Cannabis sativa
Uso medicamentoso: a maconha era usada há cerca de 3000 anos na China.
Por volta de 1850, começou a ser usada na Europa. Atualmente, é considerada droga de abuso provocando dependência.
As pessoas ainda têm uma certa tolerância em relação ao uso da maconha, desconsiderando ou desconhecendo os danos que ela provoca.
Os educadores devem ter um conhecimento mais responsável em relação à maconha - ela é a droga ilícita mais usada pelos jovens e apresenta um perfil de problemas característicos que muitas vezes necessita de tratamento.
O tetrahidrocanabinol (THC) - uma das 4000 substâncias químicas presentes na maconha - já foi usado como medicamento em três condições clínicas: para reduzir ou eliminar as náuseas e vômitos produzidos por medicamentos contra o câncer; pelo seu efeito benéfico em alguns casos de epilepsia (doença que se caracteriza por convulsões) e por aumentar o apetite em pacientes com AIDS. Entretanto, a discussão gira em torno do fato de que existem muitos medicamentos com menor risco para a saúde e que podem ter o mesmo efeito terapêutico.
Os efeitos colaterais da maconha, como por exemplo, a diminuição da imunidade, não justifica o seu uso em pacientes com AIDS.
Como é usada
Fumada
Nomes comuns
Baseado
Erva
Beck
Marijuana
O THC é a substância química produzida pela maconha e responsável pelos efeitos psicológicos da planta.
Dependendo da quantidade de THC presente (o que pode variar de acordo com o solo, clima, estação do ano, época de colheita, tempo decorrido entre a colheita e o uso) a maconha pode ter potência diferente, isto é, produzir maior ou menor efeito.
Os efeitos experimentados pelo uso da maconha dependem também do estado psicológico da pessoa ambiente, momento da vida, pessoas ao seu redor), determinam sensações agradáveis (boa viagem) ou desagradáveis (má viagem).
Assim, a mesma dose de maconha que é insuficiente para um, pode produzir efeito nítido em outro e até uma forte intoxicação num terceiro.
Existem, no entanto, alguns sintomas clássicos do uso da maconha que estão abaixo relacionados:
Sinais e sintomas do uso da maconha
Olhos avermelhados
Boca seca
Taquicardia (aumento da freqüência cardíaca)
Aumento do apetite
Sonolência
Deformação na percepção de tempo e espaço
Prejuízo na atenção e memória de curto prazo
Problemas respiratórios (bronquite, sinusite, faringite, tosse seca, congestão nasal, etc)
Esterilidade masculina
A canábis é consumida pela humanidade há cerca de dez mil anos, desde a descoberta da agricultura. Era utilizada para a obtenção de fibras, óleo, sementes consumidas como alimento e por suas propriedades alucinógenas. A planta parece ser originária da China, apesar de outras evidências apontarem para a Ásia Central.
O famoso Pen Tsao Ching, farmacopéia escrita em 100 d.C., baseada nas compilações
de plantas com propriedades farmacológicas do imperador Shen Nung (2737 a.C.),
mostrava que os chineses já conheciam há alguns milênios as propriedades alucinógenas
da canábis. Nesses períodos a utilização da planta estava intrinsecamente
ligada ao misticismo e ao curandeirismo. Quando os europeus chegaram a China
no século XIII, tal hábito havia declinado e caído em desuso, permanecendo
apenas o cultivo da planta para a obtenção de fibras têxteis.
A maconha possui grande influência sobre a cultura hindu.
Segundo a tradição da Índia, a planta fora um presente dos deuses aos homens,
capaz de provê-los de prazer, coragem e atender a seus desejos sexuais. A
planta teria brotado pela primeira vez quando gotas do néctar dos deuses (Amrita)
se derramaram sobre a Terra.
Nos Himalaias indianos e no Tibet as preparações a base de canábis encontram grande importância no contexto religioso. Sadhus (homens sagrados) dedicam sua vida à deusa Shiva. Não possuem propriedade e praticam ioga e meditação.
O consumo de maconha faz parte de seus rituais. Uma das
preparações de maconha utilizada é o bhang, obtido a partir da maceração de
brotos da planta, convertidos em um suco ou doce. A ganja consiste em brotos
compactados por vários dias e fumados com tabaco ou datura. O charas é a própria
resina (haxixe), fumada da mesma forma.
Durante a Antigüidade, os gregos e romanos não tiveram por hábito utilizar
a maconha com propósitos alucinógenos, apesar de conhecerem
tais propriedades.
