite vem do grego nephrós, que significava “rim”; a jadeíte vem da palavra “jade”, que por sua vez provém do castelhano antigo hijada, palavra que indicava a região renal.

Estes dois minerais podem ser de translúcidos a opacos e possuem um brilho gorduroso ou ceroso e vítreo, se polidos mecanicamente (menos apreciado). As peças mais apreciadas eram trabalhadas de forma a ficarem translúcidas, em certo grau, e sujeitas a um polimento suave.

Os objetos em tons de branco-creme e verde-pálido foram muito desejados, mas ao longo dos tempos também outras cores de jade tiveram lugar nas preferências de quem o admira. É provável que o tipo de material disponível em cada época se relacione com a evolução das predilecções ao longo dos tempos.

O material que esteve sujeito à meteorização, como seixos de rios, pode apresentar uma capa de alteração acastanhada ou esbranquiçada. Nalgumas peças chinesas, do período Ming, estas zonas foram deixadas, aproveitando-as de modo a provocar nuances de cores às peças esculpidas. As peças pré-históricas que estiveram durante muito tempo enterradas podem, também, apresentar cores de alteração amareladas, rosadas ou verde-acastanhadas devido ao ambiente a que estiveram sujeitas.

Khotan e Yarkand, no deserto de Taklamakan, foram os locais mais importantes de proveniência do jade na China. Apesar da distância, estes locais faziam parte das rotas comerciais na Ásia Central. Pensa-se que, desde sempre, mesmo na pré-história, as ferramentas e os objetos feitos de jade teriam já uma utilização importante (cerimonial ou religiosa). As peças deste material na China (objetos de veneração aos deuses, amuletos, peças de ornamento, de adorno pessoal, objetos que representam poder político e prestígio social, etc.) e a sua relação com as sucessivas dinastias, revelam-nos a História do seu povo através dos tempos.

Apesar de também ter sido muito importante noutros locais, como, por exemplo, na América Central, é na China que a tradição de trabalhar o jade (muito resistente e difícil de trabalhar), se manteve e fez dos chineses os melhores artífices deste material. Até ao séc. XX a técnica incluía, juntamente com as ferramentas menos duras que o jade, a utilização conjunta de abrasivos duros, tais como pó de quartzo e granadas e corundum esmagados.

A jadeíte provém principalmente de Myanmar, mas também ocorre no Japão, na Califórnia, na Guatemala e na Rússia. É ligeiramente mais dura que a nefrite e tem maior cotação que esta última. Pode ter uma grande variedade de cores, tais como branco, amarelo, laranja-acastanhado, violeta, verde-pálido a verde-escuro, preta e azul; tipicamente é mosqueada de verde e branco. A variedade mais valiosa é a que se apresenta de translúcida a quase transparente, de cor verde-esmeralda, conhecida como “Jade Imperial”.

A nefrite é mais frequente que a jadeíte e ocorre em muitos locais.

Algumas fontes comerciais incluem a Nova Zelândia, Rússia (perto do lago Baikal), Canadá, Coreia e Tailândia.

Tem uma gama de cores menos variada que a jadeíte: branco, verde-claro a escuro, acastanhada, azul-acizentada e preta; são comuns inclusões negras de cromite e magnetite.

Como o jade é muito procurado, existem muitos materiais utilizados para o imitar e muitos tratamentos que se fazem para simular material de maior valor.

Minerais como a bowenite (verde-clara translúcida, macia e por isso mais fácil de trabalhar), quartzo aventurino de um verde translúcido, calcedônia, etc., podem, à primeira vista, ser confundidos com o jade. Plásticos e vidros são também muito utilizados para imitações. Um tratamento frequente é a jadeíte de cor pálida, e consequentemente com menor valor comercial, ser tingida com tinta verde para imitar o valioso jade imperial ou com tinta cor de malva para imitar o jade da mesma cor, também muito desejado.

(1) Rochas metamórficas são rochas que sofreram modificações mineralógicas e de textura, no estado sólido, como resultado de terem estado sujeitas a condições de pressão e temperatura diferentes das que presidiram.

Opalas

Com as suas diversas variedades, as opalas têm maravilhado os Homens desde a Antiguidade. Esta pedra, com exemplares de uma beleza ímpar, é tida como a gema nacional da Austrália

A opala ocorre em diversas variedades, entre as quais distingue-se a opala nobre, a opala comum, a opala de fogo e a opala de madeira. Todas são usadas em joalharia.

Tal como o quartzo, a opala é uma substância composta por sílica (SiO2) e também por água (até 10%). É uma substância amorfa, não possui uma estrutura cristalina e deste modo não pode ser denominada de mineral, no sentido estrito do termo, mas sim de mineralóide. Apresenta-se em veios, glóbulos e em crostas de várias cores. Tem uma dureza ligiramente inferior à do quartzo.

