Para isso, equipes especializadas percorrem as regiões infestadas, visitando o maior número possível de casas de barro e pau-a-pique, tratando-as com doses maciças de inseticida.
Evidentemente, a doença de Chagas é, além da moléstia terrível, consequência da miséria social, porque ataca sobretudo as camadas mais desamparadas da população, aquelas que por sua pobreza são obrigados a viver em choças, em condições subhumanas.
Mas nem tudo deve ser encarado com pessimismo.
O alarma contra a doença de Chagas já encontrou eco em todas as partes do mundo. Novos medicamentos acham-se em observação; alguns com resultados mais positivos na forma agudada moléstia.
Em 1907, Oswaldo Cruz, então diretor do Instituto Manguinhos do Rio de Janeiro, enviou o jovem médico mineiro Carlos Chagas para o norte de seu Estado, a fim de combater uma epidemia de malária que vinha grassando entre os trabalhadores da construção da Estrada de Ferro Central do Brasil.
Utilizando um vagão como laboratório, Carlos Chagas não se limitou a combater a malária.
Em pesquisas pela região, examinou o Triatoma megistus e enviou alguns exemplares ao Instituto Manguinhos. Os sagüis, picados pelos isetos, apresentaram em seu sangue periférico a presença de numerosos tripanossomos desconhecidos e que, em homenagem a Osvaldo Cruz, receberam o nome de Trypanosoma cruzi.
Fonte: www.virtual.epm.br
A Doença de Chagas foi descrita por Carlos Chagas em 1909 . A doença atinge cerca de 18 milhões de pessoas no mundo , sendo 6 milhões , no Brasil. A doença pode cursar com comprometimento cardíaco , a chamada cardiopatia chagásica crônica. Causas A doença de Chagas é causada pelo Trypanosoma cruzi, um protozoário , sendo transmitida de um hospedeiro a outro por insetos, no caso dos seres humano, a doença é transmitido pelo inseto conhecido como barbeiro. A doença de Chagas estava primitivamente restrita aos pequenos mamíferos das matas e campos da América, desde a Patagônia até o sul dos Estados Unidos. Esses animais ( tatus, gambáse roedores) convivem com os barbeiros silvestres e, através de uma interação biológica, entre eles circula o Trypanosoma cruzi. Com a chegada do homem e os processos de colonização, em muitos lugares aconteceram desequilíbrios ecológicos (desmatamentos, e queimadas) e os barbeiros foram desalojados, invadindo as habitações rústicas e pobres dos lavradores e colonos. A doença chegou ao homem e aos mamíferos domésticos.
Hoje existem pelo menos 12 milhões de pessoas infectadas pelo Trypanosoma cruzi, das quais cerca de 6 milhões em nosso país.O Trypanossoma cruzi é transmitido no ato da alimentação do inseto. Assim que o barbeiro termina de se alimentar ele defeca , eliminando protozoários e colocando-os em contato com a ferida e a pele da vítima. A doença de Chagas também pode ser transmitida por transfusão sangüínea ou durante a gravidez, de mãe para filho. Sinais e sintomas Manifestações agudas: Normalmente o quadro clínico da infecção surge de 5 a 14 dias após a transmissão pelo barbeiro e 30 a 40 dias para infecções por transfusão sangüínea, mas as manifestações crônicas da doença de Chagas, aparecem mais tarde , na vida adulta. Mais ou menos de 4 a 6 dias após o contato com o barbeiro , pode surgir uma inflamação no local da entrada do parasito. Quando a infecção se dá no olho ou próximo a ele, o olho pode ficar inchado, sinal característico da doença , mas pouco freqüente. Quando ocorre na pele dos braços, pernas ou rosto, a lesão inicial pode se assemelhar a um furúnculo ou a uma mancha avermelhada quase sempre dolorosa. Essas lesões iniciais freqüentemente são acompanhadas de "ínguas" nas regiões próximas do local de contaminação. A febre é um dos sintomas mais freqüentes nessa fase da doença e, as vezes o único. Trata-se de febre baixa e contínua, geralmente durando semanas. Alguns dias após a penetração do parasito vai surgindo um mal-estar, falta de apetite, aceleração dos batimentos cardíacos, aumento do tamanho do baço e fígado, inchaço da face e de todo o corpo, indicando a disseminação da doença para todo o corpo. Trata-se da fase aguda da doença.
