Facebook do Portal São Francisco Google+
+ circle
Home  Ditadura Militar No Brasil - Página 4  Voltar

Ditaduara Militar no Brasil

(1964 - 1985)

As intervenções militares foram recorrentes na história da república brasileira. Antes de 1964, porém, nenhuma dessas interferências resultou num governo presidido por militares. Em março de 1964, contudo, eles assumiram o poder por meio de um golpe e governaram o país, nos 21 anos seguintes, instalando um regime ditatorial.

A ditadura restringiu o exercício da cidadania e reprimiu com violência todos os movimentos de oposição. No que se refere à economia, o governo colocou em prática um projeto desenvolvimentista que produziu resultados bastante contraditórios, tendo em vista que o país ingressou numa fase de industrialização e crescimento econômico acelerados, sem beneficiar, porém, a maioria da população, em particular a classe trabalhadora.

Antecedentes do golpe

Os militares golpistas destituíram do poder o presidente João Goulart, que havia assumido a presidência após a inesperada renúncia de Jânio Quadros, em 1961. Sua posse foi bastante conturbada, e só foi aceita pelos militares e pelas elites conservadoras depois da imposição do regime parlamentarista. Essa fórmula política tinha como propósito limitar as prerrogativas presidenciais, subordinando o Poder Executivo ao Legislativo. Goulart, contudo, manobrou politicamente e conseguiu aprovar um plebiscito, cujo resultado restituiu o regime presidencialista.

O presidente, entretanto, continuou a não dispor de uma base de apoio parlamentar que fosse suficiente para aprovar seus projetos de reforma política e econômica. A saída encontrada por Goulart foi a de pressionar o Congresso Nacional por meio de constantes mobilizações populares, que geraram inúmeras manifestações públicas em todo o país.

Ao mesmo tempo, a situação da economia se deteriorou, provocando o acirramento dos conflitos de natureza classista. Todos esses fatores provocaram, de forma conjunta, uma enorme instabilidade institucional, que acabou por dificultar a governabilidade.

Nessa conjuntura, o governo tentou mobilizar setores das Forças Armadas, como forma de obter apoio político, mas isso colocou em risco a hierarquia entre os comandos militares e serviu como estímulo para o avanço dos militares golpistas.

Em 1964, a sociedade brasileira se polarizou. As classes médias, as elites agrárias e os industriais se voltaram contra o governo e abriram caminho para o movimento dos golpistas.

Os governos militares

Governo Castello Branco (abril de 1964 a julho de 1967):


O marechal Humberto de Alencar Castello Branco esteve à frente do primeiro governo militar e deu início à promulgação dos Atos Institucionais. Entre as medidas mais importantes, destacam-se: suspensão dos direitos políticos dos cidadãos; cassação de mandatos parlamentares; eleições indiretas para governadores; dissolução de todos os partidos políticos e criação de duas novas agremiações políticas: a Aliança Renovadora Nacional (ARENA), que reuniu os governistas, e o Movimento Democrático Brasileiro (MDB), que reuniu as oposições consentidas.

Em fins de 1966 o Congresso Nacional foi fechado, sendo imposta uma nova Constituição, que entrou em vigor em janeiro de 1967. Na economia, o governo revogou a Lei de Remessa de Lucros e a Lei de Estabilidade no Emprego, proibiu as greves e impôs severo controle dos salários. Castelo Branco planejava a transferir o governo aos civis no final de seu mandato, mas setores radicais do Exército impuseram a candidatura do marechal Costa e Silva.

Governo Costa e Silva (março de 1967 a agosto de 1969):

O marechal Arthur da Costa e Silva enfrentou a reorganização política dos setores oposicionistas, greves e a eclosão de movimentos sociais de protesto, entre eles o movimento estudantil universitário. Também neste período os grupos e organizações políticas de esquerda organizaram guerrilhas urbanas e passaram a enfrentar a ditadura, empunhando armas, realizando seqüestros e atos terroristas. O governo, então, radicalizou as medidas repressivas, com a justificativa de enfrentar os movimentos de oposição.

A promulgação do Ato Institucional nº 5 (AI-5), em dezembro de 1968, representou o fechamento completo do sistema político e a implantação da ditadura. O AI-5 restringiu drasticamente a cidadania, pois dotou o governo de prerrogativas legais que permitiram a ampliação da repressão policial-militar.

