Considerações Gerais
A Escabiose Humana ou Sarna é uma dermatose bastante pruriginosa, cujo agente etiológico é o ácaro Sarcoptes scabiei, variedade hominis. Existem outras variedades, mas a variedade hominis é a exclusiva do homem. Seu ciclo vital leva cerca de 15 a 30 dias (2 a 4 semanas), e uma fêmea coloca, aproximadamente, 40 a 50 ovos, os quais, dentro de 3 a 5 dias, vão virar larvas, depois ninfas, até chegar a fase adulta.
Após a fecundação, a fêmea penetra na epiderme
e faz um túnel subcórneo, caminhando cerca de 2 a 3 mm/dia abaixo
da camada córnea e liberando substâncias tóxicas, com
progressão geralmente noturna, o que caracteriza o intenso prurido
predominantemente noturno, relatado pelos pacientes.
Seu contágio é direto, de pessoa para pessoa, sendo considerada
endêmica e havendo, também, surtos epidêmicos (em creches,
escolas, hospitais, etc.).
Clínica
A lesão típica da Escabiose é um túnel pequeno (de 5 - 15 mm), muito pruriginoso, caracterizado pela presença de pápulas (pequenas elevaçãoes), da cor da pele ou cinza-claras. Em cima dessas pápulas, ou seja, nas suas extremidades, formam-se pequenas vesículas, as quais recebem a denominação de "eminência acarina". Muitas vezes, o paciente tira essa vesícula quando coça, causando escoriações. Isso é importante na procura do parasita, porque é nesse tipo de lesão que devemos procurá-lo, ou seja, fazer a coleta de material para exame (escarificação)
A localização é muito característica: dedos, pregas interdigitais, punhos, cotovelos, axilas, região mamária (principalmente ao redor dos mamilos), ao redor do umbigo, nádegas e hipogástrio. Em criaças, existem manifestações peculiares, como couro cabeludo, palmas e plantas e, em crianças muito pequenas (que não sabem coçar) exitem lesões nos tornozelos, visto que ficam esfregando um pé no outro, pelo prurido.
Podem ser encontradas, então, pápulas, vesículas, crostas, lesões urticariformes, escoriações, etc. Infecções secundárias também são bastante encontradas, porque a pessoa coça e , pela unha, acaba levando bactérias para dentro das lesões, fazendo infecção secundária.
Apresenta evolução crônica, visto que cada fêmea vai liberar cerca de 40 a 50 ovos e é preciso eliminar todos os ácaros para a cura. Mas, embora tenha uma evolução crônica, é uma doença que não mata, tem bom prognóstico
Diagnóstico
É basicamente clínico, quando se tem, por exemplo, pacientes com erupções papulosas, em locais característicos, geralmente simétricas, com prurido predominantemente noturno. Existe, também, a possibilidade de se fazer um diagnóstico laboratorial, baseado no achado do Sarcoptes Scabiei na eminência acarina. Isso é feito através de escarificação das lesões, ou seja, escarifica-se (com um alfinete, por exemplo) a região aonde existem lesões características, ou seja, aonde há a eminência acarina; coloca-se o material numa lâmina (clarificada com potássio, espera um pouco e coloca a lamínula) e pode-se ver ovos, ninfas ou Sarcoptes adultos, dependendo de sua fase de evolução.
Tratamento
Quando diagnosticamos um caso de escabiose, os outros componentes da família também devem ser examinados, porque todos os indivíduos acometidos devem ser tratados.
Troca de roupa de cama bem como das roupas do corpo durante o tratamento, não sendo necessário ferver as mesmas (orientar para que as roupas sejam bem lavadas e passadas com ferro bem quente).
Uso de Escabicidas (loções) por 3 noites seguidas, repetido após uma semana. Em adultos, a loção é passada por todo o corpo (do pescoço para baixo), durante a noite, retirando-se pela manhã (banho). Em crianças, para evitar que elas durmam com a loção, pode-se passar durante o dia e deixar por um período de 4 a 6 horas, após o qual se retira (banho). Podem ser usado os sequintes Escabicidas: Benzoato de benzila - 25%; Monossulfiran - 25%; ; Deltametrina; Pasta d`água com enxofre - 5 a 10%, 2 a 3 vezes por dia (usada para crianças ou gestantes). Quando a infestação é muito intensa, pode-se utilizar medicação sistêmica (Tiabendazol sistêmico) e, atualmente, a ivermectina.
Sarna Norueguesa (ou Crostosa)
Existem formas peculiares de Escabiose. Uma delas é a Sarna Norueguesa (Sarna ou Escabiose Crostosa), que se caracteriza pela presença de crostas, lesões crostosas, estratificadas, geralmente em eminências ósseas, e é muito contagiosa. Pode acometer face, unha, cabeça, palmas e plantas e geralmente acomete indivíduos com higiene precária (neuropatas, excepcionais, etc.) ou imunodeprimidos.