Dioscórides e Galeno utilizavam-na como medicamento para alguns tumores e
observaram que o uso continuado era capaz de causar esterilidade masculina
e inibir a produção de leite na mulher. Durante a Idade Média, a planta foi
praticamente esquecida. Já o Império Islâmico conviveu com a planta e a espalhou
pelas regiões conquistadas.
Durante o século XI, na região Qazwin, no atual Irã, viveu Hassan bin Sabbah,
o Velho da Montanha. Estudioso do islamismo e vivendo em Alexandria (Egito),
viu-se prisioneiro quando apoiou a ascensão ao trono do príncipe Nizar, no
seu entender o herdeiro legítimo do califado egípcio. Conseguindo escapar
do encarceramento, encontrou refúgio em Qazwin, onde ergueu seu castelo no
Monte Alamut (Ninho da Águia). Fundou, então, a Ordem dos Ismaelitas de Nizar.
A Ordem, destinada a apoiar o postulante ao trono e a defender os preceitos do islamismo, possuía uma disciplina militar rígida, tendo Sabbah no topo da hierarquia. Logo se tornou uma potência regional, incomodando diversos monarcas, que tentaram derruba-la em vão. Seus soldados, conhecidos como anjos destruidores, devotavam-lhe obediências e executavam qualquer comando de Sabbah, incluindo o suicídio.
Para esses, Sabbah construiu o Jardim Terreno das Delícias. Após consumirem uma porção considerável de haxixe, os soldados iniciados eram levados para o jardim, povoado de animais e plantas exóticos, construções paradisíacas, alimentos refinados e virgens adolescentes, onde os desejos eram desprovidos de limites. Tal hábito fez com que Sabbah denominasse seu exército de Ordem dos Haxixins.
Quando no século XI os cruzados tomaram conhecimento do poderio e dos métodos
militares dos homens de Sabbah, passaram a utilizar o termo assassino (haxixim)
para denominar todo indivíduo capaz de grandes atrocidades.
Somente a partir das Cruzadas (séculos XI - XIII) e das Grandes Navegações
Européias (século XVI), que a maconha voltou a ser conhecida
no continente.
A partir do século XVIII as plantas provenientes das novas colônias começaram a ser catalogadas e estudas de maneira mais científica, sem o misticismo medieval que influenciava o conhecimento europeu até então.
Com a chegada do século XIX, a Europa se vê as voltas com movimentos culturais
intimistas, voltados para a busca do prazer e do individualismo, interessados
no místico e no espiritual, em busca das raízes nacionais originadas na Idade
Média. O mundo islâmico, agora em parte dominado por Napoleão Bonaparte, foi
alvo das inspirações de pintores e poetas e o consumo de haxixe foi bastante
cultuado.
Em 1845, um médico francês, J. J. Moreau de Tours e os escritores Gérard de
Nerval e Téophile Gautier fundaram o Clube dos Haxixins. Participavam das
reuniões mensais artistas renomados do período, tais como Charles Baudelaire,
Alexandre Dumas, Eugene Delacroix e Victor Hugo. A intenção dos encontros
era cultuar o consumo de haxixe, fomentar a produção artística e exaltar Hassan
bin Sabbah. Todas deveriam trajar indumentárias árabes e periodicamente um
dos membros era eleito o Velho da Montanha. No mesmo período, Lewis Carroll
publicou o livro Alice no País das Maravilhas, povoada de imagens oníricas
e de alusões ao consumo de haxixe.
A Medicina também passou a utilizar a maconha com propósitos
terapêuticos a partir dessa época. As indicações voltavam-se principalmente
para o tratamento da asma, tosse e doenças nervosas. A reação ao consumo da
maconha e outras substâncias psicotrópicas ganharam força a partir do final
do século XVIII. Nessa época, vários fenômenos contribuíram para o crescimento
de uma postura contrária ao consumo de substâncias psicoativas.
Relatos de complicações, tais como o surgimento de quadros depressivos e psicóticos entre os usuários de maconha, foram publicados.
Nos Estados Unidos ganhava força o Movimento de Temperança, que alertava para os efeitos indesejáveis de tais substâncias (tais como a dependência) e proponha regulamentar melhor a conduta para prescreve-las. Entre a porção mais conservadora da população norte-americana, cresceram as campanhas que pregavam a proibição do comércio de todos os psicotrópicos, inclusive o álcool. Esse movimento ficou conhecido como Proibicionismo.