Suprimidos os direitos políticos, na área econômica o novo presidente flexibilizou a maioria das medidas impopulares adotadas por seu antecessor. Costa e Silva não conseguiu terminar seu mandato devido a problemas de saúde. Afastado da presidência, os militares das três armas formaram uma junta governativa de emergência, composta pelos três ministros militares: almirante Augusto Rademaker, da Marinha; general Lira Tavares, do Exército; e brigadeiro Sousa e Melo, da Aeronáutica.

Ao término do governo emergencial, que durou de agosto a outubro de 1969, o general Médici foi escolhido pela Junta Militar para assumir a presidência da República.

Governo Médici (novembro de 1969 a março de 1974):

O general Emílio Garrastazu Médici dispôs de um amplo aparato de repressão policial-militar e de inúmeras leis de exceção, sendo que a mais rigorosa era o AI-5. Por esse motivo, seu mandato presidencial ficou marcado como o mais repressivo do período da ditadura. Exílios, prisões, torturas e desaparecimentos de cidadãos fizeram parte do cotidiano de violência repressiva imposta sobre a sociedade.

Siglas como Dops (Departamento de Ordem Política e Social) e Doi-Codi (Destacamento de Operações e Informações-Centro de Operações de Defesa Interna) ficaram conhecidas pela brutal repressão policial-militar. Com a censura, todas as formas de manifestações artísticas e culturais sofreram restrições. No final do governo Médici, todas as organizações de luta armada foram dizimadas.

Na área econômica, o governo colheu os frutos do chamado "milagre econômico", que representou a fase áurea de desenvolvimento do país, obtido por meio da captação de enormes recursos e de financiamentos externos. Todos esses recursos foram investidos em infra-estrutura: estradas, portos, hidrelétricas, rodovias e ferrovias expandiram-se e serviram como base de sustentação do vigoroso crescimento econômico. O PIB (Produto Interno Bruto) chegou a crescer 12% ao ano e milhões de empregos foram gerados.

A curto e médio prazo, esse modelo de desenvolvimento beneficiou a economia, mas a longo prazo o país acumulou uma dívida externa cujo pagamento (somente dos juros) bloqueou a capacidade de investimento do Estado. A estabilidade política e econômica obtida no governo Médici permitiu que o próprio presidente escolhesse seu sucessor: o general Ernesto Geisel foi designado para ocupar a presidência da República.

Governo Geisel (março de 1974 a março de 1979):

O governo do general Ernesto Geisel coincidiu com o fim do milagre econômico. O aumento vertiginoso dos preços do petróleo, principal fonte energética do país, a recessão da economia mundial e a escassez de investimentos estrangeiros interferiram negativamente na economia interna.

Na área política, Geisel previu dificuldades crescentes e custos políticos altíssimos para a corporação militar e para o país, caso os militares permanecessem no poder indefinidamente. Ademais, o MDB conseguiu expressiva vitória nas eleições gerais de novembro de 1974, conquistando 59% dos votos para o Senado, 48% da Câmara dos Deputados e as prefeituras da maioria das grandes cidades. Por essa razão, o presidente iniciou o processo de distensão lenta e gradual em direção à abertura e à redemocratização.

Não obstante, militares radicais (denominados pelos historiadores como a "linha dura"), que controlavam o sistema repressivo, ofereceram resistência à política de liberalização. A ação desses militares gerou graves crises institucionais e tentativas de deposição do presidente.

Os casos mais notórios de tentativas de desestabilizar o governo ocorreram em São Paulo, quando morreram, sob tortura, o jornalista Vladimir Herzog e o operário Manoel Fiel Filho.

O conflito interno as Forças Armadas, decorrente de divergências com relação à condução do Estado brasileiro, esteve presente desde a tomada do poder pelos militares até o fim da ditadura. Esse conflito demonstra que a ditadura se caracteriza como um período de constante anarquia militar.

No entanto, Geisel conseguiu superar todas as tentativas de desestabilização do seu governo. O golpe final contra os militares radicais foi dado com a exoneração do ministro do Exército, general Sílvio Frota.

Ao término do mandato de Geisel, a sociedade brasileira tinha sofrido muitas transformações. A repressão havia diminuído significativamente; as oposições políticas, o movimento estudantil e os movimentos sociais começaram a se reorganizar. Em 1978, o presidente revogou o AI-5 e restaurou o habeas corpus. Geisel conseguiu impor a candidatura do general João Batista Figueiredo para a sucessão presidencial.