As opalas são muitas vezes impregnadas com óleo para disfarçar a presença de microfraturas que se desenvolvem espontaneamente, muito provavelmente devido à perda de moléculas de água quando expostas ao ar. Também se usam resinas e silicone. Estes tratamentos não são permanentes.

A opala comum quando surge com cores bonitas é, geralmente, talhada em cabochão(1) para fazer parte de aneis e colares. As cores passam pelo verde, amarelo, rosa, vermelho e azul.

A variedade mais importante é a que exibe um “jogo de cores”: a dita OPALA NOBRE.

Pode ser descrita como preta ou branca consoante a sua cor: a preta inclui o cinzento, o azul escuro e o verde; a branca inclui os tons claros. A variedade mais valiosa é a opala nobre “preta” devido ao fato de ser a que mostra da melhor maneira (com mais contraste), a multiplicidade de cores. Algumas variedades brancas e porosas são tratadas de modo a torná-las “negras”. Para isso são imersas em soluções saturadas de açucar e posteriormente tratadas com ácido sulfúrico concentrado para retirar a água. O efeito traduz-se na retenção dos átomos de carbono do açúcar nos interstícios da pedra.

O “JOGO DE CORES” ou iridescência(2) é causado pela difração da luz incidente que é devida ao tipo de estrutura que as opalas apresentam.

Até 1964 esta estrutura não era conhecida e consequentemente a síntese de opalas não era possível. Foi graças ao micoscópio eletrônico, que se descobriu que os apreciados efeitos ópticos eram produzidos pelo arranjo tri-dimensional de esférulas de sílica de igual tamanho (ultramicroscópicas) espaçadas regularmente, que funcionam como uma rede de difração.

A difração da luz provoca a sua decomposição em cores do espectro de luz visível. São essas cores que se podem observar quando a pedra é olhada de diversos ângulos e que a tornam tão desejada.

O tamanho das esférulas de sílica varia consoante os diversos tipos de opala.

Desta forma, consoante o maior ou menor tamanho das esférulas de sílica também o “jogo de cores” produzido tem mais ou menos cores: as opalas constituídas por esférulas maiores permitem a passagem, através dos espaços entre elas, de todos os componentes da luz branca; as opalas constituídas por esférulas menores bloqueiam os comprimentos de onda maiores (responsáveis pelos vermelhos e laranjas). Assim as primeiras produzem uma irisação com muitas cores (do vermelho ao violeta do espectro de luz visível) e as segundas produzem uma irisação com menos cores.

Depois de conhecida a estrutura das opalas, foi possível iniciar experiências para a sua síntese. Em 1974, as primeiras opalas sintéticas foram comercializadas por Pierre Gilson.

A opala é depositada em cavidades e fissuras nas rochas, a partir da precipitação química de águas ricas em silício ou pode ter origem na acumulação de restos de esqueletos de organismos marinhos animais (radiolários e espículas de certas esponjas) e vegetais (diatomáceas). Também ocorre em fósseis substituíndo as estruturas originais (opala de madeira).

A opala de madeira, xilopala ou xilóide, forma-se quando no processo de fossilização há a substituição da celulose, principal constituinte da madeira, por opala. Na floresta Petrificada de Holbrook, no Arizona, EUA, encontram-se magníficos troncos de araucária petrificados com 65m de comprimento e 3m de largura.

Este local é atualmente um Parque Nacional.

A opala de fogo, também muito apreciada, apresenta-se transparente com uma bonita cor castanho-mel avermelhado. Por vezes esta variedade exibe também iridescência, tornando-se mais valiosa. Esta variedade provém essencialmente do México.

A melhor maneira da opala exibir o efeito do “jogo de cores” é quando é talhada em cabochão. As opalas de fogo são muitas vezes facetadas e no caso de poderem exibir alguma iridescência são frequente talhadas com a “mesa” (a faceta maior da coroa), ligeiramente curva.

Opalescência é um termo que se refere ao efeito translúcido e leitoso que algumas opalas apresentam; no entanto este termo é, muitas vezes, erradamente utilizado para definir o efeito óptico da multiplicidade de cores observadas nas variedades de opala nobre.

O nome opala deriva de upala, que em sânscrito significa pedra ou pedra preciosa. Esta pedra é conhecida e apreciada desde a Antiguidade. Os Romanos consideravam-na a gema mais bela depois da Esmeralda. Contava-se que “(…) no sec. I a.c., o senador Nonnio preferiu partir para o exílio a ter de ceder uma opala preciosa a Marco António.” In colecção Minerais e Pedras Preciosas, 1993.