A partir da década de 10, diversas substâncias foram proibidas dentro do território americano. Os países da Europa e das Américas acompanharam essa tendência.
Ao final da década de 30, a cocaína e maconha estavam proibidas
em vários países do mundo. As vendas de morfina passaram a ser rigorosamente
controladas. Nos Estados Unidos, o álcool foi proibido de 1920 a 1935. Concomitantemente,
o mundo vivia as incertezas do período entre guerras e sentia o crescimento
da Guerra Fria. Estados Unidos e União Soviética despontavam como as novas
potências mundiais. A economia mundial ainda sentia os prejuízos causados
pela Primeira Guerra Mundial. A recessão era a regra para muitos destes. A
Segunda Guerra batia às portas do mundo com a ascensão do Fascismo italiano
e do Nazismo alemão. Eclodiu e tomou as atenções do mundo até 1945.
Com a resolução deste conflito, o mundo passou a se preocupar com a Guerra
Fria e as com a perspectiva de um conflito nuclear. Dentro desse contexto,
a juventude da costa leste americana começou a buscar alternativas àquele
clima repressivo e pessimista que se formou ao longo do século XX. Durante
as férias, alguns jovens americanos pegavam o pouco do dinheiro que conseguiram
ajuntar e punham o pé na estrada. Eles pediam carona da costa leste até a
costa oeste.
A famosa Route 66 foi palco de grandes aventuras nesse período. "Em
julho de 1947, juntando uns 50 dólares do meu velho seguro de veterano, eu
estava pronto para ir à Costa Oeste", afirma Jack Kerouac, em seu livro
On the Road um dos escritores mais importantes desse movimento. Nessa época,
tinha 25 anos.
Essa geração ficou conhecida como Geração Beat (beatnicks). Os beats eram
uma geração de jovens em busca de alternativas. Achavam que o modelo vigente
da sociedade americana falira. Queriam sentir a paz e a liberdade. Desejavam
contestar os valores do American way of life a partir da tomada de novas atitudes.
Eram poetas e escritores que decidiram cair na estrada e buscar novas experiências.
O consumo de drogas, em especial a maconha e outros alucinógenos,
foi muito utilizado por eles.
Esse não-alinhamento, de início tímido, isolado e imperceptível ganhou mais
adeptos e se radicalizou: agora jovens de classe média começavam a abandonar
as universidades e se refugiavam em comunidades. Desejavam viver da agricultura,
fazer amor livre de regras morais e usar drogas como uma forma de contestação,
uma maneira de cair fora do sistema. Tudo isso ao som de muito rock´n´roll.
Nascia o Movimento Hippie dos anos sessenta e setenta.
Ao final dos anos 70 a maconha estava novamente bastante
difundida em todo o Ocidente.
É difícil dizer o quanto esse consumo aumentou ou declinou nos últimos trinta anos.
Desde o recrudescimento do consumo, nos anos quarenta e cinqüenta, a maconha nunca mais deixou de existir nas sociedades da Europa e das Américas.
A popularização do consumo fomentou a estruturação de um narcotráfico especializado na produção e distribuição dessa substância, concentrado na América do Sul e países africanos. Em 1984, a Holanda optou pela liberação do comércio e do consumo de maconha e seus derivados.
A planta passou a ser legalmente vendida em estabelecimentos específicos
(coffee shops). Além dissoDurante os anos oitenta e início dos anos noventa,
as preocupações sobre uso de drogas voltaram-se para a cocaína e as metanfetaminas
(ecstasy). Somente a partir da segunda metade da década que o tema foi recuperado
e novamente colocado em discussão.
Novos estudos mostraram a existência de receptores específicos para a maconha
no cérebro (receptores canabinóides) e de substâncias endógenas (anandamidas)
bastantes semelhantes ao princípio ativo da maconha (delta-9-tetraidrocanabinol).
A presença de sintomas de abstinência entre os usuários crônicos de maconha
e o relato de complicações agudas entre os usuários (depressão, quadros psicóticos)
contestaram a teoria de que se tratava de uma droga leve, incapaz de causar
dependência.
Por outro lado, movimentos alinhados a legalização do consumo advogam que
a substância já possui elos culturais capazes de regular seu consumo, os índices
de dependência são baixos e os danos da proibição (violência e marginalidade)
são mais danosos que o consumo em si. Alegam, ainda, que a planta possui propriedades
medicinais e a utilização de suas fibras têxteis poderia ajudar a economia
de muitos países. Alguns países como o Canadá e alguns estados norte-americanos
aceitam a prescrição do tetraidrocanabinol como estimulador do apetite para
portadores de câncer e AIDS. É utilizada ainda como inibidor de náuseas e
vômitos para pacientes submetidos à quimioterapia.
