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Doença de Chagas

 

Mal de Chagas uma doença transmitida pelo Barbeiro.Não há cura nem tratamento na fase mais avançada da moléstia.

A doença avançou no último ano na região amazônica, área antes considerada livre do problema, e na forma oral, relacionada ao consumo de alimentos contaminados, principalmente os produzidos com açaí e cana-de-açúcar e não industrializados.

É uma doença infecciosa causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi e transmitida pelo inseto Triatoma infestans, conhecido como barbeiro. Seu nome é uma homenagem ao cientista e médico brasileiro Carlos Chagas, descobridor do agente causador e de sua forma de transmissão.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 1997 cerca de 18 milhões de pessoas no mundo tinham a doença.

Ao picar uma pessoa já infectada pelo parasita, o barbeiro torna-se portador dos tripanossomos. Enquanto pica um indivíduo sadio, o inseto defeca e elimina fezes contaminadas.

A vítima, ao coçar o local da picada, espalha as fezes do mosquito sobre o ferimento. Assim, os parasitas penetram na pele e atingem a circulação sanguínea. Nessa fase, os sintomas são raros, podendo incluir forte reação local à picada e febre alta.

Se não diagnosticada, a doença evolui para a forma crônica. Os tripanossomos instalam-se nos músculos humanos, em especial no coração.

Ao atingir e destruir as fibras musculares, provocam insuficiência e arritmia cardíaca, que podem levar à morte.

A prevenção consiste no saneamento básico, no combate ao inseto transmissor e na melhoria das condições de habitação.

Doença de Chagas
O ‘bicho barbeiro’ é o transmissor da Doença de Chagas

Transmissão

A doença de Chagas é causada pelo Trypanosoma cruzi, um tropozoário, e é transmitida de um hospedeiro a outro por insetos, no caso humano, é transmitido pelo barbeiro.

A doença de Chagas estava primitivamente restrita aos pequenos mamíferos das matas e campos da América, desde a Patagônia até o sul dos Estados Unidos.

Esses animais (tatus, gambás, roedores) convivem com barbeiros silvestres, e através de uma interação biológica, entre eles circula o Trypanosoma cruzi.

Com a chegada do homem e os processos de colonização, em muitos lugares aconteceram desequilíbrios ecológicos (desmatamentos, queimadas) e os barbeiros foram desalojados, invadindo as habitações rústicas e pobres dos lavradores e colonos.

A doença chegou ao homem e aos mamíferos domésticos. Hoje existem pelo menos 12 milhões de pessoas infectadas pelo Trypanosoma cruzi, das quais 5 a 6 milhões em nosso país.

Pequenos mamíferos destes ambientes, inclusive os mais domésticos, constituem fonte alimentar para "barbeiros" e importantes reservatórios (verdadeiros depósitos) do perigoso micróbio que acabará infectando o homem. Conhecidos popularmente pelos nomes de "barbeiro', "chupança", "procotó" e "bicho de parede, os triatomíneos, insetos que se alimentam do sangue de mamíferos, são os principais hospedeiros do Trypanosoma cruzi, parasita causador da doença de Chagas.

Os barbeiros moram nos ninhos, abrigos ou esconderijos dos animais portadores do parasita, de maneira que, ao sugar-lhes o sangue, fazem com que animais adquiram a infeção. a partir daí estabelece-se um círculo vicioso. ao picar os animais, o barbeiro deposita na superfície da pele suas fezes, que contem o parasita.

Os excrementos contaminados poderão penetrar no organismo do animal que, então adquirirá a infeção.

O tripanossoma é transmitido no ato de alimentação do inseto. Assim que o barbeiro termina de se alimentar ele defeca, eliminando protozoários e colocando-os em contato com a ferida e a pele da vítima.

A doença de Chagas também pode ser transmitida por transfusão sangüínea ou durante a gravidez, de mãe para filho.

O diagnóstico da doença de Chagas

Através dos sintomas acima descritos e história de contato com o barbeiro pode-se suspeitar da doença de Chagas. Entretanto, para se ter certeza, exames especiais são necessários.

Na fase aguda deve-se procurar o Trypanosoma cruzi no sangue e na fase tardia da doença são necessários outros métodos, as reações sorológicas, já que a quantidade de tripanossomas no sangue é muito pequena nessa fase.

Há vários tipos dessas reações, sendo as mais usadas a imunofluorescência e de Guerreiro Machado.

Tratamento

Antiparasitários tratamento é mais eficaz no início do curso da infecção, mas não se limita aos casos em fase aguda. Nos Estados Unidos, este tipo de tratamento está disponível através do CDC.

O seu provedor de saúde pode falar com o CDC pessoal sobre se e como você deve ser tratada. A maior parte das pessoas não precisam de ser hospitalizados durante o tratamento.

Tratamento sintomático pode ajudar as pessoas que têm problemas cardíacos ou intestinal de Chagas. Por exemplo, pacemakers e medicamentos para heartbeats irregulares podem ser vida para salvar alguns pacientes com doenças cardíacas crónicas.

Prevenção

A prevenção está centrada no combate ao vetor, o barbeiro, principalmente através da melhoria das moradias rurais a fim de impedir que lhe sirvam de abrigo.

A melhoria das condições de higiene, o afastamento dos animais das casas e a limpeza frequente das palhas e roupas são eficazes.

O uso do inseticida extremamente eficaz mas tóxico DDT está indicado em zonas endémicas, já que o perigo dos insetos transmissores é muito maior.

Fonte: caminhosdoconhecimento.com

Doença de Chagas

1 - O que é a doença de Chagas?

É uma doença infecciosa e parasitária, que existe somente no continente americano. É causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi e transmitida ao homem por insetos do gênero triatomíneo, conhecidos pela população rural no Brasil como “barbeiros”. Foi descoberta por Carlos Chagas, médico e pesquisador do Instituto Oswaldo Cruz, em 1909, na cidade de Lassance, localizada na região norte de Minas Gerais.

2 - Qual a origem da Doença de Chagas?

A doença tem origem silvestre e o parasita circula entre os “barbeiros” que sugam o sangue de animais silvestres como ratos, tatus, coatis, mucuras e pássaros.

O homem afugentou as fontes de alimento dos “barbeiros” e destruiu os abrigos dos animais (buracos, troncos, cavernas e copas de palmeiras: inajá, mucajá babaçu, patauá e dendê), atraindo assim os “barbeiros” para dentro de sua própria casa.

3 - Só existem barbeiros na área rural?

Sendo os barbeiros originalmente insetos silvestres, que se adaptam ao ambiente domiciliar em situações peculiares (proximidade do ambiente silvestre, tipo de casa e hábitos da população), sua presença se dá marcadamente na área rural. No Brasil, a presença de triatomíneos nas áreas urbanas é muito rara, apesar disto ser possível, principalmente nos bairros próximos ao ambiente natural. Com o crescimento desorganizado das cidades nos últimos anos e com a construção de casas precárias nas periferias, o risco de encontrarmos barbeiros nas cidades tem aumentado, e vale à pena manter uma especial vigilância nestas áreas.

4 - Como está a situação atual do controle da doença no Brasil?

Conforme relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), a transmissão da doença de Chagas no Brasil está muito próxima de ser solucionada. Acredita-se que até 2010 não haverá casos novos da doença. Isto se deve à campanha da antiga SUCAM (atual Fundação Nacional de Saúde), que a partir dos anos 80 fez campanhas sistemáticas de borrifação de inseticidas nos domicílios das cidades do interior, por todo o país. Porém, é preciso não descuidar das medidas de vigilância sanitária, para evitar que se criem condições que permitam a reinfestação das casas em áreas em que existem barbeiros.

5 - Quais as formas de contágio da doença de Chagas?

A forma de transmissão mais conhecida é pela picada do inseto “barbeiro” contaminado pelo protozoário. Este inseto tem por hábito defecar após sugar o sangue das pessoas, o que ocorre habitualmente no período noturno. Nas fezes do inseto é eliminado o parasita, conhecido como Trypanossoma cruzi. Pelo contato com o local da picada (que se dá geralmente no rosto, daí o nome de “barbeiro”), ao coçar, o parasita penetra na corrente sanguínea da pessoa.

Existem outros meios de se transmitir a doença.

São eles: a transmissão congênita, ou seja, da mãe chagásica para o filho durante a gravidez, aleitamento materno, transfusão de sangue, mediante a recepção de órgãos transplantados de indivíduos infectados, a contaminação em acidentes de laboratório, mais frequente pela manipulação de material contaminado, e a contaminação por ingestão de alimentos que contenham fezes de barbeiros infectados.

6 - É possível contrair a Doença de Chagas de pessoa para pessoa se tivermos contato através de beijo, relação sexual ou sangue?

A infecção pode ser transmitida pessoa para pessoa através do sangue (transfusão) ou materno-infantil (transplacentária ou por aleitamento). Como toda doença de veiculação sanguínea, a transmissão sexual teoricamente é possível em indivíduos com alta quantidade de parasitas no sangue (fase aguda evidente) que mantenham relações sexuais nas quais ocorram eventuais traumas físicos e exposição ao contato com sangue.

7 - Uma pessoa que tem a doença pode ter filhos?

Sim. Não há contra indicação para mulheres chagásicas, na fase crônica, engravidarem. Trabalhos realizados tanto em maternidades urbanas como em área rural, em regiões endêmicas e não endêmicas, mostram que o risco da mãe passar a doença para o bebê varia de 0,3% a 7%, com média de 1%. Ou seja, a cada 100 mulheres portadoras de doença de Chagas, uma passa a doença para a criança. Nestes casos, a criança deve ser acompanhada em serviço especializado para tratamento específico, com alta probabilidade de cura. O homem não transmite a doença para os filhos.

8 - A Doença de Chagas é uma doença grave?

Sim, pode ser. Muitas pessoas adquirem a infecção durante a infância. O estágio mais precoce da infecção geralmente não é grave, causando sintomas que regridem em algumas semanas. Mas às vezes o quadro é grave e pode levar à morte, principalmente em crianças. Em cerca de 1/3 dos pacientes infectados, os sintomas só vão surgir após 10 ou 20 anos, diminuindo, em média, a expectativa de vida em nove anos.

9 - Existe cura para a Doença de Chagas?

Nas manifestações agudas, quando tratadas precocemente, há uma grande chance de cura, ou seja, o indivíduo não morre e se recupera totalmente.

Nas formas crônicas, são raríssimos os casos de cura, mesmo quando tratados com droga específica (Benzonidazol). "Cura" aqui está sendo entendida como a negativização dos exames sorológicos previamente positivos, independente da evolução clínica da pessoa.

Em relacão à cura clínica na forma crônica da doença, ou seja, a regressão total das lesões cardiológicas ou digestivas para a normalidade, infelizmente ela não se observa na prática médica.

