A palavra alpinismo tem como origem escaladas nos Alpes. No entanto no Brasil é muito utilizada para se referir a escaladas em geral. Até mesmo o conhecido Aurélio ao definir montanhismo, coloca alpinismo como sinônimo.
Montanhismo é o ato de conviver pacificamente com as montanhas de corpo e alma. Desde uma simples caminhada de um dia na Serra da Mantiqueira, ou um acampamento de final de semana no Parque Nacional de Itatiaia, até caminhadas de ascensão, escaladas em rocha, gelo, grandes montanhas, etc. Existem atividades de montanha para todas as idades e condições físicas.
Em países com fortes tradições no montanhismo, é comum encontrar velhinhos, crianças e as vezes famílias inteiras desfrutando do ar puro e da aventura que as montanhas proporcionam.
Assim como no atletismo, podemos dividir o montanhismo em diversas modalidades, muito diferentes entre si. As diferenças não estão somente no relevo, clima e equipamentos necessários, mas também no espírito aventureiro e no preparo físico e psicológico do montanhista. Cada um deve procurar a modalidade e o nível de atividade que melhor se adapte as suas vontades e possibilidades. Podemos dividir as atividades de escalada em basicamente 9 modalidades:
Progredir por uma parede de rocha utilizando somente os apoios naturais (agarras) da pedra é chamado de escalada em livre. Todo e qualquer equipamento utilizado durante uma escalada em livre tem a função de proteger os escaladores no caso de uma queda.
Esta é a forma mais comum de escalada no Brasil, exige um bom conhecimento de técnicas e equipamentos de segurança.
A região da Urca, no Rio de Janeiro, que inclui o Pão de Açúcar, é provavelmente o "point" mais visitado do Brasil, não só pela facilidade de acesso, mas também pela qualidade da rocha e quantidade e variedade das vias de todas as dificuldades, sem falar no visual...
Os desafios de uma via podem estar além da dificuldade da escalada em si. A distância e qualidade das proteções, o tamanho e a verticalidade (exposição) da parede, envolvem fortemente o aspecto psicológico
Condições gerais mais simples e seguras, permitindo ao escalador preocupar-se puramente com seu desempenho físico sobre a via, caracteriza o que chamamos de escalada esportiva. O aspecto psicológico é minimizado pelo alto grau de segurança da escalada.
Por exemplo; proteções fixas, próximas e de boa qualidade, fácil acesso, boa ancoragem para o segurador, vias curtas e normalmente de alta dificuldade.
Em uma boa via de escalada esportiva, o escalador se concentra na dificuldade
dos movimentos, sem se preocupar com as conseqüências de uma possível
queda, pois esta será sempre segura.
A qualidade e simplicidade das proteções permitiram aos escaladores
desenvolverem movimentos muito difíceis e atléticos, sem receios
de repetidas quedas.
Boas vias de escalada esportiva podem ser encontradas por todo o pais, mas as paredes de calcário da Serra do Cipó, ao norte de Belo Horizonte, são the best!
Derivado da escalada em rocha, esta modalidade nasceu na Europa como forma de treinamento urbano, principalmente no inverno, para as escaladas em montanha.
Amplamente difundido, principalmente na Europa e Estados Unidos, proliferam hoje em dia os ginásios de escalada esportiva, onde não somente escaladores de rocha procuram melhorar suas capacidades técnicas e físicas, mas surgem os escaladores de ginásio, que raramente escalam em rocha, no entanto tornam-se verdadeiros viciados no esporte.
Escalada em muros artificiais sofreu um "boom" nos últimos 10 anos e continua sendo a modalidade mais crescente. No Brasil estamos entrando agora neste boom. Fácil acesso, baixo custo dos equipamentos e o trabalho físico e mental parecem ser o veneno.
Antigamente montanhistas e escaladores de rocha se voltavam para estruturas artificiais como treinamento. Hoje a grande maioria das pessoas inicia em muros e depois, eventualmente, começam a se interessar por paredes rochosas, ou grandes montanhas geladas.
