Nascido em Palmares, coube a Zumbi liderar a gente do quilombo num momento decisivo da luta contra os escravistas, empenhados em sufocar a semente da liberdade que teimava por crescer no solo brasileiro.

A história daquele que seria o Zumbi começa quando Brás da Rocha ataca Palmares, no ano de 1655, levando um recém-nascido, entre os adultos capturados, a criança foi entregue ao chefe da coluna atacante, que por sua vez resolveu fazer um presente ao padre Melo cura de Porto Calvo que decidiu chamá-lo Francisco, Padre Melo achava Francisco inteligentíssimo por este motivo resolveu desasná-lo em português, latim e religião. Talvez olhasse com orgulho o moleque passar com o turíbulo. Numa noite em 1670, ao completar quinze anos, Francisco fugiu em busca da liberdade deixando a liberdade e o conforto de Padre Mela para voltar a Palmares como Zumbi, onde foi livremente constituída sua família - pai, irmãos, tias e tios, e dentre os seus parentes o principal se chamava Ganga Zumba, mais tarde, aos vinte e três anos rejeitou a paz firmada por Ganga Zumba com os escravistas, paz que garantia sua liberdade, aos vinte e cinco anos continuava em Palmares para liderar sua gente no quilombo num momento decisivo da luta contra os escravistas, empenhados em sufocar a semente da liberdade que teimava por crescer no solo brasileiro.
Independente do mito o quilombo de Palmares representou uma estrutura alternativa à sociedade colonial, aonde os negros viviam da agricultura, por sinal, mais avançada que a da colônia num mundo escravocrata que só conhecia a produção de açúcar.
Pois em Palmares plantavam-se milho, mandioca, feijão, cana, legumes, batatas, frutas. Palmares tinha leis que regulamentavam a vida das pessoas, sendo que algumas inclusive eram bastante rígido onde roubo, adultério, deserção ou homicídio era punido com a morte, as funções sociais estavam definidas, a autoridade era reconhecida por todos, as decisões mais importantes eram tomadas em assembléias da qual participavam todos os habitantes adultos.

Mais do que isso, Palmares não era apenas uma cidade, chegou a ser uma rede de cidades e na metade do século XVII contava onze povoados que tinha a sua capital no quilombo do Macaco, na Serra da Barriga, Depois, havia Amaro com uma estrutura bastante organizada, Subupira e, ainda, Zumbi, Tabocas, Acotirene, Danbrapanga, Sabalangá, Andalaquituche. Em Pernambuco falava-se, sobretudo, de Palmares porém ninguém sabia certo onde ficava, era lá nas montanhas, na parte superior do rio São Francisco, mata fechada, inacessível, diziam que precisava dias e mais dias para se chegar até esse lugar, mas ninguém duvidava de que Palmares existisse de verdade, não eram só histórias, Palmares havia surgido no final do século XVI, quando os primeiros negros ali se refugiaram, desde então, o mito de Palmares não havia feito outra coisa senão crescer e crescer, era a meta dos que buscavam liberdade, negros, índios e inclusive brancos.
Sendo as terras pernambucanas as mais prósperas das novas colônias portuguesas, fazia poucas décadas que os portugueses tinham pisado ali, mas a Capitania de Pernambuco já era politicamente relevante havia sessenta e seis grandes engenhos na região e, no litoral, toda uma estrutura de suporte, criada para permitir o escoamento dos produtos, o trabalho frenético dos engenhos se refletia na cidade do Recife, cada dia mais estruturada e organizada, enquanto isto o mesmo não ocorria no sul do país, aonde os poucos europeus ali chegados ainda lutavam para conquistar a terra e se instalar de forma definitiva, eram desbravadores, fundamentalmente. Aliás, sua fama de conquistadores tinha ultrapassado as fronteiras da região, em todo o país se dizia que os paulistas eram homens valentes e grandes lutadores e devido a esta reputação guerreira foi que na segunda metade do século XVII levou o governador de Pernambuco a procurar o bandeirante Domingos Jorge Velho, chefe de um bando paulista em ação no interior brasileiro no comandando um pequeno exército de dois mil homens, armados de arcos, flechas e espingardas sem escrúpulos na caça aos índios.
