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Eslovênia

História da Eslovênia

Até 1335: território disputado

Achados arqueológicos provam que existe vida no território que hoje constitui a Eslovénia desde há 250 000 anos atrás. Entre esses achados encontra-se aquele que é considerado o mais antigo instrumento musical do mundo, uma flauta que terá cerca de 50.000 anos, feita do fémur de um urso. Os povos que viveram no território até aos séculos IV, III a.C., cuja etnia não foi identificada, deixaram um rico património historico-arqueológico na região, desde fortificações da Idade do Bronze e do Ferro até aos mais variados objectos, sobretudo armas.

Nos séculos IV e III a.C. chegaram os Celtas, que criaram um estado chamado Noricum. Alguns nomes de cidades (como Bohinj, por exemplo) e rios (como Sava e Drava, os principais rios da Eslovénia) datam dessa altura. No século I a.C. Noricum foi anexado pelo Império Romano e surgiram cidades romanas na Eslovénia, das quais as principais eram Emona (Ljubljana), Celeia (Celje) e Poetovia (Ptuj). Quando, no século V d.C., se deu a divisão do Império Romano, o território étnico Esloveno ficou, juntamente com o Croata, no Império Romano do Ocidente.

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Ainda no século V o território que hoje é a Eslovénia foi invadido pelos Hunos e pelos Germânicos. No entanto, estes permaneceram lá por pouco tempo, tendo no século VI chegado os Eslavos, povo de quem os Eslovenos descendem na realidade. Os Eslavos formaram o primeiro estado Eslavo e que seria o berço da nação Eslovena: o ducado de Carantania, na zona onde actualmente se situa a Carinthia.

Em meados do século VIII o ducado passou a pertencer à Bavária que, ainda nesse século, em 788, foi conquistada por Carlos Magno (rei dos Francos). O ducado de Carantania passou assim a estar sob o jugo dos Francos, que introduziram o feudalismo, difundiram o Cristianismo e substituíram os príncipes do ducado de Carantania por Francos.

Aquando da divisão do Império Franco pelo Tratado de Verdun, em 843, o território passou a ser controlado pelos duques da Bavária. Nessa altura, um príncipe Eslavo, de seu nome Pribina, recebeu o território sob a forma de um feudo concedido pelos Francos e mais tarde, em 869, o seu sucessor, o príncipe Koceli, estabeleceu um estado independente, que no entanto só durou 5 anos. Em 907 foi a vez dos Magiares invadirem o território, mas foram vencidos cerca de meio século depois, tendo-se então estabelecido na zona da actual Hungria.

Datam desta altura (século X) os manuscritos de Freising (Brizinski spomeniki), que são não só os mais antigos escritos em língua Eslovena mas também os mais antigos manuscritos Eslavos. "Freising" é o nome do local onde foram encontrados, uma zona da Bavária, na actual Alemanha. Nos manuscritos, que agora estão no arquivo de Munique, estão escritas orações no alfabeto latino.

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A partir desta altura, os Eslovenos desenvolveram-se sob a forma de quatro províncias sob colonização Germânica: Styria (Stajerska), Carinthia (Koroska), Carniola (Kranj), e Gorizia (Goriska).

1335-1809: o Império dos Habsburgo

Em 1335 a maior parte desse território passou a pertencer ao Império dos Habsburgo. Os condes de Celje mantiveram-se como senhores do seu feudo, mas com o falecimento do último membro desta importante dinastia feudal em 1456, o seu território passou também para as mãos dos Habsburgo. Antes disso, em 1348, o território foi assolado por um grande terramoto.

O século XV foi marcado pelas sangrentas incursões turcas pelo território da actual Eslovénia (tribos turcas estavam estabelecidas no território que hoje constitui a Bósnia e a Sérvia) e, bem como por toda a Europa, por rebeliões de camponeses que duraram até ao século XVII. A maior delas ocorreu em 1515 (quatro anos depois de outro devastador terramoto), quando camponeses de todo o território se manifestaram simultaneamente, tendo depois vindo a manifestar-se também em conjunto com os camponeses croatas.

