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Ernesto de Fiori

Ernesto de Fiori

Com uma obra escultórica singular, que alia os valores clássicos a uma expressão humana da figura, através de uma linguagem muito pessoal, Ernesto de Fiori dominou também com profundo conhecimento a pintura, e podemos dizer que o seu modo de esculpir é pictórico na medida em que segue a tendência expressionista.

Nascido em Roma, aos 19 anos vai para Munique, onde estuda na Academia de Artes com Gabriel von Hackl e Otto Greiner (que francamente o desencorajou). Conhece logo depois a obra de Ferdinand Hodler, que o influencia em um primeiro momento e o incentiva a pintar, até que em 1911 vai a Paris e, ao ver as obras de Renoir e Cézanne, desiste de pintar por se achar incapaz de alcançar tal grau de perfeição. Começa então a modelar, orientado pelo suíço Hermann Haller, se inspirando em Maillol e Degas, mais tarde sendo influenciado também pelo cubismo, sem se submeter aos seus postulados. A partir de 14 reside em Berlim e acaba por se naturalizar alemão, lutando então na Primeira Guerra até 17, quando retorna a Munique. Polemista, De Fiori se envolve em discussões pela imprensa acerca do conceito de arte principalmente com os dadaístas, enquanto sua obra começa a ser cada vez mais valorizada, abandonando a geometrização cubista para se encontrar com seu estilo pessoal, mais preocupado com uma interação física e psíquica das figuras. Na década de 30 já poder ser considerado um escultor famoso na Europa. No entanto, com o acirramento do nazismo na Alemanha, acaba transferindo-se para o Brasil em 1936.

Ernesto de Fiori

Ao chegar aqui De Fiori retoma a pintura e o desenho, ao mesmo tempo em que continua sua obra escultórica. Em 38, por intermédio de Mário de Andrade, é apresentado ao ministro Gustavo Capanema e ao grupo de arquitetos do edifício do MEC no Rio de Janeiro, que o convida a fazer maquetes de esculturas para integrarem-se ao novo prédio. Apesar de De Fiori ter desenhado uma série para este fim, nenhuma das obras foi aproveitada por terem os responsáveis pelo prédio considerado o resultado insatisfatório para os seus objetivos. Sua retomada da pintura tem claramente a intenção de combater os abstracionistas, que culpava pela alienação do público ante a arte. Seus temas são a figura humana, cenas de batalha e as cenas de regatas - ele era um exímio iatista - interessando-se também pela paisagem urbana de São Paulo. Sua abordagem remete aos pós-impressionistas, mas é na verdade de forte tendência expressionista em especial na relação cromática e no traço solto.

Ernesto de Fiori

Apesar de sua fama na Europa, pode-se dizer que aqui no Brasil De Fiori não foi recebido com a consideração que era de se esperar por parte dos intelectuais e artistas paulistas, apesar de ter tido contato direto com alguns deles, como Menotti del Picchia e Paulo Rossi Osir, e de ter participado das principais mostras dos anos 30 e 40, como os três Salões de Maio ( 37 a 39 em São Paulo ), do II e III Salões da Família Artística Paulista ( 39 em São Paulo e 40 no Rio ) e do VII Salão do Sindicato dos Artistas Plásticos, em São Paulo. A influência de sua obra pode ser sentida, no entanto, em muitos artistas brasileiros, seja direta ou indiretamente. Alfredo Volpi, Bruno Giorgi e Joaquim Figueira, que desenhavam com modelo vivo junto com De Fiori, no ateliê de Giorgi, por volta de 42, são alguns exemplos, além de Gerda Brentani, que foi sua aluna por três anos; no entanto, quem mais sentiu a influência de sua obra foi Mário Zanini.

Fonte: www.mac.usp.br

Ernesto de Fiori

Ernesto de Fiori (Roma, Itália 1884 - São Paulo SP 1945). Escultor, pintor e desenhista. Muda-se para Munique aos 19 anos, onde estuda desenho com Gabriel von Hackl (1843-1926) na Akademie der Bildenden Künste [Academia de Artes Plásticas]. Em 1905, retorna a Roma e provavelmente recebe orientação do pintor e litógrafo alemão Otto Greiner (1869-1916). Entre 1911 e 1914, reside em Paris. Nesta cidade, realiza suas primeiras esculturas com auxílio do artista suíço Hermann Haller (1880-1950) e freqüenta o Café du Dôme, local onde se reúnem artistas, colecionadores e intelectuais.

Em 1915, um ano após ser detido na França como espião, alista-se no exército alemão e atua como correspondente de um periódico italiano e depois como soldado.