Todo indivíduo com infecção chagásica deve procurar um serviço médico capaz de fazer os diagnósticos clínico, laboratorial e epidemiológico e identificar a fase da doença, para definição do tratamento adequado, quando necessário. O manejo clínico do paciente chagásico, particularmente das formas cardíacas, é importante, pois quando bem conduzido e iniciado precocemente resulta na diminuição de mortalidade.

10 - Como é feito o diagnóstico?

Existem dois tipos de métodos para o diagnóstico laboratorial da doença: os sorológicos e os parasitológicos.

Os métodos sorológicos são aqueles que buscam identificar, no sangue do indivíduo, a presença de anticorpos produzidos pelo organismo contra o Trypanosoma cruzi, evidenciando desta forma a contaminação pelo parasito. As técnicas atualmente mais utilizadas são a ELISA e a Imunofluorescência Indireta. Antigamente, se realizava a Reação de Fixação de Complemento, conhecida como reação de Machado e Guerreiro (nomes dos pesquisadores que a desenvolveram), mas esta técnica foi abolida há alguns anos.

11 - O que a pessoa deve fazer se estiver doente ou com suspeita da doença?

Deve procurar um Posto de Saúde da sua cidade para receber orientações de como fazer a pesquisa da doença. A doença é curável na maioria dos casos e o tratamento é gratuito.

12 - Quanto tempo após o contágio começa a aparecer os primeiros sintomas?

Para esta resposta é necessário considerarmos as várias formas de transmissão. Na transmissão vetorial, ou seja, através do “barbeiro”, o período médio varia entre 10 a 14 dias após o contato com o inseto vetor. Na transmissão oral os períodos são variáveis e por vezes difíceis de serem identificados, variando entre 3 e 25 dias após a contaminação. Para a transmissão acidental, na qual o parasita é inoculado diretamente na corrente sanguínea, o período de incubação pode ocorrer em até 10 dias. Quando adquirida por transfusão de sangue, o período de incubação varia de 30 a 40 dias.

Considerando as três fases da Doença de Chagas, produzida por Trypanosoma cruzi (aguda, indeterminada, crônica); em geral, as formas crônicas da doença permanecem assintomáticas (sem apresentar sintomas da doença) durante 10 a 20 anos e vão se manifestar mais de 10 anos após a infecção inicial. No entanto, neste período assintomático, o parasita continua a se reproduzir em baixos números, causando danos irreversíveis que, mesmo com tratamento, geralmente devido à cardiomiopatia (insuficiência cardíaca), podem ser fatal. Há ainda alguns casos de morte súbita.

13 - Quais são os principais sintomas e aspectos clínicos da doença de Chagas?

Na fase aguda da infecção, os principais sintomas podem ser: febre, aparecimento de gânglios, crescimento do baço e fígado, alterações elétricas do coração e ou inflamação das meninges nos casos graves, que duram em média de três a oito semanas. Se o contato com o barbeiro se der na região próxima ao olho, ocorre inchaço neste local (conhecido como "sinal de Romaña"). Se o barbeiro tiver picado a pessoa no braço ou nas pernas, forma-se um furúnculo, chamado de "chagoma de inoculação". Estes sinais constituem as chamadas "portas de entrada" aparentes da infecção.

Na fase crônica, a maioria (cerca de 70%) dos portadores da doença permanece durante longo tempo, em torno de duas a três décadas, sem apresentar nenhum sintoma, ou seja, sem nenhuma alteração de seu quadro clínico. Esta é a chamada forma assintomática ou indeterminada da doença.

Quando surgem os sintomas da fase crônica, eles estão relacionados a distúrbios no coração (forma cardíaca) e/ou no esôfago e intestino (forma digestiva).

Nestes casos, a evolução da doença vai depender do grau de acometimento de tais órgãos e do recurso à assistência médica.

Quando o coração é atingido, o comprometimento pode se dar na parte elétrica e as queixas mais frequentes são as palpitações (sensação de batida do coração fora do ritmo normal), as taquicardias (aceleração das batidas sem causa aparente), sensação de desmaio ou até desmaio propriamente dito (síncope). No comprometimento do músculo cardíaco, ocorrem sintomas como a falta de ar devido a médios e pequenos esforços físicos, tosse frequente e inchação nas pernas e na barriga.

Nos casos de agressão cardíaca, a miocardiopatia dilatada é um fator de mau prognóstico, ou seja, indica prováveis complicações na evolução da doença, em especial quando há severa disfunção da capacidade de bombear sangue ou quando ocorrem arritmias graves, que podem levar à morte súbita.

A forma cardíaca é a principal causadora de limitações ao doente chagásico, pela incapacitação ao trabalho, e a principal responsável por casos fatais da doença.

A forma digestiva da doença é caracterizada pela dilatação do esôfago e/ou do intestino (respectivamente, mega-esôfago e megacólon), a qual tende a aumentar progressivamente ao longo dos anos.

Quando o órgão comprometido é o esôfago, a principal queixa é a dificuldade de engolir alimentos, especialmente sólidos, além da regurgitação após refeições.

No caso do intestino, o indivíduo fica sem evacuar por longos períodos, responde muito pouco ao tratamento com dieta laxativa e necessita frequentemente de lavagens por via retal.

É importante destacar que, apesar dos casos em que ocorrem alterações cardíacas e digestivas, a maioria dos indivíduos infectados com a doença de Chagas encontra-se na forma assintomática, ou seja, na condição de mero portador, sem repercussões importantes em seu ambiente familiar e de trabalho, mantendo-se nesta condição ao longo de toda a sua vida.

14 - Como é o tratamento para combater a doença de Chagas? Existem remédios? Quais são os efeitos colaterais?

O tratamento específico da doença de Chagas está centrado em um medicamento chamado Benzonidazol (Rochagan). A indicação de seu uso é para os casos agudos (menos de seis meses) ou fase crônica recente e infecções congênitas.

Nas formas crônicas, independentemente da presença de sintomas, há divergências quanto ao tratamento com o Benzonidazol. Os Centros de Referência para tratamento de chagásicos praticam condutas diferentes. Há os que tratam todos os portadores de Chagas indiscriminadamente, outros que não praticam o tratamento em nenhum caso, e alguns que seguem os critérios do Ministério da Saúde, tratando seletivamente de acordo com a forma clínica. Esta falta de consenso é decorrente da escassa literatura médica quanto ao real benefício do tratamento, pois não se tem bem definido se este cura a pessoa ao interferir na evolução da doença.

Este tratamento deve obrigatoriamente ser acompanhado por médico experiente no uso do Benzonidazol, através de monitoramento laboratorial, já que o medicamento apresenta em 20% dos pacientes efeitos colaterais potencialmente graves.

Independentemente do uso do Benzonidazol, os pacientes que manifestem sintomas da doença, relacionados às alterações cardíacas e/ou digestivas, devem ser tratados mediante os procedimentos médicos habitualmente utilizados para controlar tais alterações. É o que se chama de tratamento sintomático, isto é, voltado para os sintomas. Nesse sentido, qualquer especialista das áreas em questão (cardiologista, gastroenterologista, proctologista) está habilitado a acompanhar um portador de doença de Chagas.

No caso das alterações cardíacas graves, recorre-se a cirurgias e transplantes do coração e à colocação de marca-passos e desfibriladores intra-cardíacos. O paciente cardiopata que não apresenta alterações graves pode beneficiar-se exclusivamente do tratamento clínico com medicamentos cardiológicos e estacionar o seu quadro clínico com aumento da qualidade e da expectativa de vida.

No caso das alterações do esôfago e do intestino, na maioria dos casos utiliza-se a intervenção cirúrgica para a solução do problema.

Algumas novas drogas estão sendo estudadas para o tratamento da doença. Até o momento, entretanto, nenhuma com resultados mais promissores. Processos terapêuticos modernos de utilização de células tronco em doentes com avançada doença cardíaca são promissores.

15 – Existe alguma vacina que previna contra a doença de Chagas?

Não há vacina e nem remédio para prevenir a doença. Várias tentativas foram feitas ao longo da década de 1980, porém nenhum dos antígenos utilizados se mostrou adequado para tal propósito. O parasito apresenta vários mecanismos de escape que inviabilizam a ação da vacina.

Está sendo desenvolvida na França, por uma equipe do Instituto Pasteur, liderada pela brasileira Paola Minoprio, uma vacina experimental para combater a doença de Chagas e também todas essas infecções parasitárias, mas nada ainda foi confirmado quanto a sua eficácia. Ela permite que o organismo infectado pelo protozoário causador da moléstia produza anticorpos específicos contra ela. Normalmente, esse parasita dribla as defesas do organismo e induz à produção de anticorpos incapazes de neutralizar os agentes agressores.

A partir de experimentos com camundongos, a equipe conseguiu identificar o gene do protozoário que codifica uma proteína com propriedades mitogênicas (TcPA45). A partir daí, desenvolveram um modelo experimental de vacinação intramuscular com DNA contendo o gene.

Paola Minoprio afirma que injetando pequenas doses dessa proteína no organismo, estimulam-se os linfócitos B a produzirem anticorpos específicos. Assim, uma resposta neutralizadora estará presente quando os parasitas entrarem em contato com o hospedeiro. Testes demonstraram que a vacina induziu uma diminuição de 85% dos níveis de parasitas circulantes após infecção.

A produção de mitógenos para confundir as respostas do sistema imune do hospedeiro é uma estratégia utilizada pela maioria das bactérias, fungos e vírus. A equipe de Minoprio está trabalhando agora no isolamento dos genes de outros parasitas.

16 - Quem teve a doença de Chagas pode ser doador de órgãos ou de sangue?

Não. Os bancos de sangue, em função do controle da qualidade do sangue e para maior proteção aos seus transfundidos, não aceitam como doadoras pessoas que já tenham tido a doença, mesmo que em seus exames de triagem o resultado não apresente mais a doença. Este é um procedimento normal e uma forma eficaz dos bancos de sangue protegerem seus pacientes (receptores). Por isso, hoje são raros os casos transfusionais.

A maioria dos indivíduos com infecção pelo T. cruzi pode ficar com o parasito nos tecidos e sangue, durante toda a vida, o que significa que devem ser excluídos das doações de sangue e de órgãos.

17 - O que fazer quando encontrar um inseto (besouro) que se suspeite ser um “barbeiro”?

Não mate, não esmague e nem coloque no álcool. Coloque o inseto numa caixinha ou frasco vazio sem conservante e leve até um posto de referência entomológica (Posto de Saúde, centros de controle de zoonoses, centros de pesquisa) para que ele seja identificado (confirmando se realmente é um barbeiro), e examinado, para sabermos se ele está infectado pelo Trypanosoma cruzi. Se estiver, e se tiver sido encontrado em contato direto com os moradores, vale a pena fazer um exame do sangue destas pessoas. Este exame pesquisa a existência de anticorpos contra o Trypanosoma cruzi no sangue (se há anticorpos, há infecção), considerando-se, porém, que estes anticorpos só aparecem cerca de 30 dias depois da infecção. O Sistema Único de Saúde (SUS) deverá estar preparado para pesquisar na casa a existência de outros barbeiros além do que foi encontrado e, se necessário, deve borrifá-la com inseticida adequado.