Governo Figueiredo (março de 1979 a março de 1985):

João Baptista de Oliveira Figueiredo foi o último general presidente, encerrando o período da ditadura militar, que durou mais de duas décadas.

Figueiredo acelerou o processo de liberalização política e o grande marco foi a aprovação da Lei de Anistia, que permitiu o retorno ao país de milhares de exilados políticos e concedeu perdão para aqueles que cometeram crimes políticos. A anistia foi mútua, ou seja, a lei também livrou da justiça os militares envolvidos em ações repressivas que provocaram torturas, mortes e o desaparecimento de cidadãos. O pluripartidarismo foi restabelecido. A ARENA muda a sua denominação e passa a ser PDS; o MDB passa a ser PMDB. Surgem outros partidos, como o Partido dos Trabalhadores (PT) e o Partido Democrático Trabalhista (PDT).

O governo também enfrentou a resistência de militares radicais, que não aceitavam o fim da ditadura. Essa resistência tomou a forma de atos terroristas. Cartas-bombas eram deixadas em bancas de jornal, editoras e entidades da sociedade civil (Igreja Católica, Ordem dos Advogados do Brasil, Associação Brasileira de Imprensa, entre outras). O caso mais grave e de maior repercussão ocorreu em abril de 1981, quando uma bomba explodiu durante um show no centro de convenções do Rio Centro. O governo, porém, não investigou devidamente o episódio.

Na área econômica, a atuação do governo foi medíocre, pois os índices de inflação e a recessão aumentaram drasticamente. A crise na economia não foi devidamente enfrentada.

No último ano do governo Figueiredo surgiu o movimento das Diretas Já, que mobilizou toda a população em defesa de eleições diretas para a escolha do próximo presidente da República. O governo, porém, resistiu e conseguiu barrar a Lei Dante de Oliveira. Desse modo, o sucessor de Figueiredo foi escolhido indiretamente pelo Colégio Eleitoral, formado pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal. Em 15 de janeiro de 1985, o Colégio Eleitoral escolheu o deputado Tancredo Neves como novo presidente da República. Tancredo derrotou o deputado Paulo Maluf. Tancredo Neves, no entanto, adoeceu e veio da falecer. Em seu lugar, assumiu o vice-presidente, José Sarney.

Renato Cancian

Fonte: educacao.uol.com.br

A DITADURA MILITAR no Brasil

E SEUS MOTIVOS

Duas obras literárias de autores distintos são destrinchadas no intuito de perseguir os porquês do golpe de 64 e seus (des)caminhos

Castelo Branco, o primeiro presidente da ditadura militar
Castelo Branco, o primeiro presidente da ditadura militar

Brasil enfrentou de 1964 a 1985 um dos períodos mais obtusos de toda a sua história. Trata-se da ditadura militar, imposta com apoio da burguesia nacional reacionária e com grande contribuição, inclusive bélica, do capitalismo estrangeiro. E para aprofundar apropriadamene esta rápida e introdutória definição do tema, nada melhor do que as valiosas contribuições de dois ícones dos pensar tupiniquim para o entendimento do maior fenômeno histórico-nacional de nosso século XX.

A primeira obra é Vida e Morte da Ditadura (Vozes, 1984), do historiador e militar da reserva Nelson Werneck Sodré. Um livro que estabelece as condições para a implantação do regime fascista, como ele denomina a ditadura vivida no país, além de enfatizar a influência do imperialismo – leia-se Estados Unidos, na visão do autor – para a constituição e consolidação do golpe no país.

O outro trabalho pertence ao sociólogo Florestan Fernandes e tem o título de A Ditadura em Questão (T.A. Queiroz, 1982). A análise perpassa na aliança da burguesia nacional com os golpistas como base sólida de sustentação para o sucesso do regime, enquanto este teve gás para manter-se. Outro aspecto interessante do livro está nos mecanismos adotados pela cúpula militar para tentar impor um ar “democrático” a algo totalmente despido destas premissas, como no caso da liberalização outorgada, a manipulação dos partidos ou até mesmo a institucionalização da violência nos famosos “anos de chumbo”.

Segundo ambos os trabalhos, a questão do imperialismo crava profundas marcas na história do regime, como parte de uma aliança de três pontas, defendida pelos autores como condição sine qua non para o período ditatorial: o exército brasileiro, a burguesia nacional e a burguesia estrangeira, principalmente dos EUA, que possuía interesses óbvios nesta região. Uma das explicações de Sodré passa justamente pelo momento histórico pós-Segunda Guerra Mundial e, portanto, anterior até mesmo ao dia 31 de março de 1964.

