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Doença de Huntington

 

 

A doença de Huntington é uma doença hereditária (Que passa de pais para filhos).

É causada por uma mutação num gene e pode afetar tanto homens como mulheres. A doença afeta as capacidades motores individuais e também as capacidades intelectuais e emocionais, devido à deterioração das respectivas áreas cerebrais.

A doença caracteriza-se existencialmente por descoordenação na marcha, na fala e alterações no olhar.

Com a progressão da doença os doentes têm dificuldades na execução da vida diária, como impossibilidade de controlar o movimento, andar a pé, de deglutir os alimentos e dificuldade na linguagem.

Porque é que se colocou o nome de "doença de Huntington"?

O nome foi dado em lembrança ao médico que primeiro descreveu a doença. O Dr. George Huntington descreveu esta doença em 1972 enquanto médico em Long Island (E.U.A.). No passado esta doença era conhecida como Coreia de Huntington ou abreviado C.H., mas agora é chamada doença de Huntington ou DH, porque a coreia (orig. da língua grega = dançar, movimentos involuntários) apenas descreve um dos sintomas da doença.

Qual é a origem desta doença?

A Doença de Huntington é causado pela alteração em um gene do Cromossoma-4. É sabido que a alteração neste gene pode conduzir a desordens nas células em determinadas áreas cerebrais.

Os cientistas levaram dez anos a descobrir essa alteração no gene do cromossoma-4, o que sucedeu em 1983. Em todo o mundo laboratórios e cientistas trabalham em projetos para descobrir meios de se controlar os efeitos do gene mal-funcionante.

O gene poderá ser detectado?

A doença transmite-se de pais para filhos, com um risco de 50 por cento. Se há alteração do gene num progenitor então qualquer criança (de sexo feminino ou masculino) tem 50 por cento de chance de herdar a doença. Se um indivíduo não tem este gene anómalo não o poderá passar para os seus filhos.

A Doença de Huntington não salta uma geração.

Desde 1993 existe um teste genético disponível para saber se existe ou não este alteração no gene. Este teste requer uma simples amostra de sangue e é muito exato. Mas o resultado do teste não indica quando os primeiros sintomas vão aparecer. Este teste só está disponível para quem tenha pelo menos 18 anos.

Como é a evolução da Doença de Huntington?

Os primeiros sintomas podem surgir no indivíduo por volta dos 30-45 anos; apenas em 5% das pessoas aparecem sintomas antes dos 20 anos (normalmente conhecida como Doença de Huntington juvenil) e 5% não mostram sintomas até terem 60 anos. Depois dos 70 anos o risco de aparecimento da doença é muito reduzido.

Existem varias formas de progressão da Doença de Huntington. Normalmente a doença desenvolve-se ao longo de um período de 15 a 20 anos.

Geralmente os sintomas são falhas graduais a nível psicológico, comportamental, emocional ou físico ou uma combinação destes sintomas.

À medida que a doença avança, diferentes níveis de apoio são necessários; depois os pacientes ficam completamente dependentes.

Fonte: www.geocities.com

Doença de Huntington

A doença de Huntington é um distúrbio hereditário e degenerativo, provocado por uma alteração genética e caracterizado por problemas motores e mentais.

A principal característica é a coréia, movimentos involuntários que se manifestam por contrações musculares irregulares, espontâneas e transitórias. O sintoma está presente em mais de 90% dos portadores da enfermidade, que também apresentam emagrecimento intenso, mesmo que mantenham dieta adequada, e envelhecimento precoce.

Sinais clínicos

Na maioria dos casos, a coréia é a primeira manifestação da enfermidade e pode persistir até os estágios mais avançados. Cerca de 50% dos portadores desenvolvem rigidez muscular (hipertonia) em algum momento, embora a força da contração muscular seja normal. Com a evolução do quadro, os movimentos voluntários do paciente tornam-se mais lentos, e a intensidade dos involuntários aumenta, afetando cabeça, tronco e membros. É comum a dificuldade para articular palavras (disartria) e engolir alimentos (disfagia). Há também risco de asfixia.

