A curva de
em função de
para uma substância ferromagnética, mostrada na figura 253, e
no tópico "Classificação da Substâncias Magnéticas",
é obtida desde que a substância esteja inicialmente desimantada
e a intensidade do campo seja aumentada gradualmente a partir de zero. Suponhamos
que, partindo de zero, vamos aumentando a intensidade do campo até
o valor de saturação,
Obtemos a curva OP (fig. 257). Enquanto estamos aumentando o campo, a um valor
H do campo corresponde o valor I da imantação. Se, a partir
do valor de saturação
,
vamos diminuindo o campo até que ele se anule, a curva de volta não
é PO mas, é
De maneira que, para o mesmo valor H do campo a imantação tem
o valor
maior do que I. Quando o campo se anula, a imantação se mantém
com um valor ![]()

Figura 257
Portanto, para um mesmo valor do campo, a imantação tem valor maior quando o campo decresce do que quando o campo cresce. Esse fenômeno é chamado histerese. (Histerese significa “atraso”).
Querendo desimantar a substância, isto é, anular a imantação
, precisamos aplicar um campo magnético em sentido oposto. Quando o
campo atingir certo valor
a imantação se anula. Aumentando esse campo em sentido oposto,
a imantação cresce outra vez a partir de zero, mas em sentido
oposto até atingir novamente a saturação, (parte negativa
do gráfico, até o ponto M). Diminuindo outra vez o campo, a
imantação vai diminuindo; quando o campo se anula, a imantação
mantém um valor
.
Aumentando outra vez o campo no sentido primitivo, quando ele atinge o valor
a imantação se anula.
O conjunto de todos os valores de H e I necessários para formar a
curva fechada é chamado ciclo de histerese. O valor
da imantação é chamado RETENTIVIDADE, ou REMANÊNCIA,
ou IMANTAÇÃO REMANENTE, ou IMANTAÇÃO REMANESCENTE.
O valor
do campo é chamado COERCIVIDADE, ou CAMPO COERCITIVO, ou FORÇA
COERCITIVA. (Apesar de não ser uma força).
Em vez de representarmos graficamente a intensidade de imantação
do ímã em função do campo indutor
podemos representar a indução magnética
no ímã em função do campo indutor
Essa curva que dá
em função do
é chamada curva B-H, ou curva de imantação.
A curva B-H tem o mesmo aspecto da curva que dá
em função de
Ela também descreve o ciclo de histerese. Isso era de se esperar, pois
vimos que:
![]()
Cada ponto da curva corresponde à soma de um termo igual à
com um termo igual a
como está indicado na figura 258. Quando o ímã atinge
a saturação, I fica constante por mais que aumentemos
então
fica constante. Mas, a curva B-H não fica paralela ao eixo do
,
por causa do termo
À medida que aumentamos
,
o termo
, aumenta. Então, na região de saturação, a curva
B-H se torna uma reta, mas não paralela ao eixo do
.

Figura 258
As propriedades magnéticas das substâncias ferromagnéticas variam muito com a temperatura. Aumentando a temperatura, as propriedades magnéticas diminuem. Para cada substância ferromagnética existe uma temperatura na qual ela se desimanta por completo. Essa temperatura é chamada PONTO CURIE. Exemplos de alguns pontos Curie:
para o ferro 770oC
para o níquel 354oC
para a magnética 580oC
para o cobalto 1130oC
Chama-se campo magnético terrestre a esse campo magnético que existe ao redor da Terra. A existência desse campo se manifesta pela orientação da agulha magnética. O campo magnético terrestre pode ser considerado uniforme em uma extensão bastante grande como, por exemplo, na região ocupada por uma cidade.
1. Definições

Figura 259
Suponhamos que num certo lugar A (por exemplo, São Paulo, ou Rio de Janeiro) uma agulha magnética seja suspensa pelo centro de gravidade, de maneira que ela possa girar livremente. A agulha se orienta de maneira que seu eixo fique na linha de força do campo magnético. Essa linha de força em cada lugar é muito próxima da linha norte-sul geográfica (meridiano geográfico), mas não coincide com ela, conforme veremos.
Chama-se plano meridiano magnético do lugar A ao plano vertical que passa pelo eixo da agulha.
Chama-se meridiano magnético do lugar à interseção do plano meridiano magnético com o globo terrestre.
Chama-se declinação magnética do lugar ao ângulo d formado pelo meridiano magnético com o meridiano geográfico (fig. 259). A declinação é chamada oriental quando o polo norte da agulha se acha no oriente do meridiano geográfico; é o caso da figura 259.

Figura 260
ocidental no caso contrário.
Chama-se inclinação magnética do lugar ao ângulo i que a agulha faz com o plano horizontal (fig. 260). A inclinação é considerada positiva quando o polo norte da agulha está abaixo do plano horizontal; é o caso da figura 260. É negativa no caso contrário.
2. Componentes horizontal e vertical
Costuma-se decompor o campo magnético terrestre
em
duas componentes: uma, horizontal
e outra vertical
(fig. 261).

Figura 261
Vê-se claramente que:
![]()
em que
é a inclinação magnética do lugar.
3. Mapas magnéticos
Em todos os países se fazem medidas do campo magnético H, da
declinação d e da inclinação i praticamente em
todo o território. Os valores encontrados são assinalados em
mapas. Depois se traça uma linha pelos lugares onde a declinação
tem o mesmo valor; outra pelos lugares em que a inclinação tem
o mesmo valor, etc.. Chamam-se linhas isógonas, àquelas que
unem pontos nos quais a declinação tem o mesmo valor. Chamam-se
linhas isóclinas àquelas que unem pontos nos quais a inclinação
tem o mesmo valor. Chamam-se linhas isodinâmicas àquelas que
unem pontos em que a componente horizontal
do campo tem o mesmo valor.
4. Variação do campo magnético terrestre
A declinação, a inclinação e o campo
variam de um lugar para outro, e também variam num mesmo lugar. Em
um mesmo lugar se observam variações diurnas do campo, que assinalam
pequenas oscilações. E variações mais profundas,
que alteram por completo os valores de H, d e i, observadas ao cabo de muitos
anos; estas se chamam variações seculares.
Às vezes há variações muito bruscas e muito intensas observadas no campo magnético, e que são percebidas não em um único lugar, mas em todos os observatórios magnéticos da Terra. Essas variações bruscas são chamadas tempestades magnéticas. O seu aparecimento coincide com as auroras polares. Tem-se quase como certo que o aparecimento brusco de uma mancha solar acarreta uma tempestade magnética.
Resumo das unidades estudadas nesse capítulo
| Grandeza |
Símbolo |
Unidade GSEM |
Unidade MKS |
Intensidade de campo magnético |
|
oersted |
praoersted, ou |
Indução magnética |
|
Gauss |
|
Fluxo magnético |
|
Maxwell |
Weber |
Susceptibilidade magnética |
|
|
|
Nota: É útil relembrar que:
e
têm as mesmas unidades;
e
e
têm
as mesmas unidades;
e m têm as mesmas unidades .
Fonte: efisica.if.usp.br