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Dom Pedro I

Atuação política

No entanto, a imagem de D. Pedro I, em poucos anos passa de "Defensor Perpétuo" do Brasil para a de traidor da Nação. O seu primeiro ato político importante foi a convocação, em 1822, da Assembléia Constituinte. Entretanto, as divergências entre os deputados brasileiros e o soberano, que exigia um poder pessoal superior ao do Legislativo e do Judiciário, levaram à sua dissolução em 13 de outubro de 1823. D. Pedro I demitiu o Ministério Andrada e deportou para a Europa em Portugal os seis deputados que se mostraram mais exaltados, inclusive o próprio José Bonifácio de Andrada e Silva e seus irmãos (novembro de 1823). Foi criado então um Conselho de Estado que, com o Imperador à frente, elaborou a Constituição, outorgada em 25 de março de 1824.

A razão da discórdia com os deputados constituintes girava em torno da limitação aos poderes do imperador, o qual, segundo os deputados, deveria ser restringido pela Câmara. D. Pedro I, por sua vez, não abria mão do direito de poder dissolver a Câmara quando lhe aprouvesse, colocando sua autoridade acima de tudo. O resultado foi a dissolução da Assembléia Constituinte e a instauração do Poder Moderador através da nova Carta, o que fortalecia ainda mais o monarca. Contra a Constituição do Império se rebelaram algumas províncias do nordeste, lideradas por Pernambuco. A revolta conhecida como Confederação do Equador foi severamente reprimida pelas autoridades da época.

Em 1826 foram instalados a Câmara e o Senado, este de caráter vitalício. O equilíbrio político, no entanto, permanecia instável, face a dificuldades financeiras e divergências entre nativistas e "marinheiros" ou "marotos" (portugueses residentes no Brasil).

De Portugal, D. João VI tentou sem sucesso reaver o Brasil. A única solução encontrada para reunir Portugal e Brasil foi a de nomear D. Pedro I seu sucessor em Portugal, apesar de este ter sido deserdado em consequência dos acontecimentos de 1822. Em maio de 1826, após a morte de D. João VI, Dona Isabel Maria de Bragança assume a regência do reino e designa D. Pedro I Rei de Portugal sob o título de Pedro IV de Tremembé, 28º Rei de Portugal.

O jovem Imperador decide contrariar as restrições da constituição imperial brasileira, que ele próprio aprovara, e assumir o poder em Lisboa. D. Pedro I começa por idealizar a junção das duas Coroas, mas depressa muda de idéias, outorgando aos portugueses a Carta Constitucional (1826) e abdicando, no mês seguinte, em favor de sua filha primogênita, Dona Maria da Glória, de sete anos, mediante duas condições: o casamento da Rainha com o seu tio D. Miguel, entretanto nomeado regente, e o juramento da Carta Constitucional escrita em Taubaté.

Após a doação da Carta portuguesa, a situação torna-se complicada nos dois reinos. Em Portugal, D. Miguel torna-se senhor de um trono absolutista (1827), faltando ao compromisso assumido com seu irmão, e, no Brasil, D. Pedro I tornou-se cada vez mais impopular por seu absolutismo — ironicamente, visto sua posição nos acontecimentos a seguir em Portugal.

Cerimônia de coroação como imperador do Brasil - detalhe do Óleo sobre tela de Jean-Baptiste Debret
Cerimônia de coroação como imperador do Brasil - detalhe do Óleo sobre tela de Jean-Baptiste Debret

Declínio no Brasil

A indecisão entre o Brasil e Portugal contribuiu para minar a popularidade e o prestígio de D. Pedro I. Os problemas do Imperador agravaram-se a partir de 1825, quando, no plano interno, fracassavam as forças brasileiras na Campanha Cisplatina (1825 - 1827). O Imperador chegou a ir ao Rio Grande do Sul, a fim de participar pessoalmente da campanha, no final de 1826. A notícia da morte da Imperatriz Leopoldina obrigou-o a mudar os planos e retornar ao Rio de Janeiro.