O raciocínio e o comportamento também são afetados. A maior parte dos pacientes sofre perdas cognitivas, mas há uma relativa preservação da memória até as fases mais adiantadas. A capacidade de concentração e a memória de curto prazo diminuem com a evolução da doença. Sintomas psiquiátricos, como mudança de personalidade, irritabilidade, apatia, instabilidade emocional e agressividade, são frequentes e podem preceder em anos as disfunções motoras. Transtornos do humor, principalmente depressão, afetam até 60% dos portadores. As psicoses, quando ocorrem, afetam especialmente os indivíduos jovens. O risco de suicídio deve sempre ser considerado, uma vez que a incidência é de quatro a seis vezes maior nas famílias afetadas pela doença.

Crises convulsivas são raras nos adultos, mas podem ocorrer principalmente quando a enfermidade é precoce. Nesses casos, é preciso atenção, pois o mal epiléptico pode ser fatal.

O tempo médio de sobrevida do paciente varia de 14 a 17 anos. As causas de morte geralmente estão relacionadas às complicações da doença, como por exemplo, infecções, asfixia e traumatismos crânio-encefálicos.

Origem

A doença foi descrita por George Huntington, em 1872. Em 1983, pesquisadores localizaram o gene que causa os sintomas numa região do cromossomo quatro.

Dez anos depois, descobriu-se que no local havia uma repetição anormal de uma sequência de substâncias chamadas nucleotídeos, que são como blocos construtores do DNA. A sequência é formada pelos nucleotídeos citosina, adenosina e guanina (CAG) e codifica uma substância denominada glutamina.

Nos indivíduos sãos, o número de repetições da sequência CAG é geralmente menor que 20; nos portadores da doença de Huntington, há sempre mais de 36 repetições, justamente na posição onde se encontra o gene defeituoso. A proteína codificada por esse gene, que ainda não tem função definida, foi denominada huntingtina. Pela análise do DNA de uma pessoa, verifica-se o número de repetições do CAG, o que indica se a pessoa é portadora ou não do defeito genéticoque causa a doença.

Por isso, o diagnóstico mais apurado é feito hoje por meio de testes genéticos. Em casos com suspeita deste diagnóstico, deve-se investigar a possibilidade de enfermidades com sintomas semelhantes, como a coréia hereditária benigna e discinesias tardias (movimentos involuntários causados por medicamentos). Exames complementares, como eletroencefalograma (EEG) ou exames de imagens, não indicam a presença da doença, mas ajudam a descartar outras patologias e acompanhar a evolução da moléstia.

Prevalência

Estima-se que a doença de Huntington afete de 30 a 70 pessoas em cada grupo de um milhão. Nos EUA, é tão frequente quanto a hemofilia e a distrofia muscular. A moléstia atinge ambos os sexos e, embora tenha sido detectada em indivíduos de várias origens, parece ser mais frequente em brancos.

O distúrbio geralmente se manifesta dos 40 aos 50 anos, mas pode surgir em qualquer idade. A forma juvenil é começa antes dos 20 anos, e a de início tardio, depois dos 50 anos. Filhos de indivíduos com doença de Huntington têm 50% de chance herdar o gene que provoca a enfermidade. Uma vez herdada a alteração genética, a enfermidade irá se manifestar inevitavelmente em alguma etapa da vida. Por outro lado, aqueles que não herdaram o gene não irão desenvolver a doença, tampouco seus descendentes.

Tratamento

Ainda não há cura para a moléstia, mas existem terapias para atenuar seus sintomas. Os movimentos involuntários e os distúrbios psiquiátricos são tratados com neurolépticos tradicionais e atípicos. Antidepressivos são úteis nos estados depressivos, e benzodiazepínicos, em alterações comportamentais. Fisioterapia e fonoaudiologia também podem auxiliar na manutenção da qualidade de vida dos doentes.