Muitos escaladores constróem pequenos muros de treinamento em suas casas, onde fazem mega sessões de treinamento procurando desenvolver principalmente o aspecto de força pura e resistência. Relativamente, ainda temos poucos muros de escalada no Brasil, mas preparem-se para a invasão...
As primeiras competições de escalada aconteceram na Ucrânia, na década de 60. Eram competições de velocidade realizadas em paredes rochosas naturais. Outros países também realizaram competições em rocha, mas lentamente, com o advento dos muros artificiais, as competições passaram a acontecer em ginásios ou praças públicas.
Competições têm suas particularidades e não necessariamente um bom escalador esportivo será um bom escalador de competição. Hoje existem atletas que treinam exclusivamente para competir. Existe uma Copa do Mundo, semelhante ao que acontece no esqui, e possivelmente escalada esportiva se tornará um esporte olímpico.
Vencer certas seqüências de movimentos difíceis, sobre blocos baixos e sem a utilização de cordas de proteção, chamamos de bouldering.
Muito disseminado entre os escaladores modernos, fazer boulder pode ser muito divertido e desafiador, atingindo os maiores graus de dificuldade possíveis.
As vezes se usa colchões para proteção, ou apenas um “spot”, ou seja, um parceiro que se posiciona adequadamente e que tem a função de “ajeitar” uma possível queda de forma a fazer o escalador cair de pé, minimizando as chances de contusão.
Por tratar-se de movimentos fortes e seqüências curtas; bouldering desenvolve muito explosão muscular e força bruta. Campeonatos de boulder são a sensação do momento ao redor do mundo, e aqui no Brasil estamos apenas começando.
Ao contrário do que acontece em uma escalada em livre, escalar artificialmente significa utilizar o equipamento como apoio para progredir na via. Desde um simples grampo, até uma super parafernália especializada para as mais incríveis situações.
Paredes difíceis demais para serem escaladas em livre, muito lisas ou muito negativas, ou pouco sólidas, podem ser conquistadas em artificial. O grande desafio da progressão artificial moderna é utilizar a menor quantidade de equipamentos possível.
Embora não tão popular quanto escalada em livre, escalada artificial permitiu ao homem conquistar as mais incríveis e improváveis paredes rochosas do planeta.
Uma grande escalada passa a ser um big wall, se uma equipe é obrigada a pernoitar ao menos uma noite no meio da parede, ou seja, uma escalada de vários dias.
Normalmente um misto de escalada livre e artificial, um big wall exige muita experiência dos participantes, sendo obrigados a içar dezenas ou até centenas de quilos de equipamentos, inclusive comida, água, fogareiro, sacos de dormir, barracas especiais, e tudo mais parede acima!
Devido à grande quantidade de equipamentos e complexidade da atividade,
passar vários dias em uma parede envolve muito planejamento logístico,
entrosamento e organização.
Yosemith Valley, na Califórnia, é o berço mundial do
Big Wall. Em suas paredes de granito vertical de ate 1000m aconteceu o grande
desenvolvimento desta modalidade nos anos 70.
No Brasil temos algumas grandes e complexas paredes, mas o nosso Big Wall mais desafiador é sem dúvida a parede sudoeste da Pedra do Sino, na Serra dos Órgãos, Rio de Janeiro.
Paredes inóspitas de difícil acesso, terreno complexo e clima severo são as principais características de uma escalada alpina. Exige dos escaladores domínio das técnicas de escalada em rocha e gelo, além de travessia de glaciares, metereologia e logística.
Nesse tipo de escalada a velocidade pode ser diretamente proporcional à segurança, pois quanto mais rápido, menos chance de problemas com mal tempo ou avalanche.
