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Escorpiões

Os escorpiões são aracnídeos, muitas pessoas os chamam de insetos, mas basta observar que este animal tem 4 (quatro) pares de patas ao invés de 3 (três) como os insetos. A origem destes animais remonta a mais de 400 milhões de anos, sobrevivendo a todos os grandes cataclismos que destruíram milhares de espécies vivas. Portanto o escorpião foi um observador privilegiado tanto do fim dos dinossauros assim como do surgimento do homem na face da Terra.

Existem centenas de espécies de escorpiões, mas para nós em particular só interessam, por enquanto três, são elas :

Tityus serrulatus o escorpião amarelo, responsável pelos acidentes mais graves

Tityus bahiensis o escorpião preto, também pode causar acidentes graves

Bothriurus araguayae escorpião também preto, mas bem pequeno e brilhante, parecendo que foi "envernizado".

Destes apenas os dois primeiros apresentam perigo para as pessoas, podendo causar acidentes graves e inclusive morte de seres humanos e animais.

O Bothriurus araguayae é um animal inofensivo não oferecendo perigo algum, por isto nós não controlamos este animal, nos o preservamos.

Em Uberlândia a distribuição de escorpiões por bairro já é bem conhecida pelo nosso Laboratório de Manejo de Animais Peçonhentos e Quirópteros, predominando o T.serrulatus,seguido do inofensivo B.araguayae e em terceiro lugar o T.bahiensis.

Em relação aos bairros

Martins, Centro, Aparecida, Cazeca e Brasil registram o maior número de ocorrências, principalmente de T.serrulatus. Quase todos os bairros de Uberlândia apresentam ocorrência de escorpiões, podendo haver inclusive num mesmo bairro as três espécies. Um fato curioso é que onde o T.serrulatus entra, em pouco tempo as outras espécies desaparecem ficando apenas o escorpião amarelo.

Lixo, entulho e sujeira, somados à umidade criam um ambiente perfeito para a fixação de escorpiões. Estes aracnídeos se alimentam apenas de animais vivos ou seja eles têm que caçar a sua refeição, as baratas são um dos seus alimentos prediletos.

Ao contrário do que as pessoas acreditam, o escorpião não se suicida quando preso entre o fogo, o que realmente acontece é que ele se desidrata e na agonia da morte dá a imprensão que se ferroa. Escorpiões vivem em média 5 (cinco) anos, atingindo a maturidade sexual por volta de 1 ano e meio.

Na espécie Tityus Serrulatus existem apenas fêmeas, a reprodução se dá por PARTENOGÊNESE. Nas outras duas espécies que vivem em nossa cidade existem machos e fêmeas.

Escorpião
Desenho original de Biology of Scorpions - Gary A.Polis

Os escorpiões como já dissemos se alimentam principalmente de outros insetos , portanto um ambiente livre destes dificulta a sua presença.

Escorpião
Desenho original de Biology of Scorpions - Gary A.Polis

Neste desenho podemos observar o "ferrão" do escorpião assim como onde se alojam as glândulas que produzem veneno, e a abertura retal do Animal.

ACIDENTES COM ESCORPIÕES

Em Uberlândia ocorrem em média 5 a 6 acidentes notificados com escorpiões por mês, mas nossa experiência pessoal confirma que este número é bem maior do que as estatísticas oficiais. Em um trabalho conjunto com o Hospital Escola da Universidade Federal de Uberlândia, somos informados sistematicamente destes acidentes que são prontamente investigados por nossa equipe.

O grupo de maior risco em acidentes com estes aracnídeos são crianças, pessoas idosas e pessoas alérgicas. O principal sintoma em acidentes escorpiônicos é a

DOR que pode ser localizada ou não. O veneno atua principalmente sobre o sistema nervoso podendo ocorrer morte por insuficiência cardíaca e respiratória; náuseas, vômitos, sudorese e agitação podem estar presentes entre os sintomas.

Em casos de acidentes a pessoa agredida deve ser encaminhada imediatamente para o Pronto Socorro da UFU, pois só uma avaliação médica poderá determinar se existe necessidade de aplicação de soro anti-escorpiônico.

CONTROLE DE ESCORPIÕES

Como já colocamos, a limpeza e a eliminação de insetos que servem de alimentos constituem a principal medida de controle de escorpiões.

Até o momento

NÃO existe nenhum veneno comprovadamente eficaz contra este animal. O CCZ já testou e continua testando vários sem resultados satisfatórios. O uso de venenos tem provocado até aumento de aparecimento de escorpiões pois estes os irritam e os desalojam.