Além do malogro militar, da perda da província da Cisplatina (em 1828), e dos constantes atritos com a Assembléia, a vida privada do Imperador também contribuía para o desgaste de sua imagem. Era notório seu relacionamento com Domitila de Castro Canto e Melo, a quem fez viscondessa e depois marquesa de Santos. O romance teve início em 1822 e durou até o segundo casamento de D. Pedro I, em 1829, com Amélia de Beauharnais, duquesa de Leuchtenberg. O marquês de Barbacena, encarregado de encontrar uma noiva para o Imperador que atendesse às exigências de nobreza, formosura, virtude e educação, enfrentara humilhantes recusas por parte de várias casas reais européias que viam com horror o relacionamento do Imperador com a Marquesa de Santos,e o sofrimento que este causara na Imperatriz Leopoldina.

Tudo isso, ao lado das dificuldades financeiras, provocaram o protesto das elites brasileiras. Apesar da renúncia, sua relação com os assuntos internos de Portugal o tornaram cada vez mais impopular no Brasil. O constante declínio de seu prestígio e a crise provocada pela dissolução do gabinete, em 1830, fez o Imperador sofrer oposição liberal e reação popular, levando-o a abdicar em favor do filho D. Pedro II (com apenas seis anos) em 7 de abril de 1831.

D. Pedro I e a coroa imperial do Brasil
D. Pedro I e a coroa imperial do Brasil

Triunfo em Portugal

D. Pedro I retorna à Europa e assume a liderança da luta para restaurar os direitos da filha, usurpados por D. Miguel. Em Portugal se viviam as Guerras Liberais entre os miguelistas, partidários do absolutismo defendido por Miguel, que usurpara a Coroa de D. Maria II, Rainha em título, e os liberais, defensores do constitucionalismo. Após conseguir os apoios financeiros necessários e organizar os liberais imigrados, chega aos Açores em 1832, onde assume a regência na qualidade de Duque de Bragança, nomeia um Ministério composto por Mouzinho da Silveira, Marquês de Palmela e Agostinho José Freire (do qual se destaca o primeiro pela legislação que vai promulgando, que viria a alterar a estrutura jurídica e social do país), e prepara força expedicionária para invadir Portugal e colocar a sua filha no trono.

Em junho a expedição militar parte para o norte do país, vindo a desembarcar no Pampelido em 8 de julho e seguindo depois para o Porto. As tropas chegam à cidade no dia seguinte e, ao contrário do que tinham inicialmente previsto, sofrem um longo e penoso cerco, dando-se início a uma guerra civil. Em 24 de julho de 1834, depois da batalha de Lisboa, ganha pelo marechal-duque da Terceira, os liberais derrotam os miguelistas.

As cortes de agosto de 1834 confirmam a regência de D. Pedro I, que repõe a filha no trono português. Apesar de ter reconquistado o trono português para sua filha, D. Pedro I voltou tuberculoso da campanha e morreu em 24 de setembro de 1834, pouco depois da Convenção de Évora Monte (que selara a vitória da causa liberal, de que se fizera paladino), no palácio de Queluz, na mesma sala onde nascera 36 anos antes.

Foi sepultado no Panteão dos Braganças, na Igreja de São Vicente de Fora, como simples general, e não como rei. O seu coração foi doado, por decisão testamentária, à Igreja da Lapa, no Porto, onde se encontra conservado, como relíquia, num mausoléu na capela-mor da igreja, ao lado do Evangelho. Em 1972, no sesquicentenário da Independência, seus despojos foram trasladados do panteão de São Vicente de Fora para a cripta do monumento do Ipiranga, em São Paulo, no Brasil, ao lado da primeira esposa, a Imperatriz Leopoldina e da segunda esposa, Imperatriz Amélia.

