
Originária da Ásia e amplamente cultivada em regiões temperadas, a Erva-Doce, Pimpinella anisum L. (APIACEAE) é uma das espécies integ rantes do projeto "Produção, processamento e comercialização de ervas medicinais, condimentares e aromáticas", coordenado pela Embrapa Transferência de Tecnologia - Escritório de Negócios de Campinas (SP), a qual está sendo cultivada e multiplicada nas unidades demonstrativas da Embrapa Pantanal (Corumbá, MS), Embrapa Semi-Árido (Petrolina, PE) e nos Escritórios de Negócios de Dourados (MS), Canoinhas (SC) e Petrolina (PE). Esse projeto contempla também o treinamento de técnicos e a qualificação de pequenos agricultores e seus familiares na produção e manipulação de ervas, fundamentadas em boas práticas agrícolas.
Planta anual que pode atingir até 60 cm de altura; caule liso, ereto e ramificado; folhas grossas, pecioladas e compostas por folíolos na parte basal da planta, enquanto na parte superior são menores, de coloração verde brilhante, com pecíolo mais curto e folíolos ovais com bordos dentados; flores muito pequenas, com coloração variando de branca a amarela, dispostas em cachos terminais do tipo umbela; frutos e sementes marrons, felpudos, ovais, alongados e achatados.
Anetol, proteínas, óleo fixo, açúcares e cumarinas.
Sementes
A semeadura deve ser realizada preferencialmente em solos silico-calcáreos, ligeiramente permeáveis e em locais com boa incidência de sol.
A colheita do fruto-semente na maturação é feita manualmente. A planta inteira é arrancada, amarrada em feixes e posta para secar ao sol. Após a secagem, os feixes devem ser batidos para retirada dos frutos-sementes.
Utilizar sementes e material propagativo de boa qualidade e de origem conhecida: com identidade botânica (nome científico) e bom estado fitossanitário.
O plantio deve ser realizado em solos livres de contaminações (metais pesados, resíduos químicos e coliformes).
Focar a produção em plantas adaptadas ao clima e solo da região.
É importante dimensionar a área de produção segundo a mão-de-obra disponível, uma vez que a atividade requer um trabalho intenso.
O cultivo deve ser preferencialmente orgânico: sem aplicação de agrotóxicos, com rotação de culturas, diversificação de espécies, adubação orgânica e verde, controle natural de pragas e doenças.
A água de irrigação deve ser limpa e de boa qualidade.
A qualidade do produto é dependente dos teores das substâncias de interesse, sendo fundamentais os cuidados no manejo e colheita das plantas, assim como no beneficiamento e armazenamento da matéria prima.
Além dos equipamentos de cultivo usuais, é necessária uma unidade de secagem e armazenamento adequada para o tipo de produção.
O mercado é bastante específico, sendo importante a integração entre produtor e comprador, evitando um número excessivo de intermediários, além da comercialização conjunta de vários agricultores, por meio de cooperativas ou grupos.
REFERÊNCIAS
FERRI, M. G.; MENEZES, N. L. de; MONTEIRO-SCANAVACCA, W. R. Glossário Ilustrado de Botânica. 1 ed. São Paulo, SP:NOBEL, 1981, 197p, il
LOW, T.; RODD, T.; BERESFORD, R. Segredos e virtudes das plantas medicinais: um guia com centenas de plantas nativas e exóticas e seus poderes curativos. Reader´s Digest Livros. Rio de janeiro, RJ. 1994, 416p. il.
PANIZZA, S. Plantas que curam. 28 ed. São Paulo, SP: IBRASA,1997, 279p. il.
Fonte: www.campinas.snt.embrapa.br
A Erva-Doce é conhecida em outros países como anis, ou anis verde. Somente no Brasil ela é conhecida como Erva-Doce.
Esta planta quando começa a lançar suas primeiras folhas estas se parecem com as folhas da salsinha, depois quando se inicia o lançamento do pendão floral as folhas novas vão se modificado, parecendo cada vez mais com as folhas do funcho, ou seja, vão se estreitando e afilando. E as inflorescências são do tipo umbela, como todas plantas desta família.

As sementes também são muito parecidas com as do funcho, só que estas são maiores, e um pouco mais claras. A Erva-Doce era conhecida desde há muito tempo, e já era empregada por povos muito antigos. Os faraós tinham um apego muito grande por suas sementes, e as carregavam para seus sarcófagos. Já os romanos em seus bacanais usavam o hidromel, que é uma mistura de água e mel fermentado aromatizado com a Erva-Doce.
A parte química mais importante da Erva-Doce é sem dúvida o seu óleo essencial. A produtividade do óleo está em torno de 2,5 a 5%, ou seja, de 100 kg de sementes secas com a destilação poderá se obter cerca de 2,5 a 5 kg de óleo essencial puro. Este normalmente é de coloração amarelo pálido rico em anetol. Além do óleo as sementes possuem açucares, amido, substâncias resinosas, pectina, ácidos orgânicos entre outros.
A grande aplicação da Erva-Doce no Brasil é para problemas gastrointestinais. Provavelmente é um dos primeiros chás que nós tomamos, ainda quando somos bebês e estamos no colo de nossas mães. Possui uma ação carminativa muito boa, facilitando a eliminação de gases e diminuindo as contrações. Possui também uma ação digestiva, podendo ser tomada logo após as refeições. Existe uma receita européia de um preparado de carvão para problemas estomacais.
Coloque 50grs de sementes em pó de Erva-Doce em um recipiente com 50 g de carvão ativo em pó e 50 g de açúcar. Misture todos os ingredientes e tome uma colherinha após cada refeição. Para aumentar a produção de leite, controlar excitação nervosa, insônia, asma, doenças bucais pode-se utilizar com muita segurança e eficácia as sementes de Erva-Doce e suas fórmulas farmacêuticas intermediárias.
A Erva-Doce é sem dúvida um condimento imprescindível para produtos com fubá. É praticamente impossível pensar em um bolo de fubá ou mesmo em uma broa sem as sementes de Erva-Doce.
Quase não é utilizada em carnes, mas provoca uma verdadeira revolução nos sabores, principalmente nos embutidos com carne de porco. Pegue um quilo de carne de porco (de preferência carne de pernil), umas 200 g de toucinho, uns 3 a 4 dentes de alho, pimenta do reino preta triturada, sal, uma cebola pequena triturada, pimenta calabresa, noz-moscada ralada e sementes de Erva-Doce.
Compre tripa suína seca, lave bem e deixe de molho na água com um pouco de limão. Pique a carne e o toucinho em pedaços pequenos e coloque em uma vasilha. Adicione os temperos e misture bem. É muito importante moer no momento de utilizar tanto a pimenta do reino quanto a noz-moscada.
Depois escorra as tripas, amarre uma das extremidades com barbante de algodão e com a ajuda de um funil de boca larga vá enchendo a tripa com a carne. Com uma agulha esterilizada vá furando a tripa onde ficam bolhas de ar. Depois de bem cheia amarre na outra extremidade. As tripas devem ter aproximadamente uns 40 cm de comprimento. Depois de prontas podem ser congeladas ou fritas e prontamente saboreadas. Pode-se também pendurar em um local sombreado, escuro e úmido por alguns dias para acentuar o sabor, ou mesmo defumada. Com certeza vocês nunca comeram algo parecido.
Fonte: www.jperegrino.com.br