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Vivia-se neste complicado cenário quando o Movimento Protestante, surgido na Alemanha, chegou à Eslovénia no século XVI. O seu líder, Primoz Trubar, escreveu os dois primeiros livros em língua Eslovena, "Katekizem" e "Abecednik", no ano de 1551. Também nessa altura, Juri Dalmatin traduziu a Bíblia para Esloveno e Adam Bohoric escreveu a primeira gramática da língua Eslovena. Foram ainda lançados muitos outros livros, o que contribuiu decisivamente para a manutenção da língua e identidade Eslovenas. No entanto, no final do século XVI e início do século XVII veio a contra-reforma: muitos livros foram queimados e os Protestantes foram forçados a converter-se ao Cristianismo ou abandonar o país. Foi o que aconteceu, tendo centenas de famílias aristocratas abandonado o território da Eslovénia.

No final do século XVII os Turcos retiraram-se da Bósnia e da Sérvia, pelo que cessou a necessidade do povo da actual Eslovénia se defender das suas investidas.

O século XVIII foi uma época próspera na região. O comércio dava alguns frutos e em 1717 o Adriático foi aberto navegação. Com a subida de Maria Teresa ao poder houve grandes mudanças a nível económico, social e cultural: construíram-se estradas; Trieste passou a ser o porto mais importante do Norte do Adriático, passando também a ser a maior cidade da Eslovénia e a absorver o excesso de mão-de-obra nos campos; o ensino foi organizado em escolas primárias e secundárias; e a língua Alemã foi instituída como língua oficial. Esta última alteração veio despertar a consciência nacionalista dos Eslovenos, manifestada sobretudo na obra de Anton Tomaz Linhart, que estudou a etnia Eslovena e estabeleceu que o povo dessa etnia se encontrava entre o Drava e o Adriático. Além disso, a prosperidade económica levou ao surgimento de uma classe média-alta cujos jovens estudavam em grandes centros como Viena e Paris e voltavam com conhecimentos sobre as ideias Iluministas e sobre a sua história e identidade Eslava. No final do século XVIII o padre Valentin Vodnik, um excelente poeta que escreveu em Esloveno, fundou o primeiro jornal Esloveno.

1809-1914: as Províncias Ilíricas, o Eslovénia Unificada e o Império Austro-Húngaro

Em 1809 as tropas Napoleónicas invadiram o território Esloveno. A quase totalidade daquilo que é hoje a Eslovénia foi integrada, juntamente com parte da Croácia, Bósnia-Herzegovina, Sérvia e Montenegro, naquilo a que Napoleão chamou "Províncias Ilíricas", das quais Ljubljana era a capital. Os franceses chegaram a impor as suas próprias leis (uma das quais implicava o ensino da língua Eslovena nas escolas), mas como estabeleceram impostos de valor elevado a resistência por parte do povo foi massiva. Em 1813 os franceses retiraram-se da região, pelo que o território que hoje é a Eslovénia voltou a pertencer ao imperio dos Habsburgo.

Pode dizer-se que a verdadeira luta da Eslovénia pela independência começa por esta altura. Um grupo de intelectuais, entre os quais France Preseren, tinha uma forte consciência nacionalista, lutou pela nação Eslovena e - e nisto Preseren teve o papel central - pela língua Eslovena. Essa luta atingiu o seu ponto mais significativo em Março de 1848, quando foi lançado o primeiro programa político Esloveno. O seu nome era "Zedinjena Slovenija" ("Eslovénia Unificada") e pretendia unir todos os Eslovenos num só estado, chamado Eslovénia, no qual se falaria a língua Eslovena e o qual seria uma província autónoma do Império dos Habsburgo. No mesmo ano foi ainda abolido o feudalismo.

Em 1867 o imperador Francisco José concedeu autonomia à Hungria, e o Império passou a ser chamado de Austro-Húngaro. Com a ocupação da Bósnia em 1878 e a sua anexação em 1908, cresceram as esperanças Eslavas na instituição de uma monarquia tripartida (Austríacos-Húngaros-Eslavos), o que não veio a acontecer. No final do século XIX a grande maioria da população ainda vivia da agricultura, que estava em crise, e a transformação do ferro, que era igualmente uma actividade económica muito importante no território, também não estava nos seus melhores dias, o que levou muitos Eslovenos a procurar uma vida melhor na Europa Ocidental ou até, como fez a maioria, nos Estados Unidos da América. Foi também por esta altura que se formaram três partidos na Eslovénia: o Conservador, o Liberal e o Social Democrata, que era o mais fraco dos três.