18 - Como evitar a doença de Chagas?

Os princípios da prevenção da doença de Chagas baseiam-se fundamentalmente em medidas de controle do barbeiro, dificultando e/ou impedindo a sua proliferação nas residências e em seus arredores:

Ação sobre os “barbeiros”: borrifar as casas infestadas, manter a sua casa, chiqueiros, galinheiros e quintais bem limpos. Evitar a construção de casas próximo das matas e colocar tela nas janelas. Evitar deixar lâmpadas acessas durante a noite muito próximo dos cômodos onde as pessoas dormem. Encaminhar insetos suspeitos de serem barbeiros para o serviço de saúde mais próximo.

Ação sobre as fontes de infecção: o tratamento do paciente. Manter os demais reservatórios silvestres longe da casa do homem.

Transmissão por contaminação de alimentos: evitar o consumo de carne de caça ou ferver muito bem, tomando cuidado no momento do abate do animal. Muita atenção com as máquinas de bater açaí, de moer carne, cana de açúcar e mandioca. Manter as vasilhas de alimento sempre bem cobertas. No preparo do açaí selecione os caroços, lave pelo menos quatro vezes e por último, antes de colocar de molho na água morna, deixe os caroços já lavados por uma hora numa mistura de 10 litros de água para um vidro de (30ml) hipoclorito.

Transmissão transfusional: usar somente sangue dos hemocentros.

Transmissão pelo leite materno: a mãe com a doença não deve amamentar até que esteja completamente curada.

Medidas sócio-econômicas: melhoria de habitação e educação sanitária.

19 - Como é feito o controle da transmissão da doença?

Nas áreas em que se verifica a transmissão pelo vetor, os métodos de controle consistem na aplicação sistemática de inseticidas nos domicílios e ao redor deles, e na realização de melhorias nas habitações, como, por exemplo, a substituição das paredes de barro por paredes de alvenaria (para evitar a infestação pelos barbeiros). Para controlar a transmissão transfusional, é necessário fiscalizar a qualidade do sangue dos doadores, mediante exames que comprovem que eles não são portadores da doença.

20 - A polpa do açaí comercializada oferece menos risco de contaminação?

Se constar na embalagem o número de registro do produto junto ao ministério não há risco, pois para a comercialização de polpas de sucos tropicais, as empresas precisam atender algumas regras sanitárias do Ministério da Agricultura.

21 - O congelamento da polpa do açaí elimina a possibilidade de contrair a Doença de Chagas? À que temperatura da água o Trypanossoma é eliminado?

Sim. O suco do açaí congelado em casa e consumido somente no dia seguinte elimina o protozoário Trypanosoma cruzi. O congelamento mínimo é de 20°C negativos, pelo menos por oito horas até completa rigidez em freezer. O congelador da geladeira não é recomendado, pois não alcança a temperatura de -20°C. As empresas que comercializam o produto congelam em câmara, onde a temperatura passa de -30°C, isso sem contar com a pasteurização e a higienização feitas antes.

22 - O açaí pasteurizado também elimina a possibilidade de contrair a doença de Chagas?

No processo de pasteurização, a polpa do açaí é aquecida durante alguns segundos a temperaturas entre 80°C e 90°C, e depois é imediatamente resfriada (temperatura que passa de -30°C). Esse processo elimina o agente causador da doença de Chagas.

Fonte: www.conexaoprofessor.rj.gov.br

Doença de Chagas

A Doença de Chagas é uma doença infecciosa causada por um parasita chamado Trypanosoma cruzi, homenagem do seu descobridor, o cientista brasileiro Carlos Chagas, ao, também, cientista brasileiro, Oswaldo Cruz.

Doença de Chagas
Oswaldo Cruz

Os insetos chamados de triatomas (os populares barbeiros ou chupões, como são conhecidos no interior do Brasil) são hematófagos, isto é, alimentam-se de sangue. Ao alimentarem-se do sangue de mamíferos silvestres ou domésticos contaminados (reservatórios do agente da doença) ou mesmo de humanos contaminados, ingerem os parasitas que, no tubo digestivo do barbeiro, passam por transformações evolutivas que resultam em formas infectantes as quais são eliminadas nas fezes do inseto, próximo ao ponto da picada (ao sugarem o sangue dos humanos). O ato de coçar o local da picada espalha as fezes, promovendo a contaminação através da lesão resultante da picada.

Doença de Chagas
Carlos Chagas

Outras formas de contágio são a transmissão vertical em gestantes contaminadas, transfusões sanguíneas, acidentes com instrumentos de punção ou em laboratórios por profissionais da saúde, sendo estas duas últimas bem mais raras. A doença possui uma fase aguda e outra crônica. No local da picada pelo “vetor” (agente que transmite a doença, no caso, o barbeiro), a área torna-se vermelha e endurecida, constituindo o chamado chagoma, nome dado à lesão causada pelo Trypanosoma. Quando esta lesão ocorre próxima aos olhos, leva o nome de sinal de “Romaña”. O chagoma acompanha-se, em geral, de íngua próxima à região.

Após um período variável de incubação (período sem sintomas, de não menos que uma semana), ocorre febre, ínguas por todo o corpo, inchaço do fígado e do baço e uma vermelhidão no corpo semelhante a uma alergia e que dura pouco tempo.

Nessa fase, nos casos mais graves, pode ocorrer inflamação do coração (miocardite) com alterações do eletrocardiograma e número de batimentos por minuto aumentado.

Ainda nos casos mais graves, pode ocorrer sintomas de inflamação das camadas de proteção do cérebro (meningite) e inflamação do cérebro (encefalite). Os casos fatais são raros e, quando ocorrem, são consequêntes à miocardite, meningite ou encefalite. Mesmo sem tratamento, os sintomas desaparecem após algumas semanas ou meses. A pessoa contaminada pode permanecer muitos anos (ou mesmo o resto da vida) sem sintomas, permanecendo apenas com testes laboratoriais positivos. A detecção do parasita no sangue, ao contrário da fase aguda, torna-se agora bem mais difícil.

A presença de anticorpos contra o parasita em níveis elevados, denota infecção em atividade.

Na fase crônica, as manifestações da doença, em geral se concentram no coração (miocardite chagásica), no esôfago (megaesôfago) e no intestino grosso (megacolon), traduzidas por arritmias, dificuldades de deglutição, regurgitação, pneumonia por aspiração, constipação crônica e dor abdominal.

Mais recentemente, a associação de Doença da Chagas com AIDS ou outros estados de imunossupressão tem mostrado formas de reagudização grave que se desconhecia até então, como o desenvolvimento de quadros neurológicos relacionados à inflamação das meninges, camadas que revestem o cérebro.

Como se faz o diagnóstico?

Sempre suspeitar da doença diante de um indivíduo que esteve em zona endêmica e apresenta sintomas compatíveis. O diagnóstico é feito por testes de detecção de anticorpos ao Trypanosoma no sangue (mais comum), ou pela detecção do próprio parasita no sangue, nas fases agudas.

Doença de Chagas
Trypanosoma cruzi

Como se trata?

A medicação utilizada no nosso meio é o benzonidazole, que é muito tóxico, sobretudo pelo tempo de tratamento, que pode durar de três a quatro meses. Seu uso é de comprovado benefício na fase aguda. Na fase crônica, o tratamento é dirigido às manifestações crônicas da doença. A diminuição da capacidade de trabalho do coração é tratada como na insuficência desse órgão por outras causas, podendo, em alguns casos, ser necessário o transplante.

PREVENÇÃO

Os princípios da prevenção da Doença de Chagas baseiam-se, fundamentalmente, em medidas de controle do barbeiro, dificultando e/ou impedindo a sua proliferação nas residências e em seus arredores.

São medidas de controle:

Manter a casa limpa, varrer o chão, limpar atrás dos móveis e dos quadros, expor ao sol os colchões e cobertores, locais onde os barbeiros costumam se esconder

Retirar ninhos de pássaros dos beirais das casas

Impedir a permanência de animais e aves dentro da casa (o seu sangue serve de alimento para os barbeiros)

Construir galinheiros, paiol, tulha, chiqueiro e depósito afastados das casas e mantê-los limpos

Divulgar para os amigos e parentes as medidas preventivas

Encaminhar os insetos suspeitos de serem barbeiros para o serviço de saúde mais próximo.

A gravidade da doença aliada às suas consequências individuais e sociais e também a dificuldade de tratamento fazem da prevenção ação fundamental.

A doença ocorre, principalmente, sobre as áreas mais pobres, áreas rurais, onde persistem condições de desnutrição, analfabetismo e falta de higiene, entre outros. Deve-se promover uma melhoria da habitação, rebocando as paredes e deixando-as livres de fendas, afastando, desta forma, a possibilidade de procriação do inseto. A utilização de inseticidas de ação residual prolongada, com baixa toxicidade para homem e animais domésticos, deve ser empregada para a eliminação do barbeiro.

Aplicar inseticidas não significa que o barbeiro não aparecerá novamente. A participação de cada um é fundamental, informando as secretarias de saúde (ou seus representantes mais próximos) quanto forem encontrados insetos suspeitos.

As pessoas que saibam ser chagásicas, ou que procedem de áreas onde os índices da doença são muito altos, não devem doar sangue sem comunicar esses fatos ao médico.

Fonte: dsau.dgp.eb.mil.br

Doença de Chagas

O TRATAMENTO ESPECÍFICO DA DOENÇA DE CHAGAS

A doença de Chagas humana prevalece do sul dos Estados Unidos até a Patagônia, onde põe sob risco mais de 60 milhões de pessoas de 18 países americanos e afeta cerca de 18 milhões de indivíduos.

Transmitida principalmente por um inseto sugador de sangue, o triatomíneo vulgarmente conhecido por "barbeiro", "chupão" ou "fincão", pode também veicular-se de homem a homem através de transfusão de sangue, por via placentária, por transplantes de órgãos, por acidentes em laboratório e por outras vias excepcionais, como a oral. Descoberta por CARLOS CHAGAS em 1909, de um lado representa um grande problema médico e social da América Latina e, de outro, a sua descoberta, uma glória para a Medicina Brasileira.

A doença humana transcorre numa fase inicial aguda, caracterizada por febre, muitos parasitas circulantes e poucas semanas de duração, seguindo-se uma fase crônica, afebril, com poucos parasitas no sangue e causadora de importantes alterações cardíacas em cerca de 20-30% dos casos e digestivas (danos principalmente no esôfago e intestino grosso) em aproximadamente 10% dos pacientes.

Hoje, a doença de Chagas se constitui numa das prioridades assinaladas pelos Ministros de Saúde da América Latina e pela última Assembléia Mundial da Saúde

Para efeitos práticos, o tratamento desta doença pressupõe uma terapêutica específica (contra o parasita, visando eliminá-lo) e uma sintomática (para atenuação dos sintomas, como pelo uso de cardiotônicos e antiarrítmicos, para o coração, ou através de cirurgias corretivas do esôfago e do cólon).