Um fato curioso que observamos em nossa cidade é que perto de 80% dos escorpiões entram nas casas pelas redes de esgoto; portanto vedamento de ralos, caixas de gordura, tanques são medidas obrigatórias para se evitar o aparecimento dos escorpiões.

Vedar soleiras de portas, evitar plantas próximas às paredes das casas, retirar todo o entulho, tijolos, telhas acumuladas em quintais , assim como rebocar paredes e pisos internos e externos também são medidas importantes de controle.

Nossa equipe também promove abertura de quarteirões e busca ativa de escorpiões tanto dentro quanto fora das casas, mas o número de animais capturados é reduzido, pois, repetimos, em Uberlândia as redes de esgoto são o principal abrigo destes perigosos aracnídeos.

Apresentamos abaixo as três principais espécies de escorpiões de Uberlândia

Tityus serrulatus
Tityus serrulatus

Tityus bahiensis
Tityus bahiensis

Bothriurus araguayae
Bothriurus araguayae

Fonte: www.escorpiao.vet.br

Escorpiões

Morfologia do Escorpião
Morfologia do Escorpião

Os escorpionídeos, conhecidos popularmente como escorpiões, pertencem à classe dos aracnídeos. Não são insetos, como pensam erradamente algumas pessoas. Juntamente com as aranhas, os carrapatos e os ácaros, que são seus companheiros de classe, os escorpiões pertencem ao filo dos artrópodes, que inclui, além dos aracnídeos, a classe dos insetos, dos crustáceos e outras.

Como linhagem, os escorpiões provêm de eras remotas. Seus mais antigos fósseis ocorrem em rochas formadas no Período Siluriano, cerca de 420 milhões de anos atrás. Ou seja, cerca de 200 milhões de anos antes que os dinossauros aparecessem! A linhagem à qual os escorpiões modernos pertencem surgiu no Período Carbonífero mais recente, há cerca de 300 milhões de anos. De lá para cá, os escorpiões pouco mudaram.

O maior de todos os escorpiões, em comprimento, é provavelmente o sul- africano Hadogenes troglodytes, cujos machos podem atingir até 21 cm.

Entre as espécies de pequeno comprimento, o menor dos escorpiões talvez seja o Microtityus waeringi, que mal chega a 12 mm, quando adulto.

Os escorpiões se destacam entre os aracnídeos por terem uma duração de vida que vai além de uma estação. Chegam à maturidade em 1-3 anos, e atingem normalmente um período de vida de 2-6 anos. O maior tempo de vida registrado para um escorpião chega até 8 anos.

O atributo mais notório de um escorpião é seu ferrão venenoso. Embora seja verdade que os escorpiões estejam entre os animais mais venenosos que vivem em terra, os relatos sobre seu efeito mortal são provavelmente exagerados.

Todas as espécies de escorpião são venenosas. Para os insetos, que são alimento potencial de escorpiões, todos os escorpiões são mortalmente venenosos. Entretanto,entre as cerca de 1050 espécies conhecidas, apenas um pequeno número é perigoso para os seres humanos. A maioria produz uma reação semelhante à da ferroada da abelha.

Veneno dos Escorpiões

Ferrão do Escorpião
Ferrão do Escorpião

O que é e como funciona o ferrão do escorpião?

O ferrão do escorpião fica localizado na extremidade do metassoma, conhecida como "cauda", embora não seja propriamente uma cauda, e sim a parte final do abdômen. O último anel abdominal -- o telso -- constitui a base do ferrão e contém a vesícula, que tem forma globular e vai se afinando posteriormente até terminar em um espinho curvo, chamado acúleo.

A vesícula contém um par de glândulas que produzem e armazenam os vários constituintes do veneno do escorpião.

O acúleo é semelhante a uma agulha hipodérmica: é oco e muito fino. Cada saco glandular liga-se, através de dois canais, a duas aberturas perto da ponta, por onde sai o veneno. Ao dar a ferroada, o escorpião regula a quantidade de veneno injetado através da contração dos músculos da vesícula. Alguns escorpiões não injetam veneno algum quando cravam o ferrão.

Os escorpiões usam o ferrão para diversos fins. O mais óbvio é para dominar suas presas, que antes são agarradas firmemente pelas pinças dos palpos. Os escorpiões fazem uso do ferrão quando não conseguem matar a presa por esmagamento com as pinças. Devido ao veneno que inoculam, pequenos escorpiões com pinças fracas conseguem dominar presas até do seu próprio tamanho.

Um segundo uso do ferrão é na defesa

Através de um ferrão bem posicionado, os escorpiões podem manter afastados potenciais predadores. Apesar disso, eles são presa fácil para muitos animais, para os quais seu ferrão parece ser inócuo.

