SISTEMAS FOTOVOLTAICOS
Existem muitos pequenos projetos nacionais de geração fotovoltaica de energia elétrica, principalmente para o suprimento de eletricidade em comunidades rurais e/ou isoladas do Norte e Nordeste do Brasil.
Esses projetos atuam basicamente com quatro tipos de sistemas:
i) bombeamento de água, para abastecimento doméstico, irrigação e piscicultura;
ii) iluminação pública;
iii) sistemas de uso coletivo, tais como eletrificação de escolas, postos de saúde e centros comunitários; e
iv) atendimento domiciliar. Entre outros, estão as estações de telefonia e monitoramento remoto, a eletrificação de cercas, a produção de gelo e a dessalinização de água.
A seguir são apresentados alguns exemplos desses sistemas.

Sistema fotovoltaico de bombeamento de água para irrigação
(Capim Grosso BA)
A Figura acima apresenta um exemplo de sistema flutuante de bombeamento de água para irrigação, instalado no Açude Rio dos Peixes, Município de Capim Grosso BA. O sistema é formado por 16 painéis M55 da Siemens e uma bomba centrífuga de superfície Mc Donald de 1 HP DC. Em época de cheia, o sistema fica a 15 m da margem do açude e bombeia água a uma distância de 350 m, com vazão de 12 m3 por dia. Trata-se de uma parceria entre o National Renewable Energy Laboratory NREL, o Centro de Pesquisas de Energia Elétrica CEPEL e a Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia COELBA, tendo ainda a participação da Secretaria de Agricultura e Irrigação do Estado da Bahia e da Associação de Moradores de Rio do Peixe (CRESESB, 2000).

Sistema de bombeamento fotovoltaico Santa Cruz I (Mirante do
Paranapanema SP)
Outro exemplo de bombeamento fotovoltaico de água, este na região do Pontal do Paranapanema (Extremo-Oeste do Estado de São Paulo), é apresentado na Figura acima. O reservatório tem capacidade de armazenamento de 7.500 litros e altura manométrica de 86 metros, abastecendo 43 famílias. O sistema fotovoltaico é constituído de 21 módulos MSX 70, com potência nominal de 1.470 Wp (USP; IEE, 2000). Entre novembro de 1998 e janeiro de 1999, cerca de 440 famílias foram beneficiadas em toda a região (Tabela 3.3) (USP; IEE, 2000.

Sistema de eletrificação fotovoltaica do Núcleo Perequê (Vale do Ribeira
SP)
No Vale do Ribeira, situado no litoral Sul de São Paulo, foram instalados diversos sistemas de eletrificação de escolas, postos de saúde e unidades de preservação ambiental (estações ecológicas, parques estaduais etc.), além de atendimento a pequenas comunidades rurais. A Figura acima apresenta o caso do Núcleo Perequê, constituído por laboratórios de pesquisa, tanques de cultivos para a fauna marinha, auditório para conferências e seminários, alojamentos com refeitório, cozinha e gabinetes de estudo (USP; IEE, 2000).

Sistema fotovoltaico para atendimento domiciliar Projeto Ribeirinhas
A Figura acima exemplifica um sistema de atendimento domiciliar instalado no âmbito do projeto Ribeirinhas. Esse projeto constitui uma ação estratégica do Programa Nacional de Eletrificação Luz no Campo e tem como objetivo a implantação, em localidades ribeirinhas na região amazônica, de sistemas baseados em fontes alternativas para geração de energia elétrica. O projeto é conduzido pelo CEPEL e pela ELETROBRAS, em colaboração com a Universidade Federal do Amazonas (GUSMÃO et al, 2001).

Sistema híbrido solar-diesel de Araras, Nova Mamoré RO
Existem também sistemas híbridos, integrando painéis fotovoltaicos e grupos geradores a diesel. No município de Nova Mamoré, Estado de Rondônia, está em operação, desde abril de 2001, o maior sistema híbrido solar-diesel do Brasil (Figura acima). O sistema a diesel possui 3 motores de 54 kW, totalizando 162 kW de potência instalada. O sistema fotovoltaico é constituído por 320 painéis de 64 W, perfazendo uma capacidade nominal de 20,48 kW. Os painéis estão dispostos em 20 colunas de 16 painéis, voltados para o Norte geográfico, com inclinação de 10 graus em relação ao plano horizontal, ocupando uma área de aproximadamente 300 m2. Esse sistema foi instalado pelo Laboratório de Energia Solar Labsolar da Universidade Federal de Santa Catarina UFSC, no âmbito do Projeto BRA/98/019, mediante contrato de prestação de serviços, celebrado entre a ANEEL/PNUD e a Fundação de Amparo à Pesquisa e Extensão Universitária FAPEU daquela Universidade. Uma significativa parcela dos sistemas fotovoltaicos existentes no País foi instalada no âmbito do Programa de Desenvolvimento Energético de Estados e Municípios PRODEEM, instituído pelo Governo Federal, em dezembro de 1994, no âmbito da Secretaria de Energia do Ministério de Minas e Energia MME. Desde a sua criação, foram destinados US$ 37,25 milhões para 8.956 projetos e 5.112 kWp (quilowatt-pico) de potência. Como indicado na Tabela 3.4, esses projetos incluem bombeamento de água, iluminação pública e sistemas energéticos coletivos. A maioria dos sistemas do PRODEEM são sistemas energéticos e instalados em escolas rurais.
Na Fase V todos os 3.000 sistemas são iguais, capazes de fornecer diariamente cerca de 1.820 Wh, com a seguinte composição: seis painéis de 120 Wp (total de 720 Wp); oito baterias de 150 Ah (total de 1.200 Ah); e um inversor de 900 Watts (110 ou 220 V) (MME, 2003).
IMPACTOS SOCIOAMBIENTAIS
Uma das restrições técnicas à difusão de projetos de aproveitamento de energia solar é a baixa eficiência dos sistemas de conversão de energia, o que torna necessário o uso de grandes áreas para a captação de energia em quantidade suficiente para que o empreendimento se torne economicamente viável. Comparada, contudo, a outras fontes, como a energia hidráulica, por exemplo, que muitas vezes requer grandes áreas inundadas, observa-se que a limitação de espaço não é tão restritiva ao aproveitamento da energia solar.
Fonte: www.aneel.gov.br