A melhor compreensão das bases moleculares da enfermidade tem permitido o desenvolvimento de pesquisas em busca de soluções terapêuticas eficazes, que tragam uma melhor perspectiva para as famílias afetadas. Cientistas buscam formas de interromper a evolução da doença ou, ao menos, torná-la mais lenta, além de procurar maneiras de restaurar as funções já comprometidas e de evitar que a doença se manifeste nos portadores assintomáticos do defeito genético .

Mônica Santoro Haddad

Fonte: www.neurociencias.org.br

Doença de Huntington

A doença de Huntington é uma disfunção cerebral hereditária, que evolui com degeneração corporal e mental e que passa de uma geração a outra com chance de acometer 50% dos filhos de pais ou mães doentes. As principais características são o aparecimento de movimentos involuntários dos membros, do tronco e da face, diminuição da capacidade intelectual e alterações no comportamento e na personalidade.

Quando aparece?

A maioria das pessoas que possui o gene de Huntington em seu DNA manifesta os primeiros sintomas entre 35 e 45 anos de idade. Há também uma forma juvenil da doença que se desenvolve antes dos 20 anos.

Distribuição na população

A doença afeta de 5 a 10 pessoas a cada 100 mil, não havendo diferenças entre sexo ou raça.

O que muda no sistema nervoso?

Os pacientes com doença de Huntington apresentam destruição de neurônios de uma parte do cérebro chamada núcleo estriado, que produz o neurotransmissor GABA. A redução da liberação deste neurotransmissor no sistema nervoso determina o aparecimento de movimentos involuntários irregulares e decadência mental progressiva.

O que causa a doença?

A presença de um gene incomum que pode ser herdado da mãe ou do pai, o gene de Huntington, determina o aparecimento da doença.
Sintomas

As marcas da doença são distúrbios do comportamento e Coréia, ou seja, aparecimento de abalos e movimentos involuntários, irregulares e bruscos, que ocorrem especialmente nos membros (mãos e antebraços), mas também no tronco e na face (careteamentos). O paciente tem dificuldade para falar, engolir e seu caminhar fica descoordenado. Depressão, apatia e irritabilidade são comuns.

O que parece, mas não é doença de Huntington?

Movimentos característicos de Coréia e com evolução crônica podem aparecer em outras condições, como esquizofrenia e Coréia senil, porém exames de sangue são capazes de detectar o gene alterado e fazer o diagnóstico.

O que muda na vida da pessoa doente?

A progressão da doença é muito variável em pacientes distintos. Em geral ocorre perda progressiva de capacidade intelectual, impedindo eventualmente atividades produtivas. Pode ocorrer dificuldade do paciente alimentar-se em estágios mais avançados, levando a uma dependência progressiva de cuidados por parte de terceiros.

Tratamento

Para controlar os movimentos coréicos, são utilizados fármacos como o haloperidol e indutores de sonolência que promovem maior repouso e alívio dos sintomas. Caso necessário, também se utiliza anti-depressivos tricíclicos. O aconselhamento genético é recomendável.

Fonte: www.ivdn.ufrj.br

Doença de Huntington

A Doença de Huntington (DH ou HD) é uma doença neurodegenerativa que se caracteriza por uma demência progressiva e movimentos coreicos que se originam pela perda prematura de neurônios específicos, situados, principalmente, no gânglio basal. A doença é hereditária e dominante, o que significa que se transmite de pais para filhos, sem saltar nenhuma geração. A possibilidade de herança é de 50%.

A queixa inicial mais frequente é a descoordenação e movimentos involuntários, embora alterações comportamentais possam preceder ou coincidir com o início dos movimentos. Pode também, raramente, apresentar rigidez generalizada. Manifesta-se, geralmente, entre 30 e 50 anos, contudo pode aparecer em qualquer idade.