Foi associada ao poder e a várias capacidades medicinais, mas mais tarde adquiriu fama de trazer azar. Esta fama perdurou durante muito tempo e só nos finais do sec. XIX, com a descoberta das enormes jazidas na Austrália, é que começou outra vez a ser procurada como pedra de adorno. A rainha Victória, que gostava muito desta gema, contribuiu muito para a sua divulgação.

As jazidas mais antigas localizam-se na ex-Checoslováquia.

Atualmente cerca de 96% da produção de opalas nobre, provêm da Austrália. Há também jazidas no México, no Brasil, nos EUA (Oregon, Nevada e Idaho) e na Ucrânia.

As bonitas opalas australianas foram descobertas em 1869 em Listowel Downs (em Western Queensland), mas é só em 1889 que a indústria das opalas se estabelece, quando Tullie Wollaston as comercializa com sucesso. Ocorrem numa vasta região denominada de “cintura de opala de Queensland”, com 800 Km, entre New South Wales e a fronteira Queensland / Kynuna; são zonas muito áridas aonde as condições de vida são difíceis.

Atualmente os exemplares de opala nobre preta provêm de Lightning Ridge, New South Wales, mas no passado entre as décadas de 30 e 60 magníficas opalas pretas, dignas de uma rainha, provinham da mina Mighty Hayricks.

Situada entre Adelaide e Darwin, Cober Pedy é a mina de opala mais larga do mundo e foi descoberta em 1915 por um rapaz de 14 anos de idade durante uma expedição à procura de água. Cober Pedy é responsável por cerca de 80% da produção australiana.

(1) Cabochão é um estilo de talhe: a pedra apresenta um topo côncavo de forma, geralmente, arredondada e uma base mais ou menos plana.

(2) Iridescência – reflecção das cores do arco-íris.

O Diamante

O diamante é uma pedra preciosa que nos fascina desde tempos imemoriais. Talvez pelo seu brilho, talvez pela sua dureza, o que é fato é que não nos é indiferente. Saiba como se forma, qual a sua origem e como se determina a sua idade.

“O diamante tem fascinado o Homem, pelas suas características ópticas de grande beleza (brilho adamantino e fogo (1) ), bem como pelas suas propriedades de grande durabilidade e dureza.” (Rui Galopim de Carvalho, com. pess.)

Na escala de dureza de Mohs, o diamante ocupa o topo da escala, o nº 10, imediatamente a seguir ao corindo (rubis e safiras), que corresponde ao nº 9 e é, no entanto, cerca de 140 vezes menos duro que o diamante.

O diamante é a substância natural mais dura que existe e daí, provavelmente, a origem do seu nome, “(…) proveniente de adiamantun, palavra latina derivada do grego adamas, que significa Invencível”. (Rui Galopim de Carvalho, com. pess.)

Constituído quase exclusivamente por carbono, o diamante contém algumas impurezas de azoto e boro, que são responsáveis pelas suas cores. Podem ser incolores (ou mais frequentemente com ligeiros matizes amarelados) e de cores fortes - diamantes fancy (fantasia) - que podem ser amarelos, laranja, verdes, azuis e encarnados (os mais raros).

O diamante e a grafite são, ambos, formas cristalinas de carbono, mas enquanto que a grafite é macia, opaca e pouco densa (densidade relativa = 2.23), o diamante é transparente, duro e mais denso (densidade relativa = 3.52). A razão destas diferenças está no arranjo dos átomos de carbono, nas respectivas estruturas cristalinas.

É a forma como os átomos estão ligados entre si (ligações covalentes), e a curta distância entre os mesmos, que confere ao diamante a sua grande dureza, o que não quer dizer que uma pancada forte, aplicada em determinadas direcções, não o possa dividir. Isto deve-se ao fato de possuir clivagem (capacidade de um cristal se dividir segundo determinados planos da estrutura cristalina, deixando faces mais ou menos planas).

IDADE

Muitos minerais são datados através de elementos radioativos, mas os diamantes não contêm estes elementos e, por isso, não permitem a datação por este método. O método do 14C é restrito ao carbono orgânico e portanto não é, igualmente, aplicável.

Os diamantes contêm muitas vezes pequenas inclusões, que permitem a datação a partir dos respectivos elementos radioativos. No caso destas inclusões terem sido formadas ao mesmo tempo que os diamantes que as contêm (por ex., de piroxena e granada), a idade determinada é a mesma para os dois. É desta forma que foram estimadas idades para os diamantes, que vão desde os 3300 MA (milhões de anos), em Kimberly, na África do Sul, aos 990 MA, em Orapa, no Botswana. Comparando a idade da Terra, estimada em cerca de 4600 MA, com a idade obtida para os diamantes, verificamos que são minerais muito antigos.

