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Escoliose

ESCOLIOSE TRA DA COM REEDUCAÇÃO POSTURAL GLOBAL

INTRODUÇÃO

"A escoliose é o desvio lateral não fisiológico da linha mediana. Devido ao alinhamento vertebral e às relações estruturais das borda.§ vertebrais e às articulações posteriores, a inclinação lateral é acompanhada por rotação simultânea" (CAILLIET)I.

A mesma acontece devido a um movimento de torção generaliíljadopor toda a raque. Esse movimento ttproduzido por uma perturbação lI>calizadaque origina uma ruptura do equilíbrio raquidiano (PERDRIOLLE)4.

Segundo PINK,TSCHAUNER5 a verdadeira escoliose estrutural é caracterizada pela rotação do corpo da vértebra. As curvas espinhais evoluem em direção lateral, e são acompanhadas por um padrão de deformidade rotatório. Na coluna torácica a ligação costal às vértebras resulta em deformidade do gradeado costal.

A rotação do corpo vertebral está relacionada com a convexidade e a concavidade da curva. Assim devido à rotação e inclinação que as vértebras sofrem, os músculos da concavidade estão sempre encurtados e os da convexidade estão sempre alongados.

A nomenclatura da escoliose é considerada a partir da convexidade acrescida da curvatura escoliótica. Por exemplo se temos uma escoliose na região torácica com convexidade à direita, dizemos simplesmente que é uma escoliose torácica direita.

A literatura relata vários métodos e recursos fisioterápicos que tem sido utilizados para melhorar a escoliose: métodos Schroth e Klapp, exercícios fisicos, estimulação elétrica dos músculos, colete associado a exercícios ou sozinho, etc.

Este estudo relata um caso de escoliose torácica direita, tratada com Reeducação Postural Global (RPG).

CASO

Indivíduo com 17 anos, branca, sexo feminino, com escoliose torácica direita de 20 graus (Figura 1), referindo dor na região tóraco-Iombar ao deitar e dor e cansaço nos membros inferiores (MMII) principalmente após andar ou ficar muito tempo em pé. A curva lateral somente foi percebida após crescimento acelerado(por volta dos 14anos).

Escoliose

Figura 1 - Curva escoüótica antes do tratamento fisioterápico

A avaliação foi feita nas posições em pé, sentada e inclinada para a frente.

Em pé foram observadas as alterações próprias da escoliose: tronco inclinado à direita, ombro esquerdo mais alto, ombros protraídos mais acentuadamente à direita, cabeça inclinada para o lado direito. A avaliação das cadeias musculares (MARQUES)3, apontou para um encurtamento d,\ cadeia inspiratória e posterior principalrrtente a nível de paravertebrais. As demais encontravam-se dentro dos parâmetros de normalidade.

Na posição sentada foi observado uma inversão das curvas lombar e torácica e inclinada para a frente foi observado uma convexidade acentuada na região torácica direita e uma rotação de tronco à es- querda

o tratamento fisioterápico tinha por objeti- vo realizar um alinhamento global e mais especificamente corrigir as inversões das curvas lombar e torácica e diminuir a con- vexidade e a rotação de tronco, sempre trabalhando em direção à simetria dos hemicorpos

No início optou-se por trabalhar deitada, rã no chão para melhorar a função da cadeia inspiratória passando em seguida para as posições em pé, sentada e inclinada para a frente, sendo estas duas últimas as preferidas, pois facilitava a vizualização da escoliose e por ser mais fácil "pegá-Ia" nas mãos

Os ângulos da curvatura da escoliose foram calculados segundo o método de CaBE

Uma linha é traçada perpendicularmente à margem superior da vértebra que mais se inclina para a concavidade. Também é traçada uma linha na borda inferior da vértebra mais inferior com a angulação em direção à concavidade. É considerado o ângulo destas linhas confluentes. A vértebra apical é identificada mas não faz parte da medida (CAILLIET)

RESULTADOS

A dor referida ao ilÚcio na região tóraco- lombar desapareceu após seis sessões e a dor nos MMII ao final de cinco sessões. Após 16 sessões com duração de uma hora cada, pu- demos verificar que houve uma diminuição significativana curva escoliótica(Figura 2).

Escoliose

Figura 2 - Curva escoliótica após 16 sessiJes de fisioterapia

O alinhamento das cristas ilíacas, ao RX, mostrava uma diferença de um centimetro, sendo o membro inferior direito mais baixo que o esquerdo. Na segunda radiografia realizada após quatro meses, esta diferença passou a ser de 0,3 milimetros, havendo portanto um ganho de 0,7 milimetros

Com relação ao ângulo da curvatura, ini- cialmente este era de 20 graus e passou a" 10 graus, havendo portanto um ganho no alinhamento vertebral.

DISCUSSÃO

A literatura pouco se refere ao tratamento fisioterápico empregado na escoliose e menos ainda em relação aos resultados deste. A escoliose sempre foi entendida como uma deformidade que adquire ares de definitiva, pouco importando o que se faz em termos de fisioterapia.

Alguns autores referem-se a alguns métodos de correção, aos exercicios físicos, à estimulação életri- ca etc, mas boa parte da literatura é reser- vada para falar do uso de coletes como forma de correção da escoliose e entre eles o mais usado é o de Milwaukee. Devido à rotação que acompanha a curva escoliótica, muitos a julgam irreversível e poucos acredi- tam na diminuição dos ângulos da curvatura

Após o término do crescimento vertebral (por volta dos 15 anos nas meninas), a coluna é menos flexível e portanto menos corrigí- vel (Cailliet)l. A nossa paciente estava próximo da idade limite de final de cresci- mento, e ainda apresentava uma flexibili- dade vertebral, o que facilitou a correção

Como na escoliose as vértebras inclinam-se para o lado da concavidade e a face anterior das vértebras gira para a convexidade, o trabalho de fisioterapia realizado com esta paciente, pautou-se no seguinte principio: estimular o alongamento longitudinal incluíndo aí a concavidade, e ao mesmo tempo desrodar os corpos vertebrais. É necessário com uma das mãos fazer pressão direta e contínua sobre a gibosidade, pedindo para que ao mesmo tempo a paciente realize a expiração nesse ponto e com a outra mão tracionar as vértebras da concavidade para que estas girem em sentido inverso.

Resumindo é necessário inclinar o tronco para o lado da convexidade e rodá-Io para o lado da concavidade.

Amélia Pasqual Marques

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

'1. CAllLIET, R. Esco/iose diagnóstico e tratamento. São Paulo: Manole, 1979

2. LAPIERRE, A La reeducacionfisica. Barcelona: Ed. Científico-Médica, 1977

3. MARQUES, A P. Reeducação Postural Global: um programa de ensino para a formação de fisioterapeutas. São Paulo, 1994. Tese (doutorado) - Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo

4. PERDRlOLLE, R. A esco/iose seu estudo tridimensional. São Paulo: Andrei, 1985

5. PINK, P. , TSCHAUNER, C. Scoliosis and spondylolisthesis in children and adolescents. Pediatr

Pado/., v.27, n.5, p.65-74, 1992.

Fonte: www.herniadedisco.com.br

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