A maconha é uma substância que ao longo de sua história suscitou
(e ainda suscita) discussões ora apaixonadas, ora embasadas de ambos lados.
A tensão gerada entre aqueles que defendem a proibição, o consumo médico ou
a simples legalização do consumo ainda não chegou ao fim (será que um dia
chegará?).
Fonte: www.einstein.br

A maconha é uma erva de nome científico Cannabis sativa que, dependendo das condições de cultivo, pode sintetizar uma porcentagem maior ou menor de uma substância denominada THC, ou tetrahidrocanabinol, que é a principal responsável pelos efeitos da droga no organismo humano.
A forma de consumo varia desde a inalação de sua fumaça por meio de cigarro ou incensos. Pode ser também ingerida sob forma de chá ou comprimido. Os usuários fumam em cigarros feitos artesanalmente pelos próprios consumidores ou com a ajuda de objetos como cachimbos.
Os efeitos causados pelo consumo da maconha, bem como a sua intensidade, são os mais variáveis e estão intimamente ligados à dose utilizada, à concentração de THC na erva consumida e à reação do organismo do consumidor com a presença da droga.
Os efeitos físicos mais freqüentes são avermelhamento dos olhos, ressecamento da boca e taquicardia (elevação dos batimentos cardíacos, que sobem de 60 - 80 por minuto para 120 - 140 batidas por minuto).
Com o uso contínuo, alguns órgãos como o pulmão passam a ser afetados mais seriamente pela maconha.
Devido à contínua exposição com a fumaça tóxica da droga, o sistema respiratório do usuário começa a apresentar problemas como bronquite e perda da capacidade respiratória. Além disso, por absorver uma quantidade considerável de alcatrão, presente na fumaça de maconha, os usuários da droga estão mais sujeitos a desenvolver o câncer de pulmão.
O consumo de maconha também diminui a produção de testosterona. A testosterona é um hormônio masculino que é responsável, entre outras coisas, pela produção de espermatozóides. Portanto, com a diminuição da quantidade de testosterona, o homem que consome continuamente maconha apresenta uma capacidade reprodutiva menor.
Os efeitos psíquicos são os mais variados, sendo que a sua manifestação depende do organismo e das características da erva consumida. As sensações mais comuns são um bem-estar inicial, relaxamento, calma e vontade de rir. Pode-se sentir angústia, desespero, pânico e letargia. Ocorre ainda uma perda da noção do tempo e espaço além de um prejuízo na memória e latente falta de atenção.
Em um longo prazo, o consumo de maconha pode reduzir a capacidade de aprendizado e memorização além de passar a apresentar uma falta de motivação para desempenhar as tarefas mais simples do cotidiano.
A maconha, como a maioria das drogas, tem seus primeiros indícios há mais de cinco mil anos, quando povos como os chineses e persas usavam a droga como incenso em cerimônias religiosas. Era também utilizada como recompensa para mercenários, para fins medicinais.
Seu uso na medicina perdurou até o início do século XX, quando a droga passou a ser consumida apenas para alterar o estado mental do usuário.
No Brasil, a droga também foi muito utilizada, no século passado, como medicamento para vários males, mas devido ao crescente número de usuários que passaram a consumir a droga abusivamente e para fins não medicinais, ela foi proibida. Em todo o Ocidente a droga foi proibida na década de 40.
Nos anos 70, os hippies começaram a usar a maconha não só para alterar seu estado mental, mas também como uma demonstração de protesto contra o sistema social e político vigente na época. Hoje existem diversos defensores da legalização do uso da droga e, em alguns países europeus como Suíça, Holanda e mais recentemente Portugal, o consumo da droga já foi regulamentado.
A maconha sempre esteve ligada à religião e à medicina. As primeiras notícias que se tem sobre o uso da droga são em cerimônias religiosas na China ou no tratamentos de doenças. Hoje a droga ainda apresenta funções na medicina, como no tratamento da epilepsia e no abrandamento dos efeitos colaterais no tratamento do câncer como vômitos e náuseas. Além das atuais funções medicinais, a droga ainda é considerada sagrada em algumas religiões de países da América Central e Ásia.
Fonte: www.angelfire.com