Zumbi dos Palmares (Página 11)
Zumbi dos Palmares

Zumbi dos Palmares, permanece no imaginário popular com inúmeras versões, todas elas falando da escravidão onde sobressai-se um escravo rebelde, que se impõe na história fazendo história.

Magro, baixo, negro, o coroinha toma a benção do padre Antonio Melo. Antes de deitar, repassa a lição de latim e combina com o religioso as tarefas do dia seguinte. Ao amanhecer, porém, o pároco de Porto Calvo não encontra mais o adolescente de 15 anos.

Embrenhando-se na mata virgem, o jovem percorre 120 quilômetros a pé Ávido por alcançar seu lar, o "Quilombo de Palmares", uma poderosa federação de escravos fugitivos fundada no sertão nordestino. Foi de lá que Francisco, depois Zumbi, escapara anos antes, para escapar da morte durante um ataque inimigo. Cerca de 50mil negros habitavam um rosário de aldeias (mocambos) que se estende quase que a totalidade da atual Alagoas. O território era pontilhado de ricas lavouras. Um Conselho de Chefes cuidava das leis e governava. Á frente deste conselho, com status de rei, está Ganga Zumba, tio de Zumbi.

O sobrinho do soberano, herdeiro do seu poder, não demora a dar mostras de seu valor. Antes dos vinte anos, torna-se comandante das armas.


A guerra canalizava boa parte dos esforços do quilombo. Exércitos encarregados pelo governo de destruir a federação e devolver os escravos a seus donos são rechaçados constantemente. A cada novo ataque, enfraquecia Palmares. Uma investida bem sucedida dos portugueses, em 1678, leva Ganga Zumbi a assinar um acordo desvantajoso, pelo qual apenas os nascidos no quilombo preservariam a liberdade. Zumbi não aceita as condições e se rebela. Quer o fim da escravidão e decide continuar a luta.

Em 1691, porém, o bandeirante Domingos Jorge Velho é encarregado de chefiar a mais poderosa das expedições já armada contra Palmares. Entretanto, durante três anos sustenta investidas violentas, até que dois tiros atingem Zumbi. Depois de um século, um sonho de liberdade chega ao fim.

Quando o nasce o sol, o campo está coberto de cadáveres. Zumbi não é identificado. Teria mesmo Zumbi tombado? O enigma só é desvendado dois anos depois. Os bandeirantes aprisionam Soares, um ex-quilombola. Torturado, o negro revela que o líder sobrevivera e leva os soldados até o esconderijo. Zumbi luta, fere vários, mata um. Cai morto ba manhã de 20 de novembro de 1695. Sua cabeça é cortada e exibida no Recife, para servir de advertência aos negros.

Zumbi era descendente dos guerreiros imbangalas ou jagas de Angola e nasceu por volta de 1655 em um mocambo do quilombo. A palavra Zumbi significa "Deus negro de alma branca".

Zumbi dos Palmares foi comandante político-militar, herói mítico, símbolo de esperança, e uma pessoa a quem se referiram como "Espártaco Negro Brasileiro", "Mártir", e os escravos acreditavam ser imortal. Zumbi é o arquétipo da resistência à escravidão, a mais completa alienação e subserviência à violência e aos poderes dos senhores do engenho.

O Brasil colônia foi responsável pelo maior translado humano da história, importando quase 5 milhões de africanos. Deste modo, a escravidão, gestou estruturas, moveu a economia e introduziu novos valores e conceitos da visão do mundo.

Hoje vivemos num país onde mais de 80 milhões de brasileiros são negros ou descendentes deles. Isso representa 60% da população o que nos torna o país com maior habitantes da raça negra fora do continente africano.

A cor negra sempre foi arquetipicamente associada à sombra e é de vital importância na interação étnica do Brasil. Não aceitarmos nossa negritude é desvalorizar os preceitos morais de um país de mestiços. Em Zumbi, mito e arquétipo coabitam. Ele é símbolo nacional, um mártir guerreiro, que revolucionou o mundo com seu sonho de liberdade.

A discussão sobre Zumbi deve ser aprofundada como um instrumento da compreensão social e a história da questão do negro no Brasil.

O NEGRO NA SÉTIMA ARTE

A Raça Negra, vítima da tirania dos feitores e Senhores de Engenho, foi mitificada pelo povo. É o caso de Anastácia (Rio de Janeiro) e o Negrinho do Pastoreio no Rio Grande do Sul. O triste fim do Negrinho, largado para ser devorado por um formigueiro, foi filmado em 1973, pelo cineasta Antônio Augusto Fagundes, com Grande Otelo no papel de Negrinho. É um imperdível e grande clássico que retrata maravilhosamente o mártir negro da nossa história.