Neste pequeno artigo, interessa basicamente o tratamento específico da doença de Chagas, que ultimamente tem aumentado suas indicações entre a classe científica. O interesse para o tratamento sempre foi muito grande e hoje mostra-se como prioridade, especialmente depois que foram equacionados os principais problemas de prevenção da transmissão da doença, restando como desafio tratar milhões de indivíduos já infectados.

Já Carlos Chagas, em seus primeiros trabalhos, vaticinava que o problema era extremamente importante nas regiões endêmicas, e que seu controle definitivo iria depender do combate efetivo aos "barbeiros" mediante melhoramento das pobres habitações rurais. Isto, por sua vez, dependeria da compreensão da moléstia e de vontade política para desencadear e sustentar um programa de governo neste sentido. A partir de 1911, Chagas e seus companheiros do Instituto Oswaldo Cruz se puseram em campo para melhorar o diagnóstico e tentar estabelecer um tratamento específico da doença, que vitimava geralmente crianças em sua etapa aguda e desencadeava uma terrível e mortal cardiopatia em muitos casos da fase crônica.

Muitos medicamentos foram experimentados contra o Trypanosoma cruzi (T.cruzi), agente da moléstia, ao longo de décadas, sem sucesso: arsenicais, antimoniais, derivados do quinino, aminas, sulfas e antibióticos, que se mostravam ativos em outras infecções e doenças tropicais como a sífilis, a malária, a doença do sono, as leishmanioses, a tuberculose, a amebíase, etc., mostravam-se inócuos contra o tripanosoma de Chagas. Este protozoário, ao infectar o homem, se abriga na íntimidade de várias células e mostra capacidade de defender-se contra uma série enorme de compostos químicos e de agentes biológicos, mediante estratégias e artifícios como neutralização, inativação, capeamento, variação antigênica, etc.. Na realidade, somente nos anos 40 alguns compostos mostraram alguma ação contra o T.

cruzi em modelos experimentais e casos agudos humanos. O principal deles foi o quinoleínico "Bayer 7.602", com discreta atividade parasiticida, seguindo-se um arsenical composto de enxofre, denominado "Spirotrypan", muito usado nos anos 50. Muito tóxicos, remédios como estes reduziam efetivamente o número de parasitas circulantes na doença aguda, mas eram praticamente ineficazes na crônica, nunca logrando a extinção total do parasitismo, como seria necessário para a cura.

A doença de Chagas, cada vez mais diagnosticada, ganhou o estigma de incurável.

Os anos 60 trouxeram fatos animadores, como o trabalho de Zigman Brener, indicando a necessidade de que o tratamento fosse prolongado (até 60 dias) e o surgimento de drogas mais ativas, os nitrofuranos.

Dentre estes, o mais efetivo foi o "nifurtimox" (Lampit â ), que realmente levou à cura vários casos agudos e mesmo de alguns crônicos, trazendo esperanças aos doentes e à comunidade científica. Mais adiante surgiu outro fármaco, um derivado imidazólico denominado "benznidazol" (Rochagan â ), um pouco mais efetivo.

A partir daí, multiplicaram-se os ensaios terapêuticos que levariam pelo menos 20 anos para alcançar consenso e resultados comparáveis entre os pesquisadores.

Apesar de apresentarem moderada toxicidade, estes medicamentos conseguiam eliminar o parasita no sangue e nos tecidos, se administrados na dose certa e durante o período de 2 meses, efeito este mais palpável na fase aguda.

Sempre indicado para ser feito por médico, o tratamento exige cuidadosa atenção para adequação da dose do fármaco e para o manejo de reações colaterais que ocorrem em cerca de 30 a 40% dos pacientes, em gravidade variável. Para o Lampit as reações principais referem-se a perda de apetite, emagrecimento, irritabilidade e alterações temporárias de comportamento. Para o Rochagan, ocorrem principalmente reações na pele (semelhantes à urticária), alterações digestivas, neurite e diminuição de glóbulos brancos no sangue. Em alguns pacientes, tais reações adversas são intensas e obrigam a suspender o medicamento.

Com muitos estudos experimentais e em humanos, já nos anos 80 a comunidade científica brasileira indicava o tratamento específico para todos os casos agudos e congênitos da doença de Chagas, ampliando-se aos poucos esta indicação para casos crônicos de baixa idade e de infecção recente, assim como na qualidade de preventivo para situações de acidentes de laboratório e de transplantes de órgãos de doador chagásico para receptor não-chagásico.

Hoje estas indicações estão se ampliando, principalmente para os pacientes crônicos de qualquer idade que ainda não desenvolveram lesões cardíacas muito graves da doença de Chagas. As pesquisas experimentais da Dra. Sônia Andrade, da Bahia, mostram cura em cães agudos e crônicos tratados, com a eliminação do parasita e regressão de lesões ativas da doença, inclusive a diminuição dos processos de fibrose, tão lesivos ao coração do chagásico.

No homem, trabalhos de pesquisadores brasileiros (como Anis Rassi, Romeu Cançado, Ana Lúcia Andrade e Abílio Fragata) e argentinos (Viotti, Sosa-Estani) estão mostrando a cura do crônico e a prevenção de lesões graves em proporção significativa de pessoas tratadas, frente a controles não-tratados.

Estes resultados animaram os programas de doença de Chagas, já havendo decisão oficial dos ministérios da saúde do Brasil, da Argentina e da Bolívia em prover o tratamento específico em todos os casos agudos e em crônicos de baixa idade. Outros casos crônicos poderão ser tratados em caráter individual por decisão médica, especialmente aqueles assintomáticos da chamada forma indeterminada e mesmo os portadores de cardiopatia ou forma digestiva sem maior gravidade.

O medicamento é de fácil aquisição e deve ser administrado conforme o peso corporal em duas tomadas diárias (12/12 horas), não sendo necessária internação.

É ideal um acompanhamento médico semanal ou quinzenal, e pelo menos 2 exames de sangue (hemogramas) durante o tratamento. Geralmente os efeitos colaterais desaparecem com o término do tratamento e/ou a retirada da droga.

Uma antiga suspeita de que o emprego destas drogas seria capaz de induzir câncer (linfomas), não se confirmou nem no laboratório nem na revisão de milhares de casos tratados. Não obstante, os compostos ativos contra o T. cruzi hoje conhecidos não devem administrar-se a gestantes e a pessoas com insuficiência hepática ou renal. Também são contra-indicados para pessoas em uso de álcool.

Lamentavelmente, o Lampit saiu do mercado, embora haja um esforço para que sua produção seja reativada. Uma recente esperança o Alopurinol (empregado no tratamento da gota), embora com alguma ação sobre o parasita, mostrou-se ineficaz para chagásicos agudos e crônicos. Novas drogas têm sido testadas, algumas delas com ação maior que o benznidazol, também apresentando menores efeitos colaterais. São anti-fúngicos de última geração, que atuam impedindo a síntese de esterois, substâncias importantes para o parasita. Poderão estar no comércio em poucos anos, ampliando o arsenal contra a doença de Chagas. Além de outras, uma vantagem de disponibilizar-se outra droga é a de ter-se uma alternativa no caso de falha terapêutica ou de reações adversas com um primeiro fármaco. Por outro lado, como muito bem coloca o Dr. Julio Urbina, pesquisador venezuelano ligado ao tema, o importante agora é a pesquisa racional de novas drogas. Trata-se da abordagem farmacológica de vias metabólicas do parasito mais vulneráveis a uma ação farmacológica que minimize riscos ao hospedeiro, desde que, por exemplo, a prática corrente com nitro-imidazóloicos e nitrofuranos acaba bombardeando o hospedeiro com uma grande quantidade de radicais livres que não lhe interessam. Assim, e por exemplo, as abordagens mais atuais ligam-se à sintese de esterois, à síntese da membrana do parasito e à síntese de purinas. Neste último caso se encontra a ação do alopurinol, que não se mostrou boa droga, o que não desacredita a rota pretendida. No futuro, possivelmente e em analogia com a hanseníase, a aids e a tuberculose, teremos uma poliquimioterapia mais efetiva e mais racional, contra o T.cruzi em humanos.

Para avaliação do tratamento, exames de sangue (sorológicos) indicarão a longo prazo uma progressiva diminuição de anticorpos contra o T cruzi, naqueles casos em que este parasita for eliminado. A presença de anticorpos líticos que detectam o parasito vivo, embora não constitua uma rotina laboratorial, é bastante específica de infecção ativa, sendo negativos os exames em pacientes curados. Melhora clínica, com exceção dos casos agudos, não será de regra perceptível; o grande ganho, aqui, é impedir-se que a doença evolua para as formas graves. Isto já tem sido assinalado em trabalhos que acompanham indivíduos tratados por longos anos (acima de 15, pois a evolução da doença crônica é muito lenta em geral). Uma recomendação importante é que o chagásico tratado evite doar sangue, enquanto seus exames sorológicos não se tornem total e permanentemente negativos, com isto prevenindo-se qualquer possibilidade de transmissão da infecção a terceiros.

Vê-se que houve avanços substanciais na terapêutica específica da doença de Chagas. Um grande desafio atual, além da busca de drogas mais eficazes, mais eficientes e com menos efeitos colaterais, é o de preparar-se mais médicos que saibam diagnosticar e tratar esta doença. No Brasil, a Fundação Nacional de Saúde está incentivando cursos neste sentido e apoiando serviços de referência como o de Belo Horizonte (Ambulatório Bias Fortes), do Rio de Janeiro (Instituto Oswaldo Cruz), de São Paulo (MI - Faculdade de Medicina), de Ribeirão Preto (Fac. Medicina), de Campinas (GEDOCH/Fac. Medicina), de Uberaba (Med. Tropical, Fac. Medicina), de Goiânia (IPT e Fac. Medicina), de Recife (Hosp. Oswaldo Cruz), de Porto Alegre (Instituto do Coração), etc..

Ao comemorar-se a descoberta de Carlos Chagas, o capítulo do tratamento específico da doença que leva seu nome serve de homenagem ao grande cientista brasileiro. Foi à custa de discípulos dele que, através de gerações, chegou-se a um quadro mais otimista, verdadeira libertação e esperança para milhões de infectados latinoamericanos.

Este foi um dos mais acalentados sonhos do moço de Oliveira, hoje se tornando real e servindo, ainda, para atestar uma das expressões mais entusiásticas do grande Oswaldo Cruz, mestre e amigo de Chagas:

"Não esmorecer para não desmerecer"

João Carlos Pinto Dias

Fonte: Ministério da Saúde Fundação Oswaldo Cruz

Doença de Chagas

É uma doença infecciosa causada por um protozoário parasita chamado Trypanosoma cruzi, nome dado por seu descobridor, o cientista brasileiro Carlos Chagas, em homenagem a outro cientista, também, brasileiro, Oswaldo Cruz.

