Cândida é um fungo que pode proliferar em qualquer parte do tubo gastrointestinal, e a esofagite por cândida a cada dia torna-se mais diagnosticada pelos especialistas. Esse aumento deve-se a melhora dos estudos diagnósticos com a introdução da EDA e, ainda pelo aumento do número de pacientes imunossuprimidos, incluindo pacientes com transplante de órgãos, pacientes submetidos à quimioterpia por câncer, e inúmeras outras causas infecciosas, como a epidemia mundial de SIDA. Outros estados de enfermidade que contribuem para o desenvolvimento de candidíase são o Diabetes Mellitus e a malignidade. A candidíase esofagiana sintomática também tem sido descrita em pascientes sem nenhuma patologia de base. Nos anos antecedentes a introdução do exame endoscópico, o diagnóstico era feito pela ingestão de bário e a realização da esofagografia, que demonstrava áreas irregulares de exsudato, úlceras, estenoses, aperistalses, etc.
Entretanto, na esofagite por cândida, na maioria das vezes, as radiografias são normais (baixa sensibilidade). Se uma anormalidade for vista na radiografia, essa não deve ser de origem fúngica (baixa especificidade). A endoscopia é um método diagnóstico muito superior para a avaliação de esofagite por cândida.
Os sintomas presentes na esofagite por cândida são usualmente difagia e odinofagia.. Em adição, obstrução esofagiana pelas membranas de crescimento fúngico pode ocorrer. O diagnóstico é feito pela aparência endoscópica da mucosa esofagiana e pelo exame de escovado esofágico, guiado pela EDA.
Uma escala de graduação da esofagite por cândida tem sido proposta por Kodsi.
O exame endoscópico de uma esofagite precoce e leve, ou moderada demonstra pequenos amontoados de um exsudato branco e cremoso; a mucosa ao redor pode ser eritematosa ou regularmente normal à aparência endoscópica.
Com a evolução da doença para uma esofagite severa, grandes placas de exsudatos tornam-se evidentes, entremeadas com uma mucosa eritematosa e com ulcerações precoces. Estas alterações são características, mas não patognomônicas. A mucosas recobertas pelos exsudatos tornam-se muito eritematosas e friáveis, e os exsudatos mais volumosos. A mucosa gástrica além da junção escamo-colunar é quase sempre normal na visualização.
Com a progressão da inflamação e das placas exsudativas o esôfago pode se tornar estreitado ou até mesmo evoluir para um quadro de obstrução. Nesse ponto, são notadas friabilidade, sangramento e ulcerações, todas estas marcantes.
O diagnóstico diferencial endoscópico inclui a esofagite herpética e a esofagite de refluxo; cada uma presente com aparências endoscópicas similares.
Outras infecções esofagianas raras incluem esofagite por Torulopsis glabrata, Pneumocystis carinii e Lactobacillus acidophilus. Existem ainda casos reportados de úlceras aftosas do esôfago em pacientes portadores de SIDA, em que somente há a presença do vírus HIV. Isso, hoje em dia, também deve ser considerado na avaliação do diagnóstico diferencial.
Após o tratamento da esofagite por cândida, pode-se notar anormalidades residuais das mucosa, mais comumente apresentadas como uma irregularidade da superfície da mucosa.
O diagnóstico é usualmente feito pelo exame de escovado da mucosa esofágica, obtido durante o exame endoscópico. Uma escova de citologia delicada é passada sobre a placa ou exsudato e escovado seriadamente. Após a elaboração da lâmina de patologia corada por Gram, micélios e hifas podem ser vistas. Biópsias podem ser obtidas e examinadas por invasão da mucosa por cândida, especialmente em pacientes que se apresentam com a mucosa ulcerada, mas certamente esta não é a técnica mais difundida.
A cultura não tem valor diagnóstico, já que a Cândida é normalmente observada em 35-50% dos lavados de orofaringe e em 65-90% das amostras de fezes. Portanto, uma cultura positiva para cândida não é indicativo da doença. Se uma cultura é desejada, uma escova de citologia estéril deve ser passada sobre o exsudato, e logo após, cuidadosamente deve ser separada e levada diretamente para um meio de cultura Agar Sabouraud ou lavada com solução salina fisiológica seguida de cultura da solução salina. Sorologia também pode ser determinada como método diagnóstico para os quadros de esofagite invasiva por cândida, mas a sensibilidade e a especificidade do método sorológico ainda não são satisfatórias devido ao elevado número de resultados falso-positivos.
Fonte: www.medstudents.com.br
Doença do Refluxo Gastro Esofágico - DRGE é
a causa mais comum de esofagite, onde o ácido presente no estômago reflui para o esôfago causando queimadura química. O paciente com DRGE pode apresentar como sintomatologia dor no precórdio, simulando uma dor cardíaca, pode apresentar azia e pirose (sensação de queimor retroesternal) ou até mesmo problemas respiratórios (asma, broncopneumonia) ou do orofaringe (tosse, pigarro ou rouquidão).
A presença de bile refluida do duodeno parece ter muita importância em um tipo mais grave de DRGE, chamado de Esôfago de Barret. Este tipo está intimamente ligado ao câncer de esôfago.
Os casos leves são tratados com medicamentos que retiram a acidez do estômago e melhoram seu esvaziamento, bem como medidas como não deitar após as alimentações e dormir com a cabeceira da cama mais elevada. Para os casos mais graves e aqueles que não respondem ao tratamento clínico é proposta uma cirurgia que visa a confeccionar uma nova válvula na junção esôfago-gástrica para evitar o refluxo.
Severa esofagite causada pela ingestão acidental (crianças) ou com intuito suicida (adolescentes e adultos) de soda cáustica (hidróxido de sódio - presente em desentupidores de pia e materiais de limpeza. Recentemente um aumento significativo tem ocorrido devido a ingestão de solução cáustica comercializada de maneira informal e acondicionada em frascos de refrigerantes velhos, induzindo as crianças a pensar que se trata de bebidas convencionais.
Estes pacientes sofrem a ação do agente causando grandes transtornos, variando de intensidade na decorrência da quantidade e da potência do agente, variando no número de orgãos acometidos (boca, faringe, laringe, esôfago e estômago), a extensão e a profundidade das lesões determinam a qualidade de vida futura, que pode ser muito muito baixa, sendo submetidos a vários procedimentos endoscópicos (dilatações) ou cirúrgicos, devido ao estreitamento do orgão e à cicatrização anômala do esôfago.
Fonte: pt.wikipedia.org