ORIGEM

Os diamantes tiveram a sua origem no interior da Terra, na parte superior do manto, a profundidades entre os 100 e os 200 Km, podendo, por vezes, chegar aos 600 Km. A estas profundidades (100-200 Km), a temperatura calculada ronda os 900 a 1300 ºC e a pressão os 45 a 60 Kbar, valores enormes quando comparados com a pressão atmosférica de 1 bar.

O carbono que constitui os diamantes tem duas fontes possíveis:

Carbono “primitivo” da altura em que a Terra se formou, acumulado no manto superior e que cristalizou sob a forma de diamantes;

Carbono proveniente da superfície da Terra, de sedimentos que foram transportados para o interior do Manto através dos movimentos da Terra, nas zonas de subducção, até uma profundidade superior a 150 Km, necessária à formação de diamante.

Os diamantes são, assim, minerais constituintes de rochas formadas a profundidades que se inserem na parte superior do manto.

E como é que os diamantes chegam à superfície?

Os diamantes foram trazidos para a superfície a partir de fenômenos de vulcanismo violentos, que se deram há várias dezenas de milhões de anos. Como já foi referido, os diamantes são bem mais antigos, significando isto que se formaram primeiro no interior da Terra e que foram posteriormente trazidos para a superfície por fenômenos de vulcanismo, em que o magma em ascensão passou por rochas com diamantes, trazendo-as com ele.

Este tipo de magmas ascendeu rapidamente e desta forma os diamantes não se transformaram em grafite, em dióxido de carbono (CO2), nem se dissolveram no magma. Uma subida lenta ou com várias paragens vai permitir que a estrutura do diamante se modifique, de modo a que os átomos de carbono se ajustem às novas condições de menor pressão e menor temperatura. A grafite é uma forma de carbono mais estável nas condições de pressão e temperatura da superfície. Em Marrocos há ocorrências de formações vulcânicas com grafite em vez de diamantes, devido a uma subida demasiado lenta.

As velocidades estimadas são da ordem dos 10 a 30 Km/h. Quando o magma chega perto da superfície (2 a 3 km abaixo da superfície), a velocidade aumenta drasticamente centenas de km/h, devido às grande quantidades de gases (CO2 e água) que vêm dissolvidos no magma e que se expandem (devido à menor pressão e temperatura), originando explosões muito violentas.

Ocorrência

Os diamantes podem ser explorados nos corpos vulcânicos que os trouxeram para a superfície, se economicamente viáveis (jazigos primários), ou nos chamados placers: depósitos de sedimentos, com quantidades apreciáveis de pedras preciosas, que se originam devido à ação de erosão, nas rochas que as contêm. Os placers são também designados de jazigos secundários.

Até 1870 os diamantes foram encontrados em depósitos aluviais na Índia e no Brasil. Em 1866 foi encontrado um placer na África do Sul e pouco tempo depois foi localizado o primeiro corpo vulcânico com rochas com diamantes. Como o tipo de rocha encontrado era novo, foi atribuído o nome de kimberlito, nome derivado de Kimberly, a cidade que fica mais perto. Em 1979 foi encontrado na Austrália um tipo ligeiramente diferente de rocha vulcânica com diamantes, à qual se chamou lamproíto.

Os kimberlitos e os lamproítos são as rochas vulcânicas que à superfície podem conter diamantes.

Nos jazigos primários a concentração de diamante é, geralmente, pequena, chegando a ser retiradas 300 toneladas de rocha para se obter 1 quilate (0,2 g) de diamante. Na África do Sul os jazigos primários, tipicamente, contêm cerca de 1 quilate de diamante por 5 toneladas de rocha kimberlítica.

Nos jazigos secundários encontram-se diamantes de boa qualidade numa percentagem superior relativamente aos jazigos primários.

Os países mais importantes na produção de diamantes são a Austrália, o Botswana, o Congo, a Rússia e a África do Sul, e a produção mundial de diamante (de qualidade-gema(2) e para fins industriais) é da ordem das 20 toneladas/ano. A percentagem de material com qualidade-gema é relativamente pequena, mas apesar disso o diamante pode ser considerado como uma das gemas menos raras quando comparado com o rubi, a esmeralda ou a safira de boa qualidade. (Rui Galopim de Carvalho, com. pess.)

(1) Fogo - jogo de cores que se pode observar num diamante, causado pela dispersão da luz.

(2) Materiais com qualidade - gema são materiais cujas características permitem a sua utilização em joalharia.

Ana Pestana Bastos

Bibliografia

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Fonte: www.naturlink.pt

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