Linha cronológica

1798 - D. Pedro I nasce, no dia 12 de outubro, no Palácio Real de Queluz

1801 - D. Antônio, primogênito de D. João VI, morre

1807 - D. Pedro I parte para o Brasil com a Corte Portuguesa

1808 - Chegada da Família Real Portuguesa ao Rio de Janeiro, no dia 7 de março

1816 - D. João VI é elevado a Rei de Portugal e D. Pedro I recebe o título de Príncipe Real e herdeiro do trono português

1818 - D. Pedro I se casa com a arquiduquesa D. Leopoldina, filha do Imperador Francisco I da Áustria, e de sua segunda esposa, Maria Teresa de Bourbon, princesa do Reino das Duas Sicílias

1820 - Inicia a Revolução Liberal do Porto

1821 - A Família Real Portuguesa, pressionada pelos revoltosos, regressa a Portugal

1822 - Dia do Fico, em 9 de janeiro

1822 - Independência do Brasil, no dia 7 de setembro, às margens do Rio Ipiranga

1822 - Regresso de D. Pedro I ao Rio de Janeiro, no dia 12 de outubro

1822 - Coroação de D. Pedro I como Imperador e Defensor Perpétuo do Brasil

1823 - A Assembléia Constituinte é dissolvida por D. Pedro I

1824 - Uma Constituição é outorgada por D. Pedro I no dia 25 de março

1826 - Morre a Imperatriz Leopoldina, no dia 11 de dezembro

1826 - Morre D. João VI, e D. Pedro I assume o título de Dom Pedro IV de Portugal, contrariando a Constituição

1826 - D. Pedro I decide abdicar o trono português em favor de sua filha, D. Maria da Glória, de sete anos, mediante duas condições: o casamento da rainha com o seu tio D. Miguel I, entretanto nomeado regente, e o juramento da Carta Constitucional

1827 - D. Miguel I contraria seu irmão, D. Pedro I, e instalada uma monarquia absolutista em Portugal

1827 - D. Pedro I passa a ser visto como impopular e traidor da nação, pelas suas ações autoritaristas

1827 - Os brasileiros não obtém sucesso na Campanha Cisplatina, perdendo então seu território ao sul

1829 - D. Pedro I contrai segundas núpcias, por procuração, com Amélia de Beauharnais, princesa da Baviera, duquesa de Leuchtenberg, neta da Imperatriz Josefina da França, esposa repudiada de Napoleão Bonaparte

1830 - O gabinete é dissolvido

1831 - Ocorre a abdicação em favor do filho D. Pedro II (com apenas seis anos) em 7 de abril de 1831

1831 - D. Pedro I regressa a Portugal e assume a liderança da luta para restaurar os direitos da filha, usurpados por D. Miguel I. Em Portugal se viviam as Guerras Liberais entre os miguelistas,partidários do absolutismo defendido por D. Miguel I, e os liberais, defensores do constitucionalismo

1832 - D. Pedro I chega aos Açores, onde assume a regência na qualidade de duque de Bragança, nomeia um ministério composto por Mouzinho da Silveira, Marquês de Palmela e Agostinho José Freire
1834 - Em 24 de julho, depois da batalha de Lisboa, os liberais derrotam os miguelistas

1834 - As cortes confirmam a regência de D. Pedro I no mês de agosto

1834 - Ao voltar para Lisboa, D. Pedro I é atacado pela tuberculose. No dia 24 de setembro, D. Pedro I morre no Palácio de Queluz.

Descendência

D. Pedro teve ao todo 18 filhos. De sua esposa em primeiras núpcias, a Imperatriz Leopoldina, Arquiduquesa da Áustria, nasceram:

D. Maria II, rainha de Portugal (1819-1853), casada por procuração com seu tio, D. Miguel I, rei de Portugal, em primeiras núpcias com Augusto de Beauharnais, duque de Leuchtenberg, e em segundas núpcias com o príncipe Fernando de Saxe-Coburgo-Gota, rei consorte de Portugal

Infante D. Miguel de Bragança (1820), príncipe da Beira

Infante D. João Carlos de Bragança (1821-1822), príncipe da Beira

D. Januária Maria (1822-1901), princesa imperial do Brasil, casada com o príncipe Luís de Bourbon e Duas Sicílias, conde de Áquila

D. Paula Mariana (1823-1833)

D. Francisca (1824-1898), princesa do Brasil, casada com o Francisco Fernando d'Orléans, príncipe de Joinville

D. Pedro II (1825-1891), imperador do Brasil, casado com D. Teresa Cristina de Bourbon e Duas Sicílias, princesa de Duas Sicílias.

