Em 20 de novembro é comemorado o Dia da Consciência Negra, data de aniversário da morte do líder dos escravos no século XVII, Zumbi dos Palmares.
Foi exatamente em 1695 que ele foi morto numa emboscada na Serra Dois Irmãos, em Pernambuco, após liderar uma resistência que culminou também com o início da destruição do quilombo Palmares.
Zumbi foi o grande líder do quilombo Palmares, considerado herói da resistência anti-escravagista. Estudos indicam que nasceu em 1655 no quilombo, sendo descendente de guerreiros angolanos.
Com poucos dias de vida, foi aprisionado pela expedição de Brás da Rocha Cardoso, sendo entregue depois a um padre, conhecido como Antônio Melo que o batizou com o nome de Francisco.
Aos 15 anos, ele foge da casa do padre e retorna a Palmares, onde muda o nome para Zumbi. Ficaria conhecido em 1673, quando a expedição de Jácome Bezerra foi desbaratada. Um ano antes de sua morte, caiu em um desfiladeiro após ser baleado num combate contra as tropas de Domingo Jorge Velho, que seria mais tarde acusado de matá-lo. Dado como morto, Zumbi reaparece em 1695, ano de sua morte.
Aos 40 anos, ele morre após lutar contra milícias organizadas por donos de terras durante dezessete anos. Durante mais uma incursão comandada por Domingos, Zumbi foi abatido no seu esconderijo descoberto depois da traição de um seus principais comandantes, Antônio Soares, que revelou onde o líder se encontrava.
Os quilombos, que na língua banto significam "povoação", funcionavam como núcleos habitacionais e comerciais, além de local de resistência à escravidão, já que abrigavam escravos fugidos de fazendas. No Brasil, o mais famoso deles foi Palmares.
Criado no final de 1590 a partir de um pequeno refúgio de escravos localizado na Serra da Barriga, em Alagoas, Palmares se fortificou, chegando a reunir quase 30 mil pessoas. Transformou-se num estado autônomo, resistiu aos ataques holandeses, luso-brasileiros e bandeirantes paulistas, e foi totalmente destruído em 1716.
Embora não existam mais quilombos por aqui, comunidades remanescentes se instalaram em vários estados do país. No total, 743 foram identificadas, mas só 29 foram tituladas oficialmente pelo governo.
Localizadas em São Paulo, Rio de Janeiro, Pará, Maranhão, Pernambuco, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Bahia, Sergipe, Goiás e Amapá, estas comunidades detém os Direitos Culturais Históricos, assegurados pelos artigos 215 e 216 da Constituição Federal que tratam das questões relativas à preservação dos valores culturais da população negra. Além disso, suas terras são consideradas Território Cultural Nacional.
Estima-se que 2 milhões de pessoas vivam nestas comunidades organizadas para garantir o direito à propriedade da terra. Segundo a Fundação Cultural Palmares, do governo federal, que confere às comunidades o direito ao título de posse da terra, os habitantes remanescentes dos quilombos preservam o meio ambiente e respeitam o local onde vivem. Mas sofrem constantes ameaças de expropriação e invasão das terras por inimigos que cobiçam as riquezas em recursos naturais, fertilidade do solo e qualidade da madeira.
Fonte: www.ibge.br
" Zumbi, comandante guerrreiro
Ogunhê, ferreiro-mor, capitão
Da capitania da minha cabeça
Mandai a alforria pro meu coração
(...) Brasil, meu Brasil brasileiro
Meu grande terreiro, meu berço nação
Zumbi protetor, guardião padroeiro
Mandai a alforria pro meu coração
A felicidade guerreira"
Waly Salomão e Gilberto Gil
A vida de Zumbi, o rei do quilombo dos Palmares, é pouco conhecida e envolta em mitos e discussões.
Descendente de guerreiros imbamgalas ou jagas, de Angola, Zumbi nasceu provalvelmente no início de 1655, numa das aldeias do quilombo de Palmares.
Aprisionado com poucos dias de vida, pelos soldados da expedição enviada a Palmares sob o comando de Brás da Rocha Cardoso, foi entregue ao padre português Antônio Melo, do distrito de Porto Calvo, Alagoas, que o criou e batizou dando-lhe o nome de Francisco.
O padre ensinou-lhe a ler e escrever português e latim. Aos dez anos tornou-o seu coroinha e o elogiava dizendo que o menino era dono de “um engenho jamais imaginado na sua raça e que bem poucas vezes encontrara em brancos”.
Quando tinha 15 anos, em 1670, Francisco fugiu da casa do padre e voltou para sua gente e suas origens no quilombo de Palmares, trocando seu nome cristão de Francisco pelo nome africano Zumbi.
Não se sabe com certeza o significado etimológico e histórcio do nome do rei de Palmares. Há na mitologia religiosa africana uma divindade suprema chamada Nzambi (Nyambi, Nyame), assim como existe também o termo Zombi (nzumbi) que em Angola significa defunto . Alguns cronistas também falam que significaria “deus da guerra “ ou até “morto-vivo”. Não existe, no entanto, uma comprovação definitiva sobre a origem da adoção do nome.
Zumbi teve pelo menos cinco filhos, mas não há registro histórico sufuciente para comprovar a tese tradicional que ele teria se casado com uma mulher branca de nome Maria.
O nome de Zumbi apareceu pela primeira vez em documentos portugueses, em 1673, quando uma expedição chefiada por Jácome Bezerra foi desbaratada.
Tornou-se um grande guerreiro e estrategista militar na luta para defender Palmares contra os soldados portugueses. Foi ferido com um tiro na perna, em 1676, em um combate contra as tropas de Manuel Lopes Galvão.
Em 1678, após o acordo de paz assinado por Ganga-Zumba, então o chefe dos Palmares, com o governo de Pernambuco, Zumbi rompeu com ele e foi aclamado como Grande Chefe pelos palmarinos que também não aceitaram o acordo.
Subordinou toda a vida do quilombo em função das exigências da guerra: deslocou povoações para locais mais remotos; incorporou e treinou para a luta todos os homens válidos ; aumentou os postos de vigilância e observação; reuniu armas e munições e reforçou as fortificações da aldeia do Macaco ou Cerco Real, o quartel-general do quilombo, tornou-a quase inexpugnável e decretou a lei marcial: quem tentasse deserdar seria morto.
Durante os anos de 1680 a 1691, Zumbi conseguiu derrotar todas as expedições enviadas contra o quilombo dos Palmares.
Em 1692, a aldeia do Macaco foi atacada por Domingos Jorge Velho que teve suas tropas arrasadas. O quilombo ficou sitiado, mas só capitulou no dia 6 de fevereiro de 1694, quando o exército português, bastante reforçado, conseguiu invadir o local derrotando os quilombolas.
Baleado, Zumbi caiu num desfiladeiro, o que deu origem ao boato que o herói tinha se suicidado para evitar a reescravização. Entretanto, ele conseguiu escapar e, em 1695, voltou a aparecer, atacando algumas povoações em Pernambuco, provando que não havia morrido.
Só foi capturado, no entanto, no dia 20 de novembro de 1695. Traído por um dos seus principais comandantes, Antônio Soares, que revelou o esconderijo de Zumbi em troca da liberdade, foi morto, esquartejado e teve a sua cabeça exposta em praça pública na cidade de Olinda.
Atualmente, no dia 20 de novembro, é comemorado no Brasil o dia da Consciência Negra.
Fonte: www.fundaj.gov.br