
Como vimos, juntando todas as regiões de tempo bom no globo, verificou-se que há uma corrente elétrica de uns 1000 Ampères descarregando o capacitor planetário. O gerador que mantém o capacitor carregado, como veremos a seguir, são as tempestades e seus raios. As "descargas" elétricas que chamamos de raio, na verdade, carregam o capacitor terrestre, trazendo cargas negativas das nuvens para o solo.
Na figura abaixo mostramos uma "caricatura" do quadro global. A superfície da Terra é a placa negativa do capacitor e a ionosfera, a uns 50 km de altitude, é a placa positiva. Nas regiões de tempo bom, mostradas (apropriadamente) em azul, há uma corrente da placa positiva para a negativa. No total, essa corrente chega a 1000 Ampères e tende a descarregar o capacitor. Lembre que o "sentido convencional" da corrente elétrica vai da placa positiva para a negativa. As regiões onde ocorrem tempestades funcionam como se fossem enormes baterias suprindo uma corrente positiva do solo para cima. No cômputo geral, os dois efeitos se compensam e o capacitor se mantém carregado.

As evidências que dão suporte a esse modelo são as seguintes.
Medidas da quantidade de carga trocada durante as tempestades elétricas levam a valores de corrente total que se aproximam daqueles 1000 Ampères que fluem, em sentido contrário, nas regiões de tempo bom. Isso dá um balanço quantitativo ao processo geral. Além disso, verificou-se que as tempestades ocorrem, em média, com maior frequência quando são 19 horas em Greenwich. Isto é, a distribuição das áreas de tempestade reproduz, aproximadamente, a curva de Carnegie, mostrando que há uma correlação entre as duas correntes.
Isso quer dizer que as tempestades com raios no Piauí, por exemplo, devem ocorrer com maior freqüência por volta das 4 horas da tarde, quando são 7 horas da noite em Londres. Talvez seja por isso que, de vez em quando, morre alguém jogando pelada de várzea no Piauí, atingido por um raio.
Resta, agora, descrever os personagens principais de nossa novela: as nuvens de tempestade e os raios.
Fonte: www.fisica.ufc.br