AS CONDIÇÕES QUE GERARAM A “REVOLUÇÃO BRASILEIRA”

Com a derrota do nazismo alemão, do fascismo italiano e do militarismo japonês para os aliados, as forças fascistas que cresciam no Brasil, em particular dentro do exército, perderam espaço para o conservadorismo “democrático” que a burguesia tradicional tanto desejava manter. Além disso, União Soviética e Estados Unidos saíram vitoriosos da guerra, cada um, porém, seguindo um caminho diferente do outro. Os EUA, defendendo a propriedade, o capitalismo e a liberdade como balizas fundamentais do crescimento econômica. Já a ex-URSS tinha sua ideologia solidificada no comunismo, buscando a horizontalidade nas relações econômicas e sociais, algo totalmente diverso do que o american way of life pregaria a partir da década de 50.

Isto fez com que o mundo se dividisse, ao menos imaginariamente, em dois: uns países do lado dos Estados Unidos e seus dogmas capitalistas e outros, de maior proximidade ao poderio comunista da então União Soviética. E o Brasil, com seu papel estratégico na América do Sul, tinha a obrigação de se posicionar. Assim, Washington fez de tudo para trazer os brasileiros para junto de suas convicções e anseios.

ANTI-COMUNISMO

A campanha do comunismo como o monstro e causa de todos os males estava colocada e foi levada à exaustão pela mídia durante aqueles anos, apoiada por políticos e militares. Isso tanto é verdade e solidificou-se de tal maneira que no Brasil o medo dos ideais igualitários se tornou algo por demais assustador. De tão arraigado, qualquer um que cismar em falar de comunismo já será visto de forma estigmatizada e julgada sob pré-conceitos capitalistas ocidentais desprovidos de reflexão dialética, mesmo hoje em dia, com supostos ares democráticos nos embalando.

Presidente Ernesto Geisel(à dir.) e General Médici, seu antecessor na Presidência
Presidente Ernesto Geisel(à dir.) e General Médici, seu antecessor na Presidência

Com tudo isto, qualquer sinal de movimentação democrática nos anos que se seguiram foram massacrados aterradoramente pelo discurso do senso comum burguês, erguendo à condição de “comunista” toda e qualquer pessoa que defendesse os ideais democráticos e libertários que poderia crer. Por conta desta pseudoameaça foi instaurada no Brasil a “Revolução Brasileira” (que possui este nome entre os historiadores, dadas as suas características marcantes de uma revolução), com o propósito de “livrar o país do comunismo”, mergulhando a nação num dos períodos mais nebulosos e trágicos de toda a nossa história recente.

O golpe contou com grande participação do chamado imperialismo, devido ao plano de controlar os governos dos países latino-americanos, impedindo que a “praga comunista” os contaminasse, como “ocorrera” com Cuba, com a revolução socialista de 1959. Esse “controle” procurava manter governantes alinhados com a proposta imperial, isto é, de dependência ao mercado externo, e fortalecer as culturas primárias de exportação.

Com isto, como Sodré afirma em seu livro, vultuosas verbas orçamentárias dos Estados Unidos eram destinadas e tropas enviadas ao sul da América, para treinamento de soldados, práticas da tortura, etc. Mas todo esse dinheiro retornava à esperta família Sam através das vendas de produtos estadunidenses nestes locais, que se comprometiam – obrigatoriamente, diga-se – a adquirir os manufaturados do Império.

OS MECANISMOS DO REGIME PARA MANTER-SE NO PODER

Com este cenário estabelecido, fazia mister criar as condições para ampliar os poderes obtidos com a derrubada do governo democrático de João Goulart e a subida do general Castelo Branco à Presidência da República. Justificados na burguesia que via a ditadura como uma benção ante o avanço democrático que vivia o país, os militares impuseram todo o tipo de arbitrariedade em suas ações. Governaram através de decretos-lei, sem precisar passar pelo Legislativo, expurgando funcionários públicos e políticos que ameaçavam os interesses do regime, ao mesmo tempo que mantinha uma relativa liberdade de imprensa e firmava pontes com posições amenas da esquerda nacional. Assim, Castelo Branco e a ala “branda” (se é que pode receber tal nome) da ditadura aumentavam seu poder.

