Bosques, dunas e ruínas constroem os oásis do Egito
da Folha de S.Paulo, no Egito
Os oásis do Egito revelam paisagens fantásticas em que bosques de tamareiras e oliveiras misturam-se a dunas, fontes de água quente brotam em meio a campos cultivados e ruínas faraônicas e romanas convivem com labirínticas cidades islâmicas feitas de adobe.
Separado um do outro por centenas de quilômetros de estradas precárias e planícies de pedra e areia --onde o viajante, quando menos espera, se depara com miragens-, cada oásis tem uma atmosfera própria, não só devido às suas características naturais únicas, mas pelas populações que ali vivem há milhares de anos.
Siwa, no sudoeste do país e a cerca de 12 horas de jipe do Cairo, está na borda do Grande Mar de Areia, vasta porção do deserto cheia de dunas.
É uma das áreas mais bonitas do Saara egípcio e vale uma estada de, pelo menos, três dias. A melhor coisa a se fazer ali é um safári a bordo de jipe percorrendo as dunas à tarde. O passeio dá direito a ver o pôr-do-sol e a mergulhar numa piscina natural de água quente no início da noite, sob palmeiras e a luz da lua.
Siwa tem também importantes ruínas do período faraônico e greco-romano, como a Montanha dos Mortos, o templo de Alexandre (o Grande, que teria visitado o oásis) e a piscina de Cleópatra (com uma água morna e azul-turquesa convidativa ao mergulho).
Outro ponto alto de Siwa é a cidadela islâmica de Shali, construída em adobe no século 12 ou 13 em uma colina de onde se tem uma das vistas mais bonitas do oásis e do deserto.
A comunidade local, devido à proximidade da fronteira com a Líbia, fala berbere; as moradoras vestem burcas azuis (túnica que cobre todo o corpo, inclusive a cabeça, com dispositivo, na altura dos olhos, que permite que a mulher veja sem que seja vista).
A etapa seguinte no circuito dos oásis é Bahariyya, que fica a seis horas por uma estrada cheia de pedras e poucas atrações. Ponto que é o meio do caminho e a partida para uma expedição ao deserto Branco (cerca de três horas de distância, já bem perto de Farafra, o oásis seguinte).
Mas, antes de partir, reserve uma noite para ouvir música beduína na tenda de Abdel Sadek, a estrela local.
O deserto Branco é uma planície de areia fina e clara --antigamente o solo de um oceano--, da qual brotam, como icebergs, rochas de calcário em formas surpreendentes: algumas parecem cogumelos, outras, aves, elefantes ou baleias esculpidas em giz.
Para completar a diversidade geológica, ainda há grande quantidade de pequenas pedras pretas extremamente duras, em formato de flores (provavelmente de origem vulcânica), salpicadas no meio da areia.
Há dois modos mágicos de conhecer a região: do alto do lombo de um camelo e acampando uma ou mais noites, de preferência na lua cheia, quando o deserto adquire uma feição lunar.
Embora Farafra fique a apenas 40 minutos de distância, os camelos precisam ser trazidos, em camioneta, de Bahariyya.
Mas vale a pena trazê-los de longe porque esse é certamente um dos locais mais bonitos de todo o Egito para fazer um safári de camelo. Já o acampamento precisa ser organizado por uma agência da região para evitar eventuais problemas de planejamento.
Após um dia sem banho, não há nada melhor do que relaxar numa fonte de água quente de Farafra.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Existem lugares no mundo em que o isolamento espanta a maioria dos turistas. Mas nem por isso devem deixar de ser visitados. Esse é o caso do oásis de Siwa, a 800 quilômetros do Cairo.
O local é uma caixa de surpresas. Possui ruínas de uma cidade feita de sal e barro, foi visitada por Alexandre, o Grande para consultar o oráculo de Amon (rei dos deuses na mitologia egípcia) e tem chuvas somente uma ou duas vezes a cada cem anos.
Quando o ônibus chega levantando a poeira, Siwa parece uma miragem e confunde os olhos. A última coisa que você viu além da areia ficou 300 quilômetros para trás. O oásis fica no meio do deserto da Líbia e entrar na rotina berbere - povo que habita a cidadela - é uma experiência inesquecível. Vinte mil pessoas vivem ali.
O oásis é clássico. Muita areia, construções de barro e sal precárias e plantações de tâmaras e oliveiras. Tudo isso refletido nos lagos salgados que insistem em existir no local. Para ter uma visão geral de Siwa, a montanha Gebel Dakrur é o melhor local.
Não são poucas as atrações. Alugue uma bicicleta (diária por 10 libras egípcias ou US$1,7) e se aventure pelas ruelas de areia.
Visite as ruínas de Shali, antiga cidade destruída durante uma chuva - as casas de barro e sal não resistem à muita água - e a montanha Gebel al-Mawta, onde são enterrados todos os mortos e existem duas múmias.
A pequena cidade oferece ainda safáris pelo deserto. Passar a noite acampado entre enormes dunas sob uma infinidade de estrelas é inesquecível e indescritível. Antes, você provará um jantar tradicional ao redor de uma fogueira.
O espetáculo noturno fica por conta da iluminação (sim, a cidadela tem eletricidade)de três atrativos: as ruínas de Shali, a Gebel al-Mawta, e a colina Aghurmi, onde fica o templo de Amon.
Não existem registros exatos de quando Siwa começou a ser povoado. Estima-se que por volta de 10 mil anos antes de Cristo.
Por conta de quase dois mil anos de isolamento (somente em 1792 um europeu chegou ao local) seus moradores desenvolveram uma língua própria, o Siwi. Hoje alguns habitantes - principalmente homens e crianças - também falam o árabe. O inglês é raramente entendido.
Fonte: grupoviagem.uol.com.br