1914-1918: a Primeira Guerra Mundial

No início do século XX existiam na Sérvia sociedades secretas e grupos nacionalistas defensores do pan-Eslavismo, ou seja, a união de todos os Eslavos, apoiados pela Rússia que via nessa ideia uma esperança de conseguir acesso ao mar Adriático. A 28 de Junho de 1914 o arquiduque Austro-Húngaro Francisco Fernando (herdeiro do trono) e a sua esposa Sofia viajaram em visita oficial a Sarajevo, capital da Bósnia, localizada perto da fronteira com a Sérvia. Apesar de terem sido aconselhados pelo governo Sérvio a cancelar a visita, até porque se tratava de um dia importante na história da Sérvia, o dia de S. Vito, os arquiduques da Casa de Habsburgo não o fizeram.

Um jovem estudante Bósnio chamado Gavrilo Princip, tinha sido, em conjunto com outros três jovens Bósnios e mais quatro que se juntaram posteriormente a eles, recrutado por uma organização secreta Sérvia chamada "Unidade ou Morte", também conhecida como "Mão Negra", e treinado em Belgrado para assassinar o arquiduque. A 28 de Junho de 1914, Princip atirou sobre Francisco Fernando e sua esposa, atingindo cada um deles com um tiro fatal.

O Império Austro-Húngaro ordenou então à Sérvia que perseguisse as sociedades secretas, fechasse jornais e despedisse oficiais que tivessem ligações a terroristas. A Sérvia não o fez, e a 1 de Agosto a Áustria declarou guerra à Sérvia.

Foi o pretexto de que a Europa precisava para entrar numa guerra que há muito se previa, dado o clima tenso que existia entre as potências por variadas razões. As declarações de guerra sucederam-se a um ritmo alucinante. A Rússia declarou guerra ao Império Austro-Húngaro em defesa da Sérvia e a Alemanha assumiu-se como estando do lado da Áustria e declarou guerra à Rússia. A França mobilizou-se contra a Alemanha, que declarou guerra à França anunciando que entraria no país através da Bélgica. A violação da neutralidade Belga levou o Reino Unido a declarar guerra à Alemanha. Em menos de uma semana a Europa estava em guerra. A Itália juntou-se Alemanha e à Austria-Hungria formando a Tríplice Aliança, enquanto França, Reino Unido e Rússia formavam a Tríplice Entente. Pouco a pouco, muitos outros países se foram juntando a um e outro lado. Portugal colocou-se ao lado da Tríplice Entente em 1915, ano em que a Itália mudou de lado (devido a um acordo secreto com a Inglaterra, que prometeu que a Itália receberia parte das terras da Áustria se vencessem a guerra) e dois anos depois os Estados Unidos juntaram-se também à França, Reino Unido e Rússia, factor que viria a ser decisivo no desenlace da guerra.

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A Eslovénia sofreu imenso com a primeira guerra mundial, sobretudo desde que a Itália atacou a Áustria em 1915. Como uma grande parte da fronteira entre o Império e a Itália era na parte Eslovena, foi nesse local que, durante dois anos, se travaram as mais sangrentas batalhas entre Italianos e Austro-Húngaros. Das doze batalhas travadas nas margens do rio Soca ao longo de 90km, onze foram iniciadas pelo exército Italiano e a última, em Outubro de 1917, foi uma iniciativa conjunta de Áustro-Húngaros e Alemães, e foi fatal para os Italianos. Essa batalha é chamada "o milagre de Kobarid".

A frente do Soca (mais conhecida como "frente do Isonzo", nome dado pelos italianos ao rio Soca) foi uma das mais sangrentas da guerra, e também uma das mais duras, já que se travou em montanhas e vales onde o Inverno é rigorosíssimo e a neve acumulada sobre o solo atinge metros de altura. E a prova mais significativa de que a guerra não faz qualquer sentido e que, ainda que possam não ser civis, quem morre e fica ferido são sempre inocentes, é que, como uma parte do território etnicamente Esloveno estava incluída no território Italiano, soldados Eslovenos alinharam pelos dois exércitos e lutaram uns contra os outros.