É normalmente adquirida através da entrada do Trypanosoma no sangue dos humanos a partir do ferimento da “picada” por triatomas, os populares barbeiros ou chupões, como são conhecidos no interior do Brasil.

Estes triatomas, ou barbeiros, alimentam-se de sangue e contaminam-se com o parasita quando sugam sangue de animais mamíferos infectados, que são os reservatórios naturais (silvestres ou domésticos) ou mesmo outros humanos contaminados. Uma vez no tubo digestivo do barbeiro, o parasita é eliminado nas fezes junto ao ponto da “picada”, quando sugam o sangue dos humanos que por aí infectam-se.

Outras formas de contato ocorre na vida intra-uterina por meio de gestantes contaminadas, de transfusões sanguíneas ou acidentes com instrumentos de punção em laboratórios por profissionais da saúde, estas duas últimas bem mais raras.

A doença possui uma fase aguda e outra crônica. No local da picada pelo “vetor” (agente que transmita a doença, no caso, o barbeiro), a área torna-se vermelha e endurecida, constituindo o chamado chagoma, nome dado à lesão causada pela entrada do Trypanosoma. Quando esta lesão ocorre próxima aos olhos, leva o nome de sinal de Romaña. O chagoma acompanha-se em geral de íngua próxima à região.

Após um período de incubação (período sem sintomas) variável, mas de não menos que uma semana, ocorre febre, ínguas por todo o corpo, inchaço do fígado e do baço e um vermelhidão no corpo semelhante a uma alergia e que dura pouco tempo. Nesta fase, nos casos mais graves, pode ocorrer inflamação do coração provocando aumento do número de batimentos por minuto. Ainda nos casos mais graves, pode ocorrer sintomas de inflamação das camadas de proteção do cérebro (meningite) e inflamação do cérebro (encefalite). Os casos fatais são raros, mas, quando ocorrem, são nesta fase em decorrência da inflamação do coração ou do cérebro. Mesmo sem tratamento, a doença fica mais branda e os sintomas desaparecem após algumas semanas ou meses. A pessoa contaminada pode permanecer muitos anos ou mesmo o resto da vida sem sintomas, aparecendo que está contaminada apenas em testes de laboratório. A detecção do parasita no sangue, ao contrário da fase aguda, torna-se agora bem mais difícil, embora a presença de anticorpos contra o parasita ainda continue elevada, denotando infecção em atividade.

Na fase crônica da doença, as manifestações são de doença do músculo do coração, ou seja, batimentos cardíacos descompassados (arritmias), perda da capacidade de “bombeamento” do coração, progressivamente, até causar desmaios, podendo evoluir para arritmias cardíacas fatais. O coração pode aumentar bastante, tornando inviável seu funcionamento. Outras manifestações desta fase podem ser o aumento do esôfago e do intestino grosso, causando dificuldades de deglutição, engasgos e pneumonias por aspiração e constipação crônica e dor abdominal.

Nas regiões endêmicas, a primeira medida de combate à tripanossomíase americana seria a aplicação de inseticidas nos buracos e frestas das casas, onde se abrigam os vetores. No entanto, a solução definitiva seria a construção de habitações decentes, higiênicas. Outra medida profilática importante é o combate aos reservatórios naturais e precaução com as doações de sangue. 

Barbeiro, um inseto Hemíptero (percevejo) hematófago 

Casa de pau-a-pique, propícia ao desenvolvimento dos barbeiros

Fonte: cursoaeon.com.br

Doença de Chagas

BARBEIRO

Doença de Chagas
O barbeiro vive nas frestas das paredes de barro, alimenta-se de sangue e transmite a doença de Chagas

Nome popular dos insetos que transmitem a doença de Chagas.

Também chamado bicho-de-parede ou chupançaTrypanossoma cruzi, causador da doença.

A transmissão ocorre quando o barbeiro pica as pessoas e resíduos de suas fezes penetram pelo ferimento causado por seu ferrão.

O combate à doença consiste na eliminação do barbeiro, já que ela não é transmitida de uma pessoa a outra.

Pode-se eliminar o barbeiro substituindo-se as moradias de barro ou de madeira por tijolos e fazendo o exame de sangue dos doadores, para garantir que ele não esteja contaminado por tripanossomas.

No Brasil, há mais de 30 espécies do inseto.

Fonte: www.klickeducacao.com.br

Doença de Chagas

"A Doença de Chagas, descrita por Carlos Chagas em 1909, atinge cerca de 5 milhões de pessoas no Brasil. E embora seja difícil a sua cura, ela pode ser prevenida."

Transmissão

A doença de Chagas é causada pelo Trypanosoma cruzi, um tropozoário, e é transmitida de um hospedeiro a outro por insetos, no caso humano, é transmitido pelo barbeiro.

A doença de Chagas estava primitivamente restrita aos pequenos mamíferos das matas e campos da América, desde a Patagônia até o sul dos Estados Unidos.

Esses animais (tatus, gambás, roedores) convivem com barbeiros silvestres, e através de uma interação biológica, entre eles circula o Trypanosoma cruzi.

Com a chegada do homem e os processos de colonização, em muitos lugares aconteceram desequilíbrios ecológicos (desmatamentos, queimadas) e os barbeiros foram desalojados, invadindo as habitações rústicas e pobres dos lavradores e colonos. A doença chegou ao homem e aos mamíferos domésticos. Hoje existem pelo menos 12 milhões de pessoas infectadas pelo Trypanosoma cruzi, das quais 5 a 6 milhões em nosso país.

O tripanossoma é transmitido no ato de alimentação do inseto. Assim que o barbeiro termina de se alimentar ele defeca, eliminando protozoários e colocando-os em contato com a ferida e a pele da vítima.

A doença de Chagas também pode ser transmitida por transfusão sangüínea ou durante a gravidez, de mãe para filho.

Manifestações agudas

Normalmente o quadro clínico da infecção surge de 5 a 14 dias após a transmissão pelo barbeiro e 30 a 40 dias para infecções por transfusão sangüínea, mas as manifestações crônicas da doença de Chagas aparecem mais tarde, na vida adulta.

Mais ou menos de 4 a 6 dias após o contato com o barbeiro pode surgir uma inflamação no local da entrada do parasito. Quando a infecção se dá no olho ou próximo a ele, o olho pode ficar inchado, sinal característico da doença, mas pouco freqüente. Quando ocorre na pele dos braços, pernas ou rosto, a lesão inicial pode se assemelhar a um furúnculo ou a uma mancha avermelhada quase sempre dolorosa. Essas lesões iniciais freqüentemente são acompanhadas de "ínguas" nas regiões próximas do local de contaminação.

A febre é um dos sintomas mais freqüentes nessa fase da doença, as vezes o único. Trata-se de febre baixa e contínua, geralmente durando semanas. Alguns dias após a penetração do parasito vão aparecendo mal-estar, falta de apetite, aceleração dos batimentos cardíacos, aumento do tamanho do baço e fígado, inchaço da face e de todo o corpo, indicando a disseminação da doença para todo o corpo. Trata-se da fase aguda da doença. Esse quadro é mais comum entre as crianças, mas jovens (1 a 5 anos). Em pessoas mais velhas, geralmente, esses sinais ficam muito atenuados e fase inicial da doença passa desapercebida, confundindo-se com uma gripe ou mal-estar.

A fase aguda tende a desaparecer espontaneamente. Porém em certos casos graves, sobretudo em crianças, pode sobrevir a morte devido a um ataque intenso do parasito aos órgãos e tecidos mais nobres do corpo, como coração e o sistema nervoso central.

A descoberta da doença nessa fase inicial é extremamente importante, pois os recursos de tratamento, hoje disponíveis, podem, inclusive, proporcionar cura total da infecção, especialmente se o medicamento for dado adequadamente e precocemente.

Manifestações tardias

Passada a fase aguda, as manifestações da doença vão depender de muitos fatores, dentre os quais a capacidade de defesa do organismo e a intensidade agressora do tripanossoma. Muitos pacientes podem passar um longo período, ou mesmo a vida toda, sem apresentar nenhuma manifestação da doença, embora sejam portadores da doença, chamada de forma latente. Em outros casos, entretanto, a doença progride e, passada a fase inicial, pode comprometer muitos órgãos, principalmente o coração e o aparelho digestivo.

O coração é o órgão mais lesado. O coração aos poucos vai se dilatando e crescendo, atingindo dimensões enormes. São comuns nessa fase avançada, as pernas ficarem inchadas, sensação de fraqueza, palpitações e falta de ar. Não são raras, infelizmente, as morte súbitas e inesperadas entre indivíduos jovens, aparentemente sadios. Mas a maior parte dos pacientes não chega a desenvolver formas graves da doença no coração e poderão ter uma vida praticamente normal.

Os comprometimentos digestivos se traduzem geralmente pelo aumento do calibre do esôfago ou porções finais do intestino. Essas alterações podem determinar dificuldade progressiva para deglutir e constipação intestinal prolongada.

O diagnóstico da doença de Chagas

Através dos sintomas acima descritos e história de contato com o barbeiro pode-se suspeitar da doença de Chagas. Entretanto, para se ter certeza, exames especiais são necessários. Na fase aguda deve-se procurar o Trypanosoma cruzi no sangue e na fase tardia da doença são necessários outros métodos, as reações sorológicas, já que a quantidade de tripanossomas no sangue é muito pequena nessa fase. Há vários tipos dessas reações, sendo as mais usadas a imunofluorescência e de Guerreiro Machado.

Combate à doença de Chagas

Apesar de muitas pesquisas e de grandes progressos alcançados no estudo da doença de Chagas, o seu tratamento apresenta, ainda hoje, muitos problemas.

Alguns medicamentos já existem, capazes de matar e destruir o Trypanosoma cruzi no período inicial da doença, trazendo esperanças a muitas pessoas infectadas. Compete ao médico decidir sobre a necessidade e a conveniência do tratamento de cada caso, individualmente. Os cientistas prosseguem pesquisando novos medicamentos contra o terrível tripanossoma. Infelizmente, as lesões do coração e outros órgãos, que já estiveram presentes são irreversíveis e não serão curados com a eliminação do parasito. Cuidados médicos especiais deverão ser instituídos frente aos sinais mais graves da doença.

Não existe vacina contra a doença de Chagas, e a melhor maneira de enfrentá-la ainda se dá por meio da prevenção e do controle, combatendo sistematicamente os vetores, mediante o emprego de inseticidas eficazes, construção ou melhoria das habitações para evitar a proliferação dos barbeiros, eliminação dos animais domésticos infectados, uso de cortinados nas casas infestadas pelos vetores, controle e descarte do sangue contaminado pelo parasita e seus derivados.