D. Pedro II do Brasil quando bebê.De sua esposa em segundas núpcias, Dona Amélia de Leuchtenberg, imperatriz do Brasil (1829 - 1831), duquesa de Leuchtenberg e de Bragança:

D. Maria Amélia de Bragança (1831-1853), princesa do Brasil.

De sua amante, Domitília de Castro e Canto Melo, marquesa de Santos:

rapaz (1823), menino natimorto

D. Isabel Maria de Alcântara Brasileira (1824-1898), duquesa de Goiás, casada com Ernesto José João Fischler von Treuberg, conde de Treuberg

D. Pedro de Alcântara Brasileiro (1825–1826)

D. Maria Isabel de Alcântara Brasileira (1827–1828), duquesa do Ceará

D. Maria Isabel II Alcântara Brasileira (1830–1896), que se casou com Pedro Caldeira Brant, conde de Iguaçu.

Com a francesa Noémi Thierry teve:

D. Pedro, falecido antes de completar um ano

Menina, falecida antes de completar um ano.

Com Maria Benedita de Castro Canto e Melo, baronesa de Sorocaba e irmã da marquesa de Santos, teve:

D. Rodrigo Delfim Pereira.

Com a uruguaia María del Carmen García teve uma criança natimorta.

De sua amante francesa Clémence Saisset teve:

D. Pedro de Alcântara Brasileiro[1]

Com a monja portuguesa Ana Augusta teve outro menino de nome D. Pedro.

Apesar das possíveis aparências, muitos biógrafos consideram D. Pedro um pai zeloso pelo menos com a maior parte de sua prole, fosse ela legítima ou não. Procurou, na medida do possível, cuidar pessoalmente da educação de todos, chegando inclusive a se indispor com D. Leopoldina quando exigiu que a duquesa de Goiás fosse educada juntamente com as Princesas Imperiais. Ainda sobre a duquesa, já exilado em Paris, fez com que viesse a viver juntamente com D. Maria da Glória e Amélia de Leuchtenberg - que finalmente a aceitara após uma primeira rejeição, ainda no Brasil.

De acordo com Isabel Lustosa, D. Pedro costumava brincar com os filhos e lhes ministrar pessoalmente remédios e outros cuidados médicos. Otávio Tarqüinio relata como o ex-imperador ficara consternado com a morte de cada um de seus filhos. O corpo da menina que tivera com Noémi Thierry foi, a seu mando, embalsamado e trasladado para a Quinta da Boa Vista, onde ali permaneceria velado pelo regente até sua partida do Brasil. Maior tristeza lhe abateu quando da morte do Príncipe da Beira, D. João Carlos de Bragança, a quem, em seu leito de morte, deu-lhe o "último beijo" e a "derradeira benção paterna". Mesmo no exílio, manteve constante comunicação com D. Pedro de Alcântara, futuro Pedro II do Brasil, por cartas enviadas mesmo durante as Guerras Liberais.