A UPADH - União dos Parentes e Amigos dos Doentes de Huntington é uma organização sem fins lucrativos que tem como objetivo dar apoio e orientação às famílias dos portadores de DH, bem como:

Tornar conhecida a doença;
Aproximar portadores, familiares, médicos e cientistas;
Estimular pesquisas;
Criar centros de atendimento especializado nas diversas regiões do Brasil.

Para alcançar seus objetivos, a UPADH está buscando angariar fundos através de sócios, colaboradores, órgãos governamentais e de fundações nacionais e internacionais que disponham de verbas para fins assistenciais.

História da Doença de Huntington

A história começa com um modesto doutor chamado George Huntington. Nasceu em 1850 em um povoado de East Hampton, em Long Island, EUA, em que seu pai e avô haviam exercido a medicina antes dele. Depois de formado médico, Dr. Huntington decidiu estabelecer-se por sua conta em Pomeroy, Ohio.

Ele descreveu em suas memórias uma rara enfermidade que já seu pai e seu avô haviam reconhecido em alguns de seus pacientes. Recor-dava que, estando um dia com seu pai, vieram de repente duas mulheres, ambas altas, quase cadavéricas, que se arqueavam e contorciam, fazendo trejeitos. Ficou impressionado e quase sentiu medo. Que poderia significar?

A descrição de Huntington teve uma ampla difusão, porém a quantidade de informação realmente sólida sobre a enfermidade foi mínima até meados do século XX.

Faziam-se autópsias nos cérebros das vítimas da doença e certificava-se que estavam enormemente diminuídos "como melões podres". Foi a forma que os descreveu o Dr. Whittier (o médico que tratou dos últimos anos de vida de Woody Guthrie). Porém não se tinha nenhuma idéia clara sobre qual era a causa da morte das células cerebrais ou da forma em que determinadas células eram afetadas.

Uma área de investigação que despertou bastante interesse foi o seguimento genético das famílias afetadas pela enfermidade. Em 1916, os doutores C. P. Davenport e E. Muncie trataram a 962 doentes na Nova Inglaterra e foram capazes de classificá-los dentro de quatro famílias que chegaram a Salem e Boston no século XVII.

Em 1932, o Dr. P. R. Vessie realizou uma investigação mais profunda em uma dessas famílias: a doença provinha de três homens que chegaram à América em um barco chamado John Withrop em 1630, vindo do povoado de Bures, na Inglaterra. Vessie constatou que muitas mulheres descendentes desta família foram queimadas nas fogueiras durante o famoso Salem, consideradas como bruxas. Nos estudos hereditários observou-se que as famílias afetadas tinham tendência a ter grande número de filhos, alguns com condutas criminais (especialmente crimes sexuais), depressões e suicídios

Texto extraído e traduzido da biografia de Woody Guthrie, publicada por Joe Klein em 1980.

Nota: Woody Guthrie é conhecido como o doente de Huntington mais famoso. Foi um importante cantor de folk dos anos 60. Depois de sua morte, sua viúva fundou a primeira associação de DH no mundo.

Fonte: www.upadh.org.br

Doença de Huntington

A doença de Huntington (coreia de Huntington) é uma doença hereditária que costuma ter início na meia-idade. Caracteriza-se por sacudidelas ocasionais ou movimentos espásticos e por uma perda gradual de neurónios, evoluindo progressivamente para estados de coreia, atetose e deterioração mental.

Dado que a doença de Huntington é uma perturbação auto-sómica dominante, os filhos das pessoas afetadas têm 50 % de probabilidades de a desenvolver. No entanto, é difícil determinar a idade exata em que se verifica, porque a doença aparece de forma insidiosa. Os sintomas costumam manifestar-se entre os 35 e os 40 anos de idade.