1918-1929: o pós-guerra e o Reino dos Sérvios, Croatas e Eslovenos

Em 1918 o conflito terminava com a vitória da Tríplice Entente. Assiste-se então à queda do Império Austro-Húngaro e à formação de vários países no espaço que era dominado pelos Habsburgo, como a Hungria, Polónia e Checoslováquia. Também os pan-Eslavistas conseguiram finalmente unir todos os Eslavos do Sul num Estado único e soberano, o Reino dos Sérvios, Croatas e Eslovenos, que incluía ainda a Bósnia-Herzegovina, a Macedónia, o Montenegro e as províncias de Vojvodina e Kosovo.

No entanto, os limites do reino não foram estabelecidos de acordo com as fronteiras étnicas, mas com os interesses políticos das potências Europeias. Um claro exemplo dessa situação é Trieste e outras cidades da costa Adriática que pertenciam à Eslovénia e à Croácia mas que passaram a pertencer à Itália por vontade do Reino Unido, que havia prometido terras do Império Austro-Húngaro aos Italianos para que estes mudassem de lado em 1915. Aliás, alegando que nunca receberam tudo o que lhes fora prometido no secreto acordo de Londres, o exército Italiano ia levando a cabo incursões pelo território Esloveno. Este assunto ficou resolvido em 1920 com a assinatura do Tratado de Rapallo, que prejudicou os Eslovenos ao ceder cerca de um terço do seu território a Itália. A Norte, era a Áustria que reivindicava a província de Stajerska, mas o Major Rudolf Maister, um ex-oficial do exército Austro-Húngaro, tornou-se um herói nacional ao resolver esta contenda a favor dos Eslovenos. Mas os conflitos com os países vizinhos devido às fronteiras artificiais do Reino dos Sérvios, Croatas e Eslovenos não se ficavam por aqui, com Búlgaros, Gregos e Húngaros a reclamarem também para si parte do território do reino.

Este novo estado incluía seis nações (Sérvios, Croatas, Eslovenos, Macedónios, Montenegrinos e Muçulmanos), três religiões (católicos, ortodoxos e muçulmanos), três línguas (Esloveno, Macedónio e Servo-croata) e até dois alfabetos (cirílico e latino). Apesar de serem todos Eslavos do Sul, estes povos haviam tido percursos históricos muito diferentes, que criaram disparidades que era impossível ignorar.

Por esta razão a criação do Reino dos Sérvios, Croatas e Eslovenos nunca foi totalmente pacífica, havendo oposição por parte de movimentos independentistas e até pró-austríacos em várias das nações que faziam parte do novo país. Além de tudo isto, havia ainda uma acesa discussão sobre o seu formato: enquanto a maioria defendia que deveria ser um estado federal, os Sérvios defendiam o centralismo. Foi a vontade Sérvia que prevaleceu, passando o novo estado a ter como governantes os reis da dinastia de Karadjordjevic da Sérvia. Os outros povos do reino opuseram-se fortemente a este excesso de poder atribuído à Sérvia.

1929-1945: a Jugoslávia e a Segunda Guerra Mundial

Os factores acima referidos eram causadores de uma instabilidade que se tornou insuportável, sobretudo quando o terrorismo se intensificou e vários dirigentes do Estado foram assassinados. Esta situação levou a que, em 1929, o rei Alexandre dispensasse o parlamento e instituísse um regime ditatorial. A medida acarretou ainda uma mudança organizacional, passando o reino a estar dividido em nove regiões administrativas a que se chamou Banovinas - os Eslovenos viviam na "Dravska banovina" - e uma mudança de nome: o reino passou a chamar-se Jugoslávia - terra dos Eslavos do Sul, nome que realçava a sua característica comum numa tentativa de unificar o povo. A ditadura militar terminou oficialmente em 1931.

Na procura de apoio internacional o rei Alexandre intensificou as relações com a Pequena Entente (grupo formado em 1920/21 pelo Reino dos Sérvios, Croatas e Eslovenos, Checoslováquia e Roménia) e com a França. E foi exactamente numa visita oficial a França em 1934 que o rei foi assassinado por extremistas croatas, juntamente com o Ministro Francês dos Negócios Estrangeiros. O seu filho Pedro II ainda só tinha 11 anos, pelo que quem assumiu o papel de regente foi o seu primo Paulo, que se manteve no poder até 1941, ano em que assinou um tratado com as potências do Eixo, o que desagradou o povo que derrubou o seu governo e proclamou Pedro II, na altura já com 18 anos, como seu rei.