Mas, como diria Sodré, o “aperfeiçoamento da ditadura” ocorreu em fins de 1968, com a instauração do mais conhecido ato institucional imposto durante o regime, o AI-5. Com isto, a ponte foi sabotada e todas as possibilidades de negociações entre governo ditatorial e oposição foram minadas com a extinção dos partidos políticos e a criação de mecanismos contra a realização de greves. Mesmo assim, para tentar demonstrar tolerância e também sabotar a articulação da oposição, foram criados dois partidos: a Arena (Aliança Renovadora Nacional) e o MDB (Movimento Democrático Brasileiro). Só que essa concentração do inimigo em um só dos lados seria prejudicial aos militares num futuro próximo.

Prosseguindo com as contradições, o Congresso era aberto e fechado à revelia dos mandatários, a imprensa fora censurada e as perseguições políticas intensificadas, com o aumento de torturas, assassinatos e desaparecimentos de pessoas, institucionalizando, assim, a violência contra quem ousasse questionar o regime. Tudo isso ocorreu principalmente durante 1969-74, período em que a ditadura mostrou sua face mais ríspida e também, como contraste, a pele mais graciosa de um crescimento econômico fictício.

Durante esse tempo os militares viveram em lua de mel com a burguesia reacionária. Isso porque, com o “milagre econômico” – plano de abertura total e irrestrita do mercado nacional, implementado por Antônio Delfim Neto, então Ministro da Fazenda, que possibilitou ao país crescer vertiginosamente – a classe média teve acréscimo substancial em seu poder aquisitivo, possibilitando comprar vários artigos importados dos EUA. Enquanto isso a população pobre se distanciava ainda mais nos índices econômicos das poucas pessoas que possuíam muito, acentuando perigosamente a desigualdade social.

Ocorre que, esse tão propalado milagre estava com seus dias contados desde sua implantação. Era impossível manter o mercado brasileiro aberto e desprotegido daquela forma, contraindo empréstimos e cedendo vantagens a empresas estrangeiras, sem causar um rombo nas contas públicas e crescimento inimaginável da inflação e da dívida externa. Tal fato tornou-se mais evidente quando da crise mundial do petróleo, em 1973. Muitas nações, como o Brasil, quebraram e economias inteiras tiveram de ser remodeladas, abrindo espaço para premissas neoliberais, em contrapartida aos métodos keynesianos que estavam em voga na Europa desde a última guerra mundial.

Presidente Ernesto Geisel e general João Figueiredo, que viria a sucedê-lo na presidência.
Presidente Ernesto Geisel e general João Figueiredo, que viria a sucedê-lo na presidência.

A DERROCADA DA DITADURA

A crise do petróleo foi um duro golpe para os militares que, já sem o mesmo apoio da burguesia, com sérias divisões internas e sofrendo pressões, mesmo que diminutas, da população quanto às atrocidades do AI-5, foram levados a uma saída estratégica da ditadura, como colocaria Sodré. A saída encontrada por eles estava na chamada “abertura, lenta, gradual e segura” proposta durante o governo do general Ernesto Geisel, em meados da década de 70.

Esta “abertura” consistia, na verdade, em conceder determinados direitos à população, mas sem abrir deliberadamente o acesso às esferas políticas do regime. Trata-se da liberalização outorgada, exaustivamente debatida por Florestan Fernandes em sua obra, que, metaforicamente, seria algo como soltar o gado no pasto, manejando-o com o cão. Encaminhar o país a uma “volta à democracia”, porém sem revoluções, guerras, brigas, mantendo as coisas como estavam, apesar dos somente aparentes rumos libertários que a nação parecia tomar.

Este intento foi amplamente apoiado pela burguesia e por outros que compartilhavam as opiniões do regime, chamados por Florestan Fernandes de “consenso nacional”. Este consenso desejava ver “a desagregação da ditadura sem rupturas e sem conflitos profundos no seio da própria burguesia”. Caso contrário, como asserta o autor, isto colocaria sua supremacia em risco e abriria espaço para as classes menos abastadas lutarem por melhorias significativas e almejarem tomar o poder.