O cinema brasileiro retratou muitos outros personagens como as mesmas características como: Ganga Zumba (1964) e o Quilombo (1985). Em Quilombo tem como estrela máxima o nosso querido herói Zumbi, que é escolhido pelo Criador, que lhe envia do céu uma lança de fogo. Ele torna-se, assim, um líder acima do bem e do mal, superior a todos os outros negros.

E OS NEGROS CONTINUAM A HISTÓRIA....

O reconhecimento da importância da cultura negra no dia-a-dia nacional e de suas dinâmicas positivas como modelo civilizatório tem se expandido. Sua essência musical, a capacidade desse coletivo de transformar condições adversas em fatores de desenvolvimento humano e alegria, sua estética rica em diversidade, sua religiosidade inclusiva, passam a ser percebidas no conjunto da nação como elementos positivos da nossa diversidade.

A obra do negro no Brasil, encontra-se também esculpida ao som dos tambores, com a sabedoria das negras velhas e a elegância da capoeira.Desde a época da campanha dos escravistas contra o quilombo de Palmares ficou o registro do termo capoeira, dos guerreiros das capoeiras e sua estranha forma de luta, que tornava homens desarmados capazes de enfrentar e vencer vários adversários.

O Mito e o Guerreiro Zumbi, transcendem à sua pessoa e no correr dos séculos ecoam como um símbolo de resistência à subjugação do homem pelo homem. Que sua imagem mantenha acesa a chama da esperança de um dia podermos todos caminharmos de mãos dadas, sem problemas raciais, pelo alcance da união fraterna entre os povos.

"Ei, Zumbi! seu povo não esqueceu
a luta que você deixou para prosseguir.
Ei, Zumbi! os novos Quilombos,
com seus quilombolas, lutam pra resistir.
Ei, Zumbi, Zumbi Ganga, meu rei.
Você não morreu, você está em mim."

Fonte: www.jterra.com.br

Zumbi dos Palmares

Zumbi (Alagoas, 1655 — 20 de novembro de 1695) foi o último dos líderes do Quilombo dos Palmares.

A palavra Zumbi, ou Zambi, vem do africano quimbando "nzumbi", e significa, a grosso modo, "duende".

Histórico

O quilombo dos Palmares (localizado na atual região de União dos Palmares - AL) era uma comunidade auto-sustentável, um reino (ou república na visão de alguns) formado por escravos negros que haviam escapado das fazendas brasileiras. Ele ocupava uma área próxima ao tamanho de Portugal e situava-se onde era o interior da Bahia, hoje estado de Alagoas. Naquele momento sua população alcançava por volta de trinta mil pessoas.

Zumbi nasceu livre em Palmares no ano de 1655, mas foi capturado e entregue a um missionário português quando tinha aproximadamente seis anos. Batizado Francisco, Zumbi recebeu os sacramentos, aprendeu português e latim, e ajudava diariamente na celebração da missa. Apesar das tentativas de torná-lo "civilizado", Zumbi escapou em 1670 e, com quinze anos, retornou ao seu local de origem. Zumbi se tornou conhecido pela sua destreza e astúcia na luta e já era um estrategista militar respeitável quando chegou aos vinte e poucos anos.

Por volta de 1678, o governador da Capitania de Pernambuco cansado do longo conflito com o quilombo de Palmares, se aproximou do líder de Palmares, Ganga Zumba, com uma oferta de paz. Foi oferecida a liberdade para todos os escravos fugidos se o quilombo se submetesse à autoridade da Coroa Portuguesa; a proposta foi aceita. Mas Zumbi olhava os portugueses com desconfiança. Ele se recusou a aceitar a liberdade para as pessoas do quilombo enquanto outros negros eram escravizados. Ele rejeitou a proposta do governador e desafiou a liderança de Ganga Zumba. Prometendo continuar a resistência contra a opressão portuguesa, Zumbi torna-se o novo líder do quilombo de Palmares.

Quinze anos após Zumbi ter assumido a liderança, o bandeirante paulista Domingos Jorge Velho foi chamado para organizar a invasão do quilombo. Em 6 de fevereiro de 1694 a capital de Palmares, Macaco, é destruída e Zumbi foi ferido. Apesar dele ter sobrevivido, ele foi traído, capturado e morto, quase dois anos após a batalha, no dia 20 de novembro de 1695. Os portugueses transportaram a cabeça de Zumbi para Recife, onde ela foi exposta em praça pública, para mostrar que a lenda da imortalidade de Zumbi era irreal.

Zumbi é hoje, para a população brasileira, um símbolo de resistência. É também um dos nomes mais importantes da Capoeira.

