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Dragão de Komodo

Estes animais tem o sistema de determinação do sexo ZW em contraste com o sistema XY presente nos mamíferos. O facto de só terem nascido machos, mostra que os ovos não-fertilizados eram haplóides (n) e que duplicaram os seus cromossomas mais tarde para se tornarem diplóides (2n) (sendo fertilizados por um corpo polar, ou por duplicação dos cromossomas sem divisão celular, ao invés de ela por ovos diplóides por falha de uma das divisões meióticas reductores). Quando uma dragão-de-komodo fêmea (com os cromossomas sexuais ZW) se reproduz dessa maneira, fornece à sua prole apenas um cromossoma de cada par que possui, incluindo apenas um dos seus dois cromossomas sexuais. Este conjunto singular de cromossomas é duplicado no ovo, que se desenvolve partongeneticamente. Ovos que recebem um cromossoma Z tornam-se ZZ (macho); os que recebem um cromossoma W tornam-se WW e não se desenvolvem[34][35].

Foi sugerido que esta adaptação reprodutora permite que uma fêmea sozinha entre num nicho ecológico isolado (tal como uma ilha) e produzem machos por partenogénese, estabelecendo assim uma população capaz de se reproduzir sexualmente (através de reprodução com os seus descendentes que pode resultar na produção tanto de machos como de fêmeas)[34]. Apesar das vantagens de tal adaptação, os zoológicos estão avisado que a partenogénese é prejudicial para a diversidade genética[36], devida à óbvia necessidade de cruzamento entre a única fêmea mãe com os seus descendentes macho.

Em 31 de Janeiro de 2008, no Zoológico de Sedgwick County em Wichita, no Kansas tornou-se o primeiro zoológico da América a documentar partenogénese em dragões-de-komodo. O zoológico tem duas fêmeas adultas, uma das quais pos 17 ovos em Maio de 2007. Só dois destes ovos foram incubados e eclodiram por falta de espaço; o primeiro nasceu em 31 de Janeiro de 2008 enquanto que o segundo saiu a 11 de Fevereiro. Ambos eram machos[37][38].

HISTÓRIA

Descoberta pela cultura Ocidental

Dragão de Komodo
Moeda com um dragão-de-komodo, emitida pela Indonésia

Os dragões-de-komodo foram documentados pela primeira vez por europeus em 1910, quando rumores de um "crocodilo terrestre" chegaram ao Tenente van Steyn van Hensbroek da administração colonial holandesa[39]. Notoriedade geral chegou depois de 1912, quando Peter Ouwens, o director do Museu Zoológico em Bogor, Java, publicou um artigo científico sobre o tema depois de receber uma foto e uma pele enviada pelo tenente, juntamente com mais dois espécimes de um coleccionador[1]. Mais tarde, o dragão-de-komodo foi o factor principal que levou a uma expedição à Komodo por W. Douglas Burden em 1926. Após regressar com 12 espécimes preservados e dois vivos, esta expedição forneceu a inspiração para o filme de 1933 King Kong[40]. Foi também Burden que usou o nome "Dragão-de-komodo" pela primeira vez[20]. Três dos espécimes foram empalhados e estão expostos no American Museum of Natural History[41].
Estudos

Os holandeses, apercebendo-se do número limitado de indivíduos presentes na natureza, proibiram a caça desportiva e limitaram grandemente o número de indivíduos que poderia ser levado para estudos científicos. Expedições para colecção pararam com a ocorrência da Segunda Guerra Mundial, e não resumiram até à década de 1950 e 60, quando estudos examinaram o comportamento alimentar, reprodução e temperatura corporal dos dragões-de-komodo. Por volta desta altura, uma expedição foi planeada em que um estudo longo seria feito sobre o dragão-de-komodo. Esta tarefa foi dada à família Auggenberg, que ficou na Ilha Komodo durante 11 meses em 1969. Durante esta estadia, Walter Auffenberg e a sua assistente Putra Sastrawan capturaram e marcaram mais de 50 dragões[28]. A pesquisa feita pela expedição Auffenberg seria muito influente na criação de dragões-de-komodo em cativeiro[2]. Pesquisas posteriores à família Auffenberg esclareceram mais aspectos sobre a natureza do dragão, e biólogos como Claudio Ciofi continua a estudar as criaturas[42].

CONSERVAÇÃO

O dragão-de-komodo é uma espécie vulnerável e está listada na Lista vermelha da IUCN[43]. Há aproximadamente 4-5 mil dragões-de-komodo na natureza. As suas populações estão restritas às ilhas de Gili Motang (100), Gili Dasami (100), Rinca (1300), Komodo (1700) e Flores (talvez 2000)[2]. No entanto, há preocupação que só haja actualmente somente 350 fêmeas reprodutoras[6]. Para responder a esta questão, foi fundado o Parque Nacional de Komodo em 1980 para proteger as populações dos dragões-de-komodo nas ilhas de Komodo, Rinca e Padar[44]. Mais tarde, as reservas de Wae Wuul e Wolo Tado foram abertas em Flores para ajudar à conservação destes animais[42]. Há evidências que os dragões-de-komodo estão a ficar habituados à presença humana, pois turistas costumam dar-lhes carcaças de animais em várias estações de alimentação[3]. O estado de espécie ameaçada destes animais deve-se a actividade vulcânica, terramotos, perda de habitat, incêndios (a população de Padar foi quase destruída por causa de um incêndio florestal, e desde então desapareceu misteriosamente)[42][12], diminuição do número de presas, turismo e caça furtiva. Sob o Apêndice I da CITES (a Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e da Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção), o comércio de peles ou espécimes é ilegal[14][45].