Outro mecanismo adotado, já na década de 80, foi estabelecer a “reforma dos partidos”, incentivando a criação de novos partidos políticos e o retorno dos antigos. Isto, na verdade, mostrava o interesse dos militares em renovar sua “cara” perante o povo, pois levavam sucessivas “surras eleitorais” nos pleitos menores. Com isto o Arena se transformou em PDS (Partido Democrata Social), enquanto a oposição se espalhou entre o MDB, mudado para PMDB, o PTB (Partido Trabalhista Brasileiro), o PDT (Partido Democrata Trabalhista) e o PT (Partido dos Trabalhadores), entre outros menos significativos. Com esta divisão entre os opositores, a ditadura pretendia obter território nas eleições posteriores, para prosseguir no controle até os últimos suspiros de um regime que não tinha mais para onde ir.

À FRENTE DO LEME

Tanto Vida e Morte da Ditadura como A Ditadura em Questão mostram como os militares foram perspicazes na ação para a tomada do poder, contando com as ajudas já citadas, pois perceberam as debilidades democráticas do Brasil naquele período, que vivia perdido em políticos conservadordes com roupagens populistas. Os militares tencionavam instar a nação a uma condição de maior ordem política e econômica, impondo um governo autocrático burguês, como definiu Fernandes, para depois devolver o leme brasileiro às forças democrático-burguesas, que nunca deixaram de controlar o navio, apenas o dirigiram à distância.

Rodrigo Herrero

Fonte: www.rabisco.com.br

Ditadura Militar no Brasil

1964-1985

· Política

- Em 01/04/1964 faz-se o AI-1 (Ato Institucional nº 1) que depunha Jango e dá início a Ditadura Militar;

- Os militares afirmaram que o comunismo ameaçava a ordem nacional, o Brasil e afirmavam que Jango era comunista;

- Os militares alegaram que foi um Golpe que instituiu uma Ditadura para garantir a democracia, que mais tarde voltaria a democracia;

- O regime era presidencialista, tinha presidente e vice-presidente, que eram eleitos indiretamente pelo Congresso, mas todo Congresso era composto por militares e tinha um só candidato à Presidência;

- O presidente poderia cassas mandatos e direitos políticos por 10 anos, com isso garantiria a maioria no Congresso e teria seus interesses garantidos;

- Mauro Borges, Íris Rezende, Lionel Brizola foram cassados de seus mandatos;

- O presidente lançou o Estado de Sítio, que suspendia todos direitos civis. Tinha ainda toque de recolher e prisão sem mandato;

- Criou-se o SNI (Serviço Nacional de Informação) que fazia investigações, surgiu os arapongas, era a FBI brasileira;

- Teve censura de todas as formas;

- O poder Executivo era o poder mais importante e com mais poderes;

- O AI-1 é o único que tem prazo de validade, válido por 1 ano. Os militares queriam disfarçar, pois afirmavam que o Golpe, que a Ditadura era só para organizar a casa, o Brasil;

- Existiam duas linhas militares ® existiam dois grupos dentro do exército que se divergiam:

· Sorbornne: Grupo universitário, intelectualizado, ligado a escola superior de Guerra, querem diálogo. É a linha castelista ( Castelo Branco);

· Linha-dura: prega a repressão ao povo, só via a solução por aí, é o grupo mais violento. Ex.: Médici.

· Economia

- Foi um período de política econômica entreguista, utilizava capitais externos para desenvolver o país;

- Criou-se:

· PAEG (Plano Ação Econômica do Governo);

· I PND (Plano Nacional de Desenvolvimento), governo de Costa Silva a Médici;

· II PND (milagre econômico), governo de Médici a Geisel;

· III PND, governo de Geisel a Figueiredo.

- Todos os planos econômicos desse período tinham o objetivo de controlar a inflação;

- Ministros da Fazenda que se destacaram pela importância: Delfim Neto e Simosen;

- O Brasil tem a memória inflacionária, o povo teme que a inflação volte e gere inflação;

- Medidas para controlar a inflação:

· O Governo militar achava que para controlar a inflação deveria ter o achatamento do salário, pois achavam que o salário que gerava a inflação. Ocorre a queda do poder aquisitivo, achatamento salarial e o aumento das desigualdades sociais. No começo deu certo e a inflação abaixou, mas não por muito tempo, voltou forte com 30 % ao mês;

· Tinha o estímulo a construção de indústrias de bens de consumo duráveis, era o entreguismo, a economia crescia 14% ao ano, 7% vinha de fora através de empréstimos (ainda tinha os eletrodomésticos que vinham das multinacionais);

· Tinha o investimento estrangeiro (multinacionais) e empréstimos estrangeiros (gera o aumento da dívida externa).