Fonte: www.bibliomed.com.br

Doença de Chagas

É uma doença transmissível, causada por um parasito do gênero Trypanosoma e transmitida principalmente através do "barbeiro", também conhecido por: chupança, chupão, fincão, bicudo, procotó, etc. O "barbeiro", em qualquer estágio do seu ciclo de vida, ao picar uma pessoa ou animal com tripanossomo, suga juntamente com o sangue formas de T. cruzi , tornando-se um "barbeiro" infectado. Os tripanossomos se multiplicam no intestino do "barbeiro", sendo eliminados através das fezes.

Agente etiológico: É um protozoário denominado Trypanosoma cruzi .

No homem e nos animais, vive no sangue periférico e nas fibras musculares, especialmente as cardíacas e digestivas: no inseto transmissor, vive no tubo digestivo.

Agente transmissor: O "barbeiro", é um inseto da sub-família Triatominae que se alimenta exclusivamente de vertebrados homeotérmicos, sendo chamados hematófagos.

Sintomas

Surgem de 4 a 6 dias após o contato do barbeiro infectado com a sua vítima. Entre os sintomas estão inflamações no lugar da mordida do barbeiro, onde também ele deposita suas fezes infectadas, febre baixa e contínua, falta de apetite, aceleramento nos batimentos cardíacos, inchação do fígado, do baço, nas faces e até mesmo no corpo inteiro. O aparecimento de "ínguas" - nome popular dado ao aumento dos gânglios linfáticos também é mais um sintoma. Esse quadro é mais comum em crianças de um a cinco anos. Em pessoas mais velhas, esses sinais ficam mais atenuados e a fase inicial da doença pode até passar desapercebida, confundindo-se com uma "gripe" ou "mal estar" passageiro. Caso detectado algum desses sintomas, a pessoa deve procurar logo atendimento médico.

Profilaxia

Baseia-se principalmente em medidas de controle ao "barbeiro", impedindo a sua proliferação nas moradias e em seus arredores.

Além de medidas específicas (inquéritos sorológicos, entomológicos e desinsetização), as atividades de educação em saúde, devem estar inseridas em todas as ações de controle, bem como, as medidas a serem tomadas pela população local, tais como:

Melhorar habitação, através de reboco e tamponamento de rachaduras e frestas;
Usar telagem em portas e janelas; - impedir a permanência de animais, como cão, o gato, macaco e outros no interior da casa;
Evitar montes de lenhas, telhas ou outros entulhos no interior e arredores da casa;
Construir galinheiro, paiol, tulha, chiqueiro, depósito afastados das casas e mantê-los limpos;
Retirar ninhos de pássaros dos beirais das casas;
Manter limpeza periódica nas casas e em seus arredores;
Difundir junto aos amigos, parentes, vizinhos, os conhecimentos básicos sobre a doença, vetor e sobre as medidas preventivas;
Encaminhar os insetos suspeitos de serem "barbeiros", para o serviço de saúde mais próximo.

Fonte: Fundação Carlos Chagas e Sucen-SP

Doença de Chagas

A doença causada pelo protozoário Tripanosoma Cruzi conhecido como doença de chagas é transmitida pelos insetos de gênero Triatoma, Rhodnius e Panstrongylus reconhecidos também como Barbeiro. O setor de Entomologia da Vigilancia Epidemiologica do Estado do Acre, em várias pesquisas realizadas, descobriu que o gênero mais encontrado na região é o Rhodnius. Segundo os pesquisadores e tercnicos especialistas em insetos, dos mais de 12 barbeiros encontrados somente um estava infectado.

O mal de Chagas, como também é conhecido, é transmitido principalmente por um inseto da subfamília Triatominae, conhecido popularmente como barbeiro. Este animal de hábito noturno se alimenta, exclusivamente, do sangue de vertebrados endotérmicos. E vive em fendas de casas de pau-a-pique, camas, colchões, depósitos, ninhos de aves, troncos de árvores, dentre outros locais. Sendo que tem preferência por locais próximos à sua fonte de alimento.

Um dos assistentes do departamento de Entomologia da Vigilância Epidemiológica, Janislunier Souza, disse que com o crescimento desordenado das cidades, devastando as florestas, faz com que os insetos acabem tendo que procurar sua alimentação migrando para a cidade. “O inseto Rhodnius é o mais encontrado em nossa região, mais também já identificamos os de outros gêneros”, destacou.

O assistente técnico do departamento de entomologia, explicou também que devido uma campanha de orientação que vem sendo trabalhado, principalmente na zona rural do Estado, está mostrando a população como identificar o inseto. “Por conta disso, vários insetos já foram trazidos pela população para que a gente faça a pesquisa. Em 2009, dos 12 que chegamos a encontrar na cidade, somente um estava infectado com o protozoário tripanosoma cruzi”, relatou Janislunier.

Como o inseto transmite a doença

Ao sugar o sangue de um endotérmico com a doença, este inseto passa a carregar consigo o protozoário. Ao se alimentar novamente, desta vez de uma pessoa saudável, geralmente na região do rosto, ele pode transmitir a ela o parasita.

Este processo se dá em razão do hábito que este tem de defecar após sua refeição. Como, geralmente, as pessoas costumam coçar a região onde foram picadas, tal ato permite com que os parasitas, presentes nas fezes, penetrem pela pele. Estes passam a viver, inicialmente, no sangue e, depois, nas fibras musculares, principalmente nas da região do coração, intestino e esôfago.

A transfusão de sangue contaminado e transmissão de mãe para filho, durante a gravidez, são outras formas de se contrair a doença.

Recentemente descobriu-se que pode ocorrer a infecção oral: são os casos daquelas pessoas que adquiriram a doença ao ingerirem caldo de cana ou açaí moído contendo, acidentalmente, o inseto. Acredita-se que houve, nestes casos, invasão ativa do parasita, via aparelho digestivo.

Cerca de 20 dias após a sua primeira - e última - cópula, a fêmea libera, aproximadamente, 200 ovos, que eclodirão em mais ou menos 25 dias. Após o nascimento, estes pequenos seres sofrerão em torno de cinco mudas até atingirem o estágio adulto, formando novas colônias.

Febre, mal estar, falta de apetite, dor ganglionar, inchaço ocular e aumento do fígado e baço são alguns sintomas que podem aparecer inicialmente (fase aguda), embora existam casos em que a doença se apresenta de forma assintomática.

Em quadro crônico, o mal de Chagas pode destruir a musculatura dos órgãos atingidos, provocando o aumento destes, de forma irreversível.

O diagnóstico é feito via exame de sangue e consiste na busca do parasita no material coletado. O tratamento, visando à eliminação dos parasitas, é satisfatório apenas no estágio inicial da doença, quando o tripanossoma ainda está no sangue. Na fase crônica, a terapêutica se direciona para o controle de sintomas, evitando maiores complicações.

O controle populacional do barbeiro é a melhor forma de prevenir a doença de Chagas.

A doença de Chagas é causada pelo Trypanosoma cruzi, um protozoário, sendo transmitida de um hospedeiro a outro por insetos; no caso dos seres humanos, a doença é transmitida pelo inseto conhecido como barbeiro.

A doença de Chagas estava primitivamente restrita aos pequenos mamíferos das matas.

Esses animais (tatus, gambás e roedores) convivem com os barbeiros silvestres e, através de uma interação biológica, entre eles circula o Trypanosoma cruzi.

Com a chegada do homem e os processos de colonização, em muitos lugares aconteceram desequilíbrios ecológicos (desmatamentos e queimadas) e os barbeiros foram desalojados, invadindo as habitações rústicas e pobres dos lavradores e colonos. 

A doença chegou ao homem e aos mamíferos domésticos

Hoje existem pelo menos 12 milhões de pessoas infectadas pelo Trypanosoma cruzi, das quais, cerca de 6 milhões em nosso país. O Trypanossoma cruzi é transmitido no ato da alimentação do inseto. Assim que o barbeiro termina de alimentar-se, ele defeca, eliminando protozoários e colocando-os em contato com a ferida e a pele da vítima. 

A doença de Chagas também pode ser transmitida por transfusão sanguínea ou durante a gravidez, de mãe para filho.

Normalmente o quadro clínico da infecção surge de 5 a 14 dias após a transmissão pelo barbeiro e, de 30 a 40 dias para infecções por transfusão sanguínea, mas as manifestações crônicas da doença de Chagas aparecem mais tarde, na vida adulta. Mais ou menos de 4 a 6 dias após o contato com o barbeiro, pode surgir uma inflamação no local da entrada do parasito. Quando a infecção se dá no olho ou próximo a ele, o olho pode ficar inchado, sinal característico da doença, mas pouco frequente. Quando ocorre na pele dos braços, pernas ou rosto, a lesão inicial pode se assemelhar a um furúnculo ou a uma mancha avermelhada, quase sempre dolorosa. Essas lesões iniciais frequentemente são acompanhadas de "ínguas" nas regiões próximas do local de contaminação.

A febre é um dos sintomas mais frequentes nessa fase da doença e, às vezes, o único. Trata-se de febre baixa e contínua, geralmente durando semanas. Alguns dias após a penetração do parasito surge um mal-estar, falta de apetite, aceleração dos batimentos cardíacos, aumento do tamanho do baço e fígado, inchaço da face e de todo o corpo, indicando a disseminação da doença por todo o corpo. Trata-se da fase aguda da doença. Esse quadro é mais comum entre as crianças (1 a 5 anos). Em pessoas mais velhas, geralmente, esses sinais ficam muito atenuados e a fase inicial da doença passa desapercebida, confundindo-se com uma gripe ou mal-estar. A fase aguda tende a desaparecer espontaneamente. Porém em certos casos graves, sobretudo em crianças, pode sobrevir a morte, devido a um ataque intenso do parasito aos órgãos e tecidos mais nobres do corpo, como coração e o sistema nervoso central.

Manifestações tardias

Passada a fase aguda, as manifestações da doença vão depender de muitos fatores, dentre os quais a capacidade de defesa do organismo e a intensidade agressora do Trypanossoma cruzi. Muitos pacientes podem passar um longo período, ou mesmo a vida toda, sem apresentar nenhuma manifestação, embora sejam portadores da doença – forma latente. Em outros casos, entretanto, a doença progride e, passada a fase inicial, pode comprometer muitos órgãos, principalmente o coração e o aparelho digestivo. O coração é o órgão mais lesado.

O coração aos poucos vai se dilatando e crescendo (miocardiopatia dilatada chagásica), atingindo dimensões enormes. A capacidade de contração do coração costuma se deteriorar com a progressão da cardiopatia chagásica crônica.

São comuns nessa fase avançada, sintomas de insuficiência cardíaca congestiva, como: inchaço nas pernas (edema), fadiga, palpitações e falta de ar (dispnéia).

Não são raras, infelizmente, as mortes súbitas e inesperadas entre indivíduos jovens, aparentemente sadios (por arritmias cardíacas complexas). Os batimentos cardíacos podem tornar-se lentos (bloqueios atrioventriculares).