Cronologia

Por volta de 1600: negros fugidos do trabalho escravo nos engenhos de açúcar, onde hoje são os estados de Pernambuco e Alagoas no Brasil, fundam na serra da Barriga o Quilombo dos Palmares. Os quilombos, eram povoados de resistência, seguiam os moldes organizacionais da república e recebiam escravos fugidos da opressão e tirania. Para muitos era a terra prometida, um lugar para fugir da escravidão. A população de Palmares em pouco tempo já contava com mais de 3 mil habitantes. As principais funções dos quilombos eram a subsistência e a proteção dos seus habitantes, e eram constantemente atacados por exércitos e milícias.

1630: Começam as invasões holandeses no nordeste brasileiro. O que desorganiza a produção açucareira e facilita as fugas dos escravos. Em 1644, houve uma grande tentativa holandesa de aniquilar com o quilombo de Palmares, que como nas investidas portuguesas anteriores, foi repelida pelas defesas dos quilombolas.

1654: Os portugueses expulsam os holandeses do nordeste brasileiro.

1655: Nasce Zumbi, num dos mocambos de Palmares, neto da princesa Aqualtune.

Por volta de 1662 (Data não confirmada): Criança ainda, Zumbi é aprisionado por soldados portugueses e levado a Porto Calvo, onde é "dado" ao padre jesuíta António Melo, este o batizou com o nome de Francisco, passou a ajudar nas missas e estudar português e latim.

1670: Zumbi aos 15 anos de idade foge e regressa a Palmares, neste mesmo ano de 1670, Ganga Zumba, filho da Princesa Aqualtune, tio de Zumbi, assume a chefia do quilombo, então com mais de 30 mil habitantes.

1675: Na luta contra os soldados portugueses comandados pelo Sargento-mor Manuel Lopes, Zumbi revela-se grande guerreiro e organizador militar. Neste ano, a tropa portuguesa comandada pelo Sargento-mor Manuel Lopes, depois de uma batalha sangrenta, ocupa um mocambo com mais de mil choupanas. Depois de uma retirada de cinco meses, os negros contra-atacam, entre eles Zumbi com apenas 20 anos de idade, e após um combate feroz, Manuel Lopes é obrigado a se retirar para Recife. Palmares se estendia então da margem esquerda do são Francisco até o Cabo de Santo Agostinho e tinha mais de 200 Kilometros de extenção, era uma república com uma rede de 11 mocambos, que se assemelhavam as cidades muradas medievais da europa, mas no lugar das pedras haviam paliçadas de madeira. O principal mocambo, o que foi fundado pelo primeiro grupo de escravos foragidos, ficava na Serra da Barriga e levava o nome de Cerca do Macaco. Duas ruas espaçosas com umas 1500 choupanas e uns 8 mil habitantes. Amaro, outro mocambo, tem 5 mil. E há outros, como Sucupira, Tabocas, Zumbi, Osenga, Acotirene, Danbrapanga, Sabalangá, Andalaquituche.

1678: A Pedro de Almeida, Governador da capitania de Pernambuco, mais interessava a submissão do que a destruição de Palmares, após inúmeros ataques com a destruição e incêndios de mocambos, eles eram reconstruídos, e passou a ser economicamente desinteressante, os habitantes dos mocambos faziam esteiras, vassouras, chapéus, cestos e leques com a palha das palmeiras. E extraiam óleo da noz de palma, as vestimentas eram feitas das cascas de algumas árvores, produziam manteiga de coco, plantavamm milho, mandioca, legumes, feijão e cana e comercializavam seus produtos com pequenas povoações vizinhas, de brancos e mestiços. Sendo assim o governador propôs ao chefe Ganga Zumba a paz e a alforria para todos os quilombolas de Palmares. Ganga Zumba aceita, mas Zumbi é contra, não admite que uns negros sejam libertos e outros continuem escravos. Além do mais eles tinham suas próprias Leis e Crenças e teriam que abrir mão de sua cultura.

1680: Zumbi assume o lugar de Ganga Zumba em Palmares e comanda a resistência contra as tropas portuguesas.

1694: Domingos Jorge Velho e Vieira de Mello comandam o ataque final contra a Cerca do Macaco, principal mocambo de Palmares e onde Zumbi nasceu, cercada com três paliçadas cada uma defendida por mais de 200 homens armados, após 94 anos de resistência, sucumbiu ao exército português, e embora ferido, Zumbi consegue fugir.

1695, 20 de Novembro: Zumbi foi traído e denunciado por um antigo companheiro, ele é localizado, preso e degolado aos 40 anos de idade. Zumbí ou "Eis o Espírito", virou uma lenda e foi amplamente citado pelos abolicionistas como herói e mártir.

Tributo

Atualmente, o dia 20 de novembro é celebrado, como dia da consciência negra, dia de orgulho nacional. O dia tem um significado especial para os negros brasileiros, que reverenciam Zumbi como o herói que lutou pela liberdade e como um símbolo de liberdade.

Fonte: pt.wikipedia.org