Movimento militar de 1964, movimento deflagrado na noite de 31 de março de 1964, em Minas Gerais, sob o comando do general Olímpio Mourão Filho, contra o governo instituído do presidente João Goulart, que foi derrubado no dia seguinte. O movimento estendeu-se até 1985. Embora a abertura política tenha sido instaurada a partir de 1979, só em 1985 tomou posse um presidente civil, José Sarney, ainda eleito pelo Congresso Nacional de forma indireta.

Uma das principais causa foi o apoio dado por empresários, proprietários rurais e setores da classe média, o movimento reagiu principalmente às "reformas de base" propostas pelo governo com o apoio de partidos de esquerda, acusando o presidente de pretender estabelecer uma "república sindicalista". O período caracteriza-se pelo autoritarismo, supressão de direitos constitucionais, perseguição policial e militar, e utilização da tortura para obter a confissão dos presos e seqüestrados que se opunham ao regime. A liberdade de expressão nos meios de comunicação foi suprimida mediante a adoção da censura prévia. Foi de extrema importância para os governos militares o papel desempenhado pelo Serviço Nacional de Informação (SNI), criado pelo general Golbery do Couto e Silva.

Chegando ao poder, os militares realizaram profunda alteração constitucional, promulgaram o Ato Institucional nº 1 — que cassou mandatos, suspendeu a imunidade parlamentar e direitos políticos — e promoveram a eleição, pelo Congresso Nacional, de um novo presidente, o marechal Humberto de Alencar Castelo Branco, que governou até 1967. Os partidos políticos foram abolidos e instalado o bipartidarismo.

A causa no campo econômico foi definido um modelo baseado no binômio desenvolvimento/segurança. O planejamento centralizado contribuiu para a estatização da economia, desempenhando o Estado atividades de gerenciamento da produção. Como ocorreu em outros países, a crise mundial da década de 1970 agravou o problema econômico brasileiro, acentuando a concentração de renda e os problemas das populações mais pobres.

Em janeiro de 1963 um plebiscito restabeleceu o presidencialismo. Governando entre o reformismo moderado e a ação do líder trabalhista Leonel Brizola, seu cunhado, agravaram-se os problemas políticos e econômicos, com a subida inflacionária.

Uma causa militar se deu pelos movimentos de insatisfação de militares subalternos em Brasília (1963) e Rio de Janeiro (1964) contribuíram para aumentar a pressão de líderes militares e civis contra o governo, que acabou derrubado pelo Movimento Militar de 1964.

Fonte: www.vestibular1.com.br

Ditadura Militar no Brasil

No dia 1º de Abril de 1964 o Brasil mergulha em uma nova fase da sua história. Durante 21 anos o país viveu um regime de governo militar, que marcou a nação, seu povo e suas instituições. Foram duas décadas de confronto entre forças políticas e sociais. Neste conflito ambos os lados, governo e oposição, utilizaram todos os seus recursos: censura, terrorismo, tortura e guerrilha.Veja abaixo o regime militar e o período de redemocratização. Verá também alguns fatos que marcaram a ditadura: os movimentos de oposição e a repressão.

Nos últimos anos do governo militar, o Brasil apresenta vários problemas. A inflação é alta e a recessão também. Enquanto isso a oposição ganha terreno com o surgimento de novos partidos e com o fortalecimento dos sindicatos.
Em 1984, políticos de oposição, artistas, jogadores de futebol e milhões de brasileiros participam do movimento das Diretas Já. O movimento era favorável à aprovação da Emenda Dante de Oliveira que garantiria eleições diretas para presidente naquele ano. Para a decepção do povo, a emenda não foi aprovada pela Câmara dos Deputados.

No dia 15 de janeiro de 1985, o Colégio Eleitoral escolheria o deputado Tancredo Neves, que concorreu com Paulo Maluf, como novo presidente da República. Ele fazia parte da Aliança Democrática – o grupo de oposição formado pelo PMDB e pela Frente Liberal.

Era o fim do regime militar. Porém Tancredo Neves fica doente antes de assumir e acaba falecendo. Assume o vice-presidente José Sarney. Em 1988 é aprovada uma nova constituição para o Brasil. A Constituição de 1988 apagou os rastros da ditadura militar e estabeleceu princípios democráticos no país.

Fonte: www.vestibular1.com.br

voltar 12345avançar

Sobre o Portal | Política de Privacidade | Fale Conosco | Anuncie | Indique o Portal