Linha cronológica

1798 - D. Pedro I nasce, no dia 12 de outubro, no Palácio Real de Queluz

1801 - D. Antônio, primogênito de D. João VI, morre

1807 - D. Pedro I parte para o Brasil com a Corte Portuguesa

1808 - Chegada da Família Real Portuguesa ao Rio de Janeiro, no dia 7 de março

1816 - D. João VI é elevado a Rei de Portugal e D. Pedro I recebe o título de Príncipe Real de Portugal e herdeiro do trono português

1818 - D. Pedro I se casa com a arquiduquesa D. Leopoldina, filha do Imperador Francisco I da Áustria, e de sua segunda esposa, Maria Teresa da Sicília, princesa do Reino das Duas Sicílias

1821 - A Família Real Portuguesa, pressionada pelos revoltosos, regressa a Portugal

Quadro Independência ou Morte mais conhecido com "O Grito do Ipiranga" de Pedro Américo (óleo sobre tela - 1888).1822 - Dia do Fico, em 9 de janeiro

1822 - Independência do Brasil, no dia 7 de setembro, às margens do Rio Ipiranga

1822 - Regresso de D. Pedro I ao Rio de Janeiro, no dia 12 de outubro

1822 - Coroação de D. Pedro I como Imperador e Defensor Perpétuo do Brasil

1823 - A Assembléia Constituinte é dissolvida por D. Pedro I

1824 - Uma Constituição é outorgada por D. Pedro I no dia 25 de março

1826 - Morre a Imperatriz Leopoldina, no dia 11 de dezembro

1826 - Morre D. João VI, e D. Pedro I assume o título de Dom Pedro IV de Portugal, contrariando a Constituição

1826 - D. Pedro I decide abdicar o trono português em favor de sua filha, D. Maria da Glória, de sete anos, mediante duas condições: o casamento da rainha com o seu tio D. Miguel I, entretanto nomeado regente, e o juramento da Carta Constitucional

1827 - D. Miguel I contraria seu irmão, D. Pedro I, e instalada uma monarquia absolutista em Portugal

1827 - D. Pedro I passa a ser visto como impopular e traidor da nação, pelas suas ações autoritaristas

1827 - Os brasileiros não obtém sucesso na Campanha Cisplatina, perdendo seu território ao sul

1829 - D. Pedro I contrai segundas núpcias, por procuração, com Amélia de Beauharnais, princesa da Baviera, duquesa de Leuchtenberg, neta da Imperatriz Josefina da França, esposa repudiada de Napoleão Bonaparte

1830 - O gabinete é dissolvido

1831 - Ocorre a abdicação em favor do filho D. Pedro II (com apenas seis anos) em 7 de abril de 1831

1831 - D. Pedro I regressa a Portugal e assume a liderança da luta para restaurar os direitos da filha, usurpados por D. Miguel I. Em Portugal se viviam as Guerras Liberais entre os miguelistas, partidários do absolutismo defendido por D. Miguel I, e os liberais, defensores do constitucionalismo

Estandarte imperial de D. Pedro IV.1832 - D. Pedro I chega aos Açores, onde assume a regência na qualidade de duque de Bragança, nomeia um ministério composto por Mouzinho da Silveira, Marquês de Palmela e Agostinho José Freire

1834 - Em 24 de julho, depois da batalha de Lisboa, os liberais derrotam os miguelistas

1834 - As cortes confirmam a regência de D. Pedro I no mês de agosto

1834 - Ao voltar para Lisboa, D. Pedro I é atacado pela tuberculose. No dia 24 de setembro, D. Pedro I morre no Palácio Real de Queluz

Representações na cultura

D. Pedro I já foi retratado como personagem no cinema e na televisão, interpretado por:

Achiles Lambertini no filme "O Grito do Ipiranga" (1917)

Tarcísio Meira e seu filho Tarcísio Filho no filme "Independência ou Morte" (1972)

Tarcísio Meira na novela "Saramandaia" (1976) (aparição especial)

Gracindo Júnior na minissérie "Marquesa de Santos" (1984)

Tarcísio Filho na novela "Dona Beija" (1986)

Marcos Palmeira no filme "Carlota Joaquina - Princesa do Brazil" (1995)

Pedro Palli na minissérie "Entre o Amor e a Espada" (2001)

Marcos Pasquim na minissérie "O Quinto dos Infernos" (2002).