As torres graníticas da Patagônia estão entre as paredes alpinas mais cobiçadas do mundo. Com um clima terrivelmente agressivo, glaciares perigosos e acarreos (pedreiras) intermináveis, escalar na Patagônia é extremamente exigente. Além dos inquestionáveis atrativos alpinísticos, a região esta relativamente próxima, o que permitiu o desenvolvimento de nossos poucos escaladores alpinos.
A parede sul do Aconcágua, nunca escalada por um brasileiro, é uma escalada alpina respeitada e cobiçada mundialmente, com o agravante da altitude (ver alta montanha).
Quando uma escalada é dificultada pelos efeitos da diminuição da pressão atmosférica, chamamos de alta montanha. Normalmente acima de 4000m de altitude, o organismo humano começa a perceber os efeitos da baixa pressão, que podem ir muito além de uma falta de fôlego. Dores de cabeça insuportáveis, enjôos, insônia e falta de apetite são sintomas normais, mas a situação pode se complicar muito levando até a edemas, que podem causar a morte.
No entanto um montanhista bem informado sabe monitorar seu organismo, administrar
o próprio ritmo e recuar se necessário for. Desta forma aumentam
suas chances de atingir o objetivo com segurança.
Devido à altitude; muito gelo, ventos e temperaturas extremas completam
o quadro de alta montanha, tornando obrigatórios roupas e equipamentos
especializados.
O Brasil não tem montanhas acima de 3100m, mas a cordilheira dos andes coalhada de gigantes acima dos 6000m, oferece excelentes opções inclusive para trekking de altitude. Peru e Bolívia no inverno ou Chile e Argentina no verão são as regiões mais visitadas por brasileiros, mas Colômbia e Equador também são uma boa pedida, com vulcões chocantes.
Abrigando 14 monstros acima dos 8000m, além de uma infinidade de 7000m, muitos ainda sem nome esperando por um conquistador, a cordilheira do Himalaia é o centro das atenções do montanhismo moderno. Já os Alpes europeus são as montanhas mais visitadas do mundo, e foram elas que sediaram as primeiras conquistas do homem, numa história romântica protagonizada por verdadeiros heróis obstinados por pisar naqueles cumes nevados... Esta é uma longa e emocionante história.
Cachoeiras que se congelam no inverno formam maravilhosas cascatas geladas que encantam os olhos de qualquer alpinista. Escalar estas cascatas é uma verdadeira aventura que tem atraído cada vez mais adeptos.
Um bom escalador de cascatas é respeitado por todo montanhista, pois é uma modalidade que envolve muita técnica, força física e controle psicológico. Tanto Europa como Estados Unidos vivem uma euforia nesta área, com lançamento de novos equipamentos e até criação de parques de escalada em gelo, onde mangueiras de água sobre penhascos criam uma infinidade de cascatas!
Recentemente surgiram competições em torres de gelo com estruturas artificiais. No início gerou grande polêmica sobre a banalização de uma atividade super séria e seletiva, mas parece que vai pegar. Assim como as competições de escalada esportiva, deve ser entendido como uma nova modalidade, independente da escalada de cascatas naturais. É uma novidade com menos de cinco anos, e com interesses de televisões e patrocinadores está evoluindo rapidamente com a especialização de atletas e criação de paredes de gelo cada vez mais incríveis.
Um indivíduo pode praticar qualquer uma destas atividades, em qualquer nível de dificuldade. Cada escalador procura seu próprio desafio, aquele que melhor se encaixa às suas necessidades.
O rapel não é uma modalidade, mas sim uma técnica básica de descida em qualquer atividade de montanha e embora seja aparentemente muito simples, pode se tornar um verdadeiro pesadelo, tanto é que 75% dos acidentes de montanha acontecem durante os rapeis.
Imagine um rapel no meio de uma parede de 800 metros, diagonal, vento de 50 km/h, nevando, anoitecendo e depois de 25 horas de atividade sem dormir...
Acabou a pilha da lanterna, a corda esta congelada e você deixou cair o aparelho de rapel...Rapéis podem ser muito complicados, existem enumeras técnicas e equipamentos, mas a regra básica é simples: nunca subestime um rapel.