Um terceiro uso do ferrão é durante o acasalamento.

Observam-se freqüentemente machos aguilhoando as fêmeas ou golpeando-as com o telso. Parece provável que alguns escorpiões possuam feromônios que possam aumentar a receptividade da fêmea ou permitam reconhecimento de espécies durante o ritual de acasalamento.

O VENENO

Segundo relatos clínicos, parece existirem diversos fatores que modulam a toxicidade do veneno do escorpião para humanos. Os principais fatores são: 1) a toxidez do veneno do tipo de escorpião envolvido; 2) a quantidade de veneno injetada pelo escorpião; 3) o tamanho do corpo da vítima; 4) a condição médica geral da vítima.

Devido a seu pequeno tamanho, as crianças sofrem maior risco de envenenamento grave do que os adultos. A maior parte das mortes resultantes de picadas de escorpião ocorre em crianças pequenas.

Algumas pessoas são alérgicas ao veneno dos escorpiões, da mesma forma que outras podem ser ao veneno das abelhas. Nestes casos, conseqüências muito graves, inclusive a morte, podem ocorrer rapidamente, mas não têm relação à toxicidade do veneno. Mortes ocorridas por envenenamento causado por espécies de escorpião sem importância médica resultam de choque anafilático induzido por alergia.

O veneno do escorpião compreende uma variedade de substâncias, nem todas completamente investigadas. O veneno de um único escorpião pode incluir diversas neurotoxinas, histimina, seratonina, enzimas, inibidores de enzimas, e outros compostos não identificados. O veneno pode conter, ainda, sais diversos, muco, peptídeos, nucleotídeos e aminoácidos.

Foram as neurotoxinas que receberam a maior atenção dos pesquisadores. As numerosas toxinas do veneno do escorpião são geralmente consideradas como sendo específicas. Cada uma visa atingir a célula nervosa de uma determinada espécie animal. Algumas neurotoxinas podem ter sua maior atividade contra insetos, outras podem ser mais letais para moluscos, e outras, ainda, podem ser dirigidas contra células nervosas de mamíferos. Além disso, toxinas diferentes podem visar locais diferentes na célula nervosa.

O veneno de escorpiões tipo T.Serrulatus age sobre o sistema nervoso periférico. Causa dor muito intensa, com pontadas intermitantes, provoca abaixamento de temperatura do corpo e acelera a pulsação. Comumente a vítima fica prostada.

O sinal da picada às vezes não se percebe, porém a dor forte e imediata que ela provoca faz com que a vítima possa ver o animal causador. É importante saber se a picada foi produzida por escorpião ou aranha, uma vez que os sintomas das picadas de escorpião são semelhantes aos das picadas de aranhas com veneno neurotóxico.

O escorpião T. serrulatus é mais importante sob o ponto de vista médico que o T. bahiensis, por provocar mais ocorrências graves. O veneno do T. serrulatus pode não ser mais tóxico, mas este escorpião injeta, em cada picada, praticamente o dobro de peçonha injetada pelo T. bahiensis.

Primeiros Socorros

Nos acidentes por aranhas e escorpiões, que provocam dor intensa, práticas como espremer ou sugar o local da picada, têm demonstrado ser de pouca eficácia.

O tratamento sintomático, à base de anestésicos e analgésicos, tem sido utilizado com resultados satisfatórios na maioria dos casos.

Se o acidentado for criança menor de 7 anos, o procedimento mais indicado é levá-la à Unidade Básica de Saúde (posto de saúde) mais próxima. Na cidade de São Paulo, o Hospital do Instituto Butantan está sempre aberto para atendimento às vítimas.

OBS.: Capturar o animal que causou o acidente e trazê-lo junto com a pessoa picada facilita o diagnóstico e o tratamento correto.

O Hospital Vital Brazil, que funciona no Instituto Butantan (São Paulo-SP), permanece aberto dia e noite. O tratamento é gratuito para qualquer pessoa picada por animal peçonhento.

O Instituto Butantan orienta sobre a captura de aranhas e escorpiões. O transporte por via férrea é gratuito, existindo um sistema de permuta de animais enviados por ampolas de soro antipeçonhento.

O soro é feito a partir do veneno que é extraído dos animais vivos que são enviados ao Instituto.

Como tratar

O único tratamento necessário costuma ser aplicação local de anestésico (4 ml de Lidocaína a 2% sem adrenalina, até 3 vezes, com intervalo de 1 hora). Nos casos graves também deve ser usado o soro ANTIESCORPIÔNICO ou ANTIARACNÍDICO, conforme instruções da bula.

As seguintes medidas são eficazes para o controle e prevenção de acidentes:

Fonte: www.geocities.com

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