Em 1917, avesso ao combate, abandona o serviço militar e vai para Zurique. Entre 1918 e 1919, desenrola-se uma polêmica entre o artista e o grupo dadaísta, por divergências sobre o conceito de arte. Para o artista, não há arte nova sem referência do passado. De Fiori se opõe a todo movimento que propõem o rompimento com a arte precedente. Em 1936, vem para o Brasil, instalando-se em São Paulo. Escreve artigos para jornais das colônias alemã e italiana e, mais tarde, para O Estado de S. Paulo. Em 1938, participa do Programa de Integração das Artes do Ministério da Educação e Saúde; modela uma série de esculturas que são recusadas por não atenderem às exigências oficiais. Paralelamente a escultura, dedica-se à pintura. Nos quadros do artista observam-se diferentes contrastes produzidos pelo uso de diversas técnicas, tais como pinceladas rápidas, pinceladas diluídas em solvente, uso de instrumentos dentados, entre outras.

No inicio da década de 1940, participa de encontros com críticos de arte e artistas no atelier de Rossi Osir (1890-1959) para discussão sobre arte.

Comentário Crítico

Em 1904, Ernesto de Fiori ingressa na Akademie der Bildenden Künste [Academia de Artes Visuais], de Munique e freqüenta a classe de desenho do pintor alemão Gabriel von Hackl (1843-1926).

Posteriormente, conhece o escultor suíço Hermann Haller (1880-1950) e o pintor alemão Karl Hofer (1878-1955), com os quais mantém intenso diálogo artístico. Começa a expor sua pintura, que se aproxima, em suas soluções pictóricas, da realizada pelo pintor suíço Ferdinand Hodler (1853-1918). De 1911 a 1914, vive em Paris, onde freqüenta o Café du Dôme, local de grande efervescência cultural que reúne artistas, críticos e colecionadores. Nessa cidade, produz e participa de discussões sobre as novas tendências artísticas e trava contato com o pintor alemão Hugo Troendle (1882-1955) e o escultor italiano Arturo Martini (1889-1947). Conhece as obras de mestres franceses como Paul Cézanne (1839-1906) e Auguste Rodin (1840-1917).

De Fiori continua a pintar. Começa a modelar, realizando aprendizado técnico com Herman Haller. Faz suas primeiras esculturas em 1911, entre elas Ajoelhada e Moça Andando, destacando-se O Sofredor, que representa um jovem que, em gesto de sofrimento, se volta para trás e agarra o corpo com os braços.

Nessa obra, a carga psicológica da figura é enfatizada pelo artista. Nas esculturas realizadas posteriormente, como, por exemplo, Anastasius, Ursula (ambas de 1912) e Dançarino (1914/1915), trabalha com a redução formal, em diálogo com o cubismo. Sua escultura adquire volumes arredondados e verifica-se a pesquisa de movimento nas figuras.

Engajado na Primeira Guerra Mundial (1914-1918), em 1915, como correspondente de um jornal italiano, retoma suas atividades artísticas em 1917, em Zurique. Em 1918, escreve um artigo-manifesto em que critica a arte dos dadaístas e esclarece seu conceito de nova arte: ela deve manter o diálogo com a tradição, a fim de poder diferenciar o que é novo; buscar meios que expressem"o sentimento do mundo recém-acordado" e "a totalidade da vida, suas intuições".1 Além de volumes e cores, a arte deve ser feita de qualidades espirituais que nos transmitam sensações, como alegria e dor. Na Europa e depois no Brasil, De Fiori expressa suas idéias em vários artigos.

Suas figuras passam a ser realizadas mais livremente, sem os limites da esquematização, mais fiéis à forma humana, adquirindo certo vínculo expressionista, como A Banhista (1917), figura feminina, em pé, em postura que expressa tranqüilidade e sentimento. Na década de 1920, muda-se de Zurique para Berlim e realiza seus primeiros retratos, como a cabeça da bailarina Carina Ari (1922). Modela três versões de Adão (1920), uma figura masculina que caminhando se volta para trás em cumprimento, com a mão direita levantada. Faz também esculturas, desenhos e litografias de boxeadores. Realiza ainda a série do Homem em Marcha, o busto de Marlene Dietrich (ca.1929), O Fugitivo (1936), entre outras obras. O tema central de suas esculturas é sempre o corpo humano, sugerindo movimento ou estático, executado em áspero modelado, com forte carga psicológica.

Em 1938, abandona a Alemanha, dominada pelo nazismo, e chega a São Paulo. Suas primeiras esculturas realizadas no Brasil são, por exemplo, retratos de Menotti del Picchia, Francisco Matarazzo e Greta Garbo, que fez de memória. Em paralelo, faz nus femininos, nos quais acentua a plasticidade dos corpos. A pintura que realiza aqui, valoriza a figuração, executando paisagens, em uma primeira etapa, com cenas de mata, de fazendas, de queimadas e do beira-rio. A viagem fluvial que faz de Presidente Prudente (SP) até Guaíra é a fonte para seus quadros. Nas telas, cor e forma fundem-se, as cores vão sendo sobrepostas a outras, gerando formas que se entrecruzam com novas cores e formam a composição.

Pinceladas diluídas e rápidas sugerem as figuras, como podemos ver em Paisagem com Vacas (1942).