Fonte: www.itakama.com.br

Escalada esportiva é uma modalidade que visa as escaladas de extrema dificuldade nas quais o praticante usa apenas as força corporal, sobretudo das mãos e dos pés, para a ascensão. Geralmente ela é realizada sob superfícies de rochas as mais sólidas possíveis, quase sempre verticais ou negativas, onde a parede forma com o chão um ângulo menor que noventa graus.
Neste tipo de prática o importante não é a altura, mas sim a beleza e complexidade dos movimentos corporais que terão de ser realizados para transpor a dificuldade da via (rota ou trajeto por onde o escalador sobe).
As proteções fixas (grampos ou chapeletas), são usadas apenas para a segurança do escalador. Isso significa que em caso de quedas, ficamos pendurados e seguros. Assim sendo, "cair" em escalada esportiva é bastante freqüente e, inclusive, forma parte integrante da modalidade.
Todos caímos quando tentamos vias que estão próximas ao nosso limite. É bastante comum escutarmos perguntas do público leigo do tipo: "Mas tu já caiu alguma vez?". A resposta para esta pergunta é simples: "Claro, caimos todos os finais de semana quando vamos à rocha!". Obviamente estamos nos referindo a cair e ficar pendurados suspensos pela corda, cadeirinha, mosquetões costuras e chapeletas.
Outro detalhe importante é que não usamos este equipamento para subir puxando ou içando por ele, nem pelas cordas nem por "ganchos". Também não usamos "luvinhas" para proteger os dedos como muitos pensam. Usamos carbonato de magnésio para evitar a transpiração das mãos e sapatilhas de solado liso e aderente. Fora isso, nosso corpo é o único instrumento de ascenção, o resto é apenas para ficar pendurados ao cairmos.
Nosso objetivo é subir! A meta do escalador é subir a via de baixo para cima sem cair. Muitas vezes isto requer várias tentativas, meses e até anos, dependendo do grau de dificuldade da via. Para escalar algo que está acima de nosso nível técnico de dificuldade, temos que treinar. Geralmente o fazemos em muros artificiais (paredes com agarras de resina e areia). Esses podem ser caseiros, localizados nos cantos mais apropriados de nossa casa, ou em academias próprias para a escalada em muro artificial.
Outra pergunta quase que cotidiana atualmente é se fazemos rapel. Também é comum perguntarem se além da escalada fazemos rapel ou se o rapel é mais fácil ou mais difícil. Quanto a isso, a resposta também é bem simples. Fazemos rapel para descer de onde subimos.
O rapel é uma conseqüência de subir, de escalar e de ascender.
Rapel não é o nosso objetivo. Os escaladores mais experientes
sabem que a sensação sublime de escalar uma via no seu limite
é absoluta, completamente e qualitativamente superior a de descer de
rapel. Para comprovar isso basta perguntar a maioria dos escaladores esportivos
de longa data. Não quero de nenhum modo afirmar que sou contra o rapel
ou que nossa atividade é superior, estou apenas diferenciando rapel
de escalada e reconhecendo um sentimento que constato na maioria dos companheiros
com quem escalo.
Outro mito bastante curioso é o de que a escalada esportiva deve ser uma atividade só para homens. Não! As mulheres que praticam o esporte e pegam o espírito da coisa escalam tão bem quanto muitos homens. Elas são em geral muito mais técnicas, mais flexíveis, usam melhor os pés e o quadril, esbanjando graça e beleza nos movimentos.
Para concluir, gostaria de salientar que escalada esportiva tem relação com a busca de nossos limites físicos e mentais. Estou convicto em afirmar também que, se estivermos atentos à riqueza e amplitude desta atividade, poderemos encontrar uma incrível via de auto-conhecimento, auto-superação, reencontro com a natureza e entendimento do que significa ser livre.
Guilherme Zavaschi
Fonte: inema.com.br