Sintomas e diagnóstico

Durante as fases iniciais da doença de Huntington as pessoas afetadas podem misturar de forma espontânea os movimentos intencionais com os anormais, podendo, por isso, estes últimos passar despercebidos. Com o tempo, os movimentos tornam-se mais óbvios e finalmente os movimentos anormais manifestam-se em todo o corpo, dificultando a deglutição e o vestir-se. Inclusive o fato de permanecer quieto, ao estar sentado, torna-se quase impossível.

Através da tomografia axial computadorizada (TAC) podem observar-se certas alterações características no cérebro. No início, as alterações mentais produzidas pela doença de Huntington são subtis, mas as pessoas afetadas tornam-se progressivamente irritáveis e excitáveis, e perdem o interesse nas suas atividades habituais. Mais tarde podem apresentar um comportamento irresponsável e, frequentemente, deambular sem rumo.

Podem perder o controlo sobre os seus impulsos e incorrer na promiscuidade e, com o tempo, acabam perdendo a memória e a capacidade do pensamento racional, podendo manifestar uma depressão grave com tentativas de suicídio. Nas fases avançadas da doença deterioram-se quase todas as funções e por isso torna-se necessária a assistência médica a tempo inteiro ou os cuidados do doente no lar por parte de enfermeiras. A morte costuma ocorrer ao fim de 13 a 15 anos a partir do aparecimento dos primeiros sintomas, como consequência de uma pneumonia ou devido às lesões de uma queda fatal.

Tratamento

Não existe cura para a doença de Huntington, embora os medicamentos costumem ajudar a aliviar os sintomas e a controlar as manifestações comportamentais. Para as pessoas com antecedentes familiares da doença é importante o aconselhamento genético, assim como a realização de alguns exames para avaliar o risco da transmissão da perturbação aos seus filhos.

Fonte: www.manualmerck.net

Doença de Huntington

Doença de Huntington
Doença de Huntington

A Doença de Huntington (DH) é uma desordem hereditária do cérebro que afeta pessoas de todas as raças em todo mundo. Recebeu o nome do Dr. George Huntington, médico de Long Island (EUA), que publicou uma descrição do que ele chamou "coréia hereditária", em 1872.

Originada da palavra grega para "dança", coréia se refere aos movimentos involuntários que estão entre os sintomas comuns da DH.

Até bem recentemente, pouco era conhecido ou publicado sobre a DH. Entretanto, nos últimos 20 anos muito se aprendeu sobre as causas e efeitos da DH e sobre tratamentos, terapias e técnicas para lidar com os sintomas da doença.

Em 1993, após uma busca de dez anos, os cientistas encontraram o gene que causa a DH, e avanços importantes fluíram a partir dessa importante descoberta. Muitos cientistas estão ativamente envolvidos na busca de tratamentos efetivos para fazer cessar ou reverter os efeitos da DH e, eventualmente, curá-la de forma definitiva.

A DH é uma doença degenerativa cujos sintomas são causados pela perda marcante de células em uma parte do cérebro denominada gânglios da base. Este dano afeta a capacidade cognitiva (pensamento, julgamento, memória), movimentos e equilíbrio emocional. Os sintomas aparecem gradualmente, em geral nos meados da vida, entre as idades de 30 e 50 anos. Entretanto, a doença pode atingir desde crianças pequenas até idosos.

Na maior parte dos casos, as pessoas podem manter sua independência por vários anos após o aparecimento dos primeiros sintomas da doença. Um médico bem informado pode prescrever um tratamento para minimizar o impacto dos sintomas motores e mentais, embora estes sejam progressivos. Profissionais de saúde afins, tais como assistentes sociais, terapeutas físicos e ocupacionais, fonoaudiólogos e nutricionistas, podem, todos, ter um papel útil na maximização das habilidades e prolongamento da independência.