No começo dos anos 1940, pinta cenas urbanas de São Paulo: ruas em traçados angulosos, com árvores e transeuntes solitários e apressados, por vezes com arranha-céus, chaminés, avenidas ou igrejas ao fundo. Em Paisagem Urbana (1941) as figuras são formadas pela fusão com outros elementos pictóricos, inclusive com a cor do papel no caso dos guaches, que integra a composição como tinta. Em sua terceira exposição individual em São Paulo, apresenta algumas pinturas com tema como São Jorge e o Dragão ou batalhas. Segundo o artista, referem-se à luta travada no mundo: guerras de filosofias e religiões, tempos de ódio e violência. Pinta, assim, guerreiros que lutam pela liberdade e pela dignidade humanas.

A presença de Ernesto de Fiori em São Paulo, no fim da década de 1930 e começo dos anos 1940, contribui para abrir novos horizontes no ambiente artístico da cidade, ainda muito acanhado. Sua pintura, figurativa, porém gestual e livre, marca a produção de artistas ligados à Família Artística Paulista, como Mario Zanini (1907-1971) e Joaquim Figueira (1904-1943), e também o trabalho de Alfredo Volpi (1896-1988), principalmente em algumas de suas marinhas.

Fonte: www.itaucultural.org.br

Ernesto de Fiori

Ernesto de Fiori

Pintor e escultor.

Estudou em Roma, Munique (a partir de 1903), Londres (1909), Paris (1912) e Berlim (1914), cidade na qual se estabeleceu. Com o início da guerra, tendo obtido cidadania alemã, combateu na frente francesa. Entre 1918 e 1919 viveu em Zurique.

De volta a Berlim, conquistou notoriedade no ambiente artístico europeu, antes de tomar o rumo do Brasil, onde chegou em 1936. Participou postumamente da Bienal de Veneza, em 1950.

Em 1997, a Pinacoteca do Estado de São Paulo realizou uma retrospectiva de sua obra, curadoria de Mayra Laudanna. Integra o acervo do Museu de Arte de São Paulo, em cujo catálogo há nove páginas dedicadas à abordagem de sua obra.

Fonte: www.bolsadearte.com

Ernesto de Fiori

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Ernesto de Fiori

Ernesto de Fiori (Roma / Itália, 12 de dezembro de 1884 – São Paulo, 24 de abril de 1945), pintor e escultor. Aos 19 anos, estudou na Akademie der Bildenden Künste (Academia de Artes) em Munique com Gabriel von Hackl; depois voltou para Roma, onde provavelmente recebeu orientações artísticas do pintor e litógrafo alemão Otto Greiner.

Incentivado pelas obras de Ferdinand Hodler, foi para Paris para aprimorar sua pintura. Nessa viagem, desistiu de pintar ao ter contato com os trabalhos de Cézanne e Renoir, pois se achou incapaz de alcançar tal grandeza e perfeição. A partir de então, começou a modelar sob a orientação do suíço Hermann Haller, tendo como inspiração Maillol e Degas. Seu trabalho passou também pelo cubismo, mas sem submeter suas obras a tais regras.

Em 1914 passou a morar em Berlim, onde acabou se naturalizando e lutando na Primeira Guerra Mundial. Acabou por se envolver em discussões sobre os conceitos da arte, principalmente com os dadaístas. Nesse período, sua obra passou a ser valorizada enquanto abandonava a geometrização cubista e começava a preocupar-se com a interação física e mental das figuras.

Na década de 30 já era considerado um escultor famoso na Europa, mas a constante pressão nazista, fez com que ele se mudasse para o Brasil (em 1936), onde voltou para a pintura e o desenho – sua intenção era combater os abstracionistas, sua abordagem remetia aos pós-impressionistas, mas possuia traços expressionistas – ao mesmo tempo em que continuou sua produção escultórica.

Foi apresentado, por Mário de Andrade, ao ministro Gustavo Capanema e ao grupo de arquitetos do MEC no Rio de Janeiro, que o convidou para fazer maquetes de esculturas para o novo prédio, porém, mesmo tendo feito uma série de desenhos para este fim, nenhuma obra foi aproveitada, pois os responsáveis pelo prédio consideraram o resultado insatisfatório.

Seus temas são a figura humana, cenas de batalha, cenas de regatas e a paisagem urbana de São Paulo.

Mesmo valorizado na Europa, no Brasil De Fiori não foi bem recebido pelos intelectuais e artistas paulistas – apesar de ter tido contato direto com alguns deles e de ter participado das principais exposições dos anos 30 e 40, como: os Salões de Maio, os Salões da Família Artística Paulista e do Salão do Sindicato dos Artistas Plásticos.

Seja direta ou indiretamente, sua influência pode ser notada nas obras de muitos artistas brasileiros como Alfredo Volpi, Bruno Giorgi, Joaquim Figueira (com este último, desenhava modelos vivos no ateliê de Giorgi), Gerda Brentani (que foi sua aluna por alguns anos) e Mário Zanini.

Ernesto De Fiori possui, em suas obras escultóricas, um singularismo aliado aos valores clássicos da expressão humana, através de um diálogo pessoal que predomina em sua pintura.

Fonte: www.pinturabrasileira.com

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