Felizmente, a maior parte dos pacientes não chega a desenvolver formas graves da doença no coração e podem ter uma vida praticamente normal. Os comprometimentos digestivos traduzem-se geralmente pelo aumento do calibre do esôfago ou porções finais do intestino (megaesôfago e megacólon chagásicos).

Essas alterações podem determinar uma dificuldade progressiva para deglutir (disfagia) e a constipação intestinal prolongada.

Fonte: oriobranco.net

Doença de Chagas

Descrita em 1908 por Carlos Chagas, a doença de Chagas também é conhecida como tripanossomíase por Trypanosoma cruzi ou tripanossomíase americana (terminologia adotada pela Nomeclatura Internacional de Doenças, NID).

Diz-se tripanossomíase qualquer enfermidade causada por protozoários flagelados do gênero Trypanosoma, que parasitam o sangue e os tecidos de vertebrados.

O Trypanosoma geralmente é transmitido de um hospedeiro a outro por insetos - no caso humano, o principal vetor é um percevejo popularmente conhecido como barbeiro ou chupão (insetos das espécies Triatoma infestans, Rhodnius prolixus e Panstrongylus megistus).

O Trypanosoma é transmitido no ato de alimentação do vetor. Assim que o barbeiro termina de se alimentar, ele defeca, eliminando protozoários e colocando-os em contato com a ferida e a pele da vítima.

A doença de Chagas também pode ser transmitida por transfusão de sangue ou durante a gravidez, de mãe para filho.

Normalmente o quadro clínico da infecção surge de 5 a 14 dias após a transmissão pelo vetor e 30 a 40 dias para as infecções por transfusão sanguínea, mas as manifestações crônicas da doença de Chagas aparecem mais tarde, na vida adulta.

A fase grave é caracterizada por febre de intensidade variável, mal-estar, inflamação dos gânglios linfáticos e inchaço do fígado e do baço. Podendo ocorrer e persistir durante até 8 semanas uma reação inflamatória no local da penetração do parasito (inchação), conhecida como chagoma. O edema inflamatório unilateral das pálpebras (sinal de Romaña), ocorre em 10 a 20% dos casos.

As manifestações fatais, ou que podem constituir uma ameaça à vida, incluem inflamação do miocárdio (músculo presente no coração) e inflamações que comprometem a meninge e o cérebro.

A fase crônica sintomática decorre com maior frequência de lesões cardíacas, com aumento do volume do coração, arritmias cardíacas, e comprometimento do trato digestivo, com inchação do esôfago e do estômago.

A enfermidade é diagnosticada por exame de sangue.

Não existe vacina contra a doença de Chagas, e a melhor maneira de enfrentá-la ainda se dá por meio da prevenção e do controle, combatendo sistemáticamente os vetores, mediante o emprego de inseticidas eficazes, construção ou melhoria das habitações de maneira a torná-las pouco próprias à proliferação dos triatomíneos, eliminação dos animais domésticos infectados, uso de cortinados nas casas infestadas pelos vetores, controle e descarte do sangue contaminado pelo parasita e seus derivados

Fonte: www.projetomemoria.art.br

Doença de Chagas

Doença infecciosa parasitária crônica e generalizada, transmitida ao homem por um protozoário que é encontrado nas fezes do barbeiro. Foi diagnosticada pela primeira vez por Carlos Chagas em 1907, que descobriu o protozoário nas fezes do barbeiro, insetos hematófagos, que invadiam as casas de choupana em Minas Gerais, local onde ele estava desenvolvendo uma campanha contra a malária. Esses insetos vivem geralmente, no interior de casas pobres que tem paredes e tetos com buracos, frestas ou rachaduras, por onde esses insetos podem esconder-se de dia, e sair à noite para picar o homem de preferência no rosto.

Popularmente são chamados de: chupança, procotó, e bicho-de-parede. Quando a doença afeta a criança na primeira infância o prognóstico é mais reservado, porque a criança pode sofrer um ataque agudo do coração como também pode acarretar alterações no sistema nervoso. Nos adultos infectados que não tiveram tratamento raramente conseguem sobreviver além dos 50 anos.

Fonte de infecção: O homem e outros animais como cão, gato, rato doméstico, morcego e outros.

Período de incubação: Em média de 3 a 14 dias.

Incidência

No Brasil a doença se encontra mais concentrada na zona rural, principalmente em casas construídas com barro “pau-a-pique” ou cobertas de sapé
Quanto mais ocorre precariedade das habitações maior a incidência de adquirir a doença
Os Estados de Minas Gerais, Mato Grosso, e os Estados da região Nordeste são os tem mais casos da doença
No Brasil calcula-se que existam mais de 5 milhões de pessoas infectadas
É uma doença mais disseminada na população de baixo nível sócio-econômico.

Transmissão

Pela fezes do barbeiro. Depois que pica e suga o sangue humano, o barbeiro contamina o local da picada com suas dejeções, as fezes contaminadas pelos protozoários penetram no organismo pelo local da picada, principalmente quando o indivíduo coça o local por causa da irritação, ocasionando uma porta de entrada para o protozoário. A porta de entrada pode ser a pele ou os parasitas podem penetrar pela conjuntiva do olho caso a pessoa coce o olho com os dedos contaminados pelas fezes do barbeiro

Por transfusão de sangue caso o banco de sangue não faça os testes exigidos por lei

A transmissão pode ser também congênita, caso a mãe esteja infectada, ela pode transmitir a doença para criança ou pelo sangue durante a gravidez ou pelo leite materno após a gravidez.

Tratamento

Específico: Tratamento medicamentoso indicado pelo médico para a fase aguda; para a fase crônica a maioria dos medicamentos mostrou-se ineficaz, ocorrendo recidivas espontâneas das alterações clínicas
Sintomático:
Conforme os sintomas e intercorrências apresentadas para a fase crônica.

Complicações

Miocardite crônica, evolutiva e fibrosante
Cardiomegalia grave (aumento do coração)
Acidente Vascular Encefálico (AVE)
Megacólon
Megaesôfago
Insuficiência Cardíaca Congestiva (ICC)
Meningoencefalite (recém-nascidos e crianças pequenas).

Profilaxia

Notificação Obrigatória às Autoridades Sanitárias
Profilaxia da transmissão por transfusão de sangue é feita pela rejeição de candidatos a doadores com sorologia positiva para a doença de ChagasUso de telas em janelas e portas
Uso de mosquiteiro
Campanhas de prevenção à população
Substituir casas de “pau-a-pique” por casas de alvenaria e rebocar as paredes
Combate ao vetor nos domicílios através de inseticidas com a ajuda de uma bomba aspersora
Borrificação das casas com inseticidas em áreas endêmicas

Fonte: www.tropaseniorcarcara.hpg.com.br

Doença de Chagas

O que é doença de Chagas?

É uma doença que no início, na fase aguda, pode nem ser percebida. Às vezes provoca febre baixa que dura muito tempo, dá mal estar e falta de apetite. Pode aumentar o baço e o fígado. Em criancinhas este início pode agravar e levar à morte. Muitos anos mais tarde, quando a doença já está na fase crônica, alguns pacientes não apresentam nenhum sinal de que estão doentes. Não sentem nada. Outros podem apresentar palpitação, falta de ar e canseira, inchação, dor no peito, tosse e tontura. Outros podem sentir ainda dificuldade na hora de engolir e mesmo dor, regurgitar, soluço, tosse, prisão de ventre e dor no abdomem.

Como se pega doença de Chagas?

Pode-se pegar de 3 maneiras:

1º.) O bicho barbeiro que precisa de sangue para viver, tem o germe da doença de Chagas na sua barriga. Na hora que o bicho barbeiro pica uma pessoa e suga seu sangue, ele enche a barriga e faz cocô, bem pertinho do lugar da picada. O germe da doença de Chagas que estava na sua barriga sai no cocô e entra pelo buraquinho da picada. Pronto, está feita a contaminação de outra pessoa.
2º.)
Uma outra forma de pegar a doença de Chagas é se uma pessoa sadia receber transfusão de sangue contaminado com o germe da doença de Chagas. Aí ela também fica doente.
3º.)
Uma outra maneira de ficar chagásico é se a mãe tiver a doença de Chagas ela pode passar para o nenê ainda dentro da barriga. O germe pode passar também pelo leite materno. A chance deste jeito acontecer é bem pequena.

Existe remédio para tratar doença de Chagas?

Sim, existe. Só que o remédio funciona bem se a doença estiver no início, na fase aguda. Se já passaram muitos anos que a pessoa pegou a doença, ele não funciona tão bem. Mas mesmo assim é bom tomar. Ele vai evitar que o germe faça muitos estragos dentro da gente mais tarde. Mas é bom saber também que esse remédio tem que ser receitado por um médico que deve também acompanhar o paciente. É que ele pode desandar outras coisas e o médico tem de ficar de olho.

Fonte: www.dac.uem.br

Doença de Chagas

Trata-se de uma infecção generalizada essencialmente crônica, cujo agente etiológico é o protozoário flagelado Trypanosoma cruzi, habitualmente transmitido ao homem pelas fezes do inseto hematófago conhecido popularmente como "bicho-barbeiro", "procotó", "chupança", "percevejo-do-mato", "gaudércio", etc. A transmissão pode ser feita também pela transfusão sangüínea, placenta e pelo aleitamento materno.

A disseminação da doença está profundamente relacionada com as condições de vida da população, principalmente de habitação, e com as oportunidades econômicas e sociais que lhe são oferecidas.

Ciclo Evolutivo

O Trypanossoma cruzi pode ser encontrado sob três formas distintas: tripomastigota (tripanossoma), epimastigota (critídia) e amastigota (leshmânia).

No sangue circulante do homem infectado, encontra-se a forma tripomastigota e, nas células parasitadas dos tecidos musculares, do tecido nervoso, glandulares, etc., é encontrada a forma amastigota. Nessa forma, o protozoário se reproduz por cissiparidade.

O vetor biológico ou transmissor do Trypanossoma cruzi mais comum é o Triatoma infestans; porém há pelo menos uma dezena de outras espécies que, por terem hábitos domiciliares, também são hemípteros transmissores da doença de Chagas.

Vivendo nas frestas das casas de barro ou pau-a-pique, sapé, casas velhas, paiós, colchões, camas, telhados, etc., escondem-se durante o dia e à noite saem para sugar o sangue dos moradores, picando geralmente no rosto das pessoas, daí o nome popular de "barbeiro". Dentro do intestino do inseto, são encontradas as três formas do parasita anteriormente descritas, sendo que, na porção terminal do tubo digestivo, estão as formas infectantes denominadas tripomastigotas metacíclicas.

O inseto infectado, ao sugar uma pessoa, defeca junto ao local da picada, eliminando com as fezes os protozoários causadores da doença.

Tanto o macho quanto a fêmea e também os jovens (ninfas) são hematófagos e podem transmitir com as fezes o Trypanossoma cruzi. A picada é indolor ou pouco dolorida, provoca uma coceira local e vermelhidão na pele. A sucção dura, em média, de 10 a 20 minutos.