Família

A DH é também uma doença familiar devido ao seu impacto sobre todos os membros da família. Conforme a doença progride, o papel familiar da pessoa afetada irá mudar gradualmente. O cônjuge ou companheiro terá que assumir mais e mais os cuidados com a casa, as tomadas de decisão e deveres para com os filhos, pois seu companheiro doente não será mais capaz de cumprir essas tarefas. Além disto, o cônjuge ou companheiro vai se tornar, muito provavelmente, o principal cuidador.

Crianças e adolescentes terão que enfrentar viver com uma mãe ou um pai que é doente, e cujo comportamento pode ser estranho. Eles podem até mesmo ser chamados para participar dos cuidados do pai ou mãe. Para os pais, contar às crianças sobre a DH poderá trazer perguntas difíceis. Deverão contar às crianças sobre a DH? Em caso afirmativo, em que idade? Quando uma criança está suficientemente madura para lidar com a idéia de estar em risco para a DH?

Não há respostas fáceis, especialmente porque as crianças se desenvolvem em ritmos diferentes, e cada situação familiar é diferente. Em geral, é uma boa idéia ser tão aberto quanto possível, sem ser alarmista, e dar conhecimento dos fatos pouco a pouco. Desta forma, a criança poderá desenvolver uma consciência gradual da DH, mais do que ficar subitamente espantada pela informação.

De nada adianta tratar a DH como um segredo familiar vergonhoso, uma vez que a criança ou adolescente um dia irá descobrir a respeito dela. Esconder a verdade pode levar à desconfiança e ressentimento.

Hereditariedade

A DH é uma doença familiar por duas razões. Ela é passada de uma geração para a seguinte pela transmissão, de pais para filhos, de um gene defeituoso (alterado). Cada filho com um dos pais afetado tem uma chance em duas, ou 50 porcento, de herdar o gene que causa a DH, e é considerado "em risco" para a DH. As pessoas que carregam o gene irão desenvolver a DH, a não ser que morram de alguma outra causa antes do aparecimento dos sintomas.

Atualmente, cerca de 30.000 pessoas têm DH nos EUA e outras 150.000 estão em risco. No Brasil ainda não existem dados estatísticos.

Homens e mulheres têm chances iguais de herdar o gene de um dos pais afetado. Aqueles que não herdam o gene não irão desenvolver a doença, nem seus filhos; a DH não "pula uma geração".

O teste genético já está disponível para determinar se uma pessoa carrega ou não o gene da DH.

Teste genético

Logo após a descoberta do gene da DH em 1993, foi desenvolvido um teste que permite às pessoas descobrirem se elas são portadoras ou não do gene que causa a DH.

Os primeiros testes eram baseados num processo de "análise de ligação" que requeria amostras de sangue de diversos membros da família.

O novo teste direto de gene é muito mais preciso e requer sangue somente do indivíduo que está fazendo o teste.

Descobriu-se que o gene da DH tem uma seção específica que é expandida em pessoas com DH. Em todas as pessoas, esta extensão de material genético, ou DNA, contém um padrão da assim chamada "repetição trinucleotídica" (nucleotídios são os blocos construtores do DNA e são representados pelas letras C, A, G e T). Na maior parte das pessoas o padrão repetido CAG ocorre 30 ou menos vezes. Na DH ele ocorre mais de 36 vezes. Pela análise do DNA de uma pessoa, e contando o número de repetições do CAG, é possível dizer se a pessoa é portadora ou não do gene da DH.

O teste não pode predizer a idade da manifestação clínica da doença.

A decisão de fazer o teste genético é profundamente pessoal e uma pessoa não pode tomá-la levianamente. Todas as pessoas têm suas próprias circunstâncias para levar em consideração e não existem respostas "certas" ou "erradas". Nunca se deverá forçar um indivíduo em risco a fazer o teste. As crianças em geral não têm capacidade para considerar todas as implicações do teste, e podem ser vulneráveis à pressão dos outros. Desta forma, a idade mínima requerida costuma ser 21 anos.