O biólogo australiano Tim Flannery sugeriu que a introdução de dragões-de-komodo pode beneficiar o ecossistema australiano, pois poderia ocupar o nicho de grande carnívoro deixado livre pela extinção do grande varano Megalania. No entanto, ele aconselha muita cautela e uma introdução gradual em experiências de aclimatização, especialmente porque "o problema da predação de grandes varanídeos sobre humanos não pode ser menosprezado". Ele usa o exemplo da coexistência bem sucedida com o crocodilo-de-água-salgada como prova que os australianos poderiam adaptar-se facilmente[46].

Apesar da raridade dos ataques, os dragões-de-komodo são conhecidos por matar humanos. Em 4 de Junho de 2007, um dragão atacou um rapaz de oito anos na Ilha Komodo. Mais tarde, ele morreu de hemorragias resultantes das suas feridas. Foi o primeiro ataque fatal registado em 33 anos[47]. Os nativos culparam o ataque aos ambientalistas que não vivem na ilha que proibiram os sacrifícios de cabras, o que causou que fosse negado aos dragões-de-komodo a fonte de comida esperada, fazendo com que os animais vagueassem para dentro de territórios humanos à procura de comida. Para os nativos da Ilha Komodo, estes animais são a reencarnação dos seus antepassados, e são por isso tratados com reverência[48].

Referências

1. 1,0 1,1 Ouwens, P.A. (1912). "On a large Varpássaro species from the island of Komodo". Bull. Jard. Bot. Buit. 2 (6): 1–3.

2. 2,0 2,1 2,2 2,3 Trooper Walsh; Murphy, James Jerome; Claudio Ciofi; Colomba De La Panouse. Komodo Dragons: Biology and Conservation (Zoo and Aquarium Biology and Conservation Series). Washington, D.C.: Smithsonian Books, 2002. isbn 1-58834-073-2

3. 3,0 3,1 3,2 3,3 Chris Mattison,. Lizards of the World. New York: Facts on File, 1989 & 1992. pp. pp. 16, 57, 99, 175. isbn 0-8160-5716-8

4. Burness G, Diamond J, Flannery T (2001). "Dinosaurs, dragons, and dwarfs: the evolution of maximal body size". Proc Natl Acad Sci U S A 98 (25). DOI:10.1073/pnas.251548698. 11724953.

5. 5,0 5,1 5,2 5,3 Tim Halliday (Editor), Kraig Adler (Editor). Firefly Encyclopedia of Reptiles and Amphibians. Hove: Firefly Books Ltd, . pp. 112, 113, 144, 147, 168, 169. isbn 1-55297-613-0

6. 6,0 6,1 6,2 Endangered! Ora.

7. 7,0 7,1 7,2 7,3 7,4 Ciofi, Claudio. The Komodo Dragon. Página visitada em 2006-12-21.

8. http://edition.cnn.com/2006/WORLD/europe/12/20/uk.komodo.reut/index.html

9. http://www.guardian.co.uk/christmas2006/story/0,,1976351,00.htmlgusrc=rss&feed=1

10 http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2006/12/061221_dragao_nasce_pu.shtml

11 11,0 11,1 Komodo Dragon. Página visitada em 2006-12-21.

12 12,00 12,01 12,02 12,03 12,04 12,05 12,06 12,07 12,08 12,09 12,10 12,11 12,12 Tara Darling (Illustrator). Komodo Dragon: On Location (Darling, Kathy. on Location.). Lothrop, Lee and Shepard Books, .

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36. Watts PC, Buley KR, Sanderson S, Boardman W, Ciofi C, Gibson R (2006). "Parthenogenesis in Komodo Dragons". Nature 444 (7122): 1021–2. DOI:10.1038/4441021a. PMID 17183308.

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39. Daily Mail - Should we really be scared of the Komodo dragon

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48. Erro: argumento title é obrigatório.

49. Procter, J.B. (October 1928). "On a living Komodo Dragon Varpássaro komodoensis Ouwens, exhibited at the Scientific Meeting". Proc. Zool. Soc. London: 1017–1019.

50. Lederer, G. (1931). "Erkennen wechselwarme Tiere ihren Pfleger". Wochenschr. Aquar.-Terrarienkunde 28: 636–638.

51. Murphy, J.; T. Walsh (2006). "Dragons and Humans". Herpetological Review 37: 269–275.

52. (August 2002) "Such jokers, those Komodo dragons". Science News 78 (1): 78.

53. Transcript: Sharon Stone vs. the Komodo Dragon. Página visitada em 2008-03-20.

54. Phillip T. Robinson. Life at the Zoo: Behind the Scenes with the Animal Doctors. New York: Columbia University Press, 2004.

55. Editor stable after attack by Komodo dragon / Surgeons reattach foot tendons of Chronicle's Bronstein in L.A.. Página visitada em 2008-03-23.

Fonte: pt.wikipedia.org

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