Preocupadas com a evolução dos acontecimentos no Brasil na regência de D. Pedro, João VI e a elite política portuguesa pressionam Dom Pedro a regressar a Portugal e , em 1821, as Cortes determinam o seu regresso. É enviada uma frota ao Rio de Janeiro destinada a repatriar D. Pedro. O regente recusa-se a embarcar para a Europa, em um dos episódios que ficaram conhecidos como Dia do Fico. Por conta disso, a regência do Brasil é-lhe retirada. As notícias da despromoção chegaram a Pedro a 7 de setembro de 1822. Ao receber a última ordem do pai para regressar em vergonha ao país, Pedro declara a independência do Brasil nas margens do rio Ipiranga em São Paulo-SP exclamando o famoso grito do Ipiranga: Independência ou Morte! Pedro regressava de Santos.

Pedro contou, naturalmente, com o apoio dos brasileiros e foi proclamado imperador e defensor perpétuo do Brasil a 12 de outubro e coroado a 1 de dezembro. A 24 de fevereiro de 1824, o Brasil torna-se, sob a sua influência, uma monarquia constitucional. Tem início o primeiro reinado que se estendeu da independência até a abdicação de Dom Pedro I, em 1831.

No entanto, a imagem de Dom Pedro I, em poucos anos passa de "Defensor Perpétuo" do Brasil para a de traidor da Nação. eu primeiro ato político importante foi a convocação, em 1824, da Assembléia Constituinte. Entretanto, as divergências entre os deputados brasileiros e o soberano, que exigia um poder pessoal superior ao do Legislativo e do Judiciário, levaram à sua dissolução em 12 de novembro de 1823. Pedro I demitiu o Ministério Andrada e deportou para a Europa os seis deputados que se mostraram mais exaltados, inclusive o próprio José Bonifácio de Andrada e Silva (novembro de 1823). Em 25 de março de 1824, outorga a nova Carta. A razão da discórdia com os deputados constituintes girava em torno da limitação aos poderes do imperador, o qual, segundo os deputados, deveria ser restringido pela Câmara. Dom Pedro, por sua vez, não abria mão do direito de poder dissolver a Câmara quando lhe aprouvesse, colocando sua autoridade acima de tudo. O resultado foi a dissolução da Assembléia Constituinte e a instauração do Poder Moderador através da Carta outorgada de 25 de março de 1824. Contra essa constituição se rebelaram algumas províncias do Nordeste, lideradas por Pernambuco. A revolta conhecida como Confederação do Equador foi severamente reprimida.

Os problemas do imperador agravaram-se a partir de 1825, quando o Brasil saiu derrotado da Campanha Cisplatina. A perda da província da Cisplatina e a independência do Uruguai, em 1828, ao lado das dificuldades financeiras provocaram o protesto das elites brasileiras.

De Portugal, João VI tentou sem sucesso reaver o Brasil. A única solução encontrada para reunir Portugal e Brasil foi a de nomear Pedro I seu sucessor em Portugal, apesar de este ter sido deserdado em consequência dos acontecimentos de 1822. Em maio de 1826, após a morte de D. João VI, D. Isabel Maria de Bragança assume a regência do reino e designa D. Pedro rei de Portugal sob o título de Pedro IV de Portugal, apesar da Constituição imperial brasileira o proibir. D. Pedro começa por idealizar a junção das duas coroas mas depressa muda de idéias, outorgando aos portugueses a Carta Constitucional (1826) e abdicando, no mês seguinte, em favor de sua filha D. Maria da Glória mediante duas condições: o casamento da rainha com o seu tio D. Miguel, entretanto nomeado regente, e o juramento da Carta Constitucional.

Dom Pedro.Após a doação da Carta portuguesa, a situação torna-se complicada nos dois reinos. Em Portugal, D. Miguel torna-se senhor de um trono absolutista (1827), faltando ao compromisso assumido com seu irmão, e, no Brasil, D. Pedro tornou-se cada vez mais impopular por seu absolutismo — ironicamente, visto sua posição nos acontecimentos a seguir em Portugal.