As complicações mais freqüentes são: Infecção Secundária e Glomerulonefrite.
Considerações Finais
Em crianças com escabiose, ocorrem, freqüentemente, infecções secundárias, como o impetigo. Nesse caso, deve-se tratar primeiro a infecção secundária, depois a escabiose, porque qualquer substância escabicida fará uma irritação muito grande, trazendo outros problemas e sendo mal aceito pelas crianças.
Na bolsa escrotal, podemos encontrar nódulos persistentes após o tratamento, extremamente pruriginosos, mas não adianta passar escabicida, porque não existem mais ácaros nessa região, havendo apenas uma reação alérgica persistente. O tratamento, então, é massagem com corticóide tópico ou infiltração intralesional de corticóide.
A Sarna Crostosa ou Norueguesa é altamente contagiosa e caracteriza-se pela presença de crostas, principalmente em eminências ósseas.
Bibliografia
AZULAY & AZULAY Dermatologia. 2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1997
Fonte: www.hc.ufpr.br
A escabiose ou sarna é uma doença parasitária, causada pelo ácaro Sarcoptes scabiei (foto). É uma doença contagiosa transmitida pelo contato direto interpessoal ou através do uso de roupas contaminadas. O parasita escava túneis sob a pele onde a fêmea deposita seus ovos que eclodirão em cerca de 7 a 10 dias dando origem a novos parasitas.
Nos lactentes e pré- escolares as escarvações ocorrem nas regiões palmares e plantares, e porém podem ser observadas lesões papulares no couro cabeludo, na face e no pescoço.
A doença tem como característica principal a coceira intensa que, geralmente, piora durante a noite. A lesão típica da sarna é um pequeno trajeto linear pouco elevado, da cor da pele ou ligeiramente avermelhado e que corresponde aos túneis sob a pele. Esta lesão dificilmente é encontrada, pois a escoriação causada pelo ato de coçar a torna irreconhecível.
O prurido intenso começa de 2 a 6 semanas após a primeira exposição ao ácaro .Uma forma grave de escabiose que ocorre mais comumente em indivíduos imunocomprometidos é a escabiose crostatada.É evidenciada com placas verrucosas nas mãos e nos pés e extensa descamação que recobre o couro cabeludo até o tronco, ou abaixo.
O diagnóstico de qualquer infestação por escabiose depende da observação de um ácaro nos raspados cutâneos de uma das escarvações.Na maioria dos casos, o diagnóstico definitivo é difícil devido às escoriações.
A transmissão ocorre durante o contato com indivíduos infestados ou com roupas usadas recentemente por esses indivíduos.Todos os contatos domiciliares e íntimos devem ser tratados para evitar recorrência ou transmissão contínua.As roupas, as roupas de cama e toalhas devem ser lavadas com água quente.Os ácaros da escabiose que infestam os animais domésticos, inclusive cães e gatos, algumas vezes causam dermatite nos seres humanos, mas as lesões costumam ser limitadas as áreas que entram em contato com os animais.
Tem ocorrência universal e pode ou não estar vinculada a hábitos de higiene. É freqüente em guerras e em aglomerados populacionais. Geralmente, ocorre sob a forma de surtos em comunidades fechadas ou em grupos familiares
O tratamento da sarna consiste na aplicação de medicamentos sob a forma de loções na pele do corpo todo, do pescoço para baixo, mesmo nos locais onde não aparecem lesões ou coceira. Após terminada a primeira série do tratamento, este deve ser repetido uma semana após, para atingir os parasitas que estarão deixando os ovos. Medicamentos para o alívio da coceira devem ser utilizados, porém não são os responsáveis pela cura.
O tratamento também pode ser realizado por via oral, sob a forma de comprimidos tomados em dose única. Pode ser necessária a repetição após 1 semana. Em casos resistentes ao tratamento, podem-se associar os tratamentos oral e local.
Deve-se lavar com água quente todos os fômites dos pacientes com escabiose buscar casos na família ou nos residentes do mesmo domicílio do doente e tratá-los o mais breve possível. A escabiose, raramente, vem como caso isolado, por esse motivo tratar as pessoas que tiveram contato cutâneo com o doente. Isolamento: deve-se afastar o indivíduo da escola ou trabalho até 24 horas após o término do tratamento. Em caso de paciente hospitalizado, recomenda-se o isolamento a fim de evitar surtos em enfermarias, tanto para outros doentes, quanto para profissionais de saúde.
Bibliografia
BENNETT;Claude J. e PLUM, Ireal.CECIL Tratado de Medicina Interna: 20 ed.Guanabara Koogan; Rio de Janeiro, 2002.Vol. 2.
Fonte: www.uff.br