Esse quadro é mais comum entre as crianças (1 a 5 anos). Em pessoas mais velhas, geralmente, esses sinais ficam muito atenuados e fase inicial da doença passa desapercebida, confundindo-se com uma gripe ou mal-estar.A fase aguda tende a desaparecer espontaneamente. Porém em certos casos graves, sobretudo em crianças, pode sobrevir a morte devido a um ataque intenso do parasito aos órgãos e tecidos mais nobres do corpo, como coração e o sistema nervoso central. Manifestações tardias: Passada a fase aguda, as manifestações da doença vão depender de muitos fatores, dentre os quais a capacidade de defesa do organismo e a intensidade agressora do Trypanossoma cruzi. Muitos pacientes podem passar um longo período , ou mesmo a vida toda , sem apresentar nenhuma manifestação da doença , embora sejam portadores da doença , chamada de forma latente. Em outros casos, entretanto, a doença progride e, passada a fase inicial, pode comprometer muitos órgãos, principalmente o coração e o aparelho digestivo. O coração é o órgão mais lesado. O coração aos poucos vai se dilatando e crescendo ( miocardiopatia dilatada chagásica ) , atingindo dimensões enormes. A capacidade de contração do coração costuma se deteriorar com aprogressão da cardiopatia chagásica crônica. São comuns nessa fase avançada, sintomas de insuficiência cardíaca congestiva , como : inchaço nas pernas ( edema ) , fadiga , palpitações e falta de ar ( dispnéia ) . Não são raras, infelizmente, as morte súbitas e inesperadas entre indivíduos jovens, aparentemente sadios ( por arrtmias cardíacas complexas ).
Os batimentos cardíacos podem se tornar lentos ( bloqueios atrioventriculares ). Felizmente , a maior parte dos pacientes não chega a desenvolver formas graves da doença no coração e poderão ter uma vida praticamente normal. Os comprometimentos digestivos se traduzem geralmente pelo aumento do calibre do esôfago ou porções finais do intestino ( megaesôfago e megacólon chagásicos ). Essas alterações podem determinar dificuldade progressiva para deglutir ( disfagia ) e constipação intestinal prolongada.O
Diagnóstico Através dos sintomas acima descritos e história de contato com o barbeiro ( a chamada epidemiologia positiva para a doença de Chagas ) , podemos suspeitar da doença de Chagas. Entretanto, para se ter certeza, exames especiais são necessários. Na fase aguda deve-se procurar o Trypanossoma cruzi no sangue e na fase tardia da doença são necessários outros métodos, as reações sorológicas, já que a quantidade de Trypanossomas no sangue é muito pequena nessa fase. Há vários tipos dessas reações, sendo as mais usadas a imunofluorescência para a doença de Chagas e a reação de Guerreiro Machado. O diagnósticoda cardiopatia chagásica crônica pode ser feitos analisando-se , além do exame clínico , os exames complementares , como o eletrocardiograma , a radiografia do tórax e o ecocardiograma. Gravidade Alguns elementos do quadro clínico dos pacientes portadores de cardiopatia chagásica crônica , são indicativois de maior risco: insuficiência cardíaca e classe funcional III ou IV ( falta de ar aos mínimos esforços ou ao repouso ), cardiomegalia ( aumento da área cardíaca ) , anormalidades da contração do coração no ecocardiograma , taquicardia ventricular não-sustentada no Holter , complexos QRS de baixa voltagem no eletrocardiograma e sexo masculino. Cada ítem confere uma pontuação: 5 , 5 , 5 , 3 , 3 , 2 e 2 , respectivamente. Pacientes de baixo risco ( 0 a 6 pontos ) , médio risco ( 7 a 11 pontos ) e alto risco ( 12 a 20 pontos ), apresentam uma mortalidade em 10 anos de 10% , 44% e 84% , respectivamente. Prevenção e tratamento
Não existe vacina contra a doença de Chagas, e a melhor maneira de enfrentá-la , se dá por meio da prevenção e do controle, combatendo sistematicamente os vetores, mediante o emprego de inseticidas eficazes, construção ou melhoria das habitações para evitar a proliferação dos barbeiros, eliminação dos animais domésticos infectados, uso de cortinados nas casas infestadas pelos vetores, controle e descarte do sangue contaminado pelo parasita e seus derivados. Na fase aguda da doença , uma droga chamada de benzonidazol, poderá combater de forma eficaz a doença. Essa mesma medicação poderá ser útil na fase crônica do doença , no entanto, estudos maiores são necessários para conclusões mais precisas a esse respeito. O tratamento da cardiopatia chagásica crônica volta-se ao combate dos sintomas da insuficiência cardíaca , arritmias cardíacas , prevenção da morte súbita e da formação de coágulo dentro do coração. Para tal , dispomos de medicamentos ( inibidores da enzima de conversão , betabloqueadores , diuréticos , anticoagulantes , antiarrítmicos , como aamiodarona e , outros ) , marcapasso artificial e desfibrilador automático implantável. Em alguns casos , poderá ser indicado um transplante cardíaco.
Fonte: www.portaldocoracao.com.br