O cultivo da erva-mate abrange cerca de 180.000 propriedades dos estados do Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul.
As propriedades em que ela é cultivada são, na maioria, pequenas e médias o que lhe assegura uma importância social expressiva.
Assim sendo foi escolhida para dar início a uma série de Sistemas de Produção publicados em forma eletrônica e que servirão de base para uma agência de informação sobre os principais produtos de origem florestal.
A este sistema serão incorporadas, ao longo do tempo, informações produzidas pela Embrapa Florestas e por seus parceiros de forma a mantê-lo o mais atualizado possível e portanto apto a produzir modificações expressivas na forma de condução dos ervais plantados ou naturais.
Na distribuição da erva-mate, dois tipos climáticos são citados, segundo Koeppen: Cfb (clima temperado) e Cfa (clima subtropical), com chuvas regulares e distribuídas ao longo do ano e com médias de precipitação em torno de 1500 a 2000 mm. As temperaturas médias anuais, variam de 15 a 18ºC na região dos pinhais, e de 17 a 21ºC em Misiones, Argentina.
As geadas são freqüentes ou pouco freqüentes, dependendo da altitude, que varia de 500 a 1500 m sobre o nível do mar.
A coleta dos frutos feita no período de janeiro a março e deve ser realizada, em matrizes com mais de seis anos e selecionadas por apresentarem-se sadias e com poucos frutos e muita folha. O momento ideal para a coleta é quando os frutos estiverem com a cor violeta.
Após a coleta, os frutos devem sofrer beneficiamento e as sementes serem submetidas a armazenamento, estratificação ou ao processo de germinação, de imediato.
As sementes de erva-mate apresentam uma dormência bastante complexa. Resultados de trabalhos científicos têm mostrado que grande parte das sementes colhidas não germinam em função de não terem seu embrião totalmente desenvolvido.
Adicionalmente, sementes de erva-mate se tratadas com fungicida, antes de serem postas a germinar, diminuem sensivelmente a germinação fazendo crer que o fungicida ao matar fungos lignocelulolíticos que destróem o envoltório da semente dificulta a emergência do embrião.
Assim, as sementes de erva-mate quando postas a germinar logo após a coleta e beneficiamento dos frutos germinam desuniformemente. A germinação é uniformizada, somente, quando as sementes são submetidas a um processo de estratificação em areia definido pela Embrapa Florestas.
O processo de estratificação, por uniformizar a germinação das sementes é apropriado para viveiristas que não tem problemas com disponibilidade de mão-de-obra. Ao contrário, aqueles com pouca disponibilidade preferem a semeadura direta que por promover a germinação em fluxos possibilita um melhor aproveitamento da mão-de-obra disponível ao longo do tempo.
Aspectos gerais
A maior parte das sementes destinadas à produção de mudas de erva-mate (Ilex paraguariensis St. Hil.) são oriundas de ervais nativos ou plantados, sem nenhum critério de seleção. Como conseqüência, os povoamentos apresentam crescimento heterogêneo, com reflexos negativos no produto final. Assim, o melhoramento genético da erva-mate torna-se imprecindível para o aumento da produtividade de massa foliar e da qualidade dos produtos dela oriundos.
Os seguintes métodos são aplicáveis ao melhoramento genético dessa espécie: a) área de coleta de sementes; b) área de produção de sementes; c) pomar de semente clonal; d) pomar de sementes biclonal; e) pomar de sementes por mudas, e f) jardim clonal e plantio clonal. Os dois primeiros, são de fácil instalação; os demais exigem procedimentos mais elaborados.
Produção de Mudas
Um dos principais pontos do sistema de produção da erva-mate é a produção de mudas de qualidade.
A maioria dos viveiros são convencionais utilizando-se sacolas plásticas como recipiente. São poucos os viveiristas que já utilizam viveiros para produção de mudas em tubetes.
A propagação vegetativa da erva-mate ainda é pouco utilizada embora já se tenha protocolos para produção de mudas por estaquia e por enxertia de topo.
As mudas após produzidas devem passar por um período de rustificação.
Adubação
A maior disponibilidade de elementos nutritivos no solo se apresenta entre os meses de setembro e dezembro, coincidindo com o período de maior eficiência da planta. Nitrogênio e potássio participam com a maior porcentagem na composição nutricional da planta de erva-mate.
Deve-se distinguir a adubação nas diferentes situações: adubação de sementeira, adubação de viveiro, adubação de pré-plantio e adubação de produção.
O uso de calagem não tem sido comum em função das diferentes e contrastantes respostas obtidas pelos produtores.
Cobertura do Solo
O uso de cobertura de solo é de fundamental importância para o plantio de erva-mate. Ele exerce várias funções no sistema de plantio: proteção do solo, adubação verde e controle de plantas daninhas.
O solo pode ser coberto com coberturas vivas ou com coberturas mortas. Ao longo do ano utilizam-se coberturas vivas de inverno e coberturas vivas de verão.
Para o inverno recomenda-se a aveia-preta ou a ervilhaca – comum dependendo da cultura a ser semeada no verão.
Quando o produtor não planeja produzir culturas comerciais no verão orienta-se a semeadura de soja comum ou feijão-de-porco como cobertura de verão.
Fonte: sistemasdeproducao.cnptia.embrapa.br
Nome científico: Ilex paraguariensis St.Hill
Família: Aquifoliaceae
Sinonímia popular: Mate, erva-do-paraguai.
Parte usada: Folhas
Propriedades terapêutica: Estimulante, diurética.
Indicações terapêutica: Fraqueza, cansaço, depressão, má digestão.
Informações complementares
Origem
Espécie nativa da América do Sul.
Descrição Botânica
Árvore de até 15m de altura, ramos abundantes, pouco rígidos, verde-claros, com extremidade arroxeada e sulcada. As folhas são simples, alternas, pecioladas, serradas ou dentadas.
As flores são pequenas e pálidas. Os frutos são vermelhos, negros quando maduros.
Uso medicinal
Internamente, em problemas de fraqueza, cansaço, depressão, má digestão. Também como estimulante e diurética.
Cultivo
Propagação: por sementes.
Plantio: na primavera, escolher boas matrizes.
Florescimento: de setembro a novembro.
Fonte: websmed.portoalegre.rs.gov.br