A reação normal da pessoa é coçar o local onde o inseto estava sugando seu sangue, o que provoca a entrada dos parasitas pelo orifício da picada. Se acontecer na região das pálpebras, ocorrerá um inchaço local conhecido como endema bipalpebral ou "sinal de Romaña", ou, ainda, "chagoma".

Outras formas de contaminação ocorrem através da transfusão sangüínea, via transplacentária (congênita), amamentação e até por acidentes de trabalho (laboratórios).

Uma vez na circulação sangüínea, os tripanossomas (tripomastigotas) são levados a vários órgãos e instalam-se principalmente no coração, onde se multiplicam na forma de asmastigotas (leishmânias).

A forma tripomastigota não é parasita e apenas usa o sangue para atingir vários órgãos do corpo. Na corrente sangüínea, poderá ser obsorvida pelo inseto transmissor quando este vier sugar o sangue da pessoa contaminada.

Sintomas

Na fase aguda, ocorrem febre moderada, hepatomegalia discreta (grande fígado), inflamação dos gânglios linfáticos, miocardia aguda, meningoencefalite (dores na meninges), etc. É comum a diminuição dos sintomas.

As crianças apresentam uma maior taxa de letalidade variando de 2% a 7%.

Na fase crônica, ocorre o comprometimento do coração e do sistema digestivo. A duração depende de vários fatores, desde idade e estado nutricional do paciente até os intrínsecos dos parasitas. Os sintomas mais importantes são a cadiomegalia (coração grande), o megaesôfago (esôfago grande) e o megacólon (cólon grande).

Profilaxia e Tratamento

Nas regiões endêmicas, a primeira medida de combate à tripanossomíase americana seria a aplicação de inseticidas nos buracos e frestas das casas, onde se abrigam os vetores. No entanto, a solução definitiva seria a construção de habitações decentes, higiênicas. Outra medida profilática importante é o combate aos reservatórios naturais (animais nos quais são encontrados os protozoários parasitas) e precaução com as doações de sangue.

Embora as pesquisas estejam avançadas, não há tratamento eficaz.

Todo medicamento só deve ser consumido mediante a prescrição médica!

Fonte: www.freewebs.com

Doença de Chagas

Doença causada pelo Trypanosoma cruzi que requer dois hospedeiros: um  invertebrado (Triatomíneo) e um vertebrado ( o homem, animais silvestres e domésticos)

TRANSMISSÃO

 A transmissão ocorre, habitualmente, através do triatomíneo, podendo também ocorrer por transfusão de sangue, pela via digestiva e, acidentalmente, em laboratório.

 A transmissão materno-infantil  pode ocorrer por via transplacentária (mais comum), pela geléia de Wharton, pelo líquido amniótico, através do contato do sangue materno com as mucosas do recém-nascido (intra-útero, durante ou após o parto).

A transmissão através do aleitamento materno pelo leite, colostro e fissura mamária foi demonstrada por, duas vezes (pela sua raridade, não se contra-indica o aleitamento materno).

Órgãos mais afetados na fase aguda:

Coração
SNC
Tubo digestivo
Músculo esquelético
Pele.

Na fase crônica:

Coração
Esôfago
Cólon.

INCIDÊNCIA

Entre gestantes:

Varia de 2 a 11% nos centros urbanos e de 23 a 58% nas áreas rurais
Nos recém-nascidos pode variar de 0,7% até 8%. Estudo realizado em Brasília demonstrou transmissão de 1% entre as chagásicas crônicas e 7,7% entre prematuros filhos de chagásicas

QUADRO CLÍNICO

1- Na mãe:

A maioria das gestantes chagásicas é assintomática (fase indeterminada ou período assintomático da fase crônica)
Nas gestantes sintomáticas predominam as manifestações cardíacas

2- No recém-nascido (com infecção congênita)

Exuberância das manifestações clínicas não se correlacionam com a intensidade da parasitemia. A maioria é assintomática.

OS SINAIS E SINTOMAS PODEM SER

Precoces: do nascimento até 30 dias de vida (31%)
Tardios
: após 30 dias de vida (37%)
Exuberância das manifestações clínicas não se correlaciona com a intensidade da parasitemia.

SINAIS E SINTOMAS GERAIS

Prematuridade, baixo peso
Febre:
pouco freqüente
Palidez (constante, geralmente discreta)
Icterícia, geralmente há aumento da bilirrubina indireta. Ambas as frações podem estar aumentadas
Lesões:
púrpura, petéquias ou equimoses
Hidropsia

LESÕES CUTÂNEO MUCOSAS

Chagomas metastáticos cutâneos - extremidades inferiores
Abscessos cutâneos múltiplos

SINAIS NEUROLÓGICOS

Tremores finos generalizados, crises convulsivas (focais ou generalizadas)
Meningoencefalite (hipotonia, hiporreflexia, apnéia, hipercelularidade com predomínio de linfócitos
Retardo mental calcificações intra-cranianas

LESÕES OFTÁLMICAS

Coriorrenite, uveíte, opacificação corneana

ALTERAÇÕES CARDIO-VASCULARES

Taquicardia (devido à miocardite e anemia)
Insuficiência cardíaca, raramente
Alterações no ECG (baixa voltagem do QRS, extrassístoles ventriculares, bloqueio atrio-ventricular 1º grau)

ALTERAÇÕES RESPIRATÓRIAS

Dispnéia, pneumonite, pneumonia

ALTERAÇÕES TRATO DIGESTIVO

Inapetência, vômitos, diarréia, regurgitação
Megaesôfago congênito (disfagia e vômitos), megacólon , em raríssimos casos

HEPATOESPLENOMEGALIA

Presente em quase todos os casos
Hepatomegalia:
geralmente ao nascimento, persiste durante vários meses; geralmente é discreta e moderada
Esplenomegalia:
menos freqüente, aumenta progressivamente no decorrer do 1º mês de vida

ALTERAÇÕES GENITO-URINÁRIAS

Edema de genitália externa
Piúria, hematúria, proteinúria, cilindrúria

ALTERAÇÕES HEMATOLÓGICAS E BIOQUÍMICAS

Anemia, hiperbilirrubinemia direta e indireta, leucocitose com linfocitose, plaquetopenia
Hipoalbuminemia e hipergamaglobulinemia

ALTERAÇÕES RADIOLÓGICAS

Calcificações intracranianas
Metafisite (ossos longos)

NO RECÉM NASCIDO INFECTADO APÓS O NASCIMENTO

Por hemotransfusão: difere apenas pelo período de incubação: mais prolongado 20 a 40 dias
Por aleitamento materno:
quadro clínico semelhante à forma congênita

DIAGNÓSTICO DEVE SER SUSPEITADO EM CASO DE:

Aborto, natimorto, prematuro, PIG
RN com clínica de infecção congênita

Filhos de mulheres procedentes ou residentes em área endêmica para Doença de Chagas e/ou hemotransfundidas no passado
Filhos de chagásicas, mesmo as assintomáticas
RN que tiveram contato com Triatomíneos
RN que receberam transfusão de sangue ou derivados.

DIAGNÓSTICO LABORATORIAL

Através de métodos histopatológicos, parasitológicos ou imunológicos

PARASITOLÓGICOS: ( MÉTODOS DIRETOS E INDIRETOS)

Demonstração do parasita (depende da parasitemia)
RN com doença cardíaca congênita - parasitemia em geral baixa ao nascer. Pico máximo com 1 a 2 meses de idade declina lentamente dos 5 a 8 meses
Forma adquirida:
parasitemia só demonstrada por volta de 2 a 4 meses

MÉTODOS DIRETOS

Esfregaço sangue periférico
Gota espessa
Técnica do microhematócrito
Método de Strout
Técnica da Tríplice centrifugação com sangue coagulado

MÉTODOS INDIRETOS

Xenodiagnóstico - alta positivadade
Hemocultivo - cerca de 60% de positividade
Inoculação em animais de laboratório

PARA AFIRMAR QUE SE TRATA DE INFECÇÃO CONGÊNITA É  
NECESSÁRIA A  DEMONSTRAÇÃO DO TRIPANOSSOMA NO RN ATÉ 5 DIAS
APÓS O NASCIMENTO E ANTES DA PRIMEIRA MAMADA.

OBS: o método de Strout associado ao xenodiagnóstico tem sensibilidade e especificidade de 100%. Para a realização do Strout deverão ser colhidos 3 a 5 ml de sangue do recém-nascido (de preferência sangue de cordão), sem anticoagulante e mantido em temperatura ambiente.

SOROLÓGICOS

Fixação de complemento (Machado-Guerreiro): pouco específico
Imunofluorescência Indireta:
IgG e IgM específica
ELISA:
IgG e IgM. Alta sensibilidade e especificidade

TRATAMENTO

Nifurtimox (Lampit)- comprimidos de 120 mg

Dose: 15 mg/Kg/dia dividido em três doses - 3 meses
Negativação da Parasitemia - entre o 7º e 33º dia de tratamento
Negativação sorológica:
alguns meses após a parasitológica
Efeitos colaterais:
inapetência, náuseas, tremores, excitação, insônia, crises convulsivas, dermatite

Benzonidazol (Rochagan, Rodaniz) - 1 comp.= 100 mg

Dose: 10 mg/Kg/dia por 5 dias. Após isso, reduzir para
7,5 mg/Kg/dia até completar 60 dias de tratamento
Negativação da parasitemia:
por volta do 6º e 20º dia de tratamento
Efeitos colaterais:
Dermatite (9º dia de tratamento), febre, enfartamento ganglionar, dores articulares e musculares, neutropenia, vômitos e diarréia

SEGUIMENTO

Crianças infectadas: exame físico mensal. Exames complementares: hemograma completo, prova de função hepática, quinzenalmente, durante o tratamento
Crianças não infectadas:
sorologia trimestral enquanto criança for amamentada ao seio e dois meses após cessada a amamentação.

Liú Campello de Mello

Samiro Assreuy

BIBLIOGRAFIA

1. Medina-Lopes MD. Transmissão materno-infantil da Doença de Chagas. Tese de Mestrado. Universidade de Brasília, 1983.
2. Medina-Lopes M D. Transmissão do Trypanosoma cruzi em um caso durante aleitamento materno em área não- endêmica. Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical 21:151,1988
3. Bittencourt ACL. Doença de Chagas congênita na Bahia. Revista Baiana de Saúde pública 11:165, 1984
4. Garcia-Zapata MTA, Marsden PD. Chaga’s disease. Clinics in Tropical Medicine and Communicable Diseases 1:557, 1986.
5. Teixeira MGCL. Doença de Chagas. Estudo da forma aguda inaparente. Tese de Mestrado. Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro, 1977.
6. Nagaiassu M, Picchi M e cl. Doença de Chagas congênita: relato de caso com hidropsia em recém-nascido. Pediatria (São Paulo) 22:168, 2000

Fonte: www.paulomargotto.com.br

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