Nesse mesmo ano a Segunda Guerra Mundial chegou à Jugoslávia, com a invasão das tropas Alemãs e Italianas ao território, e Pedro II não teve opção senão capitular. O seu território foi dividido entre os invasores cabendo ainda uma parte Bulgária e à Hungria. Na Croácia, os Ustachi (o mais importante grupo extremista), que tinham ideologia de extrema-direita, receberam o apoio dos seus aliados Alemães e Italianos e proclamaram a independência. Instituíram uma ditadura militar cujas formas de censura incluíam campos de concentração onde milhares de Sérvios, Judeus, Muçulmanos, Ciganos e até Croatas que se opunham ao seu regime foram eliminados.

O rei Pedro II exilou-se em Londres e constituiu um governo no exílio. Na Eslovénia a Germanização era cada vez mais intensa, e formou-se a Frente de Libertação (Osvobodilna fronta) do Povo Esloveno para lutar contra essa situação. Nos outros países da Jugoslávia, eram dois os movimentos de resistência à ocupação que mais se notabilizavam: os Chetniks de Mihajlovic e um grupo de comunistas, os Partisans, liderados por Jozip Broz (que mais tarde passaria a ser conhecido pelo apelido "Tito"). Apesar do desejo de organização de uma frente de resistência comum, os dois movimentos nunca se entenderam, já que o grupo de Mihajlovic era constituído exclusivamente por sérvios, apoiado pelo governo exilado e pretendia restaurar o domínio Sérvio, enquanto os Partisans, cujos membros eram naturais de diversas partes do país, falavam numa Jugoslávia federativa, o que agradava aos não-Sérvios. O movimento de Tito obteve muito mais êxito que o de Mihajlovic, e a certa altura passou a incluir também não-comunistas, todos unidos por um objectivo comum: a libertação da Jugoslávia. Os Partisans, que tiveram desde o início o apoio da URSS, passaram depois a ser apoiados também pelo Reino Unido e pelos EUA, que os consideravam aliados.

1945-1990: o governo de Tito e a Jugoslávia pós-Tito

Com o final da guerra e a vitória dos Aliados em 1945, venceram também os Partisans, e Tito foi nomeado primeiro-ministro pelo rei Pedro II. Após eleições no mesmo ano em que a oposição não apresentou candidato e que os comunistas venceram (e que, é importante realçar, foi a primeira eleição em que as mulheres puderam votar), foi proclamada a República Federal Popular da Jugoslávia (o nome oficial da Eslovénia passou a ser República Popular da Eslovénia). Inicia-se assim a ditadura de Tito, que começou por exercer a sua censura sobre Mihajlovic, que foi preso e condenado à morte por traição à pátria, sobre os não-comunistas que deixaram o movimento, que foram presos, e sobre muitos oponentes a quem foi retirada a cidadania (ainda antes das eleições) para que não pudessem votar.

Tito organizou uma economia socialista, e em 1947 já toda a propriedade privada havia sido nacionalizada. Nesse mesmo ano o tratado de paz no qual os Aliados impunham determinadas condições aos vencidos da guerra devolveu à Jugoslávia, ou melhor, à Eslovénia e à Croácia, o território que tinham perdido para Itália no final da primeira guerra.

O comunismo de Tito era diferente do comunismo soviético, e por esta altura a Jugoslávia começou a aproximar-se politicamente do Ocidente, tendo em 1953 sido feita uma alteração à Constituição que marcou a ruptura com os países comunistas, o que não foi visto com bons olhos pelos dirigentes da URSS. Estaline acusou Tito de estar a desviar-se dos ideais do Marxismo-Leninismo e a Jugoslávia foi expulsa da Kominform (união de partidos comunistas de diversos países).

Em 1956 Tito passou a ser um dos fundadores do Bloco dos Não-Alinhados. Nessa altura não se vivia tão bem na Jugoslávia como nos países ocidentais, mas o país era bem mais desenvolvido e o nível de vida era bastante superior a qualquer outro país de leste. O "comunismo nacional" de Tito dava os seus frutos. No entanto, a censura e a perseguição de intelectuais da oposição continuava.