Nos engenhos e senzalas, Palmares era sinônimo de Terra Prometida, e Zumbi, considerado imortal, era visto como seu guardião fiel e valente, e para destruir o quilombo o poder colonial organizou dezesseis expedições oficiais onde quinze fracassaram.
As montanhas pareciam intransponíveis, e o que as montanhas não faziam ficava por conta dos negros e de suas estratégias militares. O exército de Palmares era competente, embora carente de armas e munições e tinha estabelecido seu quartel-general em Subupira, um povoado de oitocentas casas, todas elas cercadas de madeira, pedras e armadilhas e para chegar até Subupira era muito difícil pois era preciso superar os obstáculos e entrar na fortaleza, quase impossível. Domingos Jorge Velho, comandante do exército colonial, nunca tinha visto nada parecido em toda sua vida. Custava a crer que fosse obra de negros entre o verde do mato e o azul puríssimo do céu numa extensão semicircular de cinco quilômetros e meio se erguia a escura muralha de troncos e pedras e tinha redentes, guaritas, quebrava em diversos lugares, abria torneiras para atiradores a cada dois metros.
E no momento em que Domingos Jorge Velho ordenou que seus batedores se aproximassem dos fossos que circundavam a fortificação eles foram duramente atacados

Então um dos subcomandantes lhe deu, então, a idéia de construir contracercas de proteção, enquanto traçavam o plano final de ataque, e para isto foram erguidas de troncos de árvores rapidamente. E na manha do dia 23 de janeiro, somente um capitão, com cinqüenta homens, conseguiu sob uma chuva de flechas e balas encostar-se à muralha palmarina atacando-a com machados, enquanto isto os quilombolas, lá do alto, lhes abriam as cabeças com pedregulhos enormes, pescando os sobreviventes a gancho, pelas costas.
Fracassado o assalto, Domingos Jorge Velho temeu pela própria segurança do seu acampamento, e por isto mandou buscar na cidade de Recife um reforço de duzentos homens e seis canhões que se tornaram inútil, mesmo sob proteção das contracercas devido à distância à demasiada para o alcance dos canhões. E na noite de 5 de fevereiro, a raiva de Domingos Jorge Velho cedeu vez à inteligência e para isto chamou os subcomandantes e traçou a única saída e imediatamente ordenou que começassem, em silêncio, a construção desta nova contracercas, oblíqua à muralha palmarina que deveria ser erguida até encostar no grande precipício esquerda do Macaco de maneira tão rápida que tivesse pronta a clarear do dia seguinte.
Quando, no meio da noite, Zumbi de Palmares descobriu o ardil de Domingos Jorge Velho, sua primeira providência foi executar a sentinela que não dera o alarme, e no desespero de uma guerra total.
Zumbi de Palmares estava mais uma vez encurralado e com uma única chance de escapar e para isto Zumbi juntou os comandantes e oficiais e confessou o fracasso do plano que urdira, ao atrair o exército colonial em peso para uma grande batalha às portas da capital e massacrá-lo e se caso perdesse os sobreviventes poderiam recomeçar a vida em outro lugar onde eles seriam o novo Palmares.
Se vencessem, o governo colonial ficaria de tal forma fraco e desmoralizado que aceitaria Palmares como nação soberana. Na beira do abismo, do lado ocidental da fortificação, restava uma passagem que o inimigo não tivera tempo de fechar e por ali sairiam os guerreiros - rápidos e mudos para serem recompostos em algum ponto de onde recomeçariam as guerras. E no momento em que passaram os últimos guerreiros aconteceu que algumas pedras rolaram e um mameluco abriu fogo sobre eles, e sem saberem se combatiam ou escapavam, os guerreiros palmarinos se entrecochavam em pânico, e perto de duas centenas de negros despencaram pela cratera sem fundo.