A ABH - Associação Brasil Huntington recomenda que pessoas em risco, que queiram fazer o teste pré-sintomático, o façam num centro de testes de DH. Os centros de testes no Brasil estão em fase de formação em alguns Hospitais-Escola, e deverão envolver equipes de profissionais das várias áreas de saúde implicadas com os quadros dos pacientes com DH, de acordo com protocolos internacionais que regulamentam a aplicação de tais testes.

O procedimento de teste envolve sessões com vários profissionais.

Tipicamente inclui uma sessão dedicada a cada um dos seguintes tópicos: aconselhamento genético, exame neurológico, entrevista psicológica, discussão dos resultados e acompanhamento posterior. O teste genético propriamente dito, é um exame de sangue.

O propósito das sessões preliminares é de se assegurar que a pessoa entenda as implicações do seu estado genético e se está preparada para receber os resultados. O exame neurológico irá determinar se há a presença de quaisquer sintomas iniciais da DH. A opção de descontinuar o procedimento de teste será sempre oferecida.

É importante notar que o teste pré-sintomático da DH não pode determinar quando a doença irá se manifestar, ou seu desenvolvimento ou gravidade. As pessoas com resultado positivo para o gene, podem permanecer saudáveis por muitos anos. A manifestação clínica da DH só pode ser diagnosticada por um exame neurológico.

Tecnicamente é possível testar um feto intra-útero, para saber se ele é portador do gene da DH. Nesses casos deve-se levar em conta aspectos éticos e legais.

Diagnóstico

Só se pode chegar a um diagnóstico clínico de DH através de um exame completo, que geralmente vincula um exame neurológico e psicológico e uma história familiar detalhada. A RM (ressonância magnética) ou TC (tomografia computadorizada) podem ser incluídas, mas os achados destes procedimentos não são suficientes para formar um diagnóstico, e sim para excluir outros problemas que causam sintomas semelhantes.

De forma similar, o teste genético pode ser usado para auxiliar a confirmar ou excluir o diagnóstico de DH. Entretanto, o resultado positivo do teste (indicando a presença do gene da DH) não é suficiente apenas por si próprio (por exemplo, sem um exame neurológico) para confirmar o diagnóstico clínico da DH manifesta.

É melhor fazer uma consulta com um médico (geralmente um neurologista) que esteja familiarizado com DH, uma vez que os sintomas podem imitar aqueles de outras desordens, como outras formas de coréias, ataxias, doença de Parkinson ou alcoolismo.

O diagnóstico de DH pode explicar porque a memória não é mais tão boa como costumava ser, ou porque a pessoa está se sentindo irritada ou deprimida.

Contudo, para muitos a notícia é muito perturbadora. É comum as pessoas ficarem num "estado de negação" após receberem o diagnóstico de DH.

Não importa qual seja a reação inicial, pode ser útil discutir a reação com os outros, seja com um grupo de apoio, como a ABH, ou com um conselheiro ou terapeuta.

Sintomas

Os sintomas da DH variam amplamente de pessoa para pessoa, mesmo dentro da mesma família. Para alguns, os movimentos involuntários podem ser proeminentes mesmo nos estágios iniciais. Para outros, eles podem ser menos evidentes e sintomas emocionais e comportamentais podem ser mais óbvios.

Os seguintes traços são comuns na DH:

Sintomas Emocionais / Comportamentais

Depressão, irritabilidade, ansiedade e apatia são frequentemente encontrados na DH. Algumas pessoas podem ficar em depressão por um período de meses ou mesmo anos antes que isto seja reconhecido como um sintoma inicial da DH. Mudanças comportamentais podem incluir explosões agressivas, impulsividade, mudança de humor e afastamento social. Frequentemente, traços de personalidade existentes serão exacerbados pela DH, por exemplo, uma pessoa que tinha tendência a ser irritável, irá se tornar ainda mais irritável. Psicose esquizofreniforme e outros problemas psiquiátricos sérios são incomuns, mas também podem ocorrer na DH.