A Eslovénia era a república mais próspera da Jugoslávia, tendo muitas vezes sustentado regiões mais pobres. A sua produção era 2,5 vezes maior que a média nacional, o que veio aumentar o nacionalismo dos Eslovenos.

Em 1963 a federação passou a chamar-se República Federal Socialista da Jugoslávia (e a Eslovénia passou a chamar-se "República Socialista da Eslovénia"), e a partir de 1971 a presidência passou a ser rotativa, de modo a que todas as repúblicas pudessem presidir ao país. Tito morreu em 1980, e a Jugoslávia continuou a ser presidida por dirigentes de cada uma das repúblicas, rotativamente, até ao fim da década de oitenta, década essa que assistiu ao aumento cada vez mais significativo do nacionalismo dos povos que constituíam a federação Jugoslava. Na Eslovénia esse nacionalismo manifestava-se sobretudo em revistas como Tribuna, Mladina, Problemi e Nova revija, tendo sido no famoso número 57 desta última que, em 1987, um grupo de intelectuais expressou de forma clara o seu desejo de independência.

A instabilidade fazia-se sentir por toda a Jugoslávia, sobretudo porque em 1989 Slobodan Milosevic havia sido eleito presidente da Sérvia agitando a bandeira do nacionalismo e, na pretensão de unir num só estado - a "Grande Sérvia" - todos os Sérvios, retirou a autonomia concedida por Tito ao Kosovo e a Vojvodina e respondeu com violência aos protestos dos albaneses do Kosovo perante esta medida.

Desde 1990: a recta final da luta e a Eslovénia independente

Em 1990, ano de eleições - livres, pela primeira vez - na Jugoslávia, todas as repúblicas excepto a Sérvia e o Montenegro elegeram presidentes não-comunistas. Na Eslovénia foi Milan Kucan, o candidato da DEMOS (uma coligação de partidos de centro-direita) que subiu ao poder.

A 23 de Dezembro do mesmo ano foi realizado um referendo no qual mais de 88% dos Eslovenos afirmaram querer a independência e três dias depois os resultados foram divulgados. É nessa data, 26 de Dezembro, que os Eslovenos celebram o Dia da Independência.

Já nada justificava a permanência na Jugoslávia; passados seis meses, no dia 25 de Junho de 1991, a Eslovénia declarava independência. À declaração seguiram-se dez dias de guerra (de 27 de Junho a 7 de Julho) que a Eslovénia venceu, passando assim a ser o primeiro estado independente dentre as repúblicas da ex-Jugoslávia. Apenas a 25 de Outubro o último soldado Jugoslavo abandonou a Eslovénia, mas entretanto o novo país já tinha estabelecido a unidade monetária e colocado postos de controle nas fronteiras. A 23 de Dezembro, ainda de 1991, foi aprovada a primeira Constituição.

Eslovênia

O reconhecimento internacional da independência Eslovena não se fez esperar. Em Janeiro de 1992 a União Europeia reconheceu oficialmente a Eslovénia como estado independente e em Maio do mesmo ano a Eslovénia tornou-se membro permanente da Organização das Nações Unidas. Hoje, faz parte do Fundo Monetário Internacional, Conselho da Europa, Organização Mundial do Comércio, Banco Mundial, programa "Parceria para a Paz" da NATO, Organização para a Segurança e Cooperação na Europa e em 1997 foi eleita como membro não-permanente do Conselho de Segurança da ONU, onde desempenhou a sua função com sucesso. Em 2004 a Eslovénia passou a fazer parte da União Europeia, num histórico alargamento que aumentou para 25 o número de estados membros.

É esta a história da Eslovénia até aos nossos dias. Uma história de coragem, luta, sofrimento e, acima de tudo, uma história de amor. A história de amor de um povo por si mesmo, a história de amor entre um povo e uma cultura, entre um povo e uma identidade, entre um povo e um país que nunca existiu realmente senão desde há 10 anos. Esse amor por algo que não se vê, só se sente, encorajou o povo Esloveno a travar uma luta sem tréguas por aquilo em que acreditava. E isso é quase mágico, é como um conto de fadas. E como qualquer conto de fadas, teve um final feliz. Um final que, afinal, não passa de um novo início... Para uma nação que de tanto ser nação conseguiu conquistar um estado, todas as portas se abrirão e tudo de bom poderá acontecer no século que agora se inicia.

Fonte: eslovenia.tapirus.net

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