Porém Domingos Jorge Velho não quis persegui-los pois a melhor caça estava dentro do quilombo e para isto ele mandou os canhões cuspirem fogo contra a cidadela, onde Zumbi e seus guerreiros lutaram como nunca o último momento contra os canhões de Domingos Jorge Velho, e pelos escombros da formidável parede, a multidão de índios, mamelucos e soldados finalmente penetraram em Palmares em uma fúria que não deixou nada de pé ou inteiro em Palmares quando seus soldados massacraram mulheres e crianças sem um pingo de compaixão.
Zumbi vendo a batalha perdida, fugiu para tentar construir um novo Palmares, mas um ano mais tarde, foi traído, vindo a ser morto nas brenhas da Serra Dois Irmãos por volta de cinco horas da manhã de 20 de novembro de 1695

Seu corpo foi esquartejado, sua cabeça ficou exposta em uma praça em Recife para servir de exemplo para aqueles que quisessem resistir a escravidão, morreu, mas não se entregou ao cativeiro, que apesar de toda a violência e da selvageria dos prepostos do sistema colonial, não conseguiu derrotar o símbolo do heroísmo do povo brasileiro, da resistência à dominação, Zumbi dos Palmares é referência legada tanto às gerações africanas trazidas ao Brasil quanto aos seus descendentes afro-brasileiros, mestre na luta pela liberdade, seu vulto se confunde com o caminho para a consciência do povo brasileiro, de forma exemplar, Zumbi encarna os horrores do escravismo.
E este é, para sempre, um cadáver insepulto, um morto vivo. Sua lembrança sobreviverá aos tempos que nos obrigam a sonhar, à historiografia oficial que insiste em ignorar sua real importância. Permanecerá como símbolo das atrocidades infindáveis do poder ilimitado, arbitrário, prepotente. Ficará, acima de tudo, como exemplo a todos que resistem à opressão e lutam por liberdade e justiça.
Fonte: www.segal1945.hpg.ig.com.br
Líder negro brasileiro. Batizado com o nome de Francisco, foi educado por um padre. Decidiu morar no quilombo de Palmares. Os quilombos eram comunidades de negros fugidos da escravidão. Neles os moradores, muitos deles nascidos na África, procuravam recriar seus modos tradicionais de vida. Moravam também neles indígenas, mestiços e brancos pobres.
Palmares foi o maior quilombo de que se tem registro na história brasileira; começou a ser formado por volta de 1630, na atual Alagoas, então pertencente à Capitania de Pernambuco, e resistiu a diversos ataques até 1694. Funcionava como uma república, em que seus líderes assumiam o comando segundo suas qualidades de liderança. Zumbi o comandou em sua fase final, após desentender-se com seu tio Ganga Zumba.
O governo português, temeroso do crescente poder da república palmarina, fez um acordo no qual este se comprometia a não aceitar mais a entrada de novos negros fugitivos, em troca de anistia e gratificação com terras. Ganga Zumba foi assassinado, possivelmente por ordem de Zumbi. A Capitania de Pernambuco, então, contratou o bandeirante paulista Domingos Jorge Velho para destruir o quilombo. Na verdade Palmares era formado por dezenas de quilombos em torno do Morro do Macaco, o que dificultava sua conquista. Domingos Jorge Velho, apoiado por grande contingente de homens, conseguiu isolá-lo, deixando os quilombolas (como eram chamados os moradores de quilombos) sem mantimento e munição.
À capitulação de Palmares seguiu o enorme massacre de sua população, mas Zumbi conseguiu fugir e esconder-se por mais de um ano até um de seus companheiros, sob tortura, delatá-lo. Em 20 de novembro de 1695, Zumbi, enquanto resistia à captura, ter-se-ia precipitado (ou sido precipitado) de uma encosta, sendo encontrado ainda vivo por seus perseguidores. Foi, então, degolado. Em homenagem a ele, o dia 20 de novembro passou a ser chamado, no séc. XX, de Dia da Consciência Negra e uma grande campanha tem sido feita para tornar essa data feriado nacional. Durante a presidência de Fernando Henrique Cardoso, Zumbi foi oficialmente reconhecido como herói nacional.
Fonte: www.geocities.com