Sintomas Cognitivos / Intelectuais

Mudanças intelectuais leves frequentemente são os primeiros sinais de perturbação cognitiva. Elas podem envolver habilidade reduzida para organizar assuntos de rotina, ou para lidar efetivamente com situações novas. A memória também pode ser alterada de alguma maneira. As tarefas de trabalho tornam-se mais difíceis.

Sintomas Motores

Os sintomas físicos podem, inicialmente, consistir de inquietação, contrações musculares ou agitação excessiva. A escrita pode mudar e "caretas" podem aparecer. As habilidades do dia-a-dia envolvendo coordenação e concentração, tal como dirigir, tornam-se mais difíceis. Esses sintomas iniciais evoluem gradualmente para movimentos involuntários (coréia) mais marcados da cabeça, tronco e membros - que frequentemente levam a problemas para andar e manter o equilíbrio. A fala e a deglutição podem ficar prejudicadas. Os movimentos em geral tendem a aumentar durante esforço voluntário, stress ou excitação, e diminuir durante o descanso e o sono.

Estágios da DH

Embora a forma e a gravidade dos sintomas varie de pessoa para pessoa, o desenvolvimento da DH pode ser dividido basicamente em três estágios.

No início da doença, as manifestações incluem mudanças sutis na coordenação, talvez alguns movimentos involuntários, dificuldade de pensar sobre problemas, e, frequentemente, humor depressivo ou irritável. Neste estágio, a medicação é frequentemente efetiva no tratamento da depressão e outros sintomas emocionais. É um bom momento para começar a planejar o futuro. Planos financeiros devem ser feitos e documentos legais (um testamento, por exemplo) devem ser redigidos.

No estágio intermediário, os movimentos involuntários (coréia) podem tornar-se mais pronunciados. Um jeito cambaleante às vezes pode, erroneamente, ser considerado embriaguez. (Pode ser útil carregar documentação que faça referência clara ao diagnóstico de DH). A fala e a deglutição irão começar a ser afetadas. É importante consultar um fonoaudiólogo que poderá oferecer instruções e estratégias para melhorar as habilidades de comunicação e deglutição. Da mesma forma, terapeutas físicos e ocupacionais podem desenvolver programas que ajudem a manter o mais alto nível possível de funcionamento e assim melhorar a qualidade de vida.

As habilidades de pensamento e raciocínio lógico também irão diminuir gradualmente. Neste estágio pode se tornar cada vez mais difícil manter um emprego e desempenhar as responsabilidades de manutenção da casa. Aqui, mais uma vez, estratégias simples podem ser empregadas para ajudar a diminuir a frustração, melhorar o funcionamento e prolongar a independência. Por exemplo, pode-se lidar com a desorientação e perda de memória recente etiquetando as gavetas, mantendo uma rotina diária e deixando à vista um calendário em que se liste compromissos e eventos.

As pessoas num estágio avançado de DH podem ter coréia grave, mas, mais frequentemente, se tornam rígidas. Engasgos com comida se torna uma preocupação maior, bem como a perda de peso. Neste estágio as pessoas com DH são totalmente dependentes dos outros para todos os aspectos de cuidados, não podem mais andar e não são capazes de falar.

Embora as habilidades cognitivas sejam intensamente prejudicadas, é importante lembrar que, em geral, a pessoa ainda está consciente do seu meio ambiente, continua capaz de compreender a linguagem, tem consciência daqueles que ama e dos outros. Poderá continuar a gostar de olhar fotografias e ouvir histórias da família e dos amigos.

As pessoas não morrem da própria DH, mas sim de complicações da imobilidade causada pela doença, tais como engasgo, infecções ou traumatismos cranianos.

A morte geralmente ocorre cerca de 15 a 20 anos após o aparecimento da doença.

Fonte: www.saudeemmovimento.com.br

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