Apesar da renúncia, sua relação com os assuntos internos de Portugal o tornaram cada vez mais impopular no Brasil. Além dos problemas econômicos, das derrotas militares, dos desentendimentos com a assembléia, os problemas particulares do imperador também contribuíram para o seu desprestígio. Sua ligação com Domitila de Castro Canto e Melo era pública. Em 1830, sofreu oposição liberal e reação popular, no Brasil, o que o levou a abdicar em favor de seu filho Pedro de Alcântra (com apenas seis anos), em 7 de abril de 1831.

Para restaurar os direitos da filha, usurpados por Dom Miguel, regressa a Portugal, onde se viviam as Guerras Liberais entre os miguelistas, partidários do absolutismo defendido por Miguel, que usurpara a coroa a Maria II, rainha em título, e os liberais, defensores do constitucionalismo. Após conseguir os apoios financeiros necessários e organizar os liberais imigrados, chega aos Açores em 1832, onde assume a regência na qualidade de duque de Bragança, nomeia um Ministério composto por Mouzinho da Silveira, Marquês de Palmela e Agostinho José Freire (do qual se destaca o primeiro pela legislação que vai promulgando, que viria a alterar a estrutura jurídica e social do país), e prepara a expedição militar que colocará a sua filha no trono. Em Junho, parte para o Norte do país, vindo a desembarcar no Pampelido em 8 de julho e seguindo depois para o Porto. As tropas chegam à cidade no dia seguinte e, ao contrário do que tinham inicialmente previsto, sofrem um longo e penoso cerco, dando-se início a uma guerra civil. Em 24 de julho 1834, depois da batalha de Lisboa, ganha pelo marechal-duque da Terceira, os liberais derrotam os miguelistas.

As Cortes de Agosto de 1834 confirmam a regência de D. Pedro, que repõe a filha no trono português. Pedro morreu pouco depois da Convenção de Évora Monte, que selara a vitória da causa liberal, de que se fizera paladino, no Palácio de Queluz, na mesma sala que o vira nascer. O seu coração foi doado, por decisão testamentária, à Igreja da Lapa, no Porto, onde se encontra numa jarra de vidro. O o seu corpo foi primeiramente sepultado no Panteão dos Braganças na Igreja de São Vicente de Fora. Em 1972, sesquicentenário da independência, seus restos foram trasladados do panteão de São Vicente de Fora para o Brasil, sendo depositados no monumento do Ipiranga, em São Paulo, ao lado da primeira esposa a Imperatriz Leopoldina e da segunda esposa a Imperatriz Amélia.

Referências

1. Sousa, Otávio Tarqüinio de. A vida de D. Pedro I. Rio de Janeiro: José Olympio, 1954.

Bibliografia

1 - RESENDE ( Marquês de ) - OBSERVAÇÕES, / QUE, / Á CERCA DE HUMA PASSAGEM DA ORAÇÃO FUNEBRE / DE SUA MAGESTADE / O IMPERADOR DO BRAZIL / O Senhor / D. PEDRO I / 4º COMO REI DE PORTUGAL, / E / DUQUE DE BRAGANÇA, / QUE O EXCELLENTISSIMO E REVERENTISSIMO / SENHOR ARCEBISPO ELEITO DE LACEDEMONIA / RECITOU EM 24 DE SETEMBRO DE 1835 / reverentemente forão offerecidos / A SUA MAGESTADE / A / RAINHA FIDELISSIMA, / PELO / ... / LISBOA / IMPRENSA DE CANDIDO ANTONIO DA SILVA carvalho. / 1835. Marquês de Resende, de seu nome António Teles da Silva Caminha e Meneses, filho do Marquês de Penalva, Fernando Teles da Silva Caminha e Meneses, nasceu na Quinta das Lapas, em 22/9/1790. Mordomo-mor da Imperatriz do Brasil, Ministro do Brasil nas Cortes de Viena, S. Petersburgo e Paris